Blog do Juarez

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Ifá, o encontro do destino com a consciência

Simplesmente eu tinha esquecido de registrar no blog esse importante passo em minha vida.

Apesar de ser relativamente discreto, não é segredo para ninguém a minha filiação aos cultos de matrizes africanas, inicialmente ao candomblé keto do qual sou um velho Abian, ou melhor, um Abian velho… .

O candomblé

Abian é aquela pessoa que já está na religião, teve seus orixás “definidos” no jogo de búzios, passou por ritual de limpeza (passivo) e de bori (primeiro ritual ativo, no qual se dá “comida à cabeça”, ou seja, faz oferendas aos Orixás ) .

Por tal usa fio de contas, frequenta um ou vários ilês (terreiros), pois como ainda é um “pré-iniciado” (não passou pelo rito de “feitura de cabeça/santo” ou consagração como Ogan/Ekedi, sacerdotes auxiliares, que não “pegam santo”), não tem vínculo oficial nem obrigações com uma casa ou sacerdote.

Abian é um “caminhante inicial” com liberdade para “andar por ai”, apenas se cuidando espiritualmente, observando e aprendendo antes de uma eventual iniciação.

A minha caminhada pré-iniciática no Candomblé por exemplo, já passa dos 14 anos de muita observação, estudo e participações. Agradeço à todos que me acolheram, cuidam e partilham nesse tempo todo, em especial a mãe Nonata Corrêa com quem tudo começou e ao meu estimado Baba Jean de Xangô, todos do Ile Ase Afiin Oba e à todo povo de santo de Manaus que desde sempre tem me tratado com muito carinho, respeito e até “deferência” mesmo sendo um “deshierarquizado”.

O Ifá

As religiões de matrizes africanas são várias e fortes nas Américas central, sul e no Caribe. Foram introduzidas pelos africanos de várias partes do continente, trazidos pelo tráfico negreiro por quase 4 séculos e mantidas por seus descendentes, com as naturais e inescapáveis adaptações ao contexto afrodiaspórico. Em todas elas é basilar a necessidade de consulta a oráculos não apenas para os interesses particulares de praticantes e clientes, mas para a própria estruturação e práticas religiosas. É através dos oráculos que se dá a maior parte da comunicação entre o “mundo de cá” (o ayé, o mundo físico e a vida) e o “mundo de lá” (Orum, o mundo espiritual) e é através deles, os oráculos, que se pode alcançar a comunicação com as divindades, o que é diferente da comunicação com espíritos.

Na cultura Yorubá, grande grupo étnico predominante na região da atual Nigéria e vizinhanças, do qual boa parte dos traficados para a escravidão no novo mundo provinha, os cultos a Orixá tem como o grande sábio e conhecedor do destino o Orixá Orunmila, pois ele é testemunha quando antes de virmos ao Ayé (nascer) nos ajoelhamos junto a Olódùmarè para escolher nosso destino, objetivos e com quais odús (também dito oduns) chegaremos à terra, o que esquecemos entre a conversa com Olódùmarè e o nascimento, e cuja consciência do conteúdo só pode ser resgatado via Ifá.

Importante esclarecer que o conceito de destino em Ifá não é de coisa absoluta, inalterável, mas sim potencialidades e linhas mestras que podem sofrer alterações em função do livre arbítrio e da influência de outros atores da vida. Não dá para escapar da verdadeira data da partida, mas dá para não ser levado antes da hora e para cumprir o destino da vida de forma mais proveitosa, corrigindo os desvios, buscando os melhores caminhos e evitando os percalços e armadilhas que se colocam.

Orunmila é portanto não apenas o conhecedor do destino e detentor dos conhecimentos para que o cumpramos bem. Orunmila é também quem interage com os demais Orixás e ancestrais que atuam em nossas vidas e possibilita a comunicação entre eles e nós através do Ifá. O culto à ele, o acesso pleno e privilegiado à essa comunicação oracular, seus segredos, métodos para alcança-la e tomar as medidas cabíveis via cerimônias, obras e condutas indicadas é o chamado IFÁ.

Apesar de no meio de religiões de matrizes africanas, muita gente utilizar o termo Ifá genericamente para se referir aos subsistemas oraculares para práticas divinatórias de raizes iorubanas, ou seja, os métodos de consulta aos Orixás, na verdade Ifá é muitíssimo mais que isso, Ifá é o culto especializado e sistematizado à Orunmila, aos 4 Orixás guerreiros que também se recebe na iniciação (Eleguá, Ogum, Oxóssi e Ozun) e é o detentor do sistema oracular mais complexo e preciso.

Os cultos “Lesse Orixá”, caso de alguns cultos africanos ainda praticados por lá, do candomblé no Brasil e do “Lucumi-Osha” cubano (que foi espraiado para outros paises latino-americanos, caribenhos e mesmo aos EUA e Europa), utilizam subsistemas menos complexos do Ifá, como os dilogún, a exemplo do jogo de búzios.

O Ifá apesar de também ser culto a Orixá, como já dito, é o culto que se dedica especialmente ao Orixá Orunmila, ao conhecimento e manutenção dos destinos, diferente dos cultos lesse Orixá, cujo principal objetivo é cuidar dos filhos de Orixá e de suas relações com eles, como a “feitura de santo”, os toques para Orixá, ebós, e o transe. No Ifá pode eventualmente haver toques de tambor, mas não é cotidiano, não há nem “se trabalha transe”, portanto Babalawos não se ocupam de “feitura de santo”, isso fica para os Oriatés e para Babalorixás e Yalorixás do Lesse. Ifá, é um caminho muito propício para os que “não dão santo”, apesar de não haver impedimento para iniciar os que dão, exceto no caso dos Babalawos, que não podem ser pessoas de incorporação ou transe.

Apenas os sacerdotes de Ifá, os Babalawos, conhecem e são autorizados a utilizar todo o sistema de oráculos de Ifá e seus subsistemas mais complexos, através do opon-ifá (um “tabuleiro” especial, junto com outros elementos acessórios) o opele-ifá (um “rosário” de plaquetas côncavas/convexas e um lado claro e outro escuro) e com ikins (os caroços do dendezeiro). Tudo isso combinado com um grande “corpus” literário de patakins (historietas, parábolas) versos, ditados, signos, rezas, saudações, cânticos e procedimentos litúrgicos.

Os Babalawos na tradição afrocubana, não podem jogar búzios, isso é feito pelos sacerdotes e sacerdotisas dos cultos “lesse orixá”, ou iniciados em ifá que não sejam Babalawos, após um rito de consagração ao serviço do oráculo.

Segundo o respeitado site do “Proyecto Orunmila” que reúne o melhor da literatura temática do sistema religioso afrocubano de base yorubá, o ifá-santeria-osha, alguns outros subsistemas oraculares de Ifá como o biange (bianwé) e o aditoto, também podem eventualmente ser manipulados pelos omoifás, aqueles iniciados e iniciadas na primeira mão em Orunmila-ifá, chamados de Apetebis (as mulheres) e de Awofakans (os homens), assim como por “santeros” que tenham igualmente recebido em iniciação os Orixás guerreiros. Porém isso depende das orientações internas de cada rama de Ifá, algumas permitem, outras não.

O ifá introduzindo no Brasil por meio de Babalawos que vieram entre os escravizados, não foi sistematizado e constituido literariamente.

Por um processo peculiar de “matriarcalização” dos cultos afro no país, acabou por praticamente desaparecer junto com os últimos Babalawos do que teria sido uma “tradição brasileira”, em meados do século XX, deixando apenas algumas referências utilizadas nos sistemas oraculares manejados por Yalorixás e Babalorixás, destacadamente o jogo de búzios.

Hoje o culto de Ifá está sendo reintroduzido no país a partir dos aportes nigerianos e afrocubanos. Apesar da base teológica seja comum à toda cultura yorubá, tanto na Nigéria, quanto na preservada em Cuba ou no cultos brasileiros de matrizes africanas, obviamente existem diferenças e evoluções distintas. Particularmente vejo a tradição afrocubana como muito mais próxima da realidade brasileira por ser igualmente diaspórica, e foi essa que escolhi como caminho em Ifá.

Primeiro contato

Meu primeiro contato ritualístico com Ifá seu deu em Cuba, no município de Playa, região metropolitana de Havana, com Osode, Ebó e Bori (Consulta, Limpeza & proteção e Comida à cabeça e aos Orishas) em fins de dezembro de 2018, sob atuação dos Awos El niño Ojuani Hermoso, Peque Itangame Okana SA e Rolando Valdez. Uma experiência forte, de muito respeito ao que já fazíamos no candomblé no Brasil e um Ashé muito perceptível.

A iniciação

Fui iniciado em Ifá em meados de março (2019), no Rio de Janeiro, na Rama Ifá Ni L’órun, a maior do Brasil, a qual pertence a família Ifairawo, conduzida pelo agora meu padrinho, o Babalawo Márcio Alexandre M. Gualberto (Ogbe Ate) tendo como Ojugbona (segundo padrinho) o Babalawo Felipe Oyekun Biroso e Babango (avô) o Oluwó Siwajú Evandro Otura Aira, cabeça da rama. Recebendo a “Mão de Orula”, os ritos e fundamentos que permitem a condição de membro do culto de Ifá, e o acesso ao conhecimento do meu odu, os dois odus de testemunho, as profecias, os ilekès (fios de contas) idefás (pulseiras de santo) a Igba de Orunmila e os quatro Orixás guerreiros (Eleguá, Ogum, Oxóssi e Ozun (não confundir com a Yabá Oxum) os quais passei a atender e passaram a cuidar de mim.

Com o padrinho e os irmãos de plante (“barco” de iniciação) antes da entrega dos Odun, dos ilekês, idefás e dos Orixás.

Uma alteração importante, meu Orixá tutelar, até então tido com Oyá/Yansã secundada por Oxum (Orixás femininos), na verdade Ifá revelou ser Yemaiá (Yemanjá). Sem problemas, apenas tomei consciência da verdade, sigo na força das minhas Yabas, pois não por coincidência meus odús indicam também a proteção tanto de Oyá quanto de Oxum e inclusive me recomendam seguir na devoção à elas e usar também seus fios de contas.

Com os caminhos abertos e indicados não apenas para o atendimento aos meus santos, o autoconhecimento, o aprofundamento no culto, a fraternidade com o abures (irmãos) e os cuidados espirituais do meu padrinho e do ojugbona, mas também para o sacerdócio como Babalawo, agora é estudar ainda mais.

Iboru, Iboya Ibosheshe !

“A palavra de Orula não cai ao chão”


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SOBRE O ABATE RELIGIOSO E A REAFIRMAÇÃO PELO STF

Não poderia ser outra a decisão frente ao direito claramente colocado na constituição, no estatuto da igualdade racial e a partir do conhecimento mais aprofundado e não preconceituoso sobre os cultos afros e suas premissas.

Tem um filme muito bom que fala dessa “culpa cristã” e da intenção de uma religiosidade afro “vegana”, tolerável aos olhos e sentidos eurocentrados, o que contraria os fundamentos essenciais das tradições e que não podem dispensar o sacrifício, o sangue, que nada tem a ver com tortura ou maus-tratos aos animais.

O interessante é que até os não veganos, que pouco se importam com a forma como vivem e são abatidos os bichos que vão parar em suas mesas, entram nessa de querer acabar com o abate religioso, mas nem pensam sobre o abate que lhes alimenta no dia a dia… .

Nessa se lascaram… AŚE 7 X 0 Hipocrisia & Eurocentrismo . ✊🏿


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Antirracismo e lugar de fala

A reflexão que divido aqui é sobre antirracismo, mas com as devidas vênias tem princípios que podem ser aplicados de forma comum aos outros recortes de ativismo social.

O primeiro ponto é que todo ativismo tem vários temas relacionados à sua causa e problemática, porém, em geral tem um tema principal no qual estão encampados boa parte dos subtemas mais relevantes. Por motivos óbvios a agência e discussões do principal tema e seus subtemas de cada recorte social são hegemonicamamente conduzidos pelos respectivos movimentos e ativistas. Hegemonia no entanto não significa, nem deve significar exclusividade, ou “autorização de absoluto sequestro temático”.

E ai entra o “lugar de fala”, que parte entende como todo o “espaço natural” de atuação ativista de determinado movimento social, bem como o de “vivências” que permitiriam um discurso “privilegiado” e “autorizado” ao qual “o outro” não teria “direito” por falta de pertença e vivência. Para outros, o lugar de fala nada mais é que uma “posição discursiva” elaborada a partir não apenas das próprias vivências, mas também de conhecimentos adquiridos formal ou informalmente sobre o tema, ou ao contrário por suas ausências. Sendo assim o “lugar de fala” seria um hierarquizador da fala, um fator de menor ou maior legitimidade, credibilidade ou autoridade atribuida à quem se expressa sobre determinada questão.

De um modo ou de outro, o lugar de fala NÃO É um autorizador ou “desautorizador” de manifestação.

Então voltando ao antiracismo e já finalizando, o tema racismo tem vários subtemas e todos suportam diversos “lugares de fala”, ou seja, pontos de vista, quer internos ao movimento negro, que hegemonicamente estuda, debate e agencia o combate ao racismo, quer externos, afinal um problema social é problema de toda sociedade e por toda ela deve ser debatido e resolvido. Isso não retira protagonismo, pautamento e lugar privilegiado de fala da hegemonia, não ofende nem desmobiliza , o mesmo princípio serve para TODOS os outros movimentos.

O uso de “lugar de fala” como cerceador de manifestação dentro da razoabilidade e do diverso aceitável é antidemocrático e fascista, tiro no pé das causas mesmo.


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LGBTFOBIA NÃO É RACISMO.

Só para lembrar. Apesar de favorável à criminalização da homofobia e similares e o enquadramento por analogia na mesma lei que criminaliza o racismo enquanto não se define via legislativo tipo penal específico, é importante dizer que LGBTFOBIA NÃO É RACISMO.

É uma incoerência ou ao menos imprecisão a ideia e uso do termo “racismo social”. Racismo como observável lexicologicamente é aplicável à preconceito e discriminação baseados em diferenças étnicas e raciais, e o grupo LGBT não se enquadra em nenhum dos dois conceitos.

DISCRIMINAÇÃO SOCIAL por sua vez é um termo mais adequado e amplo quando não se fala em tipo específico, pois abarca todas discriminações de recortes existentes na sociedade, inclusive a discriminação racial, já que raça é uma importante variável social, igualmente as discriminações por orientação sexual ou gênero e outros RECORTES SOCIAIS.

O entendimento utilizado pelo STF quando anos atrás confirmou o antissemitismo como racismo não se afastou do conceito prático e acadêmico de racismo, vez que o antissemitismo é preconceito e discriminação ÉTNICA, e os conceitos de raça e etnia, apesar de distintos são próximos e os mecanismos discriminatórios análogos. O uso do termo “racismo social” vinculado ao antissemitismo pelo simples fato de não haver no geral significativa diferença fenotípica (marca) da maior parte dos judeus para os demais “brancos”, o que remete o preconceito e discriminação basicamente para o campo cultural e social, é redundante, pois racismo já é em si um fenômeno social.

Logo, não seria o caso de chamar de racismo todas ou quaisquer manifestações discriminatórias que atentem contra a dignidade humana, muito embora não haja incoerência em por analogia utilizar a já existente legislação antirracista para efeito penal enquanto não se tem tipo específico.

LGBTFOBIA é LGBTFOBIA
GORDOFOBIA é GORDOFOBIA
XENOFOBIA é XENOFOBIA

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA é INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

DISCRIMINAÇÃO de CLASSE é
DISCRIMINAÇÃO de CLASSE
SEXISMO é SEXISMO
e
RACISMO é RACISMO…

As coisas não tem nomes diferentes por mero acaso… .


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Voto negro no Brasil

Escala proporcional de tempo – Maria Vitória di Bonesso

O assunto aqui é rápido. Fizeram uma ilustração para dar uma dimensão da história e avanços legais dos negros no Brasil, logo apareceu um monte de gente (especialmente branca) reclamando que o gráfico estava errado e que “nunca houve” lei que impedisse o voto dos negros, principalmente após a abolição e o início da República.

Entendam que o racismo no Brasil sempre foi eficiente e nem sempre aberto… quando se fala em voto negro em 34, se está falando do voto realmente livre e generalizado. Muito embora desde a Constituição de 1824 em tese homens livres fossem iguais , a coisa não era bem assim:

1- Escravos não votavam, todos eram negros…

2- Ex-escravos, ou seja, os libertos não tinham direito ao pleno voto, só ao voto primário, nem podiam ser votados.

3- Os negros nascidos livres podiam em tese votar e serem votados, mas o voto censitário colocava uma barreira de renda que eliminava praticamente todos eles.

4- Com o fim da escravidão e o início da República enfim todos pareciam em tese livres e eleitores, mas o voto ainda era proibido aos menores, aos soldados, as mulheres e aos analfabetos (cuja esmagadora maioria era negra) em 1890 o Brasil tinha coisa de 12,2 milhões de habitantes maiores de 5 anos, pouco mais de 9 milhões eram pretos e pardos, os analfabetos coisa de 10 milhões (82%), fácil concluir que entre os pouco mais de 2 milhões de alfabetizados poucos eram negros… . Em 1940 o Brasil tinha 23,7 milhões de habitantes, os analfabetos eram coisa de 13,2 milhões (61%), enquanto negros eram 14,7 milhões (62%) da população. Percebe-se que mesmo após 1934 a população negra supera em pouco mais de um ponto percentual a analfabeta e não eleitora, não quer dizer que não houvessem negros alfabetizados e eleitores e não-negros analfabetos e não eleitores, mas que sob o critério do analfabetismo praticamente se excluia eleitoralmente quase toda a população negra. Assim é a desigualação racial no Brasil, o motivo é sempre “outro” que não o racial, mas os alvejados…

(Dados do IBGE)

5- Isso permaneceu durante toda república velha até os anos 30, quando as mulheres ganham o direito ao voto, mas os analfabetos não… . Até então havia também outro dispositivo que dificultava a participação política negra, a necessidade que os políticos eleitos fossem “confirmados” pelas casas legislativas, isso excluiu vários candidatos negros vencedores de assumirem mandatos, na prática “anulando” os votos de seus eleitores óbvia e majoritariamente negros… . Foram embarreirados nomes como Eduardo Ribeiro, eleito Senador pelo Amazonas em 1897 e Manoel da Motta Monteiro Lopes, eleito e não confirmado duas vezes seguidas, só logrando tomar posse como Deputado Federal pelo então Distrito Federal em 1909, após mover uma campanha nacional e internacional pelo seu reconhecimento. Monteiro Lopes foi objeto da minha dissertação de mestrado.

Depois da CF de 1934 o voto se “universaliza”, apesar de ainda excluir os analfabetos cuja maioria era negra, já não se restringia e “anulava” a posteriori a vontade do negros com status de eleitor.

É importante ao se discutir e principalmente antes de negar a histórica obstaculização negra brasileira e “corrigir” as manifestações de pesquisadores e ativistas, entender de onde vem seus argumentos e critérios, simplesmente dizer que “nunca houve lei” ou “impedimento explícito” é desconhecer e menosprezar a realidade.

P.S Sei que alguns vão reclamar que o título remete à uma análise não apenas histórica da evolução do direito de voto, mas à uma análise de como se deu e dá a construção e alcance do voto negro. Tudo bem, é possível, mas em outra ocasião… .


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A crise venezuelana e o Brasil

Car@s amig@s ✋🏿. Reconhecer as razões históricas, econômicas e geopolíticas da questão e os óbvios interesses estadunidenses, não implica em não enxergar a pilhagem nacional e enriquecimento ilícito da cúpula bolivariana da Venezuela, muito menos justifica a mão de ferro, miséria e opressão a que submeteram o povo venezuelano.

A falta de legitimidade de Maduro et caterva é real a partir do momento que desviou a rota inicial traçada por Chávez, que tinha verdadeiro apoio popular, não apenas por carisma e populismo, mas por resultados sociais efetivos, coisa perdida faz tempo, e piorada pelas fraudes e chantagens eleitorais, além da quase completa tomada das instituições democráticas a fim de manter à todo custo o poder.

Não caríssimos, desapoiar e rechaçar o regime Maduro não é simplesmente coadunar com o imperialismo yankee, é esperar que a Venezuela saia do atual pesadelo e ao menos tenha chance de logo à frente poder soberanamente ao menos escolher o “menos pior” .

Não vale a pena em nome de um antimperialismo “absoluto” fazer sofrer um povo todo, até porque mesmo hoje, com Maduro fazendo suas bravatas antiamericanas, a Venezuela já “entrega” 60% de sua exportação de petróleo para os EUA e praticamente 40% para Rússia, China e Cuba, cadê o antimperialismo ai ?

A PDVSA está tão saqueada e quebrada que, se a OPEP resolver aumentar a cota de produção para reduzir o preço do barril a fim de melhorar as vendas, a PDVSA não consegue…, e vai piorar ainda mais a situação.

O petróleo venezuelano não está sendo uma riqueza em prol do povo venezuelano, mas uma maldição sobre ele.

Agora, importante lembrar que o papel do Brasil no conflito (que deveria ser outro), tende ao de ser “peão” dos interesses estadunidenses, isso em nada nos interessa, pelo contrário, se os EUA de Trump querem meter as botas à todo o custo na Venezuela, que assumam e façam a custa do sangue dos seus, não dos nossos…, não somos “soldadinhos de Trump”, por mais que alguns se esforcem para parecer isso.


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Vamos falar de “CONSCIÊNCIA NEGRA” X “CONSCIÊNCIA HUMANA” ?

Complete as frases com o que faz mais sentido utilizando negra(o)s ou humana(o)s:

Maria foi discriminada na escola por ser ____________________

O IBGE afirma que ________________ ganham em média X% de colegas brancos com mesma formação

Antes das cotas as universidades públicas eram ocupadas em 75% por brancos(50% na população), 2% de “amarelos” (1% na população) e o restante 23% por__________________ (49% na população).

As chances de um jovem____________________ morrer violentamente é 200% maior que a dos demais.

O SUS detectou que mulheres ________________ parturientes recebiam menos anestesia que as demais.

A Consciência __________________ é importante porque 75% da história do Brasil eles os ______________ foram oficialmente escravizados, o que causa prejuízo social até os dias atuais…

A capoeira, patrimônio cultural da humanidade surge no Brasil no âmbito da cultura ________________

E ai ? ficou bacana e fez sentido ? 🤷🏿‍♂️