Blog do Juarez

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Me esqueci mas, em tempo. Monteiro Lopes no Palácio da Justiça amazonense.

No meu último texto da coluna que assino na Agência de notícias Amazônia Real (publicado ontem), falei da felicidade em ver um antigo sonho realizado, a criação do Museu Judiciário do Amazonas e instalado na antiga e centenária sede, o Palácio da Justiça https://amazoniareal.com.br/a-justica-amazonense-de-volta-ao-palacio/

Tem porém um detalhe importante que esqueci. A minha dissertação de Mestrado, foi sobre Manoel da Motta Monteiro Lopes, Advogado negro recifense, que morou um tempo em Manaus, e atuou como Promotor de Justiça em 1892, depois se radicando no Rio de Janeiro, onde fez carreira política, se tornando o primeiro deputado federal negro assim reconhecido, assumido e com discurso afirmativo. Faleceu na então capital da República em exercício do mandato em dezembro de 1910.

Para além dos aspectos gerais já conhecidos da sua trajetória, cabia a mim especificamente elucidar a parte amazonense dela. Que ao contrário do imaginado inicialmente foi mais interessante e registrada, não quando morou aqui, ainda no XIX, mas sim quando retornou ao estado já como deputado pelo Distrito Federal em 1910, o que era até então ignorado em sua historiografia.

Por economia marco aqui apenas que foi uma estada “apoteótica” que pode ser lida integralmente por quem se interessar, na própria dissertação, nesse texto aqui vou deixar só o extrato da sua passagem pelo Palácio. O que dado o contexto social de 1910 foi uma coisa impressionante…

“A recepção feita em sua despedida ao judiciário amazonense também noticiada no dia 9 de agosto  foi literalmente digna de nota:

Foi hontem ao Tribunal de Justiça apresentar as suas despedidas o illustre deputado dr. Monteiro Lopes.O presidente do Tribunal, sr. desembargador Rubim fel-o sentar a sua direita, tendo s. exc. assistido a sessão. Terminados os trabalhos o representante do Districto Federal abraçou a todos os desembargadores, e demais juizes e escrivães que o trouxeram até á porta central do edifício. S. exc. trajava ao rigor custosa e riquissima becca de seda, e que dava maior realce e solenmidade aquelle templo da justiça. Grande numero de advogados e pessoas do fòro alli estiveram presentes. (Correio do Norte: Orgão do Partido Revisionista Estado do AM. Manaus, p. 2-2. 09 ago. 1910.)

A forma como isso foi feito, demonstra que aparentemente não foi mero protocolo interpoderes do estado, indica fortemente que as relações estabelecidas no meio judiciário, quer seja nos tempos de faculdade no Recife, nos quais foi colega do anterior e falecido presidente do judiciário amazonense, e não improvável de outros juristas aqui instalados dada a importância  e disseminação de egressos da  faculdade pernambucana, quer no período de atuação no cenário forense de Manaus no XIX, atuaram dando ao evento um caráter também afetivo e simbólico.”

Do ponto de vista historiográfico pode até parecer irrelevante um local físico específico que uma pessoa ocupou em um evento (o simbólico no entanto é importante). Porém, para mim que me ocupei em descobrir a cena e visualiza-la na imaginação via uma descrição passada e em um determinado contexto e agora, anos depois, tive a oportunidade de estar envolvido com a reapropriação do cenário real em que se deu o fato, não deixa de ser uma feliz coincidência… 😉 .


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1° de maio, Monteiro Lopes, pioneiro do trabalhismo no Brasil

Foto publicada no Jornal Correio do Norte,
de Manaus, em 1910

Em 1° de maio de 1909 tomava posse como Deputado Federal pelo então DF, o Advogado pernambucano Manoel da Motta Monteiro Lopes, primeiro deputado federal preto e com discurso afirmativo. Talvez não por coincidência também o primeiro a propor o 1° de maio como Dia do Trabalhador.

Abaixo a transcrição de sua atuação pró-trabalhadores em uma sessão na Câmara:

Pronunciamento do Dep. Monteiro Lopes – julho de 1909

O Sr. Presidente – Dos três Deputados
inscritos, restam apenas dois: o Sr. Dunshee de Abranches, que está
ausente, e o Sr. Monteiro Lopes, a quem vou dar a palavra, depois do que
ficam extintas as inscrições, devendo inscrever-se no próprio dia da
sessão o Deputado que pretender falar na hora do expediente.

Tem a palavra o Sr. Monteiro Lopes.

O Sr. Monteiro Lopes- Sr. Presidente, permitam V. Ex. e os meus ilustres colegas que as minha primeiras palavras interpretem com a maior fidelidade os mais solenes protestos de gratidão e de carinho a uma parte do eleitorado independente e incorruptível, que desde 1903 vem sufragrando o meu humilde nome nas urnas livres republicanas da capital da minha pátria. E que esta gratidão, Sr. Presidente, se estenda à imprensa do norte ao sul do país, que, após o pleito eleitoral de 30 de janeiro do corrente ano, esposou a minha causa, defendendo a legitimidade de meus direitos, quando se vociferava lá fora que a circunstância de meu nascimento era uma condição que impossibilitava a minha entrada nesta Casa do Congresso.

Não venho, Sr. Presidente, discutir o caso, que se me afigura haver passado em julgado diante das manifestações eloqüentes e inequívocas desta Câmara (Muito bem.), recebendo-me em seu seio pelo voto unânime dos Srs. Deputados presentes à sessão.

Conheço o Regimento, Sr. Presidente, e sei que uma das atribuições privativas
da Mesa é a distribuição do serviço para a ordem do dia.

Mas a Câmara também conhece as grandes e extraordinárias dificuldades que dia a dia assoberbam a vida das classes menos favorecidas da fortuna.

Entrei nesta Casa com uma eleição fortemente amparada pelas classes laboriosas.

De todas elas tenho recebido nos difíceis e acidentados transes de minha
carreira política, inigualáveis provas de confiança, verdadeiros pronunciamentos de dedicação exemplar, de modo a não ser possível divorciar-me da grande família operária, do homem do trabalho, do homem da oficina. (Aplausos das galerias.)

É por isso, que desde muito me constituí seu advogado na ininterrupta série dos seus sofrimentos, procurando na razão direta de minhas forças diminuir-lhe os seus inenarráveis sacrifícios. (Muito bem.)

Há nesta Casa dois projetos que constituem as mais justas e nobres aspirações do operariado.

O primeiro e o de nº 166, de 1906, que uniformiza as horas de trabalho e os vencimentos das diversas classes de operários.

Parece-me ter o projeto percorrido todos os turnos regimentais.

Apresentado à Câmara em 24 de agosto de 1906, a Comissão de Constituição e Justiça, pelo seu relator, o Sr. Justiniano Serpa, nobre Deputado pelo Estado do
Pará, adotou-o, havendo um voto divergente, do nosso ilustre ex-colega,
Dr. João Luiz Alves, então Deputado pelo Estado de Minas.

Remetido o projeto à Comissão de Finanças, em data de 3 de novembro do mesmo ano, foram os papéis distribuídos ao eminente Sr. Dr. Homero Baptista, nobre Deputado pelo Estado do Rio Grande do Sul, que, mais uma vez pondo
em destaque o seu amor e intransigência aos princípios republicanos e democráticos, adotou-o em um luminoso parecer em que eu não sei mais o que admirar, se a opulência dos seus conhecimentos científicos na matéria, se a elevação dos sentimentos de justiça de que procurou cercar o problema operário.

Do que não resta a menor dúvida, e está na consciência da Nação, é a grande
injustiça que até hoje se tem feito ao operariado de blusa, ao homem que, exposto às ardências do sol e às inclemências do frio, dá a sua atividade, nas oficinas do Estado ou nas empresas particulares, somente em troca de um salário, sem uma lei, sem uma medida que lhe garanta o seu esforço, que o imunize da miséria, no caso de acidente. (Apoiados.)

Por que este projeto, cuja justiça fora proclamada pelas duas comissões respectivas, não veio ainda à ordem do dia, para entrar em debate?

Aumento de despesa?

Mas esta é pequena, segundo afirmação do nobre Deputado por São Paulo, o honrado Sr. Dr. Galeão Carvalhal, autor do substitutivo, que assim conclui o seu minucioso trabalho:

                       
“As despesas a cargo do Tesouro sofrem um pequeno aumento, mas em regra são conservados os vencimentos dos operários.”

O segundo projeto, a que acima me referi, é o de nº 273, de 1908.

Não preciso assinalar aqui a grande importância e utilidade que traria ao
próprio país a aprovação de semelhante projeto, cuja sanção seria ao mesmo tempo um verdadeiro ato de humanidade.

Ao projeto nº 273 pode-se adicionar ou ajuntar um outro, apresentado pelo
eminente Sr. Medeiros e Albuquerque, o polemista emérito, o jornalista cívico, cuja pena vale por um jornal. (Aplausos das galerias.)

S. Ex. apresentou o seu trabalho nos mesmos moldes liberais do projeto nº 273.

Eu vi, Sr. Presidente, em torno deste projeto se levantarem mais de vinte mil operários bendizendo o nome do glorioso marinheiro, Sr. almirante Noronha, quando S. Ex., na simplicidade de marinheiro, prometia ao operariado da União o seu concurso livre e desinteressado na vitória do direito das classes laboriosas

Peço licença à Câmara para afirmar que no dia da sanção da lei uniformizando a
hora de trabalho, o vencimento do operário, regulamentando os acidentes
e riscos do mesmo trabalho, será definitivamente celebrado o legítimo
consórcio da República e o povo.

Sr. Presidente, não há país nenhum, ainda mesmo de civilização mediana, em que não se encontre lei protetora do operariado.

Conheço, por exemplo, a Dinamarca.

Lá foi promulgada a lei de 6 de julho de 1891, modificada em 1898, na parte em que instituía a fiscalização direta do Estado nos casos de acidentes de trabalho.

Na Inglaterra, nós temos a lei de 6 de agosto de 1897, que contém disposições
francamente liberais, disposições que podem se qualificadas como verdadeiras garantias dos interesses do operariado.

Na Alemanha, temos a lei de 1900, que por sua vez também foi modificada, consolidando as leis de 7 de julho de 1871 e mais ainda a lei de 8 de julho de 1884.

Na Áustria, existe a lei de 28 de setembro de 1887, alterada em algumas das suas disposições em 1893, e mais tarde modificada em 1894.

Na França, por exemplo, nós conhecemos a lei de 9 de abril de 1898,
alterada em 22 de março de 1902, modificada a 21 de junho de 1902, e
ainda ultimamente reformada em 17 de abril de 1906.

Tais modificações da legislação operária  em França atestam eloqüentemente a conduta dos poderes públicos diante do grande problema que interessa às classes laboriosas, e o desejo de acautelar os interesses do operariado, de modo que os princípios republicanos sejam uma realidade e não uma ficção.

E como fossem insuficientes as garantias da lei de 9 de abril de 1898, com as suas
modificações de caráter liberal, o telégrafo nos anuncia, há cinco dias, ter o presidente do gabinete francês, Jorge de Clemenceau, declarado que o parlamento adiaria a discussão do projeto que reforma a lei eleitoral, contanto que fosse aprovado o projeto instituindo uma pensão para o operário maior de 61 anos,

Enquanto vemos destes exemplos, eu pergunto à Câmara, que está reservado ao operariado no nosso país?

Dir-se-ia, talvez, que o ministério Clemenceau, agindo do modo aqui descrito, estava influenciado pelas idéias socialistas de Millerand.

Mas, a verdade é que Millerand entrou para o gabinete francês, já no governo
de presidente Dr. Armando de Falliéres, isso há cerca de dois anos, e a lei a que acima me referi da de 1898.

Sr. presidente, o meu objetivo na tribuna é dirigir um carinhoso apelo a V. Ex., para mandar imprimir e dar para a ordem do dia a discussão do projeto nº 166, de 1906, apelo que também torno extensivo às comissões respectivas que estão estudando o projeto n] 273, de 1908.

Venho pedir à Câmara justiça republicana para os humildes, para os operários de minha terra. (Apoiados.)

Sr. Presidente, nós republicanos precisamos nos desobrigar dos grandes e
extraordinários compromissos que contraímos com o povo nos difíceis tempos da propaganda. (Palmas no recinto.)

Nós, os republicanos, precisamos dizer lá fora e provar no recinto desta Casa, ser a República o regímen da ordem, da paz, da justiça…. e do trabalho. (Muito bem, muito bem. Palmas nas galerias e no recinto. O orador é abraçado e  cumprimentado.)

(Anais da Câmara dos Deputados. Sessão em 17 de julho de 1909, PP.
460-463.CEDI/ CELEG/SEDOP. Atualização ortográfica feita pelo Ìrohìn.)


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Alfredo da Matta, o eugenista (racista científico)

Dr. Alfredo da Matta e o quadro “A redenção de Cam”, simbólico do projeto eugenista de branqueamento do Brasil .

Em tempos em que o antirracismo está efervescente e a discussão sobre a retirada ou derrubada (as vezes literal) de homenagens à notabilizados por escravismo ou racismo, cabe colocar luz em certas biografias em que o racismo possui alguma relevância mas é desconhecido da população.

No caso vamos falar de um nome muito conhecido da população amazonense, sobretudo da capital.

Alfredo Augusto da Matta, nasceu em Salvador, em 18 de março de 1870 e faleceu em Manaus em  3 de março de 1954. Foi um médico e político brasileiro. Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1893, especialista em medicina tropical, profilática e dermatológica. (WIKIPEDIA)

Enquanto político foi:

Deputado Estadual 1916-1918

Deputado Estadual 1919-1922 quando foi presidente da Assembleia Legislativa da Amazonas.

Deputado Federal – AM 1933-1934

Constituinte – AM 1934-1937

Senador – AM 1935-1937 ( SENADO)

Teve profícua carreira médica, foi tenente-coronel-cirurgião da Guarda Nacional, carreira estendida a cargos de gestão como diretor do Departamento de Saúde Pública do Estado do Amazonas no governo de Antônio Clemente Bittencourt (1908-1910), diretor do Serviço de Higiene da Municipalidade de Manaus, do Serviço de Higiene do Estado do Amazonas e do Instituto Pasteur de Manaus, inspetor federal do Serviço Sanitário Rural, além de diretor do Serviço de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas, no qual exerceu até 1930.  Colaborou para as revistas Brasil Médico e Amazonas Médico, além de ter contribuído com mais de duzentos artigos em outras revistas nacionais e estrangeiras. Publicou inúmeros trabalhos científicos. (WIKIPEDIA).

Sua notoriedade fez com que a instituição que após N denominações e regimes jurídicos a partir de 1.955, sempre atreladas ao seu nome, hoje seja a Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia “Alfredo da Matta”, referência a que se remetem a quase totalidade dos amazonenses ao ouvir o nome.

No entanto, como muitos homens de ciências e intelectuais de sua época, Alfredo da Matta, também foi um entusiasta da eugenia, ou seja, um eugenista, a exemplo de famosos como Nina Rodrigues, Renato Kehl, Monteiro Lobato entre outros.

Mas afinal o que é EUGENIA e  EUGENISTA ? 

O assunto merece uma explanação mais ampla, por tal não vou tratar dele detidamente aqui. Vou apenas dizer que “grossus modus”, apesar de atribuído a Sir Francis Galton,  é um movimento que nasceu a partir do Conde de Gobineau, que foi um tipo de embaixador da França no Brasil, amigo de D. Pedro II e que escreveu sobre superioridades e inferioridades raciais, dizia que o Brasil precisava se livrar da miscigenação e negros para ser um “país civilizado”.  A ideia central da eugenia, é a ” ‘melhora’ da humanidade via seleção racial e eliminação dos ‘imperfeitos e  indesejáveis’ “. No caso do Brasil, basicamente a ideia era branquear a população fazendo desaparecer o elemento negro ou de aparência miscigenada, uma “arianização”.

Ou seja, a eugenia é uma materialização e solução prática racista. Para se ter ideia, a tônica nazista da “raça ariana” e tudo que veio dela, surge da eugenia… . Deixo aqui o link para um texto detalhado: https://www.geledes.org.br/o-que-foi-o-movimento-de-eugenia-no-brasil-tao-absurdo-que-e-dificil-acreditar/

Há várias evidências da filiação de Alfredo da Matta à corrente eugenista. Por exemplo:

“No final do século XIX e inicio do século XX, o governo norte americano adotou medidas legislativas em vários estados como fator de melhoramento racial. O parlamentar Alfredo da Mata assim se expressa:
O povo norte‐americano, povo de técnicos sempre ávidos de progresso material e social, impregnado de ciência desde as escolas até a imprensa, conhecedor de métodos biológicos de cultura e de criação, é o povo que habita a terra prometida da eugenia. Não pormenorizarei; mas esta ciência faz parte dos programas
escolares e universitários.” (ROCHA,2018)

Falando sobre o documentário “Menino 23”, que trata da escravização em sítio no Rio de Janeiro, de meninos negros pela família Rocha Miranda, ligada ao nazismo brasileiro da década de 30 do século passado temos:

“Segue uma frase de um Deputado Federal chamado Alfredo da Matta em discurso no ano de 1933: ‘A eugenia, senhor presidente, visa a aplicação de conhecimentos úteis e indispensáveis para reprodução e melhoria da raça.’ No tempo que os garotos foram feitos de escravos, o Brasil vivia o ápice da política de superioridade racial e de “branqueamento”, impulsionadas pelo darwinismo social. Isso não faz 200 ou 100 anos: isso faz apenas 89 anos.” (SEE.33, 2020)

Entre a vasta produção bibliográfica de Alfredo da Matta podemos encontrar: DA MATTA, Alfredo. A Eugenia do Amazonas: melhoria racial. In: Revista Amazonas Médico. Ano II- N°8- 1919.

A eugenia no Brasil teve seu ápice no período que antecedeu o rompimento de Getúlio Vargas com o eixo da segunda grande guerra mundial e o consequente banimento do nazismo, integralismo e fascismo aberto no Brasil, e o silenciamento de ideias e práticas que lhes eram circundantes como o racismo científico.

Não digo que é o caso de retirar-lhe as homenagens, afinal elas foram feitas não por essa peculiaridade de sua biografia, mas pelos outros feitos. Porém é interessante que esse detalhe não seja mantido em virtual desconhecimento popular. Muita gente utiliza a ideia de “homens de seu tempo” para “tentar livrar da crítica histórica” a imagem de pessoas do passado hoje reconhecidas positivamente, mas que tem em suas biografias detalhes hoje repudiáveis.

Acho falaciosa a ideia de “homem de seu tempo” para “livrar a cara” de quem em seu tempo fez ou defendeu coisas desprezíveis, me valendo de um argumento muito simples. Em todo tempo e lugar sempre houve dissidência e oposições ao socionormativo, ou seja, sempre teve gente que defendeu valores humanos inalienáveis que antecederam as vilanias e desumanidades de sua própria época, valores que seguem positivados até hoje. Um exemplo foi o médico sergipano Manoel Bomfim, autor da obra “América Latina: males de origem”, de 1905, contemporâneo de Da Matta. Logo não foram “inescapáveis” as posições e atitudes tomadas, foram escolhas… e como tal, não isentam da crítica e do “julgamento” histórico.

Referências

ROCHA, Simone. A educação como projeto de melhoramento racial: uma análise do art. 138 da Constituição de 1934. Revista Eletrônica de Educação, v. 12, n. 1, p. 61-73, jan./abr. 2018. [ Links ]

SEE.33. Vocês já viram “Menino 23”?. disponível em <https://br.toluna.com/opinions/4941878/J%C3%A1-assistiu-o-document%C3%A1rio-Menino-23>


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Momento Histórico – Registro

foto-históricaSeguindo a minha “neoveia” de Historiador, aproveito para dar uma “facilitada” na vida de futuros pesquisadores (provavelmente “arqueólogos e historiadores digitais”), reproduzindo o registro de um momento histórico, até aonde sei  tal  reunião e registro  é extremamente peculiar,  o encontro e registro fotográfico das altas autoridades dos três poderes estaduais nem tanto, somado o Arcebispo local, mais raro, mas tudo junto e somado a um “Pai de Santo” (Sacerdote de Matriz Africana) militante LGBT e Negro e ainda na Catedral metropolitana, tem 99,99% de  probabilidade de  NUNCA  ter ocorrido antes…, um indicativo forte de que o respeito à diversidade pelo menos nas altas esferas do Amazonas está bem encaminhada…, e um “tapa na cara” dos intolerantes e ignorantes (é redundante mas não custa frisar) que passam dia e noite falando em “Diabo”, demonizando os cultos e praticantes das religiões afrobrasileiras e com atitudes e discursos homofóbicos, ou racistas;  bom seria se em todas as camadas da sociedade e situações sucedesse o mesmo nível de tolerância e respeito mútuo.


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Projeto “Universidade Rural” a distância do Amazonas, efetivando-se.

EAD-RURALA UEA – Universidade do Amazonas, em parceria com a SEDUC (Secretaria Estadual de Educação), inicia em 2014 a oferta de cursos  de graduação a distância, para comunidades ribeirinhas/rurais do interior do estado, aproveitando a estrutura do Centro de Mídias da SEDUC já utilizada em cursos de ensino fundamental e médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) através da metodologia de ensino mediado por tecnologia (ou EAD – Educação a Distância, como é genericamente conhecido).

A atual estrutura do centro de mídias, já consegue atingir cerca de 2.500 comunidades rurais do Amazonas e deve atingir 3.000 em 2014.

Os cursos a serem oferecidos estão estreitamente relacionados com as “vocações” e eixos econômicos das regiões a se atingir, psicultura/pesca, agrotecnologia e outros relacionados ao desenvolvimento auto-sustentável.

A proposta do projeto é de autoria do Deputado Tony Medeiros (PSL), feita em 2012 e agora muito próxima de se efetivar.

Mais uma “bola dentro” do nosso estimado artista e político parintinense…

Com o Deputado Tony Medeiros

Com o Deputado Tony Medeiros

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A imagem vergonhosa da semana…

Dep. federal Natan Donadon, condenado e preso por desvio de verbas, pede "ajuda divina" e  teve mandato mantido com ajuda da bancada evangélica...

Dep. federal Natan Donadon, condenado e preso por desvio de verbas, pede “ajuda divina” e teve mandato mantido com ajuda da bancada evangélica…

Desde o caso dos “anões do orçamento” quando o já falecido deputado baiano João Alves dizia que havia ganhado na loteria dezenas de vezes (esquema usado para lavar o dinheiro sujo das negociatas e desvios) com “a ajuda de Deus”, que eu não via tamanha cara de pau com  “o uso do santo nome em vão”… , depois reclamam quando o nosso legislativo é acusado generalizadamente de corporativista e que a decisão de cassação de mandatos de condenados de justiça, deveria ser automática e não deveria passar pelos plenários legislativos… , simplesmente BIZARRO.


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Véspera do Dia “D” para Marco Feliciano

Dia-DA pressão popular e de entidades de DH não cessou com a “radicalização” do Dep. Pr. Marco Feliciano em não querer renunciar ao mandato de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara do Deputados. O Presidente da Câmara, já havia definido como amanhã (terça feira) a data limite para que o PSC (partido de Feliciano) resolvesse “internamente” o imbróglio, dando a entender que a partir dai  terá que tomar “outras providências”.

A assessoria do Deputado anunciou que está sendo preparada uma viagem oficial para próxima semana, em que Feliciano, representado a CDH, deverá tratar da situação  do brasileiros presos na Bolívia por conta da morte de um torcedor, ocorrida recentemente, sinalizando que o Deputado se mantêm firme em sua decisão de enfrentar toda a pressão contra sua permanência frente a comissão.

Depois de mais um protesto (dessa vez em Paris), a Anistia Internacional tambem “entrou em campo” pedindo a saída do Deputado da presidência, o próprio PSC (apesar de não declarar abertamente) parece já ter deixado de apoiar a pretensão do mesmo.

Para hoje (noite desta segunda-feira), na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio, está programado novo ato em defesa da “Comissão de Direitos Humanos para tod@s”, prevista a presença do cantor Caetano Veloso, do ator Wagner Moura, da atriz Leandra Leal, entre outros artistas.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1252274-anistia-internacional-diz-que-escolha-de-marco-feliciano-e-inaceitavel.shtml


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VITÓRIA !, Feliciano renuncia à presidência da CDH, “Vaya con Dios !” :-)

CANCELADA TEMPORARIAMENTE A NOTÍCIA, O PASTOR DEP. NÃO RENUNCIOU COMO CIRCULOU EM ALGUNS NOTICIOSOS NO ÚLTIMO DOMINGO, CONTINUA PRESIDENTE DA CDH E PARECE IRREDUTÍVEL, MAS A PRESSÃO AUMENTA E É QUESTÃO APENAS DE TEMPO… , EM BREVE ESPERAMOS QUE O TÍTULO DO POST SE TORNE REALIDADE.


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A melhor lição de Avatar (Em defesa das religiões brasileiras de matriz africana)

21/07/2010
A melhor lição de Avatar

Em defesa das religiões brasileiras de matriz africana

jean-wyllys

JEAN WYLLYS

O mundo representado em Avatar – filme de James Cameron – não está tão além de nossa imaginação como alguns afirmam. Existem povos e pessoas que mantêm, com a natureza, relação semelhante à do povo Na’vi (os humanóides habitantes do planeta Pandora). Os indígenas e os adeptos do candomblé são alguns desses povos e pessoas. Por ignorância ou falta de repertório cultural, a grande maioria dos milhões de brasileiros que têm ido ao cinema assistirem ao filme não consegue fazer tal comparação. Por isso mesmo, é importante que ela seja feita aqui e agora e que seja explorada ao máximo por professores dos ensinos fundamental e médio, sobretudo neste momento delicado em que terreiros de candomblé de Salvador vêm sendo atacados por criminosos e/ou “demonizados” por cristãos fundamentalistas e por uma mídia igualmente ignorante (aliás, em Avatar, o povo Na’vi é também atacado e vítima de preconceitos e tem seu “terreiro” destruído por armas e ferramentas).

Para os adeptos do candomblé, a natureza é viva e, dela, fazemos parte; a ela, estamos conectados profundamente. Identificar os orixás (ou inquices ou voduns ou, como quer o sincretismo religioso, santos) de uma pessoa é reconhecer as forças da natureza às quais ela está conectada; os elementos da natureza e da vida cotidiana que constituem seu axé, a força sagrada da vida. Exu são os caminhos e o movimento, o sangue e sêmen; Iemanjá são os mares, calmos ou bravios; Iansã são os ventos fortes e os raios, mas, também a brisa leve; Ogum é a guerra e é a paz; Omolu é a doença e a cura; Oxum é a água doce e a fertilidade; Oxóssi são as matas; e por aí vai…

Desespero semelhante ao do povo Na’vi diante da derrubada grande árvore pode ser visto em terreiros cuja gameleira de fundação morre ou tomba. A ialorixá ou babalorixá e seus filhos choram a morte da árvore que representa o tempo, o tempo do próprio terreiro. A cena em que uma na’vi ensina o avatar a sacrificar o animal que servirá de alimento de forma “limpa”, quase indolor, representa bem a maneira como animais são sacrificados em rituais do candomblé. Ao contrário do que os ignorantes e preconceituosos propagam, não há crueldade em nenhum dos sacrifícios rituais do candomblé realizados com animais. A razão do ritual é alimentar a família do terreiro, inclusive os pais e as mães ancestrais que estão na origem de tudo, os orixás. E o povo de terreiro, assim como o Na’vi, sabe agradecer à natureza pelo alimento que lhe matem vivo; ao contrário daqueles hipócritas que, embora condenem o candomblé pelo sacrifício ritual, consomem diariamente quilos de carne animal sem se perguntar sobre os métodos utilizados para o abate de bois, carneiros, bodes, aves e peixes; certamente não deve haver qualquer cuidado.

E já que o assunto é sacrifício ritual, que fique claro de uma vez por todas que nunca houve e não há em nenhuma das chamadas “religiões de matriz africana” ritual envolvendo sacrifício de vida humana, seja qual for sua faixa etária. Portanto, a imprensa tem a obrigação de não associar o estarrecedor episódio das agulhas enfiadas no menino ao candomblé ou a qualquer outra religião de matriz africana. Os rituais do candomblé não têm nada a ver com aquele crime ou com qualquer outro! Os rituais são apenas meio de reverenciar a natureza e de solicitar sua ajuda, assim como o é aquele ritual Na’vi para devolver a vida à pesquisadora interpretada por Sigourney Weaver. O candomblé não sacrifica vida humana, principalmente a vida de um erê. E ainda que a acusada de enfiar as agulhas na criança afirme ser “mãe-de-santo”, não se pode condenar o candomblé como um todo, pois, quando um médico ou um pastor ou um padre comete crimes a imprensa não condena toda medicina nem todo cristianismo.

Os modos de vida do povo Na’vi não são, portanto, frutos da imaginação criativa de James Cameron. O diretor certamente se inspirou em tratados antropológicos sobre povos que têm a natureza como algo sagrado; como uma “Grande mãe”; e, entre esses povos, estão os nossos indígenas e o povo de terreiro. Assim, aos que poluem, desmatam, profanam terreiros ou demonizam os orixás, eu deixo a melhor lição de Avatar: o que natureza deseja sempre é manter seu equilíbrio, mesmo que, para tanto, ceife algumas vidas; a gente fala, mas, a última palavra é dela!

Jean Wyllys é foi eleito Deputado Federal pelo PSOL no estado do Rio de Janeiro.

Fonte: http://redeafrobrasileira.com.br/profiles/blogs/a-melhor-licao-de-avatar-em


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Mais uma do DEM, Barbosa “O Moreno Escuro”

Inacreditável;  depois da campanha para barrar e (não conseguindo, mutilar) o Estatuto da Igualdade Racial , depois da ADPF contra as cotas na UnB e da  insólita frase do Senador Democrata  na audiência sobre Cotas no STF afirmando : “[Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. Gilberto Freyre, que hoje é renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual”.  (mostra onde ????,  e quem de fato acreditaria nisso conhecendo  a nossa História ?), vem mais um membro do DEM (agora um Deputado) em discurso utilizar : “Depois, você cai nas mãos daquele moreno-escuro lá no Supremo, aí, já viu…” (se referindo ao Ministro Joaquim Barbosa do STF) ; depois da infeliz frase o deputado tem tentado desconversar e contatou o gabinete do Ministro para se desculpar.

Barbosa  ao seu estilo e depois de  muito evitar comentar o assunto foi preciso e curto:   “A frase do deputado é reveladora de uma sociedade”.

Alguém ainda tem dúvidas com relação a esse partido no tocante à questão etnico-racial ?,  eu não …