Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


Deixe um comentário

Vamos falar de “CONSCIÊNCIA NEGRA” X “CONSCIÊNCIA HUMANA” ?

Complete as frases com o que faz mais sentido utilizando negra(o)s ou humana(o)s:

Maria foi discriminada na escola por ser ____________________

O IBGE afirma que ________________ ganham em média X% de colegas brancos com mesma formação

Antes das cotas as universidades públicas eram ocupadas em 75% por brancos(50% na população), 2% de “amarelos” (1% na população) e o restante 23% por__________________ (49% na população).

As chances de um jovem____________________ morrer violentamente é 200% maior que a dos demais.

O SUS detectou que mulheres ________________ parturientes recebiam menos anestesia que as demais.

A Consciência __________________ é importante porque 75% da história do Brasil eles os ______________ foram oficialmente escravizados, o que causa prejuízo social até os dias atuais…

A capoeira, patrimônio cultural da humanidade surge no Brasil no âmbito da cultura ________________

E ai ? ficou bacana e fez sentido ? 🤷🏿‍♂️


Deixe um comentário

CAXIAS E O MEDO BRANCO.

No 25 de agosto, Dia do Soldado, homenagem à data de nascimento do patrono do Exército, uma reflexão um pouco “diferente”.

Caxias se notabilizou por ter “pacificado” (termo militar para a neutralização pela força/violenta) várias revoltas populares, muitas com base e alta participação negra, além de grande comandante da Guerra do Paraguai. Em tese a “manu militari” serve ao poder constituído de um Estado, garantindo seus interesses e suas políticas de defesa (eventualmente de conquista) e manutenção da ordem, é portanto essencialmente patriótica, apesar disso não significar sempre algo “moral, ético e humanitário”, pelo contrário, ainda mais visto à distância no tempo. Pouco lembrado é o episódio vil de traição e massacre dos Lanceiros Negros da revolução farroupilha urdida entre o General rebelde David Canabarro e o então Barão de Caxias, conforme explica Daniel Isaia:

“Em novembro de 1844, conforme combinado entre os dois líderes militares, Canabarro ordenou à tropa de Lanceiros Negros para que fosse desarmada até o cerro de Porongos e lá montasse acampamento. A Caxias, coube ordenar às tropas imperiais para que também se deslocassem até o local para combater os farroupilhas que lá estivessem. Eis um trecho da carta enviada pelo Barão de Caxias ao comandante imperial Francisco Pedro de Abreu, líder das tropas que atacariam os Lanceiros Negros:

‘Poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou dos índios, pois bem se sabe que essa pobre gente ainda pode ser útil no futuro.’

Desarmados e pegos de surpresa às 2h da madrugada, os negros farroupilhas foram dizimados pelos soldados imperiais. O massacre resultou na morte de centenas de lanceiros (as versões variam entre 170 e 800 mortos). Os poucos que sobreviveram foram enviados ao Rio de Janeiro para serem reintroduzidos à vida de escravidão e trabalhos forçados.”

Mais adiante Caxias comandou a campanha do Paraguai, aonde boa parte da população negra foi dizimada nas linhas de frente. No entanto, antes de abandonar o comando, assumido pelo genro do Imperador, o Conde D’Eu, Caxias “reconhece” o valor dos combatentes negros e o temor que finda a guerra os valentes e experimentados soldados negros sobreviventes fizessem tal qual no caso do Haití a tomada do poder e eliminação da população branca. Conforme trecho extraído de texto do Frei David da EDUCAFRO:

” A guerra do Paraguai (1864-1870) foi um dos instrumentos usados pelo poder para reduzir a população negra do Brasil. Foi difundido que todos os negros que fossem lutar na guerra, ao retornarem, receberiam a liberdade e os já livres receberiam terra. Além do mais, quando chegava a convocação para o filho do fazendeiro, ele o escondia e, em seu lugar, enviava de 5 a 10 negros.
Durante a guerra, o Exército brasileiro colocou o nosso povo negro na frente de combate e foi grande o número dos mortos. Para se ter uma idéia, a população negra do Brasil era de 2 milhões 500 mil pessoas (45% do total da população brasileira). Depois da guerra, diminuiu para 1 milhão 500 mil pessoas (15% do total da população brasileira).
Os poucos negros que sobraram, eram os que sabiam manejar as armas do Exército. Duque de Caxias escreve para o imperador demonstrando temor sobre o fato:

‘[..] à sombra dessa guerra, nada pode livrar-nos de que aquela imensa escravatura do Brasil dê o grito de sua divina e humanamente legítima liberdade, e tenha lugar uma guerra interna como no Haiti, de negros contra brancos, que sempre tem ameaçado o Brasil e desaparece dele a escassíssima e diminuta parte branca que há!’. ”

OBS. HÁ ERRO INDUZIDO NOS NÚMEROS APRESENTADOS NESSE TEXTO CITADO DO FREI DAVID, NOTA EXPLICATIVA AO FINAL.

Para o bem da pátria e sorte da “diminuta parte branca” de então, os heróis negros não eram vingativos e traiçoeiros e nem agiram coordenada e intencionalmente para eliminar os que estavam no caminho da sua liberdade e interesses.

Portanto, nesse Dia do Soldado, nossa homenagem à todos brasileiros(as) que já vestiram um uniforme e com suor, sangue, lágrimas e espírito cívico defenderam ou se prepararam ou preparam para defender a pátria, a segurança e dignidade da população não apenas brasileira como a de países amigos, mas muito especialmente à todos os soldados negros que muitas vezes receberam históricamente ingrata paga pelo sacrifício, dedicação e honra.

* NOTA

Estranhei os números e pesquisando encontrei o motivador do erro… . Por isso que digo que é importante dominar e utilizar corretamente as CATEGORIAS e ter uma leitura mais ampla para tentar evitar as ciladas. Entendo que o erro no texto do Frei David, não se trata de desonestidade poderia ser cometido por qualquer outro mais desatento. Vejam o print anexo de texto em livro do Dagoberto Fonseca fazendo um apud no Chiavenato.. 😉

São vários erros de AMBOS, que levaram a posteriores replicações equivocadas. Ao usar negro como sinônimo de preto, se interpreta errado, já que negro não é opção censitária, mas a soma dos autodeclarados pretos e pardos (e isso desde 1872). O “povo”, especialmente a imprensa, fica insistindo no uso equivocado de ” negros e pardos”, isso quando não apela para termos que nunca foram usados demograficamente como “mulatos” .

Outro erro é ler automaticamente negro como escravo no pré-abolição, a população negra (ou seja, preta e parda) a partir da 2a metade do XIX já era majoritariamente nascida livre ou liberta… .

O Chiavenato induziu ao erro ao ver a população escrava antes da guerra do Paraguai e depois, e imaginar que a diferença de 1 milhão a menos era exclusivamente efeito da guerra… . Parcialmente sim, mas na verdade o que ocorreu foi uma grande mudança geral de status de escravizado para liberto… . O tal “milhão de negros” (na verdade escravizados) não “desaparecereu”, a maioria apenas deixou de ser escrava, muito embora um número nada desprezível tenha de fato sido dizimada na guerra.


Deixe um comentário

Um dia em um mundo sem negros

sem-invenções-negras

Essa é uma estorinha muito interessante, disponibilizada no site de uma das pessoas tidas como um dos maiores gênios científicos da atualidade, Philip Emeagwali  (vale a pena conhecer sua biografia), já tendo passado por várias traduções e adaptações, essa é uma delas, mas está bem fiel à original em Inglês.

Apesar de baseada apenas nos inventores/cientistas afroamericanos “modernos”, dá bem a ideia da contribuição negra para a civilização moderna (não vamos nem falar das antigas para a história de toda a humanidade), fatos desconhecidos da grande maioria das pessoas e que uma vez conhecidos podem mudar muitas visões preconceituosas… .

COMO SERIA O MUNDO SEM OS NEGROS ?
Philip Emeagwali 

O garoto, um dia, acordou e perguntou à mãe:

“Mãe, o que aconteceria se não existissem pessoas negras no mundo?” Sua mãe pensou por um momento e então falou:

“Filho, siga-me hoje e vamos ver como seria se não houvesse pessoas negras no mundo”. E, então, disse:

“Agora vá se vestir e nós começaremos” Theo correu para seu quarto para colocar suas roupas e sapatos.

Sua mãe deu uma olhada nele e disse: “Theo , onde estão seus sapatos? E suas roupas estão amassadas, filho, preciso passá-las”.
Mas quando ela procurou pela tábua de passar, ela não estava mais lá. Veja, 
Sarah Boone, uma mulher negra, inventou a tábua de passar roupa.

Jan E. Matzelinger, um homem negro, inventou a máquina de colocar solas nos sapatos. “Então… – ela falou – Por favor vá e faça algo em seu cabelo.”

Theo decidiu apenas escovar seu cabelo, mas a escova havia desaparecido. Veja, Lydia O. Newman, uma mulher negra, inventou a escova. Ora, essa foi uma visão… nada de sapatos, roupas amassadas, cabelos desarrumados.

Mesmo o cabelo da mãe, sem as invenções para cuidar do cabelo feitas por Madame C. J. Walker… Bem, vocês podem vislumbrar… A mãe disse a Theo : “Vamos fazer nossos trabalhos domésticos e, então, iremos ao mercado”.

A tarefa de Theo era varrer o chão. Ele varreu, varreu e varreu.
Quando ele procurou pela 
pá de lixo, ela não estava lá. Lloyde P. Ray, um homem negro, inventou a pá de lixo.

Ele decidiu, então, esfregar o chão, mas o esfregão tinha desaparecido. Thomas W. Stewart, um homem negro, inventou o esfregão. Theo gritou para sua mãe: “Não estou tendo nenhuma sorte!”

Ela responde: “Bem, filho, deixe-me terminar de lavar estas roupas e prepararemos a lista do mercado”. Quando a lavagem estava finalizada, ela foi colocar as roupas na secadora, mas ela não estava lá. Acontece que George T. Samon, um homem negro, inventou a secadora de roupas. A mãe pediu a Theo que pegasse papel e lápis para fazerem a lista do mercado. Theo correu para buscá-los, mas percebeu que a ponta do lápis estava quebrada.
Bem… ele estava sem sorte, porque 
John Love, um homem negro, inventou o apontador de lápis. A mãe procurou por uma caneta, mas ela não estava lá, porque William Purvis, um homem negro, inventou a caneta-tinteiro.

Além disso, o negro Lee Burridge inventou a máquina de datilografia e outro negro, W. A. Lovette, a prensa de impressão avançada.

Theo e sua mãe decidiram, então, ir direto para o mercado. Ao abrir a porta, Theo percebeu que a grama estava muito alta.
De fato, 
a máquina de cortar grama foi inventada por um homem negro, John Burr.

Eles se dirigiram para o carro, mas notaram que ele simplesmente não sairia do lugar. Isso porque Richard Spikes, um homem negro, inventou a mudança automática de marchas e Joseph Gammel inventou o sistema de supercarga para os motores de combustão interna. Eles perceberam que os poucos carros que estavam circulando, batiam uns contra os outros, pois não havia sinais de trânsito. Garret A. Morgan, um homem negro, foi o inventor do semáforo.

Estava ficando tarde e eles, então, caminharam para o mercado, pegaram suas compras e voltaram para casa. Quando eles iriam guardar o leite, os ovos e a manteiga, eles notaram que a geladeira havia desaparecido. É que John Standard, um homem negro, inventou a geladeira.

Colocaram, assim, as compras sobre o balcão. A essa hora Theo começou a sentir bastante frio. Sua mãe foi ligar o aquecimento. Acontece que Alice Parker, uma mulher negra, inventou a fornalha de aquecimento. Mesmo no verão eles não teriam sorte, pois Frederick Jones, um homem negro, inventou o ar condicionado.

Já era quase a hora em que o pai de Theo costumava chegar em casa. Ele normalmente voltava de ônibus. Não havia, porém, nenhum ônibus, pois seu precursor, o bonde elétrico, foi inventado por outro homem negro, Elbert R. Robinson.

Ele usualmente pegava o elevador para descer de seu escritório, no vigésimo andar do prédio, mas não havia nenhum elevador, porque um homem negro, Alexander Miles, foi o inventor do elevador.

Ele costumava deixar a correspondência do escritório em uma caixa de correio próxima ao seu trabalho, mas ela não estava mais lá, uma vez que foi Philip Downing, um homem negro, o inventor da caixa de correio para a colocação de cartas e William Berry inventou a máquina de carimbo e de cancelamento postal.

Theo e sua mãe sentaram-se na mesa da cozinha com as mãos na cabeça. Quando o pai chegou, perguntou-lhes: “Por que vocês estão sentados no escuro?”. A razão disso? Pois Lewis Howard Latimer, um homem negro, inventou o filamento de dentro da lâmpada elétrica.

Theo havia aprendido rapidamente como seria o mundo se não existissem as pessoas negras. Isso para não mencionar o caso de que pudesse ficar doente e necessitar de sangue. Charles Drew, um cientista negro, encontrou uma forma para preservar e estocar o sangue, o que o levou a implantar o primeiro banco de sangue do mundo. E se um membro da família precisasse de uma cirurgia cardíaca? Isso não seria possível sem o Dr. Daniel Hale Williams, um médico negro, que executou a primeira cirurgia aberta de coração.

Então, se você já se perguntou, como Theo, onde estaríamos sem os negros? Bem, é muito fácil de ver. Ainda estaríamos no escuro!


Deixe um comentário

EPARREI !

yansã-4dezNão poderia deixar o dia acabar sem falar nadica, sobre ela… Yansã ou Iansã também conhecida por Oyá.

Para quem não sabe, Yansã é um Orixá feminino do panteão de divindades Yorubá, a “rainha dos raios”, a “melhor companhia na guerra” , “a companheira da Justiça” , a “sensualidade forte e cativante” , a “curiosidade e desejo de aprender” e também a “condutora dos mortos” para “o outro lado”,  e junto com Oxum e Obá é companheira de Xangô (o poderoso Orixá da Justiça).

Nas religiões brasileiras de matrizes africanas é muito cultuada, tanto nas mais antigas e africanizadas como é o Candomblé de Keto, quanto na Umbanda (religião genuinamente brasileira que recebeu elementos do Candomblé, Kardecismo, Catolicismo e cultos indígenas-derivados como a Jurema e  o Catimbó ).

Devido as restrições as práticas religiosas dos escravizados  trazidos de África e seus descendentes, como forma de resistência e a fim de manter os cultos as suas divindades africanas, foi desenvolvido o sincretismo religioso, que consistia em associar a divindade africana a um santo da igreja católica, ou seja, “botar o santo na frente” para cultuar sem maiores restrições a divindade “por trás”, estratégia bastante utilizada até os dias de hoje,  e principalmente  incorporada as tradições da Umbanda que por essência agrega elementos de várias religiões e por natureza é altamente sincrética,  sincretismo esse que há bons anos vem sendo reduzido e praticamente extinto dentro das tradições e práticas do Candomblé.

No calendário católico, o dia 4 de dezembro é o dia de Santa Bárbara, com quem  Yansã foi sincretizada devido as cores de vestimentas coincidentes (vermelho, ou vermelho e branco) e principalmente pela características  de “protetora contra” e “rainha/divindade” dos raios, atribuídas respectivamente a uma e outra, sendo assim o dia de Santa Bárbara passou a ser também o “Dia de Yansã”, os anti-sincretistas mais ferrenhos defendem a dissociação disso, mas a maioria dos adeptos de ambas religiões mantém o costume de “comemorar” Yansã no 4 de Dezembro.

Portanto fica aqui a saudação a essa importante divindade das religiões afrobrasileiras (e que “por acaso” 🙂 é meu Orixá de de cabeça, ou seja, minha “mãe-protetora”), EPARREI OYÁ !!!!


2 Comentários

“Sou feliz sendo prostituta” ????

Mensagem da campanha do Dia Internacional das Prostitutas que não foi aprovada pelo ministério (Foto: Reprodução)

Mensagem da campanha do Dia Internacional
das Prostitutas que não foi aprovada pelo
ministério (Foto: Reprodução)

Que me desculpem algumas feministas equivocadas e inclusive várias guerreiras do movimento de mulheres negras, que estão protestando nas redes sociais pelo cancelamento da campanha “Sou Feliz, sendo prostituta”, feito pelo Ministro da Saúde, campanha essa que foi gestada a partir de reivindicações do movimento da categoria (que aliás me parece salvo engano, ser mais um exercício afirmativo de algumas veteraníssimas profissionais do sexo já em busca de uma necessária aposentadoria, do que uma organização que parta da base majoritária e em idade mais produtiva da mesma).

Que a prostituição é uma das profissões mais antigas do mundo, vá lá…, que cumpra uma importante “função social”, idem,  que muitas mulheres se entreguem e permaneçam nela por livre e espontânea vontade, que seja…, que várias sejam “orgulhosas” (no sentido afirmativo) de sua condição, aceitável, que algumas sejam felizes, bom pra elas…; não sou de me posicionar de forma reacionária e nem moralista, e creio não o estar sendo agora, porém vejo grande diferença entre minorar a vulnerabilidade social desse grupo, incluir  as profissionais voluntárias no guarda-chuvas   das políticas previdenciárias e de saúde, bem como observar que as mesmas devem se encontrar amparadas pelo preconizado na declaração dos Direitos Humanos, e em outra mão criar campanhas estatais que minimamente funcionem como  “propaganda”  de um “modo de vida” que ao contrário do que muitos dizem e muitas “candidatas” pensam, não é nada fácil, muito menos “louvável”.

A prostituição apesar de realidade social, pode até ser abrigada, mas não deve em hipótese alguma ser  incentivada, muito menos pelo poder estatal;  pois é fator e resultado de desestabilização familiar, sócio-econômica, fomenta crimes como o tráfico de pessoas, exploração, prostituição infantil / pedofilia,  e enquanto “negócio”  não raro tem estreita relação com o narcotráfico e submete principalmente mulheres (e nem todas “felizes e  por amor à profissão”, muitas por extrema necessidade ou até mesmo coagidas) a situações  degradantes, entre elas a exposição aumentada às DSTs, problemas de saúde outros, violência e óbvio estigmatização social… .

O conceito da mulher “dona do corpo”  é uma coisa, a apologia a uma praga social que vitima sem que as vítimas muitas vezes se deem conta é outra. Houve tempo (inclusive na história recente da humanidade)  em que a prostituição forçada era usada como recurso de guerra, além de fator de fragilização do oponente, vide o caso das “mulheres de conforto” da Coréia e outros países asiáticos forçadas a se prostituir durante a II grande guerra pelas forças japonesas. Logo, independente de ser voluntária ou forçada, é dever dos governos conduzir ações para a sua redução (ou eliminação no caso da forçada) ou redução dos seus danos, mas nunca de forma a ser confundido com incentivo.

Costumo dizer que preconceito todos nós temos, em variados graus e focos, muitos são completamente infundados ou injustos, principalmente aqueles motivados por questões naturais, inatas ou acidentais como cor, gênero/homossexualidade, deficiências, étnicas, origem regional/nacional, enfim…; o que é um pouco diferente de alguns outros relacionados as “escolhas” completamente pessoais em que as próprias pessoas optam por se colocar em situações estigmatizantes/ estigmatizadas socialmente, quando exercem o seu direito ao diverso, mas devem estar cientes de que seu ato/escolha não será admirado por todos e que muito provavelmente lhe causará discriminações fora do seu “nicho comportamental/ ideológico”  até que individualmente se prove o contrário do senso comum sobre o objeto de discriminação. Ex. um(a) jovem muito competente profissionalmente mas que vai para entrevistas de emprego  com o cabelo pintado de azul, roupas “alternativas” e grande parte do corpo tomado por “arte corporal” …  e muito provavelmente terá ” alguma dificuldade” em se encaixar…, esse tem até o direito de reclamar, mas opção é opção, escolheu…, não nasceu assim nem ficou por conta de alguma fatalidade/ motivo adverso, tem o bônus da auto-satisfação mas também tem o ônus… .

Concordo plenamente com o Ministro Alexandre Padilha,  que disse : “Enquanto eu for ministro, não acho que essa tem que ser uma mensagem passada pelo ministério. Nós teremos mensagens restritas à orientação sobre a prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Respeito as entidades e os movimentos que queiram passar essa mensagem, mas é papel deles. O papel do Ministério da Saúde é estimular a prevenção às DST’s”, o Ministro também exonerou toda a equipe responsável pela equivocada campanha.


Deixe um comentário

Câmara de Araraquara institui o Dia de Ogum

Deu no Portal K3, logo após a notícia os nossos comentários…
” Câmara de Araraquara institui o Dia de Ogum
Cidade realiza este ano a quarta edição da festa em homenagem ao orixá
publicado em 17/04/2013 11:01 | Da Redação

Câmara institui o Dia de Ogum em Araraquara
Foto: Divulgação

A Câmara dos Vereadores de Araraquara aprovou por unanimidade o projeto que oficializa o 23 de abril como o Dia de Ogum no calendário municipal na votação realizada na terça-feira (16).
O projeto do vereador Roberval Fraiz atendia a um apelo dos praticantes das religiões de matriz africana da cidade.
A sanção será feita pelo prefeito Marcelo Barbieri no próximo domingo (210, quando a Federação Espírita de Umbanda e Candomblé do Estado de São Paulo (Fecumsol) realiza da 4ª Festa de Ogum, no Ginásio da Pista, a partir das 9 horas.
Durante a votação na Câmara, o presidente da Fecumsol, José Francisco Tomé dos Santos, usou a tribuna livre para explicar que a data lembra o dia em que São Jorge, ou Ogum no sincretismo religioso, foi degolado por ordem do imperador romano Deocleciano no ano 303. O guerreiro do Exército Romano se tornou um dos santos mais venerados no Catolicismo e é um dos orixás mais respeitados na Umbanda, responsável por guiar seus filhos de fé e abrir os caminhos mais difíceis. ”  (fonte : Portal K3 )  .

Pois bem, agora nossos comentários,  a uma primeira vista, muita gente vai dizer que isso é um “absurdo”, que o estado é laico e não deveria levar em consideração manifestações religiosas nem “favorecer” qualquer religião…; porém na prática não é o que ocorre, o estado brasileiro tem demonstrado em todos os níveis, que apesar de oficialmente laico, não é ateu…, muito menos imparcial com relação à religiosidade, basta ver em vários orgãos públicos a afixação por exemplo de crucifixos (símbolo da cristandade e muito em especial do catolicismo), a própria constituição em seu preâmbulo cita Deus…, o dinheiro possui a célebre inscrição “Deus seja Louvado” , algumas  casas legislativas tem no regimento interno que  sessões e audiências devem se iniciar com uma oração ou evocando a  benção e proteção divina para os trabalhos…, as forças armadas possuem em seu quadros e pagos com dinheiro público, oficiais capelães cujo objetivo é dar assistência e “conforto espiritual” à seus membros…, e por fim, basta observar os calendários oficiais tanto federal quanto estaduais e municipais para verificar o quanto estão recheados de feriados e dias comemorativos de cunho religioso… .

Sendo assim…, afinal ? o que é que “choca” na notícia e acontecimento ?, vos digo…, é o fato do poder público “desviar” o eixo do quase exclusivamente cristão/católico, para outras crenças… e principalmente para uma tão historicamente estigmatizada quanto a religiosidade afrobrasileira…, é isso que leva as pessoas a se chocarem e indignarem com uma situação que na realidade é muito comum porém sempre limitada à fé majoritária…

A Câmara de Araraquara erra ao fazer isso ?, os grupos afroreligiosos erram ao solicitar e fomentar essa “oficialização” de um dia de grande valor simbólico dentro de sua cultura/fé (mesmo que não majoritária) ???, a resposta é NÃO…, estão corretos e completamente de acordo com a legislação maior,  por exemplo a  LEI FEDERAL Nº 9.093, DE 12 DE SETEMBRO DE 1995. em seu Art. 2º diz ” São feriados religiosos os dias de guarda, declarados em lei municipal, de acordo com a tradição local e em número não superior a quatro, neste incluída a Sexta-Feira da Paixão.” , alguém mais afoito e menos informado poderia dizer que “Dia de Ogum” não é religioso  (ou mesmo toda manifestação das religiões afrobrasileiras “não são” religião, isso do seu ponto de vista etnocentrado e intolerante), ocorre que a Constituição abriga o direito a todos cultos e crenças, logo, se existe um coletivo cuja espiritualidade, crenças e práticas são comuns e seus membros assim o reconhecem enquanto prática e grupo religioso, não há diferença oficial entre esse e qualquer outro grupo religioso (mesmo que tradicional e majoritário), logo, tanto Ogum quanto o seu dia possuem significado religioso e se enquadram no escopo da lei.

Em uma segunda onda de reação, viria o argumento, ” Ah ! , mas apenas quatro feriados religiosos municipais são permitidos…, extrapolou, não pode ! ” , ocorre que no caso em questão, pelo menos pelo entendido da matéria, não se propôs feriado religioso e sim data comemorativa oficial, que são coisas diferentes… .

Apenas para concluir, a própria  LEI FEDERAL Nº 9.093 que regulamentou a questão dos feriados e datas comemorativas (civis e religiosos) se mostra passível de alteração visando maior elasticidade, pois não observou o disposto no artigo constitucional ao qual deveria ter dado detalhamento :

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.

§ 1º – O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

§ 2º – A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

Pois é.., para quem não sabe, a religião está inserida dentro do que se chama CULTURA de um povo ou população, observado ainda que os demais valores não-religiosos mas significativos para as diversas “etnicidades” (afro-brasileira e indígena citados textualmente) também são contemplados,  nossa lei maior ampara completamente a questão (e outras como por exemplo a transformação do dia do Ìndio e da Consciência Negra em feriado…), mas a lei infraconstitucional parece não ter dado “muita bola” para isso…, ainda reflete (veladamente) a ideia de que atendidas as maiorias, o que vier das minorias “extrapola” o razoável… . (e ainda tem gente que “não entende” o motivo de existirem movimentos de minorias que apenas lutam para fazer valer direitos naturais e/ou legalmente definidos, que apesar de existentes (e comuns para as maiorias) continuam a ser solenemente ignorados e/ou rechaçados  quando se trata de dar tratamento igualitário às minorias ) .

E por falar nisso…,  OGUM NHÊ ! (saudação em yorubá  para o Orixá Ogum).


1 comentário

Dia Internacional do DJ

DJTá ai um dia de justa homenagem aos profissionais que literalmente embalam as pistas e tocam os hits que ficam marcados em nossa vida , o DJ, ou Dee-Jay , abreviatura de Disc Joquei, o cara que comanda as pick-ups (toca-discos)  (e outros dispositivos que animam as festas e baladas, ah! e também alguns programas de rádio), parabéns a todos os DJs do passado e do presente.

Aproveito para expressar um dos meus orgulhos pessoais, que é o de um dia também ter podido por a moçada para dançar na pista e embalado muitas histórias. Fui um DJ pré-digital 🙂 . Tudo começou por volta de 1978 (os dias dos “Embalos de Sábado a Noite”), foi quando comecei a juntar equipamentos de som e luz que animavam primeiro o meu quarto de adolescente, até o dia da “estréia” oficial como DJ na festinha de conclusão do prédio que viria a ser o mercadinho que a  família possuiu por alguns anos em Pindamonhagaba-SP, depois foram surgindo outras festinhas simples em que “tocava”, até que em 1981, inaugurei meu próprio clube noturno, o SATURNO DISCO CLUB, com direito a cabine de DJ com ponte levadiça e uma razoável parafernália, meu “nome artístico” era “JUJU MEGAWATT”  🙂 .

No Saturno eu tocava mixando entre os bolachões de vinil e as fitas K-7 (naquela época ainda não havia CD nem microcomputadores), os clássicos da Disco Music, Eletrônica, Funk (americano) e os primórdios da dance music e rock nacional, mas também punha a moçada para dançar um bom e velho fórro tradicional (o pessoal adorava), samba para dançar junto e é claro não podia faltar as músicas românticas para o pessoal ter aquela oportunidade de “chegar junto” :-),.

A maior angústia de um DJ é não saber se o que ele está prestes a tocar vai “bater” com o pique atual da moçada, e pior ainda, é constatar que errou… (e acontece), porém é compensado quando se acerta em cheio e na virada para a introdução a moçada vibra e vai a loucura, ah! e ainda tem que ter bom senso para fazer as intervenções necessárias no microfone (o que pode animar ainda mais a galera ou virar uma  sonora vaia… 🙂 ).

Nessa época a discotecagem em geral se limitava a escolher as músicas,  fazer as viradas, animar a galera, comandar as luzes, eventualmente tocar a sirene ou fazer alguma gracinha como alterar a rotação, travar o disco, ou reiniciar a música depois da introdução,  não havia efeitos especiais nem os remixes…, quer dizer, as vezes se conseguia um disco de DJs já famosos de dicotecas badaladas e que já vinham mixados ou com versões disco de músicas antigas e famosas e com alguns efeitos produzidos nos estúdios; só para lembrar uns TOP DJs de quem eu era fã, o argentino radicado no Brasil, Santiago Malnatti mais conhecido como MISTER SAM ( que era também produtor musical e lançou a cantora LADY ZU e também a GRETCHEN) e o grande  Newton Banana do Banana Power. 

Pena não ter nenhuma foto daquela época exata, mas tem essa ai abaixo em que anos mais tarde eu estou tirando uma onda na mesa de som de uma rádio… 🙂 .

JU-DJHoje ainda guardo e toco em casa alguns dos vinis da minha época de DJ e tenho um mixer analógico PYRAMID 2700, em que controlo e combino o som de várias fontes como o CD Player, Toca-Discos de Viníl, Walkman K-7, Microfone e Microcomputador, ah ! e é claro, no computador mantenho um software de DJ digital (MP3 e videos) em que além de mixar é possível também criar músicas, aliás recomendo para quem quiser sentir o gostinho de fazer suas próprias mixagens e até se for o caso virar DJ nas festinhas que pintarem,  é o  VIRTUAL DJ . (que por sinal é grátis).

Have Fun !!!