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Monteiro Lopes, a real história da iguaria paraense

Trata-se de um biscoito muito apreciado e presente na memória afetiva dos paraenses, principalmente os da capital, Belém, pois, é presença certa nas festas familiares e vem marcando várias gerações, existe em duas versões.

Porém a origem da iguaria e o seu nome vinham sendo alvo de controvérsias. Como pesquisador trabalhei 150 anos da história da família Monteiro Lopes e acabei topando com a verdadeira história do biscoito.

Há uma versão “romântica a la Romeu e Julieta” onipresente na web que fala que o biscoito surgiu no século XIX, a partir da união dos filhos de famílias rivais (uma negra e outra portuguesa) que possuiam padarias no ver-o-peso e produziam biscoitos distintos, ao casarem, juntaram os nomes das famílias e as receitas formando então o biscoito e nomeando-o Monteiro Lopes.

Isso porém é falso, não há qualquer registro, ao menos ainda não foi encontrado, da existência do biscoito de fins do séc. 19 até meados do séc. 20, e as pessoas que referem a versão não são memorialistas nem de fato publicaram sobre, é portanto um caso típico de “lenda urbana”.

Há uma segunda versão, menos popular, de que o doce e o nome seriam uma homenagem ao falecido Desembargador Agnano Monteiro Lopes, belenense negro nascido em 1910, que foi presidente do Tribunal de Justiça do Pará entre fins dos anos 60 e meados dos 70. A “homenagem” seria pelo fato do mesmo ser visto como “preto por fora e branco por dentro”, uma referência que durante muito tempo se pretendeu elogiosa à pessoas negras extraordinárias, mas na verdade de grande carga racista, o famoso termo “preto de alma branca”.

Essa versão é meia verdade, sim, o nome tem a ver com o Desembargador Monteiro Lopes, mas não pelo motivo aludido. A história real é outra e parece óbvio ter inspirado a primeira versão “romântica”.

Muito jovem Agnano se formou em Direito, aos 20, foi em seguida nomeado Juiz substituto no interior, depois fez concurso para Promotor, trabalhou em Breves, interior do Pará. Lá, o negro Agnano conheceu Laura, então uma adolescente, branca, de família portuguesa e se apaixonaram. A família da jovem, por preconceito e desgosto a expulsou de casa, sendo que a mãe de Agnano, D. Júlia a amparou. Quando do casamento, uma doceira amiga de D. Júlia, inspirada na história do jovem casal de apaixonados criou o doce preto e branco e o batizou com o nome que os jovens compartilhariam ao se casar em 1931, ou seja o o sobrenome de Agnano, Monteiro Lopes. Foram 56 anos de casamento, com 4 filhos.

Essa história foi levantada por mim, combinando pesquisa em fontes bibliográficas, webbgrafia e por meio de entrevista com a filha do Desembargador Agnano, Vera Lúcia Monteiro Lopes Leite. Foi apresentada em evento científico-acadêmico de História e publicada como capítulo de livro resultante dos anais do evento.


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Estamos apaixonados por Gina Lobrista, artista de rua do Pará (reprodução)

Dessa vez estamos dando uma “reproduzida básica” 😉 em uma postagem  do Pedro Rocha no PAPELPOP .

Só para constar nosso comentário, o clipe está ótimo mesmo, parabéns para a PLATÔ PRODUÇÕES que captou maravilhosamente a atmosfera do mercado ver-o-peso em Belém do Pará, contexto em que se insere essa “nova revelação” da música paraense.

ARTISTA NOVO, GLR

Estamos apaixonados por Gina Lobrista, artista de rua do Pará

“Todo mundo conhecia aquela voz ali no mercado do Ver-o-peso, mas ninguém sabia quem ela era”, conta Jefferson Oliveira, um dos donos da Platô Produções. “Nós sentimos que ela precisava de um clipe”.

Gina topou na hora, mas ficou com um pé atrás porque já tinha sido enganada muitas vezes. “Ela não confiou 100%, mas levamos ela até a nossa faculdade e mostramos pra ela o nosso ambiente e logo ela ficou mais tranquila”, disse Jefferson.

O clipe de “Eu Estou Apaixonada por Você” mostra a Gina encarnando várias mulheres que passam diariamente pela feira Ver-o-Peso, além de mostrar também um pouco da sua própria rotina carregando seu microfone pela cidade.

O resultado ficou incrível, né? Viva Gina! Nasce uma nova musa em Belém do Pará!

POR PEDRO ROCHA EM 26/09/2014 13:20


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Diretório dos índios do Marquês de Pombal : ou quando se acirrou a diferença social entre nativodescendentes e afrodescendentes no norte do Brasil.

negro-indio

introdução

O presente texto tem como objetivo esclarecer de forma sucinta e simples, conceitos básicos e históricos relativos ao entrelaçamento da população indígena e da de origem prevalentemente indígena desetinizada e/ou miscigenada (referenciada popularmente como parda de origem indígena ou “cabocla”), com a população afrodescendente (descendente de africanos independente de fenótipo característico ou miscigenado) sob o manto comum de população “negra” no norte do Brasil.

Além, das tentativas de desentrelaçamento, identificar a origem das trajetórias de diferenciação dos lugares sociais e condições de mobilidade social particulares de cada um dos grupos a partir de lei real datada de 7 de Junho de 1755, tratando de ordenamento de relações estatais e sociais nas “Povoações dos Índios do Pará, e Maranhão” (regiões administrativas coloniais que à época concentravam os territórios de outros atuais estados da região norte como o Amazonas e do nordeste como o Piauí e Ceará).

Para notação mais clara, passo a utilizar o termo nativodescendente para designar genericamente tanto indígenas quanto descendentes miscigenados ou sem etnia autodefinida e somente indígenas quando o contexto indicar o sentido corrente do termo.

Cabe lembrar também que o termo NEGRO, passou a ser utilizado por introdução dos espanhóis a partir do século XVI com o sentido de escravo/escravizado, sendo aplicado a todos em tal situação (tanto para africanos quanto para indígenas americanos).

Por economia textual e para conscisão, remeto as informações referentes ao Marquês de Pombal e sua relação com a administração do estado português e sua então colônia brasileira e a questão indígena para hipertexto (texto externo).

O início da questão

De conhecimento amplo é o fato que durante a colonização do Brasil, os primeiros escravizados para fins de mão de obra, foram os nativos brasileiros (ou simplesmente índios) cuja abolição oficial da escravidão veio em três episódios:

1) em 1o de abril de 1680 (através de lei real, na realidade inócua)

2) em 7 de junho de 1755 (a já citada lei tratando do Pará e Maranhão)

3) finalmente, em 1758 a medida foi estendida por alvará para o então Estado do Brasil .

Até então era comum os indígenas escravizados serem referenciados por “Negros da Terra” ou simplesmente Negros, referência também utilizada entre o próprios escravizados.

A utilização de mão de obra africana escravizada na América começou por volta de 1550 (segundo alguns historiadores por volta de 1570 no Brasil), ou seja, por mais de 180 anos, foram “Negros” tanto os africanos e descendentes quanto os indígenas e descendentes escravizados no Brasil ( obviamente com natural miscigenação entre os dois grupos…).

Portanto, apesar de ser corrente a interpretação de que Negros seriam os descendentes dos africanos escravizados, há bom espaço conceitual e histórico para “encaixar” na população negra (ou simplesmente descendente de escravizados) a descendência dos ” Negros da terra” , ou seja, a população parda de origem indígena (os populares “Caboclos”).

Do ponto de vista sociológico, e apesar dos fatores de diferenciação na mobilidade social que serão explanados adiante, os indicadores sociais e vicissitudes da maioria dessa população não difere razoavelmente da maioria da população afrodescendente, sendo inclusive para fins afirmativos não desagregada da população negra.

A encruzilhada

Se até meados do séc. XVIII Negros africanos (juntamente com os “crioulos”, negros aqui nascidos) e Negros da Terra, seguiam uma trajetória social relativamente comum, seguidos a certa distância pelos Índios que resistiam à escravização e maiores contatos com a sociedade envolvente (sendo por tal paulatinamente exterminados).

Em tal ponto se dividiram em três direções distintas, os afros seguiram escravizados e desprovidos de cidadania, os indígenas assimiláveis às regras “civilizatórias” impostas pela coroa e os antigos negros da terra ganharam cidadania e foram incorporados com respeitos à sociedade envolvente, enquanto os indígenas resistentes à assimilação, passaram a ser vistos como completamente inúteis aos interesses da sociedade branca, além de “entraves” à expansão das fronteiras de colonização e exploração de recursos naturais, portanto alvos naturais de extermínio e expropriação (situação que apesar da atual proteção do estado, permanece atualíssima).

Neste ponto é interessante e esclarecedor a leitura do seguinte trecho da Lei real de 1755 (com a linguagem e grafia originais da época) que mudou a situação de indígenas assimiláveis e descendentes perante a sociedade :

“10 – Entre os lastimosos principios, e perniciosos abusos, de que tem resultado nos Indios o abatimento ponderado, he sem duvida hum delles a injusta, e escandalosa introducçaõ de lhes chamarem NEGROS ; querendo talvez com a infamia, e vileza deste nome, persuadir – lhes, que a natureza os tinha destinado para escravos dos Brancos, como regularmente se imagina a respeito dos Pretos da Costa de Africa. E p orque, além de ser prejudicialissimo á civilidade dos mesmos Indios este abominavel abûso, seria indecoroso ás Reáes Leys de Sua Magestade chamar NEGROS a huns homens, que o mesmo Senhor foi servido nobilitar, e declarar por isentos de toda, e qual quer infamia, habilitando- os para todo o emprego honorifico: Naõ consentiraõ os Directores daqui por diante, que pessoa alguma chame NEGROS aos Indios, nem que elles mesmos usem entre si deste nome como até agora praticavaõ; para que comprehendendo elles, que lhes naõ compete a vileza do mesmo nome, possaõ conceber aquellas nobres idéas, que naturalmente infundem nos homens a estimaçaõ, e a honra. ” (Apud ALMEIDA , 1997)

Os desdobramentos

Pela leitura do trecho anterior, não fica difícil imaginar os desdobramentos de tal ato, a saber :

a)a instalação de generalizada mentalidade de “superioridade” do índio e de seus descendentes “caboclos” em relação aos negros (naquele momento passados a ser considerados apenas os afros)

b)o reforço da estigmatização do negro e da “necessidade” de rejeitar por todos os meios tal “pecha”, uma maior aceitação e mobilidade social do nativodescendente

c) o surgimento da tradição popular de invisibilização e negação da presença negra na região

d) a geração de um grande intervalo temporal e diferença de condições iniciais da trajetória de nativosdescendentes e afrodescendentes enquanto livres cidadãos (com óbvias consequências no rankeamento social atual de ambos aos grupos).

Hoje a população autodeclarada preta e parda na região diretamente atingida pelo ato pombalino de 1755 é a seguinte :

pop-cor-CENSO-IBGE-2012-norte-UF

FONTE: IBGE CENSO 2010

Interessante observar que no Ranking (RK) nacional os 3 estados com maior população autodeclarada parda estão na região, assim como os dois de maior população indígena, apenas Maranhão e Piauí aparecem entre os 4 com maior população autodeclarada preta e Pará (tido como uma das grandes portas de entrada e fixação de escravos na região) ocupa a a 11ª posição e o Amazonas (em cujo o estado a presença negra sempre foi tradicionalmente negada e invisibilizada) ocupa a antepenúltima posição nacional em pretos autodeclarados.

Interessante observar que apesar de reconhecida “naturalmente” como terra “predominantemente indígena ” ocupando a segunda posição no ranking nacional relativo a tal população, possui em termos percentuais empate estatístico com o percentual de autodeclarados pretos (estes como já dito, tradicionalmente invisibilizados e negados na composição étnico-racial do estado).

A se seguir porém o critério do IBGE (utilizado desde 1872 no primeiro censo brasileiro) que agrega pretos e pardos na população negra, Amazonas e Pará seriam os dois estados de maior proporção populacional negra… coisa que faria total sentido se baseado no conceito apresentado de população negra como descendente de escravizados e não apenas afrodescendente, o que gera porém uma grave imprecisão de origem e pertença da população regional.

De fato e perceptível empiricamente, constata-se que a grande maioria dessa população (mas não toda ela) autodeclarada parda possui traços indígenas e não africanos.

Ao mesmo tempo que seguindo o preconizado na lei do diretório pombalino, introjetada e repassada de geração em geração, rejeitam a associação estigmatizada com “Negro” ou como parte da população negra, e não podendo se colocar como indígenas (esses etinizados) nem como brancos, reconhecem a origem indígena (a marca, presente no fenótipo) mas em geral reforçam, valorizam e reivindicam uma identidade “cabocla” não necessariamente acoplada exclusivamente ao fenótipo mas principalmente uma cultura caldeada e característica da região amazônica.

A solução para tal impasse a nosso ver, e sem ferir os princípios que norteiam a moderna pesquisa de populações e políticas públicas, surgiria com a reformulação das categorias censitárias para as de ancestralidade geográfica (nativodescendentes [etinizado/ desetinizado] , eurodescendentes, afrodescendentes e asiaticodescendentes), emprestando assim maior precisão à pesquisa censitária e todos os desdobramentos.

A conclusão

Diante do exposto ficam aclaradas algumas situações características à região norte do Brasil no tocante a temática e que sem maiores complementos também pode ser estendida ao restante do país.

A trajetória dos nativodescendentes assimilados, após o ato pombalino foi bastante facilitada e estabeleceu as condições para que hoje os mesmos estejam bem distribuídos ao longo de toda a pirâmide social (nacional e regional), coisa que ainda não ocorre com a população afrodescendente, majoritariamente concentrada na base da pirâmide e iniciando deslocamento massivo para o centro.

Referências

ALMEIDA, Rita Heloísa de. O Diretório dos Índios: Um Projeto de “Civilização” no Brasil do
Século XVIII. Brasília , UnB, 1997.

Brasil Escola . Reformas Pombalinas


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Android :Instalando direto ou movendo Apps para o cartão SD (e sem root)

apps-no-sd

ATUALIZAÇÃO: Amigos, não trabalho com telefones, nem sou especialista em celulares chineses (já tive alguns mas não uso mais), esse post é resultado de pesquisas pessoais que simplesmente organizei e repassei para ajudar quem passa pelos mesmos problemas e necessidades que passei, portanto, não poderei ajudar mais do que isso que já postei, porém podem comentar e se tiver alguém que possa ajudar de certo a pessoa o fará, mas eu pessoalmente não estarei mais respondendo aos comentários OK?

Um dos problemas que sempre afligiram os felizes proprietários de Smartphones com Android, é o fato de que com tantos aplicativos disponíveis e grátis, encher rapidamente  a memória interna do aparelho ao instalar aplicativos é coisa comum ( fato que se agravou com a profusão de androids mais baratos e com menor memória interna).

Pois bem, a solução para isso é teoricamente simples, utilizar  a abundante memória externa ou cartão SD (que em alguns casos pode chgar a incríveis 32 GB, que para o padrão móvel celular é uma “baita memória”), na teoria é fácil, mas na prática… .

Em geral para tal tenta-se primeiro instalar aplicativos que façam a movimentação fácil de aplicativos da memória interna para o SD e vice-versa (o próprio sistema operacional tem essa possibilidade, acessando Configurações> Aplicativos> Gerenciar aplicativos), o problema é que nem todos os aplicativos podem ser instalados no SD e dá um trabalhinho ficar movendo aplicações, sem contar que como o google play instala automaticamente na memória interna, com ela cheia nem sempre há espaço para instalar o aplicativo e depois transferir, sendo assim seria bem melhor que a instalação fosse feita diretamente no cartão SD.

Para fazer este tipo de hackeamento no aparelho, normalmente é preciso que ele esteja “rooteado” (liberado para utilização do superusuário, como se fosse um administrador em um PC), processo nem sempre fácil para leigos e principalmente se o seu aparelho é de algum obscuro fabricante chinês…, logo, melhor seria uma solução que permitisse mudar o local padrão de instalação mas sem o root…, e eis aqui a “mágica” 🙂 :

1º Tem que baixar e instalar no seu PC o software de desenvolvimento utilizado por programadores da Apps Android,  o SDK (se seu PC roda Windows de 32 bits (XP ou WIN 7 home basic) é este aqui, se roda 64 bits (WIN 7 premium) é este  aqui), depois que baixar e descompactar rode o instalador e deixe ele fazer a atualização.

2º Com o SDK instalado e atualizado, conecte o seu Smartphone ao PC via USB, (não ative o modo de armazenamento/ uso do cartão SD), ah ! e não se esqueça de mudar o modo Depuração USB (Configurações>Aplicativos>Desenvolvimento>Depuração USB) para ativo, o PC deve reconhecer o seu telefone facilmente pois o SDK vem com os Drivers USB da Google que funcionam praticamente com todos os Androids.

3º Pelo PC vá até a pasta onde o SDK foi instalado ( normalmente “C:\Arquivos de Programas\Android\android-sdk”) então clique com o botão direito do mouse na pasta “platform-tools” ao mesmo tempo que mantém a tecla “Shift” do teclado pressionada (vai aparecer um menu de contexto) clique  então em “Abrir janela de comando aqui” .

4º Neste ponto você vai estar de frente com uma tela preta para comandos digitados em linha (como no DOS e no Linux), não se assuste pois a coisa é simples, apenas digite adb.exe e depois tecle enter,  aguarde até o prompt de comando aparecer novamente e ai digite adb shell  e tecle enter novamente,  se tudo estiver ok vai aparecer um prompt diferente com o símbolo $, vamos para o comando final , digite :

pm setInstallLocation 2 (atenção para o maiúsculas e minúsculas, tem que ser exatamente como está na instrução) e tecle enter,  abaixo o look de como deve aparecer:

android-adbshell

Prontinho, seu Smart, já está configurado para instalar direto no cartão SD,desligue o aparelho da USB, para testar, vá ao Google Play e baixe um aplicativo qualquer, depois vá em Configurações> Aplicativos> Gerenciar aplicativos e veja se ele está constando como instalado no SD… .

* Tutorial adaptado e simplificado de outros existentes ai pela web