Blog do Juarez

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O desmonte das políticas públicas de Gênero e Raça…, a SEPPIR diz o quê ?

Gostaríamos de perguntar para a Sra. Luislinda Valois, Secretária de Igualdade Racial do Ministério da Justiça (no governo democraticamente eleito e derrubado mediante golpe parlamentar, tínhamos um ministério com tais atribuições, porém consoante a importância dada no atual governo questionado, foi o mesmo reduzido a secretaria dentro do MJ); primeiro, para que serve mesmo essa Secretaria ?; segundo, será tomada alguma providência ? ; terceiro, a Secretária está de acordo com a política de desmonte promovida pelo Governo Temer ?

Caso I

A absurda normatização sobre as medidas antifraude das cotas raciais nos concursos públicos. Norma tão equivocadamente colocada que já provocou a reedição da antropologia física lombrosiana no edital do IFPA:

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Caso II

Nota Pública sobre a extinção da Coordenadoria de Gênero e Raça do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

” A Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra do Distrito Federal e Entorno do Sindicato dos Bancários de Brasília (CVN/SBB), vimos externar publicamente nosso profundo repúdio à recente iniciativa da direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de extinguir sua Coordenadoria de Gênero e Raça.

Nas duas últimas décadas, o Ipea consolidou-se como referência na produção de pesquisas sobre a questão racial no Brasil, assumindo o protagonismo nessa temática no âmbito do Governo Federal. Um importante grupo de pesquisadores vinculados à esta coordenadoria vinha se dedicando ao estudo das políticas de igualdade racial bem como do próprio papel do racismo e de seus desdobramentos na construção da sociedade brasileira. O relevante esforço desses técnicos foi responsável por um conjunto de trabalhos referenciais para o aprofundamento do debate sobre a questão racial no Brasil.

Ao diluir a Coordenadoria de Gênero e Raça em uma seção genérica, que passa a cuidar de temas variados como a questão dos idosos, da juventude, entre outros, a Diretoria do Ipea sinaliza para a sociedade a intenção de mitigar e desvalorizar a relevância da questão racial.

Essa mesma estratégia, lembremos, foi utilizada quando da recente extinção do Ministério da Mulher, Igualdade Racial e Direitos Humanos, em um verdadeiro retrocesso, na tentativa de invisibilização da temática racial em nosso país.

Cientes da relevância e da centralidade da questão racial na construção e estruturação da sociedade brasileira, reiteramos nosso veemente descontentamento com a atitude retrógrada e conservadora da Diretoria do Ipea.

Brasília, 05 de setembro de 2016 ”

Até onde irá esse desmonte ?, nossos ganhos duramente conquistados em décadas de lutas, estão se esvaindo em meses, com meras canetadas antidemocráticas. Pena uma biografia tão respeitável ser colocada a serviço dessa máquina de desmonte, porém acreditamos na sinceridade de intenções e compromisso demostrados ao longo de toda uma vida.

Ainda é tempo de com o único ato possível em um contexto como esse, não entrar para a História como parte integrante e consciente de um episódio triste a ser escrito e lido em não muito tempo,  como um dos mais vergonhosos da nação brasileira… .


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“Consciência Branca” ???, o que é isso “cara-pálida” ???

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Ato oficial da Presidência da Câmara de Sertãozinho- SP

 

Que existam pessoas que por total falta de conhecimento e boa vontade ou mesmo por convicções ideológicas baseadas em uma mentalidade racista e excludente assumida ou não, se coloquem contra o Dia da Consciência Negra é até compreensível.

Muda de figura quando mesmo em tom de pilhéria se fala em “Consciência Branca” ai a coisa fica “complicada”…, e quando a “pilhéria” (isso se o for, pois mais parece uma “meta-insurgência” ) vai parar em um documento oficial de governo, se revela que não apenas ainda falta muito trabalho de conscientização, quanto punições exemplares para quem usando de suas funções públicas se coloca acintosamente contra o arcabouço legal e  as políticas públicas do estado brasileiro.

Não seria a primeira vez que um ente público, sem bases científicas (corroboradas pelas Ciências Sociais), sem atentar para a realidade e sem consultar especialistas ou mesmo realizar consultas populares, se arvora irresponsavelmente e na contra-mão do verdadeiro antiracismo em “inventar moda” nas questões que envolvem questões raciais, identitárias ou afirmativas.  Nós do Amazonas temos boas experiências para demonstrar isso.

São agentes públicos que não sabem a diferença de “étnico” para “racial”, não entendem nem tais conceitos separadamente, não conhecem nem compreendem o conceito de AFIRMAÇÃO, nunca se aventuraram seriamente pela leitura e discussão dos temas em abordagens acadêmicas, desconhecem legislação relacionada e formam opinião a partir de fontes reacionárias e/ou não validadas por quem conhece do assunto. Justamente por isso não tem condições de compreender a diferença entre “orgulho afirmativo” (pride) e “orgulho besta” (supremacista), entre “Consciência” e “Alienação/Evitamento” e muito menos entre “Consciência Negra” e “Consciência Branca” (sic)… .

Não vou me deter em tentar explicar no texto o que é Consciência Negra, quem ainda não sabe e tem boa vontade veja uma apresentação que fiz em Prezi sobre o assunto, já com relação a  tal “Consciência Branca”  vou me deter um pouquinho… .

1- Afirmação no jargão das discussões da temática quer dizer “Ato ou ação que visa corrigir e reparar injustiças, preconceitos, discriminações e desigualdades histórica e culturalmente colocadas e que não o seriam sem tal, pelo menos não em curto ou médio prazo, ela é aplicável à vários recortes (grupos) minoritários (sentido social) e tradicionalmente atingidos pelos prejuízos citados, e somente a esses recortes. ” 

2- Por motivos óbvios enquanto “população branca” em sentido geral, não há motivos históricos, culturais e sócio-econômicos que ensejem Afirmação, pois a mesma não é socialmente minoritária, não tem construído contra si um histórico de preconceito e discriminação pela cor/origem, não foi nem é vítima de subalternização social-estética-cultural histórica e culturalmente arraigada, não tem subrepresentação nos estratos sociais intermediários e altos, não tem prejuízo generalizado e persistente nos indicadores sociais,  muito pelo contrário, enquanto população e cultura civilizatória desde sempre manteve hegemonia e inclusive práticas exploratórias e subalternizadoras sobre os demais grupos (não-brancos).

3- Pelos motivos acima é que não existe uma “Questão Branca” (causa), não há “problemas” históricos e sociais, nem justas reivindicações de soluções para ajustes e instalação de igualdade com o grupo tradicionalmente dominante, porque esse grupo dominante é ele mesmo, o  grupo branco. Não havendo portanto qualquer real necessidade de Afirmação branca, muito pelo contrário, há uma real necessidade do grupo branco ceder verdadeira e igualitariamente a um compartilhamento efetivo e justo das posições e recursos disponíveis na sociedade. Resta então entender que reivindicar ou fazer apologia a uma “Consciência Branca” é tão dispensável ou absurdo quanto falar em “Orgulho branco” (que não sendo portanto afirmativo, cai na vertente do “Orgulho besta”) .

A existência da Consciência Negra (afirmativa) e de um dia para sua comemoração/reflexão sobre, não implica portanto na necessidade ou validade de um antônimo… . Não seria o caso também de se  falar em “Vergonha Branca” (muito embora a ação civilizatória européia e eurodescendente no mundo, também tenha deixado e deixe muitos e muitos motivos completamente válidos para tal sentimento…), porém o simples fato de entender e admitir a necessidade presente da Consciência Negra (afirmativa) e a desnecessidade de uma “Consciência Branca”(supremacista), já nos leva a todos humanos (independente de cor/origem) na direção de um mundo efetivamente melhor e igualitário.


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Marina Silva: Mitos X Fatos

Marina-duvidas

A ideia dessa postagem é comparar algumas “premissas” e dúvidas que se tem colocado contra a candidata à Presidência da República Marina Silva (PSB), mostrando como as pessoas “vendem e compram”  ideias contra  Marina que não correspondem a realidade… vejamos por exemplo a de que ela “fecha” com o pastor Marco Feliciano, vejamos o que ele próprio diz dela… :

“Em sua crítica à missionária assembleiana Marina Silva, Feliciano pôs em cheque inclusive sua fé: “Já fiz diversas críticas a postura da Marina e a forma como ela se comporta, mesmo se dizendo evangélica – se é que um dia foi. Marina tentou vender a imagem de boa crente, mas pecou em suas próprias ações”, disparou o pastor em texto publicado ontem, 04 de julho, em sua página no Facebook.”; pois então…, não sei de onde tiraram essa ideia estapafúrdia de que Marina apoiou ou apoia a fala absurda do Feliciano sobre “raça amaldiçoada”,  porém está mais do que claro que o próprio Feliciano “não morre de amores” por Marina (que por sua vez parece que “não está nem ai” para o que o ele acha certo ou errado…)
Deu na imprensa toda, inclusive na “gospel” : http://goo.gl/SzDci6

Quer saber como Marina se posiciona com relação a sua negritude e políticas afirmativas ?, posicionamento religioso, aborto, etc… ?, detesto recomendar algo nesta revista, mas dê uma olhada na entrevista de Marina em  set de 2009 para a Veja, tá tudo lá…: Marina-Imaculada

Com relação ao plano de governo, ele foi produzido a várias mãos e aprovado pelo falecido Eduardo Campos (que era socialista, mas nenhum “comunista maluco” ao estilo “bolivariano”), bem como por Marina (que tem formação socialista igual a dos Petistas, afinal ela foi PT 30 anos, não é “tão diferente” assim…), o detalhe importante é quem coordenou a confecção do plano…, se chama NECA SETUBAL (uma das herdeiras do ITAÚ, portanto MUITO RICA), acontece que apesar de rica a história de vida e a prática social dela são impressionantes, formada em Ciências Sociais com doutorado, mantém ONGs pela qual recebeu premios sérios de reconhecimento, apoia as políticas públicas de inclusão e e apoiou a cota para negros nas universidades.. conheça-a aqui: http://revistatpm.uol.com.br/revista/145/paginas-vermelhas/maria-alice-setubal.html,

O programa de governo não é segredo nem mistério… quer ver ?  é só acessar: http://www.psb40.org.br/imprensa/programa.pdf

Só para adiantar veja o que tem na página 39 :

” • Garantir aos diferentes grupos étnicos, raciais, religiosos, de gênero e aqueles apoiados nas diferentes opções sexuais o espaço próprio de participação política de respeito e atenção às suas demandas específicas.

• Reforçar políticas de igualdade racial, inclusive a manutenção das cotas, como parte de um processo de restauração do equilíbrio aos desequilíbrios históricos contra as minorias. “

Marina é intransigente e retrógrada ? leia a a a resposta de Neca Setubal em entrevista à Folha de SP :

Você, me parecem, têm posições diferentes em relações a alguns temas, vários temas, não é? Você me parece uma pessoa do ponto de vista dos costumes mais liberal, ela menos, ela mais religiosa ortodoxa, você nem tanto. E ainda assim, nunca houve nenhuma divergência séria entre vocês ou ao contrário?
Não, porque a gente tem essa questão do respeito e a Marina, no entorno dela, se você for fazer uma questão ela tem mais um ou dois talvez que sejam evangélicos, tem agnóstico, tem católicos, enfim, tem de tudo, têm pessoas com preferências, com orientação sexual outras, enfim. Ela tem essa capacidade, embora, como ela é muito consistente e tem alguns princípios fortes, ela sempre passa por intransigência, mas todo mundo que chega perto dela, o pessoal do PSB mais próximo fala muito “nossa, que surpresa encontrar essa Marina”, o que não é o papel. “

Marina é contra a união de  homossexuais ? ela mesmo responde em 2010 : https://www.youtube.com/watch?v=NrgUeEVS2wU

Marina é uma religiosa obtusa e  antilaica à serviço dos teocratas ? , veja o que já dizia o Pr. Silas Malafaia em 2010: https://www.youtube.com/watch?v=gCo_0vsVC8E

Penso que é sempre melhor lidar com fatos verificáveis e dados idem do que com especulações que não se sabe de onde vem (ou sabendo não são em nada “confiáveis”).