Blog do Juarez

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Festival de Parintins 2016

Parintins 2016

Começa hoje  os 3 dias da  maior festa popular do Brasil depois do Carnaval,  a 51ª edição do Festival folclórico de Parintins, no interior do Amazonas e televisionado para o mundo todo…

A disputa dos boi-bumbás Garantido (boi branco com um coração na testa, representado pela cor vermelha)  e Caprichoso ( boi preto com uma estrela na testa, representado pela cor azul)  em apresentações magníficas atrai visitantes do Brasil e do mundo todo.

Para saber mais: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=879:bois-bumbas-de-parintins-amazonas-caprichoso-e-garantido&catid=37:letra-b

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A morte de Juma, a onça mascote do 1º BIS

Ilustração de matéria no G1 AmazonasIlustração de matéria do G1 Amazonas

A situação é triste, mas a análise do fato pode ter visões diferentes…
1º A onça possui um enorme valor simbólico no contexto militar amazônico, significa mais que associar ao guerreiro de selva a força e adaptação ao meio do mais poderoso predador da selva amazônica, obviamente visa demonstrar o controle dos guerreiros de selva sobre o meio, tem efeitos psicológicos e simbólicos…
2º As mascotes apesar de não livres e fora do seu habitat, não são maltratadas, recebem toda a atenção veterinária, etc…, são normalmente dóceis e acostumadas ao contato humano e aglomerações, permitem aos veterinários conhecer mais sobre a espécie, coisa nada comum fora das organizações militares, quais outras instituições na região mantém zoológicos com onças?
3º Por mais dócil e condicionado ao convívio e situações estressantes que uma mascote vivencia (inclusive animais domésticos), não é razoável deixar “livre” em grande público qualquer animal com potencial ofensivo, as correntes no caso são uma contenção lógica, por mais que se apresentem “cruéis”, o recurso por sinal é usado inclusive com humanos privados de liberdade e considerados perigosos…
4º O fato foi atípico, não ocorreu DURANTE o evento popular, mas dentro da unidade militar, esvaziada, após fuga imprevista e ação com tranquilizantes primariamente, a ação letal foi último recurso e reação instintiva diante de alto risco…
5º Não é tão incomum nos ambientes zoológicos, tais consequências diante de situações de impossibilidade de controle e alto risco em situações limites, vide o caso recente do Gorila Harambe em Cincinatti-EUA, que nem era utilizado como mascote ou sujeito aos estresses possíveis com a atividade…
Por fim, é de fato triste o episódio, repercute muito mal em um momento que deveria dar ao contrário boa visibilidade ao Amazonas e ao Brasil, mas antes de se partir para a “condenação” de práticas e instituições, é preciso visualizar de forma menos emotiva todas as variáveis envolvidas… A verdade é que a despeito de todos os cuidados e expectativas “Shit happens”…


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Adeus ao Dr. Rogelio Casado

Juarez e Rogelio

Com o Dr. Rogelio Casado, na Marcha pela Liberdade de Expressão.

Retomando a publicação no blog após um período inativo dedicado ao mestrado, com uma notícia triste, o falecimento do nosso estimado companheiro de lutas do movimento social, Dr. Rogelio Casado.

Psiquiatra, grande defensor da causa antimanicomial, Rogelio era antes de tudo uma pessoa muito humana e que efetivamente atuava em prol de muitas outras causas justas, o que lhe valeu amizade e reconhecimento em todos os movimentos sociais locais, de Mulheres, Negro e Anti-Intolerância Religiosa, Indígena, LGBT, Estudantil, Artístico Cultural, Pró-Liberdade de Expressão e Ambiental, nesse último com grande atuação no movimento S.O.S encontro das águas.

Foi Pró-Reitor de extensão da UEA – Universidade do Estado do Amazonas, e era também admirado por toda a intelectualidade manauara, em especial a tradicional intelligentisia que tinha e ainda tem no tradicional Bar do Armando da praça São Sebastião, o  seu reduto, que em época momesca também é o QG da BICA-Banda  Independente da Confraria do Armando.

Escrevia sobre tudo, também era blogueiro (muitíssimo mais atuante é verdade) e mantinha o seu valoroso PICICA, atuante nas redes sociais era muito querido, nacionalmente, um registrador da atividade dos movimentos sociais, sempre presente com sua câmera e o indefectível colete de fotógrafo, ora acrescido dos seus Panamás, mas sempre com o também indefectível “rabo de cavalo”.

Teatrólogo, o seu monólogo “Cuidado com o Lalau” um inesquecível sucesso na performance da nossa caríssima atriz Rosa Malagueta.

Sempre questionado pelo nome curioso, contava a história da origem peruana, era vizinho aqui no bairro da Raiz em Manaus,  além da conhecida paixão por fotografia e vídeo, era possível vê-lo nas ruas ao mais puro estilo “hell’s angels” em sua potente motocicleta de estilo custom.

Pai do Juan, seu modelo favorito, filho pelo qual demonstrava inequívoca paixão, e que teve a infelicidade de perder também a mãe há poucas semanas… um baque.

Enfim, grande perda, nunca conversamos sobre sua cosmovisão particular, mas na nossa entendemos que a morte não é o fim…, apenas uma passagem, sendo assim, esperamos que seja conduzido à bom lugar do outro lado.

Valeu companheiro, representou !

 


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Mapa interativo da distribuição racial no Brasil (em especial em Manaus-AM)

Muito interessante, trabalho  de mapa dinâmico realizado por PATA Análise e visualização de dados e baseado nos dados do censo 2010, para cada habitante um ponto colorido  baseado na cor informada e alocado em um mapa sobre o endereço informado; não existe apartheid oficial… na maior parte da cidade está “tudo junto e misturado”, porém há também espaços praticamente “circunscritos”,  abaixo uma intervenção que fiz no mapa para Manaus.

De certa forma, esse trabalho ajuda a desmontar a noção de senso comum de que não há negros no Amazonas / Manaus e pelo contrário, demonstra a sua presença (minoritária mas existente) por toda a cidade, áreas de maior concentração e também de baixa concentração, importante observar que foram destacados na intervenção os bolsões de autodeclarados pretos, porém oficialmente é considerada população negra a soma dos autodeclarados pretos e pardos…, a seguir sem ressalvas essa premissa, Manaus seria mais de 72% negra… e o mapa mostra isso claramente.

 Porém sabemos que a grande maioria dos pardos na amazônia é de origem indígena, mas não apenas, outra parte é de origem afro ou de ambas, portanto, pode- se estimar por comparação e extrapolação que se divididas a categoria pardo generalizada em “pardos de origem indígena”  e “pardos de origem africana”, esses últimos alcançariam na população do Amazonas algo em torno de 20% do total, que somados aos mais de 4% de pretos autodeclarados, implicaria em uma população afrodescendente de cerca de 1/4 do total,  ainda minoritária, porém nada desprezível em termos estatísticos e demográficos, para se ter ideia é  estatisticamente o mesmo de população autodeclarada branca e metade da indígena e de origem indígena somadas.

Mapa da cor em Manaus

Mapa da cor em Manaus

A título de informação os dados do Censo 2010- IBGE

 

Censo 2010 norte

No mapa interativo o efeito é bem mais interessante,  o pulo do gato é o zoom, experimente ver a distribuição pelas regiões e bairros de sua cidade…

Clique na imagem abaixo para ir ao mapa interativo.

Mapa racial do Brasil

Mapa racial do Brasil

 


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Lewandowski no TJAM

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Ministro Presidente do STF, Ricardo Lewandowski conversa com manifestantes da Justiça Federal no TJAM ( by Juarez Silva Jr.)

Agora há pouco na sede do TJAM, Presidente do STF e do CNJ, Ministro Ricardo Lewandowski, em visita para o lançamento do programa Audiência  de Custódia, para e conversa com manifestantes  da Justiça Federal  pedindo apoio na derrubada do veto presidencial ao reajuste dos Servidores da Justiça Federal.


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Quando o cabelo afro vira “crime”…

boneca-cabelo-blackEm curso no interior do Amazonas uma situação que exige atenção dos movimentos de negritude, da sociedade em geral, da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-AM e dos órgãos envolvidos.

Em visita à cidade de Maués (conhecida como a “terra do guaraná”, por ser de onde provem a planta que produz o fruto do qual se extrai o xarope para fazer o famoso refrigerante), conheci no hotel em que me hospedei, um simpático senhor maranhense, trabalhador do hotel e sua filhinha, uma linda garotinha negra de menos de 2 anos, bem cuidada e com um cabelo ao estilo “black” que lhe confere um jeito ainda mais “fofo”.

Ocorre que não se sabe por quais cargas d’àgua, uma conselheira tutelar, foi até a casa do cidadão, sendo atendido pela esposa do mesmo;  momento em que a conselheira informou que recebeu uma “denúncia” de que a filha do casal vivia “abandonada pela rua e malcuidada”, a mãe assustada, afirmou que isso não era verdade e chamou o marido, que ao chegar para ver o que sucedia já foi logo sendo tratado de forma grosseira pela conselheira, tendo a mesma repetido as acusações em voz alta e alterada diante da família, “avisando” que o mesmo poderia ser preso pelo “crime de abandono”, no que atônito argumentou que devia estar havendo algum engano, foi ai que a conselheira permanecendo na atitude prepotente, passou de todos os limites.

Pegando no cabelo da criança, disse que o mesmo deveria cortar o cabelo da menina, pois estava “grande e alto” (em óbvia demonstração de que entendia o cabelo afro da garotinha como “inapropriado” ou sinal de “maus cuidados”), nesse momento o pai irritado com a clara ofensa racial, perdeu a calma e xingando a conselheira a empurrou e expulsou de sua casa.

 A conselheira se sentido ofendida e “desacatada” entrou com queixa-crime contra o pai ofendido e em breve o inquérito policial pode virar processo, e não podemos informar mais dados no momento pois pode vir a correr em segredo de Justiça.

Vemos aqui que está ocorrendo uma inversão das coisas, e esperamos que o clássico “deixa pra lá” ou em pior hipótese a punição do verdadeiramente ofendido não ocorra, principalmente por falta de entendimento da questão pelas autoridades envolvidas, o que ocorreu foi um ato arbitrário e  racista (não de mera “injuria racial”) perpetrado por um agente público no exercício da função, sendo esse o ato a punir, a reação de um cidadão dentro de sua residência a um abuso desses não é agressão é autodefesa.


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A polêmica do banheiro público e as novas resoluções pro LGBT

Assistimos ultimamente no rastro do reacionarismo e antipetismo radical (e porque não dizer majoritariamente irracional ? ),  que assola o país, e em especial as redes sociais, um sem número de postagens e publicações que descaradamente deturpam notícias e fatos e forjam factóides, com a clara intenção de causar indignação e açodar o sentimento reacionário e principalmente antigovernista; o grande problema é para isso se utilizam de meias-verdades, completas-mentiras, conceitos errôneos e absurdização terrorista,  tudo prontamente reproduzido integralmente e sem maiores análises críticas,, por quem está ideologicamente afinado com o “antipetismo incondicional’,  afinal o que interessa é “atirar no PT e no Governo”, se por motivo justo e baseado em verdades ou  mentiras e deturpações pouco importa… .

Dessa vez o mote são as resoluções recentemente assinadas pela Presidente da República, relativas a população LGBTT,  uma delas determinando que estudante pode usar banheiro de escolas e universidades públicas ou privadas segundo sua identidade de gênero, garantindo também à  comunidade trans o  uso de nomes sociais e uniformes de acordo com sua identidade.

A deturpação começa ao desconsiderando o conceito de gênero, levar as pessoas a crer que isso institui o uso indistinto dos banheiros, ou o compartilhamento dos banheiros femininos por mulheres e toda sorte de gays, ou de quem assim se declare ao acessar e ser questionado pela presença. vide (http://www.cabralarrependido.com.br/2015/05/agora-e-lei-lgbt-podem-escolher-qual.html?spref=fb ), continua ao sugerir que seria uma nova regra geral extensível a todo tipo de banheiro público, apelando para uma sensação de “insegurança que se instalará” pondo em perigo mulheres e filhas… ..

Obviamente que a coisa não é por ai…, algumas mulheres compreensivelmente a partir dessa deturpação demonstram preocupação em ter sua privacidade e “segurança” ameaçada por “homens” em seus banheiros, o que não se justifica, pois a resolução fala em acesso conforme identidade de gênero e não “livre para todo homossexual” (que são coisas distintas…), ou seja, não se concebe ter “marmanjos” que por simplesmente se declararem “gays” (ou até o serem verdadeiramente) “pre-autorizadamente invadiriam” os banheiros femininos…, do que se está falando aqui é de pessoas TRANS, ou seja, que possuam “feminilidade” (ou masculinidade no caso dos trans masculinos) tão alta, a ponto de nem serem percebidas de forma “diferente” ou em geral deixando boa “dúvida”, abaixo alguns exemplos femininos:

Trans

É muito provável que a maioria das mulheres já tenha estado com um Trans no banheiro sem nem perceber…, é claro que nem todas as trans “passam” facilmente (não são identificáveis como, à primeira vista ou contato), as travestis por exemplo, são bem mais óbvias, mas o “nível de feminilidade” não se confunde com o de alguém meramente “se fazendo passar por” ou verdadeiramente gay,  para quem se preocupa com “ataques sexuais”, “casquinhas” e “eventuais constrangimentos”, sem querer ser generalizador é bom lembrar que é muito mais provável que isso aconteça vindo de uma lésbica (que como mulher frequenta normal e sem maiores problemas o banheiro feminino…) do que vindo de uma trans…, portanto argumentar “perigo” ou “inconveniência” no acesso de trans é no mínimo falacioso .

As reivindicações dos movimentos LGBTTs não são novas e a legislação relativa não é “novidade” nem “invenção ou exclusividade” do PT…, no Amazonas (que nunca foi governado pelo PT) por exemplo existe a Lei N. 3.079, de 02 de agosto de 2006 que DISPÕE sobre o combate à prática de discriminação em razão de orientação sexual do indivíduo, a aplicação das penalidades decorrentes e dá outras providências,  outro ponto é a confusão que normalmente se faz nos conceitos relacionados a temática, como a mera orientação sexual e a identidade de gênero, entre Gay e Transgênero/transexual, conceitos claros para quem tem alguma entrada nos estudos de gênero, mas não para todo mundo…, o banheiro comunitário é cultural e historicamente separado por gênero (que em um paradigma tradicional e binário é masculino ou feminino), ocorre que gênero nem sempre coincide com o sexo biológico, não se trata de “unificar” banheiros mas de garantir o acesso por gênero sem discriminação pelo sexo…, uma pessoa trans feminina por exemplo, não é “gay” (pessoa que se atrai por pessoa do mesmo sexo) ela na realidade tem um sexo biológico desconforme com sua real identidade de gênero, em outras palavras, é uma mulher psicologicamente, mas tem uma configuração anatômica de homem e vice-versa… .

Nem mesmo nos ambientes GLS é comum a ideia de “banheiros únicos”, porém é convenção que as pessoas do gênero feminino (independente do sexo biológico) utilizem o mesmo banheiro…  idem no caso do banheiro masculino porém com menor ocorrência, está franqueado para pessoas trans de gênero masculino.

A questão portanto, está no perfeito entendimento do que é gênero e o que é sexo…, a ideia de  que “o costume consolidado é que evolui para a aprovação da norma jurídica” não é plena, as vezes é o estabelecimento da norma, que determina a alteração no costume generalizado, e estamos vivenciando o momento em que tais alterações de costumes em relação a população LGBTT estão em consolidação, porém devido a uma resistência que na realidade se baseia mais no preconceito que na razoabilidade e tolerância, se exige que por via da norma jurídica, seja garantido o direito social de quem apesar de psicologicamente pertencer a determinado gênero, está “aprisionado” em uma conformação sexual distinta… .

A ideia de segregar  LGBTTs a um banheiro específico, também não se mostra justa, uma vez que em um paradigma tradicionalmente binário de gênero (feminino ou masculino) privar uma pessoa de vivenciar (ou ao menos tentar) plenamente o seu real gênero (o psicológico), é impedir um Direito Humano, portanto não faria sentido fazer “serviço pela metade”, reconhecer o direito a auto-identificação de gênero, ao nome social relativo, à não discriminação pelo gênero, mas negar o acesso a um espaço gênero-relacionado… .

Para visualizar  a notícia em termos mais precisos: http://oglobo.globo.com/sociedade/aluno-pode-usar-banheiro-de-escola-segundo-sua-identidade-de-genero-diz-diario-oficial-15572473