Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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Mais uma bola fora neoativista: o colorismo dando “tiro no pé” da causa negra.

A manchete estampada na figura abaixo explica do que falo nesta postagem muito sucintamente.

Indo direto ao ponto, mais uma vez o neoativismo “negro” fazendo das suas, negro está aspeado pois esses neoativistas apesar de serem vistos e citados como negros e do movimento negro, não entendem nem representam o pensamento médio e nem se atém à premissas basilares do movimento negro tradicional.

Vou poupar tempo de escrita e ao invés de explicar aqui o que penso sobre o colorismo desatinado desses neoativistas deixo o link para um texto meu de 7 anos atrás, e que hoje me parece super atual…

MOVIMENTOS NEGROS OU MOVIMENTO PRETOS: A ABRANGÊNCIA X A RADICALIZAÇÃO

A escolha de Fabiana Cozza foi submetida à família e mais, aprovada pela própria Dona Ivone em vida, dada a proximidade das duas, conforme declarado pelo neto de D. Ivone, ai chega meia dúzia de “cromopatrulhadores” e “entendem” que nada importa além do matiz exato de pele… .

Pois é, não temos que nos calar contra as besteiras e DESSERVIÇO à causa que essa turminha radical vira e mexe produz. Não dá para “passar o pano” só porque são negros e negras que em tese estão do mesmo lado da luta, podem estar mas estão equivocados, e diz o ditado: “Quem não ajuda, não atrapalhe” … .

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Serviço militar prioritário para jovens de baixa renda: minha opinião

Manchete recortada de “O Dia”

Antes de entrar na polêmica acho interessante registrar o meu “lugar de fala” pois creio que ajudará o leitor a compreender meu posicionamento e argumentos.

Sou negro, meu pai foi um adolescente pobre que percorreu toda a carreira de praça no exército a partir do alistamento como recruta até a graduação de subtenente, eu mesmo me alistei e servi ao exército por 4 anos, mas notei que ao contrário do meu pai eu não avançaria muito naquele contexto, durante aquele período também entrei na faculdade e quase ao final pedi baixa e fui para a aeronáutica como estagiário.

As forças armadas historicamente sempre foram uma possibilidade e estratégia muito utilizada de mobilidade social (as vezes a principal ou única) de pobres e principalmente de negros pobres. Portanto, entendo que a ideia de usá-las para oportunizar jovens pobres é de antemão válida, porém com ressalvas… .

A primeira delas é que tal uso seria incompatível com um serviço militar obrigatório, o serviço todo deveria passar a ser voluntário em tempos de paz, profissionalizante e profissionalizado.

A segunda é que como antigamente fosse possível a estabilização aos 10 anos de serviço para qualquer praça, para tal o número de novos alistamentos seria limitado pelo tamanho dos quadros do núcleo base e dos estabilizados.

A terceira é que a passagem pelo serviço voluntário nas forças armadas poderia ser alternativa voluntária ao “encarceramento sócio-educativo” e também deveria render pontuação para provas de títulos em concursos públicos e acesso universitário, além de ser requisito obrigatório para o acesso aos quadros das polícias (mesmo que venha a haver desmilitarização das PMs).

Sei que muita gente tem “bronca” ou antipatia pelo militarismo, mas ele é necessário e inescapável à qualquer estado, nem que seja como força de defesa e guarda nacional ( o que é diferente das chamadas forças de linha ou expedicionárias).

Para além disso as forças armadas ajudam fortemente na formação de cidadãos mais comprometidos, ordeiros e resilientes, não tenho dúvidas que é bem melhor ter soldados da nação que soldados do tráfico ou jovens vulnerabilizados para tudo que isso possa significar.

Finalizando, não quer dizer que eu apoie o projeto como ele está, mas acredito que o serviço militar é um bom caminho para problemas que rondam e envolvem a juventude.


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O “pardo de schrödinger” e a falácia metaracista.

O presente texto visa desconstruir mais uma das típicas argumentações metaracistas, para tal é preciso antes apreender alguns conceitos importantes para o entendimento pleno da questão.

O primeiro ponto, Schrödinger, foi um físico teórico austríaco muito vinculado à física quântica, prêmio Nobel de Física em 1933. Um de seus experimentos mais famosos é conhecido por “O gato de Schrödinger”, no qual basicamente tenta verificar o quanto uma situação é verdadeira ou não a partir de análises da realidade a partir de pontos de vista diversos, ou seja, algo um tanto subjetivo.

Pois bem, a partir disso algum metaracista ( logo adiante vamos trabalhar o conceito) resolveu fazer uma paródia tratando da visualização e atribuição da população e indivíduos de cor parda, que seriam ora tratados e incorporados à população negra, ora descartados ao sabor de “conveniências” dos movimentos e ativistas negros, chamando a paródia de “O pardo de Schrödinger” .

Metaracismo é conceito colocado por Joel Kovel e também tratado por outros intelectuais como Zizek, que trabalham o tema do racismo. Basicamente metaracismo é uma forma moderna de racismo aonde não se assume intenção supremacista, direta e claramente racista, pelo contrário, se diz “antiracista” ao mesmo tempo que trabalha no combate ao verdadeiro antiracismo, desse modo, cinicamente busca manter as desigualdades sociais de origem racial, mesmo considerando não haver de fato diversas raças entre a humanidade, ou seja é o racismo que prescinde da ideia de raça biológica mas atinge igualmente os mesmos grupos tradicional e socialmente expostos à subordinação e tenta manter o status quo.

Dai a afirmação de que a argumentação utilizando “Pardo de Schrödinger” tem finalidade metaracista, pois ataca não apenas a definição de população negra enquanto bloco formado por pretos e pardos, mas as críticas dos movimentos negros, seus ativistas e aliados e o critério utilizado nas políticas públicas de correção das desigualdades raciais.

A questão do pardo enquanto negro, tem base histórica, tanto no período da escravidão, a exemplo do censo de 1872 (o primeiro oficial de todo o país) que utilizava em geral o termo pardo para os negros livres e libertos (independente de cor/miscigenação) e o termo preto para os ainda cativos, quanto no pós-abolição, aonde o estado brasileiro sempre definiu como pessoas negras os membros da população negra, oficialmente formada pelos autodeclarados pretos e pardos, igualmente aos movimentos negros e a academia.

Se há dúvidas e divergências em situações pontuais de “fronteira extrema” é devido à subjetividade das visões dos envolvidos, não uma intencional e “matreira” utilização dos conceitos identitários pelos ativistas e movimentos. Matreiros são os argumentos dos metaracistas para sempre se colocarem contra toda e qualquer ação afirmativa de recorte racial e mesmo as denúncias do racismo cotidiano e estrutural.


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O caso Thogun Teixeira

Thogun é rapper e ator, e está sendo acusado de estupro por uma camareira da produção da mesma minisérie global na qual ele estava atuando, até ser afastado preventivamente por conta da questão. Não conheço o ator, que nega o estupro e afirma ter havido uma relação consensual, mas conheço o seu Advogado, Humberto Adami (por isso a fotomontagem em que aparecemos juntos)

Eis ai o ponto em que ancoro a postagem. Não é a primeira vez que um homem negro, famoso ou não, é acusado de estupro, e cabe lembrar que em todos esses casos o fator racial foi importante variável não apenas na formação da opinião pública, como nos desdobramentos policiais e judiciais. E o nosso caro Dr. Adami não por acaso é o titular do IARA-Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, especializado em causas que envolvam as questões constantes do próprio nome do instituto, e conhecido pela atuação em muitos casos famosos e emblemáticos.

Ao contrário dos que acorreram para nas redes sociais fazer “defesa prévia” ou “inocentar” o jornalista Willian Waack, afastado da mesma Globo, após vazamento de comentário racista, aqui não tem pacto narcísico nenhum, nem racial nem machista.

Apesar da História estar repleta de casos em que não apenas a culpa não se demonstrou, como onde houve erros judiciários tremendos posteriormente demonstrados, vamos aguardar o resultado das investigações e se for o caso julgamento. O que se pretende marcar é que o Advogado é bom, e tem histórico em boas causas… .


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Pacto narcísico, sabe o que é ?

A partir de um olhar voltado para as relações raciais é possível entender o conceito apresentado na definicão de Cida Bento em sua tese de doutorado de 2002 :

“[..] um pacto entre brancos, aqui chamado de pacto narcísico, que implica na negação, no evitamento do problema com vistas a manutenção de privilégios raciais.

O medo da perda desses privilégios, e o da responsabilização pelas desigualdades raciais constituem o substrato psicológico que gera a projeção do branco sobre o negro, carregada de negatividade. O negro é inventado como um “outro” inferior, em contraposição ao branco que se tem e é tido como superior; e esse “outro” é visto como ameaçador.

Alianças inter-grupais entre brancos são forjadas e caracterizam-se pela ambigüidade, pela negação de um problema racial, pelo silenciamento, pela interdição de negros em espaço de poder, pelo permanente esforço de exclusão moral, afetiva, econômica, política do negros, no universo social.

Neste contexto é que se caracteriza a branquitude como um lugar de privilegio racial, econômico e político, no qual a racialidade, não nomeada como tal, carregada de valores, de experiências, de identificações afetivas, acaba por definir a sociedade.

Branquitude como preservação de hierarquias raciais, como pacto entre iguais, encontra um território particularmente fecundo nas Organizações, as quais são essencialmente reprodutoras e conservadoras. “(BENTO,2002)

(BENTO, 2002)

Portanto, se você sendo “branco(a)” não se enxerga como racista, não acha que tem privilégios e facilitações por ser branco, acha que falar em raça ou denunciar preconceito, discriminação ou desigualdade social derivada da secular construção racial hierarquizada é que “produz divisão e o racismo”, não respeita a opinião de pessoas negras nem lhes reconhece autoridade na fala (mesmo sendo especialistas reconhecidos social e acadêmicamente), se coloca contra Ações Afirmativas com recorte racial, utiliza termos como “mimimi”, “vitimismo”, e desanca ativistas e o “politicamente correto”, VOCÊ ESTÁ EM PACTO NARCÍSICO BRANCO.

E isso significa que mesmo não tendo percebido, é no mínimo METARACISTA e ajuda com suas manifestações a manutencão do STATUS QUO e seus preconceitos, discriminações e desigualdades. Agora, tendo sido alertado, cabe buscar desconstruir a si mesmo e sair desse pacto e se juntar aos antiracistas ou permanecer nele, porém consciente que não está “do lado dos mocinhos”.

Referência

BENTO, Maria Aparecida Santos. Pactos narcísicos no racismo: Branquitude e poder nas organizações empresariais e no poder público.(Tese de doutorado), São Paulo: Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento Humano. 2002 . disponível em http://bdpi.usp.br/single.php?_id=001310352


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O que é Consciência Negra ?

Vendo por ai um monte de gente que ainda não entendeu o que é CONSCIÊNCIA NEGRA, que quer dizer “Entendimento sobre a problemática Negra” (que passa inclusive pelo entendimento sobre branquitude e privilégio branco) , coisa necessária para negros e não-negros pois só assim se começa a erradicar esse mal social que é o racismo e a desigualdade social de fundo e motivação racial.

Portanto CONSCIÊNCIAS as há e são necessárias sobre diversas outras questões que tem criado desigualdades e reais separações entre a humanidade, muito embora não sejam assim nominadas e conhecidas.

Negar a necessidade de conscientizações justas e válidas sob pretexto de que “causam separações e não focam no humano” tem a mesma lógica de dizer que os controladores de avanço de sinal de trânsito e velocidade ” criam e aumentam” as infrações…, quando na realidade eles apenas registram o que antes não se flagrava e não podia se penalizar e inibir… .

Ou seja, com suas “anticonsciências” ou defesa da “Consciência Humana” em detrimento de uma prévia conscientização sobre os recortes humanos minoritários tradicionalmente prejudicados, na verdade se colocam ao lado dos que querem manter um mundo de injustiças… .


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Privilégio branco, esse “impercebido”

Venezuelana vendedora de picolé no T2 em Manaus causa barulho nas redes sociais / Divulgação

Dizem que a gente é chato por problematizar as coisas…, matéria em Manaus dá conta de que venezuelana bonita que vende picolés em terminal de ônibus recebeu proposta de emprego com carteira assinada após outra matéria e viralizar nas redes sociais (link ao final).

Indo direto ao ponto…, o fenômeno social por trás disso é o mesmo da comoção que levou a “resgates” como o da “mendigata”, do “mendigato”, do ex-polegar Rafael e mais recentemente do crackudo Von Richtofen…, isso se chama PRIVILÉGIO BRANCO…, é “duro demais” para muitos, ver gente branca (se for bonita pior ainda) ocupando lugares sociais “inesperados”, ou seja, fazendo coisas que se não fossem brancos, ninguém sequer perceberia ou se incomodaria… 😒 #PrivilegioBranco
https://noamazonaseassim.com.br/venezuelana-que-chamou-a-atencao-por-vender-picole-no-t2-ganha-um-convite-especial-em-manaus/

#MentalidadeRacista #RacismoEmaisDoQueSePercebe #Consciencia