Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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2017 – VIGÉSIMO NONO ANIVERSÁRIO DE ATIVISMO NEGRO

Só agora me dei conta que minha primeira palestra oficial, que ocorreu no centenário da abolição (1988) ao contrário do que aparentemente todo esperavam, não versou sobre os horrores do cativeiro, nem sobre a “bondade da princesa”, muito menos admitiu a abolição como “marco da igualdade”,  foi sobre… PÓS-ABOLIÇÃO (muito embora seguindo o meu natural “braudelianismo”, ou seja,  tendência em problematizar utilizando recortes temporais e geográficos mais amplos que os nominais aplicados aos eventos-título) pois parti das leis antiescravidão que antecederam a  lei áurea,  bem como,  de uma ácida crítica ao uso da Guerra do Paraguai para iniciar o processo de branqueamento do Brasil, já que a abolição era um processo em evolução e questão de relativo pouco tempo.

Na época eu tinha acabado de concluir a faculdade, era um cara de exatas/tecnologia, nem me passava pela cabeça um dia ser um pesquisador em História, mas ali, em uma época em que não havia Internet, fiz uma pesquisa e palestrei em um tema que só bem recentemente passou a empolgar os historiadores… o PÓS-ABOLIÇÃO😉. É verdade, “mato a cobra e mostro o pau” :

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A História mal contada, Simón Bolívar o Libertador

[ATENÇÃO AVISO DE SPOILER – Filme “O LIBERTADOR”]

Assisti fim de semana na Netflix o filme “O Libertador” que trata de Simón Bolívar e do processo de libertação das colônias espanholas na América.

O filme em si é bem interessante, em especial para quem não conhece a história, na realidade é um versionamento que tenta mostrar mais o pessoal de um Bolívar, humano, simpático e romântico, e no qual o processo de libertação é mais um pano de fundo, logo, deve ser visto mais como uma novela com fundo histórico, não uma narrativa histórica aonde os eventos, personagens e a cronologia são rigorosamente respeitados.

Pelo que conhecia da versão oficial da História, tive algumas surpresas, por exemplo, o fato de Bolívar ter escolhido ainda menino, após o falecimento de sua genitora, uma negra chamada Hipólita como sua nova mãe, e já adulto fazia questão de chamá-la assim e assim a apresentar.

Algumas passagens são confusas, como quando após conseguir apoio inclusive de tropas de europeus,  cruzam os Andes em uma marcha épica  e aparecem na Colômbia, aonde até então aparentemente já estavam, não percebi se falar nada da Bolívia, Peru ou Equador… (apesar de em dado momento a música de uma festa ter flautas andinas e da presença de sua amante que sabidamente conheceu no Equador) .
Outro ponto que parece ser tradição quando se fala da libertação é omitir o apoio logístico recebido por Bolívar do Haiti…, ou seja, que a liberdade dos libertados é tributária dos haitianos, no filme também nem uma palavra sequer… . O final também e estranho em que Bolívar não consegue retornar à Venezuela para a finalização do processo de libertação… devido a uma conspiração na qual foi sequestrado por companheiros próximos, contradizendo a versão oficial de sua morte enfermo em Santa Marta ( aliás a versão do filme acho bem mais verossímel ).

Independente disso e do Spoiler  ( se bem que filmes baseados em fatos reais em tese os eventos e final são  sabidos), recomendo bastante, mesmo para quem não curte História, mas sim um bom  drama misturado com ação.


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DNA como “definidor” de origem, questionamentos

Tenho altas reservas quanto a questão dos testes de DNA como “definidor” de origem, por vários motivos:

1º Porque o teste é de matrilinhagem, ou seja, indica marcadores de origem da ancestral mais antiga (milhares de anos atrás).

2º Isso desconsidera as migrações em África, as contribuições genéticas paternas, a miscigenação interafricana, ou seja, o fato de ter a ancestral mais antiga com marcadores equivalentes a uma determinada população, não indica que aquela população se encontrava originalmente naquele território ou que não tenha tido miscigenação com outros grupos, muito menos, que ao serem traficados para a diáspora os ancestrais majoritariamente estivessem ainda naquele grupo.

3º Desconsidera que já na diáspora a miscigenação entre africanos e entre descendentes continuou, ou seja, pouquíssimo provável encontrar um descendente de africanos na diáspora, que não tenha de fato múltiplas origens étnicas (isso só pela parte africana, sem contar a europeia e indígena).

Ou seja, é ilusão achar que o teste genético te remete “à sua origem”, na verdade te remete a uma das muitas origens, mas não todas e muito menos serve para te “excluir” destas; ainda vejo como mais relevante o contexto histórico geográfico dos grandes grupos desembarcados em determinadas regiões X a relação familiar com essas regiões.

Em suma, se fosse para um afrobrasileiro ter direito a reivindicar uma segunda nacionalidade africana, deveria ficar em aberto para escolher entre os diversos países de onde se traficaram escravizados, lembrando que nem todos provinham da mesma região em que foram embarcados, mas pelos grupos étnicos que chegaram dá para saber aonde se encontram atualmente em África.

Eu por exemplo sou de família mineira, afromineiros são predominantemente de origem Bantu (de Angola ou de Moçambique), fiz “o teste do visual” in loco, quando morei em Moçambique, sou tão visivelmente Bantu que fui “perdido” no aeroporto na chegada, por me acharem moçambicano e terem me ignorado, ninguém me notava estrangeiro até eu abrir a boca, até a polícia local me abordava como a qualquer um pedindo documento de identificação na língua local, ficavam espantados quando descobriam que eu era brasileiro… .

Detalhe, os africanos sabem muito bem reconhecer grupos étnicos diferentes dos seus próprios, ou seja, um nigeriano “não se passa” por moçambicano, nem um senegalês é visualizado como angolano.

Ver matéria que deu origem à reflexão:

Versão cinematográfica da série de TV e do projeto de mesmo nome, o documentário “Brasil: DNA África” mostra um passo fundamental na recuperação…
www1.folha.uol.com.br


24 Comentários

Isso é histórico ?

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Talvez tenha passado desapercebido para muita gente, mas salvo enorme engano, hoje aconteceu um fato inédito na TV brasileira, pela primeira vez tivemos a interação direta de dois negros na tela do mais importante noticioso televisivo nacional, o âncora substituto do Jornal Nacional, Heraldo Pereira e a “moça do tempo”, Jornalista Maju Coutinho.

Para quem tem naturalizado ver essa ação exclusivamente entre brancos por décadas e mais recentemente com interações entre brancos e negros, ou deve ter sido um choque, ou pela inconsciência sobre  as características do racismo brasileiro, não deve ter percebido o momento singular (que poderia ser uma coisa banal e natural em uma população que é praticamente metade branca e metade negra, mas não é… ).

O JN tem 46 anos, o que significa cerca de 11 mil edições diárias, pela lógica estatística, considerando as características populacionais brasileiras isso poderia ter ocorrido naturalmente pelo menos 5.500 vezes, mas não, a razão real é de 1/11000, não deveria ser motivo para “comemoração”, porém apesar do número completamente desfavorável é sim um avanço a registrar e um passo a mais no caminho de uma efetiva igualdade.

Realmente as coisas começam a mudar… .


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O tráfico transatlântico em 2 minutos

interatativo-traficp-transatlânticoMaravilhosa e assustadora animação interativa em que em dois minutos é possível visualizar através de pontos móveis, as mais de 20 mil viagens de navios negreiros entre o século XVI e XIX trazendo escravizados africanos para o novo mundo, o mais interessante é que ao se dar pausa e clicar em qualquer um dos pontos é possível ver informações do navio: ano, nome, nacionalidade, origem, destino, quantidade de embarcados e de desembarcados. Clique na imagem do mapa para ser levado à página do mapa interativo.


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Momento Histórico – Registro

foto-históricaSeguindo a minha “neoveia” de Historiador, aproveito para dar uma “facilitada” na vida de futuros pesquisadores (provavelmente “arqueólogos e historiadores digitais”), reproduzindo o registro de um momento histórico, até aonde sei  tal  reunião e registro  é extremamente peculiar,  o encontro e registro fotográfico das altas autoridades dos três poderes estaduais nem tanto, somado o Arcebispo local, mais raro, mas tudo junto e somado a um “Pai de Santo” (Sacerdote de Matriz Africana) militante LGBT e Negro e ainda na Catedral metropolitana, tem 99,99% de  probabilidade de  NUNCA  ter ocorrido antes…, um indicativo forte de que o respeito à diversidade pelo menos nas altas esferas do Amazonas está bem encaminhada…, e um “tapa na cara” dos intolerantes e ignorantes (é redundante mas não custa frisar) que passam dia e noite falando em “Diabo”, demonizando os cultos e praticantes das religiões afrobrasileiras e com atitudes e discursos homofóbicos, ou racistas;  bom seria se em todas as camadas da sociedade e situações sucedesse o mesmo nível de tolerância e respeito mútuo.


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Vídeos do histórico Programa Roda Viva AM sobre Consciência Negra (2007)

Depois de anos e atendendo a alguns pedidos, estou disponibilizando o vídeo (em várias partes) do  histórico programa Roda Viva AM de 2007, sobre Consciência Negra, no qual fui o entrevistado na berlinda… , na “banca”  além do apresentador Cristovão Nonato, as presenças de Cauby Cerquinho (Jornalista da TV Assembleia), Prof. Dr. Ademir Ramos (Antropólogo, professor da UFAM), Alberto Jorge (Psicólogo e Sacerdote de Matriz africana) e Luís Carlos (KK) Bonates ( Doutor em Biologia do INPA e  internacionalmente conhecido Mestre de Capoeira),   passados 7 anos a discussão continua  extremamente atual e a partir dela se pode ter uma boa ideia dos conceitos relativos ao tema, falamos de Racismo, Intolerância religiosa, Presença negra no Amazonas, Movimentos negros, Ações Afirmativas, A importância histórica de Palmares e de Zumbi, além de aspectos legais que justificam o feriado da Consciência Negra,  se não viu é uma ótima oportunidade, se já viu vale a pena ver de novo.

Só clicar nas imagens…

Link Roda Viva parte I no onedrive

rodaviva-parte1

http://1drv.ms/1BWfdaJ

( 5 min.)

 

 

 

 

 

 

 

Link Roda Viva parte II no onedrive

rodaviva-parte2
http://1drv.ms/1tagBNu

(8 min.)

 

 

 

 

 

 

 

 

Link Roda Viva parte III no onedrive

rodaviva-parte3

http://1drv.ms/1zJGCIj

(2 min. )

 

 

 

 

 

 

 

 

Link Roda Viva parte final no onedrive

rodaviva-parte-final

http://1drv.ms/1BWf1Zb

(41 min.)