Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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O ENEM, o pajubá e os néscios.

O texto que segue pretende ser curto e direto, tentarei… . Desde a divulgação do conteúdo da I etapa do ENEM 2018, tenho lido e ouvido inúmeras reclamações sobre o mesmo, mas me incomodam sobremaneira as críticas à questão sobre o pajubá, espécie de jargão (que uns insistem em chamar de “dialeto”, mas tudo bem) utilizado na comunidade LGBT (não vou ficar explicando siglas conhecidíssimas).

O que mais me incomodou e por tal resolvi escrever, foi o do radialista Fred Lobão, muito conhecido no Amazonas, no programa de notícias que comanda no início da noite, não vou detalhar o dito mas basicamente vai na linha do “Que absurdo, querer “forçar” as pessoas a conhecer a linguagem LGBT, isso é inútil e perigoso, querem “transformar” as pessoas em que?, temos direito a não querer que nossos filhos sejam expostos à isso e direito de expressão para repudiar” . OK, então também usando do meu direto de expressão vou respeitosamente repudiar e contrapor a fala posta.

Primeiro porque a virtual totalidade dos que como ele pensam não são educadores, nesse ponto e em outros podem ser considerados néscios, logo, opinam sem base e validade.

A ideia da questão era óbviamente verificar dentro das habilidades de linguagem, a capacidade de interpretação em contexto. Sim poderiam ter sido utilizadas outras linguagens, e ninguém reclamaria…, mas o ENEM sempre prezou pelo respeito e conhecimento da diversidade, o pajubá é derivado do yorubá dos terreiros de Candomblé, ou seja, “coisa de preto”, “para piorar também é coisa de gay”… e isso, o racismo, intolerância religiosa e homofobia dos néscios não pode admitir…. .

É claro que não era preciso de fato conhecer previamente os termos, mas “intuir” pelo contexto o seu significado, por outro lado, “descobrir” 4 ou 5 palavras em qualquer “língua” não faz ninguém falante dela e principalmente não apresenta “perigo”algum de mudança de orientação sexual, ou seja, tremenda besteira a reação contra a questão.

A crença que a orientação sexual é “opção”, que as pessoas “viram” gays, que isso pode ser influenciado, o temor que isso ocorra, que gay é uma coisa negativa e a ser evitada ou que “não temos que falar nisso” tem nome, é HOMOFOBIA… .

E como todo preconceito e discriminação, a homofobia vem da ignorância, do medo e do mau caratismo em não acolher ou ao menos tolerar o “diferente”.

É isso, quem fala o que quer para milhares, tem que estar disposto a ouvir crítica por milhares, ou ao menos dos mais dispostos .


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Estudante transgênero da Ufam reivindica uso de nome social

As questões de diversidade na UFAM , não podem mais ser ignoradas e ter discussões adiadas, abaixo um bom exemplo que se soma aos outros mais tradicionais.

Estudante do 7º período de Filosofia na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Diana Brasilis sabia desde o Ensino Médio que era uma aluna diferente das colegas de classe, mas não com menos direitos. Entretanto, foi no Ensino Superior que ela passou a enfrentar as maiores dificuldades de sua vida estudantil, entre elas lidar com os conflitos dentro e fora de sala de aula por ser transgênero. Três anos após ter garantido sua vaga na graduação, ela aposta num futuro promissor, caso a instituição adote a inclusão do nome social (usado por transexuais e travestis) nos registros acadêmicos e funcionais da universidade.

VEJA A MATÉRIA COMPLETA : http://www.adua.org.br/noticias.php?cod=2148


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Momento Histórico – Registro

foto-históricaSeguindo a minha “neoveia” de Historiador, aproveito para dar uma “facilitada” na vida de futuros pesquisadores (provavelmente “arqueólogos e historiadores digitais”), reproduzindo o registro de um momento histórico, até aonde sei  tal  reunião e registro  é extremamente peculiar,  o encontro e registro fotográfico das altas autoridades dos três poderes estaduais nem tanto, somado o Arcebispo local, mais raro, mas tudo junto e somado a um “Pai de Santo” (Sacerdote de Matriz Africana) militante LGBT e Negro e ainda na Catedral metropolitana, tem 99,99% de  probabilidade de  NUNCA  ter ocorrido antes…, um indicativo forte de que o respeito à diversidade pelo menos nas altas esferas do Amazonas está bem encaminhada…, e um “tapa na cara” dos intolerantes e ignorantes (é redundante mas não custa frisar) que passam dia e noite falando em “Diabo”, demonizando os cultos e praticantes das religiões afrobrasileiras e com atitudes e discursos homofóbicos, ou racistas;  bom seria se em todas as camadas da sociedade e situações sucedesse o mesmo nível de tolerância e respeito mútuo.


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Participação no Jornal AM TV – Matéria Preconceito

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Clique na imagem para ver o vídeo da matéria.

Participação  em mais uma entrevista sobre um tema para o qual sempre me referenciam… Preconceito & Racismo .

Essa foi curtinha,  na verdade uma “levantada de bola” para a matéria  principal tratada por um consultor jurídico ( vídeo aqui ); voltando ao comentário sobre a nossa entrevista específica…, como em  toda entrevista desse tipo (tempo bem reduzido) se faz  edição e cortes para a fala “caber” no tempo, o que implica em um resultado inteligível, mas sem boa parte das informações que julgamos pertinentes para a questão, as vezes uma informação complementar que passamos  em off  (com câmeras e microfones desligados) é mal-entendida ou é passada de uma forma que acaba não refletindo, ou refletindo com imprecisão o que se  disse, e “na  pressa”  também deixamos as vezes de explicar melhor certos conceitos e ai acabamos  também deixando espaço para a imprecisão interpretativa ou  mesmo a “deturpação” do que foi dito.

Um exemplo nessa entrevista é que em off eu disse que de acordo com o Censo 2010, a população do Amazonas tem 4,3% de autodeclarados PRETOS, número próximo ao de indígenas (4,8%) o que representa em números absolutos cerca de 120 mil pessoas (e demonstra a impropriedade em dizer que o estado “é indígena”  ao mesmo tempo em que se nega ou ignora a presença e relevância da população de origem afro) ,  na reportagem a locução em “background”  fala em 120 mil NEGROS… , (confusão comum para quem não tem bom domínio da temática), ocorre que PRETO não é sinônimo de NEGRO…, o IBGE trabalha com as categorias BRANCO, PRETO, PARDO, AMARELO e INDÍGENA, sendo que POPULAÇÃO NEGRA é a soma dos autodeclarados PRETOS e PARDOS… ou seja, a proporção populacional de NEGROS é muito maior do que ao se vislumbrar apenas os PRETOS (os de aparência “padrão africana” não miscigenada)  e isso gera uma incoerência estatística e colabora com o processo de invisibilização negra, e mesmo sendo a maioria dos pardos do estado (68% da população) de origem indígena, não quer dizer que boa parte desse percentual  não se trate de pardos de origem afro (por extrapolação, etc… estima-se que 20% da população amazonense seja parda de origem afro), somados pretos e pardos de origem afro, teríamos coisa de 25% de população negra no Amazonas (estatisticamente empatada com a população autodeclarada branca…) .

Outro ponto é a “manchete”, na realidade o que foi passado pelo Jefferson (que aparece na primeira parte da entrevista falando sobre LGBT) é que o estado ocupa primeiro lugar no ranking de crimes motivados por homofobia no norte do pais…, do jeito que ficou, da a ideia errada de que é o PRECONCEITO contra LGBTs e Negros (tudo junto e misturado) que ocupa a “primeira posição” em um ranking nacional, o que de certo não reflete a realidade… .

Mas isso são detalhes e “faz parte”, no geral ficou bom e cumpre o objetivo .


3 Comentários

VITÓRIA !, Feliciano renuncia à presidência da CDH, “Vaya con Dios !” :-)

CANCELADA TEMPORARIAMENTE A NOTÍCIA, O PASTOR DEP. NÃO RENUNCIOU COMO CIRCULOU EM ALGUNS NOTICIOSOS NO ÚLTIMO DOMINGO, CONTINUA PRESIDENTE DA CDH E PARECE IRREDUTÍVEL, MAS A PRESSÃO AUMENTA E É QUESTÃO APENAS DE TEMPO… , EM BREVE ESPERAMOS QUE O TÍTULO DO POST SE TORNE REALIDADE.