Blog do Juarez

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LGBTFOBIA NÃO É RACISMO.

Só para lembrar. Apesar de favorável à criminalização da homofobia e similares e o enquadramento por analogia na mesma lei que criminaliza o racismo enquanto não se define via legislativo tipo penal específico, é importante dizer que LGBTFOBIA NÃO É RACISMO.

É uma incoerência ou ao menos imprecisão a ideia e uso do termo “racismo social”. Racismo como observável lexicologicamente é aplicável à preconceito e discriminação baseados em diferenças étnicas e raciais, e o grupo LGBT não se enquadra em nenhum dos dois conceitos.

DISCRIMINAÇÃO SOCIAL por sua vez é um termo mais adequado e amplo quando não se fala em tipo específico, pois abarca todas discriminações de recortes existentes na sociedade, inclusive a discriminação racial, já que raça é uma importante variável social, igualmente as discriminações por orientação sexual ou gênero e outros RECORTES SOCIAIS.

O entendimento utilizado pelo STF quando anos atrás confirmou o antissemitismo como racismo não se afastou do conceito prático e acadêmico de racismo, vez que o antissemitismo é preconceito e discriminação ÉTNICA, e os conceitos de raça e etnia, apesar de distintos são próximos e os mecanismos discriminatórios análogos. O uso do termo “racismo social” vinculado ao antissemitismo pelo simples fato de não haver no geral significativa diferença fenotípica (marca) da maior parte dos judeus para os demais “brancos”, o que remete o preconceito e discriminação basicamente para o campo cultural e social, é redundante, pois racismo já é em si um fenômeno social.

Logo, não seria o caso de chamar de racismo todas ou quaisquer manifestações discriminatórias que atentem contra a dignidade humana, muito embora não haja incoerência em por analogia utilizar a já existente legislação antirracista para efeito penal enquanto não se tem tipo específico.

LGBTFOBIA é LGBTFOBIA
GORDOFOBIA é GORDOFOBIA
XENOFOBIA é XENOFOBIA

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA é INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

DISCRIMINAÇÃO de CLASSE é
DISCRIMINAÇÃO de CLASSE
SEXISMO é SEXISMO
e
RACISMO é RACISMO…

As coisas não tem nomes diferentes por mero acaso… .


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Que tal um pouco de poesia ? O emparedado (Cruz e Sousa)

Apesar de oitocentista (séc. XIX) o poema continua super atual (será que alguém não vai perceber do que ele  está falando ? ).

cruz e sousa-aos-22b

O poeta emparedado

“Não! Não! Não! Não transporás os pórticos milenários da vasta edificação do mundo, porque atrás de ti e adiante de ti não sei quantas gerações foram acumulando, pedra sobre pedra, pedra sobre pedra, que para aí estás agora o verdadeiro emparedado de uma raça. Se caminhares para a direita baterás e esbarrarás, ansioso, aflito, numa parede horrendamente incomensurável de Egoísmos e Preconceitos! Se caminhares para a esquerda, outra parede, de Ciências e Críticas, mais alta do que a primeira, te mergulhará profundamente no espanto! Se caminhares para a frente, ainda nova parede, feita de Despeitos e Impotências, tremenda, de granito, broncamente se elevará ao alto! Se caminhares, enfim, para trás, ah! ainda, uma derradeira parede, fechando tudo, fechando tudo ~ horrível – parede de Imbecilidade e Ignorância, te deixará num frio espasmo de terror absoluto…
E, mais pedras, mais pedras se sobreporão às pedras já acumuladas, mais pedras, mais pedras… Pedras destas odiosas, caricatas e fatigantes Civilizações e Sociedades… Mais pedras, mais pedras! E as estranhas paredes hão de subir longas, negras, terríficas! Hão de subir, subir, subir, mudas, silenciosas, até as Estrelas, deixando-te para sempre perdidamente alucinado e emparedado dentro do teu Sonho…”

Cruz e Souza

Fonte: Emparedado; Poema do Livro Evocações de Cruz e Souza; http://www.palavrainvadida.com/2013/03/cruz-e-souza-o-poeta-emparedado.html

 


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Nova onda de ataque aos haitianos

cuidado-com-compartilhaDepois de algum tempo sem notícias envolvendo preconceito e discriminação contra haitianos, eis que surge uma onda de boatos com clara intenção de causar uma reação popular generalizada contra a presença dos mesmos.

O Hoax (boato na rede)  parece ter se originado no Acre, iniciou pelo facebook mas se concentrou e espalhou principalmente pelo Whatsapp e rapidamente,  e associa haitianos com um suposto surto do vírus ebola…,  a partir de uma mensagem que fala em 7 ônibus com haitianos doentes vindos de Brasília e mantidos em um parque de exposições (em Manaus não seria pois como viriam de ônibus de Brasília ????, mas ninguém para para pensar) diferentes  a que vão se agregando outras com adaptações para Manaus.

Os deflagradores contam com a ignorância das pessoas e apostam em uma mistura explosiva de preconceito com histeria em função de uma suposta muito próxima epidemia com o vírus mais temido da atualidade, sendo que o Ebola está restrito e contido em partes de países do centro-leste-oeste africano como Uganda, Congo e mais recentemente na Libéria e Guiné (onde já foram constatadas mais de 400 infecções e 150 mortes), ou seja, que não tem absolutamente nada a ver com o Haiti, a única semelhança está na cor das pessoas… (e com certeza absoluta ai reside novamente a motivação maior para o ataque).

Não há um só caso conhecido de Ebola fora do continente africano e ainda assim restrito as áreas citadas, a própria SUSAM já negou qualquer situação relacionada a Manaus: http://www.d24am.com/noticias/saude/susam-nega-caso-de-haitianos-com-virus-ebola-em-manaus/110799 .

Triste o mau uso que se faz dos modernos recursos de comunicação, mas isso só grassa devido a ignorância e preconceito das pessoas… .


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O que mudou ?

Os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro (caso dos justiceiros), onde em momentos distintos dois jovens foram atacados, espancados, despidos e amarrados e/ou acorrentados a equipamentos urbanos, deveria levar as pessoas a refletir sobre algo que muitas não enxergam (ou fingem não enxergar), independente da ação prévia (tentativa de ato criminoso ou o simples fato de estar no lugar errado na hora errada), os dois tem uma coisa em comum…, são negros, e ambos receberam tratamento “nada humano”, humilhante, incomum e muito “simbólico”… (vilipêndio extremado),  aliás…, esse tipo de prática de desrespeito aos Direitos Humanos (principalmente em se tratando de negros) se repete há séculos… e é com certeza “cultural”.

O ditado “Uma imagem vale mais que mil palavras” cabe perfeitamente aqui, fica a pergunta : para “justiceiros”, políciais ou escravagistas (brancos ou agentes a serviço da branquitude e seus interesses)  e para os vilipendiados (não por coincidência quase todos negros, ou “quase negros de tão pobres” como diria Caetano)  o que mudou ?

oquemudou2E ai ?, visualizou ?


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O que você faria? furto de Bicicleta (Cara Branco, Cara Negro, Moça Bonita)

Este é um “experimento social” (pegadinha) feito nos EUA, mas que não teria um desfecho muito diferente no Brasil…(exceto pelo fato de que talvez um ou outro ligasse discretamente para a polícia no caso cara branco, e muito provavelmente o cara negro teria sido linchado antes que tivesse chance de explicar qualquer coisa ou ser salvo pela equipe de produção…), infelizmente o vídeo não possui legendas nem tradução em português (até tentei baixar para legendar mas veio completamente sem som…), porém não importa a língua, as imagens valem por mil palavras, o que está acontecendo fica muito claro só observando as reações das pessoas…, alguém tem dúvidas da diferença de tratamento em função da cor ? (note que as roupas são similares,  local e situação são exatamente os mesmos…) e isso não acontece só em situações extremas e suspeitas, só sabe quem já viveu…

No Brasil foi feita experiência em vídeo semelhante (só que com as famigeradas portas giratórias de banco), advinha o resultado ? : http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=24907&CodSubItem=36

E ai ? ainda acredita que não há “vantagens”  e “desvantagens” sociais por conta da cor ?, que julgamento de “mérito” não tem nenhuma relação direta ou derivada dessas  práticas que facilitam a vida de uns e dificulta a de outros ?.

 


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PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO DE “COR OU RAÇA” NO CURRÍCULO LATTES

CNPQ-Afirmativas-Lattes

Seguindo o previsto na LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010. (Estatuto da Igualdade Racial)  a plataforma de Lattes de Curriculuns (do CnPq) utilizada pela comunidade acadêmica e nos processos seletivos e concessões de bolsas  para cursos de pós-graduação ou na contratação de professores/pesquisadores, passa a ter como campo obrigatório o item “cor/raça”, a exemplo do que já ocorre nos formulários do SUS e outros cadastros governamentais.

Como previsto e de costume está ocorrendo polêmica e  a “indignação” dos “neo-democratas-raciais” (aquelas pessoas que juram que “não são racistas”  e se colocam contra a utilização de termos que lembrem “raça/cor” ou quaisquer ações afirmativas que utilizem o critério e  possam trazer correções da histórica desigualdade entre brancos e não-brancos), bem como o apoio dos que já compreenderam a filosofia e necessidade das ações afirmativas, a novidade visa a obtenção de dados mais concretos e centralizados sobre a “cor”  da academia e pesquisa brasileira, oferecendo subsídios para o planejamento e ações de correção da discrepância de oportunidades na área.

Dados mais antigos revelavam que dos então cerca de 300 mil mestres e doutores brasileiros, 90% eram brancos (quando na população geral são coisa de 49%), 9,4% pardos e apenas 0,6% (coisa de 2 mil) eram pretos. Sendo portanto a questão da pós-graduação ainda mais desigual do que a da graduação, contrariando a premissa dos que defendem que “não há” questão de cor na mobilidade social brasileira remetendo tudo para o “meramente social”, e que uma vez superada a barreira da pobreza e formação básica já não há mais “diferenças” nas oportunidades; na realidade a forma extremamente subjetiva como se dá o acesso aos programas de pós-graduação e concessão de bolsas, somada à observação de que mesmo superada a etapa da graduação, a desigualdade se assevera ainda mais nos  níveis acima, demonstram que a cor dos candidatos é de fato uma variável  de extrema influência, não apenas no acesso ao ensino superior mas também na mobilidade acadêmica, bem como, é premente a necessidade de identificar detalhadamente o fenômeno, as ações necessárias e o público alvo da ação afirmativa.


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Até tu Joelma ???

joelma-gays

Todo mundo tem direito de ter suas convicções, venham elas de base cultural, ética ou moral/religiosa ( mesmo que equivocadas ou questionáveis), só não dá para agregar impunemente besteiras ao seu discurso sem esperar que tudo o que diga, não seja bem aceito por todos e pior que não seja contestado (e por vezes fortemente), ser contra o casamento gay por convicções religiosas não é o problema, o problema é o seu entendimento sobre orientação sexual e principalmente sua visão da homossexual como “doença/vício”, já que entende que a mesma é passível de “regeneração/recuperação”… .

A cantora Joelma, até por ser “musa” e ter boa parte de seus fãs na comunidade Gay (além de obviamente ter muitos no seu entorno profissional), bem que poderia ter uma mente mais aberta (ou pelo menos uma boca mais fechada…, aliás, bem que esses fãs deslumbrados e inconscientes, poderiam se ligar e abandonar de vez a sua “JoelmaMania” e encontrar uma “Diva” que ao menos os respeitasse e entendesse…)  .

Não satisfeita com a besteira I, ao tentar se explicar, piorou ainda mais…

“Eu não comparei gays às drogas. Disse que a recuperação é tão difícil quanto, mas Deus faz o impossível. Falo em recuperação porque conheço pessoas que saíram dessa. Foi muito difícil, mas Deus pode absolutamente tudo”.

Lascou !!!!,  “regenerar” ?,  “recuperação” ????,  que é isso D. Joelma ????; orientação sexual é doença ???, é uma “dependência”, um “vício” ?, tem “cura” ????; desculpem, ignorância natural a gente até compreende, perdoa…, porém ando ficando cada vez mais insurgente contra esse tipo de “ignorância introjetada” que vem todos sabem de onde, de uma cada vez maior alienação provocada por arautos da intolerância e da discriminação…, ainda bem que não existe inferno (e os fariseus-chefes sabem bem disso, pois não tem qualquer escrúpulo em insistir em todas suas práticas nefastas), pois se tivesse era um lugar perfeito para mandar por toda a eternidade todos esses disseminadores da intolerância e ignorância.