Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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Pedofilia, abuso de vulnerável e diferença de idade nos relacionamentos…

Capa do disco com a famosa música de autoria de Stanislaw Ponte Preta em 1966

Vou dar uma saída da minha temática principal recorrente, muito embora ainda esteja dentro de outro assunto sobre o qual costumo escrever, neoativismo.

Acredito que todo mundo tem direito a defender pontos de vista, escolher pautas para ativismo, etc…, mas também acho muitíssimo importante, que isso seja feito com coerência, com embasamento e serenidade.

Não é exatamente um problema falar a partir das próprias vivências ou vivências coletivas de recorte, mas é preciso considerar que o emocional não deve “turvar” nem limitar as análises de contexto e situacionais, as coisas tem muito mais elementos e perspectivas que meramente os que enxergamos e extraimos das nossas experiências e campo de visão.

É muito importante que não “embolemos o meio de campo”, confundindo, “entortando” e misturando conceitos e termos distintos. Digo isso pois é uma coisa recorrente em muitas manifestações que percebo ai pela web.

Uma das mais recentes é a atribuição/vinculação de relacionamentos amorosos/afetivos entre homens mais velhos e pessoas mais jovens, com pedofilia e abuso. A premissa é de que tais homens se aproximam e se relacionam com pessoas mais jovens, inclusive menores de idade (ou que aparentam ser) pois seriam “pedófilos” e “abusadores”, nesse último caso pelo poder de manipulação e natural ascendência sobre os mais jovens.

Particularmente discordo, ao menos parcialmente, dessa visão simplista e “entortada”, primeiro pela retirada de termos do seu real sentido, depois pelas inferências diretas sem considerar outros elementos e variáveis comuns em tais relacionamentos.

Pedofilia é um TRANSTORNO MENTAL, uma atração morbida por crianças como indica o radical “Ped” que vem do grego antigo “Paidós”(criança), mas isso não quer dizer que essa atração seja necessariamente sexual, nem importe sempre em abuso sexual. Aliás pedofilia não é sequer crime, é uma morbidade, crime é o abuso sexual, principalmente sobre vulneráveis, caso das crianças até 14 anos de idade, lembrando que a maioria desses abusos são realizados por pais, parentes e amigos mais velhos que não são pedófilos diagnosticados… .

Não descartando o fato que assim como nos estupros (de gente de todas idades e sexos) o principal elemento é a sensação de poder que tem o agressor, não necessariamente a satisfação da lascívia, a busca por relacionamentos com pessoas de faixa etária diversa (e isso em mão dupla) também é uma tentativa de “experimentar poder”.

A pessoa mais velha se sente mais “poderosa” ao “ter sob seu controle” alguém que naturalmente tem muito menor vivência, as vezes conhecimento e em geral condições financeiras e sociais, o que sem dúvida estabelece uma relação assimétrica, mas não absolutamente negativa.

Para além da ideia de poder, há também um caráter “educacional” em tais relações, sugiro um estudo sucinto do caso da pederastia na antiga Grécia.

Por outro lado, a pessoa mais jovem que busca ou se deixa envolver por uma outra de faixa etária superior, igualmente está “testando poder”, a ideia de “dominar” em alguns sentidos alguém de maiores poderes é muito estimulante, é como se ela passasse a ser considerada “madura e bem sucedida por osmose”.

Em tais relacionamentos, e isso é histórico, mais que mera dominação do maior sobre o menor, há uma relação de “uso mútuo”, aonde há ganhos, mas também perdas para ambos os lados, muito embora nem sempre com equilíbrio entre vantagens e desvantagens. Aliás esse princípio se aplica também às relações na mesma faixa…, ou não ?

Enfim, o objetivo do texto é marcar que a utilização do termo pedofilia, sua vinculação direta com abuso (sexual ou de poder) e os relacionamentos fora da mesma faixa etária, não é coerente, usaria até uma expressão popularizada (apesar de hoje bem questionável), é um verdadeiro “samba do crioulo doido”. Menos “sangue nos zóio” e mais serenidade please… .


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MILTON CARLOS, uma voz diferente no samba & MPB

Para quem não conhece, MILTON CARLOS foi uma verdadeira estrela na constelação do samba de verdade (mas não só compunha e cantava samba, arrasava também em uma MPB avançadíssima para sua época), dono de uma peculiar “voz feminina” as vezes fazia parceria com a sua irmã (também excelente cantora e compositora) ISOLDA (autora entre outras  de “Outra vez”  e “Jeito estúpido de ser” que ficaram famosas na voz de ROBERTO CARLOS, que gravou também de Milton “Amigos, amigos”), Milton também é o autor e intérprete da conhecida ” MEMÓRIAS DO CAFÉ NICE”, e morreu muito jovem (aos 22 anos em 1976),  abaixo uma montagem no YOUTUBE com a sua famosa música SAMBA QUADRADO (a voz é a dele, não da irmã… 🙂 ), Ladies & Gentlemen, com vocês MILTON CARLOS !!!


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De Brasília, música da boa… (e muito)

Assim como muitos brazucas  espalhados pelo território nacional e fora dele,  eu tinha até recentemente a impressão de que toda música brasiliense tinha ficado restrita  às famosíssimas bandas de rock dos anos 80 (Paralamas do sucesso, Legião Urbana, Capital inicial…)  e que parafraseando Belchior em “Como nossos pais” , “depois deles não apareceu mais ninguém…”; ledo engano, em minha última visita a Brasília (e aproveitando os momentos de folga, obviamente) “acordei” para que a música da Capital federal não só não ficou “congelada” no tempo, como continua inovadora e trazendo boas surpresas (talvez ainda pouco conhecidas fora de lá, mas que merecem ser compartilhadas com todo o Brasil ),  a primeira é o grupo SAIA BAMBA, que leva com primor um bom samba de raiz (nada daqueles “pagodinhos chorados” que infestam a mídia ), sem falar na forma animada e com muito suingue com que levam o nosso velho e querido samba-rock (também conhecido como sambalanço) além da qualidade,  o  SAIA BAMBA é inovador pois entre outras coisas é  formado exclusivamente por mulheres (não é o  primeiro nem o único grupo feminino de samba, até onde eu sei não teve mais que 10, e  desses todos só tem uns 4 ou 5  em atividade),  é isso ai,  samba-de-batom…

foto: divulgação

Recomendo fortemente  uma visita ao MySpace das meninas (onde dá para ouvir algumas gravações) http://www.myspace.com/gruposaiabamba, e espero também quem sabe  vê-las em breve tocando aqui por Manaus (afinal a cidade é  conhecida por ser a segunda capital  do Samba… 🙂 ) .

A segunda surpresa fica por conta da banda “Brega e Rosas” ( seria uma alusão a Guns and Roses ? 🙂 )

Brega e Rosas: divulgação

Grupo que também inova ao ir no sentido contrário do que estamos acostumados a ver e ouvir (a transposição de sucessos internacionais para ritmos nacionais como o forró incluindo algumas outras versões de gosto duvidoso…), o grupo de forma bem harmônica leva para uma pegada rock, sucessos nacionais do brega (não é o ritmo que entendemos por brega aqui no norte, mas sim  músicas extremamente populares e  de interpretes fora do que  a mídia, patricinhas e mauricinhos consideram “chic”; na galeria de bregas famosos rolam músicas que fizeram muito sucesso com  Wando, Reginaldo Rossi, Odair José, Waldick Soriano, entre outros);  outro ponto interessante é o link que fazem com rocks internacionais e consagrados utilizados como músicas incidentais dentro das versões rock dos bregas, demonstrando que  “há muito mais em comum entre o rock e o brega do que possa imaginar nossa vã filosofia” :-), alguns “cuidados” com o visual dos rapazes dão um tom ainda mais “Kitsch” às apresentações que agradam tanto a ” bregas” quanto a “chics” ;  a banda tem um perfil comum no FACEBOOK (seria melhor uma FAN PAGE…) com links para seus videos no Youtube :

http://pt-br.facebook.com/pages/BregaRosas/180097302047529?sk=info

Ah! em tempo, ambas as bandas se apresentam no excelente bar Calaf  (no SBS) .