Blog do Juarez

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Para lusófonos entenderem o que está havendo no Brasil

Como tenho amigos falantes de português mas que não são brasileiros e tem dificuldades para entender o que de fato está havendo no Brasil nos últimos 3 anos (e para alguns brasileiros desinformados também), resolvi mostrar em uma sequência de notícias que se encadenam para que tirem suas próprias conclusões…

1 – Dilma, do mesmo partido, o PT, e sucessora de Lula é eleita para seu segundo mandato.

2- Aécio o derrotado, do PSDB, faz “profecias” .

3- O PSDB de Aécio resolve derrubar a presidente via parlamento.

4- Junto com aliados de outros partidos tramam o golpe parlamentar e conseguem.

5- Logo após isso Cunha é apanhado em alta corrupção e é afastado.

6- Cunha sem mandato acaba preso e sem fórum especial é condenado em Curitiba, sua esposa contudo é inocentada por “falta de provas”

7- Nesse meio tempo o processo de “impeachment” segue no Senado contra qualquer plausabilidade jurídica na acusação.

8- O “grande crime” de Dilma ( a “pedalada fiscal”, mero ajuste de orçamento, praticado por todos os presidentes anteriores) nunca antes penalizado na história do país, e da qual foi isenta por perícia do próprio senado, é liberado após seu uso de ocasião.

9- Concluído o impeachment farsesco toma posse o vice, aquele mesmo que se engajou nas articulações com o PSDB, partido do candidato derrotado nas últimas eleições o Senador Aécio Neves e Eduardo Cunha o condenado por comprovada corrupção.

10- O governo Temer é tomado por escândalos de ministros e assessores envolvidos com corrupção.

12- O próprio Presidente é apanhado em gravações e delações mas é salvo pela sua base parlamentar.

13- Aécio Neves também se complica mas segue livre e no cargo

14- Iniciado em 2016 se acentua em 2017 o Lawfare sobre Lula, que pretende voltar ao comando do Brasil.

15- Reação de Lula e questionamentos sobre parcialidade

16- Lula assume que pretende à presidência e em 2018 se acelera o processo para a condenação em segunda instância, o que por regras em questionamento no Supremo Tribunal impediria a sua candidatura e ainda o levaria à prisão antes de esgotados os recursos de apelação.

17 – E assim Lula é preso, uns lamentam outros comemoram…

“O Brasil não é para amadores” é uma expressão autoexplicativa, por enquanto é isso… seguem manifestações diversas pela prisão e contra ela e aguarda-se novos lances jurídicos que podem libertar Lula nos próximos dias.

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Palavras “highlanders” X o cemitério de palavras.

Li artigo de nosso caríssimo Idelber Avelar, intelectual respeitado e muito festejado no ciberespaço brasileiro, publicado nesse domingo 1° de abril no Estadão, “Morte e ressurreição das palavras“.

O texto como sempre é bom e traz pontos interessantes, porém insiste em questão que se não se pode dizer central nas mais recentes discussões com e entre seus seguidores nas redes sociais, é ao menos recorrente, trata-se do uso do termo “golpe”.

A  objeção ao uso do termo fazendo referência ao impeachment de Dilma Roussef  em 2016 parte de três premissas básicas: a de que “golpe” é tradicionalmente utilizado para designar golpes de estado (em geral com participação militar),  que o impeachment não foi golpe já que seguiu um rito legal  e por fim que quem utiliza  o termo “golpe” é petista ou “parapetista” e o faz abusando da dubiedade do termo, cujo  sentido geral é o de trapaça/engodo, porém segundo os objetores, não aplicável no sentido de golpe de estado.

Há ainda três argumentos complementares, o de que o uso é “oportunista” e que mesmo admitindo outros conceitos de golpe que não o  de estado ou militar de estado, o uso sem a adjetivação seria tentativa de induzir ao entendimento “usual” (na visão dos objetores), por fim, que “antes de 2016 ninguém chamava a proclamação da República de golpe, nem mesmo o impeachment de Collor”.

Em tal  ampla questão é que divirjo e explico o porque. Temos o sentido geral e coloquial do termo “golpe”, sem adjetivação e os adjetivados por “de estado” , “de estado militar”, “militar”, “civil-militar” , “parlamentar” ou “parlamentar-palaciano”, ou seja, não há apenas um sentido válido de emprego. Importante lembrar que o uso brasileiro de “golpe parlamentar” antecede em ao menos uma década ao “Coup d’ État” surgido no contexto de Napoleão III, não por coincidência os historiadores são os principais intelectuais utilizadores do termo para referir 2016, já que na área se conhece e admite golpe em todas formas.

Não se pode negar “tradição” ao emprego de “golpe” em sentido de golpe parlamentar, há registros desse emprego literal no Brasil desde meados do século XIX, assim como do emprego recente e até anterior ao episódio do impeachment, o que tornam falaciosas todas as quatro  primeiras premissas/argumentos que objetam o uso do termo para o impeachment de Dilma em 2016.

O quinto argumento, o de que a falta de adjetivação é “desonesta” e propositalmente utilizada para confundir, é desconstruída pela simples observação que se há tradição também no uso de “golpe parlamentar”, qual o motivo para “exigir” adjetivação quando não  é exigível para “golpe de estado” ? Independente de qualquer das formas de emprego, a essência do fato é mantida, que é o apeamento precoce e irregular de um governante legitimado.

No caso de 2016, mesmo o impeachment tendo seguido um rito, o foi de forma farseca e não deixa ao fim e ao cabo de ser produto de golpe na maioria dos seus sentidos e efeitos.

O sexto argumento também é falacioso, pois contra Collor de Mello pesavam acusações compatíveis com impeachment e ele renunciou à presidência antes disso, porém seguiram com o processo à revelia, o que na realidade causou um “impeachment vazio”, dai não ter sido um golpe.

Já o outro ponto também é falho, pois não é de hoje que se registram manifestações à proclamação da República como golpe, a exemplo (2010):

Abaixo alguns textos do XIX e do XXI anteriores a 2016 que demonstram que se há “morte e ressurreição” das palavras, não é o caso de “golpe”, que como o personagem do épico filme “Highlander” atravessa os séculos sem morrer e nem ressucitar com novo sentido, ou seja  vivo, apenas ganhando evidência quando as circunstâncias exigem.

Sem citação padrão, os textos podem ser facilmente encontrados na Hemeroteca online da Biblioteca Nacional por meio de busca com a tag “golpe parlamentar” no período 1840-1849 e 1880-1888.

Exemplos de uso em trabalhos acadêmicos e imprensa anteriores a 2016:

A Corte negociada: a presença de Aureliano Coutinho no golpe da maioridade de 1840. (2005)

Golpe Parlamentar da Maioridade: construção da ordem Imperial. (2010)

Em 1997 Hélio Gaspari falava em golpe ao comparar a conquista da reeleição por FHC com o golpe da maioridade de 1840: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/2/02/brasil/21.html&hl=pt-BR

A própria Câmara dos Deputados usa o termo golpe parlamentar-palaciano:

Pode-se perguntar “e por qual motivo não se fala de outros golpes parlamentares? só do da maioridade…”, simples, porque até então havia sido o único golpe efetivo não militar em nível nacional (há pelo menos dois outros episódios mas pelo alto nível de polêmica melhor desconsiderar).

Para concluir é interessante ler o instrutivo artigo de Pedro Dória que traça a história dos golpes no Brasil, coincidentemente considera o golpe da maioridade (feito dentro do rito constitucional, mas com “trapaceamento”) como o primeiro, porém cria um paradoxo no final ao afirmar que o impeachment “não cabe como golpe”, já que é previsto constitucionalmente…, concordaria se a referência fosse à um impeachment “de verdade”, não um farsesco,  recall travestido de impeachment.  Quanto a esse último ponto prefiro deixar a opinião de alguém que sabe muito bem o que é constitucional ou não e os meandros do poder e não é petista nem “parapetista”, com a palavra Joaquim Barbosa: Vídeo Youtube .

 

 


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A presidente e o vento estocado, quem diria…, não é “viagem”

armazenamento da energia eólica- excedenteAs vezes penso que os difíceis de entender discursos da nossa presidente da república e as ideias embutidas, são apenas uma lógica bem diferente da corriqueira (mas não completa falta de lógica…), uma forma de organização do pensamento e exposição que simplesmente a maioria não consegue acompanhar…, vendo a questão do “armazenamento de vento” por exemplo, a ideia não é original dela nem exclusiva, já foi pesquisada e até parcialmente empregada na Alemanha e em uma usina nos EUA, um projeto que previa o armazenamento de ar-comprimido em um bolsão de rocha de aquífero em Iowa nos EUA, a partir do excedente produzido em um parque eólico nos momentos de pico de vento (na realidade não seria “armazenar o vento em si” mas utilizar a energia excedente produzida nos horários de pico de vento, para comprimir ar em bolsões de rocha no subsolo), só não deu certo por questões geológicas na região do experimento, mas a ideia não é estapafúrdia e poderia funcionar em uma situação adequada, portanto… .

http://midwestenergynews.com/2012/01/19/scrapped-iowa-project-leaves-energy-storage-lessons/


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Nilma Lino fica e cresce com o Ministério da Cidadania

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Com a Ministra Nilma Lino

Após mais uma “tensa” reforma ministerial temos um novo quadro com duas notícias, a primeira (que precisa ser melhor avaliada) é a fusão das três Secretarias Especiais que atendiam mais diretamente às demandas dos movimentos sociais, a das Mulheres, a de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e a de Direitos Humanos, a segunda (que de antemão é boa notícia) é que fica à frente da nova pasta, a Profa. Nilma Lino, que já era Ministra titular da Igualdade Racial, que em relação aos três nomes aventados anteriormente (Miguel Rosseto, Moema Gramacho e Benedita da Silva) todos petistas e por tal incensados e reivindicados pelo PT, Nilma Lino é a única reconhecida como “do Métier”, sem objeções generalizadas pelos movimentos sociais, e não tem filiação partidária, é mulher, negra e com histórico nos movimentos sociais (Benedita da Silva é um caso a parte, e sofre algumas objeções pelos movimentos sociais, apesar de ter sido Senadora, Governadora do RJ, Ministra da Assistência e Promoção Social, atualmente Deputada federal).

As Secretarias Especiais com status de Ministérios, sempre sofreram de uma “subnutrição crônica” com orçamentos muito modestos e estruturas reduzidas, espera-se que com a nova situação haja um “emponderamento” na estrutura, dotação e condição política no trato das questões pertinentes, inclusive em ações diretas e de fomento em outras pastas e instituições públicas e privadas.

Alguns ativistas demonstraram preocupação com a extinção ou incorporação da SEPPIR, eu particularmente há muito acho que a incorporação por um ministério de atribuições mais amplas poderia ser positivo (ainda mais com alguém que conheça e tenha compromisso com a causa negra, e representando a população afrobrasileira melhor ainda… escrevi sobre há uns anos ainda no DILMA I, SEPPIR, para que e até quando ?  https://blogdojuarezsilva.wordpress.com/2011/11/01/seppir-para-que-e-ate-quando/


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Presidente Dilma elege as Mulheres para explicar a crise e medidas pouco populares

Hoje no dia internacional da mulher, a Presidente da República Dilma Rousseff, depois de um período em que não se dirigiu à nação e nem atendeu  a uma pressão geral para que se manifesta-se sobre a recente crise econômica, as medidas governamentais tomadas em função da crise e para controle dos gastos públicos, bem como a questão da corrupção na petrobras, veio a público em cadeia nacional falar sobre tudo,  a estratégia de falar “diretamente” às mulheres e por tabela aos homens pode ter bons efeitos, afinal as mulheres em geral tem um tino gerencial natural e sabem bem que por em ordem as coisas exige sacrifícios… . Pediu confiança e paciência e declarou que não haverá perdas das conquistas em especial das classes trabalhadoras e média, nem prejuízo aos programas sociais, que a crise é temporária, resultado da conjuntura internacional pós 2008, e será sanada com os primeiros resultados visíveis ainda esse ano e que as medidas apesar de duras são e serão suportáveis a todos.

Aproveitou para sugerir que busquem dados para entender o que acontece e de forma “polida” deu a entender que a grande imprensa orquestra um processo de desinformação com interesses desestabilizadores, anunciou  também a sanção do feminicidio como crime hediondo

Bom, é esperar para ver a reação geral…, particularmente gostei do tom.

Leia o discurso na íntegra na Folha de SP :

 http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/03/1599999-leia-a-integra-do-discurso-de-dilma-no-dia-internacional-da-mulher.shtml


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De onde é que vem esses votos ???

Aécio-Alckmin

Até entendo quem pelas mudanças no PT  após o poder, queira renovação e alternância e busque outra alternativa à esquerda… (quem escolheu Luciana Genro ou  Eduardo Jorge), entendo quem desconfia da Marina (ou arranje mil desculpas para que uma negra, amazônica, de aparência frágil e evangélica não chegue ao cargo máximo da república, afinal ainda estamos no Brasil… já se foi até longe dadas as circunstâncias…), entendo mais ainda quem por histórico social privilegiado, esperada insensibilidade social  e resistência egoísta e classista às mudanças que reduziram enormemente o fosso entre ricos e burgueses remediados e os tradicionalmente excluídos…  repudie PT e esquerdas e vote com os tucanos e aliados tradicionais; entendo até quem vota em sintonia com o pensamento retrógrado e destemperado dos “nanicos”.

Mas está difícil de entender de onde é que vem quase 35 milhões de votos para o PSDB (com o histórico negativo que tem para o país) e principalmente para o Aécio ( de histórico pouco positivo e único dos candidatos em que se pregou um escândalo direto e pessoal como o caso do aecioporto…).

Só das elites numericamente não pode ser…, quem só queria “alternância” descarregou em Marina…,  os maiores beneficiados pela duodécada petista (leia-se pobres)  e o pessoal de maior consciência social obviamente deram os  mais de 43 milhões de votos para Dilma…, mas tá difícil de identificar quem  são  e quais os “motivos” desses milhões e milhões que se aliaram às elites (mas obviamente não fazem parte dela) e renegaram os avanços sociais trazidos pelo PT e a expectativa de alternância trazida por Marina… .

Talvez tenha sido o mesmo pessoal que reelegeu Alckmin em SP (e no primeiro turno com  mais de 12 milhões de votos [57 %] )  a despeito de tudo de ruim que ocorreu nos 20 anos de dominação tucana no estado (e ainda vai ocorrer…, nem a iminência de acabar a água na maior capital do país  disparou o “voto da mudança”),  somando aos   12 milhões do maior colégio eleitoral do país… de Minas vem 4 milhões de votos para governador do PSDB, do RJ mais 3 milhões e tal… , ou seja menos de 20 milhões de votos de onde se esperaria que viriam majoritariamente, mas e esses outro 14,5 milhões espalhados por todo o restante do país ????,   desconfio que “no frigir dos ovos” pode ter sido a mesma turma que foi fazer “micareta sem causa” nas ruas em junho/13  (lembrando que alguns manifestantes até tinham causa definida e clara, mas era uma minoria…), outra coisa que causa estranheza é um estado em tese vanguardista como o RJ eleger (e com a maior votação) como Deputado Federal  Jair Bolsonaro (que defende claramente um pensamento semelhante ao de FIDELIX, sendo que esse último foi nacionalmente objetado ), vá entender…,  elocubrações meras elocubrações, mas  afinal quem é esse pessoal  que vota a partir de uma lógica que não é óbvia para a maioria das pessoas ??? .


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Nomes aos bois: os sicários da mídia má.

Poderia escrever algo mais detalhado sobre esse acontecimento, mas o texto de Paulo Nogueira, que reproduzo parcialmente abaixo, já o faz com maestria…, é essa mesma gente de quem ele fala, que não por coincidência também foram os “grandes gurus” da “campanha” (felizmente perdida) da turma anti ações afirmativas (AA) para a população negra (notadamente as cotas universitárias) aos quais “batizei” de “neo-democratas-raciais”.

O desabafo de Trajano

por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

E eis que José Trajano, da ESPN Brasil, viralizou.

Um vídeo em que ele cita quatro colunistas que instigam ódio circula freneticamente pela internet nestes dias.

Ele enxergou, com razão, uma relação espiritual entre os que xingaram Dilma no estádio e os colunistas que mencionou.

Trajano falou de Demetrio Magnolli, Augusto Nunes, Mainardi e Reinaldo Azevedo, mas poderia falar de muitos outros.

Outro dia li uma expressão do Nobel de Economia Paul Krugman e pensei exatamente no tipo de jornalista da pequena lista de Trajano.

São os “sicários da plutocracia”. São pagos, às vezes muito bem pagos, apenas para defender os interesses de seus patrões.

Os Marinhos, ou os Frias, ou os Civitas, ou os Mesquitas, não podem, eles mesmos, assinar artigos em defesa de suas próprias causas. Então contratam pessoas como as de que Trajano trata.

Muitos leitores, em sua ingenuidade desumana, vêem alguma coragem nos “sicários da plutocracia”.

É o oposto. Ao se alinhar aos poderosos – aqueles que fizeram o Brasil ser um dos campeões mundiais da desigualdade – eles têm toda a proteção que o dinheiro é capaz de oferecer.

Não correm risco de ficar sem emprego, por exemplo. Podem cometer erros grosseiros de avaliação, de prognóstico, de estilo, do que for.

Mesmo assim, estarão seguros porque cumprem o papel de voz dos que podem muito.

Texto integral em : http://www.viomundo.com.br/denuncias/os-que-promoveram-caca-as-bruxas-agora-reclamam-de-lista-negra.html