Blog do Juarez

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E de novo é 11 de setembro

Todo ano quando chega a data é impossível não lembrar daquela manhã de 2001, acordei com um telefonema “liga a televisão, agora !”, o fiz sonolento ainda a tempo de assistir o choque do segundo avião, que como acho que todo mundo achei inicialmente que era replay.

A frase “o mundo nuca mais será o mesmo” não era de puro efeito, naquele dia o mundo percebeu que absolutamente nenhum país (inclusive o antes imaginado invulnerável EUA) estava fora do alcance do terrorismo (em especial o do extremismo islâmico).

Constatamos hoje, 14 anos depois, vendo o surgimento de novas e poderosas organizações terroristas como o EI (ISIS) e atentados  também no Oriente Médio, África, Europa, Ásia Meridional (incluindo Índia e Paquistão) no Sudeste Asiático e até frustração de atentado na Austrália, que realmente tudo pode acontecer e em qualquer lugar.


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O doidão da Noruega, Gilberto Freyre e os neo-democratas-raciais

Afinal, qual  seria a conexão entre figuras tão distintas ???? ; explico :

O extremista “templário” nórdico Anders Behring Breivik, responsável pelos atentados terroristas que chocaram o mundo no último dia 22/07 com a morte de quase uma centena de  pessoas na Noruega, escreveu antes dos ataques um vasto manifesto de mais de 1500 páginas, no qual cita por doze vezes as palavras  Brasil ou brasileiros.

Nesse ponto a ideia central de Breivik é a de que a multiculturalidade advinda da convivência multirracial e da miscigenação (a exemplo do caso brasileiro) é um importante  fator de atraso ao desenvolvimento e que tanto uma quanto outra deveriam ser evitadas e banidas de uma futura Europa “saneada” (entenda-se sem etnias não “arianas”), cristianizada e sob controle “fascista” (aliás nada de inédito nessa visão de Breivik, pois no sec. XIX o Conde francês Joseph Arthur de Gobineau, que foi um tipo de embaixador da França no Brasil e era amigo de D. Pedro II, dizia as mesmas coisas, tendo publicado um livro que seria a “pedra fundamental”  das premissas racistas dos eugenistas e dos nazistas) .

Entre outras ideias totalitárias, o terrorista cita a necessidade de  “seleção” e  redução da população mundial, bem como, de um repovoamento europeu a partir de matrizes genéticas  “puras”  do norte da Escandinávia (esse “filme” não é novo…), mas de maneira estranhamente controversa repudia Hitler e nem se afirma racista…  .

O interessante é que apesar de parecer  antagônico ao discurso dos neo-democratas-raciais brasileiros (os conhecidos anti-cotas e anti-movimentos-negros-e-indígenas); que se travestem de “anti-racistas” e cinicamente afirmam que o racismo e a desigualdade seriam causados pela admissão de que há diversidade  racial (do ponto de vista de construção social),  propondo a “desracialização” do debate da problemática social e das Ações Afirmativas brasileiras, apoiando inclusive a  “apologética” da miscigenação  (que eles preferem chamar de mestiçagem), como sendo o principal fator de agregação nacional e solução dos problemas raciais brasileiros;  a coisa não é bem assim, pois no fundo ambos os discurso tem exatamente a mesma finalidade e intenção “homogeneizante”  e anti-multiculturalista/multirracial.

E o Gilberto Freyre ?  onde é que entra nessa história ? ; acontece que é justamente ele o “ícone teórico”  dos neo-democratas-raciais (incluindo os ferrenhos defensores brazucas da “mestiçagem ideológica” ) que se valem de parte da sua  obra para também atacarem o multiculturalismo e a convivência multirracial com equilíbrio social ;   exemplo :

” A mestiçagem unifica os homens separados pelos mitos raciais.
 A mestiçagem reúne sociedades divididas pelas místicas raciais e grupos inimigos.
A mestiçagem reorganiza nações comprometidas em sua unidade e em seus destinos democráticos pelas superstições    sociais.”  (Gilberto Freyre) 

Agora releia o texto acima  apenas substituindo a palavra mestiçagem por nordificação (o desejo manifesto de Breivik para uma nova sociedade européia e mundial), apavorante não ?

Cabe lembrar que Freyre, também foi o teórico escolhido pela ditadura ultra-conservadora portuguesa (salazarista) para tentar defender o modo português de colonizar (apelando para a miscigenação/bastardização como forma de gerar mão de obra intermediária e população estanque  a serviço dos interesses da metrópole e sua ideologia) vide :

” Quanto a miscibilidade, nenhum povo colonizador, dos modernos, excedeu ou sequer igualou nesse ponto aos portugueses. Foi misturando-se gostosamente com mulheres de cor logo ao primeiro contato e multiplicando-se em filhos mestiços que uns milhares apenas de machos atrevidos conseguiram firmar-se na posse de terras vastíssimas e competir com povos grandes e numerosos na extensão de domínio colonial e na eficácia de ação colonizadora. A miscibilidade, mais do que a mobilidade, foi o processo pelo qual os portugueses compensaram-se da deficiência em massa ou volume humano para a colonização em larga escala e sobre áreas extensíssimas.” (FREYRE, 2004, p.70)

Na prática, por caminhos distintos tanto Breivik, quanto os neo-democratas-raciais (pseudo-embasados teoricamente por Freyre), pregam o desprezo pela diversidade e entendem que a solução da questão da desigualdade está na eliminação das diferenças raciais, simplesmente  eliminando as raças… de forma física ou conceitual  (faça uma busca pela teoria da fusão racial  e também por “racialização do Brasil” ),  não pela lógica e desejável convivência pacífica e socialmente justa de várias “raças” (socialmente falando) e culturas caldeadas.

A aproximação dos ideais de uma sociedade neofascista  e “sem  raças ” de Breivik , com a ideologia e métodos de direita-conservadora dos neo-democratas-raciais impressiona…, a começar pelo ódio destilado contra o partido dos trabalhadores  norueguês e o que ele chama genericamente de “marxistas”  (principais vítimas do atentado terrorista) , reproduzido na “versão tupiniquim”  pelos  ataques diuturnos e midiáticos movidos pelos neo-democratas-raciais contra o partido dos trabalhadores daqui do Brasil…;  impressiona mais ainda quando, como da forma costumeira e cínica se negam a admitir as similaridades ideológicas e inclusive a criticar os posicionamentos também ultra-reacionários do “doidão” norueguês.

Já disse no passado e repito :  Quem ainda não  percebeu que as verdadeiras “cruzadas” contra um Brasil diverso e justo (inclusive com Ações Afirmativas sócio-raciais), com direito à multiculturalidade e multirracialidade (incluindo a miscigenação natural e não ideológica nesse tipo de sociedade), possui uma raiz fascista (e por que não dizer patológica ? ); que abra os olhos… .