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A “preocupação” metapreconceituosa e o recurso ao “under class” contra a EaD na pandemia

Imagem utilizada na metacampanha anti EaD na pandemia

Tenho visto muita gente boa embarcando na vibe da metacampanha antiEaD, talvez sem se dar conta do que realmente está fazendo.

Durante uma década discutindo e lutando pelas cotas universitárias, em especial as sócio-raciais, era recorrente topar com argumentações que recorriam ao “under class” como motivo de “injustiça” ou “falácia” das cotas para negros. Para quem não sabe, “under class” é um conceito/termo utilizado na discussão sociológica e étnico-racial para se referir aos “mais excluídos dos excluídos”, ou seja, aqueles “desprovidos de tudo” e que mesmo as políticas públicas tem dificuldades de alcançar, e que possuem baixíssimo coeficiente de mobilidade social.

O argumento, fazia um “apelo emotivo” ao lembrar que “nem todos ou muitos” não seriam alcançados pelo “benefício” das cotas. Que apenas uma “minoria negra privilegiada” seria alcançada, portanto, “inútil e injusto” seria fazer reserva de vagas com base em cor, deveria ser apenas pela condição social. O argumento que na verdade era METARRACISTA (racismo disfarçado e cínico) não tinha real preocupação com o “under class”, mas sim o de barrar a ação afirmativa para os que dela pudessem lançar mão, mudando assim o “status quo”. A real falácia estava em desconsiderar a variável racial na composição e nível de pobreza e que com ou sem cotas, o “under class” seguiria “inatingível”, não sendo motivo portanto para não fazer a afirmação dos que poderiam receber a ação afirmativa. Em outras palavras, a argumentação visava garantir uma exclusão negra plena, e não apenas a “sem solução”.

É o mesmo que ocorre com quem recorre ao argumento da “dificuldade do ‘under class’ ” para tentar desqualificar o EaD, mesmo em tempos de inevitabilidade.  O objetivo da campanha metapreconceituosa não é outro que não seja atacar a EaD. Não se vê a “gente de bem” que “se preocupa com os despossuídos”,  reconhecer a imensa quantidade de beneficiados pela modalidade em uso emergencial, não se vê nenhum admitindo que a opção pela TV já ameniza em muito a alegada “dificuldade de dispositivos e internet” na população pobre, não se vê nenhum propor políticas públicas que universalizem o acesso em tempos normais ou mesmo na emergência pandêmica. O que se vê desses é só ataque à modalidade, reação, “mil motivos” para “odiar”, “desconfiar”, “cancelar”, nunca uma observação positiva… .

Essa campanha e argumentação não é nova, e a gente sabe de onde vem e a quais interesses servem. O triste é ver gente “comprando a ideia por pilhamento”, ou por uma necessidade narcísica de serem visto(a)s como “almas caridosas e preocupadas com os mais pobres”, ou por seus próprios preconceitos e dificuldades para a inovação e lidar com a tecnologia e aspectos metodológicos da modalidade.

Veja matéria que escrevi há quase 9 anos, clique na imagem:


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O terremoto do Haiti continua derrubando máscaras por aqui ( 2 anos depois…)

Quando houve o terremoto postei sobre os comentários desatinados do Arnaldo Jabor e do Cônsul honorário do Haiti em SP, recentemente tenho registrado minha indignação com textos e comentários absurdos com relação aos imigrantes (termo melhor seria refugiados) haitianos no Amazonas, dois anos depois, as máscaras dos meta-racistas e xenófobos continuam caindo… .

Estive meio offline ontem e hoje, só agora tomei conhecimento e fiquei simplesmente estarrecido com o texto vergonhoso da Sra. MAZÉ MOURÃO (jornalista amazonense) O Haiti não é aqui! publicado Quinta-feira, 26 Janeiro, 2012 no Diário do Amazonas, mais ainda com os comentários apoiadores; como é que uma pessoa agraciada com o título de imortal da Academia Amazonense de Letras pode escrever uma coisa com tal baixo nível ????;  isso é mais que leviano, é criminoso :

LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989.  
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)  Pena: reclusão de dois a cinco anos.
[..]
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) Pena: reclusão de um a três anos e multa.

Como sabemos que dificilmente alguém é punido com os rigores da lei por tais práticas (e se for demora muito por conta dos recursos e mais recursos), sugiro que se inicie independente do resultado de um óbvio processo judicial a caminho,  uma campanha “MAZÉ fora da A.A.L” (já é um bom começo…).  O repúdio do pessoal da imprensa, movimentos e das redes sociais já está forte aproveito e recomendo a leitura do excelente texto do Ribamar Bessa Freire (também articulista do Diário) Ai de ti, Haiti! .


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Até que enfim o PT reage à "mídia-má"

(imagem cascavilhada da web)

Não é de hoje que a mídia-má (também conhecida como PiG- Partido da imprensa Golpista) "passou dos limites" na defesa de tudo que é ideia reacionária e "simpática" as elites herdeiras dos senhores de engenho e ao "aspirantado do andar de baixo" (a classe média alta).

Não sou Petista, mas fico feliz que até que enfim a "mídia-má" está sofrendo uma reação  à altura por parte do PT, essa revista e os "jornalões" alinhados há muito passaram dos limites do que seria uma imprensa livre e responsável.

Na contra-mão da verdadeira democracia e das mais elementares regras da ética e profissionalismo, os veículos tem "extrapolado" para muito além do que de bom tom caberia dentro do constitucional direito de liberdade de expressão, o que eles tem feito em vários assuntos chega a ser mesmo criminoso.

Por isso aplaudo a iniciativa do PT em finalmente se manifestar pesadamente e judicialmente contra dois dos principais veículos da "mídia-má" :

 

Nota do Partido dos Trabalhadores

É com perplexidade e absoluta indignação que o Partido dos Trabalhadores vem acompanhando a escalada de ataques mentirosos, infundados e caluniosos por parte de alguns órgãos da imprensa a partir de matéria sensacionalista publicada na última edição da revista Veja.

O mais absurdo desses ataques se deu hoje, terça-feira (9), quando o jornal O Estado de S.Paulo usou seu principal editorial para acusar o PT de ser “o partido da bandidagem” – extrapolando todos os limites da luta política e da civilidade sem qualquer elemento que sustente sua tese.

O PT tem uma incontestável história de lutas em defesa da democracia, da cidadania, da justiça e das liberdades civis. Nasceu dessas lutas, se consolidou a partir delas e, nos governos que conquistou, tem sido o principal promotor da idéia de um Brasil efetivamente para todos, com absoluto respeito às instituições democráticas, às regras do jogo político e ao direito fundamental à liberdade de opinião e expressão.

Para nós, a diversidade de opiniões é a essência não só da democracia, mas também do próprio PT. Devemos a essa característica, em grande parte, o sucesso de nosso projeto de país, cujo apoio majoritário da população se dá em oposição aos interesses da minoria que nos ataca.

Nem o PT nem a sociedade brasileira podem aceitar o baixo nível para o qual parte da mídia ameaça levar o embate político às vésperas de mais uma eleição presidencial. O Brasil não merece isso. A democracia não merece isso. A liberdade de imprensa, defendida pelo PT mais do que por qualquer outro partido, não merece que façam isso em nome dela.

O PT não entrará nesse jogo, no qual só ganham aqueles que têm pouco ou nenhum compromisso com a democracia. Mas buscará, pelas vias institucionais, a devida reparação judicial pelas infâmias perpetradas contra o partido e seus milhões de militantes nos últimos dias.

Acionaremos judicialmente o jornal o Estado de S.Paulo, pelo editorial desta terça, e a revista Veja, pela matéria que começou a circular no último sábado.Também representaremos no Conselho Nacional do Ministério Público contra o promotor José Carlos Blat, fonte primária de onde brotam as mentiras, as ilações, as acusações sem prova e o evidente interesse em usar a imprensa para se promover às custas de acusações desprovidas de qualquer base jurídica ou factual.

José Eduardo Dutra
Presidente Nacional do PT

 

Demorou…