Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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Rua com nome de Bandeirante escravagista é proibido por lei

Reforçando a nossa solicitação à edilidade de Manaus, para a substituição do nome da Rua Domingos Jorge Velho, no Bairro do Dom Pedro,  tal bandeirante se notabilizou pelo apresamento de índios no XVII e pela destruição do Quilombo de Palmares e Zumbi. Cabe observar que apesar da lei federal no art. 1° falar em “bem público pertencente à união”, no seu artigo 3° estende a proibição à entidades que recebam verba federal, se consideramos a municipalidade de Manaus como um ente ou “entidade”, e que no caso sabidamente recebe recursos federais, não tem para onde correr… é fazer cumprir a lei.

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Município é um ente federal …

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Nos termos da lei temos  “entidade”, que é sinônimo de ente…

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Portanto…

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Crack, comoção e seletividade

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Seis histórias com elementos comuns, a celebridade prévia (menos para a “mendigata capixaba”), as drogas, o crack , a morada de rua, o resgate,  a comoção e a ajuda, o tratamento e o retorno (para a maioria) ou entrada à celebridade.

Creio ter incluído na montagem os seis casos mais rumorosos e conhecidos, e é dai que tiramos as observações.

Olhe a foto e diga quem você reconhece (mesmo que só pelo apelido artístico), desconheceu alguém ?. Pois bem, qual a diferença mais visível  na foto ?,  fixe quem você desconheceu.

Todos ou a maioria dos que reconheceu, geraram grande comoção e cobertura jornalística, etc… .

Agora pense no que tem em comum entre a única não “celebridade” antes do crack e a totalidade ou maioria dos “célebres” antes do crack, também no que há em comum nos que após o tratamento ficaram mais famosos que antes e receberam propostas “salvadoras”.

Para encurtar e caso não tenha percebido…, ao contrário da maioria dos “crackudos” não resgatados ou resgatados sem comoção, são praticamente todos brancos, e mais que a celebridade prévia esse foi o determinante primário da comoção… , prova ? qual a cor da única que não era celebridade ? ( e se tornou) e qual a cor do único que apesar do “sucesso” prévio provavelmente você nem lembrava do caso do resgate em 2015 ?.

A maior comoção e o sentimento de “injustiça” e “situação errada”  se dá principalmente pela mentalidade racista não admitir que pessoas “brancas” (ainda mais “bonitas”) estejam em situação de degradação análoga a da “massa crackuda”. Isto é, na cabeça da maioria das pessoas, mesmo as que tem uma visão humanitária ampliada,   a “miséria”  não é coisa para branco, e os que mesmo tendo tido tudo para não estar lá, merecem atenção,  prioridade e muito maior empenho em resgate, recuperação e “pós-oportunidade”.

Ainda nessa linha, o “resto” é apenas uma “massa feia, perigosa e incômoda, que não tem jeito…” e devem ser a qualquer modo e custo “retirados da paisagem”.  Esse filme não é novo… .


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2017 – VIGÉSIMO NONO ANIVERSÁRIO DE ATIVISMO NEGRO

Só agora me dei conta que minha primeira palestra oficial, que ocorreu no centenário da abolição (1988) ao contrário do que aparentemente todo esperavam, não versou sobre os horrores do cativeiro, nem sobre a “bondade da princesa”, muito menos admitiu a abolição como “marco da igualdade”,  foi sobre… PÓS-ABOLIÇÃO (muito embora seguindo o meu natural “braudelianismo”, ou seja,  tendência em problematizar utilizando recortes temporais e geográficos mais amplos que os nominais aplicados aos eventos-título) pois parti das leis antiescravidão que antecederam a  lei áurea,  bem como,  de uma ácida crítica ao uso da Guerra do Paraguai para iniciar o processo de branqueamento do Brasil, já que a abolição era um processo em evolução e questão de relativo pouco tempo.

Na época eu tinha acabado de concluir a faculdade, era um cara de exatas/tecnologia, nem me passava pela cabeça um dia ser um pesquisador em História, mas ali, em uma época em que não havia Internet, fiz uma pesquisa e palestrei em um tema que só bem recentemente passou a empolgar os historiadores… o PÓS-ABOLIÇÃO😉. É verdade, “mato a cobra e mostro o pau” :

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2017 – VIGÉSIMO NONO ANIVERSÁRIO DE ATIVISMO NEGRO

Só agora me dei conta que minha primeira palestra oficial, que ocorreu no centenário da abolição (1988) ao contrário do que aparentemente todo esperavam, não versou sobre os horrores do cativeiro, nem sobre a “bondade da princesa”, muito menos admitiu a abolição como “marco da igualdade”,  foi sobre… PÓS-ABOLIÇÃO (muito embora seguindo o meu natural “braudelianismo”, ou seja,  tendência em problematizar utilizando recortes temporais e geográficos mais amplos que os nominais aplicados aos eventos-título) pois parti das leis antiescravidão que antecederam a  lei áurea,  bem como,  de uma ácida crítica ao uso da Guerra do Paraguai para iniciar o processo de branqueamento do Brasil, já que a abolição era um processo em evolução e questão de relativo pouco tempo. Na época eu tinha acabado de concluir a faculdade, era um cara de exatas/tecnologia, nem me passava pela cabeça um dia ser um pesquisador em História, mas ali, em uma época em que não havia Internet, fiz uma pesquisa e palestrei em um tema que só bem recentemente passou a empolgar os historiadores… o PÓS-ABOLIÇÃO😉. É verdade, “mato a cobra e mostro o pau” :

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Um novo olhar sobre o 13 de maio

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Se você é brasileiro e já era adulto na virada para o século XXI, de certo fez vários trabalhos e cartazes escolares sobre o 13 de maio, talvez teatrinhos ou mesmo tenha participado de festividades e solenidades alusivas à abolição da escravidão no Brasil ocorrida no 13 de maio de 1.888 .

Alguns notaram, outros não, que nos últimos anos isso tem mudado e bastante. O 13 de maio perdeu força enquanto data comemorativa vinculada à população negra. Sendo paulatinamente evidenciado em seu lugar o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, homenageando Zumbi do Palmares. No entanto o 13 não foi simplesmente desvalorizado ou descartado pelos movimentos de negritude e pelo poder público, ele foi resignificado e passou a ter outras funções que não a comemoração da abolição (mal contada e mal feita).

Através de diversas leis fomentadas pelos movimentos de negritude, a data ganhou novas motivações e intenções, mas basicamente aproveitando uma tradição da Umbanda, religião de matriz africana que vincula o 13 de maio aos pretos velhos, espíritos iluminados de antigos escravos que se manifestam e trabalham pelo bem promovendo aconselhamentos e curas, transformou o 13 em dia das religiões de matrizes africanas, mas não apenas, a denúncia do racismo e exigência de reparações também.

Abaixo alguns exemplos:

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Enfim, apesar das diversas oficializações como datas “comemorativas”, na verdade o espaço foi políticamente marcado como de visibilização e reflexão/conscientização e não mais como uma ode à “bondade da princesa” e “marco definitivo da igualdade”, aliás no Amazonas a abolição ocorreu 4 anos antes do 13 de maio, no 10 de julho de 1884, ou seja, era um processo nacional irreversível e produto de uma luta com muitos atores, incluindo os próprios negros.

Para mim a data também guarda significado especial, foi nela em 1.988, o centenário da abolição, que fiz a minha estréia oficial como ativista da causa negra, sendo orador oficial na sessão especial da Câmara Municipal de Pindamonhangaba, já naquela primeira fala pública, desviei a esperada homenagem à princesa e ode à “igualdade” nascida há então 100 anos, para um crítico e ácido discurso crítico que foi inclusive à sistemática tentativa de eliminação dos negros via guerra do Paraguai…, teve gente embasbacada com as denúncias de que o 13 era quando muito um começo mas não um fim,  e até lágrimas…, ano que vem, ainda estando no planeta, serão 30 anos de luta.

 


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Uma deturpação, um humor coxinha e uma canalhice

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A deturpação seria a “tese” que em seu interrogatório na Justiça Federal em Curitiba, Lula teria “jogado a culpa” sobre a questão do Triplex para sua finada esposa D. Marisa.

Primeiro porque não há culpa alguma, D. Marisa tinha cotas perfeitamente legais de participação em empreendimento do Bancoop, posteriormente encampado pela OAS e em dado momento, foi visitar a obra e uma alternativa à unidade originalmente intencionada, essa alternativa era o famoso triplex, que na realidade nunca foi comprado ou “presenteado”, tanto que toda a documentação prova que o mesmo pertence à construtora, tendo inclusive sido dado em garantia em operação de crédito para a OAS.

Segundo porque Lula apenas disse o óbvio, D. Marisa tinhas as cotas, portanto ela é quem cuidava da questão. Não seria a primeira vez no mundo que  uma esposa se colocaria à frente de negócios de interesse familiar, inclusive tentando sobrepor sua vontade e gosto ao do marido e sem consulta prévia ou paripasso ao mesmo. Lembrei até de minha mãe, que  quando eu era adolescente, comprou o terreno ao lado de casa e começou a construção de uma nova, meu pai e nós só fomos saber que os novos vizinhos éramos nós mesmos quando as paredes já estavam subindo… .

Quanto ao “humor coxinha”, natural que seja baseado nas premissas, fontes e alvos da adjetivação. Sendo assim, a publicidade não estaria isenta de tentar surfar na onda das empatias e simpatias com as “teses” afinadas. As Lojas Marisa resolveram “brincar” com a questão, talvez a partir de alguma sinergia entre o “coxismo” a administração da empresa e os responsáveis pela publicidade. Se por um lado agradará os que estão na mesma “vibe”, por outro, cabe lembrar que a rede não é conhecida por ser voltada a um “público de elite”… . Até onde sei, o seu público é muito popular, e pela lógica em tese mais afinado com o que se pretende atacar do que com o humor dos atacantes, pode vir a ser portanto um bom “tiro no pé”.

A canalhice fica por conta da capa da revista Veja. Não é a primeira e de certo não será a última a passar completamente os limites de algo que se pretenda éticamente jornalístico, talvez com essa capa tenha atingido os “píncaros da canalhice jornalística”. Vai ser bem difícil de superar… .


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Quando negr@ é má ideia…

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Ontem me deparei novamente com uma nada nova e original discussão acalorada, gerada por uma postagem em que se utilizou a expressão “página negra da História” . Nela tinha gente incomodada com o termo e indicando vínculo do termo com racismo e gente na mão contrária, alegando que tinha “nada a ver” e que a reclamação era “exagero e mimimi”.

Então, vamos por partes entender a questão.

Sim, os termos, escuridão, trevas, negro e negra, representam negatividade e “mal” na cultura ocidental muito antes da intensificação dos contatos entre europeus, africanos e o novo mundo, com o advento das “grandes navegações” (européias…,  bem dito, pois outros povos como os chineses já faziam circunavegação muito antes, africanos chegaram as Américas  muito antes também…, mas isso é outra história) da instituição da escravidão negra e tráfico transatlântico, antes da própria  “invenção da raça” por Linnaeus no XVII, logo, não são exclusivamente de cunho racista.

Ocorre porém, que aproveitando essa estigmatização tradicional do escuro e negro na cultura ocidental, é que foram escravizados e nomeados NEGROS, tanto africanos quanto os indígenas americanos…, esses últimos chamados “Negros da terra”, ou seja, existe sim uma forte ligação e tributo entre racismo e a estigmatização via a “negrificação” de “coisas ruins”.

A própria mentalidade racista introjetada, não é percebida pela grande maioria das pessoas, especiamente no nosso contexto brasileiro, que adota o metaracismo (racismo cínico, velado, e que não se admite como existente, por vezes posando de antiracismo), logo, também não percebem que manter e reforçar as estigmatizações com base na ideia generalizada de coisas negras como “ruins” e brancas como “boas”, é também um dos fatores de manutenção da estigmatização racista.

Não se trata de “riscar do vocabulário” o termo negro(a), inclusive apropriado e resignificado pelos próprios negros, mas de “se educar” para não utilizar o termo em construções negativadoras e depreciativas…, pois assim agindo se está colaborando para manter na sociedade a ideia geral de “branco é bom, negro é ruim”, o que no fim acaba refletindo na mesma visão em se tratando de pessoas, ou seja, ajuda a preservar a mentalidade racista e consequentemente as atitutudes e atos racistas. Simples assim… .

Apesar de não haver estigmatização e negatividade tradicional no termo branco e derivados, imagine-se enquanto pessoa branca ouvindo as seguintes frases: ” o lado branco da força, não pode triunfar” , “precisamos apagar essa página branca de nossa história”, ” branco destino da pobre mulher”, ” a política nos atinge como uma peste branca”, “Você está DEBRANQUEANDO a minha reputação” (denegrir significa, tornar negro, enegrecer, e não por coincidência também manchar ou sujar…) , desconfortável não ?, ver sua identificação e “cor” tão associada ao negativo.

Portanto, antes de acusar quem reclama da utilização negativadora  do termo negro, de “mimimi”, “exagero” ou “paranóia”, pare e pense na etimologia do termo, no seu uso histórico, que hoje pode e deve ser evitado, no desconforto “do outro” e principalmente no seu papel para tornar esse mundo menos preconceituoso, discrimatório e  desigual.

As línguas evoluem conforme as sociedades e as consciências evoluem, não há motivos para continuarmos usando coloquialmente termos e expressões como há 3 séculos passados, principalmente se hoje as entendemos verdadeiramente em sentido e esse sentido não é bom… .