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O que é Consciência Negra ?

Vendo por ai um monte de gente que ainda não entendeu o que é CONSCIÊNCIA NEGRA, que quer dizer “Entendimento sobre a problemática Negra” (que passa inclusive pelo entendimento sobre branquitude e privilégio branco) , coisa necessária para negros e não-negros pois só assim se começa a erradicar esse mal social que é o racismo e a desigualdade social de fundo e motivação racial.

Portanto CONSCIÊNCIAS as há e são necessárias sobre diversas outras questões que tem criado desigualdades e reais separações entre a humanidade, muito embora não sejam assim nominadas e conhecidas.

Negar a necessidade de conscientizações justas e válidas sob pretexto de que “causam separações e não focam no humano” tem a mesma lógica de dizer que os controladores de avanço de sinal de trânsito e velocidade ” criam e aumentam” as infrações…, quando na realidade eles apenas registram o que antes não se flagrava e não podia se penalizar e inibir… .

Ou seja, com suas “anticonsciências” ou defesa da “Consciência Humana” em detrimento de uma prévia conscientização sobre os recortes humanos minoritários tradicionalmente prejudicados, na verdade se colocam ao lado dos que querem manter um mundo de injustiças… .


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“Consciência Branca” ???, o que é isso “cara-pálida” ???

decrebranco

Ato oficial da Presidência da Câmara de Sertãozinho- SP

 

Que existam pessoas que por total falta de conhecimento e boa vontade ou mesmo por convicções ideológicas baseadas em uma mentalidade racista e excludente assumida ou não, se coloquem contra o Dia da Consciência Negra é até compreensível.

Muda de figura quando mesmo em tom de pilhéria se fala em “Consciência Branca” ai a coisa fica “complicada”…, e quando a “pilhéria” (isso se o for, pois mais parece uma “meta-insurgência” ) vai parar em um documento oficial de governo, se revela que não apenas ainda falta muito trabalho de conscientização, quanto punições exemplares para quem usando de suas funções públicas se coloca acintosamente contra o arcabouço legal e  as políticas públicas do estado brasileiro.

Não seria a primeira vez que um ente público, sem bases científicas (corroboradas pelas Ciências Sociais), sem atentar para a realidade e sem consultar especialistas ou mesmo realizar consultas populares, se arvora irresponsavelmente e na contra-mão do verdadeiro antiracismo em “inventar moda” nas questões que envolvem questões raciais, identitárias ou afirmativas.  Nós do Amazonas temos boas experiências para demonstrar isso.

São agentes públicos que não sabem a diferença de “étnico” para “racial”, não entendem nem tais conceitos separadamente, não conhecem nem compreendem o conceito de AFIRMAÇÃO, nunca se aventuraram seriamente pela leitura e discussão dos temas em abordagens acadêmicas, desconhecem legislação relacionada e formam opinião a partir de fontes reacionárias e/ou não validadas por quem conhece do assunto. Justamente por isso não tem condições de compreender a diferença entre “orgulho afirmativo” (pride) e “orgulho besta” (supremacista), entre “Consciência” e “Alienação/Evitamento” e muito menos entre “Consciência Negra” e “Consciência Branca” (sic)… .

Não vou me deter em tentar explicar no texto o que é Consciência Negra, quem ainda não sabe e tem boa vontade veja uma apresentação que fiz em Prezi sobre o assunto, já com relação a  tal “Consciência Branca”  vou me deter um pouquinho… .

1- Afirmação no jargão das discussões da temática quer dizer “Ato ou ação que visa corrigir e reparar injustiças, preconceitos, discriminações e desigualdades histórica e culturalmente colocadas e que não o seriam sem tal, pelo menos não em curto ou médio prazo, ela é aplicável à vários recortes (grupos) minoritários (sentido social) e tradicionalmente atingidos pelos prejuízos citados, e somente a esses recortes. ” 

2- Por motivos óbvios enquanto “população branca” em sentido geral, não há motivos históricos, culturais e sócio-econômicos que ensejem Afirmação, pois a mesma não é socialmente minoritária, não tem construído contra si um histórico de preconceito e discriminação pela cor/origem, não foi nem é vítima de subalternização social-estética-cultural histórica e culturalmente arraigada, não tem subrepresentação nos estratos sociais intermediários e altos, não tem prejuízo generalizado e persistente nos indicadores sociais,  muito pelo contrário, enquanto população e cultura civilizatória desde sempre manteve hegemonia e inclusive práticas exploratórias e subalternizadoras sobre os demais grupos (não-brancos).

3- Pelos motivos acima é que não existe uma “Questão Branca” (causa), não há “problemas” históricos e sociais, nem justas reivindicações de soluções para ajustes e instalação de igualdade com o grupo tradicionalmente dominante, porque esse grupo dominante é ele mesmo, o  grupo branco. Não havendo portanto qualquer real necessidade de Afirmação branca, muito pelo contrário, há uma real necessidade do grupo branco ceder verdadeira e igualitariamente a um compartilhamento efetivo e justo das posições e recursos disponíveis na sociedade. Resta então entender que reivindicar ou fazer apologia a uma “Consciência Branca” é tão dispensável ou absurdo quanto falar em “Orgulho branco” (que não sendo portanto afirmativo, cai na vertente do “Orgulho besta”) .

A existência da Consciência Negra (afirmativa) e de um dia para sua comemoração/reflexão sobre, não implica portanto na necessidade ou validade de um antônimo… . Não seria o caso também de se  falar em “Vergonha Branca” (muito embora a ação civilizatória européia e eurodescendente no mundo, também tenha deixado e deixe muitos e muitos motivos completamente válidos para tal sentimento…), porém o simples fato de entender e admitir a necessidade presente da Consciência Negra (afirmativa) e a desnecessidade de uma “Consciência Branca”(supremacista), já nos leva a todos humanos (independente de cor/origem) na direção de um mundo efetivamente melhor e igualitário.


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Direitos das Minorias : Criminalização, Autodefesa ou Amplitude de ações ?

Assunto polêmico e visualizado a partir dos mais diversos paradigmas ideológicos,  teóricos e  empíricos, é o que trata dos direitos e demandas das chamadas minorias sociais e que envolvem observação e  combate  de práticas como racismo, sexismo, xenofobia, homofobia, intolerância religiosa e outros tipos de preconceitos e discriminações históricas e persistentes em uma sociedade.

O primeiro ponto é entender o que é uma minoria; em síntese podemos dizer que é todo grupo humano que possui um recorte (característica identificável que influencia nas relações sociais) específico,  sendo o mesmo histórica e persistentemente desprivilegiado em relação a outros grupos ou recortes da mesma sociedade convivente ou envolvente,  isso pode se dar de forma numérica, por subalternização social ou ambas, ou seja, minorias são via de regra grupos sociais cuja maioria dos integrantes é excluída das melhores posições sociais e sofrem discriminações e desigualdade em relação aos recortes “majoritários” (não necessariamente numéricos, mas sociais).

Com isso em mente, fica claro que tais grupos são hiposuficientes (mais fracos em termos de recursos econômicos, políticos e sociais) em relação as maiorias, devendo por lógica democrática serem “protegidos” primeiramente pelo estado, das agressões e discriminações abertas vindas dos grupos majoritários, isso tem sido feito tradicionalmente através da criminalização de práticas discriminatórias negativas, com a intenção de punir os excessos e principalmente coibir em avanço tais práticas.

A criminalização visa impedir atos e ações abertas e/ou violentas de discriminação, acontece porém que as discriminações e obstaculizações sociais não ocorrem apenas pelas formas abertas e violentas…,  mesmo quando daquela forma ocorrem, acabam encontrando nos meios de poder e responsáveis pela punição (majoritariamente ocupados pelas “maiorias”) uma obvia conivência ou ao menos uma ampla tolerância, implicando em alta impunibilidade (que seria ainda maior sem qualquer coibição penal, vide por exemplo a redução da violência doméstica a partir da implantação da Lei Maria da Penha)

É cristalino que apenas a criminalização da discriminação não dá conta de todas as formas (principalmente as veladas) de desigualação social, é neste ponto que surge a necessidade da autodefesa (mobilização dos próprios recortes, na defesa de seus direitos e demandas), só que  hiposuficientes  em relação as maiorias, em geral não dispõem dos recursos necessários para garantir de maneira autosuficiente os seus direitos, e por estarem limitados pelas leis universalistas e condições reais (não dá para  criar por exemplo milícias armadas de autoproteção, ou toda uma rede de serviços para atendimento prioritário e satisfatório de cada  recorte discriminado) precisam contar  também com o estado tentando a coibição imposta pela criminalização, além de outras ações afirmativas da sociedade como um todo e do estado, para reduzir (sendo utópicos eliminar) discriminações negativas e desigualdades.

Chegamos então à conclusão que criminalização e autodefesa devem ser combinadas com uma ampla gama de ações, que vão desde uma educação anti-discriminatória  (lembrando que educação é muito mais do que se ensina e aprende escola…), passando por ações políticas e reivindicatórias específicas, ações midiáticas de resgate, valorização e respeito à diversidade,  legislação não penal fomentadora de oportunização social  e principalmente envolvimento de toda a sociedade na discussão e  resolução da questão; todos os preconceitos e discriminações históricas no final acabam causando prejuízo amplo para as próprias sociedades em que ocorrem,  não devem portanto serem encarados como problemas exclusivos e de responsabilidade resolutória das próprias minorias.