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Manaura desconhece infraestrutura e logística da cidade e tumultuou postos de combustível antes da necessidade

A greve nacional dos caminhoneiros por conta do preço e política atual de combustíveis está parando (em algumas partes já parou) o país. Com a paralisação do transporte os combustíveis não chegam aos postos, isso provocou longas filas e o estoque acabou em muitas cidades. E Manaus ?, as vezes é vantagem ser praticamente uma “ilha”.

Manaus com seu tradicional isolamento terrestre, hoje semi-isolamento, já que apesar de precário há tráfego na BR-319, tem uma estrutura logística diferenciada de praticamente todas as outras capitais, o abastecimento é multi-modal, ou seja, a grande maioria das mercadorias chegam aqui por rio ou de avião, os caminhões com carga gastam dias nas balsas vindo de Belém-PA ou de Porto Velho-RO.

Isso significa que pelo fato das coisas demorarem mais para chegar, já se trabalha com estoques maiores naturalmente. Manaus tem uma refinaria de petróleo, que chega de navio, produzindo combustível que abastece o estado e o estado vizinho de Roraima, ou seja, não há transporte intermunicipal para o abastecimento da capital, e a distribuição é feita em veículos das próprias distribuidoras e não autônomos como em boa parte do país. Como não havia paralisação da produção nem do transporte, não haveria desabastecimento dos postos, ao menos não ontem ou hoje, a menos que caminhoneiros de outros setores ou outros motoristas resolvessem bloquear a refinaria, o que não parecia iminente. Resultado a acorrida precipitada fez o combustível em muitos postos acabar antes do que seria esperado.

O Governador disse que os estoques estavam normais e durariam mais alguns dias, o do aeroporto por exemplo duraria 4 dias… quando o de Brasília se esgotou ontem.

Só hoje é que se tem notícias de tentativa de bloqueio à refinaria, que não se sabe se será efetivo, preocupante mesmo seria a paralisação dos petroleiros, que também só hoje foi aventada. Agora estamos sendo afetados, porém mais pela precipitação do que pela real escassez.

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Um presentão nos 30 anos de ativismo.

Domingos Jorge Velho em pintura laudatória feita por Benedito Calixto em 1.903

Que felicidade,🎉🎊 acabei de receber o maior presente pelos meus 30 anos de ativismo…, DERRUBEI O DOMINGOS JORGE VELHO ( para quem não sabe ele foi um bandeirante paulista do XVII apresador e exterminador de índios, foi líder da ofensiva final contra o Quilombo dos Palmares e responsável pela perseguição e morte de Zumbi) . É nome de importante via em Manaus-AM (e também de vias em ao menos 12 cidades paulistas), o que afronta a lei que proíbe homenagem a exploradores e defensores da escravidão em logradouros públicos.

Solicitei ao MPF providências para fazer cumprir a lei e a alteração do nome da via. Fiquei sabendo há pouco que minha solicitação foi atendida e o município de Manaus vai ter que alterar o nome da via por um que homenageie vulto negro na história do Amazonas…🎉🎊

Veja no link a manifestação do MPF .


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O neoativismo do sudeste X o Boi Bumbá amazonense

Não é a primeira vez que escrevo sobre os excessos e “tiros no pé” dos que chamo neoativistas, neo não necessariamente pela idade ou tempo de ativismo, mas pelas características de um ativismo pós-internet e predominantemente virtual, entre elas o método agressivo/fascista de debate e as demandas quando não bizarras, ao menos pouco ou nada prioritárias, fora a centralidade no “fogo-amigo” aos ativistas menos radicais e mais conformes com os reais objetivos e abordagens tradicionais.

Também não é a primeira vez que falo de blackface, que é basicamente uma caracterização negra estereotipada e ridicularizante feita por pessoas brancas sob pretexto de “humor”, coisa vinda do teatro, que atingiu o nascente cinema e chegou à TV. Comum também no carnaval a exemplo da conhecida fantasia “nega maluca”.

Black face

O blackface porém nem sempre visa a mera ridicularização, já foi usado por outros motivos racistas, impedir atores negros de assumir como protagonistas de produções importantes como na famosa novela de TV do final dos 60, “A cabana do Pai Tomás”, no qual o protagonista foi o ator branco Sérgio Cardoso em um blackface “utilitário”, não humorístico mas de impersonação substitutiva. Obviamente tal caso é coisa negativa, já que impediu não apenas um maior realismo cênico, mas como já dito, também um ator negro de se beneficiar de tudo que um papel desses poderia lhe render.

Há porém situações em que o “blackface” ou caracterização negra se distancia da intenção racista, atuando ao contrário, como um marcador ou afirmador da presença negra, bom exemplo ocorre no carnaval colombiano com as “negritas puloy” ou “palenqueras” em que o estilo “nega maluca” se dá tanto sem pintura mas com perucas, ou seja, por mulheres negras de verdade, como através de máscaras, perucas e “collants” por não negras e homens.

Negritas puloy do carnaval de Barranquilla

Negritas puloy estilizadas do carnaval de Barranquilla

A caracterização negra estereotipada ou exagerada as vezes acaba ocorrendo por mera falta de pessoas negras para fazer um personagem negro, ou mesmo havendo, como forma de obter mais efeito em âmbito cênico mais aberto, ou seja, em espetáculo com platéia maior e mais distante, buscando uma visualização mais marcante, mesmo que exagerada ou fantástica. Como já dito isso se faz não apenas por pintura como as vezes por máscaras estilizadas, por sinal tradição em várias culturas da África, o que acabou introduzido por herança na nossa cultura popular.

Mascarados divinos da Costa do Marfim

Mascarados festa popular no Mato Grosso

Mateus e Catirina versão pernambucana derivada das figuras do boi maranhense

São João, também tem inclusive “whiteface”

Portanto, antes de sair por ai acusando toda caracterização negra de blackface e racista é preciso contextualizar, há as de fato racistas e desnecessárias e há as de contexto cultural e inclusive afirmativas.

BUMBA MEU BOI & BOI BUMBÁ

O boi bumbá, é festejo popular amazonense e derivado do bumba meu boi maranhense, por sinal introduzido no estado do Amazonas por negros vindos de lá do Maranhão, e que aqui ganhou peculiaridades ante ao peso cultural indígena e caboclo que o diferenciaram bastante do boi maranhense. É uma festa de muitas representações fantásticas, tem negros, índios e brancos, além de outros elementos da cultura amazônica.

PAI FRANCISCO E CATIRINA

Personagens comuns às festas nordestinas e amazônicas, o casal de negros escravos fugitivos do auto do boi, Pai Francisco e Mãe Catirina, são representados tanto com pintura como máscaras, e em vários estilos, no boi amazonense apenas com pintura.

Boi no Maranhão

Boi no Maranhão

Boi maranhense

No boi bumbá amazonense (Garantido)

No boi bumbá amazonense (Caprichoso)

A forma e intensidade da pintura tem variado no boi bumbá ao longo dos anos, do mais caricato ao menos carregado, cabendo lembrar que no Amazonas o boi é uma festa popular centenária…, no Maranhão mais antiga ainda. Devemos pois, se for o caso de lutar, lutar pela valorização do reconhecimento da presença negra via tais personagens e por uma “caracterização mais respeitosa” não pela sua exclusão.

Aproveito para lembrar uma outra festa amazonense, essa menos conhecida, que se dá em São Paulo de Olivença, região do alto Solimões, a dança do africano .

A história dessa dança está no link acima, importante no entanto é destacar que a sua origem e intenção é de preservação e afirmação de presença negra na região desde tempos idos.

Isso tudo posto e explicado, voltemos ao motivo real da postagem. Recentemente grupo amazonense viajou com muitas dificuldades para o sudeste a fim de apresentar em atividade cultural o nosso boi bumbá, e eis que uma vez lá, foram impedidos de se apresentar acusados por neoativistas de “blackface”, situação piorada com a perseguição e linchamento virtual, bem ao estilo neoativista, aos organizadores da incursão amazonense.

Tais “Neos”, óbvios desconhecedores da cultura popular do próprio país e da diáspora, atuam como arrogantes ditadores do “correto”, sem contudo se darem ao trabalho de tentar entender do que realmente se trata algo, partindo precipitadamente de suas concepções rasas e descontextualizadas para o ataque insano. Mais um DESSERVIÇO prestado à causa negra e mais um “tiro no pé”, envergonhando esses “neotreteiros” à nós, velhos ou novos combatentes equilibrados da causa.

Se há desculpas a apresentar não é por parte amazonense… .


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Privilégio branco, esse “impercebido”

Venezuelana vendedora de picolé no T2 em Manaus causa barulho nas redes sociais / Divulgação

Dizem que a gente é chato por problematizar as coisas…, matéria em Manaus dá conta de que venezuelana bonita que vende picolés em terminal de ônibus recebeu proposta de emprego com carteira assinada após outra matéria e viralizar nas redes sociais (link ao final).

Indo direto ao ponto…, o fenômeno social por trás disso é o mesmo da comoção que levou a “resgates” como o da “mendigata”, do “mendigato”, do ex-polegar Rafael e mais recentemente do crackudo Von Richtofen…, isso se chama PRIVILÉGIO BRANCO…, é “duro demais” para muitos, ver gente branca (se for bonita pior ainda) ocupando lugares sociais “inesperados”, ou seja, fazendo coisas que se não fossem brancos, ninguém sequer perceberia ou se incomodaria… 😒 #PrivilegioBranco
https://noamazonaseassim.com.br/venezuelana-que-chamou-a-atencao-por-vender-picole-no-t2-ganha-um-convite-especial-em-manaus/

#MentalidadeRacista #RacismoEmaisDoQueSePercebe #Consciencia

 


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Rua com nome de Bandeirante escravagista é proibido por lei

Reforçando a nossa solicitação à edilidade de Manaus, para a substituição do nome da Rua Domingos Jorge Velho, no Bairro do Dom Pedro,  tal bandeirante se notabilizou pelo apresamento de índios no XVII e pela destruição do Quilombo de Palmares e Zumbi. Cabe observar que apesar da lei federal no art. 1° falar em “bem público pertencente à união”, no seu artigo 3° estende a proibição à entidades que recebam verba federal, se consideramos a municipalidade de Manaus como um ente ou “entidade”, e que no caso sabidamente recebe recursos federais, não tem para onde correr… é fazer cumprir a lei.

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Município é um ente federal …

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Nos termos da lei temos  “entidade”, que é sinônimo de ente…

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Portanto…


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Festival de Parintins 2016

Parintins 2016

Começa hoje  os 3 dias da  maior festa popular do Brasil depois do Carnaval,  a 51ª edição do Festival folclórico de Parintins, no interior do Amazonas e televisionado para o mundo todo…

A disputa dos boi-bumbás Garantido (boi branco com um coração na testa, representado pela cor vermelha)  e Caprichoso ( boi preto com uma estrela na testa, representado pela cor azul)  em apresentações magníficas atrai visitantes do Brasil e do mundo todo.

Para saber mais: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=879:bois-bumbas-de-parintins-amazonas-caprichoso-e-garantido&catid=37:letra-b


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A morte de Juma, a onça mascote do 1º BIS

Ilustração de matéria no G1 AmazonasIlustração de matéria do G1 Amazonas

A situação é triste, mas a análise do fato pode ter visões diferentes…
1º A onça possui um enorme valor simbólico no contexto militar amazônico, significa mais que associar ao guerreiro de selva a força e adaptação ao meio do mais poderoso predador da selva amazônica, obviamente visa demonstrar o controle dos guerreiros de selva sobre o meio, tem efeitos psicológicos e simbólicos…
2º As mascotes apesar de não livres e fora do seu habitat, não são maltratadas, recebem toda a atenção veterinária, etc…, são normalmente dóceis e acostumadas ao contato humano e aglomerações, permitem aos veterinários conhecer mais sobre a espécie, coisa nada comum fora das organizações militares, quais outras instituições na região mantém zoológicos com onças?
3º Por mais dócil e condicionado ao convívio e situações estressantes que uma mascote vivencia (inclusive animais domésticos), não é razoável deixar “livre” em grande público qualquer animal com potencial ofensivo, as correntes no caso são uma contenção lógica, por mais que se apresentem “cruéis”, o recurso por sinal é usado inclusive com humanos privados de liberdade e considerados perigosos…
4º O fato foi atípico, não ocorreu DURANTE o evento popular, mas dentro da unidade militar, esvaziada, após fuga imprevista e ação com tranquilizantes primariamente, a ação letal foi último recurso e reação instintiva diante de alto risco…
5º Não é tão incomum nos ambientes zoológicos, tais consequências diante de situações de impossibilidade de controle e alto risco em situações limites, vide o caso recente do Gorila Harambe em Cincinatti-EUA, que nem era utilizado como mascote ou sujeito aos estresses possíveis com a atividade…
Por fim, é de fato triste o episódio, repercute muito mal em um momento que deveria dar ao contrário boa visibilidade ao Amazonas e ao Brasil, mas antes de se partir para a “condenação” de práticas e instituições, é preciso visualizar de forma menos emotiva todas as variáveis envolvidas… A verdade é que a despeito de todos os cuidados e expectativas “Shit happens”…