Blog do Juarez

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“Habemos Papam”, a vida imita a arte ou “premonição” ?

habemuspap

Na esteira do post passado e de todo o noticiário sobre a renúncia do Papa Bento XVI, uma “coincidência” quase premonitória (já que na realidade um Papa não renunciava há 600 anos) exceto no filme italiano “Habemos Papam”  de 2011… .

Assisti ao filme hoje (tem para baixar por toda web, basta procurar…, dê preferência para arquivo .RMVB que são menores (cerca de 330 Mb, contra 1Gb e tal das versões DVDRip)), a história é bem contada, e uma coisa que parecia improvável na realidade, incrivelmente se concretizou, com o Papa verdadeiro renunciando por não se julgar capaz de levar adiante a pesada missão de liderar a igreja católica.

O filme é muito divertido ao mesmo tempo que dramático ao expor as dúvidas existencialistas do personagem principal (vivido pelo ator Michel Piccoli que encarna muito convincentemente o Papa atormentado), cenas como um campeonato de volley entre os cardeais isolados no conclave dão o tom de surrealismo .

O Diretor Nanni Moretti, também participa na frente das câmeras, fazendo o papel do Psicanalista chamado pelo Vaticano para atender ao Papa em crise.

Ah! e não poderia deixar de falar da  cena animada com a linda música  “Todo cambia” do chileno Julio Numhauser e sucesso na voz  da finada argentina Mercedes Sosa (que eu adoro), na sequência o clipe com a música  :

E o Trailler oficial:


Recomendadíssimo curtir

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Sandy & Papo os Claudinho & Buchecha da Venezuela…

sandy-papo

Passeios por outros países e culturas sempre trazem algo novo (pelo menos para a gente que não conhecia certas coisas 🙂 ), nas férias recentes parte passada na Venezuela, eis que na quente ilha de Margarita, em uma tarde durante o almoço, estava ouvindo de uma banca de camelô próxima, vários e animados sons latino-dançantes como Vallenato, Merengue e Salsa, na saída aproveitei para  comprar uns cdzinhos.

Comprei uma Salsas mais novas  e Vallenatos, ao perguntar ao vendedor por algum ritmo mais “atual” como reggaeton ou technomerengue, a resposta veio rápida e segura, ” Lleva a Sandy & Papo, te vaya gustar”;  ouvi um trecho, gostei e levei.

Já de volta ao Brasil e ouvindo o CD, que tem de fato uma pegada muito bacana e atual (uma  mistura de Merengue com RAP e Dance, com umas incidentais de músicas muito conhecidas de outros ritmos) que achei de cara MUITO PARECIDA  com a de alguns grupos dominicanos antigos que eu já conhecia levemente como o FULANITO ou o PROYECTO UNO; dito e feito…, a dupla Sandy & Papo que é idolatrada na Venezuela era na realidade dominicana e contemporânea dos outros grupos citados…, uma das músicas me chamou a atenção pois era uma homenagem póstuma ao cantor Papo (surpresa 1, uma dupla de tanto sucesso e “nas paradas de sucesso” tinha se desfeito por morte de um dos integrantes, surpresa 2, isso não foi recente e sim pasmem em 1999…) .

Um dos motivos de não ter notado ser o som  já tão “antiguinho” é pela atualidade do mesmo (aliás nos países de língua espanhola, os sucessos do passado parecem nunca morrer e  estarem sempre atuais, pois tocam direto e todo mundo gosta) o segundo motivo foi uma das músicas do meu CD ( El Mueve-Mueve ,  uma versão de  Like to Move It ), sucesso que só conheci na trilha sonora da animação MADAGASCAR (1) de 2005 (para quem não está “ligando o nome à pessoa” é aquela que toca na balada dos lêmures do Rei Julien) mas que em verdade já tinha feito sucesso com N versões mundo afora desde 1994… , na realidade a versão de Sandy & Papo era bem mais antiga que a do filme e não o contrário… 🙂 .

A história de sucesso lembra um pouco  a da  nossa conhecida dupla Claudinho e Buchecha, desfeita de forma idêntica (um acidente de automóvel), mas me parece que a “vida” da dupla domenicana/venezuelana é muitíssimo mais presente entre os venezuelanos que a da dupla brazuca entre nós.

Fica ai um clipe da dupla para quem quiser conhecer, além dessa tem muitas outras músicas bem legais, vale a pena checar:


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Os maiores erros da História do Judiciário brasileiro

Fig. “emprestada” do blog migalhas…

Tempos atrás os noticiosos  destacaram a morte do pernambucano Marcos Mariano da Silva, cujo caso foi recentemente reconhecido pelo STJ como o maior erro judicial da história do Brasil, resultantando 19 anos como preso, desestruturação familiar, doença e cegueira, seguido de uma indenização milionária pelo estado vide aqui : http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2011/11/22/morre-pernambucano-que-ficou-19-anos-preso-injustamente-23158.php

Eu particularmente acho que pelo número de envolvidos, situações absurdas vivenciadas pelos acusados e quantidade de irregularidades o posto de maior erro ainda permanece com o CASO DOS IRMÃOS NAVES, quem não conhece seria muito interessante conhecer,

http://www.campograndenews.com.br/artigos/o-maior-erro-judiciario-do-brasil-o-caso-dos-irmaos-naves

Já deu até filme e peça de teatro…


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Uma crônica sobre ventosidade intestinal X Justiça :-)

Longa mas imperdível e hilária crônica que já bomba pela web e  que não poderia deixar de reproduzir por aqui..

A pior audiência da minha vida

por Paulo Rangel (Des. TJRJ)

A minha carreira de Promotor de Justiça foi pautada sempre pelo princípio da importância (inventei agora esse princípio), isto é, priorizava aquilo que realmente era significante diante da quantidade de fatos graves que ocorriam na Comarca em que trabalhava. Até porque eu era o único promotor da cidade e só havia um único juiz. Se nós fôssemos nos preocupar com furto de galinha do vizinho; briga no botequim de bêbado sem lesão grave e noivo que largou a noiva na porta da igreja nós não iríamos dar conta de tudo de mais importante que havia para fazer e como havia (crimes violentos, graves, como estupros, homicídios, roubos, etc).

Era simples. Não há outro meio de você conseguir fazer justiça se você não priorizar aquilo que, efetivamente, interessa à sociedade. Talvez esteja aí um dos males do Judiciário quando se trata de “emperramento da máquina judiciária”. Pois bem. O Procurador Geral de Justiça (Chefe do Ministério Público) da época me ligou e pediu para eu colaborar com uma colega da comarca vizinha que estava enrolada com os processos e audiências dela.

Lá fui eu prestar solidariedade à colega. Cheguei, me identifiquei a ela (não a conhecia) e combinamos que eu ficaria com os processos criminais e ela faria as audiências e os processos cíveis. Foi quando ela pediu para, naquele dia, eu fazer as audiências, aproveitando que já estava ali. Tudo bem. Fui à sala de audiências e me sentei no lugar reservado aos membros do Ministério Público: ao lado direito do juiz.

E eis que veio a primeira audiência do dia: um crime de ato obsceno cuja lei diz:

Ato obsceno

Art. 233 – Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público:

Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa.

O detalhe era: qual foi o ato obsceno que o cidadão praticou para estar ali, sentado no banco dos réus? Para que o Estado movimentasse toda a sua estrutura burocrática para fazer valer a lei? Para que todo aquele dinheiro gasto com ar condicionado, luz, papel, salário do juiz, do promotor, do defensor, dos policiais que estão de plantão, dos oficiais de justiça e demais funcionários justificasse aquela audiência? Ele, literalmente, cometeu uma ventosidade intestinal em local público, ou em palavras mais populares, soltou um pum, dentro de uma agência bancária e o guarda de segurança que estava lá para tomar conta do patrimônio da empresa, incomodado, deu voz de prisão em flagrante ao cliente peidão porque entendeu que ele fez aquilo como forma de deboche da figura do segurança, de sua autoridade, ou seja, lá estava eu, assoberbado de trabalho na minha comarca, trabalhando com o princípio inventado agora da importância, tendo que fazer audiência por causa de um peidão e de um guarda que não tinha o que fazer. E mais grave ainda: de uma promotora e um juiz que acharam que isso fosse algo relevante que pudesse autorizar o Poder Judiciário a gastar rios de dinheiro com um processo para que aquele peidão, quando muito mal educado, pudesse ser punido nas “penas da lei”.

Ponderei com o juiz que aquilo não seria um problema do Direito Penal, mas sim, quando muito, de saúde, de educação, de urbanidade, enfim… Ponderei, ponderei, mas bom senso não se compra na esquina, nem na padaria, não é mesmo? Não se aprende na faculdade. Ou você tem, ou não tem. E nem o juiz, nem a promotora tinham ao permitir que um pum se transformasse num litígio a ser resolvido pelo Poder Judiciário.

Imagina se todo pum do mundo se transformasse num processo? O cheiro dos fóruns seria insuportável.
O problema é que a audiência foi feita e eu tive que ficar ali ouvindo tudo aquilo que, óbvio, passou a ser engraçado. Já que ali estava, eu iria me divertir. Aprendi a me divertir com as coisas que não tem mais jeito. Aquela era uma delas. Afinal o que não tem remédio, remediado está.

O réu era um homem simples, humilde, mas do tipo forte, do campo, mas com idade avançada, aproximadamente, uns 70 anos.
Eis a audiência:

Juiz – Consta aqui da denúncia oferecida pelo Ministério Público que o senhor no dia x, do mês e ano tal, a tantas horas, no bairro h, dentro da agência bancária Y, o senhor, com vontade livre e consciente de ultrajar o pudor público, praticou ventosidade intestinal, depois de olhar para o guarda de forma debochada, causando odor insuportável a todas as pessoas daquela agência bancária, fato, que, por si só, impediu que pessoas pudessem ficar na fila, passando o senhor a ser o primeiro da fila.

Esses fatos são verdadeiros?
Réu – Não entendi essa parte da ventosidade…. o que mesmo?
Juiz – Ventosidade intestinal.

Réu – Ah sim, ventosidade intestinal. Então, essa parte é que eu queria que o senhor me explicasse direitinho.

Juiz – Quem tem que me explicar aqui é o senhor que é réu. Não eu. Eu cobro explicações. E então.. São verdadeiros ou não os fatos?
O juiz se sentiu ameaçado em sua autoridade. Como se o réu estivesse desafiando o juiz e mandando ele se explicar. Não percebeu que, em verdade, o réu não estava entendendo nada do que ele estava dizendo.

Réu – O guarda estava lá, eu estava na agência, me lembro que ninguém mais ficou na fila, mas eu não roubei ventosidade de ninguém não senhor. Eu sou um homem honesto e trabalhador, doutor juiz “meretrício”.

Na altura da audiência eu já estava rindo por dentro porque era claro e óbvio que o homem por ser um homem simples ele não sabia o que era ventosidade intestinal e o juiz por pertencer a outra camada da sociedade não entendia algo óbvio: para o povo o que ele chamava de ventosidade intestinal aquele homem simples do povo chama de PEIDO. E mais: o juiz se ofendeu de ser chamado de meretrício. E continuou a audiência.

Juiz – Em primeiro lugar, eu não sou meretrício, mas sim meritíssimo. Em segundo, ninguém está dizendo que o senhor roubou no banco, mas que soltou uma ventosidade intestinal. O senhor está me entendendo?

Réu – Ahh, agora sim. Entendi sim. Pensei que o senhor estivesse me chamando de ladrão. Nunca roubei nada de ninguém. Sou trabalhador.

E puxou do bolso uma carteira de trabalho velha e amassada para fazer prova de trabalho.
Juiz – E então, são verdadeiros ou não esses fatos.

Réu – Quais fatos?
O juiz nervoso como que perdendo a paciência e alterando a voz repetiu.

Juiz – Esses que eu acabei de narrar para o senhor. O senhor não está me ouvindo?
Réu – To ouvindo sim, mas o senhor pode repetir, por favor. Eu não prestei bem atenção.

O juiz, visivelmente irritado, repetiu a leitura da denúncia e insistiu na tal da ventosidade intestinal, mas o réu não alcançava o que ele queria dizer. Resolvi ajudar, embora não devesse, pois não fui eu quem ofereci aquela denúncia estapafúrdia e descabida. Típica de quem não tinha o que fazer.

EU – Excelência, pela ordem. Permite uma observação?
O juiz educado, do tipo que soltou pipa no ventilador de casa e jogou bola de gude no tapete persa do seu apartamento, permitiu, prontamente, minha manifestação.

Juiz – Pois não, doutor promotor. Pode falar. À vontade.
Eu – É só para dizer para o réu que ventosidade intestinal é um peido. Ele não esta entendendo o significado da palavra técnica daquilo que todos nós fazemos: soltar um pum. É disso que a promotora que fez essa denúncia está acusando o senhor.

O juiz ficou constrangido com minhas palavras diretas e objetivas, mas deu aquele riso de canto de boca e reiterou o que eu disse e perguntou, de novo, ao réu se tudo aquilo era verdade e eis que veio a confissão.

Réu – Ahhh, agora sim que eu entendi o que o senhor “meretrício” quer dizer.
O juiz o interrompeu e corrigiu na hora.
Juiz – Meretrício não, meritíssimo.

Pensei comigo: o cara não sabe o que é um peido vai saber o que é um adjetivo (meritíssimo)? Não dá. É muita falta de sensibilidade, mas vamos fazer a audiência. Vamos ver onde isso vai parar. E continuou o juiz.

Juiz – Muito bem. Agora que o doutor Promotor já explicou para o senhor de que o senhor é acusado o que o senhor tem para me dizer sobre esses fatos? São verdadeiros ou não?
Juiz adora esse negócio de verdade real. Ele quer porque quer saber da verdade, sei lá do que.

Réu – Ué, só porque eu soltei um pum o senhor quer me condenar? Vai dizer que o meretrício nunca peidou? Que o Promotor nunca soltou um pum? Que a dona moça aí do seu lado nunca peidou? (ele se referia a secretária do juiz que naquela altura já estava peidando de tanto rir como todos os presentes à audiência).

O juiz, constrangido, pediu a ele que o respeitasse e as pessoas que ali estavam, mas ele insistiu em confessar seu crime.
Réu – Quando eu tentei entrar no banco o segurança pediu para eu abrir minha bolsa quando a porta giratória travou, eu abri. A porta continuou travada e ele pediu para eu levantar a minha blusa, eu levantei. A porta continuou travada. Ele pediu para eu tirar os sapatos eu tirei, mas a porta continuou travada. Aí ele pediu para eu tirar o cinto da calça, eu tirei, mas a porta não abriu. Por último, ele pediu para eu tirar todos os metais que tinha no bolso e a porta continuou não abrindo. O gerente veio e disse que ele podia abrir a porta, mas que ele me revistasse. Eu não sou bandido. Protestei e eles disseram que eu só entraria na agência se fosse revistado e aí eu fingi que deixaria só para poder entrar. Quando ele veio botar a mão em cima de mim me revistando, passando a mão pelo meu corpo, eu fiquei nervoso e, sem querer, soltei um pum na cara dele e ele ficou possesso de raiva e me prendeu. Por isso que estou aqui, mas não fiz de propósito e sim de nervoso. Passei mal com todo aquele constrangimento das pessoas ficarem me olhando como seu eu fosse um bandido e eu não sou. Sou um trabalhador. Peidão sim, mas trabalhador e honesto.

O réu prestou o depoimento constrangido e emocionado e o juiz encerrou o interrogatório. Olhei para o defensor público e percebi que o réu foi muito bem orientado. Tipo: “assume o que fez e joga o peido no ventilador. Conta toda a verdade”. O juiz quis passar a oitiva das testemunhas de acusação e eu alertei que estava satisfeito com a prova produzida até então. Em outras palavras: eu não iria ficar ali sentado ouvindo testemunhas falando sobre um cara peidão e um segurança maluco que não tinha o que fazer junto com um gerente despreparado que gosta de constranger os clientes e um juiz que gosta de ouvir sobre o peido alheio. Eu tinha mais o que fazer. Aliás, eu estava até com vontade de soltar um pum, mas precisava ir ao banheiro porque meu pum as vezes pesa e aí já viu, né?

No fundo eu já estava me solidarizando com o pum do réu, tamanho foi o abuso do segurança e do gerente e pior: por colocarem no banco dos réus um homem simples porque praticou uma ventosidade intestinal.

É o cúmulo da falta do que fazer e da burocracia forense, além da distorção do Direito Penal sendo usado como instrumento de coação moral. Nunca imaginei fazer uma audiência por causa de uma, como disse a denúncia, ventosidade intestinal. Até pum neste País está sendo tratado como crime com tanto bandido, corrupto, ladrão andando pelas ruas o judiciário parou para julgar um pum.

Resultado: pedi a absolvição do réu alegando que o fato não era crime, sob pena de termos que ser todos, processados, criminalmente, neste País, inclusive, o juiz que recebeu a denúncia e a promotora que a fez. O juiz, constrangido, absolveu o réu, mas ainda quis fazer discurso chamando a atenção dele, dizendo que não fazia aquilo em público, ou seja, ele é o único sear humano que está nas ruas e quando quer peidar vai em casa rápido, peida e volta para audiência, por exemplo.

É um cara politicamente correto. É o tipo do peidão covarde, ou seja, o que tem medo de peidar. Só peida no banheiro e se não tem banheiro ele se contorce, engole o peido, cruza as perninhas e continua a fazer o que estava fazendo como se nada tivesse acontecido. Afinal, juiz é juiz.

Moral da história: perdemos 3 horas do dia com um processo por causa de um peido. Se contar isso na Inglaterra, com certeza, a Rainha jamais irá acreditar porque ela também, mesmo sendo Rainha… Você sabe.

Rio de Janeiro, 10 de maio de 2012.

Paulo Rangel (Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro).


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Para quem ainda não entendeu a polêmica em torno de MONTEIRO LOBATO

Monteiro Lobato, a personagem Tia Anastácia e o livro

Muita gente ainda não entendeu a  polêmica em torno da retirada de determinadas obras do escritor  Monteiro Lobato (voltadas para o público infantil) do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), programa do MEC que compra livros com dinheiro público e fornece para as escolas.

São duas as  principais questões :

1- A maioria dos brasileiros não-negros tem grande dificuldade para entender e enxergar o que de fato é o racismo, pensam inclusive que não são racistas pois entendem que racismo é apenas aquele violento, intolerante e no qual se assume abertamente o antagonismo com relação aos não-brancos; confundem tolerância, cordialidade e co-existência social não oficialmente segregada com “não-racismo”, ou seja, não admitem como racismo as outras formas sorrateiras e dissimuladas de inferiorização estética/ cultural  e embarreiramento sócio-econômico dos não brancos.  Vide : “(a) discriminação e preconceito raciais não são mantidos intactos após a abolição mas, pelo contrário, adquirem novos significados e funções dentro das novas estruturas e (b) as práticas racistas do grupo dominante branco que perpetuam a subordinação dos negros não são meros arcaísmos do passado, mas estão funcionalmente relacionadas aos benefícios materiais e simbólicos que o grupo branco obtém da desqualificação competitiva dos não brancos.” (Hasenbalg, 1979, p. 85) .

2- A quase totalidade das pessoas não sabe quem foi de fato Monteiro Lobato

a) Lobato era um racista assumido, EUGENISTA (de carteirinha), membro da Sociedade Paulista de Eugenia, no seu livro “A Barca de Gleyre”  (uma coletânea de cartas trocadas em especial com seu amigo Godofredo Rangel, mas também outros como  o “pai da eugenia brasileira”  o médico Roberto Khell) Lobato fala “barbaridades” com relação a pretos  e miscigenados, em um outro livro seu “O presidente negro ou  O Choque das raças” , Lobato “sugere” que os negros norte-americanos fossem todos esterilizados  com um produto embutido secretamente em um creme de alisamento de cabelos…, o livro não foi aceito para publicação nos EUA, Lobato escreve ao amigo Rangel e  diz“Meu romance não encontra editor. […]. Acham-no ofensivo à dignidade americana, visto admitir que depois de tantos séculos de progresso moral possa este povo, coletivamente, cometer a sangue frio o belo crime que sugeri. Errei vindo cá tão verde. Devia ter vindo no tempo em que eles linchavam os negros.”, posteriormente o próprio Lobato o publicou no Brasil.

b) Lobato tinha plena consciência de que a sua obra era um excelente veículo para propagar os ideias da causa eugenista e assim o fez inserindo “discretamente” em sua obra, inclusive reconhece isso em carta à seu amigo Godofredo Rangel, Lobato confessou que sabia que a escrita “é um processo indireto de fazer eugenia, e os processos indiretos, no Brasil, ‘work’ muito mais eficientemente” (palavras dele).

c) Lobato inseriu em sua obra, referências que perpetuam a formação de uma mentalidade racista inconsciente (principalmente nas crianças que ainda não tem senso crítico) ao mesmo tempo que constrange crianças negras e as ferem em sua auto-estima;

Não se trata de patrulhamento ideológico, exagero militante do “politicamente correto”  ou “ver pêlo em ovo”, muito menos querer “censurar” Lobato, nem de “queimar seus livros”,  mas simplesmente de não deixar que os ideais eugenistas de um Lobato dos anos 30 do século passado, permaneçam LIVREMENTE a influenciar e naturalizar nas crianças do século XXI (teoricamente anti-racista) uma mentalidade racista geralmente inconsciente mas que se manifesta até nos adultos  mais insuspeitos e inesperados ( vide o caso da  Antropóloga professora de religiosidade afro, que xingou de macacos um segurança e um estudante da universidade paraense em que dá aulas), por LIVREMENTE entenda-se sem a devida contextualização por meio de notas no livros e sem professores capacitados para neutralizar a parte nociva nas obras de Monteiro Lobato.

Enquanto não ocorre essa capacidade de contextualizar e neutralizar os malefícios embutidos nos livros, é conveniente que os mesmos deixem de ser distribuídos para as escolas, principalmente por serem pagos com dinheiro público, o estado brasileiro através do ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL já reconheceu o racismo brasileiro em suas mais diversas formas e situações, se comprometendo a não estimular práticas racistas e corrigir as desigualdades e distorções advindas dele, não pode portanto, continuar a permitir livremente  a utilização oficial e ainda por cima pagar por obras que contrariem  essas premissas.

Para quem de fato quiser saber fatos e dados que embasam a questão é só ler o excelente artigo (vão ficar chocados…) :

CARTA ABERTA AO ZIRALDO por Ana Maria Gonçalves: http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/carta_aberta_ao_ziraldo_por_ana_maria_goncalves.php


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“Mudança de andar ” …

Recentemente  (25/08)  e ( 03/09) “mudaram de andar” (para cima na crença judáico/cristã/mulçumana ou para baixo (no Órum/ outro mundo ) segundo a cosmovisão africana), duas figuras emblemáticas.

A primeira foi o primeiro homem (e não por coincidência escoteiro)  a pisar na lua… Neil Armstrong , a biografia é conhecida…, mas acho interessante  destacar o detalhe que ele também foi escoteiro como eu… (inclusive quando pisou na lua estava com ele um distintivo escoteiro), o que o torna também o escoteiro que foi mais longe em suas explorações…

O segundo foi o ator Michael Clarke Duncan (ou Big Mike Duncan, como gostava de ser chamado), que não passava desapercebido com seus 1,96m e 136 quilos…,  a consagração de Big Mike nas telonas foi em “A espera de um milagre” em que contracenou com Tom Hanks (aliás ainda nem vi esse filme) mas curti muito suas participações em outros filmes menos badalados como as comédias “O bom filho à casa torna” , “Meu vizinho mafioso”  ou o de aventura “O escorpião rei” entre outros.

Que descansem em paz !


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Mais um clássico do bolerão/brega: Ladies & Gentlemen, Mr. Abílio Farias !!!

Sou fã, e esta música (junto com coração indeciso ) não pode faltar quando dou minhas “palhinhas” ao vivo ai pela noite manaura…,   Ladies & Gentlemen, Mr. Abílio Farias !!! em LEI DA PROCURA E DA OFERTA :