Blog do Juarez

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Privilégio branco, esse “impercebido”

Venezuelana vendedora de picolé no T2 em Manaus causa barulho nas redes sociais / Divulgação

Dizem que a gente é chato por problematizar as coisas…, matéria em Manaus dá conta de que venezuelana bonita que vende picolés em terminal de ônibus recebeu proposta de emprego com carteira assinada após outra matéria e viralizar nas redes sociais (link ao final).

Indo direto ao ponto…, o fenômeno social por trás disso é o mesmo da comoção que levou a “resgates” como o da “mendigata”, do “mendigato”, do ex-polegar Rafael e mais recentemente do crackudo Von Richtofen…, isso se chama PRIVILÉGIO BRANCO…, é “duro demais” para muitos, ver gente branca (se for bonita pior ainda) ocupando lugares sociais “inesperados”, ou seja, fazendo coisas que se não fossem brancos, ninguém sequer perceberia ou se incomodaria… 😒 #PrivilegioBranco
https://noamazonaseassim.com.br/venezuelana-que-chamou-a-atencao-por-vender-picole-no-t2-ganha-um-convite-especial-em-manaus/

#MentalidadeRacista #RacismoEmaisDoQueSePercebe #Consciencia

 


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Quando negr@ é má ideia…

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Ontem me deparei novamente com uma nada nova e original discussão acalorada, gerada por uma postagem em que se utilizou a expressão “página negra da História” . Nela tinha gente incomodada com o termo e indicando vínculo do termo com racismo e gente na mão contrária, alegando que tinha “nada a ver” e que a reclamação era “exagero e mimimi”.

Então, vamos por partes entender a questão.

Sim, os termos, escuridão, trevas, negro e negra, representam negatividade e “mal” na cultura ocidental muito antes da intensificação dos contatos entre europeus, africanos e o novo mundo, com o advento das “grandes navegações” (européias…,  bem dito, pois outros povos como os chineses já faziam circunavegação muito antes, africanos chegaram as Américas  muito antes também…, mas isso é outra história) da instituição da escravidão negra e tráfico transatlântico, antes da própria  “invenção da raça” por Linnaeus no XVII, logo, não são exclusivamente de cunho racista.

Ocorre porém, que aproveitando essa estigmatização tradicional do escuro e negro na cultura ocidental, é que foram escravizados e nomeados NEGROS, tanto africanos quanto os indígenas americanos…, esses últimos chamados “Negros da terra”, ou seja, existe sim uma forte ligação e tributo entre racismo e a estigmatização via a “negrificação” de “coisas ruins”.

A própria mentalidade racista introjetada, não é percebida pela grande maioria das pessoas, especiamente no nosso contexto brasileiro, que adota o metaracismo (racismo cínico, velado, e que não se admite como existente, por vezes posando de antiracismo), logo, também não percebem que manter e reforçar as estigmatizações com base na ideia generalizada de coisas negras como “ruins” e brancas como “boas”, é também um dos fatores de manutenção da estigmatização racista.

Não se trata de “riscar do vocabulário” o termo negro(a), inclusive apropriado e resignificado pelos próprios negros, mas de “se educar” para não utilizar o termo em construções negativadoras e depreciativas…, pois assim agindo se está colaborando para manter na sociedade a ideia geral de “branco é bom, negro é ruim”, o que no fim acaba refletindo na mesma visão em se tratando de pessoas, ou seja, ajuda a preservar a mentalidade racista e consequentemente as atitutudes e atos racistas. Simples assim… .

Apesar de não haver estigmatização e negatividade tradicional no termo branco e derivados, imagine-se enquanto pessoa branca ouvindo as seguintes frases: ” o lado branco da força, não pode triunfar” , “precisamos apagar essa página branca de nossa história”, ” branco destino da pobre mulher”, ” a política nos atinge como uma peste branca”, “Você está DEBRANQUEANDO a minha reputação” (denegrir significa, tornar negro, enegrecer, e não por coincidência também manchar ou sujar…) , desconfortável não ?, ver sua identificação e “cor” tão associada ao negativo.

Portanto, antes de acusar quem reclama da utilização negativadora  do termo negro, de “mimimi”, “exagero” ou “paranóia”, pare e pense na etimologia do termo, no seu uso histórico, que hoje pode e deve ser evitado, no desconforto “do outro” e principalmente no seu papel para tornar esse mundo menos preconceituoso, discrimatório e  desigual.

As línguas evoluem conforme as sociedades e as consciências evoluem, não há motivos para continuarmos usando coloquialmente termos e expressões como há 3 séculos passados, principalmente se hoje as entendemos verdadeiramente em sentido e esse sentido não é bom… .


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A revista People elegeu Lupita Nyong’o como a mulher mais bonita do mundo em 2014

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Lupita Nyong’o ganhadora do Oscar 2014 de melhor atriz coadjuvante .

Notícia que bombou na semana passada…, aposto que deve ter deixado muito brasileiro “não-racista” revoltado com a “flexibilidade” do padrão de beleza admitido no “primeiro mundo”, já que apesar de não se darem conta, como herança do processo de colonização mental tem afixado na mente que “o único” padrão de beleza com “mérito” para tal tipo de destaque é o eurocêntrico (ou seja, cor branca, cabelos lisos ou ondulados e o tal do “nariz afiladinho”), quem sabe com isso reflitam mais sobre a sua própria mentalidade racista (que teimosamente não conseguem enxergar) ?

Para além disso, Lupita  que é uma negra, mexicana e criada no Quênia, quebrou de uma só vez ao ganhar o Oscar, pelo menos três “tabus”….

A polêmica que estão tentando criar com relação ao fato da publicação ter “photoshopado” a foto de Lupita e clareado sua pele, é a típica tentativa de retirada de foco da questão principal, pois a indústria da moda e publicações sobre celebridades faz isso com todo mundo (inclusive pessoas de brancura européia), é uma “tara estética” ?, com certeza… vindo de um subliminar “ideal de brancura extrema” ? muito provável…, mas por mais photoshop que se utilizasse, não retirou a negritude para lá de óbvia de Lupita, muito menos a permeabilidade e nível de oportunidade,  que permitiram a ela a dupla conquista…, coisa difícil de imaginar em um contexto brasileiro por exemplo.

Outro ponto está na comparação com caso da MISS UNIVERSO 2011, mas tem algumas diferenças na questão, a primeira é que a Lupita conseguiu uma consagração mundial prévia… pelo talento artístico e não apenas pela beleza, a segunda é que beleza da Leila Lopes (que é angolana) representa uma beleza negra sim, mas é uma beleza “mulatizada” (o termo é horrível, mas não tem outro melhor para me fazer entender) que na “escala de beleza” brasileira e ocidental é até “tolerada” apesar de ser tão raro as vezes em escala global que a “beleza mulatizada” “superou” o padrão eurocentrado, tão raro que conseguimos contar nos dedos de uma mão e ainda sobra… .

O caso da Lupita vai além… a beleza dela é típica da PRETA ( o fenótipo africano “natural” , cor muito escura, sem ‘traços finos” e sem “cabelos longos e balançantes”) que via de regra é super desqualificado e discriminado, do “tipo Lupita” no Brasil o exemplo mais próximo de beleza reconhecida foi o da Pina (aquela que embasbacou o Príncipe Charles), mas veja o caso da última Globeleza (que “desagradou” muita gente, justamente por ser uma preta e não uma “mulata” como era a Valéria Valenssa), não sei se sabem, mas vejam o destino da Nayara Justino a Globeleza preta… (veja link no fim do texto), que acabou escondida pela Globo, e entrou em depressão devido a tremenda rejeição pública que recebeu, prestem atenção nos comentários… (e vejam se não tenho razão), é dessa questão que estou falando ao comparar o sucesso de Lupita com o problema brasileiro que ninguém quer enxergar…, “Com rejeição, Globeleza vira problema na Globo, que a proíbe de dar entrevistas”

 


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Para rir, revoltar mulheres ou refletir ?

instinto-masculinoBom, se você é uma pessoa normal, provavelmente em primeiro momento deve ter dado umas risadinhas com a cena acima…, se é homem deve ter parado por ai…, se é mulher em um segundo momento deve ter posto o “modo revolta com a macharada” em ON e se for feminista a esta altura já deve estar se preparando para fazer uma “campanha” que inclui atirar esse pobre blog no rol de “blogs machistas” etc, etc 🙂 .

A imagem acima encontrei em uma das “andanças” pelo facebook, e resolvi comentar por lá  “bem-humorada” e brevemente mas com um pé na análise “sócio-antropológica” da coisa, e foi ai que a coisa complicou…, obviamente fui contestado em  minha linha de entendimento básica “crítica as convenções culturais X instinto masculino”, aqui só vou aproveitar para alongar um pouquinho a minha tréplica e estimular a reflexão de quem por ventura passar por estas linhas .

Antes de entrar na questão propriamente dita, só um ligeira observação, penso que assim como no meu tema mais recorrente (africanicidades e combate ao racismo), no feminismo há também posicionamentos um tanto equivocados por parte de ativistas quanto ao que venha a ser o real objeto da causa, os objetivos a alcançar e os discursos e métodos para tal…, sou solidário a todas causas (e verdadeiras causas são todas justas), e penso que o fato de discordar parcialmente de demandas arbitrárias (falsas demandas, desnecessárias ou equivocadas) não me faz “inimigo” de nenhuma delas, isto posto vamos ao cerne da questão.

A definição de homem (no sentido de ser humano) é o de “animal racional e social”, e por mais que sejamos afetados pelos códigos e posturas culturais (umas milenares outras nem tanto, umas vigentes em determinadas culturas outras não…, mas todas artificiais e “impostas” socialmente), não podemos nos afastar “racional e cientificamente” do fato simples e natural de que somos sim parte do mundo animal e que por tal estamos sujeitos a regras e características naturais comuns a outros nossos convivas não racionais…, sejam fisiológicas, ambientais, nascimento, doenças, morte, enfim…; uma dessas características são os instintos, e entre eles o de sobrevivência e o sexual…, sendo que isso não tem religião, cultura ou código legal que consiga estirpar da nossa natureza de “animal humano” com dizia Winnicott (quando muito reprimir ou fazer sublimar, mas nem sempre…), já o “sentimento feminino de posse exclusiva do macho”  e que não é comum na natureza a qual tanto já subvertemos (pelo menos não entre a nossa classe mamífera, exceção talvez para as toupeiras) é em análise direta tão “natural” e introjetado quanto o seria o racismo…, ou seja, não deveria existir já que entre os Sapiens de fato nunca configuramos diversas subespécies, nem há de fato nenhuma razão “natural” que o “justifique”, mas mesmo assim foi “inventado” e está lá culturalmente colocado nas psiques… (principalmente as ocidentais baseadas na moral judaico-cristã)….

A imagem que dá origem ao texto é obviamente uma coisinha premeditadamente feita para fazer rir… , e humor é baseado sempre em nossas desgraças e incoerências, e tentar seguir as convenções e ter dificuldades com instintos naturais é uma delas, e é disso que de maneira curta e ilustrada trata a tirinha….


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Análise de uma fantasia sexual recorrente

Imagem "emprestada" de um site anti-violência contra a mulher...

Com certeza quem costuma ler meus escritos deve estar estranhando o tema, mas na realidade não estou enveredando por uma nova temática e saindo das minha temáticas costumeiras, estou apenas dando  foco em uma das muitas facetas decorrentes da questão.

Hoje pelo facebook, fui levado a um grupo de discussão que tem como intuito tratar a questão de gênero e violência contra a mulher, a imagem que ilustra o post foi “foto do grupo ” (imagem simbólica) escolhida pela mantenedora, para refletir a temática; um homem negro subjugando uma mulher branca de mãos atadas, para muita gente essa seria uma imagem “perfeitamente natural” para simbolizar  de forma genérica a violência contra a mulher, mas ficam as perguntas : 1) Seria mesmo ? , 2) Não há uma forma de preconceito e discriminação sendo utilizada na tentativa de chamar a atenção para uma outra ? .

Uma coisa é certa, a imagem em questão não foi feita para o contexto em que foi utilizada…, parece mais relacionada a uma fantasia sexual muito recorrente (basta dar uma vasculhada básica em  contos eróticos disponibilizados aos montes pela web) entre mulheres (notadamente brancas), em que as mesmas seriam raptadas, subjugadas e violentadas por homens “rudes, fortes, bem-dotados e obviamente marginais” que não por acaso seriam também negros …; mas afinal, de onde vem isso ? , quais os motivos ?; é o que tento destrinchar na sequência.

Não é preciso ser psicólogo para saber que sonhos e fantasias tem muito a ver com traumas, frustrações, medos e conceitos introjetados ao longo da vida, mas também desejos reprimidos ou não, expectativas não realizadas ou mesmo experiências positivas e negativas.

Pois bem, há quem defenda que enquanto integrante do reino animal, o ser humano não está isento da programação primária reprodutiva, os instintos animais mais elementares estão lá guardados no DNA e no fundo de nossas mentes, o que nos diferencia dos chamados animais irracionais é a capacidade de  invenção e nos pautarmos por códigos culturais e sociais muito mais elaborados, ou seja, todos temos dentro de nós “bestas-feras” (seriam os tais INNER MONSTERS a que se refere a Psicologia ?) devidamente “neutralizados” (pero no mucho…), sendo assim, o desejo de ação sexual primária e tosca é um componente natural da psique, mas sobreposto  pelo “EU elaborado” e pelo “EU moralizado” (vide o conceito de ID, EGO e SUPEREGO).

A psique  femininina primitiva foi “preparada” para  o homem primitivo, anseia por ele, mas as camadas “superiores” anseiam por outras coisas cultural e socialmente introjetadas, trocando em miúdos, mulheres buscam conscientemente por gentlemen, mas inconscientemente por trogloditas… .

É ai que entra o racismo “inconsciente”; levadas pelo contexto histórico racista que atribuiu aos negros em geral (mas principalmente aos homens) características de inferioridade moral e intelectual, mas também características físicas e de vigor exarcerbados, além de uma real marginalização a que foi submetido majoritariamente o grupo negro (gerando além de alguns marginais (criminalmente falando), obviamente uma falsa imagem generalizada e estigmatizada), muitas mulheres brancas (e também muitos homens) construiram em suas  mentes o “troglodita perfeito”, que se manifesta nas erupções do inconsciente em forma de sonhos e fantasias eróticas, ou seja, mentes com racismo introjetado, manifestam o mesmo até nos desejos mais recônditos.

Voltando então à questão do uso indequado da imagem no contexto que foi utilizada; não é correta pois boa parte (se não a maior) da violência física contra a mulher se dá no ambiente doméstico, e esse no Brasil é predominantemente endogâmico (no caso dos brancos supera 80% , ou seja, mulheres brancas majoritariamente tem companheiros também brancos),  pelo lado da violência não doméstica também não é correta, pois também não há nada que comprove (pelo menos desconheço) que a maioria dos violadores (que é o que dá a entender a imagem) sejam homens negros e as vítimas mulheres brancas (ou será que mulheres negras também não sofrem violência e homens brancos também não a praticam ? ), aceitar passivamente a “naturalidade ” da imagem no contexto em que foi utilizada, revela o quanto de mentalidade racista está introjetada em quem “não vê  nada demais”  na mesma;  por qual motivo não  se colocou um homem branco e uma mulher branca como protagonistas simbólicos ?,  ou mesmo uma mulher negra e um homem branco como vilão ? (muito mais coerente com a história de violência contra a mulher no Brasil ? ) ;  é preciso que as pessoas que combatem um determinado tipo de preconceito e discriminação, entendam, sejam solidárias e combatam todos os outros tipos também.


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Afinal, o ator Rodrigo Lombardi foi racista ? ou não ?

O ator global e “galã ” da novela das  23 horas (O Astro), Rodrigo Lombardi;  está protagonizando também uma grande polêmica (principalmente na web); que começou ao fazer no programa do Faustão do último domingo (04/09), uma declaração considerada racista por muita gente e “normal” por outro tanto… .

Ao ser instado para citar um ídolo, Lombardi emocionado citou Sammy Davis Jr. (cantor, dançarino e ator negro norte-americano de muito sucesso entre os anos 50 e 90 do século XX) com a seguinte frase : “Tem um cara que eu sou muito fã desde criancinha e acho que foi ele que me fez ser artista, juntamente com meu pai. Era um cara que na sua época era negro, caolho, um metro e cinquenta, chamado Sammy Davis Jr., que quando entrava no palco saía com 2 m de altura, loiro, de olho azul”.

Bem , agora vamos à análise da questão… :

1- É óbvio pelo contexto que a intenção do ator era elogiar e enaltecer Sammy Davis Jr. ;  um negro, portanto por inferência, a intenção não era proposital e conscientemente  ofensiva e nem racista…, na sua cabeça muito pelo contrário.

2- Por outro lado, racismo é uma ideologia em que grupos étnico-raciais  e que detém tradicional e histórica supremacia social e econômica  em determinado contexto (no caso ocidental e brasileiro leia-se população branca);  exercem  sobre outros grupos étnico-raciais, histórica e culturalmente condicionada  opressão , exploração, desvalorização cultural e estética e embarreiramento sócio-econômico;  impondo seus próprios padrões culturais, estéticos, etc… como sendo “superiores e desejáveis” (etnocentrismo).

3- Rodrigo Lombardi (assim como a maioria dos brasileiros “brancos” ); não tem noção de sua mentalidade racista e eurocêntrica introjetada…; essa mentalidade tem sido elaborada há séculos e passa de geração em geração…, de forma naturalizada e sem maiores reflexões;  apesar de no pós-abolição da escravidão as pessoas brancas terem assumido para si e os outros uma posição de que exteriorizar racismo é “feio”  (e  também pela criminalização da discriminação racial), o preconceito e a discriminação sobrevivem, geralmente de forma velada, “cordial” ou mesmo “inconsciente” ; muitos brasileiros brancos ACREDITAM MESMO não serem racistas (e de fato não tem a intenção consciente de sê-lo…) , mas trazem embutida a mentalidade racista e  enxergam com naturalidade a subordinação social e subrepresentação negra, bem como,  as imposições eurocêntricas (cabelo liso= bom,  cabelo “duro” = ruim,  nariz afilado= bonito, nariz largo= feio, “beleza europeia”= boa, “beleza afro” = “não existe”, comportamento bom= “lord/gentleman/dama”, comportamento ruim= “é de índio”,  cristão= bom,  religião afro= “demônio”, cor branca = pureza /paz, cor preta = mal/ pecado,  e por ai vai…)  .

Concluindo, do ponto de vista legal, Rodrigo Lombardi não foi racista (não fez declaração intencionalmente depreciativa, ofensiva ou racialmente injuriosa), mas do ponto de vista antropológico/sociológico e de forma “inconsciente” e involuntária,  podemos dizer que ele  “deixou escapar” sua mentalidade racista (e obviamente eurocêntrica) ao enaltecer um negro,  retirando-lhe  a  “negritude” e atribuindo-lhe de forma “honorária” características pretensamente “superiores” e brancas (loiro, de olhos azuis , etc…, uma  descrição de “homem ideal” em nada diferente da defendida por eugenistas e nazistas…), quem “não viu nada demais”  na declaração sofre do mesmo problema de mentalidade racista inconsciente… ; fazendo parte daquela turma que usaria sem problemas a expressão “preto de alma branca” para “elogiar” uma pessoa negra;  tem gente  que não percebe que colocar uma característica “racial” do grupo historicamente “dominante” como “ideal e superior”  tem o mesmo efeito prático de inferiorizar as dos outros.

Porém há males que vem para bem…, sendo o ator Rodrigo Lombardi uma pessoa (pelo menos na minha impressão ) que é “do bem” e dada a  sua exposição midiática atual, creio que o mesmo já deve ter refletido sobre o fato e deve se engajar de alguma forma  no combate a esse tipo de mentalidade geral e inconsciente, a polêmica também deve estar levando muita gente a refletir…

Aproveito para deixar o link para meu artigo que trata detalhadamente do racismo à brasileira :  “Não queríamos ser racistas”http://amazonida.orgfree.com/movimentoafro/nao_queriamos_ser_racistas.PDF