Blog do Juarez

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Eu falando de futebol ? INÉDITO !

HolandaXBrasil

Resultado do jogo de despedida do Brasil na Copa 2014, depois do acachapante 7×1 levado da Alemanha.

Pois é…, quem acompanha o blog e quem me conhece  fora do ciberespaço, sabe que futebol não é “minha praia”, não jogo, não sou torcedor de nenhum time,  não uso camisa de time (só usei camiseta da seleção quando morei um tempinho fora do país, não pelo futebol, mas como destacador da minha “brasilidade”), não assisto jogos, evito noticiário sobre e discussões futebolísticas; assisto sim algumas  partidas das copas (afinal até o Obama, de um país que não tem o futebol como grande esporte assistiu ao menos um jogo nessa…),  em geral assisto os dois jogos “valendo” de Camarões (tomei simpatia pela seleção na copa de 90, quando foi muito melhor que o Brasil) e algumas partidas  decisivas do Brasil.

Não vou aqui comentar lances, nem escalações, nem tática…, isso não me apetece nem me compete, vou apenas falar da gestão do futebol, esporte que mexe tanto com o brasileiro.

Desde que vim ao mundo, transcorreram 13 copas (12 eu acompanhei, a de 70 para a frente), a configuração do quadro mundial das seleções mudou bastante, novas potências surgiram, velhas potências se esmaeceram e outras literalmente desapareceram, como a extinta Iugoslávia (que se transformou em um monte de países, entre eles a Croácia), os árabes, asiáticos e os africanos entraram no jogo… e até o “impermeável” EUA;  durante um bom tempo existia “time bobo”, daqueles em que não havia estrelas jogando fora dos seus países com contratos milionários, mais do que um grande negócio, futebol era então “apenas” um esporte, entusiasticamente jogado tanto  por craques memoráveis  quanto apagados “pernas-de-pau” (logicamente os melhores de cada pátria), nesse período, os clubes se internacionalizaram com atletas de outros países, os técnicos começaram a correr mundo também, gerando memes imperdíveis como o famoso inglês do Joel Santana, três dos cinco títulos brasileiros foram conquistados nesse período,  no qual o Brasil solidificou a imagem de “mostro sagrado” do futebol, e além do velho e conhecido “Rei” Pelé (ignoremos as reivindicações  argentinas 🙂 ), passou a ser referenciado também por outros “Reis”, “Imperadores”, “Fenômenos” e o que o valha .

Basicamente o que eu quero dizer, é que o futebol mudou, os “bobos” não existem mais, ninguém mais treme só de ver a “amarelinha” (nem pensa duas vezes antes de “descer o cacete” em um “superastro” mundial da bola) , o “futebol-negócio”  é um Show Business, e todo show exige mais do que talentos GESTÃO, não qualquer gestão, mas gestão moderna e acima de tudo EFICIENTE, e um dos caminhos para isso é a renovação e atualização, não “entendo” nada de futebol pois não acompanho interessadamente, inevitavelmente ouço algo sobre “alta cartolagem” brasileira, na FIFA ou CBF (antes era CBD), e só me vem à cabeça dois nomes,  Havelange e Teixeira (sério, não conheço outros e isso em 46 anos…), comissão técnica para mim é sempre um susto, o técnico da década de 70 está ativo em outro cargo já no século XXI, assim como me assusto com a mistura de técnicos de várias gerações no mesmo banco…, parece não haver aposentadorias nessa área, tudo é um grande “Déjà Vu”… .

Dizer que grandes seleções “caíram” antes da nossa, não é argumento razoável, para quem detém o maior número de títulos mundiais da história e até essa copa mantinha recordes de produtividade em campo, além do mais,  as grandes que caíram não o fizeram com  tão triste  intensidade e forma (e em casa com tudo a favor).

A promiscuidade entre poderosos da mídia e a CBF, a elite de cartolas e políticos associados, atravanca o futebol brasileiro, coisas como jogos as 10 da noite para não atrapalhar horário de novela, insistência em não renovar na comissão técnica, e sei lá mais o que rola…, foi fatal para a seleção de futebol, é como aquele jogo de queda de dominó, vimos a última pedra cair, mas isso começou  lá atrás … .

As vésperas da grande  final  da “Copa das Copas”  podemos dizer que foi um grande sucesso, lição de casa feita e nota com estrelinha, mas com relação ao nosso futebol, sem mudanças na gestão vai continuar a  reprovação certa … .


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Enfim !, a academia pública…

Nada mal para um cara oriundo da área de Tecnologia e disputando 29 vagas com cerca de 70 candidatos da própria área de História ou ao menos Humanas/Ciências Sociais... , FELIZ !!!

Após uma revisão na “final mesmo” cai para 19º, nada mal para um cara oriundo da área de Tecnologia e disputando 29 vagas com cerca de 70 candidatos da própria área de História ou ao menos Humanas/Ciências Sociais… , FELIZ !!!

Subtítulo : Da graduação ao curso de mestrado em 27 anos…

Bom, talvez alguém menos ciente (ou seria consciente ?) de algumas problemáticas brasileiras, não entenda o motivo para a divulgação, uma boa dose de felicidade e o gasto de tempo escrevendo um artigo sobre um “mero” acesso a um mestrado…, talvez haja quem diga – “Ah ! é só um mestrado…” e outros ainda mais distantes do valor simbólico disso ainda acrescentem –” e ainda por cima em História…” (reforçando um certo “desdém” que as classes mais abastadas e alguns setores que se consideram “sangue azul” na academia, mal conseguem disfarçar).

Não é segredo para ninguém que o acesso de negros à universidade pública brasileira desde sempre foi mínimo, na graduação uma grande barreira imposta pelas condições prévias e sócio-históricas-familiares que tradicionalmente embarreiravam e embarreiram o negro em sua mobilidade social efetiva (que passa entre outras coisas, também pelo acesso à educação média de qualidade [e superior dos antepassados] ), minam o coeficiente de competitividade em um vestibular macro ou outra forma de processo seletivo contínuo (isso deve começar a mudar com as cotas na graduação)

Na pós graduação (em especial a Stricto Sensu, concentrada fortemente na universidade pública) a coisa também é tradicionalmente e ainda mais complicada, pois vindo em geral do ensino superior privado e noturno (que não privilegia a pesquisa mas sim o mercado profissional) e sem as desejáveis “conexões pessoais e acadêmicas” firmadas ao longo de uma graduação em uma pública, chegam os negros aos processos seletivos como verdadeiros “estranhos no ninho” (principalmente se pretendem fazer câmbio de área em relação à graduação), não que isso não ocorra com não-negros…, mas tendo em vista a temida e subjetiva entrevista (definidora final de todos os processos seletivos e ai não importa muito se existe ação afirmativa no processo, pois nesse ponto ela pode ser subjetivamente anulada…), possuir  “cor não associada” ao perfil de “bom pesquisador”  e um “projeto desinteressante/militante” (leia-se relativo a questões de interesse afro) associado a um perfil acadêmico não considerado “de excelência” (leia-se vindo da própria universidade ou de outra pública) não raro e em geral  é uma combinação “fatal”  e determinante para a “ejeção” do candidato.

No meu caso particular, além do “perfil tradicional” que acompanha a esmagadora maioria dos candidatos negros ao Stricto, há alguns detalhes que ao mesmo tempo que tornam “intrigante” tal acesso somente a esta altura da vida, ajudam a entender o elevado grau de dificuldade para vencer essa verdadeira barreira (e dai o valor aparentemente exagerado dado à conquista).

Idade atual : 50 anos ( média de idade de acesso ao mestrado, brancos 25, negros 35)

Ano da Graduação : 1987  aos 23 anos (Graduação em Tecnologia de Processamento de dados, em uma Universidade Municipal (mensalidade social), com estágio no Centro Técnico Aeroespacial, principal unidade de excelência na pesquisa da área  e de outras áreas tecnológicas relativas) .

Inicio da atividade docente : 1986 (em treinamento profissionalizantes) e em 1993 inicio das atividades como professor em cursos superiores (tendo passado por quase todas as Instituições de Ensino Superior Privado de Manaus + o Instituto Federal de Educação Tecnológica do Amazonas), tendo orientado diversos trabalhos de conclusão de curso e participado de bancas ( ou seja 20 anos sendo “mestre” em cursos superiores, mas não…)

Aceito para mestrado internacional:  em uma universidade norte-americana : 1999, inviabilizado por falta de bolsa,condições, etc…

Experiência docente no exterior:  CONVITE fui lecionar em uma universidade privada africana (Moçambique) em 2004… 

Conclusão da Pós Lato Sensu : 2006 ( mais de 19 anos após a graduação…)

Concursado no Serviço Público :  em 2007 aos 44 anos, iniciei atividades em cobiçado e concorrido cargo público de nível superior (média de idade dos colegas: 27 [ inclusive ex-alunos] )

Reprovado em  acesso à programas de Pós da UFAM:  entre 2002 e 2008 em quatro (tanto na minha área original quanto em outras), nesse ponto “intui” que minha única chance de chegar a um mestrado, seria fora do Brasil ou quando fossem lançadas as pós brasileiras a distância.

Meu Perfil :  Sou ativista social desde 1988 (25 anos de militância), e sou bem mais conhecido em função dela do que pela atuação em minha área de origem (incluindo a docência em T.I.), nesse quarto de século o estudo independente de temáticas das Ciências Sociais, tem me colocado em diversas discussões no âmbito local e nacional, não apenas na questão afrobrasileira, mas também em outras relacionadas aos Direitos Humanos como, questão indígena, gênero, políticas públicas e questões sociais em geral, tendo sido Conselheiro Estadual de Direitos Humanos, a maioria dos cursos livres e de extensão universitária que tenho feito nos últimos 15 anos, vão de áreas tão distintas como Psicopedagogia e Gestão de TI, passando por Direitos Humanos, Administração, Direito Constitucional, História e Cultura afrobrasileira e africana, Educação a Distância,  até Introdução à Antropologia Social; ou seja,  há muito tempo deixei de ser  apenas um “cara de tecnologia”, meus horizontes já deixaram de ser apenas o que acontece ou se escreve no país, leio sem problemas textos em inglês, espanhol…

Sem falsa modéstia, muito menos qualquer “soberba”, graças a minha atuação militante e estudo independente,  ao longo dos anos tenho obtido reconhecimento público, e por tal tenho sido convidado a participar de incontáveis programas de TV, rádio, entrevistas em todo tipo de mídia, palestras e mesas redondas em faculdades e na própria universidade…, tido na visão geral como “expert” em temáticas sociais ( a ponto de muita gente estranhar quando ficavam sabendo da minha formação na área tecnológica),  sem exagero e apesar de nunca ter estudado ou lecionado em uma universidade pública nem de fora nem em Manaus ( lecionei no Instituto Federal mas isso são “outros quinhentos”) conheço e sou conhecido por professores de praticamente todos os PPGs (programas de pós graduação) em Ciências Humanas/Sociais  locais, além de alguns doutores de grande reconhecimento em nível nacional e até internacional; nem lembro o número de vezes que compus mesas-redondas ou co-palestrei em eventos em que eu era o único “estranho no ninho” (nem das Ciências Sociais, nem mestre, nem doutor…, e confesso que isso sempre me causou um certo constrangimento), todavia sempre estava lá, convidado…,  nem por isso me foi oferecido ou busquei “atalhos” para ser inserido em qualquer PPG  que seja… (apesar de ter tentado me inserir várias vezes) .

Sempre li e escrevi bastante ( no entanto, sem perseguir a tal “publicação científica”), uma “googlada”  com meu nome (ou nome de citação) vai retornar dezenas de milhares de referências  (ou ainda o que eu uso normalmente para assinar postagens mais informais na web, “Juarez Silva (Manaus)”, só esse retorna  mais de 22.400 referências… ), fico feliz quando (sem ser mestre ou doutor) encontro textos meus citados em N dissertações de Mestrado em áreas tão distintas quanto Linguística, Ciências Sociais, Educação; em artigos de Doutores em Psicologia…, ou quando vejo artigos reproduzidos em sites e blogs que nem imaginava, as vezes traduzidos para outras línguas… . Mantenho este blog, um site temático e duas comunidades/grupos em redes sociais, além de me relacionar virtualmente e ser “seguido” por gente que reputo muito importante na cena intelectual brasileira, gente que tem muito o que dizer e diz muito bem… .

Concluindo

Talvez para alguém que aos 25 anos de idade já tenha obtido um doutorado… (quiças até pessoas que tenham nascido no ano da minha graduação…), entrado em um “mestrado dos sonhos” em universidade pública, direto da graduação, sem qualquer experiência docente, sem uma longa história de luta e antes de receber razoável reconhecimento social pela sua dedicação e trabalho,  essa conquista (que ainda está bem longe do fim de uma trilha tão relativamente fácil e rápida para uns), não seja “lá essas coisas”…, mas para mim que sei (e agora você também caro leitor ou leitora) o que e quanto tempo tive que “andar” para chegar até aqui, tem um valor pessoal, político e simbólico muito grande, se não é “para festa” é pelo menos para grande satisfação e motivação,  pesquisa histórica (acadêmica), aqui vamos nós! .


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Kaká e o "álibi evangélico"

A recente polêmica envolvendo o comentarista Juca Kfouri e o jogador KaKá , merece um post…

Entre os líderes das grandes igrejas neopentecostais a prática do "álibi evangélico" já existe faz tempo…, todas as vezes que surge uma crítica contundente, uma denúncia, uma prisão… lá vem o "álibi evangélico" , a coisa vira "perseguição religiosa",  logo alguém lembra  um versículo bíblico como : “E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome” (Lucas 21.16-17), obviamente em uma leitura completamente fora de contexto… , se estivéssemos falando da opção pela fé cristã em um país onde  a Sharia (conjunto de leis que regem a vida do muçulmano) é inclusive a lei do estado, a coisa era outra…, em um um país onde não se consegue andar 2 ou 3 quarteirões sem topar com algum templo evangélico e não se consegue zapear a TV aberta por 3 canais seguidos sem topar com um "telepastor" essa "vitimização" chega a ser ridícula…  .

Ainda não vi, mas não tarda a aparecer alguém para levantar a tese que a população carcerária é majoritariamente "evangélica" e que é por pura  "perseguição religiosa"  que eles estão lá (ou não saem de lá…) .

Tempos atrás estava em uma das varas criminais do fórum onde trabalho e chega um cidadão que se apresentava para uma audiência em que teria o processo suspenso (grossus modus  é um "acordo judicial" em que o acusado se compromete a "não aprontar" e  a se apresentar de tempos em tempos, com isso evita a prisão), o tipo com "pinta de meliante" o corpo todo tatuado (e não eram tatuagens "artísticas", eram daquelas monocromáticas e "temáticas" que dão medo só de olhar…), trazia para a audiência um bíblia nas mãos  e  vestia uma camiseta do "exército do senhor" … , as condições jurídicas lhe amparavam, mas "só para garantir" não dispensou o "álibi evangélico"… .

O interessante é ver que muitos dos que se dizem perseguidos pela "intolerância religiosa"  tem histórico de intolerância para com outras religiões, vide o caso do ex-bispo Crivella da IURD ex-candidato a prefeito do Rio de Janeiro que antes de reclamar de  "intolerância e preseguição" não teve o menor pudor em fazer um vídeo desancado de uma só vez várias religiões vide : http://www.youtube.com/watch?v=RDXqJ3Jhbwo ; no futebol tivemos pouco tempo atrás o emblemático caso dos "meninos do Santos" (Robinho, Neymar, Ganso e Brum) que se recusaram a descer do ônibus em uma visita a um lar espírita para crianças com paralisia, só depois da verdadeira intolerância desmascarada e do "filme queimado" é que em outra oportunidade fizeram a visita para tentar reverter a péssima imagem deixada… ; não vou nem falar na diuturna "malhação" feita  por  pastores através de todos os meios (incluindo concessões públicas de difusão) que se faz em cima principalmente das religiões de matriz africana, em um acintoso desrespeito a Constituição e leis anti-discriminação.

Até o casal de bispos lideres da Igreja Renascer (da qual Kaká detém o título de pastor) presos após pegos em delito criminoso em entrada nos EUA (por sinal um "país protestante") já sacaram do tal álibi… .

Não sou a favor de qualquer tipo de "perseguição" e  intolerância , mas aguentar o proselitismo, o "farisaísmo", hipocrisia e o "inversionismo"  que anda grassando por ai é de lascar…