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Neoativismo, o que é afinal ?

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Neoativismo e neoativistas é um termo que venho usando muito, salvo engano desde 2016, apesar de tratar do conceito por trás dos termos pelo menos desde 2011. Não raro pessoas que me leem, não entendem ou alcançam o sentido que dou a eles, então, este texto tem o sentido de deixar isso claro.

Vamos começar porém a partir do conceito de ativismo:

Fonte: dicionário online

Simplificando, ativismo é a atuação pela transformação das realidades, de modo a exigir e proteger direitos individuais e coletivos e fomentar igualdades, liberdades e respeitos. Ativista é quem assim atua, nos vários recortes possíveis marcadamente os sociais.

Há diferença de ativista para militante, enquanto o primeiro pode atuar sozinho ou em cooperações coletivas, já o segundo é sempre parte de um coletivo, de um partido… a atuação militante é em geral prática, “física” e conjunta, não à toa tem a mesma raiz de “militar”, ou seja, o militante é como um “soldado de causa”, age em unidades compostas e em eventos.

Cabe frisar agora que o termo neoativistas ou neo-ativistas, não é ainda popularizado, se veem poucas referências, aliás não lembro de tê-lo lido ou ouvido antes de utilizá-lo a primeira vez e com o sentido que dei, hoje sei que há algumas referências diversas e antigas que remetem à “nova esquerda” e “direito dos consumidores”, mas não é o caso do sentido que tenho utizado (e agora já vejo outros usando no mesmo sentido que eu), aliás é o que se destaca em uma simples “googlada”.

Neotivismo, para mim, é basicamente uma forma peculiar de praticar ativismos na era pós-internet e pós-acesso universitário de maior diversidade, ou seja, não necessariamente por pessoas muito jovens, de pouca ou nenhuma vivência prática de ativismo ou militância, com foco no virtual, tampouco apenas restrita a universitários, apesar de serem esses os perfis predominantes entre os neoativistas, além da forma agressiva, autoritária, excludente com que defendem suas pautas em geral muito polêmicas e de efetividade duvidosa.

Hoje muita gente também se refere a parte do que chamo de neoativismo, como “ativismo de lacração”, aonde imperam “textões” e comentaristas agressiv@s, autoritários e não raro potenciais “linchadores virtuais”.

O neoativismo é portanto muitíssimo mais uma questão de métodos, comportamentos e efetividades do que pauta ou mesmo pessoas…, tem a ver sim com a escolha e priorização de pautas (em geral inéditas, recentes e “identitárias”), porém, tem mais a ver com os efeitos disso e a forma de condução .

Exemplo real: Uma professora negra super reconhecida pela trajetória de apoio à causa negra e ativismo acadêmico em pesquisa sobre africanicidades, estava a frente da organização de um evento enorme e importantíssimo sobre a temática.

Uma das mesas (sobre África pré-colonial) entre muitas outras importantíssimas, foi absurda e desproporcionalmente atacada por neoativistas, pelo fato da mesa em questão ser composta por pessoas brancas (que por coincidência eram pesquisadores da temática e as que se apresentaram…), o fato gerou uma reação virtual absurda e desmedida inclusive com ameaças à integridade física da organizadora.

Fim da história, apesar de muita solidariedade e manifestações de acadêmicos negros e negras, associações científicas relacionadas, TODO O EVENTO FOI CANCELADO…, inclusive as mesas com altíssima representatividade negra. Um enorme prejuízo para a ciência temática, causado por gente que NÃO REALIZA NADA a não ser TRETA VIRTUAL e não farão um evento melhor, sequer igual, apenas destruiram o que havia, em nome de uma “ideia torta” de representatividade e “lugar de fala”… .

Uns dos grandes problemas do neoativismo é a equivocadíssima noção do que é lugar de fala, ou a confusão entre os conceitos de apropriação e expropriação, e assim seguem dando “tiros nos pés”, não apenas não avançam nas pautas questionabilissimas, como transtornam as de ganho efetivo… .

À quem interessar sugiro três outros textos meus que tratam de assuntos práticos envolvendo o conceito:

Movimentos negros ou movimentos pretos ?

https://blogdojuarezsilva.wordpress.com/2011/12/08/movimentos-negros-ou-movimentos-pretos-a-abrangencia-x-a-radicalizacao/

Lugar de fala, esse incompreendido

Lugar de fala, esse incompreendido

O neoativismo do sudeste X o Boi-bumbá amazonense

https://blogdojuarezsilva.wordpress.com/2018/05/06/o-neoativismo-do-sudeste-x-o-boi-bumba-amazonense/

Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestre em História Social pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista do Movimento Negro.

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