Blog do Juarez

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Djamila e a bolsa da Prada, problema para você? Para mim não…

Postagem de rede social

Só vendo a geral criticando a Djamila Ribeiro, negra formada em Filosofia, Professora, Ativista e que fez sucesso como escritora e editora na temática do racismo e feminismo. Bora se atualizar gente… A luta negra não é uma luta socialista, ela é integracionista…, não defendemos resumir a pirâmide de Maslow apenas ao seu centro, embora a redução da sua base com o aumento da mobilidade social e redução drástica da pobreza e miséria, independente de recortes, seja uma luta compatível e embutida. A luta negra é pelo direito de não ser limitado em nenhum aspecto pela cor/origem, assim como a luta do feminismo, não é em essência uma “luta contra o capital” mas sim contra a hegemonia excludente.

Não dá para deixar de observar que as críticas tem um viés também racista, mesmo que inconsciente, muita gente acha que negro e luxo são coisas incompatíveis, e quando se juntam atraem questionamento e atenção que não é dada quando não se trata de pessoa negra. Outro ponto é a crítica socialista, que não consegue desvencilhar ativismo de luta de classes segundo paradigmas marxistas, o que está longe de ser um real enquadramento do que é ativismo.

Já cantavam os Titãs… em “Comida”

“A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte

A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer”

Se você é millenial e não conhece o sucesso do rock brasileiro dos 80 segue o link do clipe: https://youtu.be/hD36s-LiKlg

Para fechar esse primeiro bloco lógico, o que quero marcar é que a maioria da crítica tem fundo na verdade em uma observação que já foi sistematizada faz tempo:

Segundo (Blumer, 1939) “São quatro os sentimentos que estarão sempre presentes no preconceito racial do grupo dominante: (a) de superioridade; (b) de que a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena; (c) de monopólio sobre certas vantagens e privilégios; e (d) de medo ou suspeita de que a raça subordinada deseje partilhar as prerrogativas da raça dominante.

Sigamos, não fulanizar a questão portanto é importante, pois não é iniciativa pessoal nem só a Djamila a entrar nessa, é um fenômeno mundial. A publicidade do luxo é que mudou a linguagem para se adaptar aos valores dos millenials, que sim, ainda gostam de luxo, mas querem equilibrar isso com algum link com justiça social. (Paradoxal ? pode ser, mas é a realidade que o mercado enxergou, e não vai se desviar dela 🤷🏿‍♂️)

⬆️Chamada de matéria sobre o assunto na Veja

Alguém lembra da posse do Biden? Teve uma jovem ativista e poetisa negra que “roubou a cena”, Amanda Gorman, formada em Harvard e que estava vestida de Prada dos pés à cabeça… vide: https://youtu.be/zzPl4TXMK0g

Tem gente “temendo” que em breve Djamila apareça fazendo publicidade de plataforma de investimento, como se isso fosse um “pecado imperdoável”, o que é uma grande bobagem. Eu sou negro, ativista tem quase 35 anos, sou investidor na bolsa americana, nacional e em criptmoedas… e não teria problema nenhum em fazer publicidade para uma plataforma de investimento (alô mercado publicitário estamos aí viu ? 😉)

O problema da geral é não entender que lutar por igualdade é lutar pelo direito de não ficar só no gueto, de poder fazer e usufruir o que a capacidade de cada um possibilitar, sem ser limitado por preconceito, discriminação e desigualdade… .

Ativista não faz voto de pobreza, nem vive só de ativismo, a gente só quer a mobilidade social sem impedimentos artificiais… Afinal “A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte, a gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade” 😉.


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COTAS PARA NEGROS, DOIS CASOS DE ERRO

Segundo caso de repercussão que comento em uma semana. O primeiro uma óbvia “permissividade” em que alguém sem marcas de fenótipo razoáveis (Ricardo Barros) soube-se foi aprovado em concurso público na cota para negros,  agora esse em que a “negritude” do candidato é no mínimo equivocadamente questionada.

As comissões de heteroidentificação devem ser formadas por pessoas conhecedoras da questão e conceitos envolvidos, deve também ter composição diversa, com homens, mulheres, pessoas pretas, pardas e brancas.

Se é verdade que a comissão foi composta somente por pessoas negras (e geralmente quando dizem isso não estão falando em negros na acepção correta mas em pessoas de cor preta) além da não presença (mesmo virtual) do candidato na avaliação, está absolutamente errado. Principalmente se essas pessoas tem formação duvidosa para lidar com a questão corretamente, coisa comum à  neoativistas, coloristas e  pessoas que não sabem a diferença de negro e preto… .

Isso é grave e não pode ocorrer 😒

Matéria em: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2021/07/11/militar-filho-de-indigena-tenta-provar-que-nao-e-branco-em-cota-de-medicina.htm


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Gato que nasce no forno…, ou o terraplanismo panafricanista de facebook

Na temporada que passei lecionando em Moçambique anos atrás, aprendi um ditado que era usado pelos portugueses e seus descendentes nos tempos coloniais, que no caso foi até meados dos anos 70 do século passado, portanto “recente”. O ditado dizia “Gato que nasce no forno não é biscoito, é gato”, ou seja, não importa o local de nascimento, mas sim de quem se descende. Era uma forma de “proteger” os filhos e “proteger-se”, no caso dos nascidos na colônia, da identificação estigmatizante como africanos, apenas por terem nascido no continente.

Era uma utilização obviamente racista e negacionista. Racista por entender que ser africano, mesmo que de origem européia era “ofensivo” e segundo por negar uma condição óbvia chamada NATURALIDADE.

Fiz a introdução para demonstrar o quão tortas e falaciosas são as premissas de “panafricanistas de facebook” que se identificam como “Afrikanos” ou “Afrakanos” não o sendo. Usando a mesma lógica, do “não importa onde nasça só seus ancestrais é que te definem”, acabam por repetir a mesma barbaridade que unia os racistas da Klu Klux Klan, que viam os negros que ajudaram a construir os EUA como alienígenas africanos (enquanto não se viam como invasores alienígenas da América) e desejavam mandar os negros para “o seu lugar, a África” e os seguidores de Marcus Garvey, que pretendiam se apossar da África por se considerarem “africanos”, apenas pela descendência.

Não é à toa que são tão agressivos, renitentes e fascistóides como os terraplanistas e outros tipos de negacionistas que se agrupam ou sobrepõem. Por mais que se apresentem argumentos e evidências nada os demovem da “fé cega” e da negação das evidências.

Quando topo com um desses ai pela web, lembro dos neonazistas brasileiros que escreveram para um grupo neonazi alemão e foram esculhambados, rechaçados e chamados de “cucarachas”, ou mais recentemente dos “brancos do sul” que foram mortos pelos gringos no filme Bacurau. Exemplos de percepção fantasiosa e identidade falaciosa.

Vou dar um exemplo, é comum no Brasil as vezes se referir ou apelidar às pessoas por sua ancestralidade, “Alemão”, “Japonês”, “Turco”, “Portuga”, quando há um fenótipo ou informações que apontem para essas origens nacionais… . Isso porém não ocorre com todo brasileiro dito “branco”. Por outro lado, diga sinceramente se você já viu algum branco brasileiro, mesmo os descendentes de imigrantes mais “recentes” se dizendo “EUROPEU” ou assim sendo referenciado ??? . Ser branco não é necessariamente ser europeu, no mais das vezes é ser eurodescendente, o que é coisa distinta. Então por que raios, alguns afrodescendentes, afrodiaspóricos querem insistir em se dizer “Afrikanos” ou “Afrakanos” quando NÃO SÃO ???. Qual é a dificuldade de entender que africano é quem nasce em África e que quem descende de africanos é afrodescendente. ? As palavras não existem e são diferentes à toa.

Não venham brigar comigo, vão brigar com os livros, dicionários, com a ONU…, que diz claramente em seu glossário que afrodescendente “é uma pessoa de descendência africana subsaariana, mas NÃO É ele(a) mesmo(a) africano(a).”

Na terraplana panafricanista de facebook, evidências e referências não contam, anos de estudos sobre África, africanos e diáspora não contam, experiências reais em África não contam…, só o que conta é usar a mesma lógica racista e estapafúrdia, do “não sou biscoito só por ter nascido no forno”, se fantasiarem de afrakanos (com coisas que nem os próprios africanos usam) e saírem bradando mecânica e insistentemente “Sou Afrikano”, além é claro de atacar quem por N motivos não concorda.

Enquanto isso, depois de 3 décadas de estudos, alguma grana gasta com livros, incontáveis horas de pesquisa em N meios, cursos sobre História e Cultura africana e afrobrasileira, temporada em África para uma experiência real, seminários, congressos, vivências culturais, artigos, capítulos de livro publicados, reconhecimento público e acadêmico na temática, lá vem aquela meninada que não consegue se contrapor a um argumento no mesmo nível, gastar sua agressividade, arrogância e soltar emojis com risadinhas… . Se a gente após todo esse trabalho “não pode” nem opinar no que conhece, fico imaginando o que é que os autoriza sem nada disso.


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Contas digitais X racismo e desigualdade

Faz tempo, vira e mexe, escrevo sobre  tecnologia e as vantagens democratizantes da sua utilização, inclusive no “drible ao racismo”.

A exclusão bancária foi até pouco tempo difícil de contornar. O capitalismo só se mexe para incluir quando ele mesmo ganha com a inclusão. A questão é que antes não se visualizava as classes D e E como fatia de mercado. Parte por preconceito, parte por uma real e maior desigualdade que fazia o consumo e movimentação financeira básicas ao mínimo, e finalmente por falta de tecnologias que permitissem não apenas mudanças de formas de renda e hábitos de consumo nas citadas classes, bem como, uma massificação da oferta de serviços pelo mercado financeiro.

Com a internet, a telefonia celular e uma infinidade de serviços eletrônicos e online, como o comércio eletrônico, as redes sociais, o teletrabalho e a automação bancária, muita coisa mudou. Me lembro quando uma década e meia atrás, morando em Moçambique, vi as pessoas transformando seus celulares em máquinas de pagamento e recebimento pela transferência livre de créditos de celular de uma linha para outra, usados então como moeda eletrônica. Isso dava um certo “bypass” no sistema bancário.

No Brasil, a grande maioria das classes C, D e E é negra, boa parte dela na informalidade, porém participante ativa da economia e mercados.  Ter uma conta bancária, poder fazer transferências, receber e pagar sem ser em dinheiro vivo era para uma minoria, em geral empregada e com uma conta salário aberta pela empresa. Mesmo quem tinha condições privilegiadas não estava livre de sofrer discriminações e até violências nas agências bancárias ao buscar serviços ou resolver simples questões de suas contas. Exemplos de travamento de porta-giratórias, descasos de atendimento, “mata-leões” e até tiros recebidos dos seguranças da sua própria agência bancária não faltam… .

As contas digitais permitiram à esses historicamente excluídos bancários, acessarem até mais que os serviços básicos que normalmente necessitam. E principalmente permitem que se evitem as agências bancárias e todos os problemas já citados, praticamente tudo que se fazia nas agências hoje pode ser resolvido a partir do smartphone, o que também já não é “luxo” e está muito espraiado mesmo nas classes mais desfavorecidas (obviamente não estou falando do “under class” os “pobres dos pobres inatingíveis”).

Já ouvi, principalmente vindo de uma esquerda branca marxializada que nunca foi barrada na porta giratória, nem se sentiu na iminência de um tratamento discriminatório racial, que meu posicionamento é de “integração ao capitalismo” e “fuga de luta” pelo tratamento isonômico e antirracista no sistema, ou que o digital é uma forma de apartheid que cria uma classe que fica distante das agências.   Vou dizer, estou nem aí para isso…, não pretendo “fazer a revolução”, tomar os meios de produção e o sistema financeiro, tampouco insistir em escaramuças evitáveis com o racismo institucional e ficar perdendo tempo, “gastando bílis”e ainda por cima arriscando minha integridade física e moral em atendimento presencial, isso não é de fato necessário nem vantagem.

Sou da prática. Vivemos em um sistema que pode sim ser contestado, alterado com muita luta, mas convenhamos, assim como no judô as vezes é melhor se adaptar ao adversário e usar sua própria força para derruba-lo, ou ao menos apanhar menos dele… .

No fim o que importa é ver um monte de gente que vivendo no capitalismo e em um ecosistema tecnológico era extremamente excluída, e hoje muitíssimo menos.


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Como fazer um lead falso, alarmista e impreciso antiEaD usando negros para sensibilizar.

Apesar de enquanto especialista em EaD obviamente ter um lado claro contra esse tipo de ataque, enquanto ativista negro me considero insuspeito para dizer que esse tipo de manipulação é desnecessária e prejudicial à causa negra, já que mais cedo ou mais tarde é demonstrada falaciosa, e com isso se perde credibilidade por conta de “forçação de barra neoativista”. Sinceramente não gosto, nem acho produtivo, ter que “atirar” contra os manos e manas, mas o pessoal não ajuda… .

Estou falando dessa matéria publicada no “Alma preta”.

O que esse lead dá a entender é uma generalização absurdamente falaciosa.

Quando vemos por exemplo uma outra pesquisa ampla e recente temos o seguinte:

Mais do que claro portanto que em linhas gerais seria IMPOSSÍVEL ter 2/3 dos negros (pretos+pardos) que compõem mais de 56% da população, ou apenas dos estudantes negros, sem acesso mínimo a internet e consequentemente sem condições de estudo remoto.

Já o estudo citado na matéria diz ter utilizado microdados dos inscritos no ENEM 2019. O que não diz é o quanto os estudantes que se inscreveram no ENEM correspondem populacionalmente, tampouco a representatividade populacional dos aproveitados via ENEM no ensino superior, o que seria importante para se ter uma ideia geral de exclusão provocada por falta de acesso a tecnologia.

Por outro lado a própria matéria diz textualmente:

“Segundo o estudo, realizado a partir de microdados do Enem do ano passado, entre todos os estudantes que compareceram nas provas, 21% não tinham estrutura mínima para estudar à distância. Desses 21%, quando se trata dos candidatos negros – pretos ou pardos – essa proporção sobe para 27,72%. Para indígenas, o número é de 39,58%. No caso de brancos, a taxa cai para 11,29%.”

Mesmo que o lead esteja falando de inscritos para o ENEM e o conteúdo dos que EFETIVAMENTE compareceram às provas, no geral 21% informaram não ter o acesso internet, se considerados pretos e pardos passa para quase 28%, o que é compatível com os dados gerais de que 25% da população é excluida do acesso, não é um percentual baixo, tampouco que ignora a maior exclusão entre negros, mas daí a falar em “70% dos estudantes negros” vai longa distância.

Outro ponto é a insistência em que essa exclusão computacional e de internet, inviabiliza o EaD. Dupla falácia, primeiro porque a esmagadora maioria, mais de 70% TEM ACESSO, mesmo entre os negros. A segunda é devido ao fato que EaD não se faz apenas ONLINE…, aqui no Amazonas por exemplo tivemos muito bem sucedida experiência de preparatório pré-vestibular popular feita pela TV pública e com fascículos semanais encartados no jornal de maior circulação.

Ou seja, novamente vemos um ataque a EaD enquanto modalidade, agora travestido de “preocupação” com a exclusão racial, antes falavam em pobreza em geral, mas parece que não estava fazendo muito efeito…, Aliás já fiz postagem sobre isso

A “preocupação” metapreconceituosa e o recurso ao “under class” contra a EaD na pandemia

Volto a insistir, meu ponto de vista não ignora que haja exclusão, mas não admite que ela tenha a extensão que alguns pretendem dar, ou que a mesma seja causada meramente pela aplicação da modalidade. Se ela existe fora ou dentro do contexto pandêmico é justamente pela falta de investimento público e preparação para utiliza-lá proveitosa e democraticamente, que é o que deve ser cobrado. Bem diferente de quem na verdade só pretende atacar a modalidade se utilizando de confusão, e sensibilização piegas.

Quanto ao ENEM 2020, acho impróprio, não por essa argumentação falaciosa de “falta de acesso”, mas pelo contexto pandêmico e consequências pela surpresa e falta de preparo geral para lidar com elas.


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COMO SURGE UM FACTÓIDE HISTÓRICO-IDENTITÁRIO

😒

1-Alguém vai à uma exposição em um espaço afro (provavelmente no Chile) e vê um quadro com uma mulher negra amamentando um negro adulto e preso por grilhões. Não se sabe se alguém ali “explica” o quadro como uma prática comum dos tempos da escravidão, ou a própria pessoa é quem interpreta assim e publica foto em um site ou perfil de uma organização “afrocultural” chilena, o que faz parecer “confiável”.(atualização: antes de chegar ao perfil chileno a imagem com o texto aparece a primeira vez em uma publicação online da revista AFROCOLOMBIANA Negarit em Setembro de 2016)

2- Um perfil brasileiro do Instagram “especializado em História e entretenimento” reproduz… sem maiores verificações o conteúdo chileno e um outro perfil brasileiro e respeitado reproduz a reprodução… .

3- Tal perfil tem uma “pegada” de “apoios identitários”, ou seja, com muitos seguidores que se entendem “ativistas” ou simpatizantes de causas como a negra, feminista, feminista negra, indígena, LGBTTQIA etc…, que por sua vez acrescentam aos comentários suas próprias pautas e visões, por exemplo “a força da mulher negra ‘salvando’ os homens negros desde os tempos do cativeiro”, logo aparece o discurso da “ingratidão dos homens negros” e óbviamente o da “solidão da mulher negra”(atribuída sempre e somente aos homens negros…, jamais ‘cobrada’ dos homens brancos ou aventado o evitamento de homens negros pelas próprias negras 😒).

4- Tais “seguidorxs” então começam a replicar em suas redes sociais a “descoberta histórica” junto com suas análises identitárias… e a coisa se espalha.

5- Aí vem um “historiador chato” (eu 😏) que diz “PERA AÍ”, eu enquanto bem familiarizado com o tema nunca ouvi falar disso e tem coisa errada ai… a começar por detalhes na imagem como o traje da suposta escravizada negra. Aí com cinco minutos de rastreamento e pesquisa web está “morta a questão”…

O tal quadro é apenas uma “versão negra” do antigo conto romano de Pero e Cimon… 🤔, filha que amamentava o pai preso ao visita-lo para que não morresse de fome… . O que inspirou uma série de obras de arte sobre o tema ao longo do tempo, conhecidas genéricamente como “Caridade Romana”… . NÃO TEM NADA A VER COM ESCRAVIDÃO NEGRA, muito menos dá “suporte” para as N ilações identitárias que quiseram “colar” a partir da imagem….

“BORA” SER MAIS RESPONSÁVEIS ANTES DE SAIR REPOSTANDO TUDO QUE VÊ só porque a fonte parece confiável ou “engajada identitariamente”… 😒 #fakenews #fakeolds #fakehistoria

🚨EM TEMPO: o perfil de alta visitação que viralizou o fake RETIROU a postagem em função do nosso esclarecimento. 😉


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Pela abolição da estupidez e da ode acrítica ao 13 de maio

O 13 de maio, data da abolição malfeita da escravidão no Brasil, já estava sendo há alguns anos colocado no lugar que deve ocupar na história do Brasil e no sentimento popular. Porém, o rumo reacionário, fascista e racista exacerbado dos últimos tempos nos trouxe à um real retrocesso, inclusive nos níveis institucionais.

Com a estratégia governamental de desmonte das conquistas ambientais, sociais, educacionais e culturais por meio dos “antiministérios”, ou seja, ministérios e secretarias ocupadas por gente que vai justamente no sentido contrário dos objetivos naturais das pastas e aspirações dos recortes relacionados, perdemos enquanto população negra, todas as instâncias estatais de valorização da cultura e combate ao racismo e desigualdades, como a SEPPIR e mais recentemente a Fundação Cultural Palmares.

O caso da Palmares é ainda mais emblemático, pois usa e abusa do cinismo METARRACISTA com requintes de deboche. À frente da fundação temos uma pessoa negra que é antítese do pensamento e de tudo pelo qual protoativistas e ativistas negr@s tem lutado nas últimas 13 décadas. Quando o próprio irmão de sangue o chama publicamente de “capitão-do-mato”, não está fazendo uma “injúria racial”, mas sim uma analogia sócio-histórica com uma figura patética que a serviço do status quo escravista/racista buscava impedir o natural direito à liberdade e dignidade dos que fugiam do execrável cativeiro no passado e que transposta aos dias atuais, segue servindo ao status quo METARRACISTA, com a finalidade de desmontar a luta anti-racista e os avanços da população negra.  O fato de majoritariamente terem sido os capitães-do-mato também negros é apenas um detalhe sórdido das práticas racistas do grupo que no passado e no presente se “beneficia da desqualificação e exploração material e simbólica dos não-brancos” como diria Carlos Hasenbalg.

É ignóbil a proposta de retroceder ao “culto à princesa Isabel”, de trocar o nome da Fundação Palmares para “André Rebouças”, que apesar de abolicionista histórico é também conhecido pela sua fidelidade monárquica e pela sujeição inconteste à hegemonia branca e seus valores e modos de ser (a famosa “alma branca”, que pretos tinham que assumir e fazer ode, caso quisessem ser tolerados e obter alguma mobilidade social), feita pelo seu atual titular. Complementada pelo absurdo renegar de Zumbi do Palmares (herói do panteão nacional) e da data em sua homenagem e do quilombo de Palmares, o 20 de novembro, sobreposto pela “Consciência Negra”.

Neste momento cerca de 170 historiador@s negr@s estão em uma maratona coordenada de lives nas redes sociais, com 16 horas de duração, fazendo o cotraponto à essa tentativa de “ressuscitar” o 13 de maio na forma que foi antigamente. Nossas histórias e perspectivas serão contadas por nós mesmos, não para atender interesses antinegro.

Chamada do evento

O 13 de maio é data histórica, e como tal não deixará de ser lembrada, mas não será nunca mais utilizada para contar uma história laudatória à família real, à “bondade da princesa” e o exclusivo protagonismo de abolicionistas brancos, retirando dos próprios negros a sua histórica luta pela emancipação. Luta que se estende até os dias atuais. “Enquanto os leões não puderem contar suas próprias histórias, as histórias serão sempre as dos caçadores” (ditado yorubá), pois é, acabou a “história única” dos caçadores e seus admiradores acríticos.


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BRANQUEAMENTO, GENOCÍDIO E NECROPOLÍTICA

Penso que muita gente sofre demais para admitir algo óbvio e histórico e fica tentando formas eufemizadas de negar um identificado e histórico projeto de branqueamento nacional, que hoje chamamos NECROPOLÍTICA (política da morte).

1- Quando o Brasil já se encaminhava para a abolição da escravidão tivemos a guerra do Paraguai, para ela foi enviado grande número de negros, que no mais das vezes funcionavam como “bucha de canhão”, termo utilizado para os que morriam primeiro por estarem à frente, a população negra sofreu grande redução… . Não por coincidência ao fim da anterior Guerra dos Farrapos, foram entregues para morrer desarmados e emboscados os “lanceiros negros”, como parte do armistício. Caxias estava envolvido nas duas situações, nos Farrapos, em 1844 escreve ao chefe militar da campanha no sul ordenando que avance com suas tropas para massacrar os negros desarmados em Porongos (aonde havia outras unidades, mas apenas o acampamento dos negros foi atacado), a carta também dizia: “No conflito, poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro”. Já na Guerra do Paraguai (1864-1870) os poucos negros que sobraram, eram os que sabiam manejar as armas do Exército. Caxias escreve para o imperador demonstrando temor sobre o fato:

“[..] à sombra dessa guerra, nada pode livra-nos de que aquela imensa escravatura do Brasil dê o grito de sua divina e humanamente legítima liberdade, e tenha lugar uma guerra interna como no Haiti, de negros contra brancos, que sempre tem ameaçado o Brasil e desaparece dele a escassíssima e diminuta parte branca que há!”. O processo de ELIMINAÇÃO negra começa pelo medo de revoltas internas e avança para um projeto ideológico.

2- Entre 1869 e 1870 Arthur de Gobineau foi Ministro da França no Brasil (Embaixador) amigo de Pedro II. Segundo ele, o país apresentava raças inferiores e não tinha futuro, a miscigenação entre diversas etnias que ocorria na região originaria pardos e mestiços estéreis e degenerados. De acordo com suas teorias raciais, o Brasil estaria fadado ao fracasso e ao desaparecimento de toda a população, sendo que a única solução para o país seria a imigração de europeus, que, para ele, faziam parte de uma raça superior.

3- Em 28 de julho de 1921 Andrade Bezerra e Cincinato Braga, propuseram ao Congresso um projeto cujo artigo 1º dispunha: ‘Fica proibida no Brasil a imigração de indivíduos humanos das raças de cor preta.’ , ou ainda o apresentado a 22 de outubro de 1923, no qual o deputado mineiro Fidélis Reis apresentava outro projeto relativo à entrada de imigrantes, cujo artigo quinto estava assim redigido: ‘ É proibida a entrada de colonos da raça preta no Brasil e, quanto ao amarelo, será ela permitida, anualmente, em número correspondente a 5% dos indivíduos existentes no país.(…).” Alguns na mesma época chegaram a prever que em 70 anos não haveria mais negros no Brasil, como Carvalho Neto ao declarar: ‘Na fusão das duas raças vence a superior: o negro, no Brasil, desaparecerá dentro de setenta anos.’

4- Em 1944 em “A barca de Gleyre”, Monteiro Lobato, eugenista de carteirinha e que havia escrito um livro chamado “O Presidente negro ou O Choque” em que propunha eliminar a população afroamericana esterilizando as mulheres negras via um componente em alisante de cabelos dizia em carta à Renato Khell: “Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (…) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha. Esse era o espírito de boa parte da intelectualidade brasileira, que perpassava os políticos e governantes.

5- Essa intenção de ter um Brasil “branco”, ou seja, “livre” de negros (e o que seria isso senão o efeito de um etnocídio/genocídio persistente e “silencioso”) entra discretamente para o ordenamento jurídico nacional via o Decreto-lei nº 7.967/1945. cuidando da política imigratória, dispôs que o ingresso de imigrantes dar-se-ia tendo em vista “a necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia.” (artigo 2º), tal tipo de visão, oficializada em 1945, já fazia estragos de formas mais sutis antes e se reflete no projeto necropolítico atual.

É puro desconhecimento, ingenuidade ou má fé mesmo, tentar se valer APENAS de uma definição “dicionarística” para negar que o evidente e REGISTRADO extermínio resultante da violência policial e que atinge notadamente a população negra, não é resultado de uma aspiração e práticas históricas de ELIMINAÇÃO SISTEMÁTICA da população negra.

Isso fica muito claro, quando se vê quem morre mais pelas balas das polícias, mesmo quando não são “bandidinhos negrinhos” (como se referiu racista e recentemente o deputado federal bolsonarista Daniel Silveira ) nem estão “em confronto” com ninguém… . Aí vem do governo aonde se aumentou generalizadamente a letalidade policial, um “pacote anticrime” que visa aumentar a impunidade policial, o que na prática é uma “carta branca” para o projeto necropolítico, no qual quem mais morre são os negros… .


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Capitães do Mato tinham patente…

Em uma descoberta da minha emérita orientadora sobre patentes militares no Pará colonial, onde o foco era uma de “Alferes dos Índios”, notei na fonte exibida também uma outra de “Capitão do Mato”. Não sou muito fã de Colônia e Império, embora tenha até pesquisado sobre militares negros nos ditos períodos, nunca me ocorreu porém que “Capitão do Mato” fosse um “posto” de fato e obtido por patente, imaginava ser só uma referência de ofício e um tratamento popular dado aos caçadores de escravizados fugidos. Com a atenção chamada fui pesquisar e de fato, no Brasil colonial os capitães do mato tinham patentes, emitidas pelos governadores das capitanias ou mesmo pelo Rei. Outros pontos interessantes são que, diferente do senso comum, o capitão do mato não necessariamente era um “profissional liberal” que trabalhava sozinho, como sugere o famoso quadro de Rugendas ou como vemos nas novelas de época da TV. Na verdade existiram milícias chamadas “Corpos de homens do mato”, aonde não apenas atuavam em grupos organizados, como havia uma hierarquia ao estilo militar, com Soldados do mato, Cabos do Mato, Capitães do Mato, Sargentos-mor do Mato e Capitães-mor do Mato.
Por mais que a gente estude, sempre “come mosca” em algum sub-assunto e todo dia a gente aprende… ☺️, então bora compartilhar.


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“Contando os brancos”, ou Por que o brasileiro branco não enxerga seu metarracismo?

Ao republicar uma matéria jornalística falando do percentual de negros entre os mortos pela polícia, resultado da publicação do último Atlas da violência, recebi um questionamento: “por que vocês não contam os brancos também? , isso é preconceito…” seguido de uma “recomendação” para rever conceitos… .

Como um calejado ativista, estudioso da temática e também um educador, além de ter reconhecida e pública expertise, achei por bem didaticamente explicar a questão. Pois bem, então vamos lá:

Primeiro a pessoa tem que entender o que significa preconceito, depois discriminação, de posse dos dois conceitos deve buscar saber o que de fato é racismo. Com isso dominado vai saber o que é desigualdade racial e portanto qual motivo de se apresentar os indicadores estatísticos das questões que favorecem historicamente um grupo e prejudicam o outro.

Vejamos:

Retirado de https://www.diferenca.com

É necessário saber também que não existe preconceito ou racismo “reverso”, por isso é que sempre se denuncia o que é desequilíbrio… e normalmente a partir dos números que atingem os prejudicados principais, ou seja, “contando os negros”.

Podemos no entanto “contar os brancos” sim, e o que qualquer um vai ver é que nas coisas boas eles são sempre em maior proporção e nas coisas ruins eles são sempre menos…, entendeu ? 😉

Vamos “contar brancos” então:

Entenderam caríssimos ? “contar os brancos” não muda a realidade, só evidencia mais ainda a desigualdade, e isso é que deveria importar e indignar, não o fato de se denunciar a desigualdade a partir do indicadores dos negros…

Isso porém não é o pior, ainda há quem mesmo diante de todos esses dados e fatos insista em seguir no discurso da “divisão” sempre que se toca na questão da desigualdade racial.

Não somos nós que denunciamos a desigualdade que “dividimos” seja o que for, são a HISTÓRIA e REALIDADE que já fizeram isso, e é por conta disso os indicadores…, que eles insistem em ignorar para manter um discurso que não sabem mas se chama METARRACISTA (negar o racismo, ou em nome de um falso combate ao racismo, sugerir que não se fale mais dele ou não se tomem medidas para corrigir as desigualdades, deixando tudo como está, isso é trabalhar para o racismo, mesmo que involuntária e insconscientemente).

Você não divide quando coloca negros e índios em uma universidade que era só branca, você UNE, você não divide quando coloca negros no serviço público e em cargos elevados JUNTO com brancos, você UNE, você não divide quando favorece oportunidades para que negros tenham as mesmas condições que brancos e trabalhem juntos em pé de igualdade, morem juntos dividindo bairros de todos os tipos e não apenas bairros pobres…, você não divide quando permite aos índios manterem suas culturas e terras do jeito que eles querem… . A divisão é a realidade, quem quer ver enxerga…

Estamos trabalhando para mudar isso.