Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA

Convergências, divergências e comunicação.

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Ontem, em um desses papos de bar com gente engajada, coloquei que costumo sofrer nas redes e as vezes em papos não virtuais, incompreensão e até hostilidade desnecessária e desproporcional, principalmente vindo de ativistas mais radicais ou simpatizantes de pautas e causas em que não sou do recorte.

Na minha visão, isso vinha ocorrendo não por divergir ou me opor às ideias centrais (o que rarissimamente é o caso) ou desconhecer/minorar dados oferecidos por tais pessoas, muito menos por “ser anticausas” quaisquer, e sim por pedir ampliação dos espectros de problematização e por repudiar declarações com “verdades únicas e absolutas”, entendendo que a essa relativização e concessões elas não estão abertas. Ou seja, o que venho defendendo é a também consideração do não hegemônico e uma mínima relativização, já que nada de fato é 100% como as vezes insistem em declarar.

É preciso deixar claro que vejo como óbvio que exceção não é regra, nunca pretendi e nem vejo como isso possa ser possível colocar honestamente, apesar que, omiti-la ou desconsidera-la na sua proporção, completamente em favor de uma visão “monolítica” sobre a questão, não me parece honesto nem justo.

Bem, voltando à conversa, o “diagnóstico” foi de uma questão estrutural de comunicação equivocada. Ou seja, que a forma como normalmente coloco a divergência parcial, apesar da grande convergência e não intenção de minoração das premissas alheias, faz as pessoas enxergarem as manifestações como se eu estivesse tentando “negar”,”destruir”, “desconsiderar” e “inverter” a lógica do majoritário, pretendendo usar a “exceção” como se regra fosse.

O entendimento geral foi de que as interpretações e reações negativas vem do uso inadequado das partículas de conexão entre a questão hegemônica observada (e não negada, mas assim entendido por quem lê ou ouve) e a proposta de ampliação que coloco. A utilização por exemplo do “mas”, “só que”, “no entanto”, que no entendimento da geral configuraria uma fala de “invalidação” ou “exclusão” da grande premissa.

Em primeira mão admito e concordo que o problema de fato está bem ai mesmo. Colocando aqui inclusive para socializar com quem tem ou quer evitar o mesmo problema. Vejamos:

Fica de fato claro que a conjunção “mas” indica uma oposição ou contraste da ideia contida no pós partícula em relação à prévia. Do mesmo modo o “Só que” ou outras similares:

Correto portanto o colocado pelos colegas de papo, aliás, uma coisa básica da norma culta…. Temos então sintaticamente definida uma oposição, que tende a ser primariamente entendida pelo interlocutor como uma real “contrariedade plena” às suas premissas, mesmo que não se tenha de fato essa plena oposição, apenas o desejo de uma não limitação a tais premissas.

Então o que fazer para não se expressar em sentido contrário ao que se pretende ? Talvez a forma mais imediata seja cambiando para a conjunção concessiva, que opõe contraste, sem contudo definir “impedimento” à primeira ideia, pelo contrário, indicando um complemento pela segunda:

Cabem além dessas, por exemplo, o “apesar que”, “apesar de” ou “ainda que”… , as quais passarei a priorizar o emprego.

Por outro lado, seria interessante que quem expõe uma problematização ou defende uma ideia EVITASSE colocá-la de forma ABSOLUTA, como se não houvesse exceções ou contradições possíveis, isso se dá pela utilização de construções utilizando especialmente dois pronomes indefinidos, TODO(A)(S) e NENHUM(A):

Essas “totalidade afirmativas” são as famigeradas GENERALIZAÇÕES, o que é essencialmente IMPRECISO, pois podem levar a afirmações falaciosas, já que no mais das vezes não existe a INFALIBILIDADE da afirmação, ou seja, mesmo que majoritariamente seja verdade, não reflete todas as possibilidades dela.

Se for para usar pronomes indefinidos que se use “VÁRIO(A)(S)” “MUITO(A)S” “ALGUM(A)(S)” ou “POUC(O)S” .

Enfim, é sempre bom trocar ideias RESPEITOSAMENTE, ouvir críticas, acatá-las quando pertinentes, buscar fundamentação e quando for o caso rever conceitos e práticas.

Autor: Juarez Silva (Manaus)

Analista de T.I, Prof. Universitário, Tít. de Especialista em Educação a Distância (Univ. Católica de Brasília), Certificação em História e Cultura africana e afrobrasileira (FINOM-MG) e em Direitos Humanos e Mediação de Conflitos (SEEDH- Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República), Mestre em História Social pela UFAM - Universidade Federal do Amazonas, Ex-Conselheiro Estadual de DH; Analista Judiciário do Quadro efetivo do Tribunal de Justiça do Amazonas. Ativista dos Movimentos Negros.

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