Blog do Juarez

Um espaço SELF-MEDIA


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Quando o cabelo afro vira “crime”…

boneca-cabelo-blackEm curso no interior do Amazonas uma situação que exige atenção dos movimentos de negritude, da sociedade em geral, da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-AM e dos órgãos envolvidos.

Em visita à cidade de Maués (conhecida como a “terra do guaraná”, por ser de onde provem a planta que produz o fruto do qual se extrai o xarope para fazer o famoso refrigerante), conheci no hotel em que me hospedei, um simpático senhor maranhense, trabalhador do hotel e sua filhinha, uma linda garotinha negra de menos de 2 anos, bem cuidada e com um cabelo ao estilo “black” que lhe confere um jeito ainda mais “fofo”.

Ocorre que não se sabe por quais cargas d’àgua, uma conselheira tutelar, foi até a casa do cidadão, sendo atendido pela esposa do mesmo;  momento em que a conselheira informou que recebeu uma “denúncia” de que a filha do casal vivia “abandonada pela rua e malcuidada”, a mãe assustada, afirmou que isso não era verdade e chamou o marido, que ao chegar para ver o que sucedia já foi logo sendo tratado de forma grosseira pela conselheira, tendo a mesma repetido as acusações em voz alta e alterada diante da família, “avisando” que o mesmo poderia ser preso pelo “crime de abandono”, no que atônito argumentou que devia estar havendo algum engano, foi ai que a conselheira permanecendo na atitude prepotente, passou de todos os limites.

Pegando no cabelo da criança, disse que o mesmo deveria cortar o cabelo da menina, pois estava “grande e alto” (em óbvia demonstração de que entendia o cabelo afro da garotinha como “inapropriado” ou sinal de “maus cuidados”), nesse momento o pai irritado com a clara ofensa racial, perdeu a calma e xingando a conselheira a empurrou e expulsou de sua casa.

 A conselheira se sentido ofendida e “desacatada” entrou com queixa-crime contra o pai ofendido e em breve o inquérito policial pode virar processo, e não podemos informar mais dados no momento pois pode vir a correr em segredo de Justiça.

Vemos aqui que está ocorrendo uma inversão das coisas, e esperamos que o clássico “deixa pra lá” ou em pior hipótese a punição do verdadeiramente ofendido não ocorra, principalmente por falta de entendimento da questão pelas autoridades envolvidas, o que ocorreu foi um ato arbitrário e  racista (não de mera “injuria racial”) perpetrado por um agente público no exercício da função, sendo esse o ato a punir, a reação de um cidadão dentro de sua residência a um abuso desses não é agressão é autodefesa.


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Pai “matou” notebook de filha por causa do facebook

O  título pode parecer bizarro mas foi justamente isso que aconteceu… :-), depois de descobrir que a filha adolescente havia postado um mensagem malcriada reclamando dos pais e alegando “maus-tratos” por ter que realizar pequenas tarefas domésticas (como ter que arrumar a própria cama),  Tommy Jordan que é diretor de uma empresa de TI nos  EUA, fez um vídeo para o Youtube vestido de cowboy, em que depois de explicar os motivos, “executou”  o notebook da filha com nove tiros :-), o vídeo foi postado no mural  da filha no “face”.

Hannah (a filha)  que segundo o pai está definitivamente de castigo, esta afastada de recursos tecnológicos até  “que comece a trabalhar e pagar por eles” …, o fato já se tornou um viral na Internet, com versões remixadas, paródias etc… .

Como no Brasil a posse de armas e direito de tiro são muito mais restritos que nos EUA, os pais que quiserem seguir a linha terão que apelar para paus, pedras, ácidos ou talvez “atropelamentos” :-);  portanto adolescentes “rebeldes sem causa”, se não querem ver seus caros meios eletrônicos sendo “cruelmente assassinados”, prestem atenção ! …

Video legendado:  http://www.youtube.com/watch?v=iQ66y9WTwIE


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Adeus Pai !

1936 -2010

Hoje pela manhã meu pai, Juarez Clementino da Silva, faleceu aos 74 anos de idade em Pindamonhangaba, interior de SP; resistiu por mais de 90 dias internado devido a complicações após cair do telhado de casa.

Nascido no interior de Minas Gerais, perdeu o pai aos 9 anos e se mudou para a capital com a família, tendo passado por muitas dificuldades, se formou eletricista pelo SENAI e sentou praça no Exército, onde serviu por 28 anos, da arma de Engenharia, sua última transferência foi para o 2o. B E Cmb em Pindamonhangaba-SP em 1976, era Subtenente quando foi para reserva em 1986 e por lá ficou juntamente com a família; servi junto com meu pai por quatro anos e dei baixa poucos meses antes dele.

Homem extremamente culto, autodidata, sereno e bem humorado, de gosto refinado, falava línguas, amava cultura (incluindo a russa), História, Filosofia, música e as coisas boas da vida, tinha alma de inventor e de fato criou várias coisas; após a aposentadoria foi para a faculdade, se formou e pós-graduou em letras e filosofia.

Consciente, sempre se preocupou em trabalhar nossa auto-estima e consciência enquanto negros e sujeitos expostos ao preconceito e discriminação, foi também um militante crítico fazendo à sua maneira trabalho em prol da causa, devo muito ao que aprendi com ele.

Lembro muito de todas as coisas especiais e espetaculares que fez em nossa infância,  adolescência e juventude, foi um grande pai… e sinto muito orgulho de ter tido o privilégio de ser seu filho, o primogênito, o mais parecido em tudo  e carregar todo o seu nome.

A grande distância que nos separou regularmente nos últimos 20 anos, desde que me mudei para Manaus, também me impediu de estar lá agora com o restante da família e dos amigos para prestar as últimas homenagens; mas isso já não importa, sua alma agora liberta do sofrimento físico dos últimos meses há de estar em paz;  a morte faz parte da vida e também fico em paz aqui pois conforta saber que viveu a sua passagem terrena por período natural e da melhor forma que pôde.

Na minha fé resgatada de nossos ancestrais africanos, peço que minha mãe Yansã (que conduz os Eguns (espíritos dos mortos) ao Orun (outro mundo) ), o conduza a bom lugar para a vida após a vida.

Adeus Pai, valeu !


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Um ano a mais, ou um ano a menos…

Depois de uns dias sem postar (feriados emendados , dias de semana muito movimentados e fins de semana para completo relax…) eis-me aqui de volta… , ia comentar algum dos assuntos do momento, mas como já está tarde vou aproveitar  antes de terminar a data (meu aniversário), apenas para agradecer as manifestações de carinho recebidas por vários meios…, SMS, scraps do orkut, telefonemas e pessoalmente, obrigado a tod@s.

Agradecimento especial à querida amiga Carminha, Diretora da 2a Vara de família do TJAM , que além de "dura na queda e semi-biônica"  e dos muitos problemas que nós ( seus colegas do Tribunal) sabemos que tem enfrentado, ainda teve tempo de se lembrar do colega e "patrocinar"  um "parabéns a você " com direito a aquela torta gelada especial  regada  à  coca-cola….:D .

Pois é … como diria meu pai, um ano a mais ou um ano a menos… tudo é questão de ponto de vista…

E lá vamos nós !  céleres a caminho do meio centenário…


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"A vida como ela é"

Não gosto de ler "imprensa marrom" nem ver programas idem, daqueles que ficam fazendo sensacionalismo e  explorando casos policiais etc…, mas hoje li no principal jornal da cidade (que não segue a linha), um caso que talvez até o grande teatrólogo Nelson Rodrigues em suas peças recheadas de perversões (para muito além do sentido e delimitações Freudianas para o termo…) não tivesse imaginado.

Uma garota de 12 anos, era costumeiramente abusada sexualmente pelo padrasto, e como é padrão ao contar para a mãe a mesma não acreditou (até ai a história é  infelizmente "clássica e cotidiana" ); a "solução caseira" foi o envio da garota para a casa do pai; que pouco tempo depois, sabendo do "motivo do exílio" da filha, também passa a abusá-la…, fato descoberto, testemunhado e denunciado por vizinhos; nova "solução caseira" transferir a garota para a casa da tia (irmã do pai), onde se ficou sabendo que não apenas o pai abusava da menor, como também um irmão… .

Só espero que "tios"  e primos sejam menos "vorazes" …

Triste, mas é " a vida como ela é"…

Link para a notícia: http://www.acritica.com.br/content/not-detail.asp?materia_id=158313

Mas podemos reduzir isso, faça sua parte, divulgue o Disque Denúncia Nacional ou de Manaus :0800 92 14 07, ambos números podem ser utilizados.