Blog do Juarez

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Antirracismo e lugar de fala

A reflexão que divido aqui é sobre antirracismo, mas com as devidas vênias tem princípios que podem ser aplicados de forma comum aos outros recortes de ativismo social.

O primeiro ponto é que todo ativismo tem vários temas relacionados à sua causa e problemática, porém, em geral tem um tema principal no qual estão encampados boa parte dos subtemas mais relevantes. Por motivos óbvios a agência e discussões do principal tema e seus subtemas de cada recorte social são hegemonicamamente conduzidos pelos respectivos movimentos e ativistas. Hegemonia no entanto não significa, nem deve significar exclusividade, ou “autorização de absoluto sequestro temático”.

E ai entra o “lugar de fala”, que parte entende como todo o “espaço natural” de atuação ativista de determinado movimento social, bem como o de “vivências” que permitiriam um discurso “privilegiado” e “autorizado” ao qual “o outro” não teria “direito” por falta de pertença e vivência. Para outros, o lugar de fala nada mais é que uma “posição discursiva” elaborada a partir não apenas das próprias vivências, mas também de conhecimentos adquiridos formal ou informalmente sobre o tema, ou ao contrário por suas ausências. Sendo assim o “lugar de fala” seria um hierarquizador da fala, um fator de menor ou maior legitimidade, credibilidade ou autoridade atribuida à quem se expressa sobre determinada questão.

De um modo ou de outro, o lugar de fala NÃO É um autorizador ou “desautorizador” de manifestação.

Então voltando ao antiracismo e já finalizando, o tema racismo tem vários subtemas e todos suportam diversos “lugares de fala”, ou seja, pontos de vista, quer internos ao movimento negro, que hegemonicamente estuda, debate e agencia o combate ao racismo, quer externos, afinal um problema social é problema de toda sociedade e por toda ela deve ser debatido e resolvido. Isso não retira protagonismo, pautamento e lugar privilegiado de fala da hegemonia, não ofende nem desmobiliza , o mesmo princípio serve para TODOS os outros movimentos.

O uso de “lugar de fala” como cerceador de manifestação dentro da razoabilidade e do diverso aceitável é antidemocrático e fascista, tiro no pé das causas mesmo.


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VITÓRIA !, Feliciano renuncia à presidência da CDH, “Vaya con Dios !” :-)

CANCELADA TEMPORARIAMENTE A NOTÍCIA, O PASTOR DEP. NÃO RENUNCIOU COMO CIRCULOU EM ALGUNS NOTICIOSOS NO ÚLTIMO DOMINGO, CONTINUA PRESIDENTE DA CDH E PARECE IRREDUTÍVEL, MAS A PRESSÃO AUMENTA E É QUESTÃO APENAS DE TEMPO… , EM BREVE ESPERAMOS QUE O TÍTULO DO POST SE TORNE REALIDADE.


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Lançamento do livro “O fim do silêncio: presença negra na Amazônia”

‘O fim do silêncio: presença negra na Amazônia’ é o resultado de muito trabalho e uns tantos encontros. Como livro, nasceu associado ao Seminário Temático Raça e Etnicidade, ministrado em 2010, para uma turma que reunia alunos do mestrado/doutorado em Sociedade e Cultura na Amazônia e do mestrado de História. Desafiei um grupo de alunos (orientandos e não-orientandos) a transformarem seus trabalhos finais de curso em capítulos de um livro- necessário e urgente – que tratasse da presença negra na Amazônia de uma perspectiva renovada e solidamente amparada em pesquisa acadêmica.” (Patrícia Sampaio)


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Consciência Negra Manaus 2011

Como já está se tornando praxe, não apenas o 20 de novembro, mas todo o mês de novembro tem sido dedicado a atividades relativas as questões de conscientização negra (que não é apenas para negros, mas para toda a sociedade), momentos em que se abre uma “janela”  por onde toda a sociedade recebe informações, visualiza, debate,  comemora,  se solidariza  e reflete sobre toda a questão negra brasileira e a importância histórica , cultural  e social dessa parcela afrodescendente da população brasileira.  Em Manaus assim como em todo Brasil as atividades se multiplicam e há extensa agenda de eventos para os mais variados gostos e realizados pelas mais variadas vertentes dos movimentos de negritude (Cultural, Política,  Religiosa, Acadêmica…), abaixo alguns links para algumas da programações :

Programação do PSB 

UNINORTE

UFAM 

SEJUS

ALEAM

CMM – Dia 17- SESÃO ESPECIAL – CAMARA MUNICIPAL DE MANAUS, NSB,AFROAMAZONAS VEREADOR JOAQUIM LUCENA- A LUTA PELACONSTRUÇÃO DE UMA IGUALDADE RACIAL- LANÇAMENTO DOSEMINÁRIO; A VIOLÊNCIA E A JUVENTUDE NEGRA NO BRASIL.

I Caminhada do Bairro da Compensa pelo fortalecimento da cultura afro- brasileira.  A concentração será em frente ao CDC da Compensa II   dia 18 de novembro do ano de 2011, as 16:30,  com o seguinte TEMA: Lei n 10.639 um dever a ser comprido e Lema: Ambiente Escolar o princípio do reconhecimento da cultura afro- brasileira. O devido evento tem como finalidade integrar a rede de ensino publico sendo a Escola Estadual Benjamim Magalhães Brandão, Escolas Municipais Professora Pecilia do Nascimento, Terezinha Moura Brasil, Elvira Borges de Sá, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Vila da Barra, Grupo de Capoeira Arte Negra , Grupo de Capoeira Arte Revelação e a Comunidade do Bairro da Compensa, em defesa do fortalecimento e reconhecimento da cultura afro-brasileira enquanto um direito social.

UM CANTO NEGRO , 19/11 22:30,  Show  com Serginho Queiroz e Grupo Calçada  no bar BOTEQUIM (rua 24 de maio)

Haverá ainda  vários eventos em Escolas (No  Marquês de Santa Cruz (Bairro de São Raimundo), é na sexta (18) pela manhã),  feijoadas comemorativas, etc.

Ainda estamos aguardando informações sobre a  MARCHA ZUMBI VIVE, tradicionalmente realizada  na Av. Eduardo Ribeiro, na parte da tarde do dia 20; se alguém souber detalhes de outras programações por favor nos informe que divulgamos.

Informações sobre negritude , links relacionados, movimentos negros locais, artigos, etc… você encontra também no AFROAMAZONAS .


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Caixa suspende comercial com “Machado de Assis branco”

Imagem de divulgação

Que maravilha que é ter a INTERNET para dar voz ao povão e aos movimentos sociais, bem como, ter um orgão governamental federal cuja função é fazer  a interface entre governo e sociedade nas questões  relativas à desigualdade racial vigente há séculos no país…; a coisa foi muito rápida…, entenda a história toda:  http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/caixa-suspende-comercial-com-machado-de-assis-branco


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Marcha pela Liberdade de Expressão: Eu fui !

Assim como em várias outras capitais, no 18 de junho,  aconteceu em Manaus a Marcha pela Liberdade de Expressão.

O evento foi idealizado na esteira da tentativa de impedirem no Rio de Janeiro a chamada “Marcha da Maconha”, a polêmica virou coisa de Justiça e foi parar no STF,  que muito acertadamente  na semana  passada votou a favor da liberdade de expressão (e não poderia ser diferente, já que o Supremo é o guardião da Constituição, que garante expressamente o direito à reunião e reivindicação popular de forma pacífica).

Quando da realização da  marcha portanto, já não se tinha a intenção de “defender” ou pressionar pela votação de um direito óbvio e claro, mas sim aproveitar para mostrar aos segmentos reacionários do setor de comunicações e da sociedade, que não apenas os ministros do supremo, mas também os ativistas de movimentos sociais, intelectuais e populares em geral, entendem que o verdadeiro direito à livre manifestação (principalmente a de massa) e o respeito à  diversidade  é  constitucional e inalienável…, não estando sujeito à censura  nem “benção”  dos poderosos e do pensamento hegemônico.

Na marcha foi possível ver diversas manifestações das mais variadas causas:  contra a homofobia, pessoal anarco-punk, a favor do naturismo, contra o desmatamento e o novo código florestal, pelo bom transporte coletivo, contra a intolerância religiosa e racismo, pelo respeito no trânsito, a favor da educação sexual nas escolas, pela legalização da maconha, contra a corrupção e insegurança pública,  contra a violência , pelo vegetarianismo, pela liberdade de expressão, enfim …

Percebi porém um detalhe nessa marcha…, a baixíssima (e em algumas categorias a inexistente) participação de ativistas de movimentos sociais tradicionais e também de políticos;  talvez preocupados com uma equivocada ligação de suas imagens com a “marcha da maconha”  ou o apoio à legalização… o que na realidade já é “outra história”, cito Voltaire :  “Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo. . “

O povo na rua, na praça , no ciberspaço … tem todo o direito de se manifestar, logo a participação na marcha não  tratou de defender direta e automaticamente a causa A ou B, mas sim o direito de manifestação, de discussão, visibilização, reavaliação e reajustamento das coisas (quando justo e necessário ), afinal VOX POPULI, VOX DEI… ( a voz do povo é a voz de Deus).

Entre alguns tradicionais ativistas sociais, a presença sempre certa do caríssimo psiquiatra e blogueiro  Rogelio Casado