Blog do Juarez

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Macacos, bananas e mais um negro…

A polêmica gerada pelo caso dos pais que fantasiaram para o carnaval o filho adotivo negro como o macaquinho da historinha do Aladdin, revela o desconhecimento e despreparo para tratar de questões raciais (incluindo o combate ao racismo) no contexto brasileiro e cotidiano, não apenas por parte dos pais do garoto, mas também de muita gente que anda comentando nas redes.

Gente que minimiza o fato e diz ser “exagero” de quem se manifestou contrário à infeliz ideia dos pais “ingênuos” e chamando à uma reflexão sobre o problema .
Um curso básico de relações raciais deveria ser disciplina e condição obrigatória para candidatos à adoção de crianças negras. Esses “pais do Abu”, que pelo jeito vivem no país sem racistas/racismo imaginado por Ali Kamel, decididamente não estão preparados para ter e educar uma criança negra no Brasil… .

Eu entendo que os maiores aliados do racismo são o desconhecimento, a ingenuidade e a tergevisação… .

Não é possível à qualquer um minimamente consciente sobre a questão racial brasileira e o racismo brazuca, ignorar que juntar negro/negra e macaco/macaca na mesma frase ou pessoas negras e qualquer alusão a macaco é ofensivo e vai dar M* (caso não seja em crítica à prática), exemplos recentes e polemização difundida largamente na rede é que não faltam.

Não é o caso de “linchar virtualmente”, exigir a “desadoção” ou o que o valha, e obviamente esses pais não são “racistas juramentados”, mas ao serem “ingênuos” colaboram com o racismo e o perpetram “sem saber ou querer”… .

De duas uma, ou eles caem na real e vão estudar a questão a sério para evitar essas ciladas e poder lidar corretamente com os problemas que virão no futuro (sim eles virão mais cedo ou mais tarde para todo negro ou negra, de uma forma ou de outra) ou prevejo uma criança/rapaz que não poderá contar com os pais na hora que ele mais precisar … .


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As ações afirmativas, a autodeclaração e o desvirtuamento

                              Casos célebres e polêmicos de aprovados via cotas para negros

Desde que as ações afirmativas (AA), que são conjuntos de políticas públicas visando corrigir distorções históricas e persistentes nas sociedades, e no caso brasileiro em especial as relativas à população afrobrasileira, começaram a ser largamente discutidas, isso lá para meados dos anos 90 do século passado, que a questão da autodeclaração e das possíveis fraudes e desvirtuamentos se impõe.

Os contra-cotas nunca cansaram de requentar as teses de que “ é difícil dizer quem é negro no Brasil” , “todo brasileiro é miscigenado” e que “justamente as cotas trariam a ‘separação racial’ e o racismo até então não existente”… .

Grandessísimas bobagens…, qualquer policial, porteiro, segurança, responsável por contratações de pessoal, ou pessoas que costumam usar e abusar do preconceito ou discriminação, não erram ao identificar seus “alvos”, não há racismo sem racistas, muito menos se não se pode identificar quem será vítima dele…, logo, o argumento é falacioso; o IBGE desde seu primeiro censo em 1872, conseguiu manter registro de raça/cor, ou através da percepção do recenseador ou pela autopercepção do recenseado, ou seja, as pessoas ou são vistas como negras ou se veem como tal, ou ambos…, portanto a falácia se amplia, e por fim é público, notório e registrado que o preconceito e discriminação raciais, fazem desde sempre parte do cotidiano brasileiro.

Lá e cá, aparecem de tempos em tempos na mídia, casos polêmicos de gente vista como “branca” tentando se beneficiar em processos seletivos e concursos via cotas para negros, a autodeclaração logo é evocada e a sua “subjetividade” utilizada como “defesa” própria, ou para atacar a pretendida fragilidade do critério.

Desde o início firmo a posição de que sendo as AAs de recorte racial, e sendo a construção social identitária “racial” elaborada a partir de três eixos, a)como a pessoa se vê, b)como ela é vista e c) a realidade, em que o ponto de definição válida se consegue a partir de pelo menos dois desses eixos coincidindo, a autodeclaração é em tese o método mais razoável, ao menos preliminarmente.

Na verdade as AAs, não visam apenas afirmar por conta do fenótipo dos postulantes, mas principalmente pelo seu histórico e prejuízo familiar, acumulado ao longo dos séculos de subalternização social por conta da origem africana e escravizada, isso para o todo ou boa parcela da sua ancestralidade, ou seja, a afirmação é válida para quem efetivamente É negro, por conta de ter de fato origem negra, por se assumir enquanto negro e somente por último por ser visto como negro.

Trocando em miúdos, se a pessoa se vê como negra, é vista como negra e muito provavelmente por ser realmente negra, a coisa fica fácil, se ela é vista como negra, na realidade é negra, mas não se vê assim, muito provavelmente a última coisa que ela vai querer na vida é se assumir negra só por conta de cota…, é uma coisa que “dói muito” para quem quer fugir do estigma de ser negro (inclusive para a esmagadora maioria dos “brancos espertinhos”) e finalmente, para aqueles que “se enxergam” como negros, não são vistos assim, mas tem na realidade e em conjuntura próxima a origem negra, bastaria comprovar isso em caso de “tira-teima”, se não o fizer ai sim é fraude, e como todo crime deve ter consequências… .

 


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Adeus à Antônio Pompêo, ator e ativista do MN

O ator Antônio Pompêo, de 62 anos, foi encontrado morto em sua casa, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, Com essa manchete a maioria da mídia brasileira noticiou o passamento desse grande ator e também ativista da causa negra.

Nos últimos tempos Pompêo andava “recolhido”, costumava acompanhar suas postagens pelo facebook, ele tinha também um lado artista plástico pouco conhecido do grande público (aqui alguns trabalhos), segundo a atriz Zezé Motta “Pompêo foi um grande ator mal aproveitado. Não teve o grande reconhecimento que merecia e acho que morreu de tristeza. Tínhamos uma relação que não tinha nome. Eu era namorada, mãe, madrinha, tudo ao mesmo tempo. Pompêo foi um grande amigo, companheiro, irmão… Meu amigo estava recluso, deprimido com a falta de oportunidades de trabalho… Essa é a realidade”, escreveu no facebook.

Pompeo e Juarez

Com Antonio Pompêo, na I Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, em Brasília-2005

Atuou como presidente-substituto e diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira da Fundação Cultural Palmares, vinculada do Ministério da Cultura e  foi um dos idealizadores do Projeto A Cor da Cultura,  que  gerou material de apoio pedagógico em todo país para a formação de docentes e estudantes em História e Cultura afro-brasileiras. Dirigiu também o Cidan – Centro de Informação e Documentação do Artista Negro.

Que seja conduzido a bom lugar no outro lado por aquela a quem soube tão belamente representar em tela…

iansã-pompeo

Pintura Iansã, de Antonio Pompêo

Mais detalhes: http://ego.globo.com/famosos/noticia/2016/01/morre-aos-62-anos-antonio-pompeo-ator-foi-encontrado-morto-em-casa.html


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Mapa interativo da distribuição racial no Brasil (em especial em Manaus-AM)

Muito interessante, trabalho  de mapa dinâmico realizado por PATA Análise e visualização de dados e baseado nos dados do censo 2010, para cada habitante um ponto colorido  baseado na cor informada e alocado em um mapa sobre o endereço informado; não existe apartheid oficial… na maior parte da cidade está “tudo junto e misturado”, porém há também espaços praticamente “circunscritos”,  abaixo uma intervenção que fiz no mapa para Manaus.

De certa forma, esse trabalho ajuda a desmontar a noção de senso comum de que não há negros no Amazonas / Manaus e pelo contrário, demonstra a sua presença (minoritária mas existente) por toda a cidade, áreas de maior concentração e também de baixa concentração, importante observar que foram destacados na intervenção os bolsões de autodeclarados pretos, porém oficialmente é considerada população negra a soma dos autodeclarados pretos e pardos…, a seguir sem ressalvas essa premissa, Manaus seria mais de 72% negra… e o mapa mostra isso claramente.

 Porém sabemos que a grande maioria dos pardos na amazônia é de origem indígena, mas não apenas, outra parte é de origem afro ou de ambas, portanto, pode- se estimar por comparação e extrapolação que se divididas a categoria pardo generalizada em “pardos de origem indígena”  e “pardos de origem africana”, esses últimos alcançariam na população do Amazonas algo em torno de 20% do total, que somados aos mais de 4% de pretos autodeclarados, implicaria em uma população afrodescendente de cerca de 1/4 do total,  ainda minoritária, porém nada desprezível em termos estatísticos e demográficos, para se ter ideia é  estatisticamente o mesmo de população autodeclarada branca e metade da indígena e de origem indígena somadas.

Mapa da cor em Manaus

Mapa da cor em Manaus

A título de informação os dados do Censo 2010- IBGE

 

Censo 2010 norte

No mapa interativo o efeito é bem mais interessante,  o pulo do gato é o zoom, experimente ver a distribuição pelas regiões e bairros de sua cidade…

Clique na imagem abaixo para ir ao mapa interativo.

Mapa racial do Brasil

Mapa racial do Brasil

 


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A presidente e o vento estocado, quem diria…, não é “viagem”

armazenamento da energia eólica- excedenteAs vezes penso que os difíceis de entender discursos da nossa presidente da república e as ideias embutidas, são apenas uma lógica bem diferente da corriqueira (mas não completa falta de lógica…), uma forma de organização do pensamento e exposição que simplesmente a maioria não consegue acompanhar…, vendo a questão do “armazenamento de vento” por exemplo, a ideia não é original dela nem exclusiva, já foi pesquisada e até parcialmente empregada na Alemanha e em uma usina nos EUA, um projeto que previa o armazenamento de ar-comprimido em um bolsão de rocha de aquífero em Iowa nos EUA, a partir do excedente produzido em um parque eólico nos momentos de pico de vento (na realidade não seria “armazenar o vento em si” mas utilizar a energia excedente produzida nos horários de pico de vento, para comprimir ar em bolsões de rocha no subsolo), só não deu certo por questões geológicas na região do experimento, mas a ideia não é estapafúrdia e poderia funcionar em uma situação adequada, portanto… .

http://midwestenergynews.com/2012/01/19/scrapped-iowa-project-leaves-energy-storage-lessons/


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Nilma Lino fica e cresce com o Ministério da Cidadania

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Com a Ministra Nilma Lino

Após mais uma “tensa” reforma ministerial temos um novo quadro com duas notícias, a primeira (que precisa ser melhor avaliada) é a fusão das três Secretarias Especiais que atendiam mais diretamente às demandas dos movimentos sociais, a das Mulheres, a de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e a de Direitos Humanos, a segunda (que de antemão é boa notícia) é que fica à frente da nova pasta, a Profa. Nilma Lino, que já era Ministra titular da Igualdade Racial, que em relação aos três nomes aventados anteriormente (Miguel Rosseto, Moema Gramacho e Benedita da Silva) todos petistas e por tal incensados e reivindicados pelo PT, Nilma Lino é a única reconhecida como “do Métier”, sem objeções generalizadas pelos movimentos sociais, e não tem filiação partidária, é mulher, negra e com histórico nos movimentos sociais (Benedita da Silva é um caso a parte, e sofre algumas objeções pelos movimentos sociais, apesar de ter sido Senadora, Governadora do RJ, Ministra da Assistência e Promoção Social, atualmente Deputada federal).

As Secretarias Especiais com status de Ministérios, sempre sofreram de uma “subnutrição crônica” com orçamentos muito modestos e estruturas reduzidas, espera-se que com a nova situação haja um “emponderamento” na estrutura, dotação e condição política no trato das questões pertinentes, inclusive em ações diretas e de fomento em outras pastas e instituições públicas e privadas.

Alguns ativistas demonstraram preocupação com a extinção ou incorporação da SEPPIR, eu particularmente há muito acho que a incorporação por um ministério de atribuições mais amplas poderia ser positivo (ainda mais com alguém que conheça e tenha compromisso com a causa negra, e representando a população afrobrasileira melhor ainda… escrevi sobre há uns anos ainda no DILMA I, SEPPIR, para que e até quando ?  https://blogdojuarezsilva.wordpress.com/2011/11/01/seppir-para-que-e-ate-quando/

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