Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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DE EMPRESÁRIO À EX-GARÇOM EM UM DIA…

Nenhum problema ser garçom ou ter sido, é uma digníssima ocupação. Mas me diga aí se não é estranhíssima essa “qualificação” que praticamente toda imprensa tem usado direto para o empresário preso e investigado por suspeitas muito fundadas de crimes financeiros, e que não tem saído do noticiário desde a semana passada?🤔

Tudo bem que é raríssimo, ver notícias que juntam pessoas negras e bilhões de reais em uma mesma matéria (mesmo que em notícias policiais), mas por que essa insistência em destacar essa ex-ocupação? Se há anos a pessoa para o bem ou para o mal se ocupa e é reconhecida socialmente como empresário, também foi pastor da IURD…, mas ninguém se refere à ele em lead jornalístico como “ex-pastor”.

Fica mais estranho ainda quando em situação parecida recente, a do “Rei do Bitcoin”, não se vê nenhuma outra referência ao investigado que não seja empresário ou “Rei do Bitcoin”… .

Outro dia escrevi sobre a “resistência” que muita gente opõe à pessoas negras associando a imagem à publicidade do luxo, ou mesmo às meras aspirações ao luxo e poder, como se essa humana característica, não pudesse pertencer aos historicamente estigmatizados.

Apesar dos contextos absolutamente distintos, parece que o tipo de “resistência” é o mesmo…, a pessoa muda de profissão, fica rica (e aí não está em questão os meios) movimenta 38 BILHÕES de Reais, em 6 anos, mas não pode ser visto e referenciado como nada além de um “ex-garçom”… . O que é que o “Rei do Bitcoin”, que é branco, era mesmo antes de virar “Rei do Bitcoin” ??? 🤔 (silêncio ensurdecedor…)


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Jornalistas premiadas co-fundadoras da Agência Amazônia Real ganham vídeo antológico

Desde fins de 2018 colaboro como colunista, na agência de notícias Amazônia Real (AR), de jornalismo independente, premiada nacional e internacionalmente e focada como o nome diz em mostrar as realidades da região amazônica.

A afinidade deste  blog aqui, que mantenho desde 2004, com a Agência AR, começa pelo nosso slogan, “Da Amazônia para o mundo”, assim também é a visão e missão da AR. Importante frisar que há óbvia diferença, enquanto a agência faz jornalismo profissional e independente, o blog é apenas um espaço pessoal de reflexão e manifestação pública, que mantenho desde antes do advento das redes sociais, e também obviamente o blog é de muitíssimo menor alcance.

Mesmo assim aproveito o espaço para parabenizar as queridas jornalistas Kátia Brasil e Elaíze Farias e agradecer por toda a consideração que sempre tiveram para com a minha pessoa, inclusive em momento crítico.

Feita a contextualização da minha relação com a agência e consequentemente com suas co-fundadoras, que receberam homenagem no 16º Congresso da Abraji (Associação brasileira de jornalismo independente), vamos ao que interessa, o vídeo antológico… https://vimeo.com/592137565


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VAMOS BRINCAR DE ENEM

A proposta é testar se você sabe de onde vem a noção política de “esquerda” e “direita”, então vamos lá:

Exercício resolvido

(Enem) “Em nosso país queremos substituir o egoísmo pela moral, a honra pela probidade, os usos pelos princípios, as conveniências pelos deveres, a tirania da moda pelo império da razão, o desprezo à desgraça pelo desprezo ao vício, a insolência pelo orgulho, a vaidade pela grandeza de alma, o amor ao dinheiro pelo amor à glória, a boa companhia pelas boas pessoas, a intriga pelo mérito, o espirituoso pelo gênio, o brilho pela verdade, o tédio da volúpia pelo encanto da felicidade, a mesquinharia dos grandes pela grandeza do homem.”

HUNT, L. Revolução Francesa e Vida Privada. In: PERROT, M. (Org.) História da Vida Privada: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. Vol. 4. São Paulo: Companhia das Letras, 1991 (adaptado)

O discurso de Robespierre, de 5 de fevereiro de 1794, do qual o trecho transcrito é parte, relaciona-se à qual dos grupos político-sociais envolvidos na Revolução Francesa?

a) À alta burguesia, que desejava participar do poder legislativo francês como força política dominante.

b) Ao clero francês, que desejava justiça social e era ligado à alta burguesia.

c) A militares oriundos da pequena e média burguesia, que derrotaram as potências rivais e queriam reorganizar a França internamente.

d) À nobreza esclarecida, que, em função do seu contato com os intelectuais iluministas, desejava extinguir o absolutismo francês.

e) Aos representantes da pequena e média burguesia e das camadas populares, que desejavam justiça social e direitos políticos.

Resolução: LETRA E

Maximilien Robespierre era o líder dos jacobinos no período em que eles estiveram à frente da Revolução Francesa. A ascensão dos jacobinos foi impulsionada pelo apoio do povo, sobretudo dos sans-culottes. Contavam com o apoio da pequena e média burguesia e desejavam ampliar as reformas sociais na França revolucionária. Durante o domínio dos jacobinos, aconteceu o período conhecido como Terror, no qual os opositores dos jacobinos eram sumariamente guilhotinados.

|1| HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 114.
|2| Idem, p. 119.

OK, então já sabemos na revolução francesa quem eram os Jacobinos, era o povão que junto com a pequena e média burguesia se opunha à aristocracia, ao clero aliado e aos conservadores, generalizados então como Girondinos.

Na Assembleia Jacobinos ficavam no lado esquerdo e Girondinos no lado direito. Resumindo, quem defendia liberdade, igualdade e o lado dos mais pobres era da esquerda, os que defendiam a desigualdade e os interesses dos mais ricos era direita…

Karl Marx, o teórico do socialismo moderno e dos comunistas só iria nascer em 5 de maio de 1818, em Tréveris, Alemanha, ou seja, 24 anos depois da ideia de esquerda e direita ter sido implantada e na França…, portanto nada a ver, limitar hoje o que é ser esquerda ao campo socialista e direita ao que não é socialista. A questão é de “lado dos pobres” e “lado dos ricos”, lado dos avanços sociais ou lado da desigualação e privilégios, lado da solidariedade ou lado do egoísmo, simples assim…

Por isso é que a melhor definição de esquerda hoje é a do Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai, que vai na raiz da ideia.


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Djamila e a bolsa da Prada, problema para você? Para mim não…

Postagem de rede social

Só vendo a geral criticando a Djamila Ribeiro, negra formada em Filosofia, Professora, Ativista e que fez sucesso como escritora e editora na temática do racismo e feminismo. Bora se atualizar gente… A luta negra não é uma luta socialista, ela é integracionista…, não defendemos resumir a pirâmide de Maslow apenas ao seu centro, embora a redução da sua base com o aumento da mobilidade social e redução drástica da pobreza e miséria, independente de recortes, seja uma luta compatível e embutida. A luta negra é pelo direito de não ser limitado em nenhum aspecto pela cor/origem, assim como a luta do feminismo, não é em essência uma “luta contra o capital” mas sim contra a hegemonia excludente.

Não dá para deixar de observar que as críticas tem um viés também racista, mesmo que inconsciente, muita gente acha que negro e luxo são coisas incompatíveis, e quando se juntam atraem questionamento e atenção que não é dada quando não se trata de pessoa negra. Outro ponto é a crítica socialista, que não consegue desvencilhar ativismo de luta de classes segundo paradigmas marxistas, o que está longe de ser um real enquadramento do que é ativismo.

Já cantavam os Titãs… em “Comida”

“A gente não quer só comida
A gente quer comida, diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída para qualquer parte

A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida como a vida quer”

Se você é millenial e não conhece o sucesso do rock brasileiro dos 80 segue o link do clipe: https://youtu.be/hD36s-LiKlg

Para fechar esse primeiro bloco lógico, o que quero marcar é que a maioria da crítica tem fundo na verdade em uma observação que já foi sistematizada faz tempo:

Segundo (Blumer, 1939) “São quatro os sentimentos que estarão sempre presentes no preconceito racial do grupo dominante: (a) de superioridade; (b) de que a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena; (c) de monopólio sobre certas vantagens e privilégios; e (d) de medo ou suspeita de que a raça subordinada deseje partilhar as prerrogativas da raça dominante.

Sigamos, não fulanizar a questão portanto é importante, pois não é iniciativa pessoal nem só a Djamila a entrar nessa, é um fenômeno mundial. A publicidade do luxo é que mudou a linguagem para se adaptar aos valores dos millenials, que sim, ainda gostam de luxo, mas querem equilibrar isso com algum link com justiça social. (Paradoxal ? pode ser, mas é a realidade que o mercado enxergou, e não vai se desviar dela 🤷🏿‍♂️)

⬆️Chamada de matéria sobre o assunto na Veja

Alguém lembra da posse do Biden? Teve uma jovem ativista e poetisa negra que “roubou a cena”, Amanda Gorman, formada em Harvard e que estava vestida de Prada dos pés à cabeça… vide: https://youtu.be/zzPl4TXMK0g

Tem gente “temendo” que em breve Djamila apareça fazendo publicidade de plataforma de investimento, como se isso fosse um “pecado imperdoável”, o que é uma grande bobagem. Eu sou negro, ativista tem quase 35 anos, sou investidor na bolsa americana, nacional e em criptmoedas… e não teria problema nenhum em fazer publicidade para uma plataforma de investimento (alô mercado publicitário estamos aí viu ? 😉)

O problema da geral é não entender que lutar por igualdade é lutar pelo direito de não ficar só no gueto, de poder fazer e usufruir o que a capacidade de cada um possibilitar, sem ser limitado por preconceito, discriminação e desigualdade… .

Ativista não faz voto de pobreza, nem vive só de ativismo, a gente só quer a mobilidade social sem impedimentos artificiais… Afinal “A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte, a gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não pela metade” 😉.


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PORQUE VOTO IMPRESSO É UMA ESTUPIDEZ

 ( Ilustração Sérgio Motcha)

Vou aqui rápida e sucintamente dizer porque.

1- O sistema manual de votação é altamente sujeito à fraudes isso é historicamente comprovado, “nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco”, ou seja, se em algum momento tiver uma ação manual na votação, seja colocando comprovante impresso em urna, levando comprovante com conteúdo do voto do eleitor para casa ou em uma posterior conferência manual da urna física, todo o sistema fica comprometido e reduzido na prática ao seu nível mais arcaico e falho.

2- NINGUÉM a não ser o próprio eleitor pode saber ao certo em quem ele realmente votou, outras pessoas não podem oficialmente saber quem votou em quem, se o eleitor quiser ANTES OU DEPOIS do momento eleitoral e fora das áreas de votação DECLARAR o voto é outra coisa, porém uma eventual mesa de conferência manual NUNCA vai poder ver quem votou em quem, no máximo ver a quantidade de votos em cada candidato, pois isso seria INCONSTITUCIONAL.

Trecho constitucional

3- O comprovante impresso com o conteúdo do voto RETIRA O SEU SIGILO constitucional, ele pode ser exigido posteriormente por políticos que compraram voto, lideranças religiosas, patrões e outros poderosos que induziram ou coagiram currais eleitorais, além de milícias que coagiram eleitores de suas áreas de domínio a votar em quem eles mandaram, aí é ainda pior pois o comprovante ou a falta dele coloca em risco a segurança e vida do eleitor. Isso, mesmo que não haja o comprovante para levar para casa, pois em eventual recontagem manual, pode haver infiltração que vai ter como saber quem votou em quem… .

4- Por tudo, não tem o menor sentido, imprimir em papel (obviamente com aumento do gasto público e custo ambiental) algo que já foi feito eletronicamente e a que uma mesa de conferência constitucionalmente não pode ter acesso… . A zerésima antes e o relatório impresso com os totais de cada urna já seriam suficientes para garantir a segurança e transparência da votação, mas além dessas tem mais 28 camadas de segurança, todas auditáveis, tá de bom tamanho né ?


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LAÇOS FORA, O RETORNO

Colagem

Outro dia fiz uma postagem em que manifestei o desconforto com a apropriação das cores e símbolos nacionais pela direita. Deu alguma polêmica pois há quem acredite que as cores e os símbolos devem ser “retomados”, não “entregues de bandeja” para os “nacionalistas reaças”. Eu particularmente sinto e já se começa a perceber, que há um sentimento generalizado e uma movimentação no mesmo sentido, por uma revisão dessa símbologia.

Não é incomum em todo mundo e períodos esse tipo de revisão, nos acostumamos com o verde e amarelo como representativo, com aquela “história mal contada” de verde das matas e amarelo do ouro e riquezas naturais, quando na realidade o verde na bandeira brasileira representou originalmente a casa de Bragança e o amarelo a casa dos Habsburgo, ou seja, a família imperial brasileira. Mais que a própria família imperial, o verde e amarelo representava um projeto aristocrata de nação, quando se fez independente da metrópole portuguesa, sem contundo uma ruptura sequer na monarquia que era a mesma… sem grandes mudanças para o povão, “mudamos” de colônia escravagista de mais de 3 séculos, para império escravagista por mais 67 anos.

Nem a abolição da escravidão nem a República foram suficientes para “refundar” a nação, seguimos mais de 130 anos sob as cores imperiais, mas não apenas sob elas, sobretudo sob um pensamento elitista, excludente e não menos repleto de coloniedades (e não que eu as vezes não me divirta com algumas coisas burguesas/nobiliárquicas).

Não à toa vemos hoje um presidente da República e não sei quantas pessoas sem nenhum “pedigree imperial” cultuado a bandeira imperial, não à toa o amarelo dos Habsburgo, que virou “canarinho” no orgulho nacional do imperialismo futebolístico de outros tempos (e não que não tenhamos mais “imperadores”, “reis” e outros “nababos de chuteiras”) e migrou para representação da paradoxal união da “alta toscolagem” com a”baixa toscolagem”, todos compartilhando o mesmo trevoso fervor e espírito nefasto e com as mesmas cores que um dia acreditamos que eram na verdade nossas, de todos nós, mas de certo não são mais.

Essa invenção chamada Brasil, que boa parte acredita que começou com um tal de Cabral chegando ao que ele inicialmente nominou de “Santa Cruz/Vera Cruz”, que se expandiu sob as cores da coroa portuguesa em seus estados americanos, mas outros acreditam que só passou a existir praticamente com a independência, de um jeito ou de outro teve várias bandeiras e cores ao longo do tempo, porém a ruptura do “laços fora” com o fim do Brasil colônia, não se repetiu com o fim do Brasil império… está aí para todo mundo ver.

Por mais apego e afetividade que tenhamos aos nossos símbolos, parece que chegamos à uma nova bifurcação de nossa estrada nacional, incontornável ao menos a discussão do que fazer com eles. Conforme diria proféticamente Eduardo Cunha no ato que abriu a “Caixa de Pandora” desses novos tempos, “Deus tenha piedade dessa nação”…


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INTOLERÂNCIA RELIGIOSA (de novo)

Hoje no jornal A Crítica saiu notícia sobre uma intolerância religiosa praticada por um padre na zona leste de Manaus, contra 4 integrantes das religiões de matrizes africanas que foram até a igreja pedir uma benção, ato que pessoalmente acho anacrônico, mas faz parte da tradição de iniciação.

Ocorre que a Igreja católica há muito não tem relação de discriminação com as religiões de matrizes africanas, pelo contrário, o respeito e acolhimento mútuo tem sido cada vez maior (até porque a esmagadora maioria dos adeptos das matrizes africanas são batizados e passaram por quase todos sacramentos da igreja católica) na há ou não deveria haver “antagonismo insuperável” entre católicos e afroreligiosos.

No entanto ainda temos sacerdotes e principalmente fiéis que ignoram isso e como de costume as caixas de comentários nos enchem de vergonha pela ignorância e intolerância registradas. Vejam e entendam, os tempos mudaram:


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AINDA SOBRE A QUESTÃO DO FETICHE BANDEIRANTE DE SP .

Vendo o jornal hoje, que tem o mesmo ponto que eu, repito que não é uma “questão com CPF” (se bem que CPF não existia na época, é um metáfora para a “fulanização” do caso), na realidade é uma questão de classe.

Borba Gato estátua não é uma biografia estrita, é no caso uma representação de classe,  classe essa historicamente responsável por crimes contra a humanidade, classe que funda e é resgatada pela elite paulista ( e suas “linhas auxiliares) que de uma forma ou de outra segue em várias instâncias, não apenas no estado mas em todo o país, produzindo opressões, explorações, genocídios… .

É contra tudo isso a revolta de uma periferia (do sistema) que cansou de uma narrativa distorcida e que modernizada continua a lhes matar e oprimir.  Vide Racionais MC’s:


“Desde o início, por ouro e prata
Olha quem morre, então
Veja você quem mata
Recebe o mérito a farda que pratica o mal
Me ver pobre, preso ou morto já é cultural
Histórias, registros e escritos
Não é conto nem fábula, lenda ou mito” (Negro drama)


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DE NOVO SOBRE JORNALISTAS E HISTÓRIA

Laurentino Gomes no Programa Roda Viva

Já escrevi aqui no blog sobre a questão dos jornalistas que escrevem sobre História. No caso falei do Eduardo “peninha” Bueno. No vídeo abaixo tem uma fala do Laurentino Gomes no Roda Viva. Não tenho nada contra, e concordo com eles que se eles fazem sucesso e vendem muito, não deveria ser “problema” como é para muitos colegas Historiadores de formação que os criticam… .

A produção acadêmica é “antropofágica”, ou seja, para consumo endogâmico (interno)… . Enquanto jornalistas e escritores de estilo popular, eles não estão limitados pela sisudez e a “aridez” do método e práticas historiograficas, escrevem para o povo e pelo povo são lidos… fazer o quê? 🤷🏿‍♂️

Certos “corporativismos” parecem mais pura inveja e recalque…, afinal, escrever interessantemente em tese qualquer um pode, por que não os “experts profissionais” ? #mistério

Veja o vídeo:

https://youtu.be/FklN_FRagcE


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O “DEFEITO DE COR” E OS “PRETOS DE ALMA BRANCA”

No final do antigo regime, ou seja, quando a família real veio para o Brasil em 1808, ainda vigorava a regra das ordenações filipinas do “defeito de cor”. A pessoa negra que quisesse e estivesse capacitada para uma função “melhorzinha” tinha que formular e assinar um documento chamado “súplica da dispensa do defeito de cor” no qual se dizia instruído, boa pessoa, temente à Deus e de acordo com o sistema e sendo assim para desconsiderarem seu “acidente de nascimento”.

Praticamente dizia ter a “alma branca” e como tal agiria (inclusive como linha auxiliar na repressão e desprezo aos outros negros) ao desempenhar função e ser melhor “aceito” socialmente. Aliás, “preto de alma branca” foi a única expressão que apesar de partir de um pressuposto racista, não tinha intenção injuriante, mas de “elogio” à uma pessoa negra, e isso no Brasil tem registros desde o século XVII por exemplo na referência à Henrique Dias.

Hoje não se faz nem assina o pedido, mas o tipo de pacto permanece em muitos casos…