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Matéria na Forbes joga mais uma pá de cal sobre coxinhas e vira-latas.

vira-latas-e-coxinhas

Em mais um passeio pela web encontrei excelente postagem no blog  ocafezinho.com , como já fazia uma reprodução de texto alheio, reproduzo abaixo  somente  a tradução disponibilizada do texto publicado na internacionalmente conceituada Revista Forbes (especialista em fortunas e análises econômicas/conjunturais).

Com mais essa rui um pouco  mais o discurso catastrofista, raivoso, parcialmente equivocado e por vezes desonesto  intelectualmente ou mesmo intencionalmente falso, fomentado pelas “forças ocultas” (mas bem conhecidas) que tinham os maiores interesses em tentar “lucrar” política (e por que não  dizer também economicamente ?) a partir da ótica oportunista e  antiética do “quanto pior melhor”, e nisso seguidas na execução das “campanhas”  por um bom número de inocentes úteis que embarcaram na “onda  errada”.

A economia da Copa do Mundo: por que os manifestantes do Brasil entenderam errado

Por Nathaniel Parish Flannery, na Forbes.

No Brasil, a Copa do Mundo deflagrou protestos de ativistas interessados em chamar atenção para os persistentes problemas de pobreza e desigualdade no país. Em 2013, os manifestantes empunhavam cartazes em Inglês com mensagens como “Nós não precisamos da Copa do Mundo” e “Nós precisamos de dinheiro para hospitais e Educação”. Contudo, como os cientistas políticos explicaram em seu excelente artigo para o Washington Post, “os protestos são paradoxais, porque o Brasil tem vivenciado um crescimento econômico e social muito significastes desde que o país foi escolhido para realizar o evento em 2003”.

Mais amplamente, a Copa do Mundo de 2014 acentua a emergência econômica da América Latina ao longo da última década. O mar de camisas amarelas que pode ser visto em jogos da Colômbia e seções inteiras de mexicanos usando vestes verdes e torcendo para a sua seleção é um testemunho do recente sucesso econômico da classe média latino-americana. De acordo com o historiador David Goldblatt, “A televisão pode enganar, e o uso de uma camisa da seleção da Colômbia não é garantia de cidadania, mas o estádio do Mineirão em Belo Horizonte estava inundado de amarelo – talhe 20.000 numa multidão de 57.000. A mídia chilena tem reportado que mais de 10.000 estão viajando para o Brasil, e ao que parece eles todos estavam presentes em Cuiabá quando a Seleção deles despachou a Austrália.”

Em 2011, pela primeira vez na história, o número de pessoas nas classes médias da América Latina ultrapassou o número de pessoas pobres na região. O Brasil, em particular, destaca-se pelo sucesso no investimento em programas sociais e de redução da pobreza.

Dado o número de camisas amarelas que aparecem na multidão nos jogos, a Copa do Mundo no Brasil tem também sido massivamente frequentada pela classe média emergente do país. Ainda por cima, a história de que o gasto com futebol é um desperdício num país em que a população vive na pobreza tem ficado de lado na mídia social.

Fotos deste mural mostrando uma criança faminta chorando ao ver uma bola de futebol em seu prato tornaram-se virais e foram compartilhadas aos milhares no Twitter e Facebook. Outros usuário do Twitter compartilharam fotos como esta lembrando aos fãs da pobreza com a qual eles se deparam a algumas quadras dos estádios.

Ainda assim, estas ilustrações falham em mencionar que o Brasil destinou menos que 2 bilhões de dólares para a construção dos estádios. Em contraste, entre 2010, ano do início da construção dos estádios, e o início de 2014 o governo federal do Brasil investiu 360 bilhões de dólares em programas de Saúde e Educação. Para colocar isso em perspectiva, o governo do Brasil investiu 200 milhões de dólares para cada dólar gasto com os estádios da Copa do Mundo. Embora os sistema de Saúde, Educação e Transporte precisem investimentos contínuos, os gastos com a Copa do Mundo não têm de maneira alguma eclipsado o investimento progressivo em programas sociais.

A economia do Brasil é definida por uma desigualdade intrinsecamente profunda. É um país conhecido pelas favelas e milionários. De acordo com uma análise da Forbes, o Brasil é o lar de dezenas de bilionários, incluindo Roberto Irineu Marinho, João Roberto e José Roberto Marinho, que juntos controlam o maior império midiático da América Latina, Globo, e tem, juntos, o valor montante de 28 bilhões de dólares. A empresa reportou em 2013 um lucro de 1.2 bilhão de dólares. De acordo com a pesquisa da Forbes: “Enquanto a riqueza crescente do país está criando mais milionários e bilionários do que nunca antes, famílias ricas estão garantindo a fatia maior desse bolo. Dos 65 bilionários listados pela Forbes na sua Lista dos Bilionários do Mundo, 25 deles são relacionados à riqueza familiar.

Oito famílias têm múltiplos membros entre o nosso último ranking” Jorge Lemann, o dono parcial da ANheuser-Busch InBev, tem um total de 22 bilhões de dólares. Ele é o trigésimo mais rico do mundo. As 15 famílias brasileiras mais ricas tem combinadas um total de 122 bilhões de dólares, uma soma que é apenas por pouco menor que os PIBs de Equador e Costa Rica juntos.

Mas, enquanto é fácil apontar os gastos dispendiosos com os estádios da Copa do Mundo ou a longa lista de bilionários do Brasil e contrasta-los com os milhões de residentes do país que vivem em extrema pobreza, tais comparações falham ao não reconhecer o tremendo sucesso que os criadores de políticas públicas brasileiros têm tido na erradicação da pobreza ao longo da última década. De acordo com um relatório recente do Centro para a América Latina e Caribe da ONU (ECLAC), em 2005 38% da população brasileira vivia abaixo da linha de pobreza. Avançando para 2012, essa taxa caiu para 18.6% da população. Em outras palavras, desde 2005, o Brasil tem efetivamente reduzido para mais que a metade o número de seus cidadãos vivendo na pobreza. Em contraste, o México, um pais cujos políticos estão mais concentrados nas exportações e e nos salários competitivos, atualmente viu a pobreza aumentar durante esse mesmo período, de acordo com informações do ECLALC. O Chile, um país há muito prezado pelo desenvolvimento de suas políticas econômicas, viu um declínio muito menor de sua pobreza no mesmo período. No Chile a pobreza caiu de 13.7% para 11% em 2011. A América Latina é a região mais desigual do mundo, e o Brasil em particular é conhecido por sua história colonial baseada em uma espoliativa agricultura de exportação o que ajudou a desenvolver o estabelecimento de uma economia altamente dividida entre residentes ultra-ricos e ultra-pobres. Em meio à controvérsia da Copa do Mundo, o tremendo sucesso do Brasil na redução da pobreza tem sido de certa forma ignorado.

Jason Marczak um expert em América Latina do Conselho Atlântico em Washington D.C., me contou que “A crítica aos excedidos custos dos estádios é na verdade um grito dos cidadãos do novo Brasil, um Brasil mais classe média, que demanda maior transparência e um modelo de estado mais responsável”. Quando a seleção do Brasil entrar em campo, o mundo devia também aproveitar o momento para reconhecer o sucesso das políticas públicas progressivas do país. “O Brasil tem atingido conquistas impressionantes no crescimento sócio-econômico na última década com dezenas de milhões de pessoas saindo da pobreza e entrando na classe média”, acrescenta Marczak.

Só por diversão, eu juntei algumas informações do Banco Mundial e das Nações Unidas, e comparei o Brasil com outros países Latino-Americanos que competem na Copa do Mundo. Eu juntei informações da Foreign Direct Investment (Per Capita), GDP per capita, níveis atuais de pobreza, redução de pobreza desde 2005, número total de bilionários, e o ranking de cada país no World Bank Doing Business. Esses medidores demonstram a força relativa dos 9 países latino-americanos competindo na Copa do Mundo, e também o quão bem sucedido  cada país tem sido na tradução do sucesso econômico em redução da pobreza. Depois de fazer o ranking dos países em cada categoria, eu então criei um score agregado.

Tradução: Arthur Caria.


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A revista People elegeu Lupita Nyong’o como a mulher mais bonita do mundo em 2014

lupita-people

Lupita Nyong’o ganhadora do Oscar 2014 de melhor atriz coadjuvante .

Notícia que bombou na semana passada…, aposto que deve ter deixado muito brasileiro “não-racista” revoltado com a “flexibilidade” do padrão de beleza admitido no “primeiro mundo”, já que apesar de não se darem conta, como herança do processo de colonização mental tem afixado na mente que “o único” padrão de beleza com “mérito” para tal tipo de destaque é o eurocêntrico (ou seja, cor branca, cabelos lisos ou ondulados e o tal do “nariz afiladinho”), quem sabe com isso reflitam mais sobre a sua própria mentalidade racista (que teimosamente não conseguem enxergar) ?

Para além disso, Lupita  que é uma negra, mexicana e criada no Quênia, quebrou de uma só vez ao ganhar o Oscar, pelo menos três “tabus”….

A polêmica que estão tentando criar com relação ao fato da publicação ter “photoshopado” a foto de Lupita e clareado sua pele, é a típica tentativa de retirada de foco da questão principal, pois a indústria da moda e publicações sobre celebridades faz isso com todo mundo (inclusive pessoas de brancura européia), é uma “tara estética” ?, com certeza… vindo de um subliminar “ideal de brancura extrema” ? muito provável…, mas por mais photoshop que se utilizasse, não retirou a negritude para lá de óbvia de Lupita, muito menos a permeabilidade e nível de oportunidade,  que permitiram a ela a dupla conquista…, coisa difícil de imaginar em um contexto brasileiro por exemplo.

Outro ponto está na comparação com caso da MISS UNIVERSO 2011, mas tem algumas diferenças na questão, a primeira é que a Lupita conseguiu uma consagração mundial prévia… pelo talento artístico e não apenas pela beleza, a segunda é que beleza da Leila Lopes (que é angolana) representa uma beleza negra sim, mas é uma beleza “mulatizada” (o termo é horrível, mas não tem outro melhor para me fazer entender) que na “escala de beleza” brasileira e ocidental é até “tolerada” apesar de ser tão raro as vezes em escala global que a “beleza mulatizada” “superou” o padrão eurocentrado, tão raro que conseguimos contar nos dedos de uma mão e ainda sobra… .

O caso da Lupita vai além… a beleza dela é típica da PRETA ( o fenótipo africano “natural” , cor muito escura, sem ‘traços finos” e sem “cabelos longos e balançantes”) que via de regra é super desqualificado e discriminado, do “tipo Lupita” no Brasil o exemplo mais próximo de beleza reconhecida foi o da Pina (aquela que embasbacou o Príncipe Charles), mas veja o caso da última Globeleza (que “desagradou” muita gente, justamente por ser uma preta e não uma “mulata” como era a Valéria Valenssa), não sei se sabem, mas vejam o destino da Nayara Justino a Globeleza preta… (veja link no fim do texto), que acabou escondida pela Globo, e entrou em depressão devido a tremenda rejeição pública que recebeu, prestem atenção nos comentários… (e vejam se não tenho razão), é dessa questão que estou falando ao comparar o sucesso de Lupita com o problema brasileiro que ninguém quer enxergar…, “Com rejeição, Globeleza vira problema na Globo, que a proíbe de dar entrevistas”

 


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O dia em que comprei a Veja…

O dia em que comprei a Veja...

O dia em que comprei a Veja…

Calma caríssim@s  e rar@s leitor@s ! , 🙂 não surtei nem resolvi dar um 360º na minha orientação política e sociológica…, quem me conhece ou me lê sabe que sou ferrenho crítico da revista Veja, cuja linha editorial e as práticas “jornalísticas” em minha opinião costumam refletir tudo que veículos éticos não deveriam fazer (além de “jogar para a torcida” formada por incautos um tanto desconectados do que realmente rola por ai ou por “reaças” que adoram as verborragias e discursos antipopulares e pró-elitizados de suas matérias e colunas, notadamente no âmbito político ou social) .

O que me levou a gastar meu suado dinheirinho comprando um exemplar de Veja, foi o fato de não haver na capa os alarmistas ou tendenciosos destaques típicos “vejísticos”, a capa (e óbvio endossamento de apoio ao tema) foi dedicada a algo que vai completamente na contra-mão do que os bastiões reacionários em geral defendem, falou bem de  EAD – EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA ( área na qual tenho título de Especialista e efetivamente trabalho), uma modalidade que democratiza o acesso à escolaridade superior e à qualificação profissional em geral… (mas ainda desdenhada e discriminada por boa parte da “nata da sociedade” geral e até mesmo da acadêmica).

É claro que boa parte dessa “boa disposição” foi em função das oportunidades disponibilizadas pelas universidades “top of world” e seus MOOCs (Massive Open Online Courses, cursos abertos online e em geral gratuitos )  e logicamente acessíveis para quem no mínimo domina idiomas estrangeiros (o que “lima” automaticamente a esmagadora maioria da “patuléia brazuca” ou seja, dos “monoglotas do povão”, mantendo assim o “foco de afago” na elite bem nascida e educada, ou em “máxima concessão” aos proporcionalmente poucos “ex-excluídos” que conseguiram “furar o bloqueio”…), mas para ser justo, não deixou de falar também do ensino online nacional e das oportunidades de graduação  (incluindo as tecnológicas) e pós.

Tá ai, ser crítico com relação a algo deve sempre guardar coerência com os princípios de cada um, mas saber reconhecer e dar o devido crédito quando o antagônico  acerta, faz parte da honestidade intelectual…, nada é de todo mal, a Veja essa semana provou essa máxima (pelo menos parcialmente… 🙂 ).


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O chato da História é que ela insiste em se repetir…

A FALSA MODELO NEGRA PUBLICADA NA REVISTA NUMERÓ (Foto: Reprodução)

A FALSA MODELO NEGRA PUBLICADA NA REVISTA NUMERÓ (Foto: Reprodução)

A frase do título encerra uma verdade praticamente absoluta, vira e mexe, passado muito tempo (as vezes séculos ou milênios) alguém tem a “brilhante” idéia de ressucitar alguma prática ou ação nociva que deveria ter ficado para sempre no passado .

Uma matéria da revista Marie Claire expõe mais um desses “revivals”, em que uma modelo branca é pintada de escuro, para representar um conceito de belo que remete à África, a revista francesa citada na matéria (não é a própria Marie Claire) responsável pelas fotos, após uma onda de protestos pediu “desculpas” públicas pelo fato,  e obviamente o fato está gerando boa polêmica, com gente se manifestando contra o fato gerador da situação e minimizando o pedido de desculpas e outras achando que o fato gerador “não tem nada de mais”, que a revista “não tem do que se desculpar” e que os reclamantes estão vendo “pêlo em ovo” .

Ocorre que para entender a polêmica é preciso visualizar algumas coisas:

1- Houve um tempo em que personagens negras eram interpretadas por pessoas brancas e pintadas de preto, pois era inconcebível que um negro de verdade fizesse sucesso como protagonista com seu talento e recebesse por ele…, exemplos clássicos foram o comediante americano Al Jolson e seu legendário filme “The Jazz Singer”  e o ator brasileiro Sergio Cardoso que interpretou o personagem principal da novela “a cabana do Pai Thomás” (papel que deveria ter naturalmente sido dado ao ator negro Milton Gonçalves, mas não o foi por imposição da agência de publicidade Colgate-Palmolive, uma das subsidiárias norte-americanas que patrocinavam a produção de tramas nacionais nos anos 60)

Personagens negros de Al Jolson e Sergio Cardoso respectivamente

Personagens negros de Al Jolson e Sergio Cardoso respectivamente

2- O padrão estético dominante no mundo da moda e na sociedade é eurocêntrico…, o idealizador pode ter desejado passar uma ideia de beleza africana, sem contudo abrir mão de valores estéticos europeus como um nariz afilado, um lábio fino, ou uma magreza idealizada (que não condiz com o valor estético africano em geral, que favorece mulheres “robustas”); o eurocentrismo, que enfatiza como positivo quase que exclusivamente os valores culturais e estéticos europeus (ou seja brancos) é a base do racismo.

Alguns “inocentes” acostumados a não ver racismo em nada e achar “paranóia” de quem reclama de algo relacionado, enxergam a coisa como uma “homenagem” à beleza negra, ou mesmo um manifesto “artístico” mostrando que somos na realidade diferenciados apenas por um tom de pele, enquanto outros, já escolados  com as artimanhas do racismo (que não termina, mas assume formas cada vez mais sutís e veladas) enxergam a coisa simplesmente como uma “puxada de tapete” racista, já que poderia estar se beneficiando do trabalho que “vende” uma imagem de beleza negra, uma modelo negra de verdade ao invés de uma modelo branca pintada… .

Enfim, na realidade, nada de novo no front…

Link para a matéria da revista:

http://revistamarieclaire.globo.com/Moda/noticia/2013/02/revista-francesa-se-desculpa-por-colocar-falsa-modelo-negra.html


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“jornalismo” com j minúsculo

"jornalismo de esgoto", imagem "pinçada" do excelente blog do Celso Jardim

Na blogosfera encontramos de tudo, conteúdo bom, conteúdo ruim, ideologias das mais diversas e práticas idem, amadores com mídia própria e profissionais da comunicação livres da “mordaça editorial”  a que estão sujeitos nos grandes meios de comunicação  e outros que apenas “assinam”  blogs atrelados,  em que continuam a fazer o jogo dos patrões midiáticos.

Porém, o que mais causa ojeriza, é quando profissionais que se intitulam Jornalistas (e por formação ou realidade profissional até o são), não aplicam ou respeitam as regras mais elementares de publicação noticiosa ou mesmo de opinião…, afinal, o blog (queira ou não) é um canal de comunicação, que em tese está sujeito a regras  básicas de publicação (como por exemplo  o direito de resposta) e tanto faz que seja um blog “pessoal”  ou “de opinião”,  sendo inclusive  passível de responsabilização legal .

Todo esse preâmbulo foi para poder comentar um caso de “jornalismo com j minúsculo” ocorrido recentemente e ao qual testemunhei e interagi  enquanto reclamante ;  o  jornalista  Paulo Roberto Lopes,  “ateu militante” (e até ai nada de mais) possui um blog “pessoal” e  que tem aparentemente a principal função de perseguir e divulgar notícias que de alguma forma sejam negativas à religiões e religiosos (e nisso é “democratico”, pois todas e todos são atacados indistintamente);  resolveu variar um pouco e mudou “o alvo” para a causa negra e seus ativistas,  publicando matéria em que uma modelo negra, se diz vítima de preconceito e  ameaças por parte de pessoas e ativistas negros de todo o Brasil, após ter obtido destaque em matéria em publicações negras de alcance e grande repercussão  nacional (Revista Raça Brasil e  Portal Geledés) alegando que o motivo é o fato de ser casada com um homem branco e por ser contra cotas raciais… e que tais ativistas seriam contra a miscigenação e casamentos interraciais  (o que é um argumento claramente falacioso para quem conhece minimamente as premissas dos movimentos de negritude, dos ativistas  e a sua configuração majoritária).

Acontece que,  toda a reação contra a modelo (e sem qualquer conotação “racista” vinda justamente de quem combate o racismo), se deu na realidade após o acesso massivo de pessoas negras e ativistas ao seu site divulgado na matéria, e a constatação pelas mesmas que a modelo expunha ideias equivocadas sobre a temática negra, racismo e ações afirmativas,  se colocando completamente na contra-mão das premissas dos movimentos de negritude e pessoas engajadas independentemente na causa negra; contribuiu para isso, manifestações e o comportamento  arrogante e antipático  da mesma em grupos de discussão temática no facebook, como ao se intitular nas palavras dela ” a UNICA e Guerreira MULHER NEGRA que vai vencer todos os males e preconceitos sociais que existem no Brasil e fora dele !! ”  .

Além dos protestos diretos contra os posicionamentos da modelo, ocorreram também protestos contras as publicações que lhe deram amplo espaço midiático sem verificar antes o seu conteúdo  ideológico e as conseqüências negativas para a causa negra, de tal divulgação.

O jornalista, alheio ao meio e à temática (bem como ao contexto), se “solidarizou” com a versão exposta exclusivamente pela jovem,  publicou trechos de protestos com pessoas identificadas… e não satisfeito, do alto de seu total desconhecimento na temática, ainda publicou : “As manifestações de racismo contra Livia estão sendo feitas a propósito de uma reportagem sobre ela no site da revista Raça Brasil. ” (prática “inversionista” comum as pessoas contrárias  às ações afirmativas de recorte racial ) ; não bastante, acrescentou inadequado “lembrete” sobre a lei caó (que trata do crime de racismo) e bloqueou comentários na matéria, impedindo assim o contraditório.

Instado por email, continuou inarredável em oferecer a oportunidade do contraditório, ora solicitando detalhamentos e exposições completamente desnecessárias para tal,  ora reclamando falta de “concisão” e objetividade (uma forma de tentar “justificar” e manter seu posicionamento obviamente travado com a questão); penso que seria excelente a manifestação da COJIRA (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), de veículos da imprensa negra e de todos que desaprovam esse tipo de comportamento vindo de um jornalista; bem, está dado o recado.

link para a matéria citada: http://www.paulopes.com.br/2011/09/negra-casada-com-branca-diz-ser-vitima.html


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"Leu na Veja ?, azar o seu…" II : Daime a "bola da vez"

Imagem retirada de um dos milhares de sites e blogs anti-Veja (não me pergunte qual)

 

Seguindo a costumeira falta de compromisso com uma coisa chamada jornalismo sério, a revista semanal  favorita de quem gosta de ler ficção reacionária com jeitão de  "informação relevante";  dessa vez resolveu a partir do assasinato do famoso cartunista Glauco e seu filho, "declarar guerra" ao Santo Daime (doutrina religiosa de origem amazônica).

O Daime (como é mais conhecida), surgiu na década de 30 do século  passado no  Acre em meio a  floresta amazônica, seu fundador era um negro  chamado Raimundo Irineu Serra (Mestre Irineu).  Que de acordo  com a tradição daimista teve  uma revelação sobre  uma nova doutrina de cunho cristão, a partir de uma experiência com a Ayahuasca (beberagem xamânica que causa "visões", também chamada vinho das almas ou Santo Daime). Diz-se também que  Mestre Irineu recebeu a Doutrina em uma das suas "visões"  via Santo Daime, em que  ocorreu uma aparição de Nossa Senhora da Conceição; a base da doutrina possui influências cristãs  através do  que  eles dizem  ser uma "nova leitura dos Evangelhos à luz do Santo Daime", reforçando princípios de Amor, Caridade e Fraternidade (ai já em um "flerte" com a doutrina espírita).

De acordo com a Constituição, "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;"  ; complementando, o uso de substâncias utilizadas em rituais  (caso do Santo Daime)  é permitido através de  resolução federal …

Mas a revista (mais uma vez na contra-mão do bom senso), alardeia irresponsável  e "catastróficamente",  confunde, questiona sem comprovação,  generaliza a exceção, deturpa e o pior de tudo… continua vendendo… .

Não é o caso de fazer "apologia do Daime", defesa do uso de "alucinógenos" de qualquer sorte, ou ser "progressista" … (muito menos de  "ignorar" o "perigo"  do flerte com situações que podem fugir do controle ou  comportamentos  e "novidades" nada ortodoxos…), o  nosso questionamento mais que com  os objetos das  tradicionais "polêmicas-vende-revista"  semanais, é com a forma com que invariavelmente a revista e seus "jornalistas-satélites"  tratam as questões.

Não dá para aceitar calado os descabidos e  covardes ataques a tudo e todos…, a serviço de uma ideologia reacionária e de interesses nada populares…,  por isso lembro o poema:

“Primeiro vieram buscar os judeus e eu não me incomodei porque não era judeu.
Depois levaram os comunistas e eu também não me importei, pois não era comunista.
Levaram os liberais e também encolhi os ombros. Nunca fui liberal.
Em seguida os católicos, mas eu era protestante.
Quando me vieram buscar já não havia ninguém para me defender…”.

(Martin Niemöller (1892-1984), sobre sua vida na Alemanha Nazista.)

Pensem nisso…


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"Leu na Veja ?, azar o seu…" II : Daime a "bola da vez"

Imagem retirada de um dos milhares de sites e blogs anti-Veja (não me pergunte qual)

 

Seguindo a costumeira falta de compromisso com uma coisa chamada jornalismo sério, a revista semanal  favorita de quem gosta de ler ficção reacionária com jeitão de  "informação relevante";  dessa vez resolveu a partir do assasinato do famoso cartunista Glauco e seu filho, "declarar guerra" ao Santo Daime (doutrina religiosa de origem amazônica).

O Daime (como é mais conhecida), surgiu na década de 30 do século  passado no  Acre em meio a  floresta amazônica, seu fundador era um negro  chamado Raimundo Irineu Serra (Mestre Irineu).  Que de acordo  com a tradição daimista teve  uma revelação sobre  uma nova doutrina de cunho cristão, a partir de uma experiência com a Ayahuasca (beberagem xamânica que causa "visões", também chamada vinho das almas ou Santo Daime). Diz-se também que  Mestre Irineu recebeu a Doutrina em uma das suas "visões"  via Santo Daime, em que  ocorreu uma aparição de Nossa Senhora da Conceição; a base da doutrina possui influências cristãs  através do  que  eles dizem  ser uma "nova leitura dos Evangelhos à luz do Santo Daime", reforçando princípios de Amor, Caridade e Fraternidade (ai já em um "flerte" com a doutrina espírita).

De acordo com a Constituição, "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;"  ; complementando, o uso de substâncias utilizadas em rituais  (caso do Santo Daime)  é permitido através de  resolução federal …

Mas a revista (mais uma vez na contra-mão do bom senso), alardeia irresponsável  e "catastróficamente",  confunde, questiona sem comprovação,  generaliza a exceção, deturpa e o pior de tudo… continua vendendo… .

Não é o caso de fazer "apologia do Daime", defesa do uso de "alucinógenos" de qualquer sorte, ou ser "progressista" … (muito menos de  "ignorar" o "perigo"  do flerte com situações que podem fugir do controle ou  comportamentos  e "novidades" nada ortodoxos…), o  nosso questionamento mais que com  os objetos das  tradicionais "polêmicas-vende-revista"  semanais, é com a forma com que invariavelmente a revista e seus "jornalistas-satélites"  tratam as questões.

Não dá para aceitar calado os descabidos e  covardes ataques a tudo e todos…, a serviço de uma ideologia reacionária e de interesses nada populares…,  por isso lembro o poema:

“Primeiro vieram buscar os judeus e eu não me incomodei porque não era judeu.
Depois levaram os comunistas e eu também não me importei, pois não era comunista.
Levaram os liberais e também encolhi os ombros. Nunca fui liberal.
Em seguida os católicos, mas eu era protestante.
Quando me vieram buscar já não havia ninguém para me defender…”.

(Martin Niemöller (1892-1984), sobre sua vida na Alemanha Nazista.)

Pensem nisso…