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Criando a lista de referências a partir das notas de rodapé no Word ou no LibreOffice

Sem título

Bom, você terminou após meses (talvez anos) de “sofrimentos e abnegação”, a parte textual do seu trabalho acadêmico, no qual utilizou notas de rodapé, as quais foi inserindo à medida que foi citando. Agora precisa colocar no final do texto uma lista em ordem alfabética dessas mesmas referências, acrescida de outras que não foram citadas mas são recomendáveis. Infelizmente nem o MS-WORD nem o LIBREOFFICE tem essa tão obviamente útil funcionalidade, portanto a coisa vai ter que ser meio “manual”…, mas calma ! você não vai precisar copiar uma a uma as notas para o final do texto ou arquivo separado para depois ordenar e trazer de volta para o lugar certo. A ideia é mais ou menos essa, só que ao invés de copiar uma a uma, vamos transformar todas de uma vez em notas de fim, ou seja, com todas agrupadas no final do texto. A partir dai fica fácil selecionar todas de uma vez, copiar para um arquivo aonde se possa “limpar” as informações desnecessárias,  classificar na ordem correta, para então trazer de volta tudo já certinho para o final do texto do seu trabalho acadêmico.

Atenção ! isso funciona para as versões mais antigas do WORD, até a 2010, já  no LibreOffice pelo menos até a 5 funciona.

Vamos aos passos:
1- Faça uma cópia da sua monografia, dissertação ou tese ( você não vai querer trabalhar no original para fazer estes passos vai ? 😉)
2- Abra a cópia e converta todas as notas de rodapé em notas de fim, se não sabe como, isso está explicado na ajuda do software… .
3- Posicione o cursor  bem no começo da primeira nota de fim. (O texto real das notas de fim, não a referência no corpo principal do documento.)
Marque todas as notas usando o esquema de seleção tecla shift e  seta para baixo até  a última nota. Tudo selecionado dê um Ctrl+C para copiar as notas  para o clipboard (área de transferência).
4- Abra um documento novo, em branco e cole (Ctrl+V) no novo documento.
5- Agora você tem um documento com somente as notas de fim. Classifique por ordem alfabética os parágrafos no documento. Elimine todo o texto e referências das quais não precisa na lista de referências ou insira as que estavam  fora das citações.
6- Selecione tudo e copie o texto, depois cole no final do texto do arquivo que contém o seu trabalho.

Uma dica adicional…, se quiser por exemplo separar fontes primárias de referências bibliográficas ou webgrafia, talvez seja interessante no passo 4 transferir o conteúdo para uma planilha, assim poderá não apenas classificar mas também filtrar, por exemplo, tudo o que tiver hiperlinks, ou tudo que tiver um termo utilizado apenas com fontes primárias. Na hora de trazer de volta para o texto do trabalho não esqueça de “colar especial” como texto  texto sem formatação.

Prontinho ! seu problema resolvido sem muita dor e sofrimento. 😉👍


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Cultura religiosa: As religiões de matrizes africanas, tirando as dúvidas básicas.

É muito comum para as pessoas de outras religiões, sem religião ou mesmo as que já tiveram algum contato com a  religiosidade de matriz africana em suas várias formas, dúvidas e equívocos sobre o tema. A ideia desse  post é sem proselitismo qualquer, tentar reduzir essas dúvidas e esclarecer sobre essa parcela da cultura/religiosidade brasileira, para muitos misteriosa e mal compreendida.

Para ficar mais direto, leve e um pouco diferente dos artigos que temos por ai, vou fazer em formato de F.A.Q (Frequentelly Asked Questions / Questões frequentemente perguntadas), formato com  o qual os internautas estão muito familiarizados.

  • O QUE QUER DIZER  RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS ? :  Significa que a cosmovisão base (fundamentos) ou parcela dela, vem de cultos de origem africana, lá praticados desde a antiguidade e introduzidos no Brasil com adaptações pelos escravizados africanos e descendentes destes.
  • QUAIS SÃO ESSAS RELIGIÕES ? :  São várias, com origens em diversas partes da África e relacionadas diretamente com cada grande grupo étnico (Nação)  introduzido no Brasil, no caso as religiões que mantiveram maior proximidade com as originais ( trajes, uso das línguas africanas nos cantos e rituais, referência apenas às divindades africanas, costumes, etc…), são agrupadas genericamente sob a denominação de CANDOMBLÉ DE NAÇÃO (e obviamente são várias nações distintas, como KETO/NAGÔ, BANTU, JEJE, MINA) ou simplesmente Candomblé. Já nos casos em que houve um maior sincretismo, redução dos elementos africanos e acréscimo de elementos ocidentais vindos do catolicismo e kardecismo (além de elementos indígenas como a Jurema e o Catimbó), cânticos e rituais em português,  passaram a ser agrupadas genericamente sob a denominação de UMBANDA . Há ainda variações criadas a partir da mescla de Candomblé e Umbanda como o  OMOLOCÔ, ou segmentações independentes como o TAMBOR DE MINA, XANGÔ (PE), o BATUQUE (RS), muito próximos dos Candomblés de Nação, ou a QUIMBANDA (culto dos exus)  que está muito mais relacionada com a UMBANDA.
  • O QUE SÃO ORIXÁS ? : São as divindades do panteão Yorubá do Candomblé (um dos grupos étnicos africanos trazidos para o Brasil com o trafico negreiro, também conhecidos como NAGÔS  ou  povo KETO ou KETU).  No Brasil são mais conhecidos e popularizados que as divindades das nações BANTU (Angola) ou  MINA e  JEJE (costa da Mina , Benin e região),  são eles :  Nanã, Omolú, Oxumarê, Oxalá, Exú, Ogun, Oxóssi, Yemanjá, Iansã, Oxum, Obá ,Ewá, Xangô, Logun Edé, Ossain, Ibeji, Irôko. Na África eram cultuados mais de 200 Orixás, no Brasil esse número reduziu-se a 16, cada Orixá está ligado a uma força da natureza / vida e a sua energia é chamada de AXÉ .
  • POR QUE MUITA GENTE CHAMA INDISTINTAMENTE ISSO TUDO DE MACUMBA ? :  Na realidade MACUMBA era o nome de um instrumento musical rústico utilizado em festas familiares  junto com outros instrumentos como atabaques e tambores pela população mais pobre (majoritariamente ex-escravos ou descedente de escravos ) na época da  passagem do Brasil Império para República.  Por tal, MACUMBA  ou MACUMBINHA era também um sinônimo de “festa em casa”, porém como havia repressão e muito preconceito contra as reuniões afroreligiosas (na época feitas nos terreiros das casas ).  Ao convidar alguém para uma festa/reunião afroreligiosa as pessoas  não citavam isso em público,  apenas convidavam as outras para uma “MACUMBA” ou “MACUMBINHA”  lá em casa…, o que era perfeitamente entendido dependendo de quem convidava e era convidado… . Surgiu dai o termo hoje corrente, MACUMBA e obviamente MACUMBEIROS é entendido como tudo que tem a ver com batuques e oferendas das religiões de matrizes africanas. Apesar de serem muito utilizados de forma depreciativa pelos que discriminam as religiões “afro”, o uso dos termos  e auto-denominação entre os adeptos é comum e encarada por muitos de forma afirmativa (orgulho/ não-vergonha).
  • CANDOMBLÉ E UMBANDA SÃO SINÔNIMOS ?:  Conforme a explicação inicial, obviamente não, Candomblé é um conjunto de religiões de origem africana que conservam grandemente suas características originais como rituais, costumes, língua utilizada nos cânticos  e culto à divindades exclusivamente africanas (ORIXÁS, VODUNS ou INKICES dependendo da “nação”).  Já a UMBANDA é uma religião genuinamente brasileira nascida em Niterói em 1907 e reúne  além de parte dos elementos do candomblé também elementos do kardecismo, catolicismo e espiritualidade indígena, o português é a lingua utilizada majoritariamente na UMBANDA, nela apesar de se cultuar também  sete dos orixás do Candomblé e dos trajes africanizados, diferentemente há culto também à ENTIDADES  como pomba-giras (corruptela de bombogira), exús, boideiros, marinheiros, caboclos e pretos velhos (todos inexistentes nos Candomblés de Nação).
  • AS RELIGIÕES AFRO SÃO SATÂNICAS ?, CULTUAM DEMÔNIOS ? :  Apesar das várias interpretações discordantes sobre o que venha de fato a ser satanismo e de sua relação com a figura de  Satan, Lúcifer ou Diabo (entre outros nomes), tudo isso faz parte de uma cosmovisão ocidental de base judaico-cristã, não tem nada a ver com a cosmovisão africana (onde não se crê em inferno, muito menos em diabo…). Sendo assim essa “acusação” e “demonização” que se faz das religiões de matrizes africanas (principalmente do Candomblé que não tem qualquer base ocidental/cristã) é falsa e injusta. As divindades africanas cultuadas são basicamente representações das energias da natureza, energias que influenciam na vida das pessoas e podem ser “manipuladas” para o bem mas também para o mal.  Só que isso é uma questão da  ética das pessoas que manipulam ou solicitam manipulação, não das energias (que em tese são amorais),  seria como dizer que a energia atômica “é do mal” pois pode adoecer e matar, quando na realidade pode também curar e facilitar a vida…, dependente de quem manipula e  de sua intenção, não da energia em si, “o mal”  e “o bem” está nas pessoas…, algumas vão rezar para “mil cairem à sua direita”, outras vão matar “em nome de cristo”, algumas vão fazer “trabalho” para prejudicar algum desafeto…, outras vão pedir e usar tudo isso  pelo próprio bem e da humanidade… .
  • AS ENTIDADES DA UMBANDA SÃO DEMÔNIOS ? : Na Umbanda se cultuam alguns Orixás (divindades africanas, forças da natureza que decididamente não são demônios) e “entidades ” que segundo a crença são pessoas “desencarnadas” que já viveram normalmente na terra, se manifestam como caboclos, pombas-giras, pretos velhos, ciganos, etc… (e também não são “demônios”) . Outros são encantados e elementais (seres místicos da natureza e em geral amorais ), que podem ser acessados para interferir nas vidas das pessoas, ou interferem sem solicitação; como a Umbanda tem base também kardecista e indígena, se crê que haja entre esses, espíritos desorientados ou essencialmente malignos que podem agir negativamente sobre as pessoas. Com o tempo e incremento de outras crenças e filosofias esotéricas, com planos e dimensões astrais,  passou-se a crer também em seres de “dimensões inferiores” cujo aspecto e trato se confundiria com a descrição de “monstros” e “seres infernais”, propensos ao mal  e que poderiam ser utilizados em “negativações” ou “trabalhos anti-éticos”. Isso porém já seria objeto de uma “outra linha”  da Umbanda, chamada de linha de esquerda ou dos KIUMBAS (que por vezes tentam e conseguem se  manifestar se passando falsamente por exus da umbanda).
  • OS TRAJES E SÍMBOLOS DE UMBANDA E CANDOMBLÉ SÃO IGUAIS ? :    Não é difícil mesmo para iniciantes com alguma estrada se confundir, afinal parte da Umbanda vem do Candomblé  e por isso algumas coisas são muito parecidas, como a roupa ao estilo “baiana”, os colares (guias e fios de contas) , “turbantes” e acessórios, a dança em roda , o som dos tambores… .  Porém com o tempo já se consegue distinguir perfeitamente uma coisa da outra , ex. roupas de baiana coloridas é só na Umbanda, imagens de santos católicos misturadas com índios (caboclos) e pretos velhos é da Umbanda, cânticos (pontos) em português é da Umbanda, roupas rituais “ocidentalizadas” com sapatos brancos ou de salto, chapéus, cocares, ciganas, boiaderos, marinheiros etc… é de Umbanda . No Candomblé as roupas são mais africanizadas e geralmente brancas e simples (exceção para as vestimentas dos Orixás que são bem diferentes mas também muito africanizadas).
  • UMBANDA E CANDOMBLÉ  PODEM OCORRER JUNTOS EM UM MESMO LUGAR ?:  Existem casas (Ylês/Terreiros/ etc…) em que se pratica as duas religiões (aqui no norte por exemplo isso é muito comum), só que os eventos ocorrem em dias e horários separados. Em um Candomblé jamais se manifestam entidades da Umbanda, apenas Orixás, Voduns ou  Nkices (le-se Inkices)  isso dependendo da nação. Porém em grandes festas pode ocorrer de se realizar o xirê do Candomblé (roda em homenagem aos Orixás) com as devidas manifestações exclusivas do Candomblé, uma vez encerradas, se dá início a uma nova festa na sequência (ai sim de Umbanda). Existem também casas onde só ocorre Candomblé e outras onde só ocorre Umbanda.
  • ORIXÁS E CABOCLOS “BAIXAM” E AGEM INDISTINTAMENTE ?:  Talvez essa seja a forma mais fácil do leigo diferenciar Candomblé de Umbanda, os ORIXÁS, VODUNS e INKICES do Candomblé não falam, não bebem, não fumam, não dão consulta, não abrem os olhos…, basicamente eles “baixam” mediante “solicitação” (com sucesso apenas nas pessoas já iniciadas) dançam e distribuem o seu AXÉ (força vital ) que pode ser através de um simples abraço, depois disso voltam para o ÓRUM (outro mundo) .  Já as entidades da Umbanda (entre elas os caboclos)  “baixam” no médium (que não precisa ser iniciado) , se manifestam como pessoas, falam, dançam, riem,  bebem, fumam, dão “passes” , consultas, enfim… interagem. Diferentemente dos Orixás, os Caboclos, Pomba-giras, etc.., podem se manifestar nos médiuns nos locais e horários mais inusitados e  sem “solicitação”, em alguns casos KIUMBAS (espíritos malignos) se fazendo passar por exus, vem “dar uma voltinha” nesse plano, não raro colocando os seus “cavalos” (médiuns) em situações constrangedoras.
  • O QUE SÃO OS “TRABALHOS” ? :  Basicamente são “limpezas” e  “oferendas” que se fazem para equilibrar as energias espirituais que regem a vida da própria pessoa ou de outra, vão desde simples banhos preparados com ervas , passando por rituais de ” limpeza”  mais completos (EBÓS)  a oferendas simples para se manter as energias positivadas  ou oferendas complexas que envolvem rituais, “comidas de santo”, sacrifício animal… . Os “trabalhos” são diferentes no Candomblé e na Umbanda (que em geral não tem sacrifício animal), em princípio os trabalhos são manipulações de energia para o bem, auto-proteção, caminhos abertos, saúde, prosperidade, etc… . Há porém quem faça a manipulação de energia para o mal dos outros ou para seus interesses próprios mesquinhos e antiéticos, o tipo de trabalho reflete o caráter da pessoa que o solicita/realiza. Os “despachos”  que normalmente são vistos nas encruzilhadas, do tipo galinha preta com farofa, etc…, são em geral feitos pelo pessoal  de linha “esquerda” da Umbanda, é comum também a utilização de matas e cachoeiras.
  • ORÁCULOS DE UMBANDA E CANDOMBLÉ SÃO OS MESMOS ? : Não, a “leitura” da situação de energia espiritual e “destinos”  é feita por elementos distintos, enquanto no Candomblé apenas se joga búzios (conchas) ou  se traça o ODU (uma forma de “numerologia dos Orixás”) . Na Umbanda se utiliza um sem número de oráculos “importados” de outras culturas, como o baralho cigano, o tarot, o transe mediúnico e as “consultas” dadas pelas entidades.

 

  • INTOLERÂNCIA RELIGIOSA, O QUE É ? : É uma atitude de hostilização, incompreensão e falta de respeito para com as práticas religiosas que não as próprias…, em grande parte por falta de conhecimento sobre as outras prática, em outra por uma introjeção mental a partir dos valores civilizatórios majoritários em dada sociedade que rechaça e inferioriza as manifestações de grupos minoritários (não necessariamente em quantidade, mas em poder econômico e social) . A constituição brasileira, garante a liberdade de culto e crença. além da liberdade de expressão (o que não significa que tal “liberdade” possa ser utilizada para atacar a liberdade  e a crença de outros), mais recentemente a discriminação religiosa se tornou crime através da lei caó que diz:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.  [..]  

 Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.  Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Do mesmo modo o ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL (LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010.), faz defesa expressa do direito a não discriminação das religiões de matrizes africanas :

“Art. 23.  É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Art. 24.  O direito à liberdade de consciência e de crença e ao livre exercício dos cultos religiosos de matriz africana compreende:

I – a prática de cultos, a celebração de reuniões relacionadas à religiosidade e a fundação e manutenção, por iniciativa privada, de lugares reservados para tais fins;[..]

Art. 26.  O poder público adotará as medidas necessárias para o combate à intolerância com as religiões de matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores, especialmente com o objetivo de:

I – coibir a utilização dos meios de comunicação social para a difusão de proposições, imagens ou abordagens que exponham pessoa ou grupo ao ódio ou ao desprezo por motivos fundados na religiosidade de matrizes africanas;

Bom, esse é o “básico do básico”,  e não pretende ser unânime, eventualmente alguém pode discordar de algo exposto. Dependendo do interesse e da disposição, teremos em breve uma parte II , comentários e dúvidas, exclusivamente nos comments do blog não do facebook.