Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


Deixe um comentário

Serviço militar prioritário para jovens de baixa renda: minha opinião

Manchete recortada de “O Dia”

Antes de entrar na polêmica acho interessante registrar o meu “lugar de fala” pois creio que ajudará o leitor a compreender meu posicionamento e argumentos.

Sou negro, meu pai foi um adolescente pobre que percorreu toda a carreira de praça no exército a partir do alistamento como recruta até a graduação de subtenente, eu mesmo me alistei e servi ao exército por 4 anos, mas notei que ao contrário do meu pai eu não avançaria muito naquele contexto, durante aquele período também entrei na faculdade e quase ao final pedi baixa e fui para a aeronáutica como estagiário.

As forças armadas historicamente sempre foram uma possibilidade e estratégia muito utilizada de mobilidade social (as vezes a principal ou única) de pobres e principalmente de negros pobres. Portanto, entendo que a ideia de usá-las para oportunizar jovens pobres é de antemão válida, porém com ressalvas… .

A primeira delas é que tal uso seria incompatível com um serviço militar obrigatório, o serviço todo deveria passar a ser voluntário em tempos de paz, profissionalizante e profissionalizado.

A segunda é que como antigamente fosse possível a estabilização aos 10 anos de serviço para qualquer praça, para tal o número de novos alistamentos seria limitado pelo tamanho dos quadros do núcleo base e dos estabilizados.

A terceira é que a passagem pelo serviço voluntário nas forças armadas poderia ser alternativa voluntária ao “encarceramento sócio-educativo” e também deveria render pontuação para provas de títulos em concursos públicos e acesso universitário, além de ser requisito obrigatório para o acesso aos quadros das polícias (mesmo que venha a haver desmilitarização das PMs).

Sei que muita gente tem “bronca” ou antipatia pelo militarismo, mas ele é necessário e inescapável à qualquer estado, nem que seja como força de defesa e guarda nacional ( o que é diferente das chamadas forças de linha ou expedicionárias).

Para além disso as forças armadas ajudam fortemente na formação de cidadãos mais comprometidos, ordeiros e resilientes, não tenho dúvidas que é bem melhor ter soldados da nação que soldados do tráfico ou jovens vulnerabilizados para tudo que isso possa significar.

Finalizando, não quer dizer que eu apoie o projeto como ele está, mas acredito que o serviço militar é um bom caminho para problemas que rondam e envolvem a juventude.


1 comentário

O rolezinho e a reação metaracista brazuca.

size_300_rolezinhoCom esse assunto disseminado neste final/inicio de ano, inicio as postagens de 2014, falando um pouco do  “rolezinho” (mobilização de jovens da periferia [leia-se pobres e majoritariamente negros] para “ocupação” de espaços tradicionalmente ocupados pelas classes mais abastadas e “brancas’, em especial os shopping centers).

A reação não apenas dos administradores dos shoppings (reprimindo a prática truculentamente, através das seguranças internas e com apoio de forças policiais) como o posicionamento solidário de lojistas e frequentadores e até manifestações claramente preconceituosas por parte da imprensa, desmascara completamente o que os “neo-democratas-raciais” insistem em tentar negar e “amenizar”,  o apartheid prático mas não declarado, estabelecido entre as classes hegemônicas e virtualmente brancas  e a “plebe” periférica, pobre e negra… .

Essa juventude que embalada pelo funk ostentação (que incita os excluídos do sistema a querer ser atores ativos no mundo do consumo supérfluo, a compartilhar dos espaços e símbolos dessa prosperidade acessível aos providos de “cidadania plena”), e mobilizada a partir das redes sociais (e muitos dirão: “maldita inclusão digital”) incomoda e assusta as  “pessoas de bem” que se julgam as naturalmente e  únicas habilitadas ao acesso aos templos do consumo e lazer… .

Os rolezinhos, apesar de “manifestações” pacíficas e dos jovens envolvidos e constrangidos por seguranças e policiais, até então não terem podido ser enquadrados em  nada de ilegal ou efetivamente danoso a segurança de lojistas e frequentadores,  são reprimidos baseados em… nada de concreto, apenas pelo preconceito, medo e incomodo com essa gente pobre e negra que resolveu coabitar os mesmos espaços de lazer .

Essa insurgência lembra um pouco a história de  Franklin McCain, um negro que ousou pedir café no balcão errado da América

Apenas para constar, essa aspiração ao shopping center antecede em muito ao funk ostentação, inclusive o termo “rolezinho” parece totalmente retirado do contextualizadíssimo sucesso do sinistrado grupo Mamonas assassinas, “Chopis Centis” do já longinquo 1995… :

Esse tal “Chópis Cêntis”
É muicho legalzinho,
Pra levar as namoradas
E dar uns rolêzinhos

Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime
Pra pegar um cinema, do Schwarzenegger
“Tombém” o Van Daime.

Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade
É um crediário
Nas Casas Bahia “

Como já expliquei em muitos dos meus escritos, o metaracismo é o racismo pós-moderno, cínico, velado e na maioria das vezes travestido de defesa da legalidade, da ordem, da igualdade…, sem a intermediação psicológica, violenta e declarada do racismo tradicional,  mas que na realidade nada mais é que uma tentativa de manter o Status Quo, de manter “a salvo” os recursos e espaços das classes tradicionalmente dominantes (leia-se ricas e/ou remediadas e  brancas), dos postulantes pobres e/ou não brancos a compartilhar tais recursos e espaços… .

Em tal sentido se comprova atualíssimo o que Blumer em 1939 já identificava : São quatro os sentimentos que, segundo Blumer, estarão sempre presentes no preconceito racial do grupo dominante: (a) de superioridade; (b) de que a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena; (c) de monopólio sobre certas vantagens e privilégios; e (d) de medo ou suspeita de que a raça subordinada deseje partilhar as prerrogativas da raça dominante. (GUIMARAES, 2004)

Nenhuma novidade no front…

Referências:

GUIMARAES, Antonio Sérgio Alfredo. Preconceito de cor e racismo no Brasil. Rev. Antropol.,  São Paulo ,  v. 47, n. 1,   2004 .   Available from . access on  14  Jan.  2014.  http://dx.doi.org/10.1590/S0034-77012004000100001.


2 Comentários

A Educação a Distância como Instrumento de Desenvolvimento Social e Regional (Monografia de Pós)

educacao_dist2Dia desses pretendia usar a  monografia da minha Especialização em EAD (Educação a Distância) em uma discussão virtual,  porém em uma busca rápida pela web não encontrei a mesma disponibilizada livremente (eu tinha publicado em meu velho site pessoal, mas na mudança de provedor o link passou a apontar para “o nada” ) nem no site de biblioteca da própria Universidade Católica de Brasília encontrei.

Portanto, não apenas para a minha comodidade de poder recupera-lá ou referencia-lá online onde eu estiver, mas também para a de quem está pesquisando o assunto, estou fazendo esse post e disponibilizando a mesma em anexo.

Apesar de contar já com 6 aninhos ela está bem atual, e por tratar de um assunto não muito explorado (pelo menos não tinha sido sistematizado em português e consolidado a partir de tantas fontes dispersas), permanece como uma das poucas referências um pouco mais abrangentes sobre o tema.

A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD) COMO INSTRUMENTO DE
TRANSFORMAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO.  
Um breve relato e reflexões sobre experiências exitosas e possibilidades

Monografia EAD como Instrumento de Transformação Social e desenvolvimento

Nela demonstro como países subdsenvolvidos e emergentes encaram a EAD com o enfoque descrito, bem como, experiências brasileiras (inclusive regionais e pouco conhecidas/divulgadas), já há uma outra versão atualizada e adaptada para ser publicada como livro em breve… :-), essa ai é a original.