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Denegrindo corpo docente da UFAM Profª Ednailda se torna mestre

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Antes que alguém se “indigne” ou fique confuso com o título do post…, explico .

Segundo o dicionário :

denegrir

v.t. Fazer negro; escurecer.
Fig. Atacar a reputação, o talento de alguém; desacreditar; depreciar; macular, manchar.

denegrido

adj (part de denegrir) 1 Que se denegriu. 2 Enegrecido, fosco.
sm 3 pessoa desqualificada: É malandro porque cresceu entre denegridos.

denegridor

adj (denegrir+dor) Que denigre.

A maioria das pessoas só conhece  o termo no seu sentido figurado,  além disso, nem de longe imagina que o termo é utilizado  corriqueiramente como sinônimo de “ofensa / mácula” pela simples e racista associação depreciativa  relacionada com “fazer negro ou escurecer “;  porém recentemente e no sentido contrário, ativistas dos movimentos negros passaram a utilizar o termo no seu sentido original,  primeiro para “chocar e chamar a atenção” das pessoas sobre suas práticas/mentalidades racistas desapercebidas/inconscientes presentes inclusive nas falas cotidianas e segundo para de forma AFIRMATIVA levar a  um entendimento de POSITIVIDADE  o termo negro e “coisas de negros”, ou aos atos de INSERIR/ VISIBILIZAR negros ou ASSUMIR negritude.

Toda essa introdução foi para explicar que a Profª Ednailda Santos, que trabalha  no interior  do estado no campus da UFAM-Universidade federal do Amazonas na cidade de HUMAITÁ  (e  junto com o marido Mazo, é uma das mais combativas militantes dos movimentos negros do estado), fez ontem 27/04(terça-feira) às 15h a sua defesa da dissertação de  mestrado em educação intitulada: Identidades e trajetórias de docentes negra(o)s da UFAM.

O trabalho é pioneiro nos programas de pós-graduação da UFAM pois inaugura o trato da questão étnico-racial  negra na região, até então apenas  os assuntos ligados a indígenas eram abordados nessa temática.

A importância do trabalho também se deve ao fato de dar “visibilidade identitária”   e numérica aos negros do corpo docente da universidade… denegrindo-o (tornando negro /  visibilizando a negritude ); ao mesmo tempo que provoca para o debate sobre as questões que envolvem a diversidade na universidade de maneira geral, desde o acesso à graduação, passando pela discussão e  combate ao racismo institucional, formação de linhas de pesquisa que favoreçam o ingresso de pesquisadores negros e/ou sobre a temática da presença negra na região ou simplesmente de professores negros atuantes em outras áreas…

A Banca :

A Profª. Maria Lúcia Miller da UFMT, em sua arguição teceu vários elogios ao trabalho e sobre o talento para a pesquisa  e possibilidade futuras,  também algumas considerações visando melhoria da versão final da dissertação (que tem 60 dias para ser entregue).

A Profª. Dra. Patrícia Sampaio da HISTÓRIA/UFAM, frisou a importância da abertura da temática no Programa de Educação, pois “abre uma estrada” ao questionar academicamente algo relacionado com uma peculiar visão/relação regional sobre a presença negra,  elogiou a inovação da  utilização do estilo narrativo; emocionada falou sobre o orgulho em ter  como colegas os  5 professores negros auto-identificados  e  citados  no trabalho (além da própria mestranda); obviamente como em toda defesa de dissertação também alguns questionamentos e “provocações” para o futuro, entre elas o fomento do esperado NEAB-Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UFAM.

A Profª. Dra. Rosa Helena Dias  da FACED/UFAM (Orientadora), lembrou as dificuldades pessoais enfrentadas pela Mestranda, como  uma gestação no meio do processo e filhos pequenos entre outras coisas, falou também sobre a “troca de linha” de pesquisa ao ser selecionado o projeto de Ednailda, re-encaixado então em “Formação de professores”  e das peculiaridades da  turma MINTRA (Mestrado interno) composta por 15 mestrandos, dos quais essa foi a primeira defesa apresentada.

Na sequência da defesa e da divulgação da aprovação unânime, a  diretora da FACED,  Profª Dra. Arminda Mourão destacou a importância da temática levantada e da pertinência com o contexto atual em que se discute e fomenta a visibilização e inserção negra no ambiente universitário e em melhores patamares da sociedade

Foi apresentado um vídeo com depoimentos de professores negros e negras  da UFAM citados no trabalho;   e em seguida  foi oferecido pela direção da FACED um coquetel em que se aproveitou para homenagear  além da Profª Ednailda , o Prof. Isaac Lewis (representado por seu filho, egresso da universidade), um dos professores negros da UFAM cuja trajetória foi objeto da pesquisa, na oportunidade integrantes do corpo docente da FACED, representantes da Associação dos Docentes da UFAM, utilizaram da palavra,  também fomos convidado pela diretora da FACED a nos manifestar enquanto representação do Movimento Negro local.

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Por uma dessas raras e gratas “coisas da vida”, se fazia presente na apresentação e homenagem que se seguiu, uma visitante muito “sintonizada” com o contexto do dia, a professora Vera, negra  com mestrado em Educação pela PUC, vinda do interior de SP especialmente  para prestar o concurso para novos professores da UFAM (que coincidentemente está ocorrendo ao longo dessa semana).

Em conversa com a mestre Vera, a mesma nos disse  que estava muito feliz com o que viu e ouviu e o clima de “abertura”  e sensibilidade à questão da inclusão negra que sentiu na FACED; já que os processos de seleção (que envolvem entrevistas e testes orais)  tanto para candidatos a mestrado quanto para professores das universidades federais, costumam de maneira geral ser  “pouco permeáveis”  à negros e negras;  acreditando que deverá portanto ter mais chances de ser aprovada  tão somente baseado no mérito e competência técnica,  sem  teoricamente a tradicional e velada “barreira” comum em tais situações.

Com a provável aprovação de Vera a UFAM estaria “ganhando”  praticamente ao mesmo tempo, duas novas professoras com mestrado e negras… ; estamos na torcida !