Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


Deixe um comentário

Racismo, fascismo e o “tapa na cara”

Leads de matérias jornalísticas online da semana

Quatro eventos noticiados essa semana apesar de parecerem isolados, não o são, em verdade possuem uma conexão perversa e preocupante.

O caso do Procurador no Pará que faz críticas racistas e antiafirmativas, as declarações feitas em Manaus pelo Presidente da República, nas quais ataca o direito e autodeterminação indígenas, ONGs e ambientalistas na Amazônia, a prisão de brigadistas que combateram incêndios florestais no Pará e a ação contra ONG para as quais trabalharam, fechando com a nomeação do novo presidente da Fundação Palmares, a responsável por importante parte do processo de reconhecimento e regularização dos remanescentes de quilombos, estão todos perpassados por um mesmo fio.

A fala do Procurador reflete a mesma visão compartilhada pela “elite” metarracista que tem trabalhado contra as ações afirmativas nos últimos anos e não por coincidência está alinhada com a ascensão bolsonarista. Por sua vez o próprio presidente, desde antes da campanha, sempre deixou claro a sua filiação à mesma visão, o “não vai ter um centímetro de terra demarcada para indígena e quilobola” no famoso discurso na Hebraica, não era mera retórica.

Toda a política antiambiental cinicamente levada à cabo pelo governo, cujos discursos e sinalizações levaram ao aumento do desmatamento na Amazônia e aos incêndios, passa pela “neutralização” da fiscalização, a intimidação e criminalização das ONGs e ativistas, além do aparelhamento ideológico nos órgãos estatais que deveriam fomentar e cuidar das questões ambientais, indígenas e quilombolas.

O círculo de autoritarismo com metodologia fascista agora ficou claramente fechado, um ataque sem precedentes, ao nomear uma pessoa negra que vai justamente na mão contrária das premissas fundantes e missão da Fundação Palmares, o que temos é para além de uma “desativação branca”, tão bizarra que sequer dá para fazer trocadilho, uma mensagem clara e debochada do desprezo pelas demandas, pelos movimentos e pela própria população negra, que leva um sonoro, cínico e metarracista “tapa na cara”, aliás, já estendido à todos os outros atacados.

A provocação pode ter intenções piores ainda, no futebol dizem “catimba”, visando estimular manifestações de rua, uma “justificada razão” para aprovar e testar a desejada GLO com excludente de ilicitude, justamente contra uma massa negra… . Não podemos cair na cilada, esse absurdo precisa ser contestado e revertido com inteligência e firmeza, anda difícil mas ainda há soluções institucionais possíveis.


Deixe um comentário

A morte de Juma, a onça mascote do 1º BIS

Ilustração de matéria no G1 AmazonasIlustração de matéria do G1 Amazonas

A situação é triste, mas a análise do fato pode ter visões diferentes…
1º A onça possui um enorme valor simbólico no contexto militar amazônico, significa mais que associar ao guerreiro de selva a força e adaptação ao meio do mais poderoso predador da selva amazônica, obviamente visa demonstrar o controle dos guerreiros de selva sobre o meio, tem efeitos psicológicos e simbólicos…
2º As mascotes apesar de não livres e fora do seu habitat, não são maltratadas, recebem toda a atenção veterinária, etc…, são normalmente dóceis e acostumadas ao contato humano e aglomerações, permitem aos veterinários conhecer mais sobre a espécie, coisa nada comum fora das organizações militares, quais outras instituições na região mantém zoológicos com onças?
3º Por mais dócil e condicionado ao convívio e situações estressantes que uma mascote vivencia (inclusive animais domésticos), não é razoável deixar “livre” em grande público qualquer animal com potencial ofensivo, as correntes no caso são uma contenção lógica, por mais que se apresentem “cruéis”, o recurso por sinal é usado inclusive com humanos privados de liberdade e considerados perigosos…
4º O fato foi atípico, não ocorreu DURANTE o evento popular, mas dentro da unidade militar, esvaziada, após fuga imprevista e ação com tranquilizantes primariamente, a ação letal foi último recurso e reação instintiva diante de alto risco…
5º Não é tão incomum nos ambientes zoológicos, tais consequências diante de situações de impossibilidade de controle e alto risco em situações limites, vide o caso recente do Gorila Harambe em Cincinatti-EUA, que nem era utilizado como mascote ou sujeito aos estresses possíveis com a atividade…
Por fim, é de fato triste o episódio, repercute muito mal em um momento que deveria dar ao contrário boa visibilidade ao Amazonas e ao Brasil, mas antes de se partir para a “condenação” de práticas e instituições, é preciso visualizar de forma menos emotiva todas as variáveis envolvidas… A verdade é que a despeito de todos os cuidados e expectativas “Shit happens”…


Deixe um comentário

O Bessa tá certo… (de novo)

marca_taquiprati2009

Logo do Blog referido

Apenas socializando mais um excelente texto do José Ribamar Bessa Feire, agora sobre recursos hídricos e sua malversação, ANA E OS LADRÕES DE ÁGUA : http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=1079