Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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Vitória !!!, mas apenas uma de muitas que ainda faltam…

Com o julgamento pelo STF favorável à constitucionalidade de se utilizar o critério “racial” nas cotas, todas as outras ações contrárias as cotas (inclusive as outras no STF) na prática perderam o objeto, estarão em julgamento mas meramente  pró-forma,  já  que a mais complicada e defendida pelos “pesos pesados” era essa, as demais deverão seguir o mesmo entendimento.

A luta porém continua; a campanha para que mais universidades adotem o sistema, o fomento à permanência na universidade, a questão da pós -graduação (que é mais complicada ainda que a graduação), a empregabilidade dos egressos, o equilíbrio no serviço público e maior acesso aos escalões mais altos da pirâmide social e do poder.

Além desses, existem vários outros problemas que afligem a população negra, como o verdadeiro genocídio de jovens negros pela violência marginal ou policial, a questão de gênero (mulheres negras), saúde da população (atendimento não discriminatório, programas voltados para as doenças prevalentes com anemia falciforme e diabetes…), o combate à intolerância religiosa , a questão quilombola ,  a discriminação velada e as demonstrações explícitas de racismo, entre outros.

A resolução da maioria dos problemas citados passa pela efetivação e regulamentações complementares ao ESTATUTO DA IGUADADE RACIAL, que mesmo aprovado com tantos cortes promovidos justamente pelo DEM (que obteve a relatoria do estatuto no Senado e que já demonstrou claramente ser inimigo ( não declarado mas óbvio) dos avanços para a população negra), conseguiu conservar as diretrizes e fundamentos para a formulação e implementação de tais políticas públicas de equalização.


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STF – COMEÇA O JULGAMENTO SOBRE DEMARCAÇÃO DE TERRAS QUILOMBOLAS

Teve início no Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3239, apresentada pelo Partido da Frente Liberal (PFL, atual Democratas/DEM) contra o Decreto nº 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos.

O relator é o ministro Cezar Peluso. http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=205256

SUSPENSO O JULGAMENTO, APÓS VOTO DO RELATOR Um pedido de vista da ministra Rosa Weber suspendeu o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3239, contra o Decreto nº 4.887/2003, que regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos.

fonte: STF


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Abril demite editor da NG, que denunciou pelo Twitter racismo da Veja.

Já está rolando na blogosfera a notícia… que reproduzimos abaixo a partir  de uma entrevista concedida ao portal imprensa  e ao blog do Altino Machado, interessante é que um dos nossos últimos posts foi justamente sobre racismo ambiental,… antes da infeliz matéria da Veja sobre supostas farsas para demarcação de terras indígenas e quilombolas, que causaram grande repercussão e repúdio inclusive da ABA- Associação Brasileira de Antropologia; não fizemos post sobre o ocorrido., mas ai vai a questão da demissão de Milanez:

Uma crítica à revista Veja, feita no Twitter, provocou a demissão, nesta terça-feira (11), do repórter fotográfico Felipe Milanez, editor-assistente da revistaNational Geographic Brasil. As duas publicações são da editadas pela Abril.

"A decisão me foi comunicada pelo redator-chefe Matthew Shirts. Ela veio lá de cima e ainda estou zonzo ainda porque não imaginava que minha opinião fosse resultar nisso", declarou Milanez ao Blog do Altino Machado.

O editor-assistente fez acusações contundentes à Veja devido à preconceituosa matéria "A farsa da nação indígena", que deturpava o sentido da delimitação de reservas indígenas e quilombos no país. "Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto?", registrou Milanez no Twitter. 

Em mensagem no mesmo dia, Milanez afirmou que o "racismo" da publicação fez com que se manifestasse. "Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas".

Também no microblog, o jornalista informou sua demissão: "To destruido, muito chateado. Acabo de ser demitido por causa dessa infeliz conta de Twitter. Sonhos e projetos desmancharam no ar virtual."

Em entrevista ao Portal Imprensa, Milanez declarou que fez observações contundentes sobre a publicação, mas foi surpreendido pela demissão. "Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos", lamentou o ex-editor.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou ao Portal Imprensa que os comentários no Twitter resultaram na demissão de Milanez. "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão", disse. Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".

Bastante conhecedor da Amazônia, especialmente das tribos indígenas, Milanez estava com viagem marcada para o Amazonas na quinta-feira (13). Ele iria percorrer durante 15 dias a BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Vellho (RO), acompanhando uma equipe da Embratel que dá suporte às torres de telefonia.

Milanez também havia se manifestado no Twitter a respeito da nota do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, citado por Veja na reportagem, mas que nega ter dado entrevista para a revista. "Eduardo Viveiros de Castro achou um bom adjetivo pra definir a matéria da Veja: 'repugnante'", escreveu Milanez. "Veja é abusada. Assim E. Viveiros de Castro corre o risco de nunca mais ser citado na revista(!), como JonLee Anderson."

Além de ter reproduzido tweets em que o antropólogo acusa Veja de "fabricar" declaração, Milanez também chegou a citar os microblogs dos repórteres Leonardo Coutinho, Igor Paulin e Júlia de Medeiros, autores da reportagem, como exemplos de "anti-indígenas" para quem quisesse segui-los. "Não sei ainda o que vou fazer da vida. Não estou arrependido porque nunca imaginei que minha opinião pudesse causar uma reação tão drástica. Talvez eu tenha sido ingênuo, mas quem defende índio tem que estar com a cabeça preparada para levar paulada", concluiu Milanez.

Pois é companheiros…, repetidas vezes temos colocado aqui que a revista Veja não merece confiança e nem respeita a inteligência do leitor, vemos agora que para além das suas páginas, também não admite qualquer consciência e dissidência dentro do mesmo grupo editorial;  vimos outro dia em outro grande grupo do PiG (a Folha de SP ) um exemplo parecido, quando  a direção da empresa "usou"  DM para "enquadrar" via artigo truculento, dois repórteres que ousaram falar a verdade sobre as declarações  de um Senador  do  consórcio anti-cotas e AAs com recorte racial… ; falar a verdade onde isso não é prioritário (muito pelo contrário) pode custar muito caro…,  mas se servir de consolo ao Felipe Milanez pela sua coragem… cito Abraham Lincoln :  "Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes."

Parabéns Felipe, não se arrependa, pagou caro, mas garantiu seu nome ao lado dos que não aguentam mais tanta hipocrisia e injustiça e não se acovardam…, todo o dinheiro e vantagens que "os vendidos" tem, não pagam o preço de uma consciência limpa e da dignidade…


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Racismo ambiental: fique por dentro…

Fotomontagem by blogdojuarez

Racismo ambiental ???, isso existe ? .

Resposta : SIM existe e saiba do que se trata.

Para começar  cito duas definições para o termo :

" [..] 'racismo ambiental' se refere a qualquer política, prática ou diretiva que afete ou prejudique, de formas diferentes, voluntária ou involuntariamente, a pessoas, grupos ou comunidades por motivos de raça ou cor. Esta idéia se associa com políticas públicas e práticas industriais encaminhadas a favorecer as empresas impondo altos custos às pessoas de cor."(Robert Bullard) .

“Chamamos de Racismo Ambiental às injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e outras comunidades, discriminadas por sua origem ou cor”. (racismoambiental.net.br)

Para ilustrar  com um exemplo prático (apesar de fictício e 'fantástico',  mas  de ampla visualização hoje), cito a situação vivida pelo povo alienígena "Naa' Vi"  no premiado filme "AVATAR" de James Cameron; no filme os  nativos do planeta pandora, tem seus valores culturais e sua visão/ ligação com o meio ambiente em seu território, desconsiderados pelos dirigentes da  colônia humana no planeta, tecnológica e militarmente dominantes; o que culmina em expulsão e destruição do seu habitat, para atender  os interesses terráqueos nos minerais do planeta.

O exemplo acima é "fantástico" mas tem muitos correspondentes na vida real .

  • Invasão de terras indígenas para exploração econômica das mais variadas.
  • Tentativas  e efetivações de desalojamento de populações e grupos tradicionais (Quilombolas, ribeirinhos, indígenas,  religiosos de matriz africana, outras minorias étnicas), para implementação de projetos de interesse exclusivo dos grupos social-economicamente dominantes .
  • Utilização de áreas ocupadas por populações tradicionais para despejo de resíduos nocivos ao meio-ambiente e saúde.
  • Alocação ou negligência com a ocupação de áreas ambientais inadequadas/perigosas por populações majoritariamente não-brancas.   

Diversos casos reais e recentes se enquadram no conceito :

Como esses há vários outros casos, citei principalmente os da questão quilombola por serem os menos divulgados e também  percebidos pela população em geral ; já que os da questão indígena tem grande visibilidade inclusive internacional.

O "caso da vez" é o da  construção da usina de Belo Monte ( rio Xingu) no Pará, que deve desalojar a população de 30 terras indígenas na região e causar a inundação de mais de 516 km quadrados (com todo o dano ambiental previsível).

Entre os vários protestos contra a construção, não é a toa que se fez presente em Brasília em um deles, ninguém menos que James Cameron,  justamente o diretor de Avatar…, alguma clara ligação  ? .


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Enquanto isso, no país de Ali Kamel & cia…

Gravura de séculos atrás e foto dos anos 70, o que mudou ?

Já está “desenhado”, precisa explicar ?…

A gravura e a foto não são “novas”, mas pelo jeito, nem tudo “mudou” nos últimos 4 séculos…, hoje mais uma notícia que nem Kamel explica…, até o Jornalismo de O Globo (pelo menos o da TV é controlado por Ali Kamel) não tem mais cara de pau para escamotear as barbaridades racistas que ocorrem diariamente no nosso país (que Kamel jura não ser racista…), graças aos blogs, não dá mais para os “jornalões” ficarem selecionando ou retendo notícias sob pena de serem “furados” pelos blogueiros e perderem credibilidade.

A última aconteceu no Espírito Santo, onde  39 quilombolas foram ilegalmente presos, teve até menor levando bofetada de policial e por ai em diante…, o BLOG DO NOBLAT registra parte do episódi0 (sem contudo entrar em detalhes que só a blogosfera  negra  publica ) : http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/11/12/quilombolas-sao-presos-ilegalmente-no-espirito-santo-240731.asp .

Enquanto isso Kamel, Magnoli e Cia Ltda. , continuam sua campanha para “provar ” que o racismo não existe no Brasil e que os movimentos de negritude  é que são os [ironic mode on] “vilões  e pertubadores ”  da “harmonia racial ” que impera históricamente no Brasil… [ironic mode off] , só sendo muito ignorante ou alienado para ainda dar ouvidos a gente desse tipo… . ” é possivel enganar a muitos algum tempo, a alguns por muito tempo , mas não todos  o tempo todo”  …

Não quero nem ver como deve ter ficado a foto desse último “carinho” nos quilombolas capixabas…


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Encerrou-se a tumultuada II Conferência da Promoção de Igualdade Racial do AM

Plenária

Plenária

Já próximo da meia-noite de sábado (09/05) e com quase doze horas de atraso, se encerrou a tumultuada II Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Amazonas (II CEPPIR), relizada nas dependências da reitoria da Universidade do Estado do Amazonas-UEA.
A Conferência marcada por entreveros e problemas de organização desde a fase preparatória, teve como ponto culminante da tensão, o ataque promovido contra o Ministro interino da SEPPIR (Eloi Ferreira), após sua fala na abertura da II CEPPIR; quando foi agredido verbalmente , cercado e sofreu tentativa de agressão física pelas lideranças do grupo “Nação Mestiça”, FORAFRO, “Movimento dos Dependentes Químicos-MDQ” e menores cooptados (que durante a confusão iniciaram depredação do auditório e saguão, danificando sofás, etc…) .

Ministro interino Eloi Ferreira da SEPPIR

Ministro interino Eloi Ferreira da SEPPIR

Nenhum do agressores sofreu qualquer ação por parte da polícia ou da organização do evento, que esteve a cargo da Secretaria Estadual de Justica do Amazonas, horas depois da paralisação e após reunião da cúpula da Secretaria de Justiça com o Ministro, o mesmo se reuniu com lideranças do MN, Indígenas, Quilombolas e outras para reunião de trabalho já previamente agendada; em seguida as lideranças se reuniram com a comissão organizadora do evento, quando a mesma acenou com medidas pífias para garantir a continuidade da Conferência normalmente sem qualquer punição aos responsáveis (inclusive mantendo sua participação) e em total desatenção aos N requerimentos prévios e protocolados feitos pelos MNs e outros movimentos sociais locais, indignando boa parte das lideranças, que ameaçaram abandonar a conferência mas optaram pela continuidade, em respeito aos quilombolas, indígenas e representantes vindos do interior (o que no Amazonas pode significar dias viajando de barco).

Reunião de lideranças

Reunião de lideranças


A Conferência sob forte esquema policial, seguiu em alto nível de tensão e tumultos com nítido prejuízo para os trabalhos, porém os delegados dos grupos dos Movimentos de Negritude, Indígenas e Sociais presentes, em forte articulação, conseguiram em plenária impedir praticamente todas as proposições dos grupos desestabilizadores já citados, bem como a eleição de qualquer delegado dos mesmos para a Conferência Nacional; foram aprovadas ainda duas pesadas Moções de Repúdio, uma exclusivamente aos “movimentos” desestabilizadores e outra mais ampla incluindo a organização do evento e solicitando providências às autoridades, como instauração de investigação, procedimentos administrativos e criminais, bem como, a revogação de duas leis (estadual e municipal) que inconstitucionalmente fazem “reconhecimento” de mestiços e “cabocos” (nos termos) como grupo étnico (legislação que afeta o sistema estatístico e de competência exclusiva da união), e que também estipula para os referidos “movimentos” representação garantida em eventos, conferências, conselhos e orgãos públicos e apoio estatal (coisa não “garantida” a nenhum outro grupo de movimentos sociais).

Veja abaixo texto de uma das Moções aprovadas por ampla maioria  em plenário:

MOÇÃO DE REPÚDIO

As entidades dos movimentos sociais locais e individuais imbuídos e solidários com a promoção da igualdade étnico-racial e combate à todas formas de discriminação, presentes à II CEPPIR-AM, em conjunto, repudiam publicamente o comportamento agressivo e atos praticados durante o primeiro dia da citada conferência, com o tratamento desrespeitoso para com um Ministro de estado convidado, bem como com todo o público presente e por justaposição a sociedade amazonense, praticados pelos ditos Movimentos “Nação Mestiça” ,“FORAFRO”, Movimento dos Dependentes Químicos-MDQ e outros grupos de sua esfera ideológica.

Da mesma forma repudiamos outras ações anti-éticas e deliberadamente desestabilizadoras perpetradas por seus grupos durante a II Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Destacamos que a participação democrática de movimentos sociais não envolvidos prioritariamente com a questão étnico-racial é bem-vinda nos debates sobre a temática, porém com representantes qualificados para tal ou dispostos a se inteirar sobre a questão e sempre com intenção de agregação, refinamento, avanço na discussão e implementação de soluções e políticas de igualdade, nunca como fator de desestabilização e retrocesso.

Manaus-AM , 09 de maio de 2009 .


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Encerrou-se a tumultuada II Conferência da Promoção de Igualdade Racial do AM

Plenária

Plenária

Já próximo da meia-noite de sábado (09/05) e com quase doze horas de atraso, se encerrou a tumultuada II Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Amazonas (II CEPPIR), relizada nas dependências da reitoria da Universidade do Estado do Amazonas-UEA.
A Conferência marcada por entreveros e problemas de organização desde a fase preparatória, teve como ponto culminante da tensão, o ataque promovido contra o Ministro interino da SEPPIR (Eloi Ferreira), após sua fala na abertura da II CEPPIR; quando foi agredido verbalmente , cercado e sofreu tentativa de agressão física pelas lideranças do grupo “Nação Mestiça”, FORAFRO, “Movimento dos Dependentes Químicos-MDQ” e menores cooptados (que durante a confusão iniciaram depredação do auditório e saguão, danificando sofás, etc…) .

Ministro interino Eloi Ferreira da SEPPIR

Ministro interino Eloi Ferreira da SEPPIR

Nenhum do agressores sofreu qualquer ação por parte da polícia ou da organização do evento, que esteve a cargo da Secretaria Estadual de Justica do Amazonas, horas depois da paralisação e após reunião da cúpula da Secretaria de Justiça com o Ministro, o mesmo se reuniu com lideranças do MN, Indígenas, Quilombolas e outras para reunião de trabalho já previamente agendada; em seguida as lideranças se reuniram com a comissão organizadora do evento, quando a mesma acenou com medidas pífias para garantir a continuidade da Conferência normalmente sem qualquer punição aos responsáveis (inclusive mantendo sua participação) e em total desatenção aos N requerimentos prévios e protocolados feitos pelos MNs e outros movimentos sociais locais, indignando boa parte das lideranças, que ameaçaram abandonar a conferência mas optaram pela continuidade, em respeito aos quilombolas, indígenas e representantes vindos do interior (o que no Amazonas pode significar dias viajando de barco).

Reunião de lideranças

Reunião de lideranças


A Conferência sob forte esquema policial, seguiu em alto nível de tensão e tumultos com nítido prejuízo para os trabalhos, porém os delegados dos grupos dos Movimentos de Negritude, Indígenas e Sociais presentes, em forte articulação, conseguiram em plenária impedir praticamente todas as proposições dos grupos desestabilizadores já citados, bem como a eleição de qualquer delegado dos mesmos para a Conferência Nacional; foram aprovadas ainda duas pesadas Moções de Repúdio, uma exclusivamente aos “movimentos” desestabilizadores e outra mais ampla incluindo a organização do evento e solicitando providências às autoridades, como instauração de investigação, procedimentos administrativos e criminais, bem como, a revogação de duas leis (estadual e municipal) que inconstitucionalmente fazem “reconhecimento” de mestiços e “cabocos” (nos termos) como grupo étnico (legislação que afeta o sistema estatístico e de competência exclusiva da união), e que também estipula para os referidos “movimentos” representação garantida em eventos, conferências, conselhos e orgãos públicos e apoio estatal (coisa não “garantida” a nenhum outro grupo de movimentos sociais).

Veja abaixo texto de uma das Moções aprovadas por ampla maioria  em plenário:

MOÇÃO DE REPÚDIO

As entidades dos movimentos sociais locais e individuais imbuídos e solidários com a promoção da igualdade étnico-racial e combate à todas formas de discriminação, presentes à II CEPPIR-AM, em conjunto, repudiam publicamente o comportamento agressivo e atos praticados durante o primeiro dia da citada conferência, com o tratamento desrespeitoso para com um Ministro de estado convidado, bem como com todo o público presente e por justaposição a sociedade amazonense, praticados pelos ditos Movimentos “Nação Mestiça” ,“FORAFRO”, Movimento dos Dependentes Químicos-MDQ e outros grupos de sua esfera ideológica.

Da mesma forma repudiamos outras ações anti-éticas e deliberadamente desestabilizadoras perpetradas por seus grupos durante a II Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Destacamos que a participação democrática de movimentos sociais não envolvidos prioritariamente com a questão étnico-racial é bem-vinda nos debates sobre a temática, porém com representantes qualificados para tal ou dispostos a se inteirar sobre a questão e sempre com intenção de agregação, refinamento, avanço na discussão e implementação de soluções e políticas de igualdade, nunca como fator de desestabilização e retrocesso.

Manaus-AM , 09 de maio de 2009 .