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A palavra, a leitura e a briga

É impressionante como surgem verdadeiras brigas por conta de palavras mal colocadas ou gente que não conhecendo todos os sentidos que uma palavra pode ter variando o contexto em que é empregada, faz “leitura equivocada” do que o interlocutor está dizendo, chegando ao cúmulo de se entender exatamente o contrário, até partindo para a “briga”.

O uso da palavra errada em tese é um descuido mais fácil de identificar, pois ou a palavra não faz sentido no assunto ou conduz a um entendimento que “não bate” com o perfil de quem a está utilizando. Daí a grande importância de “saber com quem se está falando” pois se conhecendo o histórico ou perfil (o lugar de fala) de quem está dizendo algo, facilita ver que houve apenas algum equívoco no termo empregado, o que deu margem para interpretação igualmente equivocada da mensagem.

Reforçando, antes de se “indignar loucamente” e partir para uma furiosa contestação de algo dito, veja quem é a pessoa que está dizendo aquilo, se for uma discussão virtual em rede social, veja o perfil e o tipo de postagens, isso pode poupar umas vergonhas e principalmente injustiças.

O “vocabulário pobre” é outro grande problema que amplifica a dificuldade de interpretação. Ele vem da falta de leituras e principalmente da falta de leituras de forma mais multidisciplinar, ou seja, fora da área de atuação profissional ou de interesses diretos.

Daí que é importante ter alguma noção de jargões outros, ou ter a paciência e prudência de ir ao velho dicionário ou ao Google ver se há algum outro entendimento possível para aquela palavra ou expressão que lhe causou estranheza ou “indignação”, antes de partir para qualquer resposta. Cuidado idêntico na hora de escrever ao pintar aquela dúvida se o termo que se está empregando é o correto e não dá grande margem para má interpretação.

Há porém uma outra questão, pessoas com dificuldades cognitivas, em geral também tem “preguiça” de ler, de buscar outras interpretações possíveis para além do próprio repertório. Com isso ficam limitadas as próprias interpretações da realidade e impermeáveis à argumentações outras.

Paradoxalmente essa característica leva a uma certa “arrogância”, um “autoritarismo da ignorância”, que não apenas dificulta diálogos, como direciona para uma manifestação belicosa, agressiva e intransigente. Dificilmente se consegue fazer com que esse tipo pare, respire e busque ou leia alguma referência que esteja sendo oferecida. A “autoestima brucutu” aliada à dificuldade cognitiva e preguiça não permitem.


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Convergências, divergências e comunicação.

Ontem, em um desses papos de bar com gente engajada, coloquei que costumo sofrer nas redes e as vezes em papos não virtuais, incompreensão e até hostilidade desnecessária e desproporcional, principalmente vindo de ativistas mais radicais ou simpatizantes de pautas e causas em que não sou do recorte.

Na minha visão, isso vinha ocorrendo não por divergir ou me opor às ideias centrais (o que rarissimamente é o caso) ou desconhecer/minorar dados oferecidos por tais pessoas, muito menos por “ser anticausas” quaisquer, e sim por pedir ampliação dos espectros de problematização e por repudiar declarações com “verdades únicas e absolutas”, entendendo que a essa relativização e concessões elas não estão abertas. Ou seja, o que venho defendendo é a também consideração do não hegemônico e uma mínima relativização, já que nada de fato é 100% como as vezes insistem em declarar.

É preciso deixar claro que vejo como óbvio que exceção não é regra, nunca pretendi e nem vejo como isso possa ser possível colocar honestamente, apesar que, omiti-la ou desconsidera-la na sua proporção, completamente em favor de uma visão “monolítica” sobre a questão, não me parece honesto nem justo.

Bem, voltando à conversa, o “diagnóstico” foi de uma questão estrutural de comunicação equivocada. Ou seja, que a forma como normalmente coloco a divergência parcial, apesar da grande convergência e não intenção de minoração das premissas alheias, faz as pessoas enxergarem as manifestações como se eu estivesse tentando “negar”,”destruir”, “desconsiderar” e “inverter” a lógica do majoritário, pretendendo usar a “exceção” como se regra fosse.

O entendimento geral foi de que as interpretações e reações negativas vem do uso inadequado das partículas de conexão entre a questão hegemônica observada (e não negada, mas assim entendido por quem lê ou ouve) e a proposta de ampliação que coloco. A utilização por exemplo do “mas”, “só que”, “no entanto”, que no entendimento da geral configuraria uma fala de “invalidação” ou “exclusão” da grande premissa.

Em primeira mão admito e concordo que o problema de fato está bem ai mesmo. Colocando aqui inclusive para socializar com quem tem ou quer evitar o mesmo problema. Vejamos:

Fica de fato claro que a conjunção “mas” indica uma oposição ou contraste da ideia contida no pós partícula em relação à prévia. Do mesmo modo o “Só que” ou outras similares:

Correto portanto o colocado pelos colegas de papo, aliás, uma coisa básica da norma culta…. Temos então sintaticamente definida uma oposição, que tende a ser primariamente entendida pelo interlocutor como uma real “contrariedade plena” às suas premissas, mesmo que não se tenha de fato essa plena oposição, apenas o desejo de uma não limitação a tais premissas.

Então o que fazer para não se expressar em sentido contrário ao que se pretende ? Talvez a forma mais imediata seja cambiando para a conjunção concessiva, que opõe contraste, sem contudo definir “impedimento” à primeira ideia, pelo contrário, indicando um complemento pela segunda:

Cabem além dessas, por exemplo, o “apesar que”, “apesar de” ou “ainda que”… , as quais passarei a priorizar o emprego.

Por outro lado, seria interessante que quem expõe uma problematização ou defende uma ideia EVITASSE colocá-la de forma ABSOLUTA, como se não houvesse exceções ou contradições possíveis, isso se dá pela utilização de construções utilizando especialmente dois pronomes indefinidos, TODO(A)(S) e NENHUM(A):

Essas “totalidade afirmativas” são as famigeradas GENERALIZAÇÕES, o que é essencialmente IMPRECISO, pois podem levar a afirmações falaciosas, já que no mais das vezes não existe a INFALIBILIDADE da afirmação, ou seja, mesmo que majoritariamente seja verdade, não reflete todas as possibilidades dela.

Se for para usar pronomes indefinidos que se use “VÁRIO(A)(S)” “MUITO(A)S” “ALGUM(A)(S)” ou “POUC(O)S” .

Enfim, é sempre bom trocar ideias RESPEITOSAMENTE, ouvir críticas, acatá-las quando pertinentes, buscar fundamentação e quando for o caso rever conceitos e práticas.