Blog do Juarez

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A História mal contada, Simón Bolívar o Libertador

[ATENÇÃO AVISO DE SPOILER – Filme “O LIBERTADOR”]

Assisti fim de semana na Netflix o filme “O Libertador” que trata de Simón Bolívar e do processo de libertação das colônias espanholas na América.

O filme em si é bem interessante, em especial para quem não conhece a história, na realidade é um versionamento que tenta mostrar mais o pessoal de um Bolívar, humano, simpático e romântico, e no qual o processo de libertação é mais um pano de fundo, logo, deve ser visto mais como uma novela com fundo histórico, não uma narrativa histórica aonde os eventos, personagens e a cronologia são rigorosamente respeitados.

Pelo que conhecia da versão oficial da História, tive algumas surpresas, por exemplo, o fato de Bolívar ter escolhido ainda menino, após o falecimento de sua genitora, uma negra chamada Hipólita como sua nova mãe, e já adulto fazia questão de chamá-la assim e assim a apresentar.

Algumas passagens são confusas, como quando após conseguir apoio inclusive de tropas de europeus,  cruzam os Andes em uma marcha épica  e aparecem na Colômbia, aonde até então aparentemente já estavam, não percebi se falar nada da Bolívia, Peru ou Equador… (apesar de em dado momento a música de uma festa ter flautas andinas e da presença de sua amante que sabidamente conheceu no Equador) .
Outro ponto que parece ser tradição quando se fala da libertação é omitir o apoio logístico recebido por Bolívar do Haiti…, ou seja, que a liberdade dos libertados é tributária dos haitianos, no filme também nem uma palavra sequer… . O final também e estranho em que Bolívar não consegue retornar à Venezuela para a finalização do processo de libertação… devido a uma conspiração na qual foi sequestrado por companheiros próximos, contradizendo a versão oficial de sua morte enfermo em Santa Marta ( aliás a versão do filme acho bem mais verossímel ).

Independente disso e do Spoiler  ( se bem que filmes baseados em fatos reais em tese os eventos e final são  sabidos), recomendo bastante, mesmo para quem não curte História, mas sim um bom  drama misturado com ação.

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Dica de filme : Chico Rei (1985)

O rei do Congo, Galanga (Severo d’Acelino), é aprisionado e vendido como escravo em meados do século XVIII e trazido num navio negreiro para o Brasil e vai trabalhar nas minas de ouro em Vila Rica. Chico Rei, como agora é chamado, vai escondendo pepitas no corpo e nos cabelos e consegue comprar sua alforria, assim como adquirir a mina Encardideira, tornando-se o primeiro negro proprietário. Chico Rei acaba associando-se a uma irmandade para ajudar outros negros na compra de sua liberdade, desafiando, assim, a ordem na sociedade brasileira do século XVIII.

Assista aqui:  https://www.youtube.com/watch?v=CKwzGFiSBHw  (qualidade não muito boa, mas dá para assistir bem fora de tela cheia)

VERSÃO EM QUADRINHOS da mesma história : http://mobonatto.pbworks.com/w/file/70728620/HQ%20-%20Chico%20rei.pdf

 


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“Guardiões da galáxia”, o filme e sua super trilha sonora

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Filmaço da Marvel, que começa com a cena de morte da mãe do personagem principal Peter Quill (Chris Pratt) o “Star Lord”, ainda criança na terra e pouco antes de ser abduzido (junto com seu inseparável walkman…) por uma nave alienígena.

Após um salto  de tempo de 26 anos  Quill  reaparece já como um “saqueador espacial”  (um “caçador” e negociador de artefatos antigos de alto valor, algo como um “Indiana Jones high tech” e “fora-da-lei”…) a serviço de  Youndu (Michael Rooker) o  “durão-bonzinho-fora-da-lei” alienígena que o abduziu…; a partir dai a trama se desenrola até a formação do quinteto improvável formado por Quill, o guaxinim falante e super gênio caçador de recompensas Rocket Racoon ( uma animação
CGI) e seu parceiro Groot (um misto de árvore e humanóide, que só fala “I am Groot” com entonações variadas, também feito por CGI) , Gamora (Zoe Saldana) uma alienígena humanóide verde e perigosa assassina a serviço dos vilões e que muda de lado, e por fim o musculoso alienígena humanóide Drax, o Destruidor (Dave Bautista),  o enredo faz um mix muito interessante de ficção ao estilo “star wars”,  comédia e muita ação.

Agora um dos pontos altos, a trilha sonora um tanto não usual em filmes “espaciais”, pois além dos temas exclusivamente instrumentais  incidentais compostos especialmente para o filme, uma seleção de hits super dançantes dos anos 70 e 80 que constam da fita K-7  nominada de “AWESOME MIX VOL 1”, que o “mocinho” Quill ganhou da mãe e o acompanha em todos os momentos em seu inseparável Walkman (ou no Tape deck de sua nave) e que se encaixam perfeitamente em várias passagens do filme, ou seja, um “herói espacial” que ouve música terráquea e que boa parte das pessoas conhecem é uma coisa praticamente inédita, que eu me lembre o mais parecido com isso seria o que ocorre no filme Oblivion, em que o personagem Jack Harper (Tom Cruise)  em seu refúgio ouve vinis do Procol Harum’s, Led Zeppelin, Rolling Stones e Duran Duran, só que apesar de ter componentes “espaciais” e de ficção científica, o filme se passa na própria Terra (desolada após um guerra com alienígenas) em um futuro cerca de 60 anos adiante do nosso tempo, portanto um contexto diferente.

Todas músicas muito legais, mas com Come and Get Your Love do Redbone  e  I Want You Back  do Jackson Five  é difícil ficar parado… 🙂

Veja o trailler e volte para ouvir a trilha sonora :

https://www.youtube.com/watch?v=z9MJXfTAdqI

Clique na imagem abaixo para a trilha Awesome mix Vol. 1 ,  depois é regular o grave e o agudo, aumentar o som e sair dançando 😉

tapelist-awesomemix


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A festa da menina morta, filme brazuca, rodado no Amazonas.

A Festa da Menina Morta-banner

Pode ser que eu não seja o único…, mas morando no Amazonas há mais de duas décadas,  apreciador de filmes brasileiros e ligado no que anda acontecendo pela mídia, fui pego de surpresa ao encontrar no Netflix um filme de 2008  DO QUAL NUNCA TINHA OUVIDO FALAR…, chamado A FESTA DA MENINA MORTA, primeira direção do Matheus Nachtergaele e rodado na cidade de  Barcelos-AM em 2008, com um elenco “da pesada” de fama nacional (Daniel de Oliveira, Jackson Antunes,Juliano Cazarré, Dira Paes, Cássia Kiss, Paulo José)  e atores amazonenses ( Edinelza Sahdo, Rosa Malagueta, Mendes, Papaguara e Auxiliadora Matos, Conceição Camarotti e Laureane Gomes, que por sinal deram um show de interpretação além de figurantes de Barcelos).

O filme teve premiações em importantes festivais como Cannes, Gramado, Rio, Chicago, além é óbvio do Amazonas Film Festival… 

Gostei MUITO do filme…, quem não gostou provavelmente é porque só curte “blockbuster” ou filmes brasileiros lépidos e ambientados no  eixo “maravilha” do Brasil…, esse filme tem que ser visto com um “olhar antropológico”, quem é da Amazônia e especialmente do Amazonas vai reconhecer de imediato muito da própria identidade e vivências regionais, a atuação dos atores “regionais”  é um show e dá um molho diferente ao que se tem com a atuação dos “nacionais” , a estética do filme é bonita, planos “calmos” , fotografia de primeira, a história é muito legal, e ainda do ponto de vista “antropológico” é interessante ver as relações entre as personagens, o surgimento e adaptações de uma tradição místico/religiosa, a forma de habitação (super realista) comum nas periferias das cidades da região e nas áreas ribeirinhas, a ligação estreita  do cotidiano com os rios, expressões idiomáticas locais, o vestuário característico…, enfim, o filme mostra um Brasil que a maioria do Brasil desconhece e em um ritmo compatível com a percepção de quem vive nele,  conheço relativamente bem a cidade onde foi filmado (Barcelos) onde estive em duas oportunidades e andei a cidade toda, não é tão pequena e limitada quanto o filme faz parecer (o que é um mérito, já que parece ser uma outra localidade bem mais isolada e distante, exceto para quem conhece a cidade).

Não vou linkar o trailler pois ele estranhamente não faz jus ao filme… .

O filme está disponível na Netflix. 


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Legião flashback

Não sou nem nunca fui exatamente o que se pode chamar de “roqueiro”, mas sendo rock “do bom” (principalmente nacional)  eu sempre curti (também),  porém me parece que no momento atual, está havendo uma “conspiração astral”,  pois pela concentração de coisas relacionadas acontecendo, dá a impressão que está rolando uma “overdose de Legião Urbana”, que na minha opinião foi a melhor banda do rock nacional, e que junto com outras (principalmente as vindas de Brasília) embalou toda a minha geração (a tal geração coca-cola, como cantava Renato Russo), aquela turminha que chegou ao final da adolescência entre o início e a  metade dos anos 80 do século passado.

As vésperas do meu “meio-centenário” :-), essa “conspiração” envolve  dois filmes relacionados em cartaz (Somos tão Jovens e Faroeste Caboclo), um show do Marcelo Bonfá (Ex-Legião) aqui em Manaus, que ocorreu junto com a gravação do DVD da banda Critical Age (fazendo um tributo ao Legião) e a minha filhota adolescente que apesar de não ser “geração coca-cola” é completamente fissurada pelo Legião Urbana,  e que de presente de aniversário ganhou a ida ao show para poder viver o clima de show do Legião sem o Legião ( e óbvio que  o paizão não iria perder essa) :-).  E lá fomos nós…, afinal SOMOS TÃO JOVENS… 🙂 .

mosaico_show_bonfa_2


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Denzel again… (Flight, O Voo)

o-voo-indexToda vez que me deparo com um filme novo do Denzel Washington, antevejo que é um filmaço imperdível, com o último não foi diferente…; no papel de um piloto comercial “noiadão”, consegue carismaticamente  entre uma cheirada aqui  e um porre ali, angariar a simpatia do público…, em uma história cheia de inusitados e  com final muito interessante. Ah! destaque para o encaixe perfeito do sonzão do  Joe Cocker – FEELIN ALRIGHT (tema pós-“recuperações” do noidão Whip),  .rmvb integral já está por ai pela web… 🙂

Trailler :

RECOMENDADÍSSIMO !


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O chato da História é que ela insiste em se repetir…

A FALSA MODELO NEGRA PUBLICADA NA REVISTA NUMERÓ (Foto: Reprodução)

A FALSA MODELO NEGRA PUBLICADA NA REVISTA NUMERÓ (Foto: Reprodução)

A frase do título encerra uma verdade praticamente absoluta, vira e mexe, passado muito tempo (as vezes séculos ou milênios) alguém tem a “brilhante” idéia de ressucitar alguma prática ou ação nociva que deveria ter ficado para sempre no passado .

Uma matéria da revista Marie Claire expõe mais um desses “revivals”, em que uma modelo branca é pintada de escuro, para representar um conceito de belo que remete à África, a revista francesa citada na matéria (não é a própria Marie Claire) responsável pelas fotos, após uma onda de protestos pediu “desculpas” públicas pelo fato,  e obviamente o fato está gerando boa polêmica, com gente se manifestando contra o fato gerador da situação e minimizando o pedido de desculpas e outras achando que o fato gerador “não tem nada de mais”, que a revista “não tem do que se desculpar” e que os reclamantes estão vendo “pêlo em ovo” .

Ocorre que para entender a polêmica é preciso visualizar algumas coisas:

1- Houve um tempo em que personagens negras eram interpretadas por pessoas brancas e pintadas de preto, pois era inconcebível que um negro de verdade fizesse sucesso como protagonista com seu talento e recebesse por ele…, exemplos clássicos foram o comediante americano Al Jolson e seu legendário filme “The Jazz Singer”  e o ator brasileiro Sergio Cardoso que interpretou o personagem principal da novela “a cabana do Pai Thomás” (papel que deveria ter naturalmente sido dado ao ator negro Milton Gonçalves, mas não o foi por imposição da agência de publicidade Colgate-Palmolive, uma das subsidiárias norte-americanas que patrocinavam a produção de tramas nacionais nos anos 60)

Personagens negros de Al Jolson e Sergio Cardoso respectivamente

Personagens negros de Al Jolson e Sergio Cardoso respectivamente

2- O padrão estético dominante no mundo da moda e na sociedade é eurocêntrico…, o idealizador pode ter desejado passar uma ideia de beleza africana, sem contudo abrir mão de valores estéticos europeus como um nariz afilado, um lábio fino, ou uma magreza idealizada (que não condiz com o valor estético africano em geral, que favorece mulheres “robustas”); o eurocentrismo, que enfatiza como positivo quase que exclusivamente os valores culturais e estéticos europeus (ou seja brancos) é a base do racismo.

Alguns “inocentes” acostumados a não ver racismo em nada e achar “paranóia” de quem reclama de algo relacionado, enxergam a coisa como uma “homenagem” à beleza negra, ou mesmo um manifesto “artístico” mostrando que somos na realidade diferenciados apenas por um tom de pele, enquanto outros, já escolados  com as artimanhas do racismo (que não termina, mas assume formas cada vez mais sutís e veladas) enxergam a coisa simplesmente como uma “puxada de tapete” racista, já que poderia estar se beneficiando do trabalho que “vende” uma imagem de beleza negra, uma modelo negra de verdade ao invés de uma modelo branca pintada… .

Enfim, na realidade, nada de novo no front…

Link para a matéria da revista:

http://revistamarieclaire.globo.com/Moda/noticia/2013/02/revista-francesa-se-desculpa-por-colocar-falsa-modelo-negra.html