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Quem tem medo de Morgan Freeman ?

O mais recente viral da web, é a discussão sobre um já não tão novo vídeo em que o famoso ator Morgan Freeman (dispensa apresentações, mas apenas para contextualizar para algum alienígena, ou alguém recém-saído de um coma de 30 anos possa entender.., é negro), em que perguntado em uma entrevista, sobre a sua opinião em relação à prática brasileira de se ter um mês ou dia da consciência negra, o mesmo critica tal necessidade.

Não é difícil dizer de onde vem (justo na época de alta visibilidade provocada pelo dia da consciência negra) esse “providencial requentamento” do vídeo, artigos entusiasmados e aplausos fervorosos ao “desapego” de Freeman a uma situação tão cara não apenas para a militância negra brasileira, mas até para aqueles negros não ativistas, que aproveitam o dia da consciência negra para demonstrarem um mínimo de orgulho afirmativo… .

Vem e é obvio, das mesmas bandas daquele pessoal que após grande esforço meta-racista, viram sucumbir suas intenções de barrar as ações afirmativas para a população negra, como por exemplo a aprovação das cotas universitárias com recorte racial.

Depois do “chororô” pela derrota de seus argumentos e também de um anunciado e merecido ostracismo; sim eles estão de volta…, os neo-democratas-raciais ganham novo fôlego em sua cínica campanha anti-negro, e pensam não ser qualquer fôlego, mas um fôlego internacional, renomado e o “melhor de tudo” negro… (nada dá mais satisfação aos neo-democratas-raciais meta-racistas do que poder “usar” um negro como “capitão-do-mato” para suas intenções desagregadoras) .

Falando sério ?, não dá para se considerar a “relevância” ou “propriedade” do discurso de “deixa tudo para lá ” do agora aplaudidíssimo “discurso freemista”, tendo em vista Morgan Freeman ser um negro milionário, em uma terra de muitos negros milionários ou em altas posições sociais, aonde há uma centenária e bem desenvolvida “economia negra”.

Considerando ainda que em seu país os negros já fizeram seu “jogo pesado” contra o racismo e desigualdade há mais de 40 anos atrás, apelando para ações nada passivas à exemplo da famosa campanha dos ônibus, depois das marchas em multidão pelos Direitos Civis, partido dos panteras negras e dezenas de movimentos culturais afirmativos que iam desde a adesão ao islamismo, passando pela estética do Black Power, a premissa do “Black is Beautiful” e inclusive se beneficiando de ampla política de cotas e welfare ou bem-estar social.

Não vamos nem nos aprofundar nas diferenças obtidas do processo de emancipação com reparação ocorrido ao final do seu período escravagista, comparado com a nossa Abolição (no popular um simples pé-na-bunda sem maiores preocupações) ), faça o que eu digo, mas não faça ao que eu faço, não “cola” mais… .

Freeman, não é brasileiro, nem “brazilianista”, por mais inteligente e viajado que seja, não conhece nem entende suficientemente a mecânica brasileira de racismo e anti-racismo, aliás duvido que sequer tenha noção considerável do contexto amplo da diáspora africana fora dos EUA… (apesar de ter dirigido e atuado em vários filmes sobre a situação em África), sua opinião “Black-Yankee” ao contrário do Dólar, aqui não vale nada…, portanto fica a pergunta: “Quem tem medo de Morgan Freeman ? “

É melhor os neo-democratas-raciais brazucas arranjarem um outro “espantalho”, pois esse (assim como todos os anteriores) não vai resolver o problema dos “fazendeiros” insatisfeitos com o avanço dos indesejáveis sobre seus domínios… .

EM TEMPO , eu não havia visto o vídeo, apenas os comentários e artigos, ocorre que 1- O vídeo inicia diretamente na pergunta (fica difícil entender o contexto) , 2 – Pelo áudio percebe-se que a pergunta foi sobre um “MÊS DA HISTÓRIA NEGRA” (e num contexto norte-americano), ou seja, quem legendou o fez propositalmente para induzir ao erro quem não domina o inglês…

Isso muda um pouco as coisas (mas só um pouco), portanto, retiro a parte sobre o entendimento de freeman sobre a questão brasileira e sua “intromissão” (coloquei o trecho “desilumidado”, mas apenas isso, o resto permanece válido) , acrescento o seguinte:

Montagem by LiHS – Liga Humanista Secular do Brasil

Sem maiores comentários, Luther King, não viu a fala de Freeman mas tinha a resposta perfeita para ela décadas atrás… .


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Mandela day (um pouco atrasado :-) )

Nelson Mandela (ou simplesmente Madiba, para os mais próximos ) é unanimidade mundial quando se fala em Paz  (ganhou o Nobel) e  Direitos Humanos;  um exemplo de superação, resistência e sabedoria;  amado  não apenas pelo  povo sul-africano mas  por todo o mundo. Na segunda passada  completou 93 anos.

A data do seu  seu aniversário (18/07) foi transformada em “Mandela day” , um dia para comemorar e refletir sobre o perdão, o combate as intolerâncias e discriminações e a luta por um mundo mais justo e pacífico; no Mandela day uma das práticas sugeridas é o envolvimento por 67 minutos  (lembrando os 67 anos em que Mandela manteve a ação política por uma África do sul mais justa) em uma atividade qualquer desde que seja  para o bem comum.

Painel nova África do Sul no Apartheid Museum, Johannesburg

Bonequinho do Bispo TUTU no Apartheid Museum

Em fins de 2004 tive a oportunidade de visitar o “Apartheid Museum” em Joanesburgo e conhecer  melhor a história da luta de Mandela e de outros tantos ativistas conhecidos (como o Bispo Desmond TUTU) e anônimos, contra os absurdos do extinto regime de segregação sul-africano, é um tremendo programa que recomendo a todos que puderem um dia visitar a África do sul… , mas se não der fica a sugestão para dois ” filmaços”  que dão bem a dimensão de quem é Mandela e da sua história de luta  :

  Mandela , Luta pela liberdade,  no papel de Mandela está Dennis Haysbert (que interpreta o             Presidente David Palmer na  conhecida série de TV  “24 Horas“) ; o filme conta a história dos últimos      anos  de prisão de Mandela  até sua libertação e início da campanha pela presidência.

 Invictus, com o Morgan Freeman e Matt Damon (direção de Clint Eastwood), mostra a história de    Mandela a partir da Presidência e no processo de unificação de pretos e brancos em uma nova nação, no  filme enfocado através dos esforços e preparativos para a copa do mundo de rugby em 1995, primeiro grande evento da  nova “nação arco-íris” a unir toda a nação, independente de cor e origem. Emocionante e também com momentos hilariantes.

Tá dada a dica…