Blog do Juarez

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Até tu A Crítica ??? ou Quando o HOAX sai das redes e passa para o papel jornal

hoaaaxx

Indignado com a forma ao mais puro estilo “marrom” com que o conceituado Jornal amazonense A Crítica, “requentou” e publicou uma das mais vis campanhas de reacionarismo e desinformação correntes nas redes sociais, o hoax contra o auxílio-reclusão.

Com estardalhaço e manchete em nada compatível com uma prática jornalista responsável, a publicação se utiliza de termos incorretos e um “lied” que induz o leitor a interpretação errônea e um posicionamento equivocado, não obstante no texto da matéria se faça uma explicação mais coerente, porém insuficiente para que o leitor desinformado compreenda plenamente a questão.

Lei que dá direito a salário de até R$ 971,78 para presidiários gera polêmica em Manaus

O benefício que é destinado aos detentos do regime fechado e semiaberto gera insatisfação nas ruas e já é alvo de proposta no Senado Federal para que seja extinta”

Sinceramente…, é complicado ver um jornal de tradição e grande circulação pautar um velho HOAX de rede sociais, não como crítica, mas como algo de valor jornalístico e principalmente merecedor de consulta popular; quatro anos atrás escrevi sobre esse assunto aqui mesmo no blog: Auxílio Reclusão: se indignar ou entender ? .

Nesse ritmo já podemos esperar outros “clássicos” da boataria cibernética transformados em “notícia”.

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A Semana da Consciência Negra e os Jornalistas

jornalismo e consciencia-negra

Apesar de existir desde a década de 80 (acanhada e lembrada apenas pela militância negra), há coisa de 10 anos a semana da Consciência Negra é pauta notória em toda a imprensa nacional, ganhou força com a lei 10.639/2003 e a inclusão da data comemorativa do 20 de novembro no calendário oficial e em mais de mil municípios e alguns estados com a adoção de feriado.

A ideia central da semana da Consciência Negra é levar as pessoas em geral a visualizar e tentar compreender a questão afrobrasileira em seus mais diversos recortes, História, Presença Demográfica e Cultural, o preconceito e a discriminação sofridos em suas diversas formas (o racismo) e a consequente desigualdade social de origem racial, mas também as reivindicações, conquistas e avanços dessa parcela considerável da população e nisso o papel da imprensa e em especial dos jornalistas é crucial.

Ocorre que, entra ano e sai ano, a imprensa (sempre aparentemente interessada e solícita em fazer a cobertura e pautas relacionadas) continua incorrendo em erros primários no trato com os conceitos, terminologia, interpretação de dados e até de direcionamento das entrevistas/matérias, ou seja, a impressão que se tem é que essas são matérias sempre entregues a novatos, que sem contato prévio com a temática ou o cuidado de tentar buscar informações preliminares confiáveis que os livrem das “armadilhas” comuns ao tratar do tema, acabam por perpetuar os “cacoetes” e “vícios” que retiram precisão ou enfraquecem o objetivo que é informar corretamente os leitores/espectadores.

Para constar segue uma listinha das armadilhas mais comuns…

1- Utilizar o termo negro como sinônimo de preto…, as categorias oficiais de “Raça/Cor” do IBGE são 5 a saber : BRANCA, PRETA, PARDA, AMARELA, INDÍGENA, ou seja, ninguém se autodeclara NEGRO, mas sim PRETO (ou PARDO), ocorre que a soma dos autodeclarados PRETOS e PARDOS forma a chamada POPULAÇÃO NEGRA, é portanto NEGRO(A) todo integrante dessa população (seja preto ou pardo), é um ERRO CRASSO falar em “NEGROS E PARDOS” uma vez que pardos também são negros… o correto portanto é utilizar “PRETOS e PARDOS”, outro ponto é a insistência no termo “RAÇA”, ele por motivos óbvios é um termo em desuso, uma vez que o conceito de raça biológica caiu e a construção social de raça deve ser desconstruída…, melhor substituir por população ou grupo étnico-racial, apesar disso o termo “RACIAL” permanece válido e não deve ser substituído automaticamente  por  “ÉTNICO” (Raça e Etnia são conceitos distintos).

2- Ao se cometer o erro acima se inicia uma “bola de neve” de má interpretação em especial das estatísticas…, que vai desde de uma redução da representatividade populacional, até o mascaramento do descompasso da desigualdade ao se visualizar os indicadores relacionados…, exemplo prático, a edição de domingo (16 de novembro 2014) do jornal AMAZONAS EM TEMPO, dá praticamente toda a primeira página com  manchete “RACISMO, COMO O AMAZONENSE TRATA A QUESTÃO” em arte com destaque e enorme foto, segue a manchete o que no meio jornalístico é chamado de “LIED” (um pequeno texto que “detalha” um pouco mais a manchete e “adianta” o que esperar do texto principal), em parte desse “LIED”  aparece “NO AMAZONAS, DOS 3,82 MILHÕES DE HABITANTES, APENAS 151 MIL SE IDENTIFICAM COMO NEGROS.”, ocorre que esses 151 mil ao qual se faz referência é na verdade apenas o número de autodeclarados PRETOS (4,3% da população) no último Censo (2010), para se falar em NEGROS teria que somar esse número ao de PARDOS… ( que no caso do Amazonas  se configura aproximadamente 69% da população), ou seja, somando dá coisa de 73%, tecnicamente a população negra do Amazonas seria então de  +- 2,9 milhões…, bem verdade, que no Amazonas por uma peculiaridade, a grande maioria desses autodeclarados pardos são na realidade de origem indígena, não afro (como de praxe na maioria do país), mas não todos… o IBGE ainda não distingue “pardos indígenas” de “pardos afros”, mas é possível por extrapolação imaginar que como em todo o Brasil esse percentual seja em média 5 vezes a autodeclaração preta, ou seja, 20% que somados aos 4,3% de pretos autodeclarados no AM daria uma população Negra (ou afrodescendente para usar termo mais moderno e apropriado) equivalente a 1/4 da população total (igual a de brancos e metade da de origem indígena) .

3-Ainda se tratando de Amazonas, outro problema é a insistência em “reduzir” (e as vezes até negar) essa presença negra e sua relevância…, é comum se ver referências ao AM como o estado “mais indígena do Brasil”,  ou sobre a “grande população indígena” do estado (lembrando que  só é considerado indígena quem possui registro de nascimento indígena da FUNAI, o RANI, não quem meramente tem ancestralidade indígena) mas “ninguém nota” que essa população que  representa  4,84 % da geral do estado é estatisticamente empatada com a de pretos (4,13%)…, não estamos falando nem da população negra (como explicado no item anterior), é preciso portanto que os jornalistas parem de colaborar com essa “invisibilização” ou noção generalizada de irrelevância da população afroamazonense.

4- Ao escrever ou conduzir entrevistas, muitos jornalistas a partir da sua falta de conhecimento, de pressupostos introjetados por uma crença na  falaciosa  “democracia racial” brasileira, preconceitos de que são possuidores mas não percebem, ou ainda no afã de tentar “dourar a pílula”  acabam por ir na contramão do que se espera com a matéria…  ex.  escrevendo “Indiferente ao preconceito, xxxxx segue”, como é que alguém pode ser indiferente a algo que  lhe prejudica diretamente, prejudicou pais, avós, bisavós… e prejudica também sua descendência ????, talvez o termo mais apropriado fosse “apesar de”  ao invés de “indiferente” .

5- No mesmo ponto do item anterior é comum em entrevistas o entrevistador “atalhar” o entrevistado com afirmações de senso comum que obrigariam o entrevistado a dar uma resposta “indelicada” ou fazer uma “correção constrangedora” ao entrevistador, sendo que para evitar isso acaba-se “deixando passar”, o que ao fim e ao cabo repassa uma informação equivocada e aparentemente com o “aval” do entrevistado, o ideal é que o entrevistador pergunte, mas não faça afirmações, nem interpretações que não possam ser confirmadas ou não pelo entrevistado.

6- Os clichês, as matérias vem recheadas deles, as tradicionais fotos de contraste “preto + branco” em “união”, fotos de capoeira para ilustrar matérias que não tratam diretamente do assunto…, ilustrações que remetem a escravidão ou abolição (correntes se quebrando, etc…) frases feitas que não se aplicam ao contexto específico, enfim.

7- O uso equivocado de dados, é preciso verificar a confiabilidade da fonte e sua reconhecida competência para prove-los, bem como verificar com quem está mais familiarizado com o tema antes de publicar.

8- Limitar a questão negra apenas ao “cultural” (folclore, religiosidade, capoeira, música e dança…), a questão é muito mais ampla e envolve aspectos sociológicos, econômicos, históricos, etc… .

9- Exagerar nos destaques negativos, as situações negativas existem, mas devem ser repassadas na sua exata medida e relevância, também não devem ser misturados “alhos com bugalhos”, é comum ver situações e dados sendo confundidos ou associados erroneamente.

10- As “correções” do que foi dito pelo entrevistado, é comum nas matérias escritas ou nas narrações em vídeo, o jornalista substituir os termos ditos pelo entrevistado por outros que ele julga mais apropriados, ocorre que ao fazer tais alterações ele pode mudar totalmente a precisão do que foi dito ou a intenção (já falamos sobre a substituição de “preto” por “negro” por exemplo).

Bom, essas são algumas dicas para que as matérias alcancem o resultado esperado e com maior precisão.

Seria também interessante que os sindicatos locais dos jornalistas seguissem o exemplo do Sindicato do Rio de Janeiro e oferecessem à categoria workshops para que se compreendesse e trabalhasse melhor as temáticas relacionadas à questão negra no Brasil : http://jornalistas.org.br/index.php/sindicato-realiza-debate-sobre-racismo-no-jornalismo-nesta-terca-1811-as-18h/, aliás seria importante que isso fizesse parte do currículo dos cursos de comunicação social…


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Nomes aos bois: os sicários da mídia má.

Poderia escrever algo mais detalhado sobre esse acontecimento, mas o texto de Paulo Nogueira, que reproduzo parcialmente abaixo, já o faz com maestria…, é essa mesma gente de quem ele fala, que não por coincidência também foram os “grandes gurus” da “campanha” (felizmente perdida) da turma anti ações afirmativas (AA) para a população negra (notadamente as cotas universitárias) aos quais “batizei” de “neo-democratas-raciais”.

O desabafo de Trajano

por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

E eis que José Trajano, da ESPN Brasil, viralizou.

Um vídeo em que ele cita quatro colunistas que instigam ódio circula freneticamente pela internet nestes dias.

Ele enxergou, com razão, uma relação espiritual entre os que xingaram Dilma no estádio e os colunistas que mencionou.

Trajano falou de Demetrio Magnolli, Augusto Nunes, Mainardi e Reinaldo Azevedo, mas poderia falar de muitos outros.

Outro dia li uma expressão do Nobel de Economia Paul Krugman e pensei exatamente no tipo de jornalista da pequena lista de Trajano.

São os “sicários da plutocracia”. São pagos, às vezes muito bem pagos, apenas para defender os interesses de seus patrões.

Os Marinhos, ou os Frias, ou os Civitas, ou os Mesquitas, não podem, eles mesmos, assinar artigos em defesa de suas próprias causas. Então contratam pessoas como as de que Trajano trata.

Muitos leitores, em sua ingenuidade desumana, vêem alguma coragem nos “sicários da plutocracia”.

É o oposto. Ao se alinhar aos poderosos – aqueles que fizeram o Brasil ser um dos campeões mundiais da desigualdade – eles têm toda a proteção que o dinheiro é capaz de oferecer.

Não correm risco de ficar sem emprego, por exemplo. Podem cometer erros grosseiros de avaliação, de prognóstico, de estilo, do que for.

Mesmo assim, estarão seguros porque cumprem o papel de voz dos que podem muito.

Texto integral em : http://www.viomundo.com.br/denuncias/os-que-promoveram-caca-as-bruxas-agora-reclamam-de-lista-negra.html


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Tadinha da classe média alta, como sofrem… :-)

A questão das cotas universitárias continua gerando “manchetes terroristas”… :-), a imprensa inconformada e mal informada não perde a chance de fazer seu “mimimi” , mas podia ser pior … imagine a seguinte manchete : “Exilados pelas cotas, vivem o drama de ter que deixar a pátria para poder estudar” … 🙂  é o terror senhores é o terror… 🙂 e não para, igualzinho ao “mimimi” da classe média alta e branca e de seus jovens “rebeldes sem causa” insistindo em mobilizações  anacrônicas contra a implantação das cotas universitárias, vamos ter pena gente, são uns “coitadinhos”, agora que já não podem mais ficar de graça com todas as vagas das universidades públicas que consideravam o top da educação superior de qualidade (e “propriedade exclusiva e natural por direito divino” deles), preferem ir gastar seus dólares em Harvard e Cia Ltda., uma verdadeira “tragédia” 🙂 ainda bem que o PROUNI e os pobres que não entrarem nas públicas ficarão para manter o sistema superior privado brasileiro … .


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“Racismo” de PHA, se a “mídia-má” comemora, indica o contrário…

A notícia do acordo judicial realizado pelo Jornalista Paulo Henrique Amorim ou (simplesmente PHA), acusado de racismo (na realidade injúria racial) ao também Jornalista Heraldo Pereira (o mais proeminente negro do telejornalismo brasileiro), me entristece, mas pela realidade da questão, não pelo que os afoitos estão errôneamente vendo .

Na realidade essa é uma “vitória” da hipócrita ala “neo-democrata-racial” e meta-racista da imprensa brazuca (que representa todo o reacionarismo dos setores mais elitistas e discriminadores da sociedade).

A questão do peso e medidas diferentes com que tratam a questão, revela bem quem  está do lado certo da história e quem só está ao lado dos interesses mesquinhos de uma sociedade que sofre de uma vergonhosa dificuldade em “enxergar racismo”  onde ele é mais que óbvio,  e  paradoxalmente enxerga-lo sem dúvidas onde tal “racismo” não se configura ou é totalmente questionável.

Durante muito tempo, essa mesma elite que agora apredreja PHA, utilizou naturalmente a expressão “Negro de alma branca” sem maiores reflexões e até imaginando ser um “elogio” aplicável a pessoas que sendo negras, assimilavam o discurso e comportamento “desejáveis” para uma sociedade  mascaradamente racista,  também vistos como  “bons crioulos”, dos EUA  nos chegou a expressão “Pai Tomás” em referência ao conhecido personagem literário, subserviente e não questionador…; no Brasil a prática foi até oficializada na época do império, o negro que tivesse alcançado por qualquer motivo o status de livre e condições acadêmicas para assumir postos de proeminência social, deveria assinar um documento chamado “DISPENSA DO DEFEITO DE COR”  no qual ele “pedia” oficialmente que não se levasse em consideração sua cor e origem pois era totalmente assimilado, ou seja, apesar de “negro tinha ´alma  de branco´ “, isso era racista ?, obviamente, mas imposto pelo estado,  pior mesmo era a violência psicológica a que eram submetidos tais negros durante toda uma vida, violência tamanha a ponto de introjetarem de bom grado  a  suposta “alma branca” (não sem terem adoecimentos psicológicos)  e se sujeitarem a tamanha humilhação… ( além de outras subserviências  abjetas aos interesses do sistema).

O “negro de alma branca” existe, ele  é produto do racismo secular em nossa sociedade, não apenas existiu de fato e oficialmente, como ainda hoje é uma realidade (principalmente nos altos estratos da sociedade), penso que PHA enquanto conhecedor dos problemas brasileiros, tenha essa exata noção; e sabe que observar e contestar tal comportamento nas pessoas, ao contrário de “racismo ” é na realidade uma prática  de desconstrução anti-racista (só não sei se o Advogado dele também sabe disso…), mas  a elite encarapitada em seus devaneios de democracia racial e ignorância temática não perderia a chance de “inverter” as coisas (prática comum no meio meta-racista, que já teve até a audácia de chamar de racistas, ativistas conhecidos do anti-racismo, inclusive responsáveis pelas políticas nacionais anti-racistas), se houve “erro” de PHA foi  atribuir pessoalmente a carapuça à alguém, principalmente no contexto .

Basta ver a “festa”  que os representantes do pensamento reacionário brazuca estão fazendo…, para saber quem está sendo injustamente apedrejado e quem se regojiza com as perdas de quem defende o fim do status quo…: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/blogueiro-tera-de-se-retratar-por-declaracao-racista-ou-uma-vitoria-historica-do-grande-jornalista-heraldo-pereira/  .


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Mais uma “pérola” dispensável do Luiz Felipe Pondé

Imagem baseada em uma ilustração de capa da Revista Carta Capital

Já tinha lido algumas “pérolas” dispensáveis do colunista  Luiz Felipe Pondé, que fora da coluna do jornal também adora palpitar em criminalística…, mas ao ler o comentário desse Sr.  na matéria do 180 graus sobre a agressão com injúria racial sofrida pela colega Analista Judiciária do TJPI e Presidente do CRESS- Conselho Regional do Serviço Social daquele estado , lembrei de uma fala de um grande intelectual (esse de verdade) que dizia mais ou menos assim, ” É nos comentários das notícias da grande imprensa, que o racismo brasileiro fica mais evidente”,  como diriam no coloquial, é a mais pura ” verdade verdadeira” .

Mesmo se tratando de pessoa reconhecidamente idônea, com certa relevância social , situação ocorrida em público com várias testemunhas, denúncia levada a sério pela imprensa e com providências legais sendo tomadas pela vítima, olha só a “pérola” de comentário do Sr. Pondé… :

“Suposto fato” é ótimo…, “só temos a versão de um dos lados”… , o  interessante é como em vários casos (diferentes de racismo) e sem versões “multilaterais” ou mesmo com fatos ainda não esclarecidos e com versões unilaterais (já que a vítima está morta e/ou não há testemunhas), o colunista não “se abstem” de tomar lado e palpitar… exemplos: (mural do facebook do mesmo), sem contar que ele é única pessoa que tem twitter, facebook, blog com seu nome e seus artigos e “não responde, nem se responsabiliza”  por nenhum deles e nada que ali foi publicado… 🙂 (mas não faz nada nada para evitar, portanto quem cala consente…)

Voltando ao “racismo brazuca” ( ou meta-racismo),  a característica de “não enxergar” racismo ou fazer exigências absurdas de materialidade (mesmo quando a materialidade está além do razoável, ou seja, é obvia), faz parte do  modus operandi  dos nossos “neo-democratas-raciais “, não é por acaso que todos se embolam no mesmo grupo afinado da chamada “mídia má” (da qual faz parte o autor do risível  “Não somos racistas”).


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De novo… “preto para ter um carro assim, só se for roubado”

Eu bem que tento desviar um pouco do assunto, falar de amenidades… , mas não tem jeito, todo dia tem um assunto revoltante na imprensa , comentado por alguém ou mesmo com a gente…, e depois falam que negro (principalmente o militante)  é “paranóico” ,  “complexado” , etc…

Deu no Diário de Mogi :

Aposentada é vítima de Racismo

HUMILHAÇÃO Sandra foi vítima de injúria racial feita por professora

Alexandre Barreira

A aposentada Sandra Aparecida dos Santos, de 58 anos, alega ter sido vítima de injúria racial, na tarde de segunda-feira, na Rua Presidente Rodrigues Alves, no Centro de Mogi das Cruzes. De acordo com Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado no 1º Distrito Policial, a acusada de proferir as ofensas contra a funcionária pública aposentada, que é negra, é a professora Iracema Cristina Nakano, de 53 anos.

A discussão teria ocorrido nas imediações do Mercado Municipal. De acordo com Sandra, Iracema teria alegado que o carro da aposentada, um VW Fox prata, placas DKC-1142/Mogi, era seu e que havia sido furtado há quatro meses. No entanto, mesmo com as negativas de Sandra, Iracema teria insistido que o carro era dela e dito que “preto para ter um carro assim, só se for roubado”. Esta frase foi ouvida pelo marido de Sandra, o policial Carlos Roberto Madeira Pereira, e a testemunha M.D.E..

“Senti-me humilhada. Nunca imaginei que chegaria aos 58 anos de idade e passaria por isso”, desabafou Sandra, que trabalhou por 33 anos no Hospital Luzia de Pinho Melo. Ela contou que o ex-marido da professora e a tia dela é que pediram desculpas pelo fato.

A aposentada ainda descreveu que a professora abriu seu carro, olhou o interior do veículo e teria continuado a afirmar que o mesmo era o dela, que havia sido furtado e está em nome da tia, Helena Cardoso Siqueira. “Mesmo com todas as evidências contrárias, ela continuou insistindo em algo que não tinha qualquer razão. Além disso, foi totalmente irresponsável com os comentários racistas que fez. Ficamos surpresos de ela ter feito isso sendo uma professora, que deve educar e ensinar as coisas certas”, destacou Pereira, que pretende processá-la por danos morais.

A reportagem de O Diário entrou em contato com a professora, mas não teve êxito. A ocorrência foi registrada pelo delegado Orli de Morais e sua equipe formada pelos policiais Ivone, Laudemiro e Arlindo. Ele entendeu que houve crime de injúria racial e determinou a prisão da professora, que pagou fiança de R$ 545,00 e responderá em liberdade. A pena para o crime é de até 3 anos de prisão.

Alguém “comeu mosca” nesse episódio…,  a figura da injúria racial é aplicada quando uma ofensa é direcionada única e diretamente à pessoa e traz junto uma referência ao sujeito ou adjetivação de conotação racial,  ex. “sua negra, morta de fome”, esse não foi o caso…, a declaração “preto para ter um carro assim, só se for roubado”, é generalizante e direcionada a todo um grupo humano, sendo assim não é injúria, é racismo mesmo e não deveria ser afiançavel, a penalização também é muito maior;  espero que o Ministério Público na hora da denúncia ou o magistrado que a acolher façam a devida recapitulação…, é impressionante o que a polícia faz para não indiciar alguém por racismo… ( e olha que o marido da Sra. é policial), por outro lado o jogador Marcelinho Paraibano por tentar ou beijar a força (ato inconteste muito repudiável)  a irmã de um DELEGADO no meio de uma festa cheia de gente, não teve “refresco”… foi indiciado por ESTUPRO… (ele que depois se vire para provar que não fez , o que não fez);  essa “dificuldade policial generalizada” em tratar casos de racismo tem que ser eliminada.

Ah! e só para não “ficar solta”  a história vai aqui um “flash back” de um caso ainda mais estarrecedor de uns dois anos atrás :  Homem negro espancado no Carrefour acusado de tentar roubar o próprio carro  , é … e ainda tem “cara-de-pau”  escrevendo livrecos dizendo que “não somos racistas”, imagine se “fossemos”…