Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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COMO SURGE UM FACTÓIDE HISTÓRICO-IDENTITÁRIO

😒

1-Alguém vai à uma exposição em um espaço afro (provavelmente no Chile) e vê um quadro com uma mulher negra amamentando um negro adulto e preso por grilhões. Não se sabe se alguém ali “explica” o quadro como uma prática comum dos tempos da escravidão, ou a própria pessoa é quem interpreta assim e publica foto em um site ou perfil de uma organização “afrocultural” chilena, o que faz parecer “confiável”.(atualização: antes de chegar ao perfil chileno a imagem com o texto aparece a primeira vez em uma publicação online da revista AFROCOLOMBIANA Negarit em Setembro de 2016)

2- Um perfil brasileiro do Instagram “especializado em História e entretenimento” reproduz… sem maiores verificações o conteúdo chileno e um outro perfil brasileiro e respeitado reproduz a reprodução… .

3- Tal perfil tem uma “pegada” de “apoios identitários”, ou seja, com muitos seguidores que se entendem “ativistas” ou simpatizantes de causas como a negra, feminista, feminista negra, indígena, LGBTTQIA etc…, que por sua vez acrescentam aos comentários suas próprias pautas e visões, por exemplo “a força da mulher negra ‘salvando’ os homens negros desde os tempos do cativeiro”, logo aparece o discurso da “ingratidão dos homens negros” e óbviamente o da “solidão da mulher negra”(atribuída sempre e somente aos homens negros…, jamais ‘cobrada’ dos homens brancos ou aventado o evitamento de homens negros pelas próprias negras 😒).

4- Tais “seguidorxs” então começam a replicar em suas redes sociais a “descoberta histórica” junto com suas análises identitárias… e a coisa se espalha.

5- Aí vem um “historiador chato” (eu 😏) que diz “PERA AÍ”, eu enquanto bem familiarizado com o tema nunca ouvi falar disso e tem coisa errada ai… a começar por detalhes na imagem como o traje da suposta escravizada negra. Aí com cinco minutos de rastreamento e pesquisa web está “morta a questão”…

O tal quadro é apenas uma “versão negra” do antigo conto romano de Pero e Cimon… 🤔, filha que amamentava o pai preso ao visita-lo para que não morresse de fome… . O que inspirou uma série de obras de arte sobre o tema ao longo do tempo, conhecidas genéricamente como “Caridade Romana”… . NÃO TEM NADA A VER COM ESCRAVIDÃO NEGRA, muito menos dá “suporte” para as N ilações identitárias que quiseram “colar” a partir da imagem….

“BORA” SER MAIS RESPONSÁVEIS ANTES DE SAIR REPOSTANDO TUDO QUE VÊ só porque a fonte parece confiável ou “engajada identitariamente”… 😒 #fakenews #fakeolds #fakehistoria

🚨EM TEMPO: o perfil de alta visitação que viralizou o fake RETIROU a postagem em função do nosso esclarecimento. 😉


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O meu movimento negro sou eu, ou, de novo a Glória Maria ?

Glória Maria em entrevista a Pedro Bial

Hoje a “bolha negra” da web tupiniquim amanheceu com mais uma “treta” relacionada a prestigiada repórter e apresentadora da poderosa rede Globo. Desta vez, uma fala em entrevista ao “Conversa com o Bial” em que mais uma vez questionada sobre “movimento negro” deu resposta que não agradou muito aos ativistas, militantes e simpatizantes de tais movimentos.

Não vou falar especificamente dessa entrevista, mas vou usar um trecho de outra entrevista, escrita, que saiu hoje . Nela temos “Costuma dizer que a televisão é um acidente de percurso. Mas não se arrepende de nada, tampouco de não ter levantado bandeiras em nome do movimento negro, embora já tenha sido cobrada por isso. ‘O meu movimento negro sou eu. Basta olhar para mim, sempre brigando, sempre correndo atrás’, diz. ‘Eu sou, literalmente, a ovelha negra do jornalismo.’ Glória Maria fala com a autoridade de quem teve de enfrentar o racismo em diversos momentos de sua carreira.”

Glória Maria em uma “vibe Luis XIV”, monarca francês famoso pela frase “O Estado sou eu”, uma “egotrip”, faz a sua própria ao dizer “O meu movimento negro sou eu”. Não é a primeira vez que “desdenha” ou critica os movimentos e ativistas, pelo menos no que diz respeito a ela própria.

Com meus 32 anos de ativismo negro, sei perfeitamente que ninguém, em nenhum recorte social, é “obrigado” a ser ativista ou militante pela causa, por simplesmente pertencer a um recorte. Aliás, ativistas são sempre pequena parte de cada recorte, os que lutam não apenas pelos próprios interesses, mas principalmente pelos da maioria inconsciente ou apática.

Eu mesmo não concordo com muitas coisas que vem de alguns ditos “militantes” ou “ativistas” equivocados, “lacrador@s”, principalmente os que costumo chamar de neoativistas. O que apesar de ter uma questão geracional, não limita os equivocados a uma ou outra geração, os há em todas.

O problema das recorrentes falas de Glória Maria é que, sendo ela quem é, ao “personalizar” a sua luta e desdenhar as demandas coletivizadas pelos movimentos, reforça a ideia metarracista de que “o que vale é apenas o ‘mérito pessoal’ “, que “cada um que lute” abrindo por si e apenas para si um caminho em meio a estrutura racista. O que no mínimo revela insensibilidade, inconsciência e egoísmo, além de efetivamente “dar munição” aos metarracistas que combatem as mudanças coletivizadas no Status Quo.

Já li que ela, Glória Maria, recorreu à Justiça por ter sido discriminada, será que foi o “movimento negro ela mesma” que lutou e conseguiu emplacar o racismo e a injúria racial como crime ?

Novamente repito, nem Pelé, nem Glória Maria, nem outra pessoa negra que tenha excepcionalmente rompido barreiras na estrutura racista, é “obrigada” a “levantar bandeiras”, mas deveria pelo menos ter o cuidado de não servir de “token” para o discurso da “democracia racial” e para o metarracismo, prejudicando a luta dos demais, que não ficam satisfeitos em ser bem sucedidas exceções… .

Que Glória Maria se recupere bem de todos os percalços pelos quais passou recentemente, e que siga sua trajetória de sucesso, mas que fique registrado que ela é da turma do “Me, Myself and I”… . Se não é um “Sérgio Camargo”, que é uma completa vergonha para a negritude brasileira, ao servir ativa e descaradamente ao metarracismo brazuca, também seu lugar na história não é ao lado dos que lutaram para além do próprio umbigo… .


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Pela abolição da estupidez e da ode acrítica ao 13 de maio

O 13 de maio, data da abolição malfeita da escravidão no Brasil, já estava sendo há alguns anos colocado no lugar que deve ocupar na história do Brasil e no sentimento popular. Porém, o rumo reacionário, fascista e racista exacerbado dos últimos tempos nos trouxe à um real retrocesso, inclusive nos níveis institucionais.

Com a estratégia governamental de desmonte das conquistas ambientais, sociais, educacionais e culturais por meio dos “antiministérios”, ou seja, ministérios e secretarias ocupadas por gente que vai justamente no sentido contrário dos objetivos naturais das pastas e aspirações dos recortes relacionados, perdemos enquanto população negra, todas as instâncias estatais de valorização da cultura e combate ao racismo e desigualdades, como a SEPPIR e mais recentemente a Fundação Cultural Palmares.

O caso da Palmares é ainda mais emblemático, pois usa e abusa do cinismo METARRACISTA com requintes de deboche. À frente da fundação temos uma pessoa negra que é antítese do pensamento e de tudo pelo qual protoativistas e ativistas negr@s tem lutado nas últimas 13 décadas. Quando o próprio irmão de sangue o chama publicamente de “capitão-do-mato”, não está fazendo uma “injúria racial”, mas sim uma analogia sócio-histórica com uma figura patética que a serviço do status quo escravista/racista buscava impedir o natural direito à liberdade e dignidade dos que fugiam do execrável cativeiro no passado e que transposta aos dias atuais, segue servindo ao status quo METARRACISTA, com a finalidade de desmontar a luta anti-racista e os avanços da população negra.  O fato de majoritariamente terem sido os capitães-do-mato também negros é apenas um detalhe sórdido das práticas racistas do grupo que no passado e no presente se “beneficia da desqualificação e exploração material e simbólica dos não-brancos” como diria Carlos Hasenbalg.

É ignóbil a proposta de retroceder ao “culto à princesa Isabel”, de trocar o nome da Fundação Palmares para “André Rebouças”, que apesar de abolicionista histórico é também conhecido pela sua fidelidade monárquica e pela sujeição inconteste à hegemonia branca e seus valores e modos de ser (a famosa “alma branca”, que pretos tinham que assumir e fazer ode, caso quisessem ser tolerados e obter alguma mobilidade social), feita pelo seu atual titular. Complementada pelo absurdo renegar de Zumbi do Palmares (herói do panteão nacional) e da data em sua homenagem e do quilombo de Palmares, o 20 de novembro, sobreposto pela “Consciência Negra”.

Neste momento cerca de 170 historiador@s negr@s estão em uma maratona coordenada de lives nas redes sociais, com 16 horas de duração, fazendo o cotraponto à essa tentativa de “ressuscitar” o 13 de maio na forma que foi antigamente. Nossas histórias e perspectivas serão contadas por nós mesmos, não para atender interesses antinegro.

Chamada do evento

O 13 de maio é data histórica, e como tal não deixará de ser lembrada, mas não será nunca mais utilizada para contar uma história laudatória à família real, à “bondade da princesa” e o exclusivo protagonismo de abolicionistas brancos, retirando dos próprios negros a sua histórica luta pela emancipação. Luta que se estende até os dias atuais. “Enquanto os leões não puderem contar suas próprias histórias, as histórias serão sempre as dos caçadores” (ditado yorubá), pois é, acabou a “história única” dos caçadores e seus admiradores acríticos.


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Oito motivos para eu não ser um panafricanista garveista

Já começo reforçando que esses são MEUS motivos PARA NÃO O SER e como nada na vida é absoluto, obviamente também teria motivos outros caso quisesse se-lo… só que na minha percepção os motivos abaixo pesam mais e por si só inviabilizam uma opção de “pareamento” com o garveismo.

Vou chamar essa selfie de “Sou afro sim, africano não…”

Isso não quer dizer que não prezo a minha ancestralidade africana e que não reconheço uma “linha” que nos une enquanto afrodiaspóricos e aos africanos, mas o faço de forma bem consciente de que sou afrobrasileiro (até porque ao contrário de todos “panafricanistas garveistas” que cruzo pela web, eu vivi em África…) e sei bem que meu lugar é aqui, não sou africano, apesar das raízes me fazerem um afro.

Marcus Garvey, foi um líder negro, nascido na Jamaica e criador do mais mobilizador e conhecido movimento panafricanista, a Associação Universal para o Progresso Negro ou AUPN mais conhecida pela sigla em inglês UNIA de Universal Negro Improvement Association. Não vou nem deixar link para sua biografia, há várias, basta pesquisar na web, a maioria absolutamente laudatória, deixando de lado fatos importantes para uma avaliação mais integral e realista sobre Garvey e sua ideologia, portanto, aqui vou tratar do que a maioria dos “idolatradores” de Garvey e defensores acríticos do panafricanismo, desconhece.

1- Ao contrário de outras importantes referências do conceito de negritude, do afrocentrismo e panafricanismo, Garvey não era africano, mas sim um afrodiaspórico, que nunca esteve na África (e não vou discutir os motivos), portanto, como a maioria dos que não tiveram essa experiência, mantinha uma ideia romântica e ilusória sobre “África como verdadeiro lar de todos os negros do mundo” e que a origem continental ancestral remota e a pele preta seriam os principais elementos de “irmandade” entre diaspóricos e africanos. Coisa que qualquer diaspórico que tenha vivido minimamente em África sabe ser falso, lá o que manda é a etnicidade, quando muito a nacionalidade, a cor da pele não faz ninguém “irmão” automaticamente, pelo contrário, mínimas diferenças cromáticas, não percebidas entre os diaspóricos, te “tiram da turma” de cara, isso sem falar a questão cultural. Se 100 Km são suficientes para ter uma mudança de concentração étnica, língua e costumes, a noção de “estrangeiro” é muitíssimo mais exacerbada, já que a noção de povo / nação é muito mais restrita. Em suma, qualquer “retornado” e tanto faz se no tempo de Garvey ou hoje, sempre seria um estrangeiro, visto como qualquer outro estrangeiro um potencial “recolonizador”, com tudo que a palavra possa significar, além de passivo de xenofobia.

2- Acrescento aos motivos acima, as grandes diferenças entre os próprios afrodiaspóricos, que ao contrário dos africanos, não são etnizados, mas sim “racializados.. Ou seja, o que nos une na diáspora é primeiramente a cor da pele, mesmo que de distintíssimos matizes, pois ela indica uma história ancestral dividida, nem tanto pela origem em África, mas a partir do tráfico negreiro, do cativeiro, das tradições e traços culturais trazidos, mantidos e adaptados, mas principalmente dos surgidos em cada contexto afrodiaspórico, além das vicissitudes do pós-cativeiro. Somos portanto NEGROS e não apenas PRETOS como o são os africanos. Isso significa que a cultura negra e a identidade negra, apesar de tributária de várias identidades étnicas africanas, são coisas que só a nós afrodiaspóricos competem e se atribuem. O entendimento de NEGRO como sinônimo de PRETO é um equívoco, que aliás os próprios africanos fazem sempre questão de nos lembrar. Mesmo que a União Africana tenha acenado com um simbólico (e na prática inútil) reconhecimento da diáspora africana como 6a região da África. Enquanto isso a ONU (por fomento da delegação brasileira à Conferência de Durban em 2001) sabiamente em sua redação oficial resolve esse conceito assim:

Ou seja, “africano” é uma coisa, “afrodescendente” é outra… . A tão citada “6a região da África” na prática não torna ninguém africano, pois africano é uma identidade continental, de quem nasceu na África ou possui cidadania de um de seus países…, tente obter um passaporte ou ao menos um visto facilitado para visitar qualquer país africano baseado nesse “reconhecimento”, se conseguir por favor me avise… .

Ainda nesse quesito, quero lembrar a inteligente crítica e analogia feita no filme “Pantera Negra” em que vimos um amargurado afrodiaspórico Kill Monger, após reivindicar “seu reino por direito” em África e se transformar em um tirano, morrer, combatido pelos wakandianos. Isso não antes de fazer seu discurso NEGRO, e reconhecer que na verdade “os seus” eram os que atravessaram ou ficaram pelo meio do Atlântico no tráfico negreiro. Os seus eram na verdade, os que compartilharam as agruras afrodiaspóricas, não aqueles que ficaram em Wakanda (uma África tão mítica, quanto a imaginada pelos afrodiaspóricos) e viam nele um estranho, mais um “estrangeiro colonizador” e não lhe reconheciam como “legítimo”, mesmo historicamente sendo um verdadeiro herdeiro.

3- Garvey era um NEOCOLONIALISTA, pretendia RECOLONIZAR a África, criando uma ELITE baseada nos “retornados” e nos valores já eurocentrados destes, não nos dos verdadeiros africanos. Ou seja, ele não pretendia reintegrar os negros à África e suas culturas, pretendia fazer o mesmo que os colonizadores brancos pretendiam. Basta ver uma divisão proposta e os títulos NOBILIÁRQUICOS EUROCENTRADOS que pretendia IMPOR em África, vide:

Em 1920, a Unia realizou a I Internacional Convention of Negroes of the World (Primeira Convenção Internacional dos Negros do Mundo), reunindo delegados dos Estados Unidos, de Cuba, Barbados, Jamaica, Costa Rica, Honduras, Panamá, Equador, Venezuela, Guianas, Etiópia, Austrália, em síntese, congregando delegados oriundos dos diversos países com representação. Os desfiles espetacularizados promovidos pelas delegações durante o evento – momentos nos quais se entoavam hinos, ostentavam slogans e ovacionavam Marcus Garvey – indicavam a pujança da Unia e sua capilaridade. Ao final do conclave, foi tomada uma série de deliberações, como a promulgação da Declaração Universal dos Direitos dos Negros, que trazia um programa de 54 pontos; a instituição de uma nobreza negra, com alguns membros da Unia sendo agraciados com os títulos de Cavaleiros do Nilo, Cavaleiros da Ordem de Serviços Relevantes da Etiópia, Duques do Níger e de Uganda, entre outros; e a aclamação de Garvey como Presidente Provisório da República Africana, uma espécie de governo em exílio. (DOMINGUES, 2017)

ou ainda conforme

Garvey reclamou que a África fosse reservada aos africanos e que se organizasse o regresso a África dos negros de outros continentes. Tratar-se-ia de uma verdadeira expedição colonial, porque em terras africanas os negros vindos do outro lado do Atlântico constituiriam inevitavelmente uma elite, detentora de capacidades técnicas e administrativas com as quais os autóctones não saberiam competir, e transformar-se-iam em exploradores da mão-de-obra nativa. Esses imigrantes negros, proclamou Garvey, iriam “ajudar a civilizar as tribos africanas atrasadas”, e se tal houvesse sucedido ter-se-ia reeditado em grande escala uma experiência anterior – a da Libéria, onde, como visto anteriormente, escravos emancipados tinham-se convertido numa classe dominante tão feroz que condenou ao trabalho forçado a população autóctone, a quem foi inclusivamente negado o direito de representação política. (PASSAPALAVRA, 2010)

Stokely Carmichael, um garveista famoso nos anos 60 ia na mesma linha ao afirmar:

A África não precisaria de estar dependente de técnicos estrangeiros para a reparação e a manutenção do mais moderno equipamento importado. Os técnicos africanos existem, eles estão na América. […] A nossa terra é em África, não na América. O nosso objectivo principal deve ser a África. (PASSAPALAVRA, 2010)

Olhando para esta fotografia abaixo, o quão “africano” se percebe em Garvey e seus seguidores imediatos ? O que se vê, ao contrário do mitificado “liberte-se da escravidão mental” é uma colonização eurocêntrica que beira ao patético…, ao menos para quem não se entendia como “outra coisa” diferente do africano, forjado em uma cultura caldeada.

Agora, abaixo, o Imperador da Etiópia, Haile Selassie, um verdadeiro membro de realeza africana…, ele até podia por questões protocolares e afirmação ante as realezas e governos ocidentais utilizar uniformes militares e outras vestimentas no mesmo estilo, mas não dispensava o tradicional africano não eurocentrado…, já viu alguma foto em que Garvey minimamente remetesse a um “africano” e não um colonizado/colonizador?, não? nem eu…

4- Luther King já dizia “negros são humanos, não super-humanos”, Garvey assim como qualquer um estava sujeito a equívocos, desvios de caráter e mesmo incompetência, logo, a sua “honorabilização” pode ser questionada a partir de muitos argumentos históricos. Uma falácia muito comum ocorre ao falar da Black Star Lines e de sua sucessora a Black Cross. A verdade é que ambas FALIRAM por má gestão, por possuir navios “bichados” . Garvey não foi “impedido” pelo governo norte-americano de navegar para a África com seus navios levando pretos norte-americanos, primeiro ele não foi autorizado por países africanos já livres como a Libéria e outros, depois a frota era reduzida e sofreu vários problemas que poderiam se tornar tragédias marítimas e por fim, como em toda falência, etc… os bens foram indisponibilizados. Garvey foi condenado e preso por fraude… e depois deportado. Nem nego que pode e provavelmente tenha “havido dedo” dos serviços de inteligência dos EUA, mas isso muda pouco as coisas, vide:

Se as articulações políticas de Garvey iam bem, mesmo em face dessa atmosfera de vigilância e suspeição, seus negócios iam mal. Os navios comprados começaram a apresentar problemas em suas viagens, “devido à necessidade de reparos técnicos e à má administração da empresa”. Logo a Black Star Line Inc. estava operando no vermelho. Mas, paradoxalmente, Garvey decidiu comprar mais um navio. Para arrecadar fundos, enviou “prospectos pelo correio, divulgando a venda de novas ações da empresa”. Esta iniciativa custou a ele e aos executivos da Black Star Line um “processo judicial pelo uso fraudulento dos correios e a consequente falência de sua empresa”. O processo, iniciado em 1923, foi acompanhado por diversos setores da opinião pública.
No ano seguinte, Garvey sofreria outro revés em seu projeto racial. Na IV Convenção Internacional dos Negros do Mundo, a Unia definiu o programa de colonização da África pelos negros dispersos pela diáspora, programa, aliás, que já vinha sendo esboçado desde a primeira Convenção. A princípio, o governo da Libéria acenou favoravelmente ao plano de colonização de afro-americanos, e a Unia até investiu na criação da Black Cross Navigation and Trading Company – mais um projeto de estabelecimento de linha de navegação a vapor entre os Estados Unidos e o continente africano, cuja intenção era garantir o transporte dos negros para Monróvia. (DOMINGUES, 2017)

5- Garvey NÃO FOI ACATADO nem pelos países livres africanos, vide:
O certo é que em junho de 1924 os governantes liberianos se opuseram terminantemente às atividades da UNIA no seu país, declarando que não autorizariam o estabelecimento de quaisquer colonos enviados pela associação. Como observou um biógrafo de Garvey, “na prática o movimento do regresso a África ficou liquidado quando a República da Libéria se recusou a apoiar o programa de colonização”. Entretanto, outros africanos haviam denunciado a pretensão de Garvey a apresentar-se como presidente provisório da África e houve também nigerianos e senegaleses a pronunciar-se contra a colonização do seu continente pelos negros norte-americanos. Com igual insucesso se deparou a delegação enviada pela UNIA à Abissínia no final da década de 1920, não se mostrando os governantes deste país interessados em qualquer afluxo maciço de negros americanos.(PASSAPALAVRA, 2010)

6- Garvey não era tão querido e respeitado entre outros panafricanistas e lideranças negras contemporâneas W.E.B Du Bois, chamou Garvey de “o inimigo mais perigoso da raça negra na América e no mundo” em uma edição de maio de 1924 de “A crise”.

7- Garvey ao fim e ao cabo tinha posições compatíveis com os racistas, acreditava em “pureza racial” e que “o lugar dos negros era na África “ e chegou a manter contatos com a KKK (Klux Klux Klan) vide:

Eu acredito numa raça negra pura, tal como todos os brancos que se prezam acreditam numa raça branca tanto quanto possível pura.

ou

a UNIA inseriu-se numa arraigada tradição de defesa da hegemonia branca nos Estados Unidos. Quando o presidente Harding, em outubro de 1921, declarou no Alabama que era contrário à mestiçagem e favorável à segregação, Garvey enviou-lhe um telegrama de felicitações, e a UNIA não teve vergonha de apoiar uma proposta de lei apresentada por um senador da direita racista, que propunha o repatriamento para África de todos os negros norte-americanos. Embora por razões opostas, observou Garvey, os objetivos de ambos eram convergentes .

Ou ainda

Vários historiadores têm comparado, com acerto, o movimento lançado por Garvey ao sionismo criado por Theodor Herzl, já que ambos se aliaram aos políticos racistas como forma de promover a migração, num caso dos negros para África, no outro dos judeus para a Palestina. [..] E assim se explica que Garvey tivesse beneficiado da aprovação do Ku Klux Klan e de outras organizações racistas brancas, cujos representantes foram frequentemente convidados a discursar nos comícios da UNIA.

Por fim

“A Sociedade Americana Branca, os Clubes Anglo-Saxônicos e o Ku Klux Klan gozam de todo o meu apoio na sua luta por uma raça pura”, afirmou Garvey sem quaisquer rodeios, “no mesmo momento em que nós estamos a lutar por uma raça negra pura” (PASSAPALAVRA, 2010)

8- Garvey era assumidamente um FASCISTA, disse sem rodeios 3 anos antes de morrer:
Nós fomos os primeiros fascistas. Disciplinamos homens, mulheres e crianças e preparamo-los para a libertação da África. As massas negras viram que só neste nacionalismo extremo podiam depositar as suas esperanças e apoiaram-no de imediato. Mussolini copiou de mim o fascismo, mas os reacionários negros sabotaram-no (PASSAPALAVRA, 2010)

Portanto car@ “irmã@” que “idolatra” Garvey e acha que é “africano” só por causa das ideias dele e de outros seus seguidores, bem como por nunca ter morado em África (como eu tive a oportunidade), eis ai os meus motivos REFERENCIADOS para não me somar à você e muit@s outros.

Se você curte e concorda com um neocolonizador, mal sucedido, admirador de racistas e fascista assumido (que inclusive reclamava ter sido copiado por Mussolini), problema seu…, mas agora não pode alegar que desconhece e não é admirador de um utópico, delirante e ainda bem, mal sucedido fascismo negro, EU TÔ FORA… .

Referências

DOMINGUES, PETRÔNIO. O “MOISÉS DOS PRETOS”: MARCUS GARVEY NO BRASIL. Novos estud. CEBRAP, São Paulo , v. 36, n. 3, p. 129-150, Nov. 2017 . Disponível em < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002017000300129&lng=en&nrm=iso&tlng=pt > . accesso em 13 Fev. 2020.

PASSAPALAVRA. De volta à África (3): “Nós fomos os primeiros fascistas”. 2010. Site anticapitalista independente.Disponível em: <https://passapalavra.info/2010/07/26128/ >. Acesso em: 14 fev. 2020.


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CASO RACISMO NO ITAÚ (de novo)

“Pero no mucho…”

Lá vou eu de novo discordar da FHOUTINE MARIE, que acha inútil e ingênuas as propostas de boicote, e que somos reféns do capitalismo, não tem para onde correr…. .

Se estamos no capitalismo, então usaremos as regras dele para que nos respeitem…

Todo boicote tem dois efeitos, o primeiro é que uma vez publicizado ele arranha a imagem da instituição, instituição que como todas outras, em um mercado competitivo precisa investir milhões em publicidade positiva, mas consegue publicidade negativa de graça…, o que ao fim e ao cabo representa não apenas perda no investimento publicitário, mas também na captação financeira e perda para a concorrência… Isso obriga a ações corretivas e mais gasto para reverter a imagem negativa.

Dizer que “todo banco é igual e por isso não adianta boicote” ou que “o assalariado as vezes nem pode escolher o banco em que recebe o salário” é bem falacioso. Hoje tem portabilidade de salário…, não importa por onde o dinheiro entra, importa aonde ele vai permanecer por mais tempo e utilizado em investimentos e serviços como cartão de crédito, etc… . Qualquer um sem muita dificuldade pode ter hoje um conta digital em pequenos bancos que não fica nada a dever a uma nos grandes, pelo contrário oferece facilidades extras e sem taxas de serviço… .

O público a que me refiro é bem amplo, inclui gente que tem acesso a conta tradicional e os que não tem, tem gente muito próxima de mim que está sem emprego mas tem conta digital, os filhos sem emprego ou ganhando mal também tem…, vendedores ambulantes, trabalhadores informais de todos os tipos trabalham com maquininha de cartão atrelada a contas de pagamento (que tem as funções mínimas das contas digitais). Dados do fim do ano dizem que mensalmente estão sendo abertas de 500 mil a 1 milhão de contas digitais, até os dois primeiros meses de 2020 tinha estimativa de 15 milhões de contas.

Óbvio que tem gente que fica de fora dessa “inclusão bancária” e não é exclusão, endividamento ou submissão à lógica capitalista o assunto… nem a “inevitabilidade” que a Fhoutine direciona.

Temos um caso prático e uma solução prática, tem um banco com reiterados casos de racismo nas agências, esse banco tem inúmeros clientes negros, sempre passíveis de algum evento do tipo, estamos falando desses clientes ai que já estão lá ou dos que por um motivo ou outro também se agregariam à carteira de clientes.

A ideia de boicote tem dois alvos, fazer o banco mais uma vez visualizar e repensar formas de evitar as ações discriminatórias e a outra é LEMBRAR aos clientes negros do Itaú (e aos não-negros que se incomodam em estar em um banco com reiterados atos racistas) que eles NÃO PRECISAM seguir como clientes ou pelo menos movimentando a conta ou tratando de serviços nas agências do Itaú, nenhum deles tem o menor problema para ter uma conta digital em qualquer outro banco, em que podem fazer praticamente tudo sem ter que por os pés em uma agência… .

Se há situações como FGTS ou outras que obrigam clientes a ir à agências de qualquer banco, ou gente ainda excluída de acesso bancário, ou que inclusão bancária é adesão ao capitalismo já é outra história… .🤷🏿‍♂️

Para lutar é preciso saber avaliar o inimigo e atacá-lo aonde é possível e com as armas possíveis, a concorrência e os discriminados agradecem…😉


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O laço branco e a violência contra as mulheres

Lá vamos nós de novo em uma reflexão que não duvido será mal entendida por algu(mas) (uns) neoativistas do feminismo (sejam mulheres ou homens).

Em 6 de dezembro de 1989, Marc Lepine, um jovem canadense de 25 anos, invadiu armado uma sala de aula da Escola Politécnica de Montreal (Canadá) e ordenou que todos os homens abandonassem o local, na sequência assassinou todas as mulheres daquela turma, 14 ao todo. Após o nefasto ato ele se suicidou, deixando uma carta na qual explicava que não admitia que mulheres frequentassem o curso de Engenharia, uma “área masculina” segundo ele.

O episódio de cruel misoginia levou homens canadenses a criar a Campanha do Laço Branco (White Ribbin Campaign), um movimento visando fomentar nos homens uma nova visão sobre a masculinidade e apoiar as demandas feministas. A data também virou Dia Internacional dos homens pela eliminação da violência contra a mulher.

Obviamente sou a favor do feminismo efetivo e repudio a violência contra a mulher, apesar de um “povo” limitado, “travado” e radicalizado entender justamente ao contrário… .

Pois bem, não sou a única pessoa, e sei de feministas que pensam da mesma forma, que a resolução ou redução do problema da violência contra a mulher, na verdade não passa pela “fruição narcísica” de homens que se colocam como “desconstruídos”, nem virá da reunião de homens voluntários e dispostos a discutir “masculinidade tóxica”. Isso passa sim por terapias COMPULSÓRIAS e PROFISSIONAIS para agressores e a disponibilização para as vítimas que se dispuserem a se desvencilhar do abuso enquanto é tempo.

Não é difícil perceber que esse tipo de homem voluntariamente “desconstruível” não é o mesmo que perpetra violências contra mulheres. Confundem machismos de baixo potencial ofensivo introjetados, com a misoginia patológica, aquela que passa pela personalidade sádica, que por sua vez proposital e preferencialmente busca e identifica mulheres com brechas de autoestima por onde podem dominar e saciar sua perversidade e prazer em humilhar e ferir lentamente, até o “gran finale”, o feminicídio.

Dois pontos a destacar, nada é absoluto, portanto, há dementes capazes de realizar sua misoginia e sadismo contra mulheres com as quais nunca tiveram relação específica ou de algum termo, assim como parte das vítimas nunca teve relação ou questões de autoestima e intimidades que fomentassem a violência sádica. Caso do evento que motivou o movimento e data citados no início.

Em resumo, apesar de achar válidas demonstrações de apoio masculino a não-violência contra a mulher, não creio que sejam efetivas as ações como o “laço branco” e suas passeatas ou discussões de masculinidade tóxica, pois elas em nada atingem os grandes e reais problemáticos. Por outro lado, em tempos em que ativistas reivindicam “lugar de fala”, como se tem feito majoritariamente de forma equivocada e beligerante contra aliados extra-recorte, é claro ser puro incentivo à “tretas” e “fogo-amigo” que consomem mais energia que a empregada contra os verdadeiros inimigos das causas.

Para finalizar, quero lembrar, reforçar e afirmar, que considero sim importante e necessário o apoio masculino no combate à violência contra a mulher, sempre a partir de premissas e ações que gerem efetividade.

Para quem lê inglês sugiro essa excelente matéria, escrita por uma feminista, sobre o assunto:

https://www.smh.com.au/opinion/it-s-time-to-shut-the-white-ribbon-campaign-down-20181021-p50b33.html


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A palavra, a leitura e a briga

É impressionante como surgem verdadeiras brigas por conta de palavras mal colocadas ou gente que não conhecendo todos os sentidos que uma palavra pode ter variando o contexto em que é empregada, faz “leitura equivocada” do que o interlocutor está dizendo, chegando ao cúmulo de se entender exatamente o contrário, até partindo para a “briga”.

O uso da palavra errada em tese é um descuido mais fácil de identificar, pois ou a palavra não faz sentido no assunto ou conduz a um entendimento que “não bate” com o perfil de quem a está utilizando. Daí a grande importância de “saber com quem se está falando” pois se conhecendo o histórico ou perfil (o lugar de fala) de quem está dizendo algo, facilita ver que houve apenas algum equívoco no termo empregado, o que deu margem para interpretação igualmente equivocada da mensagem.

Reforçando, antes de se “indignar loucamente” e partir para uma furiosa contestação de algo dito, veja quem é a pessoa que está dizendo aquilo, se for uma discussão virtual em rede social, veja o perfil e o tipo de postagens, isso pode poupar umas vergonhas e principalmente injustiças.

O “vocabulário pobre” é outro grande problema que amplifica a dificuldade de interpretação. Ele vem da falta de leituras e principalmente da falta de leituras de forma mais multidisciplinar, ou seja, fora da área de atuação profissional ou de interesses diretos.

Daí que é importante ter alguma noção de jargões outros, ou ter a paciência e prudência de ir ao velho dicionário ou ao Google ver se há algum outro entendimento possível para aquela palavra ou expressão que lhe causou estranheza ou “indignação”, antes de partir para qualquer resposta. Cuidado idêntico na hora de escrever ao pintar aquela dúvida se o termo que se está empregando é o correto e não dá grande margem para má interpretação.

Há porém uma outra questão, pessoas com dificuldades cognitivas, em geral também tem “preguiça” de ler, de buscar outras interpretações possíveis para além do próprio repertório. Com isso ficam limitadas as próprias interpretações da realidade e impermeáveis à argumentações outras.

Paradoxalmente essa característica leva a uma certa “arrogância”, um “autoritarismo da ignorância”, que não apenas dificulta diálogos, como direciona para uma manifestação belicosa, agressiva e intransigente. Dificilmente se consegue fazer com que esse tipo pare, respire e busque ou leia alguma referência que esteja sendo oferecida. A “autoestima brucutu” aliada à dificuldade cognitiva e preguiça não permitem.


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Convergências, divergências e comunicação.

Ontem, em um desses papos de bar com gente engajada, coloquei que costumo sofrer nas redes e as vezes em papos não virtuais, incompreensão e até hostilidade desnecessária e desproporcional, principalmente vindo de ativistas mais radicais ou simpatizantes de pautas e causas em que não sou do recorte.

Na minha visão, isso vinha ocorrendo não por divergir ou me opor às ideias centrais (o que rarissimamente é o caso) ou desconhecer/minorar dados oferecidos por tais pessoas, muito menos por “ser anticausas” quaisquer, e sim por pedir ampliação dos espectros de problematização e por repudiar declarações com “verdades únicas e absolutas”, entendendo que a essa relativização e concessões elas não estão abertas. Ou seja, o que venho defendendo é a também consideração do não hegemônico e uma mínima relativização, já que nada de fato é 100% como as vezes insistem em declarar.

É preciso deixar claro que vejo como óbvio que exceção não é regra, nunca pretendi e nem vejo como isso possa ser possível colocar honestamente, apesar que, omiti-la ou desconsidera-la na sua proporção, completamente em favor de uma visão “monolítica” sobre a questão, não me parece honesto nem justo.

Bem, voltando à conversa, o “diagnóstico” foi de uma questão estrutural de comunicação equivocada. Ou seja, que a forma como normalmente coloco a divergência parcial, apesar da grande convergência e não intenção de minoração das premissas alheias, faz as pessoas enxergarem as manifestações como se eu estivesse tentando “negar”,”destruir”, “desconsiderar” e “inverter” a lógica do majoritário, pretendendo usar a “exceção” como se regra fosse.

O entendimento geral foi de que as interpretações e reações negativas vem do uso inadequado das partículas de conexão entre a questão hegemônica observada (e não negada, mas assim entendido por quem lê ou ouve) e a proposta de ampliação que coloco. A utilização por exemplo do “mas”, “só que”, “no entanto”, que no entendimento da geral configuraria uma fala de “invalidação” ou “exclusão” da grande premissa.

Em primeira mão admito e concordo que o problema de fato está bem ai mesmo. Colocando aqui inclusive para socializar com quem tem ou quer evitar o mesmo problema. Vejamos:

Fica de fato claro que a conjunção “mas” indica uma oposição ou contraste da ideia contida no pós partícula em relação à prévia. Do mesmo modo o “Só que” ou outras similares:

Correto portanto o colocado pelos colegas de papo, aliás, uma coisa básica da norma culta…. Temos então sintaticamente definida uma oposição, que tende a ser primariamente entendida pelo interlocutor como uma real “contrariedade plena” às suas premissas, mesmo que não se tenha de fato essa plena oposição, apenas o desejo de uma não limitação a tais premissas.

Então o que fazer para não se expressar em sentido contrário ao que se pretende ? Talvez a forma mais imediata seja cambiando para a conjunção concessiva, que opõe contraste, sem contudo definir “impedimento” à primeira ideia, pelo contrário, indicando um complemento pela segunda:

Cabem além dessas, por exemplo, o “apesar que”, “apesar de” ou “ainda que”… , as quais passarei a priorizar o emprego.

Por outro lado, seria interessante que quem expõe uma problematização ou defende uma ideia EVITASSE colocá-la de forma ABSOLUTA, como se não houvesse exceções ou contradições possíveis, isso se dá pela utilização de construções utilizando especialmente dois pronomes indefinidos, TODO(A)(S) e NENHUM(A):

Essas “totalidade afirmativas” são as famigeradas GENERALIZAÇÕES, o que é essencialmente IMPRECISO, pois podem levar a afirmações falaciosas, já que no mais das vezes não existe a INFALIBILIDADE da afirmação, ou seja, mesmo que majoritariamente seja verdade, não reflete todas as possibilidades dela.

Se for para usar pronomes indefinidos que se use “VÁRIO(A)(S)” “MUITO(A)S” “ALGUM(A)(S)” ou “POUC(O)S” .

Enfim, é sempre bom trocar ideias RESPEITOSAMENTE, ouvir críticas, acatá-las quando pertinentes, buscar fundamentação e quando for o caso rever conceitos e práticas.