Blog do Juarez

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Vídeos do histórico Programa Roda Viva AM sobre Consciência Negra (2007)

Depois de anos e atendendo a alguns pedidos, estou disponibilizando o vídeo (em várias partes) do  histórico programa Roda Viva AM de 2007, sobre Consciência Negra, no qual fui o entrevistado na berlinda… , na “banca”  além do apresentador Cristovão Nonato, as presenças de Cauby Cerquinho (Jornalista da TV Assembleia), Prof. Dr. Ademir Ramos (Antropólogo, professor da UFAM), Alberto Jorge (Psicólogo e Sacerdote de Matriz africana) e Luís Carlos (KK) Bonates ( Doutor em Biologia do INPA e  internacionalmente conhecido Mestre de Capoeira),   passados 7 anos a discussão continua  extremamente atual e a partir dela se pode ter uma boa ideia dos conceitos relativos ao tema, falamos de Racismo, Intolerância religiosa, Presença negra no Amazonas, Movimentos negros, Ações Afirmativas, A importância histórica de Palmares e de Zumbi, além de aspectos legais que justificam o feriado da Consciência Negra,  se não viu é uma ótima oportunidade, se já viu vale a pena ver de novo.

Só clicar nas imagens…

Link Roda Viva parte I no onedrive

rodaviva-parte1

http://1drv.ms/1BWfdaJ

( 5 min.)

 

 

 

 

 

 

 

Link Roda Viva parte II no onedrive

rodaviva-parte2
http://1drv.ms/1tagBNu

(8 min.)

 

 

 

 

 

 

 

 

Link Roda Viva parte III no onedrive

rodaviva-parte3

http://1drv.ms/1zJGCIj

(2 min. )

 

 

 

 

 

 

 

 

Link Roda Viva parte final no onedrive

rodaviva-parte-final

http://1drv.ms/1BWf1Zb

(41 min.)


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Programa Na Moral: Racismo; e ai ? valeu ?

Snapshot do Programa Na Moral (sobre racismo, em 10/07/2014)

Snapshot do Programa Na Moral (sobre racismo, em 10/07/2014)

Escrevi esse post após ter visto alguns comentários de outros ativistas negros no facebook  sobre o programa  de TV comandado pelo Pedro Bial  e exibido na noite de 10 de julho de 2014 (ontem),  bem como, depois de ter também comentado por lá (aliás apaguei o comentário feito sem ter visto o programa, e refiz após assistir pela web no site do mesmo, afinal, quem combate o preconceito, não pode se deixar levar pelos próprios preconceitos e nem opinar sem conhecimento de causa, então sem medo de ser feliz, fiz a coisa certa… fui ver para opinar corretamente e alterei sim o meu primeiro entendimento/comentário).

Primeiramente, analisando a visão e discurso dos ativistas (de que o programa “não prestou” e não atendeu as expectativas), penso que há equívoco na avaliação, enquanto ativista até compreendo as críticas, afinal, somos todos pessoas envolvidas com a discussão temática há longo tempo ou dedicamos ao estudo do assunto bom tempo de nossas vidas, compreensível portanto, que esperemos sempre um volume de informações e  abordagens mais veementes e combativas…, ocorre que uma das coisas que aprendi na minha pós-graduação em Educação a Distância, é que todo curso (ou evento de cunho “educativo”, e um programa do tipo tem esse cunho) tem que ter um “desenho instrucional” (projeto da forma como será apresentado) compatível com o público-alvo e aproveitando os melhores recursos do meio empregado (no caso a televisão), dai vem a “decepção” de boa parte dos ativistas que “esperavam mais” do programa.

Em segundo, quero dizer que enquanto experiente palestrante sobre o tema, sei  muito bem que ouvir sobre racismo e efeitos, é uma coisa que não agrada muita gente (o brasileiro em geral acha “incômodo” falar sobre racismo, não se acha racista e acha que “sabe tudo” sobre o assunto), se é uma programação anunciada com esse fim, não junta muita gente… e se está “embutida” em uma outra atividade não específica sobre o tema, muitas  pessoas simplesmente se levantam e vão embora na hora que se começa a tratar do assunto…, logo,  é preciso muita criatividade, domínio de palco e principalmente das informações a serem passadas, para “segurar”  até o fim quem ficou… ; em se tratando de um programa de TV, é preciso compatibilizar a forma e as informações a serem passadas, primeiro com o formato do programa e o televisivo e segundo com a “paciência” do público, afinal TV vive de audiência…  e  fazer uma coisa “pesada e maçante” não é a melhor forma de conseguir e manter isso.

Em terceiro, fazendo uma análise das falas (inclusive as do Bial), penso que no contexto e tendo em vista o público-alvo, foi sim positivo…(não completo nem “preciso”, mas efetivo) no sentido de pelo menos “abrir a cabeça” de muitas pessoas, para pelo menos a legitimidade e necessidade da discussão da temática, de que a coisa existe sim, não é “papo de complexado”, de quem  “vê pelo em ovo” , nem de quem “se vitimiza sem razão”, as pessoas devem ter entendido pelo menos a violência psicológica que o racismo impõe aos jovens negros e negras, que a baixa-estima  não é um “auto-racismo”  voluntário e ideológico, mas efeito de uma construção social de opressão secular, que a cor é sim motivo de embarreiramento social no Brasil, e que estamos muito, mas muito atrás por exemplo dos norte-americanos (e que ironia, eles sendo vistos como  verdadeiramente racistas enquanto o brasileiro não enxerga o seu próprio racismo), ou seja, “didaticamente” , o programa abriu portas para o aprofundamente da questão, talvez menos pessoas “fujam” quando derem de cara comigo ou outros ativistas em uma palestra sobre a questão… ou entrem com uma visão menos negacionista em uma discussão virtual.

Para finalizar, digo que as participações de  quase todos (Ailton Graça, Zezé Motta, Taís Araújo, Joel Zito ) foram excelentes (dentro é claro das condições de um programa desse tipo e da condução dada pelo Bial), a do Diretor Daniel Filho não  foi ruim, mas pecou muito pela invenção da “desculpa fajuta” sobre a participação do ator Sérgio Cardoso (branco pintado de preto para interpretar o personagem principal) na novela ” A cabana do Pai Thomás” (1969), aliás a verdadeira história e motivos estão na página 92 do livro “A Negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira” de Joel Zito Araújo (que participou do programa e por motivos óbvios não pode polemizar  a questão),  quanto a participação do Tiaguinho, não poderia ser diferente… bem fraquinha, mas também não se pode esperar muito dessa geração de pagodeiros e jogadores de futebol  negros, que além de faturarem alto e terem fama (reduzindo bastante a sua percepção do racismo e seu envolvimento sério com o antiracismo) tem como “ícones” pessoas como o cantor Alexandre Pires…

Enfim, não foi o que poderia ser, com quem poderia ser, nem o ideal a partir de uma visão ativista mais experiente, porém entre o zero absoluto e o meta-racismo kameliano clássico que impera na rede, penso que se não foi muito, pelo menos o saldo foi positivo.

No link abaixo tem os vídeos do programa, quem ler isso passado muito tempo vai ter que fazer busca pelo termo “racismo”  ou pela data ” 10/07/2014″.

http://gshow.globo.com/programas/na-moral/


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A proficiência, o “mérito” e a pós-graduação…

proficiência-ing-ufam

Uma das coisas de que sempre discordei, é da generalizada visão limitada de “mérito” que se tem na academia e fora dela.

Com relação ao acesso universitário de graduação e principalmente de pós-graduação no setor público; uns enxergando o “mérito” como uma coisa absoluta e plenamente observável apenas a partir de uma pontuação obtida em provas majoritariamente objetivas (no caso da graduação), e de prova subjetiva, acrescida de projeto (cuja a análise não é menos subjetiva) e por fim de uma entrevista (que por mais que se tente estabelecer “pontos de avaliação padronizados”) tem sempre condução e “variáveis de valor” em nada precisamente colocadas ou medidas. Ou seja, um integrante diferente na banca, um humor alterado, uma postura, enfim, um item qualquer que pode ser considerado inapropriado, dependendo da visão de cada examinador, pode alterar radicalmente o resultado, portanto, uma avaliação não menos carregada de subjetividade.

Agora, deixando de lado a subjetividade, vamos ver o que não tem (ou não deveria ter) subjetividade alguma, ou seja, os requisitos mínimos necessários (obrigatórios); no que pese o artigo 44, inciso III, da LDB, autoriza as IES – Instituições de Ensino superior a adotarem as exigências e critérios que julgarem compatíveis com a condição de mestrando ou doutorando. É praxe em todas os PPGs de todas as IES e condição ELIMINATÓRIA, a não aprovação em exame ou não apresentação de certificado de proficiência em língua estrangeira.

Tal exame ou comprovação tem prazos que variam de edital para edital, uns pedem como última etapa do processo seletivo, outros dão prazo de um ano (ou previamente à fase de qualificação) outros exigem para a defesa da dissertação… . Penso eu porém que sendo item de caráter eliminatório (portanto condição “Sine qua non”) e como “poderoso” indicador de “universalidade e potencial intelectual”, deveria vir antes de qualquer elemento de seleção aplicada, deveria ou fazer parte da documentação a ser homologada para confirmação da inscrição, ou ser o primeiro dos instrumentos avaliativos (e eliminatório). Para só então seguir avaliando outros itens de “mérito”… .

Ocorre que se fosse assim (e não estou nem levando em conta a questão do nível de distanciamento da língua escolhida para o português…), de metade a 2/3 dos “selecionados” (por critérios super subjetivos) não estariam “aptos” a sequer se matricularem… . E isso não ocorre pelo fato dos acadêmicos que defendem o “mérito”, saberem muito bem que “outros critérios mais pessoais e nublados” já não poderiam “socorrer” as escolhas digamos “mais simpáticas” e “perfiladas” com o padrão que entendem geralmente contemplar “os meritosos”.

Exemplo real, exame de proficiência para alunos já matriculados e cursando…: 232 candidatos, apenas 97 aprovados (41%), destes : 24 em inglês, 3 em francês e 70 em ESPANHOL… (fico imaginando a catástrofe se fosse OBRIGATÓRIA a proficiência em inglês…) .

Confesso que tenho a impressão que esses números poderiam ser na realidade mais favoráveis…, o “rigor” da correção parece ter sido exigentíssimo. Fiz essa prova (que reputo como de nível intermediário), ou seja, “gostei da prova”, não vi “dificuldades” no texto nem no seu entendimento geral e em pormenores. Texto simples sem muitas “pegadinhas” ( bom, pelo menos na minha concepção…, já que leio corriqueiramente longos textos em inglês em jornais, artigos em revistas, livros, web…, já atuei como “comprador internacional” [realizando contatos via email e telefone até com a China…]. Sou daquele tipo que assiste filme legendado e percebe diferenças entre o que foi falado e a tradução escrita… e também antecipa ou repete as falas. Todas as vezes que precisei do meu inglês, inclusive fora do Brasil em países de língua inglesa, ele nunca me deixou na mão…, espanhol idem…); e mesmo assim tirei a nota “mínima” (7.0). Sem modéstia esperava ao menos 8.5…, mas vi muitos colegas (até quem trabalha com turismo em 4 línguas…) não obterem sequer o mínimo 7.0… em inglês.

Então, com uma pedra a mais fora do caminho, vamos em frente, … NEXT !


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Os médicos cubanos, o “avião negreiro” e as máscaras caídas…

Patricinhas de Jaleco, hostilizam e vaiam Médico cubano, na saída da aula inaugural do +Médicos  em Fortaleza, imagem que vale por mil palavras...

Patricinhas de jaleco branco hostilizam e vaiam Médico cubano na saída da aula inaugural do +Médicos em Fortaleza, imagem que vale por mil palavras… (Foto :Jarbas Oliveira/Folhapress)

Qualquer semelhança com a famosa cena da “recepção” da  primeira negra norte-americana matriculada em uma escola pública até então exclusiva para brancos, não é mera coincidência… .

Dorothy Counts, entrando na escola e sendo hostilizada  em 1957.

Dorothy Counts, entrando na escola e sendo hostilizada em 1957.

Por incrível que pareça ainda não me tinha “caido a ficha” sobre esta outra motivação para tanta reação à iniciativa do governo brasileiro em “importar” médicos estrangeiros (em especial os cubanos) para atuar nas regiões “desprezadas” pela classe médica brazuca.

Não obstante o óbvio corporativismo xenófobo, o sentimento de “superioridade formativa” em relação aos colegas latino-americanos e uma indisfarçável ideologia capitalista/elitista que só enxerga os pontos negativos de sociedades sob regime socialista/comunista; com a associação feita no título e conteúdo de recente matéria de Eliane Catanhede para a Folha de SP (além das de outras de outros ícones da “mídia má”) “saiu da sombra” uma questão que ainda não havia ganhado foco, o racismo…  (por mais que alguns tentem desviar a atenção desse “detalhe” , alegando que “não é uma questão de cor”, pois bem, que  não seja totalmente uma questão de cor…, mas que também conta, conta e muito…).

Sim, Cuba é uma ilha com população negra majoritária (O Instituto para Estudos Cubanos e Cubano-Americanos da Universidade de Miami, diz que 62% da população é negra, enquanto as estatísticas do censo do governo cubano afirmava que 65,05% da população era branca em 2002.), isso em uma sociedade em que o acesso à educação em geral e a superior em especial são muito mais democratizados do que no Brasil por exemplo, isso se reflete em uma grande representatividade negra nas profissões de nível superior, incluindo a medicina (mesmo que não diretamente proporcional à representatividade populacional, pois cuba também não está  isenta de desigualdade racial),  por “coincidência” os outros médicos mais “repudiados” (apesar de com menor estardalhaço) são justamente os bolivianos e peruanos (em grande parte de origem indígena…) .

As técnicas metaracistas (racistas sem falar em raça e dissimuladas, e as vezes nem tanto…) empregadas pela “mídia má” e os neo-democratas-raciais em geral, se fazem presentes e são claramente identificáveis nos textos e argumentações dessa turma, uma pseudo “preocupação” com a igualdade de direitos, etc… e a defesa cínica de posições que hora ignoram as diferenças materiais, apelando para uma igualdade meramente formal, hora evidenciando diferenças materiais ao mesmo tempo que exigem formalidades “igualativas”…, tanto em uma quanto em outra abordagem, o objetivo é tentar embarreirar avanços ou conquistas das populações não-brancas (mesmo que não nacionais) .

Em outras palavras, a burguesada não quer ver  doutores negros e negras  (nem “índios”), atendendo a população e mostrando que podem fazer um atendimento mais humanizado, relativamente eficiente e com muito menos recursos…, pois isso retira da elite (virtualmente branca) a “exclusividade do mercado” e pior…, vai que o pessoal “se acostuma” com médicos negros e  “a negrada brazuca” pelo exemplo  “pega gosto pela medicina” ? , em tempos de ações afirmativas (cotas em universidades) um maior interesse de negros pela medicina (e obviamente reduzindo as vagas que poderiam ser usadas por brancos) não deve lhes parecer nada interessante… .

Esse episódio da hostilização aos cubanos na chegada ao Brasil e na saída da primeira aula do programa + Médicos , na qual os profissionais foram obrigados a passar por um “corredor polonês” (corredor humano) montado pelos cearenses que gritavam palavras como “revalida”, “incompetentes” e “voltem para a senzala”. só reforça o que eu já havia dito em um post anterior sobre a classe médica brasileira estar caminhando para um total desgaste da imagem… https://blogdojuarezsilva.wordpress.com/2013/08/16/os-medicos-a-greve-e-a-opiniao-publica/

Pois é…,  máscaras OFF .


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Os médicos, a greve e a opinião pública

Distribuição médica no Brasil, desenhada, precisa explicar ?

Distribuição médica no Brasil, desenhada, precisa explicar ?

Que a figura do médico é uma das mais respeitadas na sociedade não há duvidas, a importância e expectativa em torno da sua disponibilidade profissional em todos níveis de atenção/operacionalização da saúde privada e pública e em todas as comunidades é inegável.

Por justaposição, a necessidade de justa remuneração e de boas condições de trabalho à  quem tem por missão salvar vidas e minorar o sofrimento dos adoecidos e injuriados é amplamente reconhecida, sendo assim, a visualização geral da classe como “inimiga pública” ou a não-solidariedade popular à suas causas seria um tremendo paradoxo e difícil de imaginar (mas não impossível), somente com condições contextuais atípicas, combinadas com muito “trabalho” no sentido de auto-desgastar a imagem da categoria perante a opinião pública isso poderia acontecer…, e por incrível que pareça é o que está caminhando a passos largos para se concretizar.

Sistemas são conjuntos de elementos que  em tese atuam  harmonicamente, o resultado dessa atuação conjunta não apenas define a visão geral que se tem de todo o conjunto, como se irradia também para os elementos que os compõem…, no caso do sistema de saúde brasileiro essa visão geral (principalmente sobre o setor público) tende a ser bem negativa (apesar de tantos avanços e várias características louváveis).

Sendo assim, o atendimento médico em si (ou sua ausência),  que pode ser prejudicado pelas falhas nos outros elementos do sistema, em não raros casos também ajuda bastante a compor a imagem negativa que se tem não apenas do sistema, mas do próprio atendimento em si e dos profissionais que o fazem ou deveriam fazer…, em outras palavras, se o sistema é ruim, é porque os médicos “ajudam”, mas pode ser entendido também como é ruim porque “não ajudam”…., o que acaba por “vilanizar” a classe.

Reivindicações antipáticas como o “ato médico” que pretendia tutelar quase que absolutamente outras categorias profissionais (até no que lhes era de competência e atribuição natural), atribuindo aos médicos “superpoderes” que não lhes eram verdadeiramente necessários, ajudaram na disseminação da visão de que a classe é altamente corporativista; o veto parcial da Presidente Dilma foi pedido e aplaudido pela sociedade, a insistência na derrubada do veto via congresso ou a judicialização de outras questões como a vinda dos médicos estrangeiros, só colabora para a manutenção dessa visão de classe “elitista subordinadora” e anti-popular.

A histórica e crônica falta de médicos públicos (e privados) nos rincões mais distantes do país, nas periferias das grandes cidades, etc…, pode até ter na “falta de recursos” e nos “pinos” dados por prefeitos do interior no pagamento de alguns dos poucos médicos que se dispuseram a tentar trabalhar em tais localidades, razões que justificariam apoio popular às reivindicações da categoria por maiores e melhores recursos, carreira de estado estruturada, etc…, ocorre que as “razões-nunca-ditas” (desinteresse por morar em localidades ermas, sem maiores atrativos e sem outras possibilidades de trabalho renda/extra), até então eram menos visíveis…, o programa do governo federal para a atração de médicos ( + Médicos) para essas localidades “desinteressantes”, tem deixado aos holofotes o que antes cabia na máxima jurídica “In dúbio pro reu” (na dúvida ganha o acusado), com isso, a “dúvida” tem ficado a cada dia menor…, o que está ficando com “evidência solar” é que a maioria dos médicos brasileiros não vai para o interior simplesmente porque não querem … ( e isso novamente vilaniza a classe, para quem não está no interior e principalmente para quem está lá…) .

Se a constatação cada vez mais evidente de que a falta de médicos no interior é principalmente o desinteresse generalizado da classe, já desgasta a imagem…, a oposição ferrenha e corporativista pouco disfarçavel à vinda de médicos estrangeiros para suprir essa lacuna, coloca os interesses da população e das entidades de classe médicas (e obviamente seus representados) em cantos opostos de um ringue… .

Essa generalizada “indisposição médica” (salvo as honrosas exceções) para a vida nos cafundós,  parece aos olhos do homens do interior (principalmente aqui da Amazônia) uma especificidade clara…, principalmente quando ele olha e vê que a Polícia está lá, a Justiça está lá, a Educação está lá (até as universidades estão se interiorizando), as forças armadas estão por lá, diversos elementos da mão do estado estão lá, instalações físicas da saúde, pessoal auxiliar e as vezes equipamentos empoeirados ou encaixotados também estão por lá…, só não estão os médicos ( por vezes, um que seja..) .

Mesmo que nesse momento a anunciada greve de agosto não tivesse absolutamente nada a ver com a defesa desses pontos antipáticos já expostos, mesmo que estejam sendo reivindicadas pautas justas e antigas, o que vai aparecer em realidade aumentada para a população é a falta de atendimento e a sensação de que uma classe que em termos de rendimentos financeiros (sim, a custa de muito trabalho, plantões e correria, que seja) se destaca absurdamente de outras profissões de nível superior (o que não dizer de outras ainda menos remuneradas), olha mais para o próprio umbigo que para “o resto”  da sociedade como um todo (e não vai adiantar tentar convencer que se está “brigando por ela”, pelos direitos do cidadão a uma “saúde de qualidade” e um exercício profissional com dignidade, o que vai parecer é que o ” ‘mimimi’ corporativista” está prejudicando (ainda mais) quem sempre leva a pior, o povão… ) .

Para piorar, tem Conselhos Regionais de Medicina, espalhando aos quatro ventos que irão “perseguir” e até chamar polícia para impedir que estrangeiros sem o “revalida”  trabalhem aonde os médicos brasileiros não se dignam a ir…, até então a falta de recursos e médicos nos rincões era o problema, agora parece não restar dúvidas que o problema mesmo é a falta de interesse e o corporativismo de uma classe que em tese deveria ter maior empatia com o povo necessitado de cuidados e  maior alteridade.

Em tempos em que o povo sai as ruas e repudia partidos políticos nas manifestações, hostiliza a imprensa manipuladora, se insurge contra e hostiliza os manifestantes de justas greves profissionais (mas que os deixam sem serviços básicos, como os ônibus…) , não é boa ideia uma categoria em desgaste exponencial, botar a cara na rua, pois os resultados podem não ser os esperados…, nessa toada, assim como os repórteres da Rede Globo passaram a tirar a identificação nas manifestações públicas, a fim de evitar hostilidades, pode ser que ser identificado como médico em manifestações e nas ruas gere animosidades… . Sinal dos tempos.


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Afinal, o ator Rodrigo Lombardi foi racista ? ou não ?

O ator global e “galã ” da novela das  23 horas (O Astro), Rodrigo Lombardi;  está protagonizando também uma grande polêmica (principalmente na web); que começou ao fazer no programa do Faustão do último domingo (04/09), uma declaração considerada racista por muita gente e “normal” por outro tanto… .

Ao ser instado para citar um ídolo, Lombardi emocionado citou Sammy Davis Jr. (cantor, dançarino e ator negro norte-americano de muito sucesso entre os anos 50 e 90 do século XX) com a seguinte frase : “Tem um cara que eu sou muito fã desde criancinha e acho que foi ele que me fez ser artista, juntamente com meu pai. Era um cara que na sua época era negro, caolho, um metro e cinquenta, chamado Sammy Davis Jr., que quando entrava no palco saía com 2 m de altura, loiro, de olho azul”.

Bem , agora vamos à análise da questão… :

1- É óbvio pelo contexto que a intenção do ator era elogiar e enaltecer Sammy Davis Jr. ;  um negro, portanto por inferência, a intenção não era proposital e conscientemente  ofensiva e nem racista…, na sua cabeça muito pelo contrário.

2- Por outro lado, racismo é uma ideologia em que grupos étnico-raciais  e que detém tradicional e histórica supremacia social e econômica  em determinado contexto (no caso ocidental e brasileiro leia-se população branca);  exercem  sobre outros grupos étnico-raciais, histórica e culturalmente condicionada  opressão , exploração, desvalorização cultural e estética e embarreiramento sócio-econômico;  impondo seus próprios padrões culturais, estéticos, etc… como sendo “superiores e desejáveis” (etnocentrismo).

3- Rodrigo Lombardi (assim como a maioria dos brasileiros “brancos” ); não tem noção de sua mentalidade racista e eurocêntrica introjetada…; essa mentalidade tem sido elaborada há séculos e passa de geração em geração…, de forma naturalizada e sem maiores reflexões;  apesar de no pós-abolição da escravidão as pessoas brancas terem assumido para si e os outros uma posição de que exteriorizar racismo é “feio”  (e  também pela criminalização da discriminação racial), o preconceito e a discriminação sobrevivem, geralmente de forma velada, “cordial” ou mesmo “inconsciente” ; muitos brasileiros brancos ACREDITAM MESMO não serem racistas (e de fato não tem a intenção consciente de sê-lo…) , mas trazem embutida a mentalidade racista e  enxergam com naturalidade a subordinação social e subrepresentação negra, bem como,  as imposições eurocêntricas (cabelo liso= bom,  cabelo “duro” = ruim,  nariz afilado= bonito, nariz largo= feio, “beleza europeia”= boa, “beleza afro” = “não existe”, comportamento bom= “lord/gentleman/dama”, comportamento ruim= “é de índio”,  cristão= bom,  religião afro= “demônio”, cor branca = pureza /paz, cor preta = mal/ pecado,  e por ai vai…)  .

Concluindo, do ponto de vista legal, Rodrigo Lombardi não foi racista (não fez declaração intencionalmente depreciativa, ofensiva ou racialmente injuriosa), mas do ponto de vista antropológico/sociológico e de forma “inconsciente” e involuntária,  podemos dizer que ele  “deixou escapar” sua mentalidade racista (e obviamente eurocêntrica) ao enaltecer um negro,  retirando-lhe  a  “negritude” e atribuindo-lhe de forma “honorária” características pretensamente “superiores” e brancas (loiro, de olhos azuis , etc…, uma  descrição de “homem ideal” em nada diferente da defendida por eugenistas e nazistas…), quem “não viu nada demais”  na declaração sofre do mesmo problema de mentalidade racista inconsciente… ; fazendo parte daquela turma que usaria sem problemas a expressão “preto de alma branca” para “elogiar” uma pessoa negra;  tem gente  que não percebe que colocar uma característica “racial” do grupo historicamente “dominante” como “ideal e superior”  tem o mesmo efeito prático de inferiorizar as dos outros.

Porém há males que vem para bem…, sendo o ator Rodrigo Lombardi uma pessoa (pelo menos na minha impressão ) que é “do bem” e dada a  sua exposição midiática atual, creio que o mesmo já deve ter refletido sobre o fato e deve se engajar de alguma forma  no combate a esse tipo de mentalidade geral e inconsciente, a polêmica também deve estar levando muita gente a refletir…

Aproveito para deixar o link para meu artigo que trata detalhadamente do racismo à brasileira :  “Não queríamos ser racistas”http://amazonida.orgfree.com/movimentoafro/nao_queriamos_ser_racistas.PDF


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Que pena Valdir…

Como a maioria dos trabalhadores de Manaus (quiça do Brasil… :-)) , costumo começar o dia ouvindo rádio enquanto me arrumo para ir trabalhar e no carro a caminho do serviço, em casa faço um “zap” entre várias estações e por vezes ouço o sempre animado e divertido Valdir Correia (o garotinho) da Difusora do Amazonas.

Mas não gosto nada quando ouço (em qualquer lugar) posicionamentos “endireitados” e equivocados com relação a questões que envolvem os Direitos Humanos e Cidadania (em suas mais variadas sub-temáticas); coisa bem ao estilo de conhecidos apresentadores que capitalizam audiência (em geral de pessoas simplórias e mal informadas) em programas “marrons” vociferando contra  os “descasos do poder público” a bandidagem e  principalmente contra  “o pessoal dos Direitos Humanos” , alegando que estes “defendem bandido” e o batido discurso relacionado.

Essa não é  linha do Programa  do Garotinho, que como todo mundo tem direito a expressar sua opinião pessoal;  porém hoje  fiquei um tanto decepcionado ao ouvir o Valdir falando contra a aprovação na Câmara dos Deputados  de projeto em que os presos condenados podem fazer remição de pena (redução) se estudarem (hoje a lei prevê remição por trabalho: um dia de redução para cada dia trabalhado), pelo projeto aprovado para reduzir um dia da pena, o preso deverá estudar  no mínimo 12 horas, divididas em três dias (ou seja, 4 horas por dia), de quebra o Valdir aproveitou para fazer  levemente  o link   com outra posição recionária em relação ao auxílio-reclusão (benefício previdenciário pago às famílias de presos de baixa renda contribuintes da previdência social, durante o período de prisão), chegando ao cúmulo de sugerir que quem votou a favor da lei deve ter parentes bandidos e presos… .

Não estou com muita paciência para retomar o assunto agora ( mas tempos atrás escrevi um post sobre auxílio-reclusão , visitem e outro sobre egressos do sistema prisional também pertinente ).

O importante é lembrar que que há três tipos de visão com relação à questão de presos e egressos dos sistemas prisionais  :

1 -Há os que querem punição  para os criminosos nos limites da lei e a ressocialização dos egressos.

2- Há os que querem  meramente punição (e  se possível eliminação dos criminosos da sociedade), mesmo que a margem da lei…

3-  Há os que querem VINGANÇA , ELIMINAÇÃO e se possível estender a punição aos familiares do criminoso…

Acredito que qualquer pessoa com razoável discernimento sabe que  tirando uma muito pouco provável “revelação de cunho divino/espiritual de primeiro grau”,  a única coisa capaz de mudar uma pessoa e seu destino (e essa bem mais fácil de acontecer)  é a EDUCAÇÃO …;  e que se o tempo de  prisão for aplicado em coisas úteis  e (como por exemplo estudar) a ressocialização aumenta e a reincidência  diminui muito;  pena mesmo que o Valdir não saiba ou não concorde com isso…; por um momento pensei que ia ouvir a frase bordão de um falecido apresentador do estilo  “policial anti-DH”  manaura ;  que dizia “Bandido bom, é bandido morto” (o difícil hoje tá em saber quem é  ‘bandido’ mesmo ou deixa de ser 🙂 , na dúvida ou não…  sempre  seria melhor deixar a Justiça fazer seu trabalho em consonância com os DH…)