Blog do Juarez

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Que tal um pouco de poesia ? O emparedado (Cruz e Sousa)

Apesar de oitocentista (séc. XIX) o poema continua super atual (será que alguém não vai perceber do que ele  está falando ? ).

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O poeta emparedado

“Não! Não! Não! Não transporás os pórticos milenários da vasta edificação do mundo, porque atrás de ti e adiante de ti não sei quantas gerações foram acumulando, pedra sobre pedra, pedra sobre pedra, que para aí estás agora o verdadeiro emparedado de uma raça. Se caminhares para a direita baterás e esbarrarás, ansioso, aflito, numa parede horrendamente incomensurável de Egoísmos e Preconceitos! Se caminhares para a esquerda, outra parede, de Ciências e Críticas, mais alta do que a primeira, te mergulhará profundamente no espanto! Se caminhares para a frente, ainda nova parede, feita de Despeitos e Impotências, tremenda, de granito, broncamente se elevará ao alto! Se caminhares, enfim, para trás, ah! ainda, uma derradeira parede, fechando tudo, fechando tudo ~ horrível – parede de Imbecilidade e Ignorância, te deixará num frio espasmo de terror absoluto…
E, mais pedras, mais pedras se sobreporão às pedras já acumuladas, mais pedras, mais pedras… Pedras destas odiosas, caricatas e fatigantes Civilizações e Sociedades… Mais pedras, mais pedras! E as estranhas paredes hão de subir longas, negras, terríficas! Hão de subir, subir, subir, mudas, silenciosas, até as Estrelas, deixando-te para sempre perdidamente alucinado e emparedado dentro do teu Sonho…”

Cruz e Souza

Fonte: Emparedado; Poema do Livro Evocações de Cruz e Souza; http://www.palavrainvadida.com/2013/03/cruz-e-souza-o-poeta-emparedado.html

 

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Nova onda de ataque aos haitianos

cuidado-com-compartilhaDepois de algum tempo sem notícias envolvendo preconceito e discriminação contra haitianos, eis que surge uma onda de boatos com clara intenção de causar uma reação popular generalizada contra a presença dos mesmos.

O Hoax (boato na rede)  parece ter se originado no Acre, iniciou pelo facebook mas se concentrou e espalhou principalmente pelo Whatsapp e rapidamente,  e associa haitianos com um suposto surto do vírus ebola…,  a partir de uma mensagem que fala em 7 ônibus com haitianos doentes vindos de Brasília e mantidos em um parque de exposições (em Manaus não seria pois como viriam de ônibus de Brasília ????, mas ninguém para para pensar) diferentes  a que vão se agregando outras com adaptações para Manaus.

Os deflagradores contam com a ignorância das pessoas e apostam em uma mistura explosiva de preconceito com histeria em função de uma suposta muito próxima epidemia com o vírus mais temido da atualidade, sendo que o Ebola está restrito e contido em partes de países do centro-leste-oeste africano como Uganda, Congo e mais recentemente na Libéria e Guiné (onde já foram constatadas mais de 400 infecções e 150 mortes), ou seja, que não tem absolutamente nada a ver com o Haiti, a única semelhança está na cor das pessoas… (e com certeza absoluta ai reside novamente a motivação maior para o ataque).

Não há um só caso conhecido de Ebola fora do continente africano e ainda assim restrito as áreas citadas, a própria SUSAM já negou qualquer situação relacionada a Manaus: http://www.d24am.com/noticias/saude/susam-nega-caso-de-haitianos-com-virus-ebola-em-manaus/110799 .

Triste o mau uso que se faz dos modernos recursos de comunicação, mas isso só grassa devido a ignorância e preconceito das pessoas… .


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O que mudou ?

Os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro (caso dos justiceiros), onde em momentos distintos dois jovens foram atacados, espancados, despidos e amarrados e/ou acorrentados a equipamentos urbanos, deveria levar as pessoas a refletir sobre algo que muitas não enxergam (ou fingem não enxergar), independente da ação prévia (tentativa de ato criminoso ou o simples fato de estar no lugar errado na hora errada), os dois tem uma coisa em comum…, são negros, e ambos receberam tratamento “nada humano”, humilhante, incomum e muito “simbólico”… (vilipêndio extremado),  aliás…, esse tipo de prática de desrespeito aos Direitos Humanos (principalmente em se tratando de negros) se repete há séculos… e é com certeza “cultural”.

O ditado “Uma imagem vale mais que mil palavras” cabe perfeitamente aqui, fica a pergunta : para “justiceiros”, políciais ou escravagistas (brancos ou agentes a serviço da branquitude e seus interesses)  e para os vilipendiados (não por coincidência quase todos negros, ou “quase negros de tão pobres” como diria Caetano)  o que mudou ?

oquemudou2E ai ?, visualizou ?


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O que você faria? furto de Bicicleta (Cara Branco, Cara Negro, Moça Bonita)

Este é um “experimento social” (pegadinha) feito nos EUA, mas que não teria um desfecho muito diferente no Brasil…(exceto pelo fato de que talvez um ou outro ligasse discretamente para a polícia no caso cara branco, e muito provavelmente o cara negro teria sido linchado antes que tivesse chance de explicar qualquer coisa ou ser salvo pela equipe de produção…), infelizmente o vídeo não possui legendas nem tradução em português (até tentei baixar para legendar mas veio completamente sem som…), porém não importa a língua, as imagens valem por mil palavras, o que está acontecendo fica muito claro só observando as reações das pessoas…, alguém tem dúvidas da diferença de tratamento em função da cor ? (note que as roupas são similares,  local e situação são exatamente os mesmos…) e isso não acontece só em situações extremas e suspeitas, só sabe quem já viveu…

No Brasil foi feita experiência em vídeo semelhante (só que com as famigeradas portas giratórias de banco), advinha o resultado ? : http://www.contrafcut.org.br/noticias.asp?CodNoticia=24907&CodSubItem=36

E ai ? ainda acredita que não há “vantagens”  e “desvantagens” sociais por conta da cor ?, que julgamento de “mérito” não tem nenhuma relação direta ou derivada dessas  práticas que facilitam a vida de uns e dificulta a de outros ?.

 


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PREENCHIMENTO OBRIGATÓRIO DE “COR OU RAÇA” NO CURRÍCULO LATTES

CNPQ-Afirmativas-Lattes

Seguindo o previsto na LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010. (Estatuto da Igualdade Racial)  a plataforma de Lattes de Curriculuns (do CnPq) utilizada pela comunidade acadêmica e nos processos seletivos e concessões de bolsas  para cursos de pós-graduação ou na contratação de professores/pesquisadores, passa a ter como campo obrigatório o item “cor/raça”, a exemplo do que já ocorre nos formulários do SUS e outros cadastros governamentais.

Como previsto e de costume está ocorrendo polêmica e  a “indignação” dos “neo-democratas-raciais” (aquelas pessoas que juram que “não são racistas”  e se colocam contra a utilização de termos que lembrem “raça/cor” ou quaisquer ações afirmativas que utilizem o critério e  possam trazer correções da histórica desigualdade entre brancos e não-brancos), bem como o apoio dos que já compreenderam a filosofia e necessidade das ações afirmativas, a novidade visa a obtenção de dados mais concretos e centralizados sobre a “cor”  da academia e pesquisa brasileira, oferecendo subsídios para o planejamento e ações de correção da discrepância de oportunidades na área.

Dados mais antigos revelavam que dos então cerca de 300 mil mestres e doutores brasileiros, 90% eram brancos (quando na população geral são coisa de 49%), 9,4% pardos e apenas 0,6% (coisa de 2 mil) eram pretos. Sendo portanto a questão da pós-graduação ainda mais desigual do que a da graduação, contrariando a premissa dos que defendem que “não há” questão de cor na mobilidade social brasileira remetendo tudo para o “meramente social”, e que uma vez superada a barreira da pobreza e formação básica já não há mais “diferenças” nas oportunidades; na realidade a forma extremamente subjetiva como se dá o acesso aos programas de pós-graduação e concessão de bolsas, somada à observação de que mesmo superada a etapa da graduação, a desigualdade se assevera ainda mais nos  níveis acima, demonstram que a cor dos candidatos é de fato uma variável  de extrema influência, não apenas no acesso ao ensino superior mas também na mobilidade acadêmica, bem como, é premente a necessidade de identificar detalhadamente o fenômeno, as ações necessárias e o público alvo da ação afirmativa.


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Até tu Joelma ???

joelma-gays

Todo mundo tem direito de ter suas convicções, venham elas de base cultural, ética ou moral/religiosa ( mesmo que equivocadas ou questionáveis), só não dá para agregar impunemente besteiras ao seu discurso sem esperar que tudo o que diga, não seja bem aceito por todos e pior que não seja contestado (e por vezes fortemente), ser contra o casamento gay por convicções religiosas não é o problema, o problema é o seu entendimento sobre orientação sexual e principalmente sua visão da homossexual como “doença/vício”, já que entende que a mesma é passível de “regeneração/recuperação”… .

A cantora Joelma, até por ser “musa” e ter boa parte de seus fãs na comunidade Gay (além de obviamente ter muitos no seu entorno profissional), bem que poderia ter uma mente mais aberta (ou pelo menos uma boca mais fechada…, aliás, bem que esses fãs deslumbrados e inconscientes, poderiam se ligar e abandonar de vez a sua “JoelmaMania” e encontrar uma “Diva” que ao menos os respeitasse e entendesse…)  .

Não satisfeita com a besteira I, ao tentar se explicar, piorou ainda mais…

“Eu não comparei gays às drogas. Disse que a recuperação é tão difícil quanto, mas Deus faz o impossível. Falo em recuperação porque conheço pessoas que saíram dessa. Foi muito difícil, mas Deus pode absolutamente tudo”.

Lascou !!!!,  “regenerar” ?,  “recuperação” ????,  que é isso D. Joelma ????; orientação sexual é doença ???, é uma “dependência”, um “vício” ?, tem “cura” ????; desculpem, ignorância natural a gente até compreende, perdoa…, porém ando ficando cada vez mais insurgente contra esse tipo de “ignorância introjetada” que vem todos sabem de onde, de uma cada vez maior alienação provocada por arautos da intolerância e da discriminação…, ainda bem que não existe inferno (e os fariseus-chefes sabem bem disso, pois não tem qualquer escrúpulo em insistir em todas suas práticas nefastas), pois se tivesse era um lugar perfeito para mandar por toda a eternidade todos esses disseminadores da intolerância e ignorância.


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A dispensa do “defeito de cor” ou a origem do “negro de alma branca

“Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o estigma de um crime.”

(Luiz Gama, sec. XIX)

Uma das grandes dificuldades para a popularização e maior abrangência do conhecimento sobre relações raciais no Brasil,  é  além da enorme extensão do tema, a falta de referências mais simplificadas e diretas sobre aspectos da temática.

Na maioria dos casos, tais aspectos estão dispersos e  embutidos em dissertações e teses de doutorado, livros densos; ou nas melhores das hipóteses em artigos também muito elaborados e longos, situações que “espantam”  grande parte dos interessados apenas pela verificação do volume e do formato científico… , afinal ler muito não é uma característica dos mais jovens e dos mais “populares”; dai a minha intenção de em menos de uma página, passar as informações básicas sobre o exposto no título e referências para quem quiser se aprofundar no assunto.

Durante muito tempo, se ouviu vindo de pessoas brancas, de forma  “popularizada e natural” a expressão “Negro de alma branca” utilizada por aqueles como um “elogio” aplicável  à pessoas que sendo negras, assimilavam o discurso e comportamento “desejáveis” aos padrões  hegemônicos em  uma sociedade  mascaradamente racista e “racialmente” estratificada.

Uma das primeiras referências registradas encontramos em Ronald Raminelli ao comentar sobre crônica do seiscentista Frei Manuel Calado, em relação ao herói negro da guerra contra os holandeses em Pernambuco, Henrique Dias.

Calado recorreu às cores para apresentar suas qualidades, contrastando o branco com o negro.  Embora o valente militar fosse preto, eram brancos o seu comportamento, a lealdade e a disposição para lutar. As palavras do frei pretendem louvar os feitos do forro, não obstante destaquem a brancura de suas obras e esforços. Em O Valeroso Lucideno (1648), o herói era “negro na cor, porém branco nas obras, e no esforço”. Depois de instaurada aguerra pela liberdade divina, o cronista voltou a recorrer ao simbolismo das cores: “enfim deitado de parte o ter os couros pretos, a muitos brancos tem levado mui assinaladas vantagens”. O trecho talvez indique que os hábitos brancos eram sinônimos de hábitos nobres, qualidades não encontradas entre os negros, comumente vinculados à cor preta e ao cativeiro. Para o cronista da restauração pernambucana, mal comparando, Henrique Dias seria então “um preto de alma nobre ou de alma branca”. (grifo nosso) [1]

Conjecturas postas por Raminelli na sequência do texto citado ampliam  tal entendimento, apesar de não se colocarem enquanto conclusivas.

Os “Negros de alma branca” eram também por vezes referidos como  “bons crioulos”, dos EUA  nos chegou também a expressão análoga “Pai Tomás”, em referência ao conhecido personagem literário de “A cabana do pai Tomás”, subserviente e não questionador… .

No Brasil, tal concepção foi  praticada efetivamente e até oficializada na época da colônia e  mesmo  já no império,  pois o negro (preto ou miscigenado)  que tivesse alcançado por qualquer caminho o status de livre e condições acadêmicas suficientes para assumir postos de proeminência social ( em especial no clero), deveria peticionar e assinar um documento chamado “DISPENSA DO DEFEITO DE COR”  no qual ele “pedia” oficialmente que não se levasse em consideração sua cor e origem pois era totalmente assimilado aos valores civilizatórios eurocêntricos, aos  “bons costumes”, aplicado aos estudos e ao trabalho (em contraposição à imagem preconceituosa sobre e  “lugar-social” esperado do “negro comum”) ; ou seja, apesar de negro declarava oficialmente ter ‘alma de branco’ , isso era racista ?, obviamente, porém uma imposição do estado e da própria igreja,  uma violência psicológica a que eram submetidos tais negros durante toda uma vida, violência tamanha a ponto de para introjetarem  a  suposta “alma branca” (terem adoecimentos psicológicos) e estabelecerem negações e repulsas identitárias ao se sujeitarem a tamanha humilhação… ( além de outras subserviências  abjetas aos interesses do sistema).

É interessante visualizar os termos em que se colocavam a súplica da dispensa do “defeito de cor” no caso do clero e na sequência, algumas situações fáticas ocorridas quando isso já era inconstitucional.

Aos dez dias do mês de junho de 1791, o então habilitando  José Maurício Nunes Garcia dava entrada, na Câmara Eclesiástica do Bispado do Rio de Janeiro, em uma petição na qual pedia para “ser dispensado da cor” de modo a poder prosseguir no seu processo de ordenação sacerdotal. Alegava para tal que havia recebido dos pais boa educação, que desde a  infância apresentava vocação para o estado sacerdotal e para realizar tal intento aplicara-se aos estudos de Gramática, de Retórica, de Filosofia Moral e Racional e à Arte da Música. Afirmava  ter vivido  com  regularidade  nos  seus  costumes,  sendo  temente a  Deus  e  obediente  às  leis. Finalizava  a  petição,  dizendo-se  merecedor  da  graça  por  não  estar  incurso  em  qualquer  irregularidade a não ser a “do defeito da cor”.[..]A  necessidade  da  dispensa  do  “defeito  de  cor”  justificava-se,  portanto,  pela ascendência  do  habilitando,  que foi  designado  como mulato  por  algumas  testemunhas que depuseram em seu processo de habilitação às ordens sacerdotais.Aos  dezesseis  de  junho  do  dito  ano,  o  provisor  do Bispado, o Muito Reverendo Doutor Francisco  Gomes  Villasboas, despachava  favoravelmente  ao  pedido.  Alegou  que  não  via contra o suplicante nenhuma outra  irregularidade senão a do “defeito da cor”, que o mesmo havia provado morigerança, vocação e aplicação aos estudos. [2]

Trata-se o habilitando, do então futuro e já citado Padre José Maurício Nunes Garcia, Mestre-Capela (músico, regente e compositor sacro) da Capela Real  do Rio de Janeiro, no período em que a corte portuguesa transferiu-se para o Brasil,  No mesmo sentido em alguns casos no serviço público e forças armadas, exigia-se declaração semelhante.

Outro exemplo posterior  em narração sobre a entrada para o Seminário de Mariana-MG do  padre Francisco de Paula Victor no ano de 1849,  já se verifica a utilização do conceito e do termo de forma muito próxima da que hoje conhecemos, e importante lembrar que o caso se dá pelo menos 25 anos depois da Constituição de 1824, quando em tese já não se poderia utilizar a cor de um homem livre como fator discriminatório.

Ao saberem os colegas seminaristas que o negro era como eles, um estudante e candidato ao sacerdócio, ficaram atônitos, A sua admissão no Seminário causou desagrado aos estudantes orgulhosos, que se sentiram deprimidos por terem que conviver ao lado de um negro. E comentavam uns com os outros: Como é possível ser um padre,um ministro de Deus,um negro tão feio, um tipo tão hediondo? Foi necessária a intervenção do bispo de Mariana, D. Viçoso, para acalmar os ânimos dos exaltados seminaristas, dizendo a eles que aquele negro possuía alma alvíssima. (grifo nosso) [3]

Fica patente a ideia que a “Alma alvíssima” ou “Alma branca” era tida como um “elogio” e “abonador” à uma pessoa negra, não obstante o conceito encerrar um alto teor racista (perceptível hoje e aparentemente nada na época), também se pode inferir que tal consideração já não dependia de uma solicitação formal da dispensa do “defeito de cor”, bastava apenas que a visualização do nível de assimilação e a contemplação de expectativas sobre o indivíduo se apresentassem de forma clara para o “elogiador”.

O “Negro de alma branca” ainda existe, ele é produto e mais uma vítima (patética) do racismo secular em nossa sociedade, se hoje não mais oficialmente e por exigência explícita das esferas de poder,  mas pelo racismo “velado” (e nem sempre tão velado) arraigado principalmente nos altos estratos da sociedade (virtualmente brancos).

Um racismo que pressiona uma fuga desesperada de estigmas e “exige” de maneira informal e silenciosa, que em troca de muito boa (e excepcional) mobilidade social e aceitação, a pessoa negra não veja nada, não “enxergue” racismo em nada e que abdique de sua estética (alisando/cortando o cabelo, usando roupas “padrão”), de seus valores não eurocêntricos (negando a religiosidade afro e  outros aspectos culturais de clara origem afro), do discurso questionador (ao falar em racismo ou defender ações afirmativas), e  principalmente que reafirme (por atos e omissões) sua lealdade e subserviência ao sistema opressor  secular, agindo por vezes como verdadeiros “neo-capitães-do mato”  contra os interesses do restante da população negra e  nunca ultrapassando os “limites” a ela impostos (ou logo serão chamados de insolentes, ambiciosos ou ineptos para tais alturas), exigências que são atendidas por muitos e muitas que não conseguem vislumbrar progresso fora desse esquema.

A adoção voluntária da “alma branca” como paradigma de vida e fator de mobilidade, ajuda a explicar alguns posicionamentos e características de negros do passado e do presente; inescapável a dedução de que a impossibilidade real e plena de “ser branco”, tendo “marca” negra, gerou no passado, assim como pode gerar hoje, conflitos psicológicos, angústias, bizarrices comportamentais, ou mesmo adoecimentos, para um aprofundamento na questão sugiro a leitura de “Negros de almas brancas ?” de Petrônio José Domingues  [4].

Referências para aprofundamento:

Literatura : Um defeito de cor , romance da escritora Ana Maria Gonçalves : vide entrevista http://www.record.com.br/autor_entrevista.asp?id_autor=12&id_entrevista=28

Teses , Dissertações e Artigos Científicos:

[1]             RAMINELLI, Ronald. Impedimentos da cor: mulatos no Brasil e em Portugal c. 1640-1750. Varia hist., Belo Horizonte ,  v. 28, n. 48, Dec.  2012 . pp 700-701.   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-87752012000200011&lng=en&nrm=iso>.

[2]             OLIVEIRA, Anderson José Machado de. Suplicando  a  “dispensa  do  defeito  da  cor”:  clero  secular  e estratégias  de mobilidade  social  no  Bispado  do  Rio  de  Janeiro – século  XVIII .  Encontro  de  História  ANPUH-RJ.  2008.  Disponível em: <http://encontro2008.rj.anpuh.org/resources/content/anais/1212773302_ARQUIVO_Texto-AndersondeOliveira-Anpuh-RJ-2008.pdf>

OLIVEIRA, Anderson José Machado de. Dispensa da Cor e Clero Nativo: poder eclesiástico e sociedade católica na América Portuguesa (1671-1822). In: IV Encontro Internacional de História Colonial, 2014, Belém. Anais do IV Encontro Internacional de História Colonial. Belém: Editora Açaí, 2012. v. 3. p. 15-28. Disponível em <http://www.ufpa.br/pphist/documentos/Vol.%203%20-%20Dimens%C3%B5es%20do%20catolicismo%20portugu%C3%AAs.pdf>

[3]     ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA DE ESTUDOS EVANGÉLICOS FRANCISCO DE PAULA VICTOR (Limeira). Biografia – Francisco de Paula Victor. Disponível em: <http://paulavictor.com.br/franciscodepaulavictor.htm>.

[4]  DOMINGUES, Petrônio José .Negros de almas brancas? A ideologia do branqueamento no interior da comunidade negra em São Paulo, 1915-1930. Estudos afro-asiáticos.,  Rio de Janeiro ,  v. 24, n. 3,   2002 .   Disponível em <www.scielo.br/pdf/eaa/v24n3/a06v24n3>.

A RECUSA DA “RAÇA”: ANTI-RACISMO E CIDADANIA NO BRASIL DOS ANOS 1830* Celia Maria Marinho de Azevedo em : http://www.scielo.br/pdf/ha/v11n24/a13v1124.pdf

Matérias em Revistas :

REVISTA RAÇA BRASIL, Maçons: ontem e hoje por Flávio Carrança  http://racabrasil.uol.com.br/cultura-gente/151/artigo208161-1.asp

Poesia :

O EMPAREDADO, Cruz e Souza (poeta negro catarinense do séc. XIX) em : http://www.fflch.usp.br/sociologia/asag/o%20emparedado%20-%20Cruz%20e%20Souza.pdf