Blog do Juarez

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Mais uma bola fora neoativista: o colorismo dando “tiro no pé” da causa negra.

A manchete estampada na figura abaixo explica do que falo nesta postagem muito sucintamente.

Indo direto ao ponto, mais uma vez o neoativismo “negro” fazendo das suas, negro está aspeado pois esses neoativistas apesar de serem vistos e citados como negros e do movimento negro, não entendem nem representam o pensamento médio e nem se atém à premissas basilares do movimento negro tradicional.

Vou poupar tempo de escrita e ao invés de explicar aqui o que penso sobre o colorismo desatinado desses neoativistas deixo o link para um texto meu de 7 anos atrás, e que hoje me parece super atual…

MOVIMENTOS NEGROS OU MOVIMENTO PRETOS: A ABRANGÊNCIA X A RADICALIZAÇÃO

A escolha de Fabiana Cozza foi submetida à família e mais, aprovada pela própria Dona Ivone em vida, dada a proximidade das duas, conforme declarado pelo neto de D. Ivone, ai chega meia dúzia de “cromopatrulhadores” e “entendem” que nada importa além do matiz exato de pele… .

Pois é, não temos que nos calar contra as besteiras e DESSERVIÇO à causa que essa turminha radical vira e mexe produz. Não dá para “passar o pano” só porque são negros e negras que em tese estão do mesmo lado da luta, podem estar mas estão equivocados, e diz o ditado: “Quem não ajuda, não atrapalhe” … .

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Mozart não era Negro (ou quando neoativistas queimam o filme)

Tem um pessoal por ai que se diz ativista de movimentos negros (ou melhor, de “movimentos pretos”…) prestando tremendo desserviço, não vá na deles. 

Há uma página sendo muito disseminada entre jovens ativistas e simpatizantes da causa negra, que tem como característica fazer um eurocentrismo avesso, ou seja, assim como é comum e “tradicional” o branqueamento de figuras históricas, os mantenedores da página na intenção de pretensamente combater esse branqueamento, acabam por passar por cima e até forjar “evidências” tentando “enegrecer” quem nunca foi negro… . 

O caso mais gritante é o de Mozart. Tudo começa quando lá por 2010 ou 2011, o editor da revista Pride, dedicada à comunidade africana e caribenha do Reino Unido, afirma ser evidente a existência de um complô com a finalidade de ocultar a origem negra de Beethoven. Shabazz Lamumba, autor do artigo, afirma se tratar de um desejo dos brancos em se apropriar do compositor. Ai, algum iletrado que aparentemente  mal domina o idioma inglês, ou então muito mal intencionado, a partir  disso e de uma antiga campanha, feita para o lançamento de um novo programa (de Jazz)  em uma rádio belga (Rádio Klara) especializada em clássicos em que Mozart aparecia “black” (obra de photoshop), resolveu tomar como “verdade” que Mozart era “mouro” ou negro.  Não era. 

Imagem alterada de Mozart para a campanha da rádio Klara.

Para piorar, mistura o caso com o de Joseph Bologne, também conhecido como  Chevalier de Saint Georges.  Esse sim um negro, filho de um nobre francês com uma escrava  que tinha no Caribe ( Nanon, da ilha de Gadaloupe) . Incrivelmente o nobre assumiu o filho (e discretamente a mãe) quando teve que retornar as pressas para a França, educando-o com o que havia de melhor. 

Joseph Bologne tornou-se um exímio esgrimista e mestre da música, tão bem sucedido e famoso em sua época,  que acabou por inspirar Mozart. Hoje muitos se referem a ele como “Black Mozart”, “Mozart noir” ou “Mozart negro” (mesmo tendo sido ele o “inspirador” não o inspirado)…

Portanto meus caros e minhas caras, não seria preciso “forçar a barra” intentando tornar Mozart negro, para fins afirmativos, quando já se tem um real negro entre os mestres da música clássica, que inclusive inspirou o mestre Mozart… . Tiro no pé, pura e simesmente.

Melhor seria divulgar a pouco conhecida história de Joseph Bologne… (link abaixo)

http://pqpbach.sul21.com.br/2016/01/25/joseph-bologne-chevalier-de-saint-georges-1747-17992-concertos-do-violinista-negro-que-influenciou-mozart/


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Sobre um vídeo louco…

Sou contra linchamentos virtuais, mas também sou contra a falta de limites e a fala criminosa travestida em “direito de expressão”. Essa figura abjeta cujo nome é ALTAIR GENÉSIO, do RJ (foto abaixo) e autor de um vídeo absurdo e viral (que me recuso a reproduzir), não pode ser considerado uma pessoa normal, só pode estar gravemente adoecido pela confusão das ideias, pela fusão da mais tresloucada homofobia com o fanatismo religioso, caso para uma internação judicial para tratamento psiquiátrico.

Mais que veemente repudiar a pessoa, meu repúdio vai para as ideias expressas e principalmente para todos que sob uma capa de conservadorismo retrógrado e/ou fanatismo religioso endossam e estimulam o mesmo discurso.

Por fim, quero lembrar aos que para criticar o discurso se atentaram também ao fato de ser uma pessoa negra, primeiro é importante deixar  claro que não há qualquer vínculo (e nem o mesmo coloca) entre a sua condição de negro e seu discurso tresloucado, logo não há qualquer “representatividade”, sequer intenção, que mereça por esse viés referência ou repúdio. Aliás, essa é uma prova óbvia do que dizia o Dr. Martin Luther King Jr. :

“Os negros são humanos, não super-humanos. Como qualquer um, possuem personalidades diversas, interesses financeiros e aspirações distintas. Há negros que jamais lutarão pela liberdade, há outros que procuram obter com a luta, vantagens pessoais e há outros que colaboram com os opressores. Tais fatos, não devem ser motivo de desespero. Todo grupo e todo povo possui sua parcela de covardes, oportunistas, e traidores. Os golpes do martelo do racismo e da pobreza fatalmente tem que perverter e corromper alguns. Não se pode pensar que o fato de um povo ser oprimido, leve todos os cidadãos a serem virtuosos e dignos.”

Portanto, olhem e batam no que realmente é o problema, uma mente humana envenenada e adoecida pelo conservadorismo retrógrado, ódio e fanatismo religioso.  Sem contemporizações.

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Quando negr@ é má ideia…

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Ontem me deparei novamente com uma nada nova e original discussão acalorada, gerada por uma postagem em que se utilizou a expressão “página negra da História” . Nela tinha gente incomodada com o termo e indicando vínculo do termo com racismo e gente na mão contrária, alegando que tinha “nada a ver” e que a reclamação era “exagero e mimimi”.

Então, vamos por partes entender a questão.

Sim, os termos, escuridão, trevas, negro e negra, representam negatividade e “mal” na cultura ocidental muito antes da intensificação dos contatos entre europeus, africanos e o novo mundo, com o advento das “grandes navegações” (européias…,  bem dito, pois outros povos como os chineses já faziam circunavegação muito antes, africanos chegaram as Américas  muito antes também…, mas isso é outra história) da instituição da escravidão negra e tráfico transatlântico, antes da própria  “invenção da raça” por Linnaeus no XVII, logo, não são exclusivamente de cunho racista.

Ocorre porém, que aproveitando essa estigmatização tradicional do escuro e negro na cultura ocidental, é que foram escravizados e nomeados NEGROS, tanto africanos quanto os indígenas americanos…, esses últimos chamados “Negros da terra”, ou seja, existe sim uma forte ligação e tributo entre racismo e a estigmatização via a “negrificação” de “coisas ruins”.

A própria mentalidade racista introjetada, não é percebida pela grande maioria das pessoas, especiamente no nosso contexto brasileiro, que adota o metaracismo (racismo cínico, velado, e que não se admite como existente, por vezes posando de antiracismo), logo, também não percebem que manter e reforçar as estigmatizações com base na ideia generalizada de coisas negras como “ruins” e brancas como “boas”, é também um dos fatores de manutenção da estigmatização racista.

Não se trata de “riscar do vocabulário” o termo negro(a), inclusive apropriado e resignificado pelos próprios negros, mas de “se educar” para não utilizar o termo em construções negativadoras e depreciativas…, pois assim agindo se está colaborando para manter na sociedade a ideia geral de “branco é bom, negro é ruim”, o que no fim acaba refletindo na mesma visão em se tratando de pessoas, ou seja, ajuda a preservar a mentalidade racista e consequentemente as atitutudes e atos racistas. Simples assim… .

Apesar de não haver estigmatização e negatividade tradicional no termo branco e derivados, imagine-se enquanto pessoa branca ouvindo as seguintes frases: ” o lado branco da força, não pode triunfar” , “precisamos apagar essa página branca de nossa história”, ” branco destino da pobre mulher”, ” a política nos atinge como uma peste branca”, “Você está DEBRANQUEANDO a minha reputação” (denegrir significa, tornar negro, enegrecer, e não por coincidência também manchar ou sujar…) , desconfortável não ?, ver sua identificação e “cor” tão associada ao negativo.

Portanto, antes de acusar quem reclama da utilização negativadora  do termo negro, de “mimimi”, “exagero” ou “paranóia”, pare e pense na etimologia do termo, no seu uso histórico, que hoje pode e deve ser evitado, no desconforto “do outro” e principalmente no seu papel para tornar esse mundo menos preconceituoso, discrimatório e  desigual.

As línguas evoluem conforme as sociedades e as consciências evoluem, não há motivos para continuarmos usando coloquialmente termos e expressões como há 3 séculos passados, principalmente se hoje as entendemos verdadeiramente em sentido e esse sentido não é bom… .


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Endogamia é majoritária no Brasil

endogamia-brasil

Desmistificando a ideia de que o Brasil é um país miscigenado (ao invés de multirracial e miscigenado) e que tende a ficar cada vez mais miscigenado e correndo o risco de “desaparecimento” de qualquer um de seus grupos étnico-raciais por conta da miscigenação (aliás malogrando a teoria defendida pelos racistas científicos na década de 20 do século passado, de que por meio das sucessivas miscigenações o elemento negro desapareceria visualmente do país antes da virada do século, se tornando o país de aparência branca).

Observem no gráfico acima, que homens pretos unidos com pretas são 50,3% e com pardas outros 22,9%, ou seja, 73,3 % dos pretos estão com mulheres Negras (pretas ou pardas), apenas 25,5% estão com brancas, no caso dos pardos é semelhante, ao final permanecem em 74,9% unidos a negras (pretas e pardas) e similarmente 24,4% com brancas,  quando visualizados os brancos não é muito diferente, 73,7% são endogâmicos mas 26,6 (até um pouquinho mais que os negros)  não o são…, porém mesmo ai percebe-se uma proporção equilibrada de coisa de 2/3 de endogâmicos tanto em brancos quanto negros (lembrando novamente Negros=pretos+pardos).

Já os indígenas por incrível que pareça são um pouco menos endogâmicos que brancos e negros, conseguem manter 68,1 % de endogamia,  porém a “supresa maior” está com os “amarelos”, ou melhor, com os asiáticos (que o senso comum imaginava serem os mais endogâmicos, mas é justamente ao contrário) que mantém-se apenas 38,8% endogâmicos e proporcionalmente só não se unem a negras mais que os próprios homens negros, no quesito “desencalhe” para as negras em geral são bem mais promissores que brancos e de indígenas.

Conclusão, destruídos vários argumentos falaciosos de uma vez só, a saber :

1- O de que “negros preferem as brancas”

2- Que brancos “não casam com negras”

3- Que asiático-brasileiros são extremamente endogâmicos

4- Que índios pela etnicidade tendem a se “preservar” mais com a endogamia.

Ah ! e obviamente que nenhum, absolutamente nenhum outro homem se une mais à mulher preta que o próprio homem preto, portanto cobrem a “solução” da “solidão da mulher negra” também dos outros grupos masculinos e das próprias mulheres que apostam na fórmula “endogamia ou celibato”, as estatísticas comprovam que é possível ser feliz  no amor para além da cor… .

Tem mais um detalhe… esses dados são de Uniões estáveis/CASAMENTOS…,  é preciso visualizar que não reflete necessariamente todos tipos de relacionamentos…

Não deixem de seguir o link para  matéria jornalística sobre o assunto:

http://exame2.com.br/mobile/brasil/noticias/brasileiros-preferem-casar-dentro-da-propria-etnia


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Fidel profeta? , 1973 : “Estados Unidos dialogará com Cuba quando tiver um Presidente negro e houver um Papa latino-americano”

Montagem by Blogdojuarez

Montagem by Blog do Juarez

Correndo ai pela web, e não poderia deixar de registrar aqui no blog .

Era o ano de 1973 e Fidel Castro, Primeiro Ministro de Cuba, retornava de uma visita ao Vietnã  antes do final da guerra, quando em um encontro como jornalistas internacionais, foi perguntado pelo britânico Brian Davis, “Quando acredita que poderiam se restabelecer as relações entre Cuba e EUA ? “, memorialistas registram que nesse momento Fidel com um olhar fixo no interlocutor, falou bem alto, de modo que todos presentes puderam ouvir : ” Estados Unidos vendrá a dialogar con nosotros cuando tenga un presidente negro y haya en el mundo un Papa latinoamericano” (acho que não precisa tradução mas…, basicamente disse “Quando os EUA tiverem um presidente negro e o Papa for latino-americano”), o que na conjuntura só poderia ser interpretado como uma resposta grandemente irônica .

O vaticínio soou como pilhéria para a maioria, já que ambas as condições pareciam ser pouco prováveis (pelo menos em curto espaço de tempo), principalmente quando sincronizadas.

Passados 42 anos as palavras de “El Comandante” se confirmam, claro que se não havia como saber se e quando os eventos do presidente negro e do papa latino-americano ocorreriam, ao ocorrerem não deve ter sido muito difícil convencer ambos que a segunda parte da profecia já não dependia do acaso, mas da boa vontade, primeiro do Papa em funcionar como facilitador desse diálogo e depois de Obama em marcar esse ponto histórico, e de quebra atribuir ao líder cubano mais um elemento “messiânico” à sua já legendária figura, o de Profeta… .


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Momento Histórico – Registro

foto-históricaSeguindo a minha “neoveia” de Historiador, aproveito para dar uma “facilitada” na vida de futuros pesquisadores (provavelmente “arqueólogos e historiadores digitais”), reproduzindo o registro de um momento histórico, até aonde sei  tal  reunião e registro  é extremamente peculiar,  o encontro e registro fotográfico das altas autoridades dos três poderes estaduais nem tanto, somado o Arcebispo local, mais raro, mas tudo junto e somado a um “Pai de Santo” (Sacerdote de Matriz Africana) militante LGBT e Negro e ainda na Catedral metropolitana, tem 99,99% de  probabilidade de  NUNCA  ter ocorrido antes…, um indicativo forte de que o respeito à diversidade pelo menos nas altas esferas do Amazonas está bem encaminhada…, e um “tapa na cara” dos intolerantes e ignorantes (é redundante mas não custa frisar) que passam dia e noite falando em “Diabo”, demonizando os cultos e praticantes das religiões afrobrasileiras e com atitudes e discursos homofóbicos, ou racistas;  bom seria se em todas as camadas da sociedade e situações sucedesse o mesmo nível de tolerância e respeito mútuo.