Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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Capitães do Mato tinham patente…

Em uma descoberta da minha emérita orientadora sobre patentes militares no Pará colonial, onde o foco era uma de “Alferes dos Índios”, notei na fonte exibida também uma outra de “Capitão do Mato”. Não sou muito fã de Colônia e Império, embora tenha até pesquisado sobre militares negros nos ditos períodos, nunca me ocorreu porém que “Capitão do Mato” fosse um “posto” de fato e obtido por patente, imaginava ser só uma referência de ofício e um tratamento popular dado aos caçadores de escravizados fugidos. Com a atenção chamada fui pesquisar e de fato, no Brasil colonial os capitães do mato tinham patentes, emitidas pelos governadores das capitanias ou mesmo pelo Rei. Outros pontos interessantes são que, diferente do senso comum, o capitão do mato não necessariamente era um “profissional liberal” que trabalhava sozinho, como sugere o famoso quadro de Rugendas ou como vemos nas novelas de época da TV. Na verdade existiram milícias chamadas “Corpos de homens do mato”, aonde não apenas atuavam em grupos organizados, como havia uma hierarquia ao estilo militar, com Soldados do mato, Cabos do Mato, Capitães do Mato, Sargentos-mor do Mato e Capitães-mor do Mato.
Por mais que a gente estude, sempre “come mosca” em algum sub-assunto e todo dia a gente aprende… ☺️, então bora compartilhar.


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“Contando os brancos”, ou Por que o brasileiro branco não enxerga seu metarracismo?

Ao republicar uma matéria jornalística falando do percentual de negros entre os mortos pela polícia, resultado da publicação do último Atlas da violência, recebi um questionamento: “por que vocês não contam os brancos também? , isso é preconceito…” seguido de uma “recomendação” para rever conceitos… .

Como um calejado ativista, estudioso da temática e também um educador, além de ter reconhecida e pública expertise, achei por bem didaticamente explicar a questão. Pois bem, então vamos lá:

Primeiro a pessoa tem que entender o que significa preconceito, depois discriminação, de posse dos dois conceitos deve buscar saber o que de fato é racismo. Com isso dominado vai saber o que é desigualdade racial e portanto qual motivo de se apresentar os indicadores estatísticos das questões que favorecem historicamente um grupo e prejudicam o outro.

Vejamos:

Retirado de https://www.diferenca.com

É necessário saber também que não existe preconceito ou racismo “reverso”, por isso é que sempre se denuncia o que é desequilíbrio… e normalmente a partir dos números que atingem os prejudicados principais, ou seja, “contando os negros”.

Podemos no entanto “contar os brancos” sim, e o que qualquer um vai ver é que nas coisas boas eles são sempre em maior proporção e nas coisas ruins eles são sempre menos…, entendeu ? 😉

Vamos “contar brancos” então:

Entenderam caríssimos ? “contar os brancos” não muda a realidade, só evidencia mais ainda a desigualdade, e isso é que deveria importar e indignar, não o fato de se denunciar a desigualdade a partir do indicadores dos negros…

Isso porém não é o pior, ainda há quem mesmo diante de todos esses dados e fatos insista em seguir no discurso da “divisão” sempre que se toca na questão da desigualdade racial.

Não somos nós que denunciamos a desigualdade que “dividimos” seja o que for, são a HISTÓRIA e REALIDADE que já fizeram isso, e é por conta disso os indicadores…, que eles insistem em ignorar para manter um discurso que não sabem mas se chama METARRACISTA (negar o racismo, ou em nome de um falso combate ao racismo, sugerir que não se fale mais dele ou não se tomem medidas para corrigir as desigualdades, deixando tudo como está, isso é trabalhar para o racismo, mesmo que involuntária e insconscientemente).

Você não divide quando coloca negros e índios em uma universidade que era só branca, você UNE, você não divide quando coloca negros no serviço público e em cargos elevados JUNTO com brancos, você UNE, você não divide quando favorece oportunidades para que negros tenham as mesmas condições que brancos e trabalhem juntos em pé de igualdade, morem juntos dividindo bairros de todos os tipos e não apenas bairros pobres…, você não divide quando permite aos índios manterem suas culturas e terras do jeito que eles querem… . A divisão é a realidade, quem quer ver enxerga…

Estamos trabalhando para mudar isso.


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CAXIAS E O MEDO BRANCO.

No 25 de agosto, Dia do Soldado, homenagem à data de nascimento do patrono do Exército, uma reflexão um pouco “diferente”.

Caxias se notabilizou por ter “pacificado” (termo militar para a neutralização pela força/violenta) várias revoltas populares, muitas com base e alta participação negra, além de grande comandante da Guerra do Paraguai. Em tese a “manu militari” serve ao poder constituído de um Estado, garantindo seus interesses e suas políticas de defesa (eventualmente de conquista) e manutenção da ordem, é portanto essencialmente patriótica, apesar disso não significar sempre algo “moral, ético e humanitário”, pelo contrário, ainda mais visto à distância no tempo. Pouco lembrado é o episódio vil de traição e massacre dos Lanceiros Negros da revolução farroupilha urdida entre o General rebelde David Canabarro e o então Barão de Caxias, conforme explica Daniel Isaia:

“Em novembro de 1844, conforme combinado entre os dois líderes militares, Canabarro ordenou à tropa de Lanceiros Negros para que fosse desarmada até o cerro de Porongos e lá montasse acampamento. A Caxias, coube ordenar às tropas imperiais para que também se deslocassem até o local para combater os farroupilhas que lá estivessem. Eis um trecho da carta enviada pelo Barão de Caxias ao comandante imperial Francisco Pedro de Abreu, líder das tropas que atacariam os Lanceiros Negros:

‘Poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou dos índios, pois bem se sabe que essa pobre gente ainda pode ser útil no futuro.’

Desarmados e pegos de surpresa às 2h da madrugada, os negros farroupilhas foram dizimados pelos soldados imperiais. O massacre resultou na morte de centenas de lanceiros (as versões variam entre 170 e 800 mortos). Os poucos que sobreviveram foram enviados ao Rio de Janeiro para serem reintroduzidos à vida de escravidão e trabalhos forçados.”

Mais adiante Caxias comandou a campanha do Paraguai, aonde boa parte da população negra foi dizimada nas linhas de frente. No entanto, antes de abandonar o comando, assumido pelo genro do Imperador, o Conde D’Eu, Caxias “reconhece” o valor dos combatentes negros e o temor que finda a guerra os valentes e experimentados soldados negros sobreviventes fizessem tal qual no caso do Haití a tomada do poder e eliminação da população branca. Conforme trecho extraído de texto do Frei David da EDUCAFRO:

” A guerra do Paraguai (1864-1870) foi um dos instrumentos usados pelo poder para reduzir a população negra do Brasil. Foi difundido que todos os negros que fossem lutar na guerra, ao retornarem, receberiam a liberdade e os já livres receberiam terra. Além do mais, quando chegava a convocação para o filho do fazendeiro, ele o escondia e, em seu lugar, enviava de 5 a 10 negros.
Durante a guerra, o Exército brasileiro colocou o nosso povo negro na frente de combate e foi grande o número dos mortos. Para se ter uma idéia, a população negra do Brasil era de 2 milhões 500 mil pessoas (45% do total da população brasileira). Depois da guerra, diminuiu para 1 milhão 500 mil pessoas (15% do total da população brasileira).
Os poucos negros que sobraram, eram os que sabiam manejar as armas do Exército. Duque de Caxias escreve para o imperador demonstrando temor sobre o fato:

‘[..] à sombra dessa guerra, nada pode livrar-nos de que aquela imensa escravatura do Brasil dê o grito de sua divina e humanamente legítima liberdade, e tenha lugar uma guerra interna como no Haiti, de negros contra brancos, que sempre tem ameaçado o Brasil e desaparece dele a escassíssima e diminuta parte branca que há!’. ”

OBS. HÁ ERRO INDUZIDO NOS NÚMEROS APRESENTADOS NESSE TEXTO CITADO DO FREI DAVID, NOTA EXPLICATIVA AO FINAL.

Para o bem da pátria e sorte da “diminuta parte branca” de então, os heróis negros não eram vingativos e traiçoeiros e nem agiram coordenada e intencionalmente para eliminar os que estavam no caminho da sua liberdade e interesses.

Portanto, nesse Dia do Soldado, nossa homenagem à todos brasileiros(as) que já vestiram um uniforme e com suor, sangue, lágrimas e espírito cívico defenderam ou se prepararam ou preparam para defender a pátria, a segurança e dignidade da população não apenas brasileira como a de países amigos, mas muito especialmente à todos os soldados negros que muitas vezes receberam históricamente ingrata paga pelo sacrifício, dedicação e honra.

* NOTA

Estranhei os números e pesquisando encontrei o motivador do erro… . Por isso que digo que é importante dominar e utilizar corretamente as CATEGORIAS e ter uma leitura mais ampla para tentar evitar as ciladas. Entendo que o erro no texto do Frei David, não se trata de desonestidade poderia ser cometido por qualquer outro mais desatento. Vejam o print anexo de texto em livro do Dagoberto Fonseca fazendo um apud no Chiavenato.. 😉

São vários erros de AMBOS, que levaram a posteriores replicações equivocadas. Ao usar negro como sinônimo de preto, se interpreta errado, já que negro não é opção censitária, mas a soma dos autodeclarados pretos e pardos (e isso desde 1872). O “povo”, especialmente a imprensa, fica insistindo no uso equivocado de ” negros e pardos”, isso quando não apela para termos que nunca foram usados demograficamente como “mulatos” .

Outro erro é ler automaticamente negro como escravo no pré-abolição, a população negra (ou seja, preta e parda) a partir da 2a metade do XIX já era majoritariamente nascida livre ou liberta… .

O Chiavenato induziu ao erro ao ver a população escrava antes da guerra do Paraguai e depois, e imaginar que a diferença de 1 milhão a menos era exclusivamente efeito da guerra… . Parcialmente sim, mas na verdade o que ocorreu foi uma grande mudança geral de status de escravizado para liberto… . O tal “milhão de negros” (na verdade escravizados) não “desaparecereu”, a maioria apenas deixou de ser escrava, muito embora um número nada desprezível tenha de fato sido dizimada na guerra.


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Serviço militar prioritário para jovens de baixa renda: minha opinião

Manchete recortada de “O Dia”

Antes de entrar na polêmica acho interessante registrar o meu “lugar de fala” pois creio que ajudará o leitor a compreender meu posicionamento e argumentos.

Sou negro, meu pai foi um adolescente pobre que percorreu toda a carreira de praça no exército a partir do alistamento como recruta até a graduação de subtenente, eu mesmo me alistei e servi ao exército por 4 anos, mas notei que ao contrário do meu pai eu não avançaria muito naquele contexto, durante aquele período também entrei na faculdade e quase ao final pedi baixa e fui para a aeronáutica como estagiário.

As forças armadas historicamente sempre foram uma possibilidade e estratégia muito utilizada de mobilidade social (as vezes a principal ou única) de pobres e principalmente de negros pobres. Portanto, entendo que a ideia de usá-las para oportunizar jovens pobres é de antemão válida, porém com ressalvas… .

A primeira delas é que tal uso seria incompatível com um serviço militar obrigatório, o serviço todo deveria passar a ser voluntário em tempos de paz, profissionalizante e profissionalizado.

A segunda é que como antigamente fosse possível a estabilização aos 10 anos de serviço para qualquer praça, para tal o número de novos alistamentos seria limitado pelo tamanho dos quadros do núcleo base e dos estabilizados.

A terceira é que a passagem pelo serviço voluntário nas forças armadas poderia ser alternativa voluntária ao “encarceramento sócio-educativo” e também deveria render pontuação para provas de títulos em concursos públicos e acesso universitário, além de ser requisito obrigatório para o acesso aos quadros das polícias (mesmo que venha a haver desmilitarização das PMs).

Sei que muita gente tem “bronca” ou antipatia pelo militarismo, mas ele é necessário e inescapável à qualquer estado, nem que seja como força de defesa e guarda nacional ( o que é diferente das chamadas forças de linha ou expedicionárias).

Para além disso as forças armadas ajudam fortemente na formação de cidadãos mais comprometidos, ordeiros e resilientes, não tenho dúvidas que é bem melhor ter soldados da nação que soldados do tráfico ou jovens vulnerabilizados para tudo que isso possa significar.

Finalizando, não quer dizer que eu apoie o projeto como ele está, mas acredito que o serviço militar é um bom caminho para problemas que rondam e envolvem a juventude.


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O “pardo de schrödinger” e a falácia metaracista.

O presente texto visa desconstruir mais uma das típicas argumentações metaracistas, para tal é preciso antes apreender alguns conceitos importantes para o entendimento pleno da questão.

O primeiro ponto, Schrödinger, foi um físico teórico austríaco muito vinculado à física quântica, prêmio Nobel de Física em 1933. Um de seus experimentos mais famosos é conhecido por “O gato de Schrödinger”, no qual basicamente tenta verificar o quanto uma situação é verdadeira ou não a partir de análises da realidade a partir de pontos de vista diversos, ou seja, algo um tanto subjetivo.

Pois bem, a partir disso algum metaracista ( logo adiante vamos trabalhar o conceito) resolveu fazer uma paródia tratando da visualização e atribuição da população e indivíduos de cor parda, que seriam ora tratados e incorporados à população negra, ora descartados ao sabor de “conveniências” dos movimentos e ativistas negros, chamando a paródia de “O pardo de Schrödinger” .

Metaracismo é conceito colocado por Joel Kovel e também tratado por outros intelectuais como Zizek, que trabalham o tema do racismo. Basicamente metaracismo é uma forma moderna de racismo aonde não se assume intenção supremacista, direta e claramente racista, pelo contrário, se diz “antiracista” ao mesmo tempo que trabalha no combate ao verdadeiro antiracismo, desse modo, cinicamente busca manter as desigualdades sociais de origem racial, mesmo considerando não haver de fato diversas raças entre a humanidade, ou seja é o racismo que prescinde da ideia de raça biológica mas atinge igualmente os mesmos grupos tradicional e socialmente expostos à subordinação e tenta manter o status quo.

Dai a afirmação de que a argumentação utilizando “Pardo de Schrödinger” tem finalidade metaracista, pois ataca não apenas a definição de população negra enquanto bloco formado por pretos e pardos, mas as críticas dos movimentos negros, seus ativistas e aliados e o critério utilizado nas políticas públicas de correção das desigualdades raciais.

A questão do pardo enquanto negro, tem base histórica, tanto no período da escravidão, a exemplo do censo de 1872 (o primeiro oficial de todo o país) que utilizava em geral o termo pardo para os negros livres e libertos (independente de cor/miscigenação) e o termo preto para os ainda cativos, quanto no pós-abolição, aonde o estado brasileiro sempre definiu como pessoas negras os membros da população negra, oficialmente formada pelos autodeclarados pretos e pardos, igualmente aos movimentos negros e a academia.

Se há dúvidas e divergências em situações pontuais de “fronteira extrema” é devido à subjetividade das visões dos envolvidos, não uma intencional e “matreira” utilização dos conceitos identitários pelos ativistas e movimentos. Matreiros são os argumentos dos metaracistas para sempre se colocarem contra toda e qualquer ação afirmativa de recorte racial e mesmo as denúncias do racismo cotidiano e estrutural.


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Endogamia é majoritária no Brasil

endogamia-brasil

Desmistificando a ideia de que o Brasil é um país miscigenado (ao invés de multirracial e miscigenado) e que tende a ficar cada vez mais miscigenado e correndo o risco de “desaparecimento” de qualquer um de seus grupos étnico-raciais por conta da miscigenação (aliás malogrando a teoria defendida pelos racistas científicos na década de 20 do século passado, de que por meio das sucessivas miscigenações o elemento negro desapareceria visualmente do país antes da virada do século, se tornando o país de aparência branca).

Observem no gráfico acima, que homens pretos unidos com pretas são 50,3% e com pardas outros 22,9%, ou seja, 73,3 % dos pretos estão com mulheres Negras (pretas ou pardas), apenas 25,5% estão com brancas, no caso dos pardos é semelhante, ao final permanecem em 74,9% unidos a negras (pretas e pardas) e similarmente 24,4% com brancas,  quando visualizados os brancos não é muito diferente, 73,7% são endogâmicos mas 26,6 (até um pouquinho mais que os negros)  não o são…, porém mesmo ai percebe-se uma proporção equilibrada de coisa de 2/3 de endogâmicos tanto em brancos quanto negros (lembrando novamente Negros=pretos+pardos).

Já os indígenas por incrível que pareça são um pouco menos endogâmicos que brancos e negros, conseguem manter 68,1 % de endogamia,  porém a “supresa maior” está com os “amarelos”, ou melhor, com os asiáticos (que o senso comum imaginava serem os mais endogâmicos, mas é justamente ao contrário) que mantém-se apenas 38,8% endogâmicos e proporcionalmente só não se unem a negras mais que os próprios homens negros, no quesito “desencalhe” para as negras em geral são bem mais promissores que brancos e de indígenas.

Conclusão, destruídos vários argumentos falaciosos de uma vez só, a saber :

1- O de que “negros preferem as brancas”

2- Que brancos “não casam com negras”

3- Que asiático-brasileiros são extremamente endogâmicos

4- Que índios pela etnicidade tendem a se “preservar” mais com a endogamia.

Ah ! e obviamente que nenhum, absolutamente nenhum outro homem se une mais à mulher preta que o próprio homem preto, portanto cobrem a “solução” da “solidão da mulher negra” também dos outros grupos masculinos e das próprias mulheres que apostam na fórmula “endogamia ou celibato”, as estatísticas comprovam que é possível ser feliz  no amor para além da cor… .

Tem mais um detalhe… esses dados são de Uniões estáveis/CASAMENTOS…,  é preciso visualizar que não reflete necessariamente todos tipos de relacionamentos…

Não deixem de seguir o link para  matéria jornalística sobre o assunto:

http://exame2.com.br/mobile/brasil/noticias/brasileiros-preferem-casar-dentro-da-propria-etnia


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De volta ao velho “Homens negros só querem brancas e a Solidão da mulher negra”

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Vira e mexe me vejo envolvido na discussão fratricida “Homens negros só querem brancas e a Solidão da mulher negra” promovida em especial pelas ativistas negras vilanizando os homens negros. Não ignoro que há uma questão envolvendo relacionamentos interraciais e que isso pode e deve ser motivo de estudo e reflexão, mas não faço “história única”, não ignoro que há de fato muitas mulheres negras em “celibato”,  só acho que a coisa invariavelmente é direcionada para que a análise não contemple TODA a questão… .

Por exemplo, se falamos de livros sobre o tema, indico um que trata da mulher negra e homem branco… mas é como se eu não o tivesse feito, só se quer discutir o que atende a visão que satisfaz a  ideia do homem negro como “vilão”…, demonstro que mulheres negras até se organizam na busca de relacionamentos com brancos, mas o assunto é solenemente ignorado e torna-se a questionar negros com brancas…, coloco que os relacionamentos negro/branca não são uma busca de mão única, as brancas buscam os negros enquanto as negras sabotam relacionamentos com negros e buscam brancos, mas novamente se evade da questão.

Torna-se então ao pressuposto que o homem negro “só quer branca”, é quando chamo a atenção para o contexto histórico de séculos de rapinagem sexual de brancos contra negras e índias (coisa que aliás permanece acontecendo), mas qual o que ?,  só vamos ouvir  um absurdo “desde sempre os homens negros deixaram a negra na solidão e ficaram com as brancas…”, e tome exemplo de pagodeiros, jogadores de futebol, celebridades… .

Ai aparece uma pesquisadora que fez um trabalho com quase dois mil casais envolvendo pessoas negras e 600 desses casais eram formados por negros/negras (mas isso não interessa, abstrai-se…) foca-se apenas nos casais inter-raciais (todos de negros com brancas) Êpa! mas não tem negras com brancos ????, esqueça-se!, fiquemos só nos negros com brancas… .

Ninguém pergunta por que é que o número de miscigenados no Brasil é enorme e secular…, nem se questiona que o acesso de homens negros à mulheres brancas é historicamente muito recente…, não se leva em consideração que oficialmente o percentual de pessoas PRETAS no Brasil é de 8% (dividido entre homens e mulheres). Alguém já se perguntou por qual motivo um universo de 4% de homens pretos  e 20% de homens pardos deveria se limitar  a encontrar parceiras nos 4% de mulheres pretas e 20% de pardas quando a estas somam-se quase outros 25% de “brancas” ???? (Opa ! desculpem o esquecimento da questão de gênero e que nem sempre homens estão buscando mulheres e vice-versa… ;)) em estatística simples sem considerar “ideologias” etc…,  qual é a probabilidade de um preto se relacionar com uma branca ou uma negra ?, aonde está a maior e a menor “oferta” ???.

Tudo isso são questões que simplesmente não se discute nem considera…, o que importa é a “solidão da mulher negra” e culpar exclusivamente o homem negro por isso…, ninguém sequer cogita que o Brasil não é Angola que tem 95% de Pretos, 2% de miscigenados e o restante de não-negros… e que o relacionamento inter-racial é inescapável e “natural” em uma conjuntura como a brasileira….,  porém nada disso importa. Só importa culpar os homens negros pela solidão da mulher negra… .

Eu acho que se é para discutir a questão, que seja feito de forma séria, com TODAS as variáveis que cientificamente deveriam entrar nessa “Equação social”…, não apenas com mágoas e ressentimentos e uma vontade de apontar apenas um “culpado” (que ironicamente também faz parte do rol de vítimas do processo secular de racismo) por um problema que tem tantos envolvidos igualmente responsáveis.

Com tantos problemas que a população negra tem que ainda superar e tantas demandas, há quem prefira ficar fazendo “fogo-amigo”, ai é que se perde tempo e a coisa não anda, esse comportamento belicoso não leva à nada… ou pior, nos atrasa imensamente.