Blog do Juarez

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2017 – VIGÉSIMO NONO ANIVERSÁRIO DE ATIVISMO NEGRO

Só agora me dei conta que minha primeira palestra oficial, que ocorreu no centenário da abolição (1988) ao contrário do que aparentemente todo esperavam, não versou sobre os horrores do cativeiro, nem sobre a “bondade da princesa”, muito menos admitiu a abolição como “marco da igualdade”,  foi sobre… PÓS-ABOLIÇÃO (muito embora seguindo o meu natural “braudelianismo”, ou seja,  tendência em problematizar utilizando recortes temporais e geográficos mais amplos que os nominais aplicados aos eventos-título) pois parti das leis antiescravidão que antecederam a  lei áurea,  bem como,  de uma ácida crítica ao uso da Guerra do Paraguai para iniciar o processo de branqueamento do Brasil, já que a abolição era um processo em evolução e questão de relativo pouco tempo.

Na época eu tinha acabado de concluir a faculdade, era um cara de exatas/tecnologia, nem me passava pela cabeça um dia ser um pesquisador em História, mas ali, em uma época em que não havia Internet, fiz uma pesquisa e palestrei em um tema que só bem recentemente passou a empolgar os historiadores… o PÓS-ABOLIÇÃO😉. É verdade, “mato a cobra e mostro o pau” :

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Militar de mérito… :-)

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Eu, em manobras militares , no já  longínquo ano de 1985

Feriadão de Corpus Christi e a gente em casa… :-), em dias assim as vezes se aproveita para dar uma arrumada nas coisas…, procurar aquela coisinha que “sumiu” e na pressa do dia-a-dia não encontramos, e nessas horas as vezes encontramos sem querer outras coisas que não estávamos procurando e nem lembrávamos mais…, aconteceu isso hoje comigo… .

Nem lembrava dessa distinção recebida ao final do serviço militar (também…, já tem mais de 27 anos… 🙂 ), uma praxe concedida aos que conseguiram passar pelo serviço militar SEM QUALQUER PUNIÇÃO OFICIAL  e  com distinção no treinamento e atividades militares, o que é  relativamente difícil no primeiro ano (obrigatório) e se torna exponencialmente mais raro à medida que se permanece no serviço já voluntário (que no meu caso foi de mais 3 anos…, servi de  1982 a 1986), tá ai, direto do túnel do tempo… :

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“O suor poupa o sangue !”  (lema da minha antiga unidade, 2º BE Cmb)


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23 de Abril, Dia Mundial do Escoteiro

23 de Abril é dia mundial do escoteiro

A data não por coincidência  é também o dia de  São Jorge, que pelo exemplo de suas virtudes  foi escolhido por Lord Baden-Powell ( um General britânico,  ou  simplesmente B-P,  como é referido no meio, o fundador do escotismo) como padroeiro dos escoteiros.

O escotismo mais que um movimento é um sistema educacional complementar / fraternidade mundial fundado por B-P em 1907 na Inglaterra, a partir da  experiência própria  retirada de sua vida campista quando jovem, e também  da  adquirida ao longo de sua vida militar servindo em distantes partes do então grande império britânico (notadamente Ásia e África), bem como, de uma forçada utilização de  garotos  em funções militares auxiliares, em  situação em que B-P se viu sitiado com suas forças  durante o famoso  Cerco de Mafeking (parte das disputas entre o império britânico e os Bôeres (colonos holandeses) durante a Guerra do Transvaal em 1899 na África do Sul.)  Aqui link para uma curta biografia de B-P .

Hoje o ESCOTISMO (para maiores detalhes veja o link), é um sistema CO-EDUCACIONAL (para meninos e meninas, moças e rapazes) existente em todo o mundo e como uma real fraternidade reúne crianças, jovens e adultos de todas as cores, credos, classes, garantindo por meio de suas atividades a formação de indivíduos responsáveis, solidários, disciplinados e de grande caráter, características levadas por seus praticantes para o resto de suas vidas.

dia do escoteiro

Eu tenho grande orgulho de fazer parte desta fraternidade (uma vez escoteiro, sempre escoteiro… ), tendo meu avô (falecido em 1946) fundado um grupo escoteiro em Minas Gerais na década de 30/40, meu pai participou desse grupo como “lobinho” e décadas mais tarde me introduziu ao 8 anos de idade (1972) no escotismo  também como “lobinho”, em  Taboão da Serra-SP, depois fui lobinho e escoteiro do Ar  no Grupo 176º “Anchieta”, me afastei por motivo de mudança para Pindamonhagaba-SP (aonde ainda não havia grupo escoteiro) e retornei ao escotismo em  1981/82  ao ser co-fundador (junto com meu pai e irmãos  menores entre outras pessoas) do Grupo escoteiro 97º ITAPEVA ( grupo em atividade até hoje), do qual fui o primeiro Assistente de Chefe de Tropa e anos mais tarde (1990-1991) Mestre do Clã Pioneiro (PENDRAGON). Deixando o grupo e a atividade escotista ao me transferir para Manaus em 1991.

Mesmo fora de atividade, guardo com carinho todas as recordações e o que aprendi no escotismo, hoje de manhã sai de casa com pressa, esquecido de que hoje era dia do escoteiro (nesse dia os atuais e antigos escoteiros costumam utilizar o seu lenço de promessa, como forma de homenagear e reafirmar o orgulho de fazer parte dessa fraternidade mundial), não deu para usar o lenço no trabalho mas fica a minha foto  🙂 .

Sempre Alerta !  SERVIR !

Sempre Alerta para SERVIR !


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O tempo (por meu pai)

Juarez Clementino da Silva - *25/01/1936 +18/09/2010

Hoje completou-se um ano do passamento de meu pai,  uma figura estimada por todos que o conheceram; fez carreira militar e já na reserva  formou-se em Letras e se  pós-graduou em Filosofia,  um homem calmo, culto,  justo, muito bem-humorado e com alma de artista;  como minha homenagem publico  abaixo uma linda e contextual de suas poesias,  a qual penso que obviamente  fez para ser seu epitáfio  :

O tempo

De branco mármore e adorno reluzente

Majestoso e belo o mausoléu resplandece

Orgulhoso do olhar de toda gente

Que naquele campo santo o enaltece.

Outros sepulcros de corbelhas engalanados

No afã da gloria de seu dia

Não como ao primeiro em brilho comparados

Nem tão humildes quanto aos da periferia.

Nos fundos, marginais e desnudas covas

Escavadas em chão batido e ao relento

Resignados desde a origem em ter de suas

Somente a terra, a lua, o sol, e o firmamento.

Mas entre todos vi uma tão desprezada

Sem uma flor sequer a ornar-lhe a face

 Como se invisível estivesse ali postado

Ou ninguém mais no mundo dele se lembrasse.

Indaguei de sua sorte a triste sina

 O porquê de toda pompa do passado

Reduzir-se a aquele estado de ruína?

SIC TRANSITI GLORIA MUNDI

(Assim passa a gloria do mundo)

Respondeu-me transtornado:

Sou mais um túmulo que a insaciável traça crono devora

Ente eterno que no fundo dos séculos habita sem nenhuma piedade

Todas as coisas nele precipita.

Fui de reis, rainhas, e de toda a nobreza

Eis em mim tudo que restou da realeza.

Seus brasões, herdeiros, súditos, e seus tronos em ouro construídos

Foram por este que hoje me consome consumidos.

MAC TUB

(Estava escrito)

Porém creio que esta força que a tudo leva a destruição

Dê ao orgulho e a matéria sua real solução

Mas não apagara das gerações futuras

A lembrança daqueles que neste mundo cultuaram a

HUMILDADE, A CARIDADE E A ESPERANÇA !

                                                                                                                                                                    (Juarez Clementino da Silva)

 

 


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Adeus Pai !

1936 -2010

Hoje pela manhã meu pai, Juarez Clementino da Silva, faleceu aos 74 anos de idade em Pindamonhangaba, interior de SP; resistiu por mais de 90 dias internado devido a complicações após cair do telhado de casa.

Nascido no interior de Minas Gerais, perdeu o pai aos 9 anos e se mudou para a capital com a família, tendo passado por muitas dificuldades, se formou eletricista pelo SENAI e sentou praça no Exército, onde serviu por 28 anos, da arma de Engenharia, sua última transferência foi para o 2o. B E Cmb em Pindamonhangaba-SP em 1976, era Subtenente quando foi para reserva em 1986 e por lá ficou juntamente com a família; servi junto com meu pai por quatro anos e dei baixa poucos meses antes dele.

Homem extremamente culto, autodidata, sereno e bem humorado, de gosto refinado, falava línguas, amava cultura (incluindo a russa), História, Filosofia, música e as coisas boas da vida, tinha alma de inventor e de fato criou várias coisas; após a aposentadoria foi para a faculdade, se formou e pós-graduou em letras e filosofia.

Consciente, sempre se preocupou em trabalhar nossa auto-estima e consciência enquanto negros e sujeitos expostos ao preconceito e discriminação, foi também um militante crítico fazendo à sua maneira trabalho em prol da causa, devo muito ao que aprendi com ele.

Lembro muito de todas as coisas especiais e espetaculares que fez em nossa infância,  adolescência e juventude, foi um grande pai… e sinto muito orgulho de ter tido o privilégio de ser seu filho, o primogênito, o mais parecido em tudo  e carregar todo o seu nome.

A grande distância que nos separou regularmente nos últimos 20 anos, desde que me mudei para Manaus, também me impediu de estar lá agora com o restante da família e dos amigos para prestar as últimas homenagens; mas isso já não importa, sua alma agora liberta do sofrimento físico dos últimos meses há de estar em paz;  a morte faz parte da vida e também fico em paz aqui pois conforta saber que viveu a sua passagem terrena por período natural e da melhor forma que pôde.

Na minha fé resgatada de nossos ancestrais africanos, peço que minha mãe Yansã (que conduz os Eguns (espíritos dos mortos) ao Orun (outro mundo) ), o conduza a bom lugar para a vida após a vida.

Adeus Pai, valeu !