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Alfredo da Matta, o eugenista (racista científico)

Dr. Alfredo da Matta e o quadro “A redenção de Cam”, simbólico do projeto eugenista de branqueamento do Brasil .

Em tempos em que o antirracismo está efervescente e a discussão sobre a retirada ou derrubada (as vezes literal) de homenagens à notabilizados por escravismo ou racismo, cabe colocar luz em certas biografias em que o racismo possui alguma relevância mas é desconhecido da população.

No caso vamos falar de um nome muito conhecido da população amazonense, sobretudo da capital.

Alfredo Augusto da Matta, nasceu em Salvador, em 18 de março de 1870 e faleceu em Manaus em  3 de março de 1954. Foi um médico e político brasileiro. Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1893, especialista em medicina tropical, profilática e dermatológica. (WIKIPEDIA)

Enquanto político foi:

Deputado Estadual 1916-1918

Deputado Estadual 1919-1922 quando foi presidente da Assembleia Legislativa da Amazonas.

Deputado Federal – AM 1933-1934

Constituinte – AM 1934-1937

Senador – AM 1935-1937 ( SENADO)

Teve profícua carreira médica, foi tenente-coronel-cirurgião da Guarda Nacional, carreira estendida a cargos de gestão como diretor do Departamento de Saúde Pública do Estado do Amazonas no governo de Antônio Clemente Bittencourt (1908-1910), diretor do Serviço de Higiene da Municipalidade de Manaus, do Serviço de Higiene do Estado do Amazonas e do Instituto Pasteur de Manaus, inspetor federal do Serviço Sanitário Rural, além de diretor do Serviço de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas, no qual exerceu até 1930.  Colaborou para as revistas Brasil Médico e Amazonas Médico, além de ter contribuído com mais de duzentos artigos em outras revistas nacionais e estrangeiras. Publicou inúmeros trabalhos científicos. (WIKIPEDIA).

Sua notoriedade fez com que a instituição que após N denominações e regimes jurídicos a partir de 1.955, sempre atreladas ao seu nome, hoje seja a Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia “Alfredo da Matta”, referência a que se remetem a quase totalidade dos amazonenses ao ouvir o nome.

No entanto, como muitos homens de ciências e intelectuais de sua época, Alfredo da Matta, também foi um entusiasta da eugenia, ou seja, um eugenista, a exemplo de famosos como Nina Rodrigues, Renato Kehl, Monteiro Lobato entre outros.

Mas afinal o que é EUGENIA e  EUGENISTA ? 

O assunto merece uma explanação mais ampla, por tal não vou tratar dele detidamente aqui. Vou apenas dizer que “grossus modus”, apesar de atribuído a Sir Francis Galton,  é um movimento que nasceu a partir do Conde de Gobineau, que foi um tipo de embaixador da França no Brasil, amigo de D. Pedro II e que escreveu sobre superioridades e inferioridades raciais, dizia que o Brasil precisava se livrar da miscigenação e negros para ser um “país civilizado”.  A ideia central da eugenia, é a ” ‘melhora’ da humanidade via seleção racial e eliminação dos ‘imperfeitos e  indesejáveis’ “. No caso do Brasil, basicamente a ideia era branquear a população fazendo desaparecer o elemento negro ou de aparência miscigenada, uma “arianização”.

Ou seja, a eugenia é uma materialização e solução prática racista. Para se ter ideia, a tônica nazista da “raça ariana” e tudo que veio dela, surge da eugenia… . Deixo aqui o link para um texto detalhado: https://www.geledes.org.br/o-que-foi-o-movimento-de-eugenia-no-brasil-tao-absurdo-que-e-dificil-acreditar/

Há várias evidências da filiação de Alfredo da Matta à corrente eugenista. Por exemplo:

“No final do século XIX e inicio do século XX, o governo norte americano adotou medidas legislativas em vários estados como fator de melhoramento racial. O parlamentar Alfredo da Mata assim se expressa:
O povo norte‐americano, povo de técnicos sempre ávidos de progresso material e social, impregnado de ciência desde as escolas até a imprensa, conhecedor de métodos biológicos de cultura e de criação, é o povo que habita a terra prometida da eugenia. Não pormenorizarei; mas esta ciência faz parte dos programas
escolares e universitários.” (ROCHA,2018)

Falando sobre o documentário “Menino 23”, que trata da escravização em sítio no Rio de Janeiro, de meninos negros pela família Rocha Miranda, ligada ao nazismo brasileiro da década de 30 do século passado temos:

“Segue uma frase de um Deputado Federal chamado Alfredo da Matta em discurso no ano de 1933: ‘A eugenia, senhor presidente, visa a aplicação de conhecimentos úteis e indispensáveis para reprodução e melhoria da raça.’ No tempo que os garotos foram feitos de escravos, o Brasil vivia o ápice da política de superioridade racial e de “branqueamento”, impulsionadas pelo darwinismo social. Isso não faz 200 ou 100 anos: isso faz apenas 89 anos.” (SEE.33, 2020)

Entre a vasta produção bibliográfica de Alfredo da Matta podemos encontrar: DA MATTA, Alfredo. A Eugenia do Amazonas: melhoria racial. In: Revista Amazonas Médico. Ano II- N°8- 1919.

A eugenia no Brasil teve seu ápice no período que antecedeu o rompimento de Getúlio Vargas com o eixo da segunda grande guerra mundial e o consequente banimento do nazismo, integralismo e fascismo aberto no Brasil, e o silenciamento de ideias e práticas que lhes eram circundantes como o racismo científico.

Não digo que é o caso de retirar-lhe as homenagens, afinal elas foram feitas não por essa peculiaridade de sua biografia, mas pelos outros feitos. Porém é interessante que esse detalhe não seja mantido em virtual desconhecimento popular. Muita gente utiliza a ideia de “homens de seu tempo” para “tentar livrar da crítica histórica” a imagem de pessoas do passado hoje reconhecidas positivamente, mas que tem em suas biografias detalhes hoje repudiáveis.

Acho falaciosa a ideia de “homem de seu tempo” para “livrar a cara” de quem em seu tempo fez ou defendeu coisas desprezíveis, me valendo de um argumento muito simples. Em todo tempo e lugar sempre houve dissidência e oposições ao socionormativo, ou seja, sempre teve gente que defendeu valores humanos inalienáveis que antecederam as vilanias e desumanidades de sua própria época, valores que seguem positivados até hoje. Um exemplo foi o médico sergipano Manoel Bomfim, autor da obra “América Latina: males de origem”, de 1905, contemporâneo de Da Matta. Logo não foram “inescapáveis” as posições e atitudes tomadas, foram escolhas… e como tal, não isentam da crítica e do “julgamento” histórico.

Referências

ROCHA, Simone. A educação como projeto de melhoramento racial: uma análise do art. 138 da Constituição de 1934. Revista Eletrônica de Educação, v. 12, n. 1, p. 61-73, jan./abr. 2018. [ Links ]

SEE.33. Vocês já viram “Menino 23”?. disponível em <https://br.toluna.com/opinions/4941878/J%C3%A1-assistiu-o-document%C3%A1rio-Menino-23>


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Manaus não está enterrando em “vala comum”

Ao menos não por enquanto… . Sei que o assunto é delicado e pode até aparecer polêmica pelo texto, mas eu não poderia a bem da boa informação e sua precisão deixar de fazer essa observação.

Primeiro vamos ao significado de “vala comum” :

Valas comuns também são frequentemente empregadas para enterrar um grande número de vítimas de desastres naturais, tais como terremotos e furacões.Vala comum é uma cova normalmente localizada nos cemitérios onde um conjunto de cadáveres que não podem ser colocados em sepultura individual, ou que são de origem desconhecida ou ainda não reclamados são enterrados sem cerimônia alguma. Na maioria das vezes os mesmos não são registrados nos locais onde foram enterrados. A ONU define como vala comum a cova que contém três ou mais vítimas de uma execução/massacre. (Wikipedia)

Bem, moro em Manaus e estou acompanhando atentamente as notícias sobre a pandemia e seus desdobramentos. Tem gente aqui e fora visualizando e se referindo, inclusive imprensa, aos enterros coletivos por conta da Covid-19 como em “vala comum”, mas conforme visto acima, o emprego do termo e visualização para o contexto de Manaus estão equivocados. Imagens de epidemias e pandemias passadas, podem lembrar, mas nem sempre refletir “ipsis litteris” as imagens e situações do presente. Não estou falando de uma possível ilação entre situações caóticas, questões de gestão pública e colapsos hospitalar e funerário que perpassam situações separadas no tempo, mas de um importante detalhe semântico e técnico.

Por enquanto, aqui em Manaus não se está enterrando em “vala comum”, apesar das imagens poderem lembrar uma… . O sistema adotado aqui foi o de “trincheira”, ou seja, apesar de ser cavado com retroescavadeira como uma vala ou cova comum, os caixões são colocados respeitosamente lado a lado com espaçamento padrão, sendo suas posições marcadas na beira da trincheira.

Com isso ao serem cobertos de terra é possível identificar a posição exata de cada um e fazer os caixilhos individuais e futuros túmulos. Não se perde a referência individual e a ligação familiar. Ademais, em enterramentos em vala, como dito, não há qualquer cerimônia e no mais das vezes nem cuidado, muito menos presença de familiares, mesmo que poucos, a vala comum em seu sentido e forma literal é uma medida sanitária extrema, por enquanto não atingida aqui, apesar de uma tentativa frustrada de uma versão um pouco mais digna, o empilhamento em 3 níveis para otimizar espaço, como se está fazendo em Nova Iorque.

É portanto um importante diferencial entre uma situações e outra…, aqui ao menos há uma tentativa de manter alguma dignidade frente ao colapso que estamos passando. Até quando será possível manter isso só sabe Deus, a coisa está aumentando assustadoramente e de forma exponencial, muitos rostos e nomes conhecidos partindo… .


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Manaura desconhece infraestrutura e logística da cidade e tumultuou postos de combustível antes da necessidade

A greve nacional dos caminhoneiros por conta do preço e política atual de combustíveis está parando (em algumas partes já parou) o país. Com a paralisação do transporte os combustíveis não chegam aos postos, isso provocou longas filas e o estoque acabou em muitas cidades. E Manaus ?, as vezes é vantagem ser praticamente uma “ilha”.

Manaus com seu tradicional isolamento terrestre, hoje semi-isolamento, já que apesar de precário há tráfego na BR-319, tem uma estrutura logística diferenciada de praticamente todas as outras capitais, o abastecimento é multi-modal, ou seja, a grande maioria das mercadorias chegam aqui por rio ou de avião, os caminhões com carga gastam dias nas balsas vindo de Belém-PA ou de Porto Velho-RO.

Isso significa que pelo fato das coisas demorarem mais para chegar, já se trabalha com estoques maiores naturalmente. Manaus tem uma refinaria de petróleo, que chega de navio, produzindo combustível que abastece o estado e o estado vizinho de Roraima, ou seja, não há transporte intermunicipal para o abastecimento da capital, e a distribuição é feita em veículos das próprias distribuidoras e não autônomos como em boa parte do país. Como não havia paralisação da produção nem do transporte, não haveria desabastecimento dos postos, ao menos não ontem ou hoje, a menos que caminhoneiros de outros setores ou outros motoristas resolvessem bloquear a refinaria, o que não parecia iminente. Resultado a acorrida precipitada fez o combustível em muitos postos acabar antes do que seria esperado.

O Governador disse que os estoques estavam normais e durariam mais alguns dias, o do aeroporto por exemplo duraria 4 dias… quando o de Brasília se esgotou ontem.

Só hoje é que se tem notícias de tentativa de bloqueio à refinaria, que não se sabe se será efetivo, preocupante mesmo seria a paralisação dos petroleiros, que também só hoje foi aventada. Agora estamos sendo afetados, porém mais pela precipitação do que pela real escassez.


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Um presentão nos 30 anos de ativismo.

Domingos Jorge Velho em pintura laudatória feita por Benedito Calixto em 1.903

Que felicidade,🎉🎊 acabei de receber o maior presente pelos meus 30 anos de ativismo…, DERRUBEI O DOMINGOS JORGE VELHO ( para quem não sabe ele foi um bandeirante paulista do XVII apresador e exterminador de índios, foi líder da ofensiva final contra o Quilombo dos Palmares e responsável pela perseguição e morte de Zumbi) . É nome de importante via em Manaus-AM (e também de vias em ao menos 12 cidades paulistas), o que afronta a lei que proíbe homenagem a exploradores e defensores da escravidão em logradouros públicos.

Solicitei ao MPF providências para fazer cumprir a lei e a alteração do nome da via. Fiquei sabendo há pouco que minha solicitação foi atendida e o município de Manaus vai ter que alterar o nome da via por um que homenageie vulto negro na história do Amazonas…🎉🎊

Veja no link a manifestação do MPF .


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O neoativismo do sudeste X o Boi Bumbá amazonense

Não é a primeira vez que escrevo sobre os excessos e “tiros no pé” dos que chamo neoativistas, “neo” não necessariamente pela idade ou tempo de ativismo, mas pelas características de um ativismo pós-internet e predominantemente virtual, entre elas o método agressivo/fascista de debate e as demandas quando não bizarras, ao menos pouco ou nada prioritárias.  Fora a centralidade no “fogo-amigo” aos ativistas menos radicais e mais conformes com os reais objetivos e abordagens tradicionais.

Também não é a primeira vez que falo de blackface, que é basicamente uma caracterização negra estereotipada e ridicularizante feita por pessoas brancas sob pretexto de “humor”, coisa vinda do velho teatro, principalmente norte-americano, que atingiu o nascente cinema e chegou à TV.  Comum também no carnaval a exemplo da conhecida fantasia “nega maluca”.

Black face

Há que se entender , que a caracterização negra nem sempre é o tradicional blackface, muito menos visa a mera ridicularização, já foi usado por outros motivos racistas, por exemplo impedir atores negros de assumir como protagonistas de produções importantes como na famosa novela de TV do final dos 60, “A cabana do Pai Tomás”, no qual o protagonista foi o ator branco Sérgio Cardoso em um “blackface utilitário”, não humorístico mas de impersonação substitutiva. Obviamente tal caso é coisa negativa, já que impediu não apenas um maior realismo cênico, mas como já dito, também um ator negro de se beneficiar de tudo que um papel desses poderia lhe render.

Há ainda situações em que o aparente “blackface” ou caracterização negra se distancia da intenção racista, atuando ao contrário, como um marcador ou afirmador da presença negra, bom exemplo ocorre no carnaval colombiano, com as “negritas puloy” ou “palenqueras”, em que o estilo “nega maluca” se dá tanto sem pintura mas com perucas, ou seja, por mulheres negras de verdade, como através de máscaras, perucas e “collants” por homens e mulheres não negros..

Negritas puloy do carnaval de Barranquilla

Negritas puloy estilizadas do carnaval de Barranquilla

A caracterização negra estereotipada ou exagerada as vezes acaba ocorrendo por mera falta de pessoas negras para fazer um personagem negro, ou mesmo havendo, como forma de obter mais efeito em âmbito cênico mais aberto, ou seja, em espetáculo com platéia maior e mais distante, buscando uma visualização mais marcante, mesmo que exagerada ou fantástica. Como já dito, isso se faz não apenas por pintura como as vezes por máscaras estilizadas, por sinal tradição em várias culturas da África, o que acabou introduzido por herança na nossa cultura popular.

Mascarados divinos da Costa do Marfim

Mascarados, festa popular no Mato Grosso

Mateus e Catirina, versão pernambucana derivada das figuras do boi maranhense

São João, também tem inclusive “whiteface”

Portanto, antes de sair por ai acusando toda caracterização negra de blackface e racista é preciso contextualizar, há as de fato racistas e desnecessárias e há as de contexto cultural e inclusive afirmativas.

BUMBA MEU BOI & BOI BUMBÁ

O boi bumbá, é festejo popular amazonense e derivado do bumba meu boi maranhense, por sinal introduzido no estado do Amazonas por negros vindos de lá do Maranhão, e que aqui ganhou peculiaridades ante o peso cultural indígena e caboclo que o diferenciaram bastante do boi maranhense. É uma festa de muitas representações fantásticas, tem negros, índios e brancos, além de outros elementos da cultura amazônica.

PAI FRANCISCO E CATIRINA

Personagens comuns às festas nordestinas e amazônicas, o casal de negros escravos fugitivos do auto do boi, Pai Francisco e Mãe Catirina, são representados tanto com pintura como máscaras, e em vários estilos, no boi amazonense apenas com pintura.

Boi no Maranhão

Boi no Maranhão

Boi maranhense

No boi bumbá amazonense (Garantido)

No boi bumbá amazonense (Caprichoso)

A forma e intensidade da pintura tem variado no boi bumbá ao longo dos anos, do mais caricato ao menos carregado, cabendo lembrar que no Amazonas o boi é uma festa popular centenária…, no Maranhão mais antiga ainda. Devemos pois, se for o caso de lutar, lutar pela valorização do reconhecimento da presença negra via tais personagens e por uma “caracterização mais respeitosa” não pela sua exclusão.

Aproveito para lembrar uma outra festa amazonense, essa menos conhecida, que se dá em São Paulo de Olivença, região do alto Solimões, a dança do africano .

A história dessa dança está no link acima, importante no entanto é destacar que a sua origem e intenção é de preservação e afirmação de presença negra na região desde tempos idos.

Tudo posto e explicado, voltemos ao motivo real da postagem. Recentemente grupo amazonense viajou com muitas dificuldades para o sudeste a fim de apresentar em atividade cultural o nosso boi bumbá, e eis que uma vez lá, foram impedidos de se apresentar, acusados por neoativistas de “blackface”, situação piorada com a perseguição e linchamento virtual, bem ao estilo neoativista, aos organizadores da incursão amazonense.

Tais “Neos”, óbvios desconhecedores da cultura popular do próprio país e da diáspora, atuam como arrogantes ditadores do “correto”, sem contudo se darem ao trabalho de tentar entender do que realmente se trata algo, partindo precipitadamente de suas concepções rasas e descontextualizadas para o ataque insano. Mais um DESSERVIÇO prestado à causa negra e mais um “tiro no pé”, envergonhando esses “neotreteiros” à nós, velhos ou novos combatentes equilibrados da causa.

Se há desculpas a apresentar não é por parte amazonense… .


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Festival de Parintins 2016

Parintins 2016

Começa hoje  os 3 dias da  maior festa popular do Brasil depois do Carnaval,  a 51ª edição do Festival folclórico de Parintins, no interior do Amazonas e televisionado para o mundo todo…

A disputa dos boi-bumbás Garantido (boi branco com um coração na testa, representado pela cor vermelha)  e Caprichoso ( boi preto com uma estrela na testa, representado pela cor azul)  em apresentações magníficas atrai visitantes do Brasil e do mundo todo.

Para saber mais: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=879:bois-bumbas-de-parintins-amazonas-caprichoso-e-garantido&catid=37:letra-b


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A morte de Juma, a onça mascote do 1º BIS

Ilustração de matéria no G1 AmazonasIlustração de matéria do G1 Amazonas

A situação é triste, mas a análise do fato pode ter visões diferentes…
1º A onça possui um enorme valor simbólico no contexto militar amazônico, significa mais que associar ao guerreiro de selva a força e adaptação ao meio do mais poderoso predador da selva amazônica, obviamente visa demonstrar o controle dos guerreiros de selva sobre o meio, tem efeitos psicológicos e simbólicos…
2º As mascotes apesar de não livres e fora do seu habitat, não são maltratadas, recebem toda a atenção veterinária, etc…, são normalmente dóceis e acostumadas ao contato humano e aglomerações, permitem aos veterinários conhecer mais sobre a espécie, coisa nada comum fora das organizações militares, quais outras instituições na região mantém zoológicos com onças?
3º Por mais dócil e condicionado ao convívio e situações estressantes que uma mascote vivencia (inclusive animais domésticos), não é razoável deixar “livre” em grande público qualquer animal com potencial ofensivo, as correntes no caso são uma contenção lógica, por mais que se apresentem “cruéis”, o recurso por sinal é usado inclusive com humanos privados de liberdade e considerados perigosos…
4º O fato foi atípico, não ocorreu DURANTE o evento popular, mas dentro da unidade militar, esvaziada, após fuga imprevista e ação com tranquilizantes primariamente, a ação letal foi último recurso e reação instintiva diante de alto risco…
5º Não é tão incomum nos ambientes zoológicos, tais consequências diante de situações de impossibilidade de controle e alto risco em situações limites, vide o caso recente do Gorila Harambe em Cincinatti-EUA, que nem era utilizado como mascote ou sujeito aos estresses possíveis com a atividade…
Por fim, é de fato triste o episódio, repercute muito mal em um momento que deveria dar ao contrário boa visibilidade ao Amazonas e ao Brasil, mas antes de se partir para a “condenação” de práticas e instituições, é preciso visualizar de forma menos emotiva todas as variáveis envolvidas… A verdade é que a despeito de todos os cuidados e expectativas “Shit happens”…


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Adeus ao Dr. Rogelio Casado

Juarez e Rogelio

Com o Dr. Rogelio Casado, na Marcha pela Liberdade de Expressão.

Retomando a publicação no blog após um período inativo dedicado ao mestrado, com uma notícia triste, o falecimento do nosso estimado companheiro de lutas do movimento social, Dr. Rogelio Casado.

Psiquiatra, grande defensor da causa antimanicomial, Rogelio era antes de tudo uma pessoa muito humana e que efetivamente atuava em prol de muitas outras causas justas, o que lhe valeu amizade e reconhecimento em todos os movimentos sociais locais, de Mulheres, Negro e Anti-Intolerância Religiosa, Indígena, LGBT, Estudantil, Artístico Cultural, Pró-Liberdade de Expressão e Ambiental, nesse último com grande atuação no movimento S.O.S encontro das águas.

Foi Pró-Reitor de extensão da UEA – Universidade do Estado do Amazonas, e era também admirado por toda a intelectualidade manauara, em especial a tradicional intelligentisia que tinha e ainda tem no tradicional Bar do Armando da praça São Sebastião, o  seu reduto, que em época momesca também é o QG da BICA-Banda  Independente da Confraria do Armando.

Escrevia sobre tudo, também era blogueiro (muitíssimo mais atuante é verdade) e mantinha o seu valoroso PICICA, atuante nas redes sociais era muito querido, nacionalmente, um registrador da atividade dos movimentos sociais, sempre presente com sua câmera e o indefectível colete de fotógrafo, ora acrescido dos seus Panamás, mas sempre com o também indefectível “rabo de cavalo”.

Teatrólogo, o seu monólogo “Cuidado com o Lalau” um inesquecível sucesso na performance da nossa caríssima atriz Rosa Malagueta.

Sempre questionado pelo nome curioso, contava a história da origem peruana, era vizinho aqui no bairro da Raiz em Manaus,  além da conhecida paixão por fotografia e vídeo, era possível vê-lo nas ruas ao mais puro estilo “hell’s angels” em sua potente motocicleta de estilo custom.

Pai do Juan, seu modelo favorito, filho pelo qual demonstrava inequívoca paixão, e que teve a infelicidade de perder também a mãe há poucas semanas… um baque.

Enfim, grande perda, nunca conversamos sobre sua cosmovisão particular, mas na nossa entendemos que a morte não é o fim…, apenas uma passagem, sendo assim, esperamos que seja conduzido à bom lugar do outro lado.

Valeu companheiro, representou !

 


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Mapa interativo da distribuição racial no Brasil (em especial em Manaus-AM)

Muito interessante, trabalho  de mapa dinâmico realizado por PATA Análise e visualização de dados e baseado nos dados do censo 2010, para cada habitante um ponto colorido  baseado na cor informada e alocado em um mapa sobre o endereço informado; não existe apartheid oficial… na maior parte da cidade está “tudo junto e misturado”, porém há também espaços praticamente “circunscritos”,  abaixo uma intervenção que fiz no mapa para Manaus.

De certa forma, esse trabalho ajuda a desmontar a noção de senso comum de que não há negros no Amazonas / Manaus e pelo contrário, demonstra a sua presença (minoritária mas existente) por toda a cidade, áreas de maior concentração e também de baixa concentração, importante observar que foram destacados na intervenção os bolsões de autodeclarados pretos, porém oficialmente é considerada população negra a soma dos autodeclarados pretos e pardos…, a seguir sem ressalvas essa premissa, Manaus seria mais de 72% negra… e o mapa mostra isso claramente.

 Porém sabemos que a grande maioria dos pardos na amazônia é de origem indígena, mas não apenas, outra parte é de origem afro ou de ambas, portanto, pode- se estimar por comparação e extrapolação que se divididas a categoria pardo generalizada em “pardos de origem indígena”  e “pardos de origem africana”, esses últimos alcançariam na população do Amazonas algo em torno de 20% do total, que somados aos mais de 4% de pretos autodeclarados, implicaria em uma população afrodescendente de cerca de 1/4 do total,  ainda minoritária, porém nada desprezível em termos estatísticos e demográficos, para se ter ideia é  estatisticamente o mesmo de população autodeclarada branca e metade da indígena e de origem indígena somadas.

Mapa da cor em Manaus

Mapa da cor em Manaus

A título de informação os dados do Censo 2010- IBGE

 

Censo 2010 norte

No mapa interativo o efeito é bem mais interessante,  o pulo do gato é o zoom, experimente ver a distribuição pelas regiões e bairros de sua cidade…

Clique na imagem abaixo para ir ao mapa interativo.

Mapa racial do Brasil

Mapa racial do Brasil

 


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Lewandowski no TJAM

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Ministro Presidente do STF, Ricardo Lewandowski conversa com manifestantes da Justiça Federal no TJAM ( by Juarez Silva Jr.)

Agora há pouco na sede do TJAM, Presidente do STF e do CNJ, Ministro Ricardo Lewandowski, em visita para o lançamento do programa Audiência  de Custódia, para e conversa com manifestantes  da Justiça Federal  pedindo apoio na derrubada do veto presidencial ao reajuste dos Servidores da Justiça Federal.