Blog do Juarez

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PORQUE VOTO IMPRESSO É UMA ESTUPIDEZ

 ( Ilustração Sérgio Motcha)

Vou aqui rápida e sucintamente dizer porque.

1- O sistema manual de votação é altamente sujeito à fraudes isso é historicamente comprovado, “nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco”, ou seja, se em algum momento tiver uma ação manual na votação, seja colocando comprovante impresso em urna, levando comprovante com conteúdo do voto do eleitor para casa ou em uma posterior conferência manual da urna física, todo o sistema fica comprometido e reduzido na prática ao seu nível mais arcaico e falho.

2- NINGUÉM a não ser o próprio eleitor pode saber ao certo em quem ele realmente votou, outras pessoas não podem oficialmente saber quem votou em quem, se o eleitor quiser ANTES OU DEPOIS do momento eleitoral e fora das áreas de votação DECLARAR o voto é outra coisa, porém uma eventual mesa de conferência manual NUNCA vai poder ver quem votou em quem, no máximo ver a quantidade de votos em cada candidato, pois isso seria INCONSTITUCIONAL.

Trecho constitucional

3- O comprovante impresso com o conteúdo do voto RETIRA O SEU SIGILO constitucional, ele pode ser exigido posteriormente por políticos que compraram voto, lideranças religiosas, patrões e outros poderosos que induziram ou coagiram currais eleitorais, além de milícias que coagiram eleitores de suas áreas de domínio a votar em quem eles mandaram, aí é ainda pior pois o comprovante ou a falta dele coloca em risco a segurança e vida do eleitor. Isso, mesmo que não haja o comprovante para levar para casa, pois em eventual recontagem manual, pode haver infiltração que vai ter como saber quem votou em quem… .

4- Por tudo, não tem o menor sentido, imprimir em papel (obviamente com aumento do gasto público e custo ambiental) algo que já foi feito eletronicamente e a que uma mesa de conferência constitucionalmente não pode ter acesso… . A zerésima antes e o relatório impresso com os totais de cada urna já seriam suficientes para garantir a segurança e transparência da votação, mas além dessas tem mais 28 camadas de segurança, todas auditáveis, tá de bom tamanho né ?


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DE HOMOFÓBICO(A) NÃO SE PECHA SEM BASE

Eu ia fazer essa postagem de tarde, por uma inquietação que tenho com o uso inadequado de termos e conceitos. Agora com a morte de Paulo Gustavo, acho pertinente pois de certa forma tem a ver. Outro dia me deparei com um notícia/postagem em que a ex-presidente Dilma era chamada de “homofóbica”, por não ter comprado como se ativista fosse, algumas reinvindicações do movimento LGBT, a exemplo do veto ao apelidado “Kit Gay” e por ter se aliado politicamente à conservadores, esses sim homofóbicos. Obviamente discordo da pecha. Vou me alongar pouco no texto, prefiro as imagens que dão conta de que o termo não se aplica. Clique na galeria abaixo para ver integralmente as fotos:

Pela ordem…: “Homofóbico(a)” é termo aplicável à quem tem pensamento exteriorizado e ações relacionadas à homofobia. O fato de Dilma não ter sido uma “ativista pela causa” ou politicamente não ter enfrentado os seus “aliados” conservadores (estes sim homofóbicos) não fazem dela uma homofóbica sequer em figura de linguagem.

Com relação à ações de seu governo pro-LGBT dá para citar algumas… :

2011
Criação do módulo LGBT no Disque 100
A intenção foi preparar o Disque Direitos Humanos para receber denúncias de violações de direitos da população LGBT.

Elaboração do 1º Relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil
Após a publicação do relatório pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, as denúncias contra violência homofóbica aumentaram em 116% em um ano.

Realização da 2ª Conferência Nacional de Políticas Públicas e Direitos Humanos LGBT
Nos moldes da conferência realizada em 2008, discutiu-se nacionalmente e com diversas entidades governamentais e da sociedade civil os avanços políticos e sociais sobre o tema.

2013
Alterações no SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a contemplar o atendimento completo para travestis, transexuais e transgêneros, como terapia hormonal e cirurgias. A identidade de gênero passou também a ser respeitada, com a inclusão do nome social no cartão do SUS.

Reconhecimento dos direitos de casais de mesmo sexo no serviço público federal
Os casais homoafetivos passaram a ter, oficialmente, os mesmos direitos de qualquer casal, como plano de saúde, licença gala, entre outros.

Assinatura do governo brasileiro à Convenção contra Todas as Formas de Discriminação e Intolerância da Organização dos Estados Americanos
O texto, assinado em Antígua (Guatemala), define as obrigações dos países sobre temas como orientação sexual e identidade de gênero.

Criação do Sistema Nacional de Promoção de Direitos e Enfrentamento à Violência contra LGBT
O Sistema Nacional LGBT é uma estrutura articulada para incentivar a criação de programas de valorização dessa parte da população, comitês de enfrentamento à discriminação e combate a violência, além de oferecer apoio psicológico e jurídico para LGBTs nessa situação.

2015
Posse de Symmy Larrat como coordenadora-geral de Promoção dos Direitos LGBT da SDH
A paraense foi a primeira travesti a ocupar o cargo. Segundo ela, uma das missões mais importantes na função era “tirar os travestis do submundo e da exclusão social”.

Fora a sanção de legislação que ajudou os casais homoafetivos a conquistar na Justiça, direitos como licença maternidade e paternidade e a adoção.

Depois de tudo isso cabe pecha-la de “homofóbica” ??? Não faz o menor sentido. As palavras devem ser usadas com precisão, cautela e responsabilidade…


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LGBTFOBIA NÃO É RACISMO…

Ornitorrinco é um animal bizarro, mamífero que vive na água, tem bico e nadadeiras semelhante um pato e põe ovos. Tão exótico quanto certas combinações conceituais e teóricas que as vezes se insiste em tentar “validar”.

Que dificuldade ! Mania essa a de fazer malabarismos que não se respaldam semântica, conceitual e lógicamente…

As palavras não existem à toa… RACISMO é discriminação por motivo de “raça”, LGBT* e HÉTEROS simplesmentee não são e nunca foram considerados “raça”, mas sim grupos de orientação sexual e gênero diversa. O preconceito e discriminação contra LGBT*s NÃO É RACISMO, para isso existe o termo LGBTFOBIA…, hoje apenas se utiliza para criminalização a mesma lei antirracista (e nada contra) ENQUANTO NÃO VOTAREM UMA ESPECÍFICA…

Por outro lado, falar em “racismo reverso” é falsa simetria…, racismo é uma estrutura de preconceitos e discriminação HISTÓRICA e CULTURALMENTE construída e aplicada pelos grupos hegemônicos contra os tidos como estigmatizados. Não tem “mão dupla”, o que pode ter são vítimas patéticas do racismo tentando reproduzir comportamentos racistas, ou mesmo sendo INSURGENTES, isso não é racismo, são efeitos e consequências dele.

Racismo é um fenômeno social identificado e sistematizado. Não se limita ao interpretado de forma positivista da lei… .


Afinal o que é então o racismo ? (segundo definições de alguns estudiosos renomados (brasileiros e estrangeiros):

“O racismo, como construção ideológica incorporada em e realizada através de um conjunto de práticas materiais de discriminação racial, é o determinante primário da posição dos não-brancos nas relações de produção e distribuição” (Hasenbalg, 1979, p. 114).

“(a) discriminação e preconceito raciais não são mantidos intactos após a abolição mas, pelo contrário, adquirem novos significados e funções dentro das novas estruturas e (b) as práticas racistas do grupo dominante branco que perpetuam a subordinação dos negros não são meros arcaísmos do passado, mas estão funcionalmente relacionadas aos benefícios materiais e simbólicos que o grupo branco da desqualificação competitiva dos não brancos.” (Hasenbalg, 1979, p. 85)

Segundo (Blumer, 1939) “São quatro os sentimentos que estarão sempre presentes no preconceito racial do grupo dominante: (a) de superioridade; (b) de que a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena; (c) de monopólio sobre certas vantagens e privilégios; e (d) de medo ou suspeita de que a raça subordinada deseje partilhar as prerrogativas da raça dominante. “

“Considera-se como preconceito racial uma disposição (ou atitude) desfavorável, culturalmente condicionada, em relação aos membros de uma população, aos quais se têm como estigmatizados, seja devido à aparência, seja devido a toda ou parte da ascendência étnica que se lhes atribui ou reconhece. Quando o preconceito de raça se exerce em relação à aparência, isto é, quando toma por pretexto para as suas manifestações os traços físicos do indivíduo, a fisionomia, os gestos, o sotaque, diz-se que é de marca; quando basta a suposição de que o indivíduo descende de certo grupo étnico, para que sofra as conseqüências do preconceito, diz-se que é de origem. (Nogueira, 1985, p. 78-9)

“Surgiu, então, a noção de “preconceito de cor” como uma categoria inclusiva de pensamento. Ela foi construída para designar, estrutural, emocional e cognitivamente, todos os aspectos envolvidos pelo padrão assimétrico e tradicionalista de relação racial. Por isso, quando o negro e mulato falam de “preconceito de cor”, eles não distinguem o “preconceito” propriamente dito da “discriminação”. Ambos estão fundidos numa mesma representação conceitual. Esse procedimento induziu alguns especialistas, tanto brasileiros, quanto estrangeiros, a lamentáveis confusões interpretativas.” (Fernandes, 1965, p. 27)

Portanto a coisa não é tão simples como quem usa termos e conceitos de forma equivocada, interpreta a lei de modo positivista, ou acha que racismo tem “mão dupla” e não oferece nada além de um “EU acho…”. Não é que um “ornitorrinco” seja absolutamente inviável, prova é que eles são reais, mas convenhamos, é esquisito e raro tipo de combinação esdrúxula que funciona, no mais das vezes é uma improbabilidade lógica.

Referências

BLUMER, (Herbert). “The nature of racial prejudice”. Social Process in Hawaii, 1939, 11-20.

FERNANDES (Florestan) . — A integração do Negro na sociedade de classes. Dominus Editora. São Paulo, 2 vols. 655 págs., 1965. 1° Vol. “O legado da raça branca” . 2° Vol. “No limiar de uma nova era” .

HASENBALG, Carlos. Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil. Rio de Janeiro, Graal, 1979.

NOGUEIRA (Oracy) – Tanto preto quanto branco – Estudos de relações raciais. São Paulo, T. A. Queiroz, 1985.


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O laço branco e a violência contra as mulheres

Lá vamos nós de novo em uma reflexão que não duvido será mal entendida por algu(mas) (uns) neoativistas do feminismo (sejam mulheres ou homens).

Em 6 de dezembro de 1989, Marc Lepine, um jovem canadense de 25 anos, invadiu armado uma sala de aula da Escola Politécnica de Montreal (Canadá) e ordenou que todos os homens abandonassem o local, na sequência assassinou todas as mulheres daquela turma, 14 ao todo. Após o nefasto ato ele se suicidou, deixando uma carta na qual explicava que não admitia que mulheres frequentassem o curso de Engenharia, uma “área masculina” segundo ele.

O episódio de cruel misoginia levou homens canadenses a criar a Campanha do Laço Branco (White Ribbin Campaign), um movimento visando fomentar nos homens uma nova visão sobre a masculinidade e apoiar as demandas feministas. A data também virou Dia Internacional dos homens pela eliminação da violência contra a mulher.

Obviamente sou a favor do feminismo efetivo e repudio a violência contra a mulher, apesar de um “povo” limitado, “travado” e radicalizado entender justamente ao contrário… .

Pois bem, não sou a única pessoa, e sei de feministas que pensam da mesma forma, que a resolução ou redução do problema da violência contra a mulher, na verdade não passa pela “fruição narcísica” de homens que se colocam como “desconstruídos”, nem virá da reunião de homens voluntários e dispostos a discutir “masculinidade tóxica”. Isso passa sim por terapias COMPULSÓRIAS e PROFISSIONAIS para agressores e a disponibilização para as vítimas que se dispuserem a se desvencilhar do abuso enquanto é tempo.

Não é difícil perceber que esse tipo de homem voluntariamente “desconstruível” não é o mesmo que perpetra violências contra mulheres. Confundem machismos de baixo potencial ofensivo introjetados, com a misoginia patológica, aquela que passa pela personalidade sádica, que por sua vez proposital e preferencialmente busca e identifica mulheres com brechas de autoestima por onde podem dominar e saciar sua perversidade e prazer em humilhar e ferir lentamente, até o “gran finale”, o feminicídio.

Dois pontos a destacar, nada é absoluto, portanto, há dementes capazes de realizar sua misoginia e sadismo contra mulheres com as quais nunca tiveram relação específica ou de algum termo, assim como parte das vítimas nunca teve relação ou questões de autoestima e intimidades que fomentassem a violência sádica. Caso do evento que motivou o movimento e data citados no início.

Em resumo, apesar de achar válidas demonstrações de apoio masculino a não-violência contra a mulher, não creio que sejam efetivas as ações como o “laço branco” e suas passeatas ou discussões de masculinidade tóxica, pois elas em nada atingem os grandes e reais problemáticos. Por outro lado, em tempos em que ativistas reivindicam “lugar de fala”, como se tem feito majoritariamente de forma equivocada e beligerante contra aliados extra-recorte, é claro ser puro incentivo à “tretas” e “fogo-amigo” que consomem mais energia que a empregada contra os verdadeiros inimigos das causas.

Para finalizar, quero lembrar, reforçar e afirmar, que considero sim importante e necessário o apoio masculino no combate à violência contra a mulher, sempre a partir de premissas e ações que gerem efetividade.

Para quem lê inglês sugiro essa excelente matéria, escrita por uma feminista, sobre o assunto:

https://www.smh.com.au/opinion/it-s-time-to-shut-the-white-ribbon-campaign-down-20181021-p50b33.html


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“Contando os brancos”, ou Por que o brasileiro branco não enxerga seu metarracismo?

Ao republicar uma matéria jornalística falando do percentual de negros entre os mortos pela polícia, resultado da publicação do último Atlas da violência, recebi um questionamento: “por que vocês não contam os brancos também? , isso é preconceito…” seguido de uma “recomendação” para rever conceitos… .

Como um calejado ativista, estudioso da temática e também um educador, além de ter reconhecida e pública expertise, achei por bem didaticamente explicar a questão. Pois bem, então vamos lá:

Primeiro a pessoa tem que entender o que significa preconceito, depois discriminação, de posse dos dois conceitos deve buscar saber o que de fato é racismo. Com isso dominado vai saber o que é desigualdade racial e portanto qual motivo de se apresentar os indicadores estatísticos das questões que favorecem historicamente um grupo e prejudicam o outro.

Vejamos:

Retirado de https://www.diferenca.com

É necessário saber também que não existe preconceito ou racismo “reverso”, por isso é que sempre se denuncia o que é desequilíbrio… e normalmente a partir dos números que atingem os prejudicados principais, ou seja, “contando os negros”.

Podemos no entanto “contar os brancos” sim, e o que qualquer um vai ver é que nas coisas boas eles são sempre em maior proporção e nas coisas ruins eles são sempre menos…, entendeu ? 😉

Vamos “contar brancos” então:

Entenderam caríssimos ? “contar os brancos” não muda a realidade, só evidencia mais ainda a desigualdade, e isso é que deveria importar e indignar, não o fato de se denunciar a desigualdade a partir do indicadores dos negros…

Isso porém não é o pior, ainda há quem mesmo diante de todos esses dados e fatos insista em seguir no discurso da “divisão” sempre que se toca na questão da desigualdade racial.

Não somos nós que denunciamos a desigualdade que “dividimos” seja o que for, são a HISTÓRIA e REALIDADE que já fizeram isso, e é por conta disso os indicadores…, que eles insistem em ignorar para manter um discurso que não sabem mas se chama METARRACISTA (negar o racismo, ou em nome de um falso combate ao racismo, sugerir que não se fale mais dele ou não se tomem medidas para corrigir as desigualdades, deixando tudo como está, isso é trabalhar para o racismo, mesmo que involuntária e insconscientemente).

Você não divide quando coloca negros e índios em uma universidade que era só branca, você UNE, você não divide quando coloca negros no serviço público e em cargos elevados JUNTO com brancos, você UNE, você não divide quando favorece oportunidades para que negros tenham as mesmas condições que brancos e trabalhem juntos em pé de igualdade, morem juntos dividindo bairros de todos os tipos e não apenas bairros pobres…, você não divide quando permite aos índios manterem suas culturas e terras do jeito que eles querem… . A divisão é a realidade, quem quer ver enxerga…

Estamos trabalhando para mudar isso.


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A AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA X A PATULEIA ENFURECIDA

A audiência de custódia cumpre a importante função de garantir à qualquer pessoa presa (inclusive às injustamente) o direito de só permanecer preso sob necessidade e condições estritamente legais, antes de ser julgado e eventualmente condenado. Também reduz a superlotação carcerária. O juiz só pode fazer o que a lei determina, e as condições da prisão, do preso, e as disposições legais que regulam a prisão antes do julgamento, é o que determina se fica preso ou responde em liberdade.

Logo, por mais óbvia e material que seja a culpabilidade do acusado, não cabe à figura do juiz agir contra a lei movido pela indignação própria ou popular. A diferença da Justiça para o justiciamento está no respeito ao devido processo legal e na serenidade e racionalidade para aplicar a devida punição legal (se for o caso), ao contrário do desejo da “patuleia enfurecida”, que por sinal historicamente já cometeu vários erros e injustiças por precipitação e indução… .


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A crise venezuelana e o Brasil

Car@s amig@s ✋🏿. Reconhecer as razões históricas, econômicas e geopolíticas da questão e os óbvios interesses estadunidenses, não implica em não enxergar a pilhagem nacional e enriquecimento ilícito da cúpula bolivariana da Venezuela, muito menos justifica a mão de ferro, miséria e opressão a que submeteram o povo venezuelano.

A falta de legitimidade de Maduro et caterva é real a partir do momento que desviou a rota inicial traçada por Chávez, que tinha verdadeiro apoio popular, não apenas por carisma e populismo, mas por resultados sociais efetivos, coisa perdida faz tempo, e piorada pelas fraudes e chantagens eleitorais, além da quase completa tomada das instituições democráticas a fim de manter à todo custo o poder.

Não caríssimos, desapoiar e rechaçar o regime Maduro não é simplesmente coadunar com o imperialismo yankee, é esperar que a Venezuela saia do atual pesadelo e ao menos tenha chance de logo à frente poder soberanamente ao menos escolher o “menos pior” .

Não vale a pena em nome de um antimperialismo “absoluto” fazer sofrer um povo todo, até porque mesmo hoje, com Maduro fazendo suas bravatas antiamericanas, a Venezuela já “entrega” 60% de sua exportação de petróleo para os EUA e praticamente 40% para Rússia, China e Cuba, cadê o antimperialismo ai ?

A PDVSA está tão saqueada e quebrada que, se a OPEP resolver aumentar a cota de produção para reduzir o preço do barril a fim de melhorar as vendas, a PDVSA não consegue…, e vai piorar ainda mais a situação.

O petróleo venezuelano não está sendo uma riqueza em prol do povo venezuelano, mas uma maldição sobre ele.

Agora, importante lembrar que o papel do Brasil no conflito (que deveria ser outro), tende ao de ser “peão” dos interesses estadunidenses, isso em nada nos interessa, pelo contrário, se os EUA de Trump querem meter as botas à todo o custo na Venezuela, que assumam e façam a custa do sangue dos seus, não dos nossos…, não somos “soldadinhos de Trump”, por mais que alguns se esforcem para parecer isso.


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O ENEM, o pajubá e os néscios.

O texto que segue pretende ser curto e direto, tentarei… . Desde a divulgação do conteúdo da I etapa do ENEM 2018, tenho lido e ouvido inúmeras reclamações sobre o mesmo, mas me incomodam sobremaneira as críticas à questão sobre o pajubá, espécie de jargão (que uns insistem em chamar de “dialeto”, mas tudo bem) utilizado na comunidade LGBT (não vou ficar explicando siglas conhecidíssimas).

O que mais me incomodou e por tal resolvi escrever, foi o do radialista Fred Lobão, muito conhecido no Amazonas, no programa de notícias que comanda no início da noite, não vou detalhar o dito mas basicamente vai na linha do “Que absurdo, querer “forçar” as pessoas a conhecer a linguagem LGBT, isso é inútil e perigoso, querem “transformar” as pessoas em que?, temos direito a não querer que nossos filhos sejam expostos à isso e direito de expressão para repudiar” . OK, então também usando do meu direto de expressão vou respeitosamente repudiar e contrapor a fala posta.

Primeiro porque a virtual totalidade dos que como ele pensam não são educadores, nesse ponto e em outros podem ser considerados néscios, logo, opinam sem base e validade.

A ideia da questão era óbviamente verificar dentro das habilidades de linguagem, a capacidade de interpretação em contexto. Sim poderiam ter sido utilizadas outras linguagens, e ninguém reclamaria…, mas o ENEM sempre prezou pelo respeito e conhecimento da diversidade, o pajubá é derivado do yorubá dos terreiros de Candomblé, ou seja, “coisa de preto”, “para piorar também é coisa de gay”… e isso, o racismo, intolerância religiosa e homofobia dos néscios não pode admitir…. .

É claro que não era preciso de fato conhecer previamente os termos, mas “intuir” pelo contexto o seu significado, por outro lado, “descobrir” 4 ou 5 palavras em qualquer “língua” não faz ninguém falante dela e principalmente não apresenta “perigo”algum de mudança de orientação sexual, ou seja, tremenda besteira a reação contra a questão.

A crença que a orientação sexual é “opção”, que as pessoas “viram” gays, que isso pode ser influenciado, o temor que isso ocorra, que gay é uma coisa negativa e a ser evitada ou que “não temos que falar nisso” tem nome, é HOMOFOBIA… .

E como todo preconceito e discriminação, a homofobia vem da ignorância, do medo e do mau caratismo em não acolher ou ao menos tolerar o “diferente”.

É isso, quem fala o que quer para milhares, tem que estar disposto a ouvir crítica por milhares, ou ao menos dos mais dispostos .


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De volta ao aborto, nova abordagem.

Como o assunto recrudesceu e voltou às redes nessa semana, achei interessante reapresentar opinião, agora com novos elementos. Declaro logo de cara que não apoio a legalização do aborto para torna-lo método contraceptivo primário e banal, mas sim uma opção, em geral extrema, que assiste à mulher, tanto por questão de saúde e evitar o perigo de morte dela em abortos clandestinos, quanto por ser de foro íntimo a decisão de comprometer toda a própria vida em função de outra ainda por vir.

Olhando as discussões da semana percebi que o foco tem ganhado centralidade no tempo de gestação até quando o aborto poderia ser feito, vi por exemplo um amigo questionando sobre a diferença de abortar aos 3 meses e aos 9 meses de gestação. Então resolvi responder a questão.

Entendo que do ponto de vista biológico até a 12a semana de gravidez não há sequer sistema nervoso, e que até a 24a semana não há consciência de dor… vide:

Já do ponto de vista lógico e legal há algumas questões, mas nada que altere o fato de que a vida civil começa no nascimento e em tese atos anteriores não se equiparam a homicídio, para se ter um homicídio é preciso antes ter uma pessoa da qual se tira a vida, e só se é efetivamente pessoa a partir do nascimento.

Vejo porém com maus olhos uma interrupção de gravidez avançada para além de um período que possa ser considerado “razoável” tanto do ponto de vista decisório quanto ético.

Ao meu ver parece óbvio que uma gravidez indesejada, tanto por motivos de segurança para a gestante quanto de consciência, se for para ser interrompida, que o seja o mais breve possível, enquanto não há sequer sistema nervoso completo, consciência e dor do feto, nem necessidade de atos fúnebres.

O ponto central da oposição ao aborto é o conceito de vida e pessoa e que ninguém tem direito de tirar a vida de pessoa humana.

Entendo e não sozinho, que o que não dá direto de tirar a vida de uma pessoa, basicamente é ela ter uma vida…, ou seja, ter superado a fase fetal ou ao menos boa parte dela e ter nascido viva, tornando-se então uma pessoa com direitos humanos e civis. Quem não nasceu não está sujeito a atos, direitos e deveres da vida civil, pois ainda não existe como PESSOA.

Observe o Conselho Regional de Medicina de SP ao orientar a emissão de declaração de óbito.

Note que nem atestado de óbito se faz para fetos de determinado tempo de gestação e características biométricas, os mesmos não são sequer considerados primariamente para enterramento (o que exigiria a D.O declaração de óbito). O exemplo abaixo mostra claramente que com relação ao tempo de gestação já há um consenso médico e prático sobre “morte antes do nascimento” e o consecutivo direito ao rito post-mortem de enterramento de pessoa.

Como visto não se atesta o óbito nem sequer se faz cerimônia fúnebre para o que não nasceu, pelo menos não antes das 20 semanas de gestação, como falar em “homicídio” (como alguns tratam ou equiparam o aborto) do que por N viéses ainda não se considera pessoa ?

Mesmo sob o ponto de vista religioso é importante notar que a própria igreja não batiza fetos antes de nascerem, para ter esse direto canônico mínimo é preciso ser pessoa, ou seja tem que ter nascido e estar viva no mundo, fora e desligada da mãe, mesmo que por minutos. Se não nasceu e viveu minimamente, nem esse direto canônico tem, vide:

Diante do exposto penso que há uma toda uma convergência para quem não é simplesmente “pétrea e absolutamente” contra o aborto, para apoiar a descriminalização e a inclusão como procedimento disponível na rede pública até a 20a semana de gravidez atendidas as características biométricas de praxe para o não enterramento, a partir dai o direito de opção da gestante cessaria, persistindo a opção médica para os casos de elevado risco de morte da gestante.


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“Bandido bom é bandido morto” e suas consequências.

Não é a primeira vez que trato do assunto. Correndo o risco de ser lido como “inoportuno”, “desrespeitoso”, “não solidário” é até “cruel”, já inicio lamentando o ocorrido e pedindo desculpas em avanço à quem assim entender, inclusive à amigos e família da vítima. É que certas coisas são melhores entendidas na comoção e nos momentos extremos, e é esse o caso.

Tempos atrás, os formandos de um Colégio Militar da PM em Manaus prestaram homenagem ao “mito” das classes militar e policial, classes em que igualmente boa parte da população de baixa instrução ou mesmo das endinheiradas, grassa o metafascismo e a ideia infeliz de “Bandido bom é bandido morto”. Que ironia, agora um dos muitos estudantes desses colégios perdeu a vida por conta dessa ideia estúpida de justiciamento, tempos atrás dois policiais a paisana da cidade passaram pelo mesmo.

O grande problema dessa ideia estúpida e do rechaço aos Direitos Humanos, é que se estimula uma polícia violenta no geral, mas não apenas, também a uma população “de bem” adepta do justiciamento sumário. Até esse ponto tem gente aplaudindo e dizendo que “é isso ai mesmo, tem que descer a lenha, se morrer é um bandido a menos”, porém muda quando o “justiceiro” descobre (em geral do pior modo) que ele próprio e seus entes queridos também podem de um minuto para o outro serem tratados da forma que tão imbecilmente defendem, principalmente se são “periféricos”, pretos e pardos e/ou visivelmente pobres.

Eventualmente algum branco com pinta de remediado/rico pode até se tornar “suspeito”, mas a esses sempre assiste o benefício da dúvida, estatisticamente a chance de “ser confundido” e de morrer violentamente nas mãos, pés, paus, pedras e balas de uns ou outros é 200% maior para os de outros perfis, ou seja, se não notou há chances de você ter um enorme alvo nas costas … .

É o ponto de “não se enxergar”, achar que não é negro, ou que é claro, remediado, “de bem” ou “temente a Deus” o bastante para não ser confundido…, uma ilusão que atinge muita gente, principalmente os que julgam que a sua virtuosidade é refletida por um paletó, uma bíblia debaixo do braço, um uniforme militar, um carro bom… que uma hora ou outra não estarão envergando… .

Finalizando, se você é destes que defendem “linha dura” e “detesta direitos humanos”, mude enquanto é tempo e ajude a enfraquecer essa situação que coloca você e os seus em constante risco, compartilhe com quem você sabe que pensa assim, se não é destes compartilhe também, uma hora chega em alguém que precisa refletir e mudar.