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O racismo e o Neymar

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Veja o texto completo  no Medium: https://medium.com/@juarez.silva/o-racismo-e-o-neymar-2f8b060eec24#.3h1erk380

 

 

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Em 1920, Euterpe Football Club, time formado por negros, fazia história no Amazonas

Matéria no caderno Craque  do Jornal A Crítica da edição do dia da Consciência negra desse ano, traz um verdadeiro golaço contra a  tradicional invisibilização e negação da Presença Negra no Amazonas, para todos nós que trabalhamos essa temática em seus mais variados recortes e a partir de diversas abordagens das Ciências Sociais é um tremendo presente. Parabéns ao Jornalista  Felipe de Paula e ao Historiador Gaspar Neto.

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Link para a matéria completa:

http://www.acritica.com/channels/esportes/news/em-1920-euterpe-football-club-time-formado-por-negros-fazia-historia-no-amazonas


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EXEMPLAR ! (ou quando ignorar ou minimizar não é a opção)

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Quando aconteceu 13 dias atrás o repercutido fato do xingamento racista ao goleiro Aranha do time do Santos, não escrevi  nada, idem quando ocorreu o julgamento no STJD – Superior Tribunal de Justiça Desportiva na semana passada ( não tive muito tempo, nem muita disposição para escrever nos últimos dias ), mas isso foi muito bom…, pois com o desenrolar dos acontecimentos, posso fazer hoje um texto mais amplo e mostrar a@ car@ leitor@ mais nuances da questão toda.

Já que o caso  já está bem conhecido vamos direto ao que interessa:

Primeiro ao resultado do julgamento no STJD; que foi EXEMPLAR, a punição ao clube (desclassificado do campeonato e condenado a pagar multa) é “pedagógica”, muita gente não entende ou acha “injusto” punir o clube por um ato de uma simples torcedora…, ocorre que o clube lucra com o torcedor (na venda de camisas, artigos, ingressos, etc…) além de estimular uma relação “quase étnica” com a torcida (note que coloquei entre aspas, OK ?, tem gente que não entende metáforas…), ou seja, o clube/time estimula o torcedor e o torcedor estimula o clube/time, e os torcedores do time X se estimulam entre si e contra os “outros”,  o sentimento de pertencimento é semelhante ao dos membros de uma tribo (dai eu ter falado em ” quase étnica” ), cabe portanto ao clube EDUCAR e CONTER  sua torcida contra todo tipo de atitudes e atos negativos (e principalmente criminosos em função dos jogos ou  mesmo fora deles…), ao não fazer isso e não desestimular tais práticas, ele se torna CÚMPLICE; por outro lado, o torcedor tem que entender que seus atos também pesam contra o clube;  quer ser racista, violento, etc ??? “tudo bem !”, mas o time vai pagar por isso…  (e o resto da torcida vai se voltar contra você), e é ai que entra a “pedagogia” da punição do clube.

A punição à arbitragem também foi exemplar…., um dos grandes problemas com o racismo é a complacência, o “não vi nada” , o “deixa para lá” e os “panos quentes” dos que deveriam se indignar e reprovar cabalmente os atos racistas (principalmente quando por questão profissional, não tendo o real poder de evitar, tem a obrigação de ao menos coibir e tomar as providências necessárias com relação ao já ocorrido),  é um exemplo que deveria ser aplicado também a testemunhas, autoridades policiais  e outras, que fazem “corpo mole” e “vista grossa” quando a questão é racismo.

A punição aos agressores, dispensa maiores comentários, simplesmente perfeita…, mas ainda tem a punição criminal, afinal, racismo é crime dentro e fora dos campos, já a execração pública é uma coisa que acontece com criminosos de todos os tipos (pelo menos em geral acontece), é claro que ela tem que ter limites, mas não deve ser “afogada”  nem “reprimida” quando dentro do legal e do razoável, retorna ai o “efeito pedagógico”…, vale a pena “estragar a vida” por preconceitos e práticas irracionais ????, o exemplo é necessário e vai fazer muita gente pensar três vezes antes de arriscar… .

 Segundo,  o tal “Não sou (somos) racista(s)”,  é preciso ficar claro e massificado que  a maioria dos “brancos” brasileiros  TEM SIM MENTALIDADE RACISTA (muito embora não o percebam ou não admitam), assim como há negros que inconscientes se deixam ser afetados placidamente por reflexos de tal mentalidade e os que ainda colaboram com os que a tem;  não vou discorrer aqui um “tratado” sobre o que é racismo e o que é ser racista… (é muito mais complexo do que a maioria imagina ser), porém uma coisa é óbvia no mundo todo, associar pessoas negras a macacos (diretamente, via bananas, ou o que o valha) é um dos mais descarados e conhecidos ato de racismo, não tem “outra intenção”, nem tem “justificativa”, MACACO sempre foi e é uma ofensa racial e especialmente direcionada a negros (há raras exceções como o “gorila” aplicado à “brutamontes” em geral), e tem como intenção NEGAR ao outro a condição de humano, coloca-lo em uma situação de inferioridade, a história mostra a questão dos “macaquitos” (das guerras cisplatina e do Paraguai) e a própria questão dos gremistas se referirem aos “colorados”  como “macacos” (por ser um time que teve negros pioneiramente), depois da série de casos recentes de racismo no futebol, dizer que “não teve intenção racista”  ou que “desconhecia” a possibilidade de ser assim vista é um grande exercício de “cara-de-pau” .

A movimentação de parte da imprensa  em “amenizar” as coisas, demonstra o quanto é forte a intenção de escamotear o racismo brasileiro e “proteger” os que por desventura sejam apanhados na sua prática, afinal, o racismo mantém práticas efetivas e simbólicas que favorecem o grupo hegemônico, inclusive de forma psicológica ao manter sua ilusão de “superioridade”  e de a mesma lhe garante também impunidade.

Terceiro, a atitude do goleiro Aranha em reclamar do ato racista da torcedora e depois não querer se encontrar com a moça  para que fossem pedidas “desculpas esfarrapadas” revelam um nível de consciência bem maior que de alguns outros jogadores que passaram por situação semelhante, ele entendeu que a coisa ia muito além dele…, fazer parte do circo midiático que se preparava para tentar “limpar a barra” da agressora, não foi uma opção; ele bem o sabia que para o bem do esporte e para o combate ao racismo em geral, a punição e a execração pública tinham uma finalidade mais pragmática e nobre.

Quarto, os comentários das notícias e as redes sociais, um “conhecido” muito culto e que vive majoritariamente fora do país, sempre diz que que são neles que mais aparece o racismo do brasileiro, que vem em forma de justificativas e argumentações estapafúrdias no afã de defender o Status Quo, reacionarismo contra avanços efetivos para as populações não-brancas (em nome de uma “igualdade” meramente formal e desconsiderando ou minimizando a desigualdade material e efetiva), através de relativizações e minimizações dos casos de racismo e não raro em uma técnica meta-racista que é “inverter as coisas” , ou seja,  defendendo e “limpando a barra” dos reais agressores e acusando os indignados e antiracistas de estarem “exagerando”, promovendo “ódio”, “racismo as avessas” e ainda aproveitando para atacar conquistas das populações indígena e negra, como as cotas universitárias e no serviço público, demarcação de terras indígenas e quilombolas e outras ações afirmativas, ou mesmo a própria existência dos movimentos representativos  e datas como o dia da Consciência Negra, etc… .

Por fim, espero que esse episódio e desdobramentos inaugurem uma era de maior efetividade no combate e punição ao racismo, não apenas no futebol, mas em todos âmbitos da vida.


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Eu falando de futebol ? INÉDITO !

HolandaXBrasil

Resultado do jogo de despedida do Brasil na Copa 2014, depois do acachapante 7×1 levado da Alemanha.

Pois é…, quem acompanha o blog e quem me conhece  fora do ciberespaço, sabe que futebol não é “minha praia”, não jogo, não sou torcedor de nenhum time,  não uso camisa de time (só usei camiseta da seleção quando morei um tempinho fora do país, não pelo futebol, mas como destacador da minha “brasilidade”), não assisto jogos, evito noticiário sobre e discussões futebolísticas; assisto sim algumas  partidas das copas (afinal até o Obama, de um país que não tem o futebol como grande esporte assistiu ao menos um jogo nessa…),  em geral assisto os dois jogos “valendo” de Camarões (tomei simpatia pela seleção na copa de 90, quando foi muito melhor que o Brasil) e algumas partidas  decisivas do Brasil.

Não vou aqui comentar lances, nem escalações, nem tática…, isso não me apetece nem me compete, vou apenas falar da gestão do futebol, esporte que mexe tanto com o brasileiro.

Desde que vim ao mundo, transcorreram 13 copas (12 eu acompanhei, a de 70 para a frente), a configuração do quadro mundial das seleções mudou bastante, novas potências surgiram, velhas potências se esmaeceram e outras literalmente desapareceram, como a extinta Iugoslávia (que se transformou em um monte de países, entre eles a Croácia), os árabes, asiáticos e os africanos entraram no jogo… e até o “impermeável” EUA;  durante um bom tempo existia “time bobo”, daqueles em que não havia estrelas jogando fora dos seus países com contratos milionários, mais do que um grande negócio, futebol era então “apenas” um esporte, entusiasticamente jogado tanto  por craques memoráveis  quanto apagados “pernas-de-pau” (logicamente os melhores de cada pátria), nesse período, os clubes se internacionalizaram com atletas de outros países, os técnicos começaram a correr mundo também, gerando memes imperdíveis como o famoso inglês do Joel Santana, três dos cinco títulos brasileiros foram conquistados nesse período,  no qual o Brasil solidificou a imagem de “mostro sagrado” do futebol, e além do velho e conhecido “Rei” Pelé (ignoremos as reivindicações  argentinas 🙂 ), passou a ser referenciado também por outros “Reis”, “Imperadores”, “Fenômenos” e o que o valha .

Basicamente o que eu quero dizer, é que o futebol mudou, os “bobos” não existem mais, ninguém mais treme só de ver a “amarelinha” (nem pensa duas vezes antes de “descer o cacete” em um “superastro” mundial da bola) , o “futebol-negócio”  é um Show Business, e todo show exige mais do que talentos GESTÃO, não qualquer gestão, mas gestão moderna e acima de tudo EFICIENTE, e um dos caminhos para isso é a renovação e atualização, não “entendo” nada de futebol pois não acompanho interessadamente, inevitavelmente ouço algo sobre “alta cartolagem” brasileira, na FIFA ou CBF (antes era CBD), e só me vem à cabeça dois nomes,  Havelange e Teixeira (sério, não conheço outros e isso em 46 anos…), comissão técnica para mim é sempre um susto, o técnico da década de 70 está ativo em outro cargo já no século XXI, assim como me assusto com a mistura de técnicos de várias gerações no mesmo banco…, parece não haver aposentadorias nessa área, tudo é um grande “Déjà Vu”… .

Dizer que grandes seleções “caíram” antes da nossa, não é argumento razoável, para quem detém o maior número de títulos mundiais da história e até essa copa mantinha recordes de produtividade em campo, além do mais,  as grandes que caíram não o fizeram com  tão triste  intensidade e forma (e em casa com tudo a favor).

A promiscuidade entre poderosos da mídia e a CBF, a elite de cartolas e políticos associados, atravanca o futebol brasileiro, coisas como jogos as 10 da noite para não atrapalhar horário de novela, insistência em não renovar na comissão técnica, e sei lá mais o que rola…, foi fatal para a seleção de futebol, é como aquele jogo de queda de dominó, vimos a última pedra cair, mas isso começou  lá atrás … .

As vésperas da grande  final  da “Copa das Copas”  podemos dizer que foi um grande sucesso, lição de casa feita e nota com estrelinha, mas com relação ao nosso futebol, sem mudanças na gestão vai continuar a  reprovação certa … .


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O que Camarões tem a ver com o Brasil ????

Muito provavelmente a maioria dos brasileiros deve achar que nada (além de também ter verde e amarelo na bandeira…), mas com um pouco de atenção vamos ver que Camarões está na raiz de grande parte dos brasileiros…, como todos sabem, povos africanos foram traficados como escravos para o Brasil, mas como era e  é  a distribuição desses povos na África ? , veja o mapa abaixo :

Distribuição dos grandes-povos africanos em África.

Distribuição dos grandes-povos africanos em África. (clique na imagem para visualizar melhor)

Pois bem, com o tráfico transatlântico de africanos escravizados, dois grandes grupos ou grandes-povos foram trazidos para o Brasil (Bantus e Sudaneses, que por sua vez se configuram em diversos povos em cada uma das duas raízes), o esquema abaixo mostra os destinos gerais desses grupos.

Tráfico transatlântico, grandes-povos traficados e destinos brasileiros.

Tráfico transatlântico, grandes-povos traficados e destinos brasileiros.

E onde entra Camarões na História ?, vejamos…, muito antes disso, foi da região onde hoje é Camarões que o grande-povo Bantu (ou Banto como preferem alguns) um grupo étnico-linguístico na raiz de diversos povos(etnias) africanos, partiu para em tempos distantes (2.000 a.c.) “colonizar” quase metade da África, incluindo as ancestrais “Congo” e Angola, de onde foram trazidos os primeiros e a maior parte dos escravizados africanos, bem como de Moçambique (ai já um pouco mais tarde).

Fases da expansão Bantu  a partir de  onde hoje é Camarões.

Fases da expansão Bantu a partir de onde hoje é Camarões.

Com o tráfico negreiro (inclusive a partir de Camarões) a maior concentração Bantu se deu principalmente na região sudeste do Brasil (mas nos primórdios do tráfico transatlântico, também no nordeste…), do sudeste e do nordeste, esses escravizados foram direcionados também para outras regiões do Brasil como Sul, Centro-oeste e Norte, os próprios sudaneses se miscigenaram com os Bantus (que também já estavam na Bahia), e mais tarde com a circulação livre pelo país essa “miscigenção afro” aumentou, portanto a maior parte dos afrobrasileiros  tem fortemente o povo Bantu (de origem camaronesa) na sua raiz (e por que não dizer genericamente brasileiros ?, já que muitos dos que não se consideram negros, tem lá também seu “pezinho na África”…), para ficar mais claro essa distribuição no Brasil, veja o gráfico abaixo:

Destinos dos Bantos e Sudaneses no Brasil.

Destinos dos Bantos e Sudaneses no Brasil.

Respondida a pergunta-título do post ?, então…, é por isso que temos muito a ver com Camarões… e é por isso que hoje como bom descendente Bantu 😉 , estou na torcida pelo time  da nossa raiz 🙂 (e no jogo Brasil X Camarões, vou torcer pelo empate… )

Ah ! para finalizar, uma outra curiosidade; primeira seleção africana a fazer sucesso em copa (quem assistiu a copa de 90 e não lembra do Roger Milla ???), em 90 Camarões passou para as oitavas de final (o Brasil não…, e a partir da eliminação do Brasil o país inteiro “virou Camarões”, as bandeiras verde-amarelas ganharam detalhes vermelhos…) mas  na disputa pelas quartas perdeu e acabou a copa em 7º lugar.

Bora Cameroun !!!!,  pra cima da Croácia !!!! 🙂 Cameroun


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Os comedores de banana e o antiracismo imbecil

Primeiro se veste de macaco, depois come banana...

Primeiro se veste de macaco, depois come banana…

Mais perigoso que o racismo declarado, é o meta-racismo (racismo cínico travestido de combate ao racismo, mas que tem como objetivo real manter o status quo inalterado), porém, pior é quando a inconsciência e ignorância dos que não conhecem ou estudam com maior profundidade a questão racial e do racismo, faz com que se metam a palpitar e até a fomentar atos que reputam como “antiracistas” mas que na realidade são um tremendo “fora” ou “tiro no pé” que acaba por favorecer os interesses meta-racistas ou mesmo os declaradamente racistas; é exatamente o que está acontecendo agora com essa campanha “viral” iniciada pelo Neymar  #somostodosmacacos … .

O simples fato de ter alta adesão de não ativistas e principalmente dos anti-ativistas (vide a turma dos neo-democratas-raciais e anti-cotas, seguidores da lógica “kameliana”  e “magnoliana” e dos articulistas da revista Veja e da mídia má) já serve para demonstrar que tem alguma coisa errada com essa campanha.

Qualquer um com algum conhecimento mais aprofundado da temática, sabe que juntar “negros”, macacos e/ou bananas, tem por essência reforçar um dos pilares do racismo, jamais combate-lo…,  nenhum dos brancos que aparecem com bananas se colocando como “antiracistas”  via #somostodosmacacos, foi assim chamado e associado (com ou sem banana) e nunca serão…, e nenhum racista deixará de usar a ofensa tradicional e exclusivamente aplicada a negros por causa disso, e coitados dos negros inconscientes que embarcarem nessa e registrarem seu momento banana nas redes sociais…,  os racistas vão se rasgar de tanto dar risada dos que macacos se assumirem… .

Quanto ao Neymar e outros jogadores negros milionários ou artistas  idem, que nem se enxergavam como negros (e de repente se espantaram em receber racismo 😉 ) ou se enxergando acreditavam na falácia de que “o preconceito é social não racial”, sendo totalmente alienados com relação ao racismo e suas reais características, a partir de suas “cercas de jurubeba” (expressão nortista para “blindagem” / isolamento em relação a realidade e grupos de convívio hostis), lembram do Ronaldo “fenômeno” ?, que perguntado sobre racismo no futebol europeu, respondeu,  – “é terrível mesmo, até EU QUE SOU BRANCO, sofro…”, mais inconsciente que isso tá difícil….;   não é de se admirar que enxerguem que a ideia de se vestir de macaco não tenha nenhuma consequência, ou que “comer a banana”  e  ignorar e “zoar” os racistas a partir de atitudes do tipo tenha alguma efetividade antiracista.

Só tem duas coisas que param um racista consciente, execração pública direta e punição exemplar, para os inconscientes talvez ações didáticas sérias que os façam refletir e mudar a mentalidade, mas nenhuma delas está encerrada na baboseira do #somostodosmacacos ,  a minha  hashtag é #NaoSouMacaco.

Tem gente que só deveria jogar futebol ou atuar na sua área profissional pois “calado é artista”, falando ou “agindo” contra o racismo só dá “bola fora”…  .

Ah! em tempo, falar o que dê uma pessoa negra destas ??? (o mesmo “amigão” do Neymar que acha legal brincar de macaco… )

Alexandre Pires

Alexandre Pires


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Copa ou hospitais ?

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Que “o fenômeno” costuma de tempos em tempos soltar umas “pérolas” polêmicas é fato (lembram de quando ele disse que o racismo no futebol  europeu era tão forte que até ele que “era branco” (sic) sentia ? :-)), mais recentemente está todo mundo “caindo de pau” em cima do “fofo”  pela agora célebre frase ” Não se faz copa do mundo com hospitais, mas com estádios…” .

Eu que detesto futebol, devo admitir que apesar de um tanto aparentemente “insensível”, o moço está completamente certo…,  não obstante o fato de um país-sede de copa pela lógica necessitar de uma infra-estrutura que vai muito além de estádios modernos e de grande capacidade ( e isso inclui, aeroportos e transportes de qualidade, vias decentes, telecomunicações, hotelaria, segurança pública, pessoal treinado e obviamente também uma rede de saúde capaz de dar atendimento decente em qualquer eventualidade), sem eles (os estádios)  nada feito… .

Portanto, não tem nada de inverdade no que ele disse…,  e me desculpem os amigos que A-D-O-R-A-M futebol…, mas o que ocorre na realidade é que no “país do futebol” (onde praticamente nada aliena mais  a população que o “bendito futebol”) e no qual há centenas de necessidades urgentes bem maiores que a realização de uma copa do mundo, todos ficaram “encantados” com a possibilidade de ter o evento por aqui e com um pouquinho mais de esforço (e claro bem menos que se tivessem que se deslocar para o exterior, o que para a maioria seria “impossível” ) até assistir ao vivo a alguns do “jogões”…, não vi ninguém reclamando, nem fazendo manifestação quando o Brasil se candidatou a sede da copa (muito pelo contrário, vi foi um bando de “lesos” exultando ao ver na TV a  a vitória da candidatura brasileira),  antes daquela era a hora de reclamar contra…, não depois do país ter assumido compromissos que bem poderia ter declinado.

Será que ninguém viu que haveria um enorme gasto com a reconstrução de estádios ???, que seria necessário um enorme investimento em outras obras faraônicas que bem poderiam ser melhor aplicados em outras necessidades mais prementes e racionais ???? (não estou nem me referindo a superfaturamentos, desvios e incômodos causados).

Eu que nunca gastei um centavo para entrar em um estádio e ver uma partida de futebol, não perco tempo dando audiência para as multimilionárias transmissões de jogos, muito menos desperdiço dinheiro comprando camisas e artigos dos clubes e da seleção (OK , tudo bem…, comprei uma vez uma camiseta da seleção, mas apenas para parecer “mais brasileiro” em um período em que morei fora do país 🙂 ),  e que nunca torci para ter copa no Brasil ou qualquer outro lugar do mundo, bem que poderia estar reclamando que preferiria hospitais e outras coisas mais importantes a  mega-estádios…, mas esse pessoal que não pode ouvir que vai ter um   “Não sei que lá” X “Não sei o quê”  e sai correndo para os estádios ou para a frente da TV , deveria ser mais coerente…  .

Pediram Copa ?, pois está ai…, não há bônus sem ônus…, provocaram e pediram muito…, então como diria a “filósofa” Maria Vanúbia da finada novela Salve Jorge,  “Pi Pi Pi !!!, olha o recalque ! , aceita que dói menos…” .