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A “preocupação” metapreconceituosa e o recurso ao “under class” contra a EaD na pandemia

Imagem utilizada na metacampanha anti EaD na pandemia

Tenho visto muita gente boa embarcando na vibe da metacampanha antiEaD, talvez sem se dar conta do que realmente está fazendo.

Durante uma década discutindo e lutando pelas cotas universitárias, em especial as sócio-raciais, era recorrente topar com argumentações que recorriam ao “under class” como motivo de “injustiça” ou “falácia” das cotas para negros. Para quem não sabe, “under class” é um conceito/termo utilizado na discussão sociológica e étnico-racial para se referir aos “mais excluídos dos excluídos”, ou seja, aqueles “desprovidos de tudo” e que mesmo as políticas públicas tem dificuldades de alcançar, e que possuem baixíssimo coeficiente de mobilidade social.

O argumento, fazia um “apelo emotivo” ao lembrar que “nem todos ou muitos” não seriam alcançados pelo “benefício” das cotas. Que apenas uma “minoria negra privilegiada” seria alcançada, portanto, “inútil e injusto” seria fazer reserva de vagas com base em cor, deveria ser apenas pela condição social. O argumento que na verdade era METARRACISTA (racismo disfarçado e cínico) não tinha real preocupação com o “under class”, mas sim o de barrar a ação afirmativa para os que dela pudessem lançar mão, mudando assim o “status quo”. A real falácia estava em desconsiderar a variável racial na composição e nível de pobreza e que com ou sem cotas, o “under class” seguiria “inatingível”, não sendo motivo portanto para não fazer a afirmação dos que poderiam receber a ação afirmativa. Em outras palavras, a argumentação visava garantir uma exclusão negra plena, e não apenas a “sem solução”.

É o mesmo que ocorre com quem recorre ao argumento da “dificuldade do ‘under class’ ” para tentar desqualificar o EaD, mesmo em tempos de inevitabilidade.  O objetivo da campanha metapreconceituosa não é outro que não seja atacar a EaD. Não se vê a “gente de bem” que “se preocupa com os despossuídos”,  reconhecer a imensa quantidade de beneficiados pela modalidade em uso emergencial, não se vê nenhum admitindo que a opção pela TV já ameniza em muito a alegada “dificuldade de dispositivos e internet” na população pobre, não se vê nenhum propor políticas públicas que universalizem o acesso em tempos normais ou mesmo na emergência pandêmica. O que se vê desses é só ataque à modalidade, reação, “mil motivos” para “odiar”, “desconfiar”, “cancelar”, nunca uma observação positiva… .

Essa campanha e argumentação não é nova, e a gente sabe de onde vem e a quais interesses servem. O triste é ver gente “comprando a ideia por pilhamento”, ou por uma necessidade narcísica de serem visto(a)s como “almas caridosas e preocupadas com os mais pobres”, ou por seus próprios preconceitos e dificuldades para a inovação e lidar com a tecnologia e aspectos metodológicos da modalidade.

Veja matéria que escrevi há quase 9 anos, clique na imagem:


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EaD – Educação a Distância e a pandemia

corona-ead

O lugar de fala

Acho importante quem se manifesta, seja no que for, colocar logo de início o seu “lugar de fala” a fim de que os interlocutores possam melhor avaliar e entender a partir do que foi formada a opinião do manifestante, e assim “rankear” a pertinência e “confiabilidade” do falado, ou se for o caso “relevar” informações e atitudes. Já escrevi sobre o tema “lugar de fala”, então deixo apenas link para quem quiser um pouco mais de detalhamento.

Bem, meu interesse por EaD vem desde o final dos anos 90 com estudo informal, porém em 2006, após dois anos de curso pela Universidade Católica de Brasília, recebi o título de Especialista em EaD, tendo feito diversas atualizações, participado de eventos na área e atuado profissionalmente. Apesar de profissionalmente ter me afastado um pouco da área, sigo acompanhando a sua evolução e emprego. Daí que não confundam com mera “arrogância” a minha “firmeza de posição” ou o “tom professoral”, por motivos óbvios eu “tenho um lado” e o defendo, não esperem de mim “frouxidão” ao falar do tema, ou muita “paciência” ao discutir o tema com leigos preconceituosos e renitentes.

A EaD

As vezes referida no masculino ao se falar em Ensino, não é coisa nova, no século XIX já era praticada, o que mudou grandemente foram o alcance e a eficiência, conquistados com as novas tecnologias que se sucederam. A popularização dos dispositivos computacionais e de comunicação conectados pela INTERNET permitiram um grande salto nesse sentido, com um grande aumento de estudantes pela modalidade e a adesão de prestigiosas instituições de ensino mundo afora.

Aliás, já em 2006, minha monografia da Especialização tratava da Educação a Distância como Instrumento de Desenvolvimento Social e Regional (PDF) , uma pesquisa sobre como se visualizava a modalidade e sua potencialidade e como estava sendo empregada, especialmente nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Aqui no blog mesmo tenho muitos escritos sobre o tema ao longo dos anos . Em basicamente todos eles é recorrente a crítica ao ainda grande desconhecimento geral das potencialidades da modalidade e preconceitos contra seu emprego.

A resistência

Quer por profissionais da Educação, quer por estudantes , o que se reflete em posições reacionárias também de escolas, fez com que muitos, se não a maioria, não estivessem preparados para se valer da modalidade, de forma paralela à presencial, ou emergencialmente como agora se faz, frente à pandemia do Covid-19.

São cerca de 776,6 milhões de crianças e adolescentes fora das escolas, por conta das medidas de combate ao vírus. Justamente aí está o maior desafio, já que apesar do grande avanço da EaD no ensino superior, na Educação continuada e corporativa, muita gente ainda entende como “inaplicável” a modalidade no ensino básico, sobretudo no fundamental. Coisa que diversas experiências ao longo do mundo (inclusive aqui no Amazonas vide matéria no JN, com a atuação premiada do Colégio Militar de Manaus) já demonstraram falaciosa. É possível o emprego da EaD em todos os níveis, desde que se tenha o DESENHO INSTRUCIONAL CORRETO para cada nível, o erro dos resistentes é achar que EaD só se faz de uma ou duas formas, de maneira absoluta (sem conexões com o presencial) e apenas utilizando a ANDRAGOGIA (condução voltada para adultos), o que é uma inverdade.

Em tempos e condições normais o “HOME SCHOOLING” (escolarização em casa) sofre também forte resistência, e a partir de argumentos válidos, como a necessidade de socialização das crianças, o que se torna difícil na modalidade, a dificuldade de pais para lidar com o conteúdo e o ensino, ou ainda o evitamento da diversidade que há na escola.

No entanto, em tempos de distanciamento social, essa é a forma possível…, só que com a ajuda da EaD, esse processo é bem menos traumático e não se desconecta da escola, ou seja, os pais não tem que ocupar o papel de professores, mas de facilitadores pois se pode contar com a atuação remota dos professores, conteúdo padronizado, etc… . A própria UNESCO já balizou que esse é o caminho e os estados assumiram o mesmo, portanto, “lutar contra” na atual conjuntura é como “nadar conscientemente contra a maré” pode equivaler a um “atestado de anacronia e inadaptabilidade” e em muitos casos a um “suicídio profissional” , não adianta correr da vida a distância, a pandemia veio para mudar hábitos, com efeitos no futuro .

Teletrabalho

Vale lembrar, é uma tendência mundial e em muitas áreas, tanto no setor privado quanto público, a pandemia ampliou isso de forma emergencial e enormemente. Para os profissionais de Educação teletrabalho é EaD …, infelizmente muitos estão tendo que aprender a lidar com ele de maneira trágica e apressada, mas olhando de forma otimista, muitos estarão rompendo barreiras psicológicas e limitações tecnológicas e se preparando para o futuro.

Há uma questão de gênero embutida ai ? sim, também, mas ao contrário de algumas argumentações, mais pautadas pelo preconceito contra a EaD do que pelos fatos. Não se ignora a jornada dupla ou tripla que pesa sobre mulheres, tampouco o papel de cuidadoras culturalmente alocado, muito menos que na epidemia o isolamento amplifica as demandas domésticas/familiares com todo mundo preso em casa ao mesmo tempo. Porém mesmo nessa situação, é muito mais vantajoso poder fazer teletrabalho, do que passar por todos os problemas e limitações que o trabalho presencial já oferece normalmente, agora acrescido com os riscos de contaminação.

Aliás, o teletrabalho se não é a “panaceia”, em tempos normais tem ganhado cada vez mais a adesão feminina, justamente pela sua capacidade de conciliação e abrandamentos nas múltiplas jornadas, já que culturalmente não é tão fácil se livrar delas, como em um caso bem emblemático de uma teletrabalhadora do TJMG .

Última questão

A moral , enquanto educadores e educadoras, faz parte dos esforços coletivos, tal qual os profissionais de saúde que estão fazendo sua parte no pior front dessa guerra, não deixar seus alunos absolutamente interrompidos em relação ao processo educacional. Enfim, o certo é que após essa crise, muita coisa vai mudar, espero sinceramente que um melhor aproveitamento da tecnologia a serviço da educação seja visualizado como estratégico.


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O MEC e o Mestrados “a distância”

mestrados-a-distancia-não

No já longínquo final de 2005, quando o Decreto n o 5.622, de 19 de dezembro de 2005 veio à luz,  finalmente pré-regulamentando os mestrados via EAD (previstos desde a LDB de 1996), muita gente acreditou que dali a 180 dias (prazo dado para que a CAPES conclui-se o detalhamento da regulamentação) o cenário da pós-graduação stricto sensu em fim seria democratizado, ledo engano… .

Idas e vindas da legislação e nada de mestrados a distância nas mais variadas áreas se tornarem realidade no Brasil…, a CAPES (a grande “entravadora” da questão) acabou ironicamente recebendo a incumbência de “cuidar” da EAD no ensino superior.

Depois de muuuitooossss anos finalmente, a UAB-Universidade Aberta do Brasil (na realidade um pool de universidades públicas) recebeu  autorização para um mestrado “a distância”, só que além de ser semi-presencial (e com uma exigência de presença elevada), a área escolhida foi matemática,  área diversa das desejadas  pelos potenciais interessados, projeto  direcionado exclusivamente para professores do ensino básico da rede pública…  o PROFMAT, para piorar o mestrado recebeu a pecha de “profissionalizante” (em tese não aplicável para o magistério superior…, mas sim para qualificação de exercícios profissionais que não a docência), fica a pergunta:  se o mestrado é para professores que obviamente atuam na docência, por qual motivo é “profissionalizante” ??? ; a resposta talvez seja :  “Para evitar que os novos mestres, façam o que em tese é a função precípua dos mestres, lecionar em nível superior (muito embora haja quem entenda que mestre é tão somente um pesquisador, um “pré-doutor”)  e “invadir” o reduto dos  “acadêmicos”…   ” (reserva de mercado ????) ; depois do super interessante PROFMAT,  veio o Mestrado profissionalizante em Letras e nos mesmos moldes o PROFARTES, voltado para professores de artes… .

Enquanto isso…, nada de autorizações de mestrados de interesse geral (e com maior assincronia, com o formato online majoritariamente e as atividades presenciais minímas exigidas por lei), muito menos sem o “apartheid profissionalizante”, com isso gerações de  profissionais  já graduados  que poderiam já serem  mestres ou doutores, continuam tendo que depender exclusivamente do PPGs (programas de pós-graduação) presenciais das universidades públicas (oferta relativamente baixa e de seleção tradicionalmente excludente…) ou dos caríssimos de algumas intituições privadas topo de linha…, eventualmente se arriscando em algum curso estrangeiro (preferencialmente do Mercosul) de custos muito menores e maior flexibilidade, mas sem garantias de revalidação no Brasil… .


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Mandela, patrono mundial da EAD (Educação a Distância)

ead-mandela-patrono1Uma das coisas que quem me conhece (ou me lê rotineiramente) sabe, é o gosto por “juntar paixões”, ou seja, fazer ligações (para muitos completamente inusitadas) entre temas diversos e que me agradam; a EaD é um desses temas, História africana e afrobrasileira é outro, Direitos Humanos e movimentos sociais, mais um, pois é…, e essa aqui é mais uma dessas ocasiões em que “junto paixões” .

A morte do líder sul-africano e prêmio Nobel da paz, Nelson Mandela (aqui uma das suas biografias não-oficiais curtas mais fidedignas em português), tem trazido mundo afora muitas reflexões e homenagens; entre tantas outras coisas que a maioria das pessoas sabe e relaciona com Mandela, a importância que ele dava para a Educação como “arma” para as mudanças necessárias ao mundo, é uma delas, porém pouco percebido ou desconhecido mesmo da maioria; é o fato de Mandela ter sido um grande adepto da modalidade de EaD,  tendo sido o estudo por correspondência vital para a sua trajetória (ah ! e antes que alguém reclame, lembro que o a do “a distância” não é mesmo craseado ok ? ).

Mandela era de uma família nobre da etnia sul-africana Tembhu (e muito próximo do Rei, após ter ficado orfão de pai ) recebendo educação fundamental e média ocidentalizada e esmerada, na época devida entrou para a  University College of Fort Hare, porém foi expulso após o primeiro ano por ter se envolvido em protestos estudantis, depois disso conseguiu através do estudo a distância na University of South Africa se graduar (BA-Bachelor of Arts) em 1943, mudou-se para Johannesburg, e tempos depois foi estudar presencialmente Direito (LLB – Bachelor of Laws) na University of the Witwatersrand, uma universidade de alto nível e reconhecimento mundial, conseguindo um estágio em escritório de advocacia de alto prestígio, porém teve que abandonar os estudos em  1948 por falta de recursos financeiros.

Novamente Mandela recorreu ao estudo a distância, através da University of London, mas ainda dessa vez não conseguiu concluir completamente seu curso de Direito (o LLB é dividido em 3 níveis),  porém  já com um grau (diploma de dois anos) em Direito em cima do seu BA (Bacharelado em Artes, uma formação superior genérica) Mandela  conseguiu ser autorizado a exercer a advocacia, e em agosto de 1952, ele e Oliver Tambo haviam estabelecido o primeiro escritório de advocacia negro da África do Sul, foi após isso que a maior efervescência da sua  atividade antiapartheid se deu e também foi “banido” (proscrito, colocado na ilegalidade) e preso algumas vezes, até a condenação à prisão perpétua em 1964, que na realidade durou cerca de 28 anos, até fevereiro de 1990 quando foi finalmente libertado, após a anistia de antigos companheiros e a revogação de banimento do CNA – Congresso Nacional Africano, partido do qual era um dos líderes -fundadores e veio a se tornar presidente e posteriormente presidente do país.

Na prisão estudou de forma autodidata muitas coisas, entre elas línguas, e finalmente em 1989 já próximo ao final de sua prisão,  completou em curso a distância seu curso pleno em Direito pela University of South Africa, colando grau in absentia (em ausência, já que estava preso),  em uma cerimônia em Cape Town. ( Todos os dados biográficos foram retirados, do site oficial da Nelson Mandela Foundation, traduzidos e reorganizados por mim) .

Quem assistir com atenção o filme Mandela a luta pela liberdade (assista online) vai perceber que nas falas de Mandela com o seu “personal carcereiro” e o filho do mesmo (também carcereiro), a importância do estudo  e o estímulo que ele dá para que o rapaz branco mas de origem humilde, consiga ser o primeiro de sua família a se graduar, valendo-se de um curso a distância.

Mandela não foi a única celebridade mundial a estudar a distância, vide outros exemplos, mas dado o contexto, o valor e alcance simbólico do seu legado, e a relevância e influência direta dessa modalidade educacional na construção do mesmo, não há exemplo maior e apropriado, das possibilidades e das capacidades de estudantes EaD, assim como do poder que a Educação e no caso em especial a modalidade, possui para operar as grandes mudanças.

Por tudo isso, é que proponho Nelson Mandela como patrono mundial da Educação a Distância.


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Projeto “Universidade Rural” a distância do Amazonas, efetivando-se.

EAD-RURALA UEA – Universidade do Amazonas, em parceria com a SEDUC (Secretaria Estadual de Educação), inicia em 2014 a oferta de cursos  de graduação a distância, para comunidades ribeirinhas/rurais do interior do estado, aproveitando a estrutura do Centro de Mídias da SEDUC já utilizada em cursos de ensino fundamental e médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) através da metodologia de ensino mediado por tecnologia (ou EAD – Educação a Distância, como é genericamente conhecido).

A atual estrutura do centro de mídias, já consegue atingir cerca de 2.500 comunidades rurais do Amazonas e deve atingir 3.000 em 2014.

Os cursos a serem oferecidos estão estreitamente relacionados com as “vocações” e eixos econômicos das regiões a se atingir, psicultura/pesca, agrotecnologia e outros relacionados ao desenvolvimento auto-sustentável.

A proposta do projeto é de autoria do Deputado Tony Medeiros (PSL), feita em 2012 e agora muito próxima de se efetivar.

Mais uma “bola dentro” do nosso estimado artista e político parintinense…

Com o Deputado Tony Medeiros

Com o Deputado Tony Medeiros

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Cursos a distância superam os presenciais em todos os indicadores de qualidade do e-MEC

EAD-PODIUMNão é que nós adeptos e entusiastas da EAD tenhamos intenção “supremacista” em relação ao ensino presencial, mas ter que ouvir ou ler posições preconceituosas, discriminatórias e pejorativas com relação a EAD (quando fatos e dados como os expostos na matéria abaixo, estão ai para quem quiser ver, destroçando os argumentos dos “anti-EAD”), chega a ser hilário e nonsense… .

Cursos a distância superam os presenciais em todos os indicadores de qualidade do e-MEC
Tanto no conceito de curso (inclusive no preliminar) quanto no Enade, cursos a distância conseguem percentual superior de aprovação na comparação com presenciais, segundo base de dados e-MEC
21/02/2013

A base de dados e-MEC, que reúne instituições de ensino e cursos de graduação com suas respectivas notas nos indicadores de qualidade utilizados pelo Ministério de Educação (MEC), aponta que, percentualmente, os cursos de educação a distância estão ligeiramente melhor conceituados do que os cursos presenciais em todos os indicadores.

O e-MEC reúne as notas nos indicadores do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), que avalia o conhecimento dos estudantes; do Conceito Preliminar de Curso (CPC), que é composto a partir dos resultados do Enade e por fatores que consideram a titulação dos professores, o percentual de docentes que cumprem regime parcial ou integral (não horistas), recursos didático-pedagógicos, infraestrutura e instalações físicas; e, por fim, as notas do Conceito de Curso (CC), composto a partir da avaliação in loco do curso pelo MEC, e que pode confirmar ou modificar o CPC.

Em todos os três indicadores, os cursos a distância aparecem com percentuais ligeiramente maiores de aprovação (notas 3 a 5) e também com percentuais maiores entre os cursos aprovados com a nota máxima (5).Na análise dos dados do e-MEC, verificou-se um quase empate nos indicadores CC, porém com vantagem para os cursos a distância, nos percentuais de aprovação (notas 3 a 5): 100% dos cursos a distância e 97,7% para os cursos presenciais.

No indicador Enade também houve um cenário parecido: 70,5 para cursos a distância e 69,15% para cursos presenciais. Porém, no indicador CPC, houve uma grande diferença em favor dos cursos a distância: 83,7%, e 75,6% para os presenciais.Se forem considerados apenas os percentuais de nota 5, novamente os cursos a distância estão na frente no CC (14,58% a distância e 14% presenciais) e no CPC (2,91% e 2,3%), ficando atrás apenas no Enade (4,5% a distância e 6,15% presenciais).

A busca de dados na base do e-MEC foi feita ontem, dia 20, considerando apenas cursos (não se buscou por instituições de ensino) em todo o país, pagos e gratuitos, nos graus de bacharelado, licenciatura, tecnológico e sequencial. Não se considerou neste levantamento os cursos presenciais ou a distância que não foram avaliados ou que ficaram sem conceito. A busca foi feita pela internet, no endereço http://emec.mec.gov.br/. O sistema é atualizado constantemente.

A pesquisadora Márcia Figueiredo, coordenadora geral do Centro Universitário Barão de Mauá e membro da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) afirma que o número de cursos avaliados em educação a distância é pequeno na comparação com os presenciais porque ainda “menos de 10% das instituições oferecem educação a distância, isso faz com que o número de instituições avaliadas ainda seja muito pequeno”. Márcia também acredita que há a necessidade de que seja adotada um política nacional para a educação a distância, principalmente para a educação superior, já que a modalidade a distância não é considerada para este nível no Plano Nacional de Educação.

Veja os resultados da pesquisa na tabela abaixo:

Notas dos cursos presenciais e a distância

 

Cursos de EAD

Cursos Presenciais

NOTA

CC % CPC % ENADE % CC % CPC % ENADE %

5

07 14,58 07 2,91 15 4,5 2.232 14 400 2,3 1.310 6,15

4

30 62,5 60 25 69 20,9 7.275 45,6 3.911 22,8 4.419 20,7

3

11 22,9 134 55,8 149 45,1 6.076 38,1 8.656 50,5 9.028 42,3

2

39 16,25 95 28,7 323 2 4.024 23,5 5.560 26,1

1

02 0,6 25 0,1 121 0,7 982 4,6
                         

1 a 5

48 100 240 100 330 100 15.931 100 17.112 100 21.299 100

 

                       

3 a 5

  100   83,7   70,5   97,7   75,6   69,15
FONTE: e-MEC (http://emec.mec.gov.br/). Coleta de dados realizada em 20/02/2013 pela revista Ache Seu Curso a Distância, e pela pesquisadora Márcia Figueiredo (CBM e ABED).

 


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A Educação a Distância como Instrumento de Desenvolvimento Social e Regional (Monografia de Pós)

educacao_dist2Dia desses pretendia usar a  monografia da minha Especialização em EAD (Educação a Distância) em uma discussão virtual,  porém em uma busca rápida pela web não encontrei a mesma disponibilizada livremente (eu tinha publicado em meu velho site pessoal, mas na mudança de provedor o link passou a apontar para “o nada” ) nem no site de biblioteca da própria Universidade Católica de Brasília encontrei.

Portanto, não apenas para a minha comodidade de poder recupera-lá ou referencia-lá online onde eu estiver, mas também para a de quem está pesquisando o assunto, estou fazendo esse post e disponibilizando a mesma em anexo.

Apesar de contar já com 6 aninhos ela está bem atual, e por tratar de um assunto não muito explorado (pelo menos não tinha sido sistematizado em português e consolidado a partir de tantas fontes dispersas), permanece como uma das poucas referências um pouco mais abrangentes sobre o tema.

A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) COMO INSTRUMENTO DE
TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO.  
Um breve relato e reflexões sobre experiências exitosas e possibilidades

Monografia EAD como Instrumento de Transformação Social e desenvolvimento

Nela demonstro como países subdsenvolvidos e emergentes encaram a EAD com o enfoque descrito, bem como, experiências brasileiras (inclusive regionais e pouco conhecidas/divulgadas), já há uma outra versão atualizada e adaptada para ser publicada como livro em breve… :-), essa ai é a original.


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Campanha anti-EAD “Educação não é fast-food”, por que sou contra

Não é de hoje que o Conselho Federal do Serviço Social (CFESS) e vários profissionais da área de Serviço Social tem se manifestado contra os cursos de graduação a distância em Serviço Social, mas a partir de maio passado começou a ser veiculada uma campanha intitulada “Educação não é fast-food – diga não à graduação a distância em Serviço Social”. Feita principalmente a partir de um hotsite que concentra os esforços de campanha e “linka” vários recursos utilizados como 13 filmes no YouTube, spots de rádio e material gráfico, adesivos e cartazes nos quais se faz a associação do ensino a distância com alimentação de baixa qualidade (vide matéria no site do CRESSPR) : http://www.cresspr.org.br/noticias/campanha-educacao-nao-e-fast-food/ ) .

Naturalmente a campanha acendeu uma grande polêmica, provocando a reação tanto de profissionais e entusiastas da EAD (Educação a Distância) quanto dos próprios estudantes de graduação em Serviço Social a distância. Porém de forma inusitada alguns profissionais de EAD (inclusive da alto peso na área) acolheram e apoiaram a campanha, enquanto alguns profissionais de Serviço Social se posicionaram contra a mesma. Também ” entrou na briga” a Associação Nacional dos Tutores de Ensino a Distância (Anated), movendo uma ação cautelar contra a campanha, culminando (até agora) com uma liminar da Justiça Federal proibindo a veiculação.

Enquanto profissional com décadas na área de Educação, com título de Especialista em EAD e atuante na área, não poderia me furtar de me manifestar (e de forma mais ampla aqui no blog , apesar dos comentários já feitos ai pela web).

Após ver a maior parte do material da campanha, as argumentações e posicionamentos de colegas da área de EAD ( que com toda honestidade intelectual apresentaram visões críticas e referencial teórico que legitimam vários dos questionamentos referentes à EAD. Bem como, alguns fatos que não podem ser desconsiderados em uma análise séria sobre Educação a Distância (em contexto geral e/ou específico), além de diversos posicionamentos prós e contra. Não tenho dúvidas que as verdadeiras intenções e razões por trás de todo discurso META-MODALISTA (termo cunhado por mim a partir dessa questão, para definir uma ação dissimulada de preconceito e discriminação de MODALIDADE de ensino) encerrado nessa campanha, seja sim reacionarismo, preconceito e discriminação contra a modalidade a distância, porém devidamente camuflado em “preocupação com a qualidade” e com os “efeitos profissionais e sociais” .

Digo isso a partir da experiência adquirida em anos de leituras, escritas e debates na minha militância principal que é o movimento negro… .

Identifiquei na campanha “Educação não é fast-food”, exatamente o mesmo método de tentar “embarreirar” a democratização do acesso ao que a “elite” do Serviço Social (notadamente a acadêmica e “reguladora profissional” ) considera “seus domínios”, e que encontro diariamente nos discursos METARRACISTAS da elite brasileira (e dos seus “aspirantes” da classe média) contra as Ações Afirmativas no acesso universitário. E em outras esferas sociais para as populações historicamente prejudicadas e excluídas.

Não obstante o curso de Serviço Social fazer parte dos chamados “cursos de pobre” (aqueles que não garantem muito grande mobilidade social, não interessando portanto aos “filhos de rico”…, o que abre espaço para os “filhos de pobre” alcançarem com maior facilidade uma carreira de nível superior), fica evidente que depois do processo de formação ideológica característica das ciências sociais e correlatas (alinhadas à esquerda), o que muitas vezes acaba se formando é uma “casta nobre” de origem proletária (vide “A Revolução dos bichos” de George Orwell). Aguerridamente “politizada” mas que precisa encontrar “causas de interesse interno” para mobilizar a classe e manter viva a chama da ilusão que agora estão “do lado de cima da sociedade”, sendo necessário “primar” pela “qualidade e mérito” do acesso à “ORDEM” …

O maior paradoxo se dá quando se observa os valores dispostos no seu próprio código de ética profissional :

  • Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à discussão das diferenças;
  • Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual;
Definitivamente, me parece que algum código de ética está sendo “rasgado” e substituído por uma “elitização cínica” e travestida de “preocupação com a qualidade e bem coletivo”.

Tal qual no METARRACISMO, no META-MODALISMO o discurso é “bonito”, sempre com citações à defesa da qualidade de ensino, mérito pessoal, reformas de base, evitar conflitos futuros, garantir ganhos para a sociedade etc… . Porém no fundo ( e nem tão fundo…) tem com real motivação os velhos preconceitos e como meta principal (mas nunca declarada), preservar os recursos do grupo dominante e “já bem instalado” do compartilhamento com os “diferentes” que graças à democratização do acesso começam a chegar em maior número. Nesse caso a diferença ao invés da “raça” é a modalidade historicamente discriminada. A retórica não é difícil de “encantar” pessoas bem intencionadas, mas alheias as reais motivações , interesses e métodos de preservação do Status Quo.

Pode parecer “paranóia” mas não é … ao ler o trecho abaixo, trocando a palavra “raça” por “modalidade” e racismo por modalismo, se percebe a impressionante justaposição conceitual.

“São quatro os sentimentos que, segundo (Blumer, 1939), estarão sempre presentes no preconceito racial do grupo dominante: (a) de superioridade; (b) de que a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena; (c) de monopólio sobre certas vantagens e privilégios; e (d) de medo ou suspeita de que a raça subordinada deseje partilhar as prerrogativas da raça dominante. ” ; soa familiar ?

Pode-se fazer o mesmo exercício com o texto abaixo :

(Zizek 1995), “vivemos um novo tipo de racismo, um racismo pós-moderno, um“meta-racismo”, que pode perfeitamente assumir a forma de um combate contra o racismo. Essa resistência cínica pode ser encarada como uma das vicissitudes da atual abertura proposta pelo liberalismo e seu projeto de re-invenção da democracia e do discurso dos direitos humanos”, porém como a diferença entre o meta-racismo e o racismo direto, tradicionalmente de forma aberta e declarada, é nula ( já que não existe metalinguagem…), faz com que o cinismo com o qual se apresenta o meta-racismo o torne muito mais perigoso.

Trincheiras diferentes, mas as armas dos inimigos da democratização e inclusão parecem ser as mesmas…

Na prática ao fazerem uma campanha contra a EAD na graduação em Serviço Social (afirmando peculiaridades e incompatibilidades), acabam por fazer uma campanha contra a EAD de forma geral… . Contra uma modalidade que tem respaldo legal para ser aplicada em todos os níveis de ensino e tem efetivamente colhido muito bons resultados nos mais variados cursos (inclusive superando no desempenho, a modalidade presencial em mais da metade dos cursos comparados). Somos sim contra os cursos EAD mal elaborados e conduzidos (e os há) , mas se há problemas em determinados cursos a distãncia, a solução é aumentar a fiscalização e exigir que se adequem a um bom padrão, não simplesmente criar campanhas e lutar para que sejam eliminados.

Ao agir do modo atual, estão fazendo como fariam racistas dissimulados ao dizer : ” Não temos nada contra negros em geral, a legislação até permite que eles existam aqui e em outros lugares…, mas bem aqui no “nosso pedaço” por suas dificuldades no estilo do seu processo de aprendizagem, não achamos que sejam ou possam vir a ser tão bons quanto nós e por isso também achamos melhor que parem de nascer aqui “. Não somos racistas, mas reivindicamos isso apenas para preservar e garantir que nosso povo tenha a melhor qualidade possível…” .

Bom é isso, estou terminando de fazer a atualização e revisão do meu primeiro livro (na realidade uma “versão livro” da minha monografia da especialização em EAD em 2006) “A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO. ”. Pretendia apresentar para uma editora e ver se conseguia lançar no CIAED aqui em Manaus no fim do mês, mas atrasou e não há mais tempo hábil… . Talvez consiga estar com uma edição independente (daquelas por demanda) pronta até lá, vou tentar incluir essa questão da campanha do CFESS no tópico sobre resistências a EAD… .


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II Fórum de Educação a Distância do Judiciário

Publicado direto de Brasília…, estou participando do evento (24 a 27/11), juntamente com  alguns colegas do TJAM . Palestras muito interessantes com vários especialistas da área  vindos de várias partes do país ( e de dentro e de fora do Judiciário), no primeiro dia muito bons encontros, tive a oportunidade de conhecer e interagir pessoalmente com várias celebridadeas da EAD brazuca, como  Wilson Azevedo, João da Matta, Francisco Villa , Robson Santos,  entre outros.

Wilson Azevedo,  autor renomado e  Diretor da Aquifolium

Francisco Villa, Diretor-geral da  CatólicaVirtual  (Universidade Católica  de Brasília )

João da Matta, autor renomado / Universidade Anhebi-Morumbi

Equipe Capacitação/ EAD do CNJ e delegação do TJAM

 


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Upgrade Profissional

Nada como um bom upgrade na vida profissional…, para mim o ano está terminando muito bem… :D,  depois de quase 3 anos na divisão de TI do TJAM , mudei de função e finalmente estarei utilizando  o conhecimento obtido na minha  pós-graduação em EAD no próprio trabalho no Tribunal.


Nada mal…