Blog do Juarez

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Traficante e “evangélico”: paradoxo identitário, executor de intolerância.

Uma imagem vale mais que mil palavras…

A recente repercussão dos casos de intolerância religiosa mediante a coação por  traficantes que obrigaram sob a mira de armas, sacerdotes de matriz africana a destruir com as próprias mãos os seus templos e símbolos  religiosos, acendeu uma questão paralela, a de evangélicos se insurgindo contra a  qualificação de tais agressores como traficantes “evangélicos”. A argumentação é de que é incompatível a condição de criminoso com a de evangélico, logo, tais traficantes perpetradores não seriam evangélicos, nem devem assim ser citados (aliás, adotamos por respeito ao sentimento dos que discordam de tal associação, a prática de utilizar aspas no termo evangélico sempre que a utilização aponte para um emprego questionado ou em disputa conceitual).

Ocorre que a argumentação citada é uma falácia ao estilo Ad hoc “Todo escocês verdadeiro”, pressupondo que uma identidade é integra e homogênea, apenas admitindo em seu escopo certas características que se pretendem essenciais e sempre presentes, isolando e negando como representativos os elementos divergentes do “mainstream” e consequentemente a sua utilização como exemplos em debate. A construção de identidades gira em torno de 3 eixos, o primeiro é como a pessoa se vê, o segundo é como ela é vista pelos outros e o terceiro é a realidade, a qual tanto influencia as duas primeiras percepções quanto pode ser influenciada por elas.

Se a pessoa se enxerga, se assume ou externa publicamente como tal,  ou é assim enxergada por outras pessoas (mesmo que não todas) e há fatos que se alinham com a primeira ou segunda premissas, já temos uma validação identitária. Por exemplo, a pessoa é batizada em igreja evangélica, frequentou ou frequenta cultos, faz parte de família com histórico evangélico, reproduz discurso, estética e jargões,  inclui no gosto musical estilo característico “gospel”, ou  é um sacerdote,  e não necessariamente todas as características precisam estar presentes, já é suficiente para que se tenha uma definicão identitária, mesmo que falte algo de essencial ou sobre algo paradoxal. O fato de não ser um evangélico “ideal”, por si só não inviabiliza que a pessoa se veja ou seja vista como tal,  ou possua na realidade social práticas que a vinculem à identidade evangélica.

Portanto, dizer que determinada pessoa não é evangélica por não ser “ideal”, seria o mesmo que dizer que padres ou fiéis católicos que cometem crimes não são católicos, que quem se vê e é visto como umbandista ou candomblecista jamais cometeria crime, ou ao cúmulo de que policiais que praticam crimes, não são policiais…, quando na verdade são, afinal, tem registro, documento, recebem vencimentos do estado, quando militares usam fardas, usam equipamentos restritos e estão vinculados a unidades policiais…, são no entanto MAUS POLICIAIS, em desacordo com a essência policial, as regras e a lei, mas até serem expulsos, apesar de bandidos são também policiais… .

A autoidentificação como evangélico, ou o reconhecimento social como tal, precisam de muito menos elementos de realidade e vínculo que o caso dos policiais, não é portanto menos acolhedor de paradoxo, pelo contrário, centenas ou milhares de casos concretos na imprensa demonstram que não há a necessidade do evangélico ser ideal para assim se reconhecer ou ser reconhecido e qualificado.

Bons exemplos:

É interessante notar que mesmo quando o pertencimento é colocado em dúvida ou entendido como falso ou de conveniência, encontramos elementos identitários que apontam para um nível de pertencimento aparentemente real, como no caso da “falsa família evangélica” que no entanto na hora do desepero apresentou “sinais de  fé” ao estilo: “Quando já estavam no corredor da delegacia, os sete integrantes da família presa, começaram a orar, gritar pelo nome de Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo, além de cantar hinos de louvor, pedindo até pelas suas libertações de onde estavam naquele momento. Mas o delegado garantiu que da Delegacia, os traficantes presos seguiriam direto para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa.”

Não é portanto insistindo em falácias argumentativas ou malabarismos semânticos visando “desconectar” os desviados de uma identidade evangélica idealizada, desvencilhando-se de uma autocrítica identitária, que a questão que de fato importa, a intolerância religiosa,  ganhará combate geral. Enquanto for mais importante questionar a adjetivação e pertencimento religioso de criminosos, do que se insurgir contra a  intolerância e  violência que se abatem sobre pessoas humanas de credo diverso, a intolerância seguirá campeando, e em mais um paradoxo, com a ajuda dos que se dizem “verdadeiramente” cristãos.

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Privilégio branco, esse “impercebido”

Venezuelana vendedora de picolé no T2 em Manaus causa barulho nas redes sociais / Divulgação

Dizem que a gente é chato por problematizar as coisas…, matéria em Manaus dá conta de que venezuelana bonita que vende picolés em terminal de ônibus recebeu proposta de emprego com carteira assinada após outra matéria e viralizar nas redes sociais (link ao final).

Indo direto ao ponto…, o fenômeno social por trás disso é o mesmo da comoção que levou a “resgates” como o da “mendigata”, do “mendigato”, do ex-polegar Rafael e mais recentemente do crackudo Von Richtofen…, isso se chama PRIVILÉGIO BRANCO…, é “duro demais” para muitos, ver gente branca (se for bonita pior ainda) ocupando lugares sociais “inesperados”, ou seja, fazendo coisas que se não fossem brancos, ninguém sequer perceberia ou se incomodaria… 😒 #PrivilegioBranco
https://noamazonaseassim.com.br/venezuelana-que-chamou-a-atencao-por-vender-picole-no-t2-ganha-um-convite-especial-em-manaus/

#MentalidadeRacista #RacismoEmaisDoQueSePercebe #Consciencia

 


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Monteiro Lobato, Negrinha e a boneca loura…

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Uma das facetas pouco conhecidas de Monteiro Lobato, famoso escritor que se notabilizou entre outras coisas pelos contos infantis, era o fato de ser um “eugenista de carteirinha”. Para quem não sabe, a Eugenia foi uma ideologia instalada em fins do XIX e persistente nas décadas iníciais do XX, para encurtar, basta dizer que as premissas ariano-nazistas tem a mesma origem, que remetem ao Conde de Gobineau, que foi um tipo de embaixador da França no Império brasileiro e amigo de Pedro II. Em outras palavras, racismo que se pretendeu inclusive “científico” .

A correspondência de Lobato com um amigo, acabou se tornando um livro, chamado “A barca de Gleyre”, aonde há uma passagem em que o mesmo diz que implantar tais ideiais no Brasil funcionava melhor de forma indireta, ou seja, subliminar. E com efeito utilizou de sua literatura para isso.

O livro “Negrinha” de 1920,  tinha vários contos inclusive o que dá nome ao livro e do qual abaixo apresentamos apenas a parte final:

Era de êxtase o olhar de Negrinha. Nunca vira uma boneca e nem sequer sabia o nome desse brinquedo. Mas compreendeu que era uma criança artificial.
— É feita?… — perguntou, extasiada.
E dominada pelo enlevo, num momento em que a senhora saiu da sala a providenciar sobre a arrumação das meninas, Negrinha esqueceu o beliscão,o ovo quente, tudo, e aproximou-se da criatura de louça. Olhou-a com assombrado encanto, sem jeito, sem ânimo de pegá-la.
As meninas admiraram-se daquilo.
— Nunca viu boneca?
— Boneca? — repetiu Negrinha. — Chama-se Boneca?
Riram-se as fidalgas de tanta ingenuidade.
— Como é boba! — disseram. — E você como se chama?
— Negrinha.
As meninas novamente torceram-se de riso; mas vendo que o êxtase da bobinha perdurava, disseram, apresentando-lhe a boneca:
— Pegue!
Negrinha olhou para os lados, ressabiada, como coração aos pinotes. Que ventura, santo Deus! Seria possível? Depois pegou a boneca. E muito sem jeito, como quem pega o Senhor menino, sorria para ela e para as meninas, com assustados relanços de olhos para a porta. Fora de si, literalmente… era como se penetrara no céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe tivesse vindo adormecer ao colo. Tamanho foi o seu enlevo que não viu chegar a patroa, já de volta. Dona Inácia entreparou, feroz, e esteve uns instantes assim, apreciando a cena.
Mas era tal a alegria das hóspedes ante a surpresa extática de Negrinha, e tão grande a força irradiante da felicidade desta, que o seu duro coração afinal bambeou. E pela primeira vez na vida foi mulher. Apiedou-se.
Ao percebê-la na sala Negrinha havia tremido, passando-lhe num relance pela cabeça a imagem do ovo quente e hipóteses de castigos ainda piores. E incoercíveis lágrimas de pavor assomaram-lhe aos olhos.
Falhou tudo isso, porém. O que sobreveio foi a coisa mais inesperada do mundo — estas palavras, as primeiras que ela ouviu, doces, na vida:
— Vão todas brincar no jardim, e vá você também, mas veja lá, hein?
Negrinha ergueu os olhos para a patroa, olhos ainda de susto e terror. Mas não viu mais a fera antiga. Compreendeu vagamente e sorriu.
Se alguma vez a gratidão sorriu na vida, foi naquela surrada carinha…
Varia a pele, a condição, mas a alma da criança é a mesma — na princesinha e na mendiga. E para ambos é a boneca o supremo enlevo. Dá a natureza dois momentos divinos à vida da mulher: o momento da boneca — preparatório —, e o momento dos filhos — definitivo. Depois disso, está extinta a mulher.
Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que trazia em si e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa — e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa. Se não era coisa! Se sentia! Se vibrava!
Assim foi — e essa consciência a matou.
Terminadas as férias, partiram as meninas levando consigo a boneca, e a casa voltou ao ramerrão habitual. Só não voltou a si Negrinha. Sentia-se outra, inteiramente transformada.
Dona Inácia, pensativa, já a não atazanava tanto, e na cozinha uma criada nova, boa de coração, amenizava-lhe a vida.
Negrinha, não obstante, caíra numa tristeza infinita. Mal comia e perdera a expressão de susto que tinha nos olhos. Trazia-os agora nostálgicos, cismarentos.
Aquele dezembro de férias, luminosa rajada de céu trevas adentro do seu doloroso inferno, envenenara-a.
Brincara ao sol, no jardim. Brincara!… Acalentara, dias seguidos, a linda boneca loura, tão boa, tão quieta, a dizer mamã, a cerrar os olhos para dormir. Vivera realizando sonhos da imaginação. Desabrochara-se de alma.
Morreu na esteirinha rota, abandonada de todos, como um gato sem dono. Jamais, entretanto, ninguém morreu com maior beleza. O delírio rodeou-a de bonecas, todas louras, de olhos azuis. E de anjos… E bonecas e anjos remoinhavam-lhe em torno, numa farândola do céu. Sentia-se agarrada por aquelas mãozinhas de louça — abraçada, rodopiada.
Veio a tontura; uma névoa envolveu tudo. E tudo regirou em seguida, confusamente, num disco. Ressoaram vozes apagadas, longe, e pela última vez o cuco lhe apareceu de boca aberta.
Mas, imóvel, sem rufar as asas.
Foi-se apagando. O vermelho da goela desmaiou…
E tudo se esvaiu em trevas.
Depois, vala comum. A terra papou com indiferença aquela carnezinha de terceira — uma miséria, trinta quilos mal pesados…
E de Negrinha ficaram no mundo apenas duas impressões. Uma cômica, na memória das meninas ricas.
— “Lembras-te daquela bobinha da titia, que nunca vira boneca?”
Outra de saudade, no nó dos dedos de dona Inácia.
— “Como era boa para um cocre!…”

Talvez o leitor não conhecedor do conceito de metaracismo, até enxergue no conto um “libelo humanista” e de “compaixão antiracista”, mas quem conhece não deixará de notar a mensagem subliminar que se pretende passar  em “Jamais, entretanto, ninguém morreu com maior beleza. O delírio rodeou-a de bonecas, todas louras, de olhos azuis. E de anjos… E bonecas e anjos remoinhavam-lhe em torno, numa farândola do céu” .

A morte “redentora” de Negrinha se deu por em vida não poder mais alcançar a beleza loura da boneca, e no momento da morte foi “reconfortada” em seu desejo pela beleza branca, rodeada de bonecas louras e anjos (obviamente louros também), mais simbólico de uma apologia ao ideal ariano seria difícil… .


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Rua com nome de Bandeirante escravagista é proibido por lei

Reforçando a nossa solicitação à edilidade de Manaus, para a substituição do nome da Rua Domingos Jorge Velho, no Bairro do Dom Pedro,  tal bandeirante se notabilizou pelo apresamento de índios no XVII e pela destruição do Quilombo de Palmares e Zumbi. Cabe observar que apesar da lei federal no art. 1° falar em “bem público pertencente à união”, no seu artigo 3° estende a proibição à entidades que recebam verba federal, se consideramos a municipalidade de Manaus como um ente ou “entidade”, e que no caso sabidamente recebe recursos federais, não tem para onde correr… é fazer cumprir a lei.

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Município é um ente federal …

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Nos termos da lei temos  “entidade”, que é sinônimo de ente…

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Portanto…


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2017 – VIGÉSIMO NONO ANIVERSÁRIO DE ATIVISMO NEGRO

Só agora me dei conta que minha primeira palestra oficial, que ocorreu no centenário da abolição (1988) ao contrário do que aparentemente todo esperavam, não versou sobre os horrores do cativeiro, nem sobre a “bondade da princesa”, muito menos admitiu a abolição como “marco da igualdade”,  foi sobre… PÓS-ABOLIÇÃO (muito embora seguindo o meu natural “braudelianismo”, ou seja,  tendência em problematizar utilizando recortes temporais e geográficos mais amplos que os nominais aplicados aos eventos-título) pois parti das leis antiescravidão que antecederam a  lei áurea,  bem como,  de uma ácida crítica ao uso da Guerra do Paraguai para iniciar o processo de branqueamento do Brasil, já que a abolição era um processo em evolução e questão de relativo pouco tempo. Na época eu tinha acabado de concluir a faculdade, era um cara de exatas/tecnologia, nem me passava pela cabeça um dia ser um pesquisador em História, mas ali, em uma época em que não havia Internet, fiz uma pesquisa e palestrei em um tema que só bem recentemente passou a empolgar os historiadores… o PÓS-ABOLIÇÃO😉. É verdade, “mato a cobra e mostro o pau” :

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Um novo olhar sobre o 13 de maio

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Se você é brasileiro e já era adulto na virada para o século XXI, de certo fez vários trabalhos e cartazes escolares sobre o 13 de maio, talvez teatrinhos ou mesmo tenha participado de festividades e solenidades alusivas à abolição da escravidão no Brasil ocorrida no 13 de maio de 1.888 .

Alguns notaram, outros não, que nos últimos anos isso tem mudado e bastante. O 13 de maio perdeu força enquanto data comemorativa vinculada à população negra. Sendo paulatinamente evidenciado em seu lugar o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, homenageando Zumbi do Palmares. No entanto o 13 não foi simplesmente desvalorizado ou descartado pelos movimentos de negritude e pelo poder público, ele foi resignificado e passou a ter outras funções que não a comemoração da abolição (mal contada e mal feita).

Através de diversas leis fomentadas pelos movimentos de negritude, a data ganhou novas motivações e intenções, mas basicamente aproveitando uma tradição da Umbanda, religião de matriz africana que vincula o 13 de maio aos pretos velhos, espíritos iluminados de antigos escravos que se manifestam e trabalham pelo bem promovendo aconselhamentos e curas, transformou o 13 em dia das religiões de matrizes africanas, mas não apenas, a denúncia do racismo e exigência de reparações também.

Abaixo alguns exemplos:

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Enfim, apesar das diversas oficializações como datas “comemorativas”, na verdade o espaço foi políticamente marcado como de visibilização e reflexão/conscientização e não mais como uma ode à “bondade da princesa” e “marco definitivo da igualdade”, aliás no Amazonas a abolição ocorreu 4 anos antes do 13 de maio, no 10 de julho de 1884, ou seja, era um processo nacional irreversível e produto de uma luta com muitos atores, incluindo os próprios negros.

Para mim a data também guarda significado especial, foi nela em 1.988, o centenário da abolição, que fiz a minha estréia oficial como ativista da causa negra, sendo orador oficial na sessão especial da Câmara Municipal de Pindamonhangaba, já naquela primeira fala pública, desviei a esperada homenagem à princesa e ode à “igualdade” nascida há então 100 anos, para um crítico e ácido discurso crítico que foi inclusive à sistemática tentativa de eliminação dos negros via guerra do Paraguai…, teve gente embasbacada com as denúncias de que o 13 era quando muito um começo mas não um fim,  e até lágrimas…, ano que vem, ainda estando no planeta, serão 30 anos de luta.

 


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Uma deturpação, um humor coxinha e uma canalhice

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A deturpação seria a “tese” que em seu interrogatório na Justiça Federal em Curitiba, Lula teria “jogado a culpa” sobre a questão do Triplex para sua finada esposa D. Marisa.

Primeiro porque não há culpa alguma, D. Marisa tinha cotas perfeitamente legais de participação em empreendimento do Bancoop, posteriormente encampado pela OAS e em dado momento, foi visitar a obra e uma alternativa à unidade originalmente intencionada, essa alternativa era o famoso triplex, que na realidade nunca foi comprado ou “presenteado”, tanto que toda a documentação prova que o mesmo pertence à construtora, tendo inclusive sido dado em garantia em operação de crédito para a OAS.

Segundo porque Lula apenas disse o óbvio, D. Marisa tinhas as cotas, portanto ela é quem cuidava da questão. Não seria a primeira vez no mundo que  uma esposa se colocaria à frente de negócios de interesse familiar, inclusive tentando sobrepor sua vontade e gosto ao do marido e sem consulta prévia ou paripasso ao mesmo. Lembrei até de minha mãe, que  quando eu era adolescente, comprou o terreno ao lado de casa e começou a construção de uma nova, meu pai e nós só fomos saber que os novos vizinhos éramos nós mesmos quando as paredes já estavam subindo… .

Quanto ao “humor coxinha”, natural que seja baseado nas premissas, fontes e alvos da adjetivação. Sendo assim, a publicidade não estaria isenta de tentar surfar na onda das empatias e simpatias com as “teses” afinadas. As Lojas Marisa resolveram “brincar” com a questão, talvez a partir de alguma sinergia entre o “coxismo” a administração da empresa e os responsáveis pela publicidade. Se por um lado agradará os que estão na mesma “vibe”, por outro, cabe lembrar que a rede não é conhecida por ser voltada a um “público de elite”… . Até onde sei, o seu público é muito popular, e pela lógica em tese mais afinado com o que se pretende atacar do que com o humor dos atacantes, pode vir a ser portanto um bom “tiro no pé”.

A canalhice fica por conta da capa da revista Veja. Não é a primeira e de certo não será a última a passar completamente os limites de algo que se pretenda éticamente jornalístico, talvez com essa capa tenha atingido os “píncaros da canalhice jornalística”. Vai ser bem difícil de superar… .