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Ufam aprova Política de Ações Afirmativas para a Pós-Graduação

ENFIM…, depois de idas e vindas, encontros e desencontros, tensão, conversas e tudo mais, saiu… . Parabéns à UFAM e todos os envolvidos no processo de reivindicação e elaboração dessa política institucional.

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A decisão do Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), em reunião ocorrida nesta terça-feira, 16, aprovou a Política de Ações Afirmativas para ingresso na Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade Federal do Amazonas. [..]  A resolução aprovada pelo Consepe será aplicada nas seleções para os 41 Programas de Pós-Graduação existentes na Ufam, sejam eles para ingresso em cursos de Mestrado, de Doutorado ou ambos. Tanto os alunos que ingressarem pela ampla concorrência quanto os que entrarem pelo sistema de cotas serão submetidos às mesmas regras em relação ao desenvolvimento de suas atividades acadêmicas e de pesquisa.

Veja notícia completa em:  http://ufam.edu.br/index.php/2013-04-29-19-37-05/arquivo-de-noticias/5021-ufam-aprova-politica-de-acoes-afirmativas-para-a-pos-graduacao


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A proficiência, o “mérito” e a pós-graduação…

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Uma das coisas de que sempre discordei, é da generalizada visão limitada de “mérito” que se tem na academia e fora dela.

Com relação ao acesso universitário de graduação e principalmente de pós-graduação no setor público; uns enxergando o “mérito” como uma coisa absoluta e plenamente observável apenas a partir de uma pontuação obtida em provas majoritariamente objetivas (no caso da graduação), e de prova subjetiva, acrescida de projeto (cuja a análise não é menos subjetiva) e por fim de uma entrevista (que por mais que se tente estabelecer “pontos de avaliação padronizados”) tem sempre condução e “variáveis de valor” em nada precisamente colocadas ou medidas. Ou seja, um integrante diferente na banca, um humor alterado, uma postura, enfim, um item qualquer que pode ser considerado inapropriado, dependendo da visão de cada examinador, pode alterar radicalmente o resultado, portanto, uma avaliação não menos carregada de subjetividade.

Agora, deixando de lado a subjetividade, vamos ver o que não tem (ou não deveria ter) subjetividade alguma, ou seja, os requisitos mínimos necessários (obrigatórios); no que pese o artigo 44, inciso III, da LDB, autoriza as IES – Instituições de Ensino superior a adotarem as exigências e critérios que julgarem compatíveis com a condição de mestrando ou doutorando. É praxe em todas os PPGs de todas as IES e condição ELIMINATÓRIA, a não aprovação em exame ou não apresentação de certificado de proficiência em língua estrangeira.

Tal exame ou comprovação tem prazos que variam de edital para edital, uns pedem como última etapa do processo seletivo, outros dão prazo de um ano (ou previamente à fase de qualificação) outros exigem para a defesa da dissertação… . Penso eu porém que sendo item de caráter eliminatório (portanto condição “Sine qua non”) e como “poderoso” indicador de “universalidade e potencial intelectual”, deveria vir antes de qualquer elemento de seleção aplicada, deveria ou fazer parte da documentação a ser homologada para confirmação da inscrição, ou ser o primeiro dos instrumentos avaliativos (e eliminatório). Para só então seguir avaliando outros itens de “mérito”… .

Ocorre que se fosse assim (e não estou nem levando em conta a questão do nível de distanciamento da língua escolhida para o português…), de metade a 2/3 dos “selecionados” (por critérios super subjetivos) não estariam “aptos” a sequer se matricularem… . E isso não ocorre pelo fato dos acadêmicos que defendem o “mérito”, saberem muito bem que “outros critérios mais pessoais e nublados” já não poderiam “socorrer” as escolhas digamos “mais simpáticas” e “perfiladas” com o padrão que entendem geralmente contemplar “os meritosos”.

Exemplo real, exame de proficiência para alunos já matriculados e cursando…: 232 candidatos, apenas 97 aprovados (41%), destes : 24 em inglês, 3 em francês e 70 em ESPANHOL… (fico imaginando a catástrofe se fosse OBRIGATÓRIA a proficiência em inglês…) .

Confesso que tenho a impressão que esses números poderiam ser na realidade mais favoráveis…, o “rigor” da correção parece ter sido exigentíssimo. Fiz essa prova (que reputo como de nível intermediário), ou seja, “gostei da prova”, não vi “dificuldades” no texto nem no seu entendimento geral e em pormenores. Texto simples sem muitas “pegadinhas” ( bom, pelo menos na minha concepção…, já que leio corriqueiramente longos textos em inglês em jornais, artigos em revistas, livros, web…, já atuei como “comprador internacional” [realizando contatos via email e telefone até com a China…]. Sou daquele tipo que assiste filme legendado e percebe diferenças entre o que foi falado e a tradução escrita… e também antecipa ou repete as falas. Todas as vezes que precisei do meu inglês, inclusive fora do Brasil em países de língua inglesa, ele nunca me deixou na mão…, espanhol idem…); e mesmo assim tirei a nota “mínima” (7.0). Sem modéstia esperava ao menos 8.5…, mas vi muitos colegas (até quem trabalha com turismo em 4 línguas…) não obterem sequer o mínimo 7.0… em inglês.

Então, com uma pedra a mais fora do caminho, vamos em frente, … NEXT !


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#partiumestrado

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Finalmente após as providências burocráticas e o período de recesso de aulas que antecedeu o início do período letivo 2014 na UFAM, cá estamos em atividades.

As primeiras aulas ocorreram não no mestrado em História (que tem aula inaugural dia 28/04), mas no de Sociologia, o motivo é que pelo fato de vir academicamente de áreas “alienígenas” às Ciências Sociais (apesar de por conta própria sempre ter estudado temas e autores e debatido no âmbito delas), achei interessante fazer como disciplina optativa METODOLOGIA DAS CIÊNCIAS SOCIAIS, não apenas como um “nivelamento” a fim de dar mais base à formação central, mas também como forma de efetivar um caro paradigma pessoal que é a interdisciplinaridade… .

Aproveitei também para iniciar “o trânsito” em outros PPGs das Ciências Sociais como o Sociedade e Cultura da Amazônia, onde assisti a aula inaugural proferida por professores do PPGSCA, Renan Freitas (emérito), Marilene Corrêa e a convidada da UNICAMP Elide Rugai Bastos (todos tiveram como mestres e orientadores nada mais nada menos que os “legendários” da Sociologia brazuca, os USPianos Otávio Ianni  e Florestan Fernandes) e transitam muito bem em temas pelos quais tenho muito interesse como relações raciais e pensamento social brasileiro.

Estou gostando muito e a minha professora de Metodologia das Ciências Sociais, é “fera”, com um curriculum e bagagens teórica e prática que dão um sentido muito interessante à formação, vale a pena conhecer só pela história de vida…, mulher negra, nascida em seringal no meio da Amazônia e que atingiu os píncaros da vida acadêmica (tendo sido inclusive Reitora), veja o vídeo abaixo, da série “A Ciência que eu faço” onde ela fala da sua trajetória.

Com o avanço do curso vou mostrando os de outros professores, como o da minha caríssima orientadora Prof. Dra. Patricia Sampaio.


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Enfim !, a academia pública…

Nada mal para um cara oriundo da área de Tecnologia e disputando 29 vagas com cerca de 70 candidatos da própria área de História ou ao menos Humanas/Ciências Sociais... , FELIZ !!!

Após uma revisão na “final mesmo” cai para 19º, nada mal para um cara oriundo da área de Tecnologia e disputando 29 vagas com cerca de 70 candidatos da própria área de História ou ao menos Humanas/Ciências Sociais… , FELIZ !!!

Subtítulo : Da graduação ao curso de mestrado em 27 anos…

Bom, talvez alguém menos ciente (ou seria consciente ?) de algumas problemáticas brasileiras, não entenda o motivo para a divulgação, uma boa dose de felicidade e o gasto de tempo escrevendo um artigo sobre um “mero” acesso a um mestrado…, talvez haja quem diga – “Ah ! é só um mestrado…” e outros ainda mais distantes do valor simbólico disso ainda acrescentem –” e ainda por cima em História…” (reforçando um certo “desdém” que as classes mais abastadas e alguns setores que se consideram “sangue azul” na academia, mal conseguem disfarçar).

Não é segredo para ninguém que o acesso de negros à universidade pública brasileira desde sempre foi mínimo, na graduação uma grande barreira imposta pelas condições prévias e sócio-históricas-familiares que tradicionalmente embarreiravam e embarreiram o negro em sua mobilidade social efetiva (que passa entre outras coisas, também pelo acesso à educação média de qualidade [e superior dos antepassados] ), minam o coeficiente de competitividade em um vestibular macro ou outra forma de processo seletivo contínuo (isso deve começar a mudar com as cotas na graduação)

Na pós graduação (em especial a Stricto Sensu, concentrada fortemente na universidade pública) a coisa também é tradicionalmente e ainda mais complicada, pois vindo em geral do ensino superior privado e noturno (que não privilegia a pesquisa mas sim o mercado profissional) e sem as desejáveis “conexões pessoais e acadêmicas” firmadas ao longo de uma graduação em uma pública, chegam os negros aos processos seletivos como verdadeiros “estranhos no ninho” (principalmente se pretendem fazer câmbio de área em relação à graduação), não que isso não ocorra com não-negros…, mas tendo em vista a temida e subjetiva entrevista (definidora final de todos os processos seletivos e ai não importa muito se existe ação afirmativa no processo, pois nesse ponto ela pode ser subjetivamente anulada…), possuir  “cor não associada” ao perfil de “bom pesquisador”  e um “projeto desinteressante/militante” (leia-se relativo a questões de interesse afro) associado a um perfil acadêmico não considerado “de excelência” (leia-se vindo da própria universidade ou de outra pública) não raro e em geral  é uma combinação “fatal”  e determinante para a “ejeção” do candidato.

No meu caso particular, além do “perfil tradicional” que acompanha a esmagadora maioria dos candidatos negros ao Stricto, há alguns detalhes que ao mesmo tempo que tornam “intrigante” tal acesso somente a esta altura da vida, ajudam a entender o elevado grau de dificuldade para vencer essa verdadeira barreira (e dai o valor aparentemente exagerado dado à conquista).

Idade atual : 50 anos ( média de idade de acesso ao mestrado, brancos 25, negros 35)

Ano da Graduação : 1987  aos 23 anos (Graduação em Tecnologia de Processamento de dados, em uma Universidade Municipal (mensalidade social), com estágio no Centro Técnico Aeroespacial, principal unidade de excelência na pesquisa da área  e de outras áreas tecnológicas relativas) .

Inicio da atividade docente : 1986 (em treinamento profissionalizantes) e em 1993 inicio das atividades como professor em cursos superiores (tendo passado por quase todas as Instituições de Ensino Superior Privado de Manaus + o Instituto Federal de Educação Tecnológica do Amazonas), tendo orientado diversos trabalhos de conclusão de curso e participado de bancas ( ou seja 20 anos sendo “mestre” em cursos superiores, mas não…)

Aceito para mestrado internacional:  em uma universidade norte-americana : 1999, inviabilizado por falta de bolsa,condições, etc…

Experiência docente no exterior:  CONVITE fui lecionar em uma universidade privada africana (Moçambique) em 2004… 

Conclusão da Pós Lato Sensu : 2006 ( mais de 19 anos após a graduação…)

Concursado no Serviço Público :  em 2007 aos 44 anos, iniciei atividades em cobiçado e concorrido cargo público de nível superior (média de idade dos colegas: 27 [ inclusive ex-alunos] )

Reprovado em  acesso à programas de Pós da UFAM:  entre 2002 e 2008 em quatro (tanto na minha área original quanto em outras), nesse ponto “intui” que minha única chance de chegar a um mestrado, seria fora do Brasil ou quando fossem lançadas as pós brasileiras a distância.

Meu Perfil :  Sou ativista social desde 1988 (25 anos de militância), e sou bem mais conhecido em função dela do que pela atuação em minha área de origem (incluindo a docência em T.I.), nesse quarto de século o estudo independente de temáticas das Ciências Sociais, tem me colocado em diversas discussões no âmbito local e nacional, não apenas na questão afrobrasileira, mas também em outras relacionadas aos Direitos Humanos como, questão indígena, gênero, políticas públicas e questões sociais em geral, tendo sido Conselheiro Estadual de Direitos Humanos, a maioria dos cursos livres e de extensão universitária que tenho feito nos últimos 15 anos, vão de áreas tão distintas como Psicopedagogia e Gestão de TI, passando por Direitos Humanos, Administração, Direito Constitucional, História e Cultura afrobrasileira e africana, Educação a Distância,  até Introdução à Antropologia Social; ou seja,  há muito tempo deixei de ser  apenas um “cara de tecnologia”, meus horizontes já deixaram de ser apenas o que acontece ou se escreve no país, leio sem problemas textos em inglês, espanhol…

Sem falsa modéstia, muito menos qualquer “soberba”, graças a minha atuação militante e estudo independente,  ao longo dos anos tenho obtido reconhecimento público, e por tal tenho sido convidado a participar de incontáveis programas de TV, rádio, entrevistas em todo tipo de mídia, palestras e mesas redondas em faculdades e na própria universidade…, tido na visão geral como “expert” em temáticas sociais ( a ponto de muita gente estranhar quando ficavam sabendo da minha formação na área tecnológica),  sem exagero e apesar de nunca ter estudado ou lecionado em uma universidade pública nem de fora nem em Manaus ( lecionei no Instituto Federal mas isso são “outros quinhentos”) conheço e sou conhecido por professores de praticamente todos os PPGs (programas de pós graduação) em Ciências Humanas/Sociais  locais, além de alguns doutores de grande reconhecimento em nível nacional e até internacional; nem lembro o número de vezes que compus mesas-redondas ou co-palestrei em eventos em que eu era o único “estranho no ninho” (nem das Ciências Sociais, nem mestre, nem doutor…, e confesso que isso sempre me causou um certo constrangimento), todavia sempre estava lá, convidado…,  nem por isso me foi oferecido ou busquei “atalhos” para ser inserido em qualquer PPG  que seja… (apesar de ter tentado me inserir várias vezes) .

Sempre li e escrevi bastante ( no entanto, sem perseguir a tal “publicação científica”), uma “googlada”  com meu nome (ou nome de citação) vai retornar dezenas de milhares de referências  (ou ainda o que eu uso normalmente para assinar postagens mais informais na web, “Juarez Silva (Manaus)”, só esse retorna  mais de 22.400 referências… ), fico feliz quando (sem ser mestre ou doutor) encontro textos meus citados em N dissertações de Mestrado em áreas tão distintas quanto Linguística, Ciências Sociais, Educação; em artigos de Doutores em Psicologia…, ou quando vejo artigos reproduzidos em sites e blogs que nem imaginava, as vezes traduzidos para outras línguas… . Mantenho este blog, um site temático e duas comunidades/grupos em redes sociais, além de me relacionar virtualmente e ser “seguido” por gente que reputo muito importante na cena intelectual brasileira, gente que tem muito o que dizer e diz muito bem… .

Concluindo

Talvez para alguém que aos 25 anos de idade já tenha obtido um doutorado… (quiças até pessoas que tenham nascido no ano da minha graduação…), entrado em um “mestrado dos sonhos” em universidade pública, direto da graduação, sem qualquer experiência docente, sem uma longa história de luta e antes de receber razoável reconhecimento social pela sua dedicação e trabalho,  essa conquista (que ainda está bem longe do fim de uma trilha tão relativamente fácil e rápida para uns), não seja “lá essas coisas”…, mas para mim que sei (e agora você também caro leitor ou leitora) o que e quanto tempo tive que “andar” para chegar até aqui, tem um valor pessoal, político e simbólico muito grande, se não é “para festa” é pelo menos para grande satisfação e motivação,  pesquisa histórica (acadêmica), aqui vamos nós! .


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UFAM inova e lança cotas raciais em Mestrados.

vitória-cotasPelo menos dois dos programas de pós-graduação da UFAM – Universidade Federal do Amazonas  (História e Antropologia Social), lançaram editais que contemplam ações afirmativas para pretos, pardos e indígenas, seguindo uma tendência que já vinha sendo adotada há tempos  nas graduações de algumas universidades federais (mesmo antes de se tornar lei apenas no caso da graduação, com a decisão do STF e a aprovação e sanção de Projetos que ficaram em discussão por quase uma década).

O pioneirismo se deve a serem programas de áreas altamente envolvidas com o estudo das temática étnico-raciais, incluindo ai as desigualdades em todas as esferas da sociedade, na realidade a cota para indígenas já existia em um dos cursos, a novidade foi a inclusão de pretos e pardos;  no Mestrado em História há apenas a solicitação de autodeclaração e de interesse em concorrer pela Ação Afirmativa no formulário de inscrição,  já no curso da Antropologia há ainda a exigência de uma declaração de comunidade ou entidade representativa (a intenção parece ser mais  que fazer “reconhecimento” da pertença do candidato,  obter um reconhecimento do compromisso e reconhecimento social do grupo que representa, e que provavelmente se refletirá no retorno em pesquisas que favoreçam e emponderem  a diversidade) .

A pós-graduação stricto sensu, tem sido tradicionalmente para os afrodescendentes um gargalo ainda pior que o acesso à graduação, convém nesse sentido ler o excelente artigo de CUNHA JUNIOR sobre isso ,  portanto essa iniciativa é muito importante e significativa em se tratando do mês da consciência negra…

Abaixo trechos dos editais :

AA-na-pos-UFAM2AA-na-pos-UFAM1AA-na-pos-UFAM3PS. as inscrições de História se encerraram hoje 04/11 e a de Antropologia amanhã cedo.


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E ai Kamel e Cia Ltda. ? o que nos dizem sobre isso ?

VERGONHA para nosso país, 3 estudantes angolanos chamados de macacos  e depois alvejados a tiros em SP…, uma estudante de MESTRADO de 26 anos morta, uma outra (grávida) alvejada na barriga… ainda hospitalizada, pois é… para quem ainda acredita nessa baboseira de que no Brasil o preconceito e a discriminação são apenas  de cunho “social” e não racial, mais uma prova contundente do quanto isso está longe de ser verdade…, não é um caso isolado e esporádico mas chama a atenção por se tratar de universitários estrangeiros, muitos dos nossos jovens negros são assassinados covardemente quando não por viverem em áreas perigosas sendo vítimas potencializadas da violência, o são por boyzinhos ou por bandidos travestidos de policiais (de farda ou sem) pagos pelo estado justamente para dar proteção aos cidadãos.

Triste…


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Denegrindo corpo docente da UFAM Profª Ednailda se torna mestre

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Antes que alguém se “indigne” ou fique confuso com o título do post…, explico .

Segundo o dicionário :

denegrir

v.t. Fazer negro; escurecer.
Fig. Atacar a reputação, o talento de alguém; desacreditar; depreciar; macular, manchar.

denegrido

adj (part de denegrir) 1 Que se denegriu. 2 Enegrecido, fosco.
sm 3 pessoa desqualificada: É malandro porque cresceu entre denegridos.

denegridor

adj (denegrir+dor) Que denigre.

A maioria das pessoas só conhece  o termo no seu sentido figurado,  além disso, nem de longe imagina que o termo é utilizado  corriqueiramente como sinônimo de “ofensa / mácula” pela simples e racista associação depreciativa  relacionada com “fazer negro ou escurecer “;  porém recentemente e no sentido contrário, ativistas dos movimentos negros passaram a utilizar o termo no seu sentido original,  primeiro para “chocar e chamar a atenção” das pessoas sobre suas práticas/mentalidades racistas desapercebidas/inconscientes presentes inclusive nas falas cotidianas e segundo para de forma AFIRMATIVA levar a  um entendimento de POSITIVIDADE  o termo negro e “coisas de negros”, ou aos atos de INSERIR/ VISIBILIZAR negros ou ASSUMIR negritude.

Toda essa introdução foi para explicar que a Profª Ednailda Santos, que trabalha  no interior  do estado no campus da UFAM-Universidade federal do Amazonas na cidade de HUMAITÁ  (e  junto com o marido Mazo, é uma das mais combativas militantes dos movimentos negros do estado), fez ontem 27/04(terça-feira) às 15h a sua defesa da dissertação de  mestrado em educação intitulada: Identidades e trajetórias de docentes negra(o)s da UFAM.

O trabalho é pioneiro nos programas de pós-graduação da UFAM pois inaugura o trato da questão étnico-racial  negra na região, até então apenas  os assuntos ligados a indígenas eram abordados nessa temática.

A importância do trabalho também se deve ao fato de dar “visibilidade identitária”   e numérica aos negros do corpo docente da universidade… denegrindo-o (tornando negro /  visibilizando a negritude ); ao mesmo tempo que provoca para o debate sobre as questões que envolvem a diversidade na universidade de maneira geral, desde o acesso à graduação, passando pela discussão e  combate ao racismo institucional, formação de linhas de pesquisa que favoreçam o ingresso de pesquisadores negros e/ou sobre a temática da presença negra na região ou simplesmente de professores negros atuantes em outras áreas…

A Banca :

A Profª. Maria Lúcia Miller da UFMT, em sua arguição teceu vários elogios ao trabalho e sobre o talento para a pesquisa  e possibilidade futuras,  também algumas considerações visando melhoria da versão final da dissertação (que tem 60 dias para ser entregue).

A Profª. Dra. Patrícia Sampaio da HISTÓRIA/UFAM, frisou a importância da abertura da temática no Programa de Educação, pois “abre uma estrada” ao questionar academicamente algo relacionado com uma peculiar visão/relação regional sobre a presença negra,  elogiou a inovação da  utilização do estilo narrativo; emocionada falou sobre o orgulho em ter  como colegas os  5 professores negros auto-identificados  e  citados  no trabalho (além da própria mestranda); obviamente como em toda defesa de dissertação também alguns questionamentos e “provocações” para o futuro, entre elas o fomento do esperado NEAB-Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UFAM.

A Profª. Dra. Rosa Helena Dias  da FACED/UFAM (Orientadora), lembrou as dificuldades pessoais enfrentadas pela Mestranda, como  uma gestação no meio do processo e filhos pequenos entre outras coisas, falou também sobre a “troca de linha” de pesquisa ao ser selecionado o projeto de Ednailda, re-encaixado então em “Formação de professores”  e das peculiaridades da  turma MINTRA (Mestrado interno) composta por 15 mestrandos, dos quais essa foi a primeira defesa apresentada.

Na sequência da defesa e da divulgação da aprovação unânime, a  diretora da FACED,  Profª Dra. Arminda Mourão destacou a importância da temática levantada e da pertinência com o contexto atual em que se discute e fomenta a visibilização e inserção negra no ambiente universitário e em melhores patamares da sociedade

Foi apresentado um vídeo com depoimentos de professores negros e negras  da UFAM citados no trabalho;   e em seguida  foi oferecido pela direção da FACED um coquetel em que se aproveitou para homenagear  além da Profª Ednailda , o Prof. Isaac Lewis (representado por seu filho, egresso da universidade), um dos professores negros da UFAM cuja trajetória foi objeto da pesquisa, na oportunidade integrantes do corpo docente da FACED, representantes da Associação dos Docentes da UFAM, utilizaram da palavra,  também fomos convidado pela diretora da FACED a nos manifestar enquanto representação do Movimento Negro local.

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Por uma dessas raras e gratas “coisas da vida”, se fazia presente na apresentação e homenagem que se seguiu, uma visitante muito “sintonizada” com o contexto do dia, a professora Vera, negra  com mestrado em Educação pela PUC, vinda do interior de SP especialmente  para prestar o concurso para novos professores da UFAM (que coincidentemente está ocorrendo ao longo dessa semana).

Em conversa com a mestre Vera, a mesma nos disse  que estava muito feliz com o que viu e ouviu e o clima de “abertura”  e sensibilidade à questão da inclusão negra que sentiu na FACED; já que os processos de seleção (que envolvem entrevistas e testes orais)  tanto para candidatos a mestrado quanto para professores das universidades federais, costumam de maneira geral ser  “pouco permeáveis”  à negros e negras;  acreditando que deverá portanto ter mais chances de ser aprovada  tão somente baseado no mérito e competência técnica,  sem  teoricamente a tradicional e velada “barreira” comum em tais situações.

Com a provável aprovação de Vera a UFAM estaria “ganhando”  praticamente ao mesmo tempo, duas novas professoras com mestrado e negras… ; estamos na torcida !