Blog do Juarez

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De cara com a Universidade, os “dilemas” da nova geração.

Enem-Sisu

No “meu tempo” (e de muita gente que hoje tem os filhos batendo à porta da universidade) e até bem pouco tempo atrás, na hora dos processos seletivos (que se restringiam ao temido vestibular macro e específico para determinado curso em determinada IES – Instituição de Ensino Superior), o simples fato de “passar”(classificar) no processo seletivo era motivo de festa e alegria para pais e estudantes, se fosse em uma universidade pública dupla, em federal tripla…  .

Porém com as mudanças dos últimos tempos, algumas situações se tornaram “esquisitas”, em tempos de ampliação e democratização do ensino superior público, oferta massiva de bolsas integrais ou parciais nas IES privadas pagas pelo governo federal (PROUNI), processos seletivos contínuos ou seriados (uma COTA reservada para estudantes avaliados ao longo de todo o ensino médio, sem a carga estressante do “tiro único e concentrado” do vestibular macro) e processos macro com cotas para estudantes oriundos de escolas públicas e minorias “raciais” em IES públicas, tudo mudou…, ainda mais com a entrada em campo do ENEM e a utilização do seu resultado como critério no SiSU-Sistema de Seleção Unificada, que em curtas palavras permite que com um único processo seletivo se concorra a dois cursos de livre escolha em IES federais de todo o país.

Os filhos do ricos e remediados (na qual na última categoria me imagino encontrar 🙂 ) estudantes privilegiados da rede privada, assim como a maioria dos seus pais “se revoltam”, pois com as cotas sociais e sócio-raciais, “perderam” pelo menos metade das vagas que conseguiam ocupar disputando “igualmente” com desiguais (os “pobres”, negros e índios) em cima dos quais “demonstravam seu mérito” obtendo notas melhores (e a classificação em todas as vagas, excluindo os tradicionalmente menos favorecidos) a partir de condições prévias muito melhores e esforço proporcionalmente menor…, mas como nada é tão “ruim” assim, passaram a poder exercer mais facilmente suas vantagens competitivas em cima de estudantes de outras regiões menos favorecidas e com isso manter o jogo das desigualdades rolando, afinal os ricos e remediados das regiões mais desenvolvidas, não são exatamente “iguais” aos das menos favorecidas, pelo menos não na hora dessa disputa pelas vagas dos chamados “cursos-filé”  como Medicina, Odonto, Direito e alguns outros que garantem uma mobilidade social muito maior…, e não vamos nem falar na questão de gente que se chateia ao imaginar que em uma universidade muito mais diversa em todos os seus cursos, terão que conviver diferentemente de em seus colégios particulares, com filhos de empregadas, porteiros e outros trabalhadores de baixa renda (além de afros e indígenas) .

Agora voltando as “coisas esquisitas”…  como uma conversa “tipo assim” :

Pai, não “passei” para Direito (ou Medicina) na Estadual e não estou na primeira lista do SiSU na Federal…, tudo culpa das  “malditas” cotas !

– Chato né  filho(a) ?, não tem jeito, vai ter  que estudar um pouco mais para entrar no próximo processo seletivo… .

Ainda não Pai, tem a segunda e a terceira lista, quem sabe ?, mas como a minha nota do ENEM foi muito boa, “passei” em TUDO e posso me matricular EM QUALQUER CURSO DA FEDERAL (menos nesses dois mais disputados),  vou confirmar logo que quero matrícula na minha “segunda opção” e aguardar as listas de “repescagem” do “filezão”…

– Ah ! quer dizer que você já “está dentro”  da Federal em qualquer curso que quiser, mas está chatead@ pois AINDA não sabe se vai poder se matricular no seu “curso dos sonhos” (de agora, pois até o ano passado você dizia que queria fazer outro curso… ), é isso ?

É…

– Então tá…, quando for a hora de eu ficar feliz por você ter entrado “de primeira” na Federal e comemorar me avisa…, no “meu tempo” essa já seria a hora de estar “soltando foguetes” ! 🙂 .

Tá  ! quando o processo encerrar de vez e eu decidir em qual curso vou ficar mesmo eu aviso…

– Então tá…

#FilhaChateadaPorJaPoderEscolherUmBomCursoNaUFAM ! 😉 \o/


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Juiz Federal afirma em sentença que Candomblé e Umbanda não são religiões

arma-candomblé

Coisa que não costumo fazer é comentar magistratura muito menos decisões judiciais, mas dado a gravidade do caso, não poderia deixar de primeiro registrar e divulgar a situação aqui no meu espaço de reflexões compartilhadas com alguns leitores costumeiros ou eventuais, e segundo indicar a leitura do primoroso recurso feito pelo MPF- Ministério Público Federal.

A 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro negou pedido de antecipação de tutela ao MPF  em Ação Civil Pública que visava a retirada de vídeos do YouTube, com a alegação de que promoveriam intolerância e discriminação religiosa contra a Umbanda e o Candomblé. Na decisão, de 24 de abril deste ano, o juiz Eugênio Rosa de Araujo afirmou que os cultos não são religiões, conforme trechos da decisão destacados abaixo:

“Ambas manifestações de religiosidade não contêm os traços necessários de uma religião a saber, um texto base (corão, bíblia etc) ausência de estrutura hierárquica e ausência de um Deus a ser venerado” 

“As manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem em religiões, muito menos os vídeos contidos no Google refletem um sistema de crença – são de mau gosto, mas são manifestações de livre expressão de opinião.”

Não vou comentar diretamente a questão, mas recomendo fortemente a leitura do primoroso recurso do MPF ao TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). (atenção está em .PDF) .


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Quase aniversário de uma nova agressão

“Atirei no que vi e acertei no que não vi”, completamente estarrecido com o que encontrei agora e por acaso.

Ao passar por um grupo no facebook, me deparei com uma situação que me fez buscar no google uma referência de problema passado, acabei encontrando um absurso ainda maior que o antigo e já quase esquecido problema…, leia o texto na imagem abaixo (um print de post no Blog do Simão Pessoa, publicado há quase um ano e que só agora tomei conhecimento) , após a imagem meus comentários.

Vamos lá :

1- Não fui nem parte no processo movido pelo Dr. Waldemir da Silva (não Valdemar como consta no texto, um velho conhecido, Advogado e também negro) . Para dizer a verdade nem sabia desse processo…, lembro apenas que na época do fato gerador da indignação geral em pessoas dos movimentos negros locais e a eles ligados (uma matéria deselegante no Jornal Correio Amazonense) . O Waldemir me disse que ele entraria pessoalmente com uma ação contra o jornalista e o jornal, nunca mais tive notícias sobre isso (até ler esse absurdo post). Porém, insana e desrespeitosamente eu fui o principal atacado na postagem. Apenas para esclarecer sobre o começo dessa pendenga, segue o comentário feito no jornal anos atrás: dia 30 de agosto de 2005 , no “Correio Amazonense” coluna “Boca do Inferno” do “Jornalista” Simão Pessoa.

“MELANINA”

“ESSA TURMA DE AFRO-DESCENDENTES QUE APORTOU EM MANAUS HÁ DEZ , DOZE ANOS, JÁ COMEÇOU A FAZER ECA”. AGORA, ELES QUEREM MELAR O DIA DO CABOCLO, QUE ESTÁ SENDO DISCUTIDO NA CMM, COM O ARGUMENTO SINGELO DE QUE SÓ EXISTEM TRÊS RAÇAS NO PAÍS: BRANCOS, NEGROS E ÍNDIOS. O RESTO, SEGUNDO ELES, É PRODUTO DO FACISMO.
FACISMO?! PÔ VÃO SER RADICAIS (E DESINFORMADOS) ASSIM LÁ NA ÁFRICA. EU SOU PARDO, MEU NEGO, E EXIJO O DIA DA CABOCADA! CHEGA DE HUMOR NEGRO!”“.

Isso foi copiado literalmente do recorte de jornal, inclusive com a grafia errada da palavra fascismo duas vezes repetida… .

Para entender toda a questão envolvida seria necessário 3 posts, mas em síntese, o jornalista que não entende nada do assunto nem do que de fato estava se passando, “pegou o bonde andando” e mal orientado ou desorientado resolveu “dar pitaco errado” e de forma brusca e desnecessariamente ofensiva como visto acima . Esse deselegante, ao qual em todas as minhas manifestações contrárias às suas idéias e publicações sempre tratei respeitosamente por Sr. (o que passo a dispensar), sem ataques pessoais, mas sim de forma firme contra seus posicionamentos (ora racistas, ora sexistas, ora regionalistas/bairristas, ora homofóbicos, mas sempre destemperados). Há tempos o referido dá bem o tom de quem de fato é … (apesar dos amigos de longa data, o acharem um “cara legal” apenas um tanto “escrachado e ferino”, tudo tem limite…, isso não dá o direito a ninguém de ser tosco , rude e até criminoso com quem não ri e discorda de suas “gracinhas” e opiniões ).

2- Não sei o que o Ronaldo Tiradentes foi fazer dentro de um processo por racismo (talvez por na época ser o representante legal pelo Jornal) . De minha parte sempre mantive uma boa relação com ele, já me entrevistou em seu programa de rádio anos atrás, nos tratamos com cortesia nos “esbarramentos” eventuais, trocamos comentários via blog e somos até “amigos” no facebook, enfim, nenhum problema com ele . A “mentalidade racista” (involuntária e nem sempre percebida) é uma praga incutida por séculos de construção preconceituosa na cabeça de praticamente todos os brasileiros “brancos” (ou que se acham não-negros), muitas dessas pessoas tentam de boa-fé eliminá-la ou ao menos policiá-la (penso ser o caso do Ronaldo e um monte de gente boa) mas infelizmente alguns de seus velhos camaradas carecem de uma “boca menos infernal”… .

3- A impunidade culturalmente arraigada que cerca o racismo (nem sempre tão velado) brasileiro, em que há uma forte resistência e “dificuldade” em enxergar racismo, injúria racial ou intolerância por mais óbvia que ela seja…, faz com que os racistas dissimulados (que não conseguem resistir a expor sua real mentalidade nos detalhes de seus posicionamentos e nos momentos de contrariedade) se sintam à vontade para cada vez mais avançarem em sua práticas nefastas. Porém acredito na Justiça e sei que mais cedo ou mais tarde , a ” sorte” desses que se sentem “intocáveis” acaba… . Por falar nisso…, vamos “testar” a sorte desse incorrigível agressor (e agora é comigo…, bons Advogados habilitem-se, basta saber o conceito de Injúria Racial ou Qualificada (Atribuição de qualidade negativa à determinada vítima que seja ofensiva à honra subjetiva e que esteja constituída de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem ), conhecer o Art. 140. §3º do CP , e conseguir sem muita dificuldade expor que a frase “ignorante afro-pretinho fascista e analfabeto da marca dele” entre outras como “o apedeuta afro-crioulinho entrou pela porta de serviço” contém absoluta e inescusavelmente TODOS os elementos para a configuração do crime. Ah ! e é bom conhecer também sobre danos morais, pois obviamente, o abalo moral que sinto agora, enseja também processo civel… ).

” É possível enganar a todos por algum tempo, alguns por muito tempo, mas não todos o tempo todo…” .


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B.O e Processo contra Exu ???

algema2
Já tinha visto e ouvido muita coisa em se tratando de assuntos “umbanda-candomblé-relacionados”,  mas essa superou…  🙂
Homem tenta registrar BO contra Exu e é preso em Florianópolis
Plantão | Publicada em 31/07/2009 às 08h07m ClicRBS

FLORIANÓPOLOS – Foi transferido nesta quinta-feira para Criciúma, no Sul de Santa Catarina, o homem que chegou à Delegacia de Capoeiras, em Florianópolis, para registrar um boletim de ocorrência contra Exu, uma das entidades do candomblé, mas acabou preso porque era procurado por assalto a mão armada.

A revelação ocorreu quando o policial de plantão inseriu o nome e os dados pessoais no computador. O sistema logo acusou o mandado de prisão expedido pela Justiça de Criciúma contra o professor de História Marcos Lino Mendonça, 27 anos.

Ele chegou à delegacia na terça-feira dizendo que era perseguido por Exu, e que as quatro mulheres dele teriam sido estupradas pela entidade. No entanto, num boletim de ocorrência registrado este ano, consta que o rapaz é solteiro.

Marcos declarou que ele mesmo foi abusado sexualmente por Exu. Ao delegado Pedro Fernandes Pereira Filho, o professor disse que ouvia a voz de Exu incitando ataques a pessoas sem motivos. As brigas teriam causado uma fratura de braço e outra nas costelas.

Quando questionado do porquê de ir a uma delegacia se ele era procurado por assalto, o rapaz respondeu que desejava processar a entidade do candomblé e exigia reparação financeira por prejuízos causados.

O assalto cometido por Marco foi contra o próprio primo, em dezembro do ano passado. Armado com uma navalha, ele invadiu a casa do parente, que fica em Criciúma, e levou uma barraca.

O delegado declarou que Marcos tinha sintomas de esquizofrenia. Pedro afirmou que um tio do professor esteve na delegacia e revelou que o rapaz tinha consulta no psiquiatra marcada para quarta-feira.

* Nota desse blogueiro : apenas para fins de esclarecimento aos leigos : a matéria incorre em erro ao falar em “Entidade Exu do Candomblé” e ao confundir conceitualmente o Orixá Exu com as entidades conhecidas por Exus da Umbanda; Exu no Candomblé (cultos de origem africana aos Orixás, Voduns ou Inkices, dependendo da “nação”) não é uma “entidade”… é o nome de  um Orixá (divindade) com função de “mensageiro” e “autorizador” de trabalhos (Orixás  não falam, não “dão consulta”, não” fumam” , não “bebem”, nem se “apossam sexualmente” …)  nos terreiros apenas dançam e  transmitem e controlam AXÉ (energia vital e outras), também “recebem” as oferendas feitas e operacionalizam os “trabalhos”;   já na Umbanda (culto brasileiro nascido da mistura do Kardecismo, Candomblé, Catolicismo e do Catimbó Indígena) ,  Exus são como são chamadas as entidades de um  determinado  grupo (linha)   de entidades da Umbanda ( outras linhas seriam as dos Pretos-velhos, caboclos, encantados, etc…) em geral entidades são espíritos desencarnados que tanto podem “trabalhar”  ajudando as pessoas como causando obsessões, não raro clinicamente diagnosticadas como esquizofrenia , os  Exus mais conhecidos popularmente são geralmente de origem boêmia (“povos” da lira, rua ou encruzilhadas) como  as pomba-giras e “malandros”, mas há outros “povos” (classes) como os dos cemitérios, matas, etc… , quando “baixam” (incorporam) em um “cavalo” (médium desenvolvido) mantém atitudes “mortais” como fumar, beber, dançar, conversar,  “dar consulta”, etc…,(fica claro que a reportagem não fala do Orixá Exu, mas sim de um dos Exus da Umbanda) alguns médiuns não incorporam (ter a mente e corpo controlados pela posse da entidade), mas “enxergam” , “ouvem” ou  “sentem”  a “presença”, o “toque físico” ou mesmo em alguns casos a “posse sexual”  pelas entidades… .

Uma representação do Orixá Exu do Candomblé

Uma representação do Orixá Exu do Candomblé


Exus populares da Umbanda

Exus populares da Umbanda