Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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Adeus ao Dr. Rogelio Casado

Juarez e Rogelio

Com o Dr. Rogelio Casado, na Marcha pela Liberdade de Expressão.

Retomando a publicação no blog após um período inativo dedicado ao mestrado, com uma notícia triste, o falecimento do nosso estimado companheiro de lutas do movimento social, Dr. Rogelio Casado.

Psiquiatra, grande defensor da causa antimanicomial, Rogelio era antes de tudo uma pessoa muito humana e que efetivamente atuava em prol de muitas outras causas justas, o que lhe valeu amizade e reconhecimento em todos os movimentos sociais locais, de Mulheres, Negro e Anti-Intolerância Religiosa, Indígena, LGBT, Estudantil, Artístico Cultural, Pró-Liberdade de Expressão e Ambiental, nesse último com grande atuação no movimento S.O.S encontro das águas.

Foi Pró-Reitor de extensão da UEA – Universidade do Estado do Amazonas, e era também admirado por toda a intelectualidade manauara, em especial a tradicional intelligentisia que tinha e ainda tem no tradicional Bar do Armando da praça São Sebastião, o  seu reduto, que em época momesca também é o QG da BICA-Banda  Independente da Confraria do Armando.

Escrevia sobre tudo, também era blogueiro (muitíssimo mais atuante é verdade) e mantinha o seu valoroso PICICA, atuante nas redes sociais era muito querido, nacionalmente, um registrador da atividade dos movimentos sociais, sempre presente com sua câmera e o indefectível colete de fotógrafo, ora acrescido dos seus Panamás, mas sempre com o também indefectível “rabo de cavalo”.

Teatrólogo, o seu monólogo “Cuidado com o Lalau” um inesquecível sucesso na performance da nossa caríssima atriz Rosa Malagueta.

Sempre questionado pelo nome curioso, contava a história da origem peruana, era vizinho aqui no bairro da Raiz em Manaus,  além da conhecida paixão por fotografia e vídeo, era possível vê-lo nas ruas ao mais puro estilo “hell’s angels” em sua potente motocicleta de estilo custom.

Pai do Juan, seu modelo favorito, filho pelo qual demonstrava inequívoca paixão, e que teve a infelicidade de perder também a mãe há poucas semanas… um baque.

Enfim, grande perda, nunca conversamos sobre sua cosmovisão particular, mas na nossa entendemos que a morte não é o fim…, apenas uma passagem, sendo assim, esperamos que seja conduzido à bom lugar do outro lado.

Valeu companheiro, representou !

 

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A turma do “bandido bom é bandido morto” e o ensimesmamento fatal

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Inicio esse texto pedindo desculpas antecipadas a quem possa entender que  com a referência ao ensimesmamento (uma das características do autismo, a de se fechar em si e ficar alheio à realidade que o cerca) eu esteja fazendo uma referência associativa e pejorativa com o autismo, não estou, e por isso mesmo não utilizei no título o termo autismo ou autista, como muitos articulistas tem feito, com o sentido de reforçar a ideia de alheiamento social ou da não escuta dos outros, aproveito para recomendar este excelente texto sobre autismo e uso politicamente incorreto do termo.

Partindo agora para o objeto do texto, é impressionante verificar o quão disseminada é a ideia do “bandido bom é bandido morto”, pessoas de todas as categorias vibram com a notícia de que o meliante tal foi fulminado em confronto com a polícia, ou eliminado pelas mãos de desafetos, mais ainda quando ocorre pelas mãos de uma vítima tentada que reage.

Quem se posiciona contra essa “ideologia” é imediatamente taxado de “defensor de bandido”, pecha que aliás é atribuída a qualquer um que compreenda do que se trata Direitos Humanos e porventura lembre em algum comentário, que os agentes do estado, em especial os da lei e da ordem devem por obrigação legal respeitar primariamente as convenções relacionadas.

Não importa que se considere válida a inevitável baixa do criminoso em confronto armado com a polícia, para os ensimesmados do ” ‘mantra’ bandido bom é bandido morto” toda morte de criminoso é “válida e comemorável”…, mesmo que desnecessária, covarde e ilegal, porém incrivelmente se calam e “não enxergam” quando gente inocente é morta confundida com bandido (mesmo que ocorra as dezenas e de uma só vez), e se você não raciocina e se manifesta assim é “defensor de bandido”.

O que esses ensimesmados não entendem, é que ao fazer apologia do “bandido bom é bandido morto” estão colaborando para uma cultura de violência (seria bom lembrar que alguns dos principais difusores dessa ideologia, são eles mesmos bandidos, já que também não seguem a lei, aqui no caso de Manaus, não é nem preciso citar nomes, já é História e conhecido um caso muito ilustrativo), fomentam portanto violência da qual qualquer um (inclusive eles mesmos, seus filhos, parentes e amigos) pode ser a próxima vítima, acreditam piamente que por serem “gente de bem” estão imunes ao erro de pessoa, truculência e até morte por parte dos mesmos  truculentos e matadores sumários que tanto festejam.

Quando esse tipo de mentalidade vem de pessoas que por suas características socioeconômicas e  fenotípicas se encontram em grupo privilegiado ( no qual tal tipo de erro de pessoa raramente ocorre), até se entende a atitude de alheiamento, não são de fato vítimas potenciais e “preferenciais” do erro de pessoa, quem vai morrer é sempre “o outro”,  coisa que já não se pode considerar para os que também por suas características se encontram no perfil de alvo potencial de desrespeitadores dos DH e  matadores sumários, esse alvos potenciais porém, simplesmente não percebem isso, correm tanto perigo quanto alguém que não tem noção do perigo, aliás correm mais, pois alimentam o perigo que pode ceifá-los ou aos entes queridos.

Outro dia criei um jpeg que dá conta dessa situação e da redução da maioridade penal, em um jogo que deixa aberta com qual situação a pessoa se identifica e o resultado:

um parece seu filho outro não


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Adeus Jair !

Tristeza, lá se foi a simpatia e bom-humor contagiante do grande Jair Rodrigues, daqui para frente só os registros de sua obra, que Oyá o conduza a bom lugar no Orum…. Para relembrar, um momento muito significativo de quem além de grande representante da MPB é considerado pela juventude como o precursor do RAP no Brasil :


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Mandela, patrono mundial da EAD (Educação a Distância)

ead-mandela-patrono1Uma das coisas que quem me conhece (ou me lê rotineiramente) sabe, é o gosto por “juntar paixões”, ou seja, fazer ligações (para muitos completamente inusitadas) entre temas diversos e que me agradam; a EaD é um desses temas, História africana e afrobrasileira é outro, Direitos Humanos e movimentos sociais, mais um, pois é…, e essa aqui é mais uma dessas ocasiões em que “junto paixões” .

A morte do líder sul-africano e prêmio Nobel da paz, Nelson Mandela (aqui uma das suas biografias não-oficiais curtas mais fidedignas em português), tem trazido mundo afora muitas reflexões e homenagens; entre tantas outras coisas que a maioria das pessoas sabe e relaciona com Mandela, a importância que ele dava para a Educação como “arma” para as mudanças necessárias ao mundo, é uma delas, porém pouco percebido ou desconhecido mesmo da maioria; é o fato de Mandela ter sido um grande adepto da modalidade de EaD,  tendo sido o estudo por correspondência vital para a sua trajetória (ah ! e antes que alguém reclame, lembro que o a do “a distância” não é mesmo craseado ok ? ).

Mandela era de uma família nobre da etnia sul-africana Tembhu (e muito próximo do Rei, após ter ficado orfão de pai ) recebendo educação fundamental e média ocidentalizada e esmerada, na época devida entrou para a  University College of Fort Hare, porém foi expulso após o primeiro ano por ter se envolvido em protestos estudantis, depois disso conseguiu através do estudo a distância na University of South Africa se graduar (BA-Bachelor of Arts) em 1943, mudou-se para Johannesburg, e tempos depois foi estudar presencialmente Direito (LLB – Bachelor of Laws) na University of the Witwatersrand, uma universidade de alto nível e reconhecimento mundial, conseguindo um estágio em escritório de advocacia de alto prestígio, porém teve que abandonar os estudos em  1948 por falta de recursos financeiros.

Novamente Mandela recorreu ao estudo a distância, através da University of London, mas ainda dessa vez não conseguiu concluir completamente seu curso de Direito (o LLB é dividido em 3 níveis),  porém  já com um grau (diploma de dois anos) em Direito em cima do seu BA (Bacharelado em Artes, uma formação superior genérica) Mandela  conseguiu ser autorizado a exercer a advocacia, e em agosto de 1952, ele e Oliver Tambo haviam estabelecido o primeiro escritório de advocacia negro da África do Sul, foi após isso que a maior efervescência da sua  atividade antiapartheid se deu e também foi “banido” (proscrito, colocado na ilegalidade) e preso algumas vezes, até a condenação à prisão perpétua em 1964, que na realidade durou cerca de 28 anos, até fevereiro de 1990 quando foi finalmente libertado, após a anistia de antigos companheiros e a revogação de banimento do CNA – Congresso Nacional Africano, partido do qual era um dos líderes -fundadores e veio a se tornar presidente e posteriormente presidente do país.

Na prisão estudou de forma autodidata muitas coisas, entre elas línguas, e finalmente em 1989 já próximo ao final de sua prisão,  completou em curso a distância seu curso pleno em Direito pela University of South Africa, colando grau in absentia (em ausência, já que estava preso),  em uma cerimônia em Cape Town. ( Todos os dados biográficos foram retirados, do site oficial da Nelson Mandela Foundation, traduzidos e reorganizados por mim) .

Quem assistir com atenção o filme Mandela a luta pela liberdade (assista online) vai perceber que nas falas de Mandela com o seu “personal carcereiro” e o filho do mesmo (também carcereiro), a importância do estudo  e o estímulo que ele dá para que o rapaz branco mas de origem humilde, consiga ser o primeiro de sua família a se graduar, valendo-se de um curso a distância.

Mandela não foi a única celebridade mundial a estudar a distância, vide outros exemplos, mas dado o contexto, o valor e alcance simbólico do seu legado, e a relevância e influência direta dessa modalidade educacional na construção do mesmo, não há exemplo maior e apropriado, das possibilidades e das capacidades de estudantes EaD, assim como do poder que a Educação e no caso em especial a modalidade, possui para operar as grandes mudanças.

Por tudo isso, é que proponho Nelson Mandela como patrono mundial da Educação a Distância.


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Adeus Madiba !

capa-mandela

Já esperado há algum tempo o dia em que  Nelson Mandela, chamado carinhosamente pelos sul-africanos por seu nome de clã, Madiba (que vivo já se encontrava na História), partisse apenas para a História.

A vida de Mandela e sua importância todos sabem, não tem muito mais o que falar.

Vai Madiba!, se junta aos antepassados, não apenas aos grandes antepassados d’África, mas aos grandes antepassados da humanidade, aos quais podemos recorrer e convocar na forma de inspiração e força nos momentos mais críticos, ASIMBONANGA !


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Mais um ícone da música amazonense se vai, Adeus Abílio !

abílio-juarez

O cantor Abílio Farias, 66 anos, um dos ícones da música popular amazonense faleceu ontem à noite ( sexta 14/06), após complicações cardíacas e renais, Abílio havia infartado na segunda.

Com uma carreira de 50 anos, era um cantor querido da massa amazonense,  uma curiosidade, nacionalmente atuou como cantor mascarado no já lendário programa do Chacrinha. Abílio deu uma guinada em sua vida nos últimos anos, após décadas de problemas com dependência química, era tido como pessoa afável e simpática, impressão reforçada em todas as vezes que nos encontramos,  na última vez me disse que entre outros planos estava abrindo sua  residência para lá receber regularmente em sessões musicais mais intimistas os amigos e admiradores, me convidou mas não tive a oportunidade de ir.

Intérprete com vários sucessos consagrados,  as minhas músicas favoritas eram “Coração Indeciso” (do  também já falecido mestre Domingos Lima) e “Mulher difícil o homem gosta” , aliás… músicas principais das minhas “palinhas” em espaços cedidos nas apresentações de alguns velhos conhecidos cantores/músicos da night manauara (em setembro passado tinha feito um pequeno post sobre o Abílio ).

Bom é isso, que seu espírito seja conduzido a bom lugar e descance em paz; saindo para um passada no velório… .

Abílio_farias


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Adeus ao Emílio

Com o LP (Viníl) de minha coleção,  Aquarela Brasileira 2  de 1989

Com o LP (Viníl) de minha coleção, Aquarela Brasileira 2 de 1989

Ontem no noticiário nacional, a morte aos 66 anos do grande cantor Emílio Santiago esteve em todas as pautas; infelizmente não deu para eu escrever nada ontem mesmo, porém não poderia deixar de dar a minha palavrinha.

Apesar de não ser exatamente um “Super Fã” do Emílio Santiago (mas conheço quem era, como o nosso amigo Valdemir, que não só era fã como “manda” muito bem fazendo “Covers” do Emílio quando tem oportunidade), como grande parte dos brasileiros, admirava o seu talento e performances, muitos de seus sucessos embalaram momentos importantes de nossas vidas. Confesso que o cantor não estava no meu “playlist” atual e frequente, mas já esteve,  e eventualmente revisando minha coleção de vinís um flashback era inevitável :-).

Havia quem o definisse como “sambista”, mas acho que ele suplantou de muito esse “limíte”, era em verdade um “Crooner” (talvez o último em atividade) que dava às suas interpretações (inclusive de sucessos ja consagrados por outros cantores) em vários estilos musicais, um swing, um “molho” especial , com sua voz encorpada e maneirismos vocais.

Até em bincadeirinhas de “advinha o que é “, o cantor apareceu, quem não lembra daquela inocente pegadinha ? , ” – O que é um pontinho preto no meio do milharal ? , – é um ‘ Milho Santiago’ ”  🙂 .

Pois é…, mais uma estrela referência para minha geração e outras que “muda de andar”, que Oyá o conduza a bom lugar no Orum.