Blog do Juarez

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Genocídio indígena no Amazonas durante a Ditadura volta à tona.

Fotomontagem BR-174 sangrenta

Uma série de ações recentes envolvendo o MPF (Ministério Público Federal), O Comitê Estadual da Verdade, Memória e Justiça no Amazonas  e a Comissão Nacional da Verdade,  ganharam destaque na imprensa amazonense e roraimense durante a semana que termina.

Documento-denúncia do Comitê Estadual da Verdade, Memória e Justiça no Amazonas, acusa o regime militar pela matança/desaparecimento de dois mil indígenas Waimiri-Atroari durante a construção da BR-174 (Manaus-Boa Vista) entre 1972 e 1975, o relatório fala ainda em tortura, bombardeios e “correrias” (ações violentas de intimidação com o objetivo de forçar a fuga de indígenas de suas terras, devido ao interesse pelas mesmas para outros fins).

O MPF instaurou inquérito civil público, para apurar as responsabilidades da união no caso.

Mais sobre :

http://www.portaldoholanda.com/noticia/mpf-apura-matanca-de-indios-durante-construcao-da-br-174

http://acritica.uol.com.br/manaus/Amazonia-Amazonas-Manaus-Comissao_da_verdade_culpa_o_regime_por_exterminio_de_2_mil_indigenas_durante_ditadura_militar_0_793720638.html


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Abril demite editor da NG, que denunciou pelo Twitter racismo da Veja.

Já está rolando na blogosfera a notícia… que reproduzimos abaixo a partir  de uma entrevista concedida ao portal imprensa  e ao blog do Altino Machado, interessante é que um dos nossos últimos posts foi justamente sobre racismo ambiental,… antes da infeliz matéria da Veja sobre supostas farsas para demarcação de terras indígenas e quilombolas, que causaram grande repercussão e repúdio inclusive da ABA- Associação Brasileira de Antropologia; não fizemos post sobre o ocorrido., mas ai vai a questão da demissão de Milanez:

Uma crítica à revista Veja, feita no Twitter, provocou a demissão, nesta terça-feira (11), do repórter fotográfico Felipe Milanez, editor-assistente da revistaNational Geographic Brasil. As duas publicações são da editadas pela Abril.

"A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso", declarou Milanez ao Blog do Altino Machado.

O editor-assistente fez acusações contundentes à Veja devido à preconceituosa matéria "A farsa da nação indígena", que deturpava o sentido da delimitação de reservas indígenas e quilombos no país. "Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto?", registrou Milanez no Twitter. 

Em mensagem no mesmo dia, Milanez afirmou que o "racismo" da publicação fez com que se manifestasse. "Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas".

Também no microblog, o jornalista informou sua demissão: "To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual."

Em entrevista ao Portal Imprensa, Milanez declarou que fez observações contundentes sobre a publicação, mas foi surpreendido pela demissão. "Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos", lamentou o ex-editor.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou ao Portal Imprensa que os comentários no Twitter resultaram na demissão de Milanez. "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão", disse. Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".

Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.

Milanez também havia se manifestado no Twitter a respeito da nota do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, citado por Veja na reportagem, mas que nega ter dado entrevista para a revista. "Eduardo Viveiros de Castro achou um bom adjetivo pra definir a matéria da Veja: 'repugnante'", escreveu Milanez. "Veja é abusada. Assim E. Viveiros de Castro corre o risco de nunca mais ser citado na revista(!), como JonLee Anderson."

Além de ter reproduzido tweets em que o antropólogo acusa Veja de "fabricar" declaração, Milanez também chegou a citar os microblogs dos repórteres Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, autores da reportagem, como exemplos de "anti-indígenas" para quem quisesse segui-los. "Não sei ainda o que vou fazer da vida. Não estou arrependido porque nunca imaginei que minha opinião pudesse causar uma reação tão drástica. Talvez eu tenha sido ingênuo, mas quem defende índio tem que estar com a cabeça preparada para levar paulada", concluiu Milanez.

Pois é companheiros…, repetidas vezes temos colocado aqui que a revista Veja não merece confiança e nem respeita a inteligência do leitor, vemos agora que para além das suas páginas, também não admite qualquer consciência e dissidência dentro do mesmo grupo editorial;  vimos outro dia em outro grande grupo do PiG (a Folha de SP ) um exemplo parecido, quando  a direção da empresa "usou"  DM para "enquadrar" via artigo truculento, dois repórteres que ousaram falar a verdade sobre as declarações  de um Senador  do  consórcio anti-cotas e AAs com recorte racial… ; falar a verdade onde isso não é prioritário (muito pelo contrário) pode custar muito caro…,  mas se servir de consolo ao Felipe Milanez pela sua coragem… cito Abraham Lincoln :  "Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes."

Parabéns Felipe, não se arrependa, pagou caro, mas garantiu seu nome ao lado dos que não aguentam mais tanta hipocrisia e injustiça e não se acovardam…, todo o dinheiro e vantagens que "os vendidos" tem, não pagam o preço de uma consciência limpa e da dignidade…


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Chimamanda Adichie: o perigo de uma única história

Uma de minhas frases favoritas é um ditado Yoruba que diz:  "Enquanto os leões não puderem contar suas histórias, as histórias serão sempre as dos caçadores" .

Em uma das áreas de comentários do Blog Viomundo.com.br (do Jornalista Luiz Carlos Azenha) sobre postagem intitulada  Demétrio (Magnoli ),"especialista recente em navios negreiros" ; fiz um comentário sobre a importância exagerada que se dá a determinados "negrólogos" que não sendo negros (descendentes de escravos africanos) muito menos africanos,  insistem em se arvorar (ou são vistos como) "conhecedores" dos negros e sua história ou problemática mais e melhor que os próprios negros e africanos… ( até ai é um fato relativamente "aceitável", já que há sim  casos de pesquisadores e especialistas coerentes e que merecem respeito.., (e a lista não é pequena , como exemplo cito, "da antiga" : Pierre Verger, Oracy Nogueira, Florestan Fernandes, entre tantos, não vou nem falar da "nova geração") ) .

O problema é quando algum "neo-negrólogo"  indo na "contra-mão do bom senso", desconsidera a visão e versão dos próprios negros ou dos africanos (como se não houvesse entre eles pesquisadores renomados…, apenas como exemplo: Franz Fanon, Cheik Anta Diop, Kabengele Munanga, Carlos Moore, Clóvis Moura, Henrique Cunha Jr., Nei Lopes… entre tantos outros "da antiga" e da nova geração  ), o "imaginário branco"  tanto dentro da academia quanto fora, parece não saber ou "esquecer" que temos voz própria e qualificadíssima para contar nossa própria história…

Mas parece que o mesmo não ocorre ao se dar extrema importância e referenciar "negrólogos" não-negros "tendentes" a distorcer os fatos e análises, contando uma "única história", imprecisa, unilateral, "romanceada" e não raro deturpada e completamente sintonizada com os interesses eurocêntricos de desvalorização e desconsideração da versão da história do "outro" e ai encaixo (Nina Rodrigues, Gilberto Freyre e muitos outros da "nova geração"…, vou deixar o "bem-intencionado" Darcy Ribeiro no "meio do caminho" entre bons e maus "negrólogos" …)

Voltando ao assunto principal…, recebi de uma das pessoas participantes do "debate" no Viomundo (Jussara)  o link para um maravilhoso vídeo de uma fala da escritora Nigeriana Chimamanda Adichie, que vai justamente de encontro ao que defendi; não sou muito fã de videos da web (ainda mais com essa internet lenta de Manaus), mas esse eu vi e RECOMENDO TREMENDAMENTE, toda pessoa que gosta de ler, escrever, de História, Educação e conhecer processos de formação de idéias, imagem e opinião, deveria assistir, simplesmente MAGNÍFICO, clique na imagem abaixo (vai abrir em outra janela)

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