Blog do Juarez

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2017 – VIGÉSIMO NONO ANIVERSÁRIO DE ATIVISMO NEGRO

Só agora me dei conta que minha primeira palestra oficial, que ocorreu no centenário da abolição (1988) ao contrário do que aparentemente todo esperavam, não versou sobre os horrores do cativeiro, nem sobre a “bondade da princesa”, muito menos admitiu a abolição como “marco da igualdade”,  foi sobre… PÓS-ABOLIÇÃO (muito embora seguindo o meu natural “braudelianismo”, ou seja,  tendência em problematizar utilizando recortes temporais e geográficos mais amplos que os nominais aplicados aos eventos-título) pois parti das leis antiescravidão que antecederam a  lei áurea,  bem como,  de uma ácida crítica ao uso da Guerra do Paraguai para iniciar o processo de branqueamento do Brasil, já que a abolição era um processo em evolução e questão de relativo pouco tempo.

Na época eu tinha acabado de concluir a faculdade, era um cara de exatas/tecnologia, nem me passava pela cabeça um dia ser um pesquisador em História, mas ali, em uma época em que não havia Internet, fiz uma pesquisa e palestrei em um tema que só bem recentemente passou a empolgar os historiadores… o PÓS-ABOLIÇÃO😉. É verdade, “mato a cobra e mostro o pau” :

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Um novo olhar sobre o 13 de maio

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Se você é brasileiro e já era adulto na virada para o século XXI, de certo fez vários trabalhos e cartazes escolares sobre o 13 de maio, talvez teatrinhos ou mesmo tenha participado de festividades e solenidades alusivas à abolição da escravidão no Brasil ocorrida no 13 de maio de 1.888 .

Alguns notaram, outros não, que nos últimos anos isso tem mudado e bastante. O 13 de maio perdeu força enquanto data comemorativa vinculada à população negra. Sendo paulatinamente evidenciado em seu lugar o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, homenageando Zumbi do Palmares. No entanto o 13 não foi simplesmente desvalorizado ou descartado pelos movimentos de negritude e pelo poder público, ele foi resignificado e passou a ter outras funções que não a comemoração da abolição (mal contada e mal feita).

Através de diversas leis fomentadas pelos movimentos de negritude, a data ganhou novas motivações e intenções, mas basicamente aproveitando uma tradição da Umbanda, religião de matriz africana que vincula o 13 de maio aos pretos velhos, espíritos iluminados de antigos escravos que se manifestam e trabalham pelo bem promovendo aconselhamentos e curas, transformou o 13 em dia das religiões de matrizes africanas, mas não apenas, a denúncia do racismo e exigência de reparações também.

Abaixo alguns exemplos:

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Enfim, apesar das diversas oficializações como datas “comemorativas”, na verdade o espaço foi políticamente marcado como de visibilização e reflexão/conscientização e não mais como uma ode à “bondade da princesa” e “marco definitivo da igualdade”, aliás no Amazonas a abolição ocorreu 4 anos antes do 13 de maio, no 10 de julho de 1884, ou seja, era um processo nacional irreversível e produto de uma luta com muitos atores, incluindo os próprios negros.

Para mim a data também guarda significado especial, foi nela em 1.988, o centenário da abolição, que fiz a minha estréia oficial como ativista da causa negra, sendo orador oficial na sessão especial da Câmara Municipal de Pindamonhangaba, já naquela primeira fala pública, desviei a esperada homenagem à princesa e ode à “igualdade” nascida há então 100 anos, para um crítico e ácido discurso crítico que foi inclusive à sistemática tentativa de eliminação dos negros via guerra do Paraguai…, teve gente embasbacada com as denúncias de que o 13 era quando muito um começo mas não um fim,  e até lágrimas…, ano que vem, ainda estando no planeta, serão 30 anos de luta.

 


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25 anos de ativismo oficial na causa negra, o “jubileu de prata”…

Ativista-prata

Ainda na esteira da “geral nas gavetas” nesse feriadão de Corpus Christi, localizei um documento que nem lembrava mais que existia, não tinha me dado conta que justo no mês que termina, completei oficialmente 25 anos de militância/ativismo no movimento negro (na realidade obviamente comecei um pouco antes, na co-fundação do CEDECONEP- Centro de Desenvolvimento da Consciência Negra de Pindamonhangaba (SP), que ocorreu como consequência dos preparativos para o ano do centenário da abolição (1988), mas nem sei com quem ou onde andam tais registros, se é que ainda existem).

No entanto, a  participação como orador oficial na solenidade da Câmara Municipal de Pindamonhagaba (interior de SP) em função do centenário da abolição, como registrado no documento abaixo, além de ter sido efetivamente minha primeira palestra, a primeira na temática e a primeira em âmbito oficial do poder público,  é a que tem o primeiro registro formal de minhas atividades enquanto ativista da causa negra.

Pois é…, as vésperas do meu meio centenário de vida, me toquei que dediquei metade da minha vida a essa causa, e pelo jeito vou ter que dedicar a outra metade e encerrar a vida sem ver o objetivo final concluído, mas a luta continuará até a vitória final, até o último guerreiro ou guerreira, minha homenagem à tod@s ativistas da causa e em especial à aqueles da “geração do centenário”  e mais antigos.

Homenagem da Câmar de Pindamonhangaba em 1988.

Homenagem da Câmara de Pindamonhangaba em 1988.


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Morreu Shangai, o mago do carnaval carioca

Foi no domingo, 28 de abril, só fiquei sabendo agora, para quem não conheceu…, no link  uma bela matéria sobre seu trabalho  http://www.naavenida.com.br/2013/04/28/rio-morre-shangai-o-mago-do-aluminio/#respond

Shangai gostava muito de Manaus, e além de carnavalesco, tinha ativismo nas questões de cultura e consciência negra, a foto abaixo fiz na avenida Eduardo Ribeiro, aqui em Manaus, durante a marcha Zumbi Vive! (Dia da Consciência Negra) de 2007 .

Shangai, no Dia da Consciência Negra - Manaus 2007

Shangai, no Dia da Consciência Negra – Manaus 2007

Que Yansã o conduza a bom lugar no Órum… , valeu Shangai !

 

 


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O CIBERATIVISMO chegou, e veio para ficar…

ciberativismo2Apesar de muita gente estar só agora percebendo o ativismo social e político praticado através da rede mundial de computadores (inclusive a classe política), ele não é exatamente “novo”, já era praticado através de grupos de discussão em listas de email, ganhou alguma força anos atrás com o surgimento das redes sociais como o  já esvaziado Orkut (com seus grupos de discussão e os famosos JPEGs) e amadureceu com  a chegada do Twitter (e suas famosas # / hashtags) e do facebook (que serve muito bem não apenas para campanhas virtuais, mas também organizar e mobilizar para eventos presenciais).

Porém, a consolidação está se dando mesmo é com a utilização de uma ferramenta antiga e velha conhecida da democracia, a petição pública (mais conhecida entre nós como “abaixo-assinado”),  que em suas versões cibernéticas ganharam um novo fôlego e sentido.

Agumas organizações especializadas, oferecem o simples serviço de petição e sem maiores questionamentos ou posicionamentos; outros, não apenas oferecem o serviço de disponibilização de campanhas virtuais através das petições, como também acompanham e realizam a entrega e até o “Lobby” junto as instâncias de poder a quem são direcionadas, é o caso do AVaaz (que significa “voz” em várias línguas européias, do oriente médio e asiáticas ) que é uma ONG surgida no Canadá, mas que pode ser definida com TRANSNACIONAL, como o objetivo de “mobilizar pessoas de todos os países para construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas querem”. Hoje o Avaaz é a maior plataforma desse tipo no mundo e conta com mais de 20 milhões de membros (participantes) que  se manifestam em uma ou mais das campanhas desenvolvidas.

Para tal segundo o seu site, o faz ” Operando em 15 línguas por uma equipe profissional em quatro continentes e voluntários de todo o planeta, a comunidade Avaaz se mobiliza assinando petições, financiando campanhas de anúncios, enviando emails e telefonando para governos, organizando protestos e eventos nas ruas, tudo isso para garantir que os valores e visões da sociedade civil global informem as decisões governamentais que afetam todos nós”,  importante frizar que no caso do Avaaz não há “neutralidade” ele foi criado para apoiar causas de real interesse popular e humanitário, logo, não aceita campanhas que vão em sentido contrário.

Alguns ativistas mais ortodoxos (e paradoxalmente também boa parte dos que são alvo do ciberativismo) costumam ironicamente dizer que esse é um  “ATIVISMO DE SOFÁ”, os primeiros por não compreenderem direito a dinâmica da sociedade no atual estágio da era da informação em que o presencial cada vez mais perde espaço para o virtual; já  os segundos,  tem obviamente o intuito de tentar minimizar o valor desse tipo de ativismo que é muito mais fácil de ser realizado do que o convencional, com deslocamentos custosos, em conflito com horários de trabalho/estudo e necessidade de infraestrutura e organização (quase sempre dificultosas), ou seja, é mais fácil e  tão eficiente quanto o convencional e portanto não lhes agrada.

O que é preciso ficar claro é que hoje gastamos normalmente muitas horas de nosso tempo no ciberspaço, um evento convencional como uma passeata tem o objetivo de chamar a atenção das autoridades, da imprensa e do público ainda não envolvido, clamando por atenção e solução e demonstrando que existe uma adesão popular (e teoricamente o poder emana do povo, logo a sua “voz” deve ser ouvida), antigamente isso só era possível indo para as ruas e praças, para a frente dos orgãos ou invadindo-os, enfrentando por vezes repressão pesada (gás lacrimogênio, jatos d’água, cães e cacetetes, balas de borracha e em alguns casos de verdade…), hoje, assim como o povo e a mídia estão nas ruas e as autoridades nos gabinetes, também estão todos no ciberspaço, e é possível atingir os objetivos de ambas as formas (melhor ainda se combinando as duas) .

Aliás,  tanto governos e suas instâncias,  como políticos mais antenados (e até a iniciativa privada), já se tornaram muito sensíveis ao ciberativismo, alguns instalando inclusive suas próprias plataformas de petições populares, um exemplo é o “We The People” (Nós o Povo) da Casa branca, em que qualquer petição com mais de 100 mil assinaturas é obrigatoriamente analisada e submetida à apreciação governamental e recebe uma resposta OFICIAL. No Brasil  há projeto no Senado para que a prática da participação popular por meio de petições públicas, tenha maior força e interferência oficial direta nas decisões antes tomadas apenas pelos representantes eleitos do povo (e isso é bom porque permite que a sociedade se manifeste diretamente em questões surgidas nos intervalos entre as eleições ou quando seus representante eleitos não estão de fato representando seus interesses, ou mesmo para apoiá-los quando estão em lutas contra os adversários do socialmente interessante).

E para finalizar, se antes, para mostrar a sua insatisfação e posicionamento, você escrevia um cartaz em cartolina, faixa ou simples folha de papel e ia se aglomerar junto com centenas ou milhares de outras pessoas para ser visto, e quando não conseguia ou tinha dificuldade para ir a essas manifestações, ficava chateado(a), SEUS PROBLEMAS ACABARAM ! , surgiu a PASSEATA ONLINE, você manda a sua foto segurando o cartaz para a página/grupo da campanha e todo mundo (inclusive quem você deseja pressionar) vai ver… , Ó que legal …. 🙂 : http://www.facebook.com/pages/Feliciano-N%C3%A3o-Me-Representa/252153391588919?ref=ts&fref=ts

MODERNO….  🙂 ! curtir


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Na TV …

Hoje achei uns vídeos com entrevistas minhas para TV, para registro estão ai … :

Mais recente (nov 2012)

Juarez-G1-20112012

Clique na imagem para ver a entrevista

E uma outra mais antiga no AMAZONSAT creio que em 2009